============================================================= Bíblia Parte 2 ============================================================= cidade. 7Eis que eles dão gritos com as suas bocas; espadas estão nos seus lábios, porque, dizem eles: Quem ouve? 8Mas tu, SENHOR, te rirás deles; zombarás de todos os gentios; 9Por causa da sua força eu te aguardarei; pois Deus é a minha alta defesa. 10O Deus da minha misericórdia virá ao meu encontro; Deus me fará ver o meu desejo sobre os meus inimigos. 11Não os mates, para que o meu povo não se esqueça; espalha-os pelo teu poder, e abate-os, ó Senhor, nosso escudo. 12Pelo pecado da sua boca e pelas palavras dos seus lábios, fiquem presos na sua soberba, e pelas maldições e pelas mentiras que falam. 13Consome-os na tua indignação, consome-os, para que não existam, e para que saibam que Deus reina em Jacó até aos fins da terra. (Selá.) 14E tornem a vir à tarde, e dêem ganidos como cães, e cerquem a cidade. 15Vagueiem para cima e para baixo por mantimento, e passem a noite sem se saciarem. 16Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericórdia; porquanto tu foste o meu alto refúgio, e proteção no dia da minha angústia. 17A ti, ó fortaleza minha, cantarei salmos; porque Deus é a minha defesa e o Deus da minha misericórdia. Salmos 60 1Ó DEUS, tu nos rejeitaste, tu nos espalhaste, tu te indignaste; oh, volta-te para nós. 2Abalaste a terra, e a fendeste; sara as suas fendas, pois ela treme. 3Fizeste ver ao teu povo coisas árduas; fizeste-nos beber o vinho do atordoamento. 4Deste um estandarte aos que te temem, para o arvorarem no alto, por causa da verdade. (Selá.) 5Para que os teus amados sejam livres, salva-nos com a tua destra, e ouve-nos; 6Deus falou na sua santidade; eu me regozijarei, repartirei a Siquém e medirei o vale de Sucote. 7Meu é Gileade, e meu é Manassés; Efraim é a força da minha cabeça; Judá é o meu legislador. 8Moabe é a minha bacia de lavar; sobre Edom lançarei o meu sapato; alegra-te, ó Filístia, por minha causa. 9Quem me conduzirá à cidade forte? Quem me guiará até Edom? 10Não serás tu, ó Deus, que nos tinhas rejeitado? tu, ó Deus, que não saíste com os nossos exércitos? 11Dá-nos auxílio na angústia, porque vão é o socorro do homem. 12Em Deus faremos proezas; porque ele é que pisará os nossos inimigos. Salmos 61 1OUVE, ó Deus, o meu clamor; atende à minha oração. 2Desde o fim da terra clamarei a ti, quando o meu coração estiver desmaiado; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu. 3Pois tens sido um refúgio para mim, e uma torre forte contra o inimigo. 4Habitarei no teu tabernáculo para sempre; abrigar-me-ei no esconderijo das tuas asas. (Selá.) 5Pois tu, ó Deus, ouviste os meus votos; deste-me a herança dos que temem o teu nome. 6Prolongarás os dias do rei; e os seus anos serão como muitas gerações. 7Ele permanecerá diante de Deus para sempre; prepara-lhe misericórdia e verdade que o preservem. 8Assim cantarei louvores ao teu nome perpetuamente, para pagar os meus votos de dia em dia. Salmos 62 1A MINHA alma espera somente em Deus; dele vem a minha salvação. 2Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa; não serei grandemente abalado. 3Até quando maquinareis o mal contra um homem? Sereis mortos todos vós, sereis como uma parede encurvada e uma sebe prestes a cair. 4Eles somente consultam como o hão de derrubar da sua excelência; deleitam-se em mentiras; com a boca bendizem, mas nas suas entranhas maldizem. (Selá.) 5Ó minha alma, espera somente em Deus, porque dele vem a minha esperança. 6Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa; não serei abalado. 7Em Deus está a minha salvação e a minha glória; a rocha da minha fortaleza, e o meu refúgio estão em Deus. 8Confiai nele, ó povo, em todos os tempos; derramai perante ele o vosso coração. Deus é o nosso refúgio. (Selá.) 9Certamente que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens de ordem elevada são mentira; pesados em balanças, eles juntos são mais leves do que a vaidade. 10Não confieis na opressão, nem vos ensoberbeçais na rapina; se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração. 11Deus falou uma vez; duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus. 12A ti também, Senhor, pertence a misericórdia; pois retribuirás a cada um segundo a sua obra. Salmos 63 1Ó DEUS, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água; 2Para ver a tua força e a tua glória, como te vi no santuário. 3Porque a tua benignidade é melhor do que a vida, os meus lábios te louvarão. 4Assim eu te bendirei enquanto viver; em teu nome levantarei as minhas mãos. 5A minha alma se fartará, como de tutano e de gordura; e a minha boca te louvará com alegres lábios, 6Quando me lembrar de ti na minha cama, e meditar em ti nas vigílias da noite. 7Porque tu tens sido o meu auxílio; então, à sombra das tuas asas me regozijarei. 8A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustenta. 9Mas aqueles que procuram a minha alma para a destruir, irão para as profundezas da terra. 10Cairão à espada; serão uma ração para as raposas. 11Mas o rei se regozijará em Deus; qualquer que por ele jurar se gloriará; porque se taparão as bocas dos que falam a mentira. Salmos 64 1OUVE, ó Deus, a minha voz na minha oração; guarda a minha vida do temor do inimigo. 2Esconde-me do secreto conselho dos maus, e do tumulto dos que praticam a iniqüidade. 3Que afiaram as suas línguas como espadas; e armaram por suas flechas palavras amargas, 4A fim de atirarem em lugar oculto ao que é íntegro; disparam sobre ele repentinamente, e não temem. 5Firmam-se em mau intento; falam de armar laços secretamente, e dizem: Quem os verá? 6Andam inquirindo malícias, inquirem tudo o que se pode inquirir; e ambos, o íntimo pensamento de cada um deles, e o coração, são profundos. 7Mas Deus atirará sobre eles uma seta, e de repente ficarão feridos. 8Assim eles farão com que as suas línguas tropecem contra si mesmos; todos aqueles que os virem, fugirão. 9E todos os homens temerão, e anunciarão a obra de Deus; e considerarão prudentemente os feitos dele. 10O justo se alegrará no SENHOR, e confiará nele, e todos os retos de coração se gloriarão. Salmos 65 1A TI, ó Deus, espera o louvor em Sião, e a ti se pagará o voto. 2Ó tu que ouves as orações, a ti virá toda a carne. 3Prevalecem as iniqüidades contra mim; porém tu limpas as nossas transgressões. 4Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para que habite em teus átrios; nós seremos fartos da bondade da tua casa e do teu santo templo. 5Com coisas tremendas em justiça nos responderás, ó Deus da nossa salvação; tu és a esperança de todas as extremidades da terra, e daqueles que estão longe sobre o mar. 6O que pela sua força consolida os montes, cingido de fortaleza; 7O que aplaca o ruído dos mares, o ruído das suas ondas, e o tumulto dos povos. 8E os que habitam nos fins da terra temem os teus sinais; tu fazes alegres as saídas da manhã e da tarde. 9Tu visitas a terra, e a refrescas; tu a enriqueces grandemente com o rio de Deus, que está cheio de água; tu lhe preparas o trigo, quando assim a tens preparada. 10Enches de água os seus sulcos; tu lhe aplanas as leivas; tu a amoleces com a muita chuva; abençoas as suas novidades. 11Coroas o ano com a tua bondade, e as tuas veredas destilam gordura. 12Destilam sobre os pastos do deserto, e os outeiros os cingem de alegria. 13Os campos se vestem de rebanhos, e os vales se cobrem de trigo; eles se regozijam e cantam. Salmos 66 1CELEBRAI com júbilo a Deus, todas as terras. 2Cantai a glória do seu nome; dai glória ao seu louvor. 3Dizei a Deus: Quão tremendo és tu nas tuas obras! Pela grandeza do teu poder se submeterão a ti os teus inimigos. 4Todos os moradores da terra te adorarão e te cantarão; cantarão o teu nome. (Selá.) 5Vinde, e vede as obras de Deus: é tremendo nos seus feitos para com os filhos dos homens. 6Converteu o mar em terra seca; passaram o rio a pé; ali nos alegramos nele. 7Ele domina eternamente pelo seu poder; os seus olhos estão sobre as nações; não se exaltem os rebeldes. (Selá.) 8Bendizei, povos, ao nosso Deus, e fazei ouvir a voz do seu louvor, 9Ao que sustenta com vida a nossa alma, e não consente que sejam abalados os nossos pés. 10Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata. 11Tu nos puseste na rede; afligiste os nossos lombos, 12Fizeste com que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; passamos pelo fogo e pela água; mas nos trouxeste a um lugar espaçoso. 13Entrarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-ei os meus votos, 14Os quais pronunciaram os meus lábios, e falou a minha boca, quando estava na angústia. 15Oferecer-te-ei holocaustos gordurosos com incenso de carneiros; oferecerei novilhos com cabritos. (Selá.) 16Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que ele tem feito à minha alma. 17A ele clamei com a minha boca, e ele foi exaltado pela minha língua. 18Se eu atender à iniqüidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá; 19Mas, na verdade, Deus me ouviu; atendeu à voz da minha oração. 20Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem desviou de mim a sua misericórdia. Salmos 67 1DEUS tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós (Selá.) 2Para que se conheça na terra o teu caminho, e entre todas as nações a tua salvação. 3Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos. 4Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgarás os povos com eqüidade, e governarás as nações sobre a terra. (Selá.) 5Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos. 6Então a terra dará o seu fruto; e Deus, o nosso Deus, nos abençoará. 7Deus nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão. Salmos 68 1LEVANTE-SE Deus, e sejam dissipados os seus inimigos; fugirão de diante dele os que o odeiam. 2Como se impele a fumaça, assim tu os impeles; assim como a cera se derrete diante do fogo, assim pereçam os ímpios diante de Deus. 3Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria. 4Cantai a Deus, cantai louvores ao seu nome; louvai aquele que vai montado sobre os céus, pois o seu nome é SENHOR, e exultai diante dele. 5Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo. 6Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca. 7Ó Deus, quando saías diante do teu povo, quando caminhavas pelo deserto, (Selá.) 8A terra abalava-se, e os céus destilavam perante a face de Deus; até o próprio Sinai foi comovido na presença de Deus, do Deus de Israel. 9Tu, ó Deus, mandaste a chuva em abundância, confortaste a tua herança, quando estava cansada. 10Nela habitava o teu rebanho; tu, ó Deus, fizeste provisão da tua bondade para o pobre. 11O Senhor deu a palavra; grande era o exército dos que anunciavam as boas novas. 12Reis de exércitos fugiram à pressa; e aquela que ficava em casa repartia os despojos. 13Ainda que vos tenhais deitado entre redis, contudo sereis como as asas duma pomba, cobertas de prata, e as suas penas, de ouro amarelo. 14Quando o Onipotente ali espalhou os reis, foi como a neve em Salmon. 15O monte de Deus é como o monte de Basã, um monte elevado como o monte de Basã. 16Por que saltais, ó montes elevados? Este é o monte que Deus desejou para a sua habitação, e o SENHOR habitará nele eternamente. 17Os carros de Deus são vinte milhares, milhares de milhares. O Senhor está entre eles, como em Sinai, no lugar santo. 18Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os homens, e até para os rebeldes, para que o SENHOR Deus habitasse entre eles. 19Bendito seja o Senhor, que de dia em dia nos carrega de benefícios; o Deus que é a nossa salvação. (Selá.) 20O nosso Deus é o Deus da salvação; e a Deus, o Senhor, pertencem os livramentos da morte. 21Mas Deus ferirá gravemente a cabeça de seus inimigos e o crânio cabeludo do que anda em suas culpas. 22Disse o Senhor: Eu os farei voltar de Basã, farei voltar o meu povo das profundezas do mar; 23Para que o teu pé mergulhe no sangue de teus inimigos, e no mesmo a língua dos teus cães. 24Ó Deus, eles têm visto os teus caminhos; os caminhos do meu Deus, meu Rei, no santuário. 25Os cantores iam adiante, os tocadores de instrumentos atrás; entre eles as donzelas tocando adufes. 26Celebrai a Deus nas congregações; ao Senhor, desde a fonte de Israel. 27Ali está o pequeno Benjamim, que domina sobre eles, os príncipes de Judá com o seu ajuntamento, os príncipes de Zebulom e os príncipes de Naftali. 28O teu Deus ordenou a tua força; fortalece, ó Deus, o que já fizeste para nós. 29Por amor do teu templo em Jerusalém, os reis te trarão presentes. 30Repreende asperamente as feras dos canaviais, a multidão dos touros, com os novilhos dos povos, até que cada um se submeta com peças de prata; dissipa os povos que desejam a guerra. 31Príncipes virão do Egito; a Etiópia cedo estenderá para Deus as suas mãos. 32Reinos da terra, cantai a Deus, cantai louvores ao Senhor. (Selá.) 33Àquele que vai montado sobre os céus dos céus, que existiam desde a antiguidade; eis que envia a sua voz, dá um brado veemente. 34Atribuí a Deus fortaleza; a sua excelência está sobre Israel e a sua fortaleza nas mais altas nuvens. 35Ó Deus, tu és tremendo desde os teus santuários; o Deus de Israel é o que dá força e poder ao seu povo. Bendito seja Deus! Salmos 69 1LIVRAME, ó Deus, pois as águas entraram até à minha alma. 2Atolei-me em profundo lamaçal, onde se não pode estar em pé; entrei na profundeza das águas, onde a corrente me leva. 3Estou cansado de clamar; a minha garganta se secou; os meus olhos desfalecem esperando o meu Deus. 4Aqueles que me odeiam sem causa são mais do que os cabelos da minha cabeça; aqueles que procuram destruir-me, sendo injustamente meus inimigos, são poderosos; então restituí o que não furtei. 5Tu, ó Deus, bem conheces a minha estultice; e os meus pecados não te são encobertos. 6Não sejam envergonhados por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor, Deus dos Exércitos; não sejam confundidos por minha causa aqueles que te buscam, ó Deus de Israel. 7Porque por amor de ti tenho suportado afrontas; a confusão cobriu o meu rosto. 8Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe. 9Pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim. 10Quando chorei, e castiguei com jejum a minha alma, isto se me tornou em afrontas. 11Pus por vestido um saco, e me fiz um provérbio para eles. 12Aqueles que se assentam à porta falam contra mim; e fui o cântico dos bebedores de bebida forte. 13Eu, porém, faço a minha oração a ti, SENHOR, num tempo aceitável; ó Deus, ouve-me segundo a grandeza da tua misericórdia, segundo a verdade da tua salvação. 14Tira-me do lamaçal, e não me deixes atolar; seja eu livre dos que me odeiam, e das profundezas das águas. 15Não me leve a corrente das águas, e não me absorva ao profundo, nem o poço cerre a sua boca sobre mim. 16Ouve-me, SENHOR, pois boa é a tua misericórdia. Olha para mim segundo a tua muitíssima piedade. 17E não escondas o teu rosto do teu servo, porque estou angustiado; ouve-me depressa. 18Aproxima-te da minha alma, e resgata-a; livrame por causa dos meus inimigos. 19Bem tens conhecido a minha afronta, e a minha vergonha, e a minha confusão; diante de ti estão todos os meus adversários. 20Afrontas me quebrantaram o coração, e estou fraquíssimo; esperei por alguém que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os achei. 21Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre. 22Torne-se-lhes a sua mesa diante deles em laço, e a prosperidade em armadilha. 23Escureçam-se-lhes os seus olhos, para que não vejam, e faze com que os seus lombos tremam constantemente. 24Derrama sobre eles a tua indignação, e prenda-os o ardor da tua ira. 25Fique desolado o seu palácio; e não haja quem habite nas suas tendas. 26Pois perseguem àquele a quem feriste, e conversam sobre a dor daqueles a quem chagaste. 27Acrescenta iniqüidade à iniqüidade deles, e não entrem na tua justiça. 28Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam inscritos com os justos. 29Eu, porém, sou pobre e estou triste; ponha-me a tua salvação, ó Deus, num alto retiro. 30Louvarei o nome de Deus com um cântico, e engrandecê-lo-ei com ação de graças. 31 Isto será mais agradável ao SENHOR do que boi, ou bezerro que tem chifres e unhas. 32Os mansos verão isto, e se agradarão; o vosso coração viverá, pois que buscais a Deus. 33Porque o SENHOR ouve os necessitados, e não despreza os seus cativos. 34Louvem-no os céus e a terra, os mares e tudo quanto neles se move. 35Porque Deus salvará a Sião, e edificará as cidades de Judá; para que habitem ali e a possuam. 36E herdá-la-á a semente de seus servos, e os que amam o seu nome habitarão nela. Salmos 70 1APRESSA-TE, ó Deus, em me livrar; SENHOR, apressa-te em ajudar-me. 2Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram a minha alma; voltem para trás e confundam-se os que me desejam mal. 3Virem as costas como recompensa da sua vergonha os que dizem: Ah! Ah! 4Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam; e aqueles que amam a tua salvação digam continuamente: Engrandecido seja Deus. 5Eu, porém, estou aflito e necessitado; apressa-te por mim, ó Deus. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; SENHOR, não te detenhas. Salmos 71 1EM ti, SENHOR, confio; nunca seja eu confundido. 2Livrame na tua justiça, e faze-me escapar; inclina os teus ouvidos para mim, e salva-me. 3Sê tu a minha habitação forte, à qual possa recorrer continuamente. Deste um mandamento que me salva, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza. 4Livrame, meu Deus, das mãos do ímpio, das mãos do homem injusto e cruel. 5Pois tu és a minha esperança, Senhor Deus; tu és a minha confiança desde a minha mocidade. 6Por ti tenho sido sustentado desde o ventre; tu és aquele que me tiraste das entranhas de minha mãe; o meu louvor será para ti constantemente. 7Sou como um prodígio para muitos, mas tu és o meu refúgio forte. 8Encha-se a minha boca do teu louvor e da tua glória todo o dia. 9Não me rejeites no tempo da velhice; não me desampares, quando se for acabando a minha força. 10Porque os meus inimigos falam contra mim, e os que espiam a minha alma consultam juntos, 11Dizendo: Deus o desamparou; persegui-o e tomai-o, pois não há quem o livre. 12Ó Deus, não te alongues de mim; meu Deus, apressa-te em ajudar-me. 13Sejam confundidos e consumidos os que são adversários da minha alma; cubram-se de opróbrio e de confusão aqueles que procuram o meu mal. 14Mas eu esperarei continuamente, e te louvarei cada vez mais. 15A minha boca manifestará a tua justiça e a tua salvação todo o dia, pois não conheço o número delas. 16Sairei na força do Senhor Deus, farei menção da tua justiça, e só dela. 17Ensinaste-me, ó Deus, desde a minha mocidade; e até aqui tenho anunciado as tuas maravilhas. 18Agora também, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus, até que tenha anunciado a tua força a esta geração, e o teu poder a todos os vindouros. 19Também a tua justiça, ó Deus, está muito alta, pois fizeste grandes coisas. Ó Deus, quem é semelhante a ti? 20Tu, que me tens feito ver muitos males e angústias, me darás ainda a vida, e me tirarás dos abismos da terra. 21Aumentarás a minha grandeza, e de novo me consolarás. 22Também eu te louvarei com o saltério, bem como à tua verdade, ó meu Deus; cantarei com harpa a ti, ó Santo de Israel. 23Os meus lábios exultarão quando eu te cantar, assim como a minha alma, que tu remiste. 24A minha língua falará da tua justiça todo o dia; pois estão confundidos e envergonhados aqueles que procuram o meu mal. Salmos 72 1Ó DEUS, dá ao rei os teus juízos, e a tua justiça ao filho do rei. 2Ele julgará ao teu povo com justiça, e aos teus pobres com juízo. 3Os montes trarão paz ao povo, e os outeiros, justiça. 4Julgará os aflitos do povo, salvará os filhos do necessitado, e quebrantará o opressor. 5Temer-te-ão enquanto durarem o sol e a lua, de geração em geração. 6Ele descerá como chuva sobre a erva ceifada, como os chuveiros que umedecem a terra. 7Nos seus dias florescerá o justo, e abundância de paz haverá enquanto durar a lua. 8Dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra. 9Aqueles que habitam no deserto se inclinarão ante ele, e os seus inimigos lamberão o pó. 10Os reis de Társis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sabá e de Seba oferecerão dons. 11E todos os reis se prostrarão perante ele; todas as nações o servirão. 12Porque ele livrará ao necessitado quando clamar, como também ao aflito e ao que não tem quem o ajude. 13Compadecer-se-á do pobre e do aflito, e salvará as almas dos necessitados. 14Libertará as suas almas do engano e da violência, e precioso será o seu sangue aos olhos dele. 15E viverá, e se lhe dará do ouro de Sabá; e continuamente se fará por ele oração; e todos os dias o bendirão. 16Haverá um punhado de trigo na terra sobre as cabeças dos montes; o seu fruto se moverá como o Líbano, e os da cidade florescerão como a erva da terra. 17O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de pais a filhos enquanto o sol durar, e os homens serão abençoados nele; todas as nações lhe chamarão bem-aventurado. 18Bendito seja o SENHOR Deus, o Deus de Israel, que só ele faz maravilhas. 19E bendito seja para sempre o seu nome glorioso; e encha-se toda a terra da sua glória. Amém e Amém. 20Aqui acabam as orações de Davi, filho de Jessé. Salmos 73 1VERDADEIRAMENTE bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração. 2Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos. 3Pois eu tinha inveja dos néscios, quando via a prosperidade dos ímpios. 4Porque não há apertos na sua morte, mas firme está a sua força. 5Não se acham em trabalhos como outros homens, nem são afligidos como outros homens. 6Por isso a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violência como de adorno. 7Os olhos deles estão inchados de gordura; eles têm mais do que o coração podia desejar. 8São corrompidos e tratam maliciosamente de opressão; falam arrogantemente. 9Põem as suas bocas contra os céus, e as suas línguas andam pela terra. 10Por isso o povo dele volta aqui, e águas de copo cheio se lhes espremem. 11E eles dizem: Como o sabe Deus? Há conhecimento no Altíssimo? 12Eis que estes são ímpios, e prosperam no mundo; aumentam em riquezas. 13Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração; e lavei as minhas mãos na inocência. 14Pois todo o dia tenho sido afligido, e castigado cada manhã. 15Se eu dissesse: Falarei assim; eis que ofenderia a geração de teus filhos. 16Quando pensava em entender isto, foi para mim muito doloroso; 17Até que entrei no santuário de Deus; então entendi eu o fim deles. 18Certamente tu os puseste em lugares escorregadios; tu os lanças em destruição. 19Como caem na desolação, quase num momento! Ficam totalmente consumidos de terrores. 20Como um sonho, quando se acorda, assim, ó Senhor, quando acordares, desprezarás a aparência deles. 21Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins. 22Assim me embruteci, e nada sabia; fiquei como um animal perante ti. 23Todavia estou de contínuo contigo; tu me sustentaste pela minha mão direita. 24Guiar-me-ás com o teu conselho, e depois me receberás na glória. 25Quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti. 26A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre. 27Pois eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu tens destruído todos aqueles que se desviam de ti. 28Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus; pus a minha confiança no Senhor Deus, para anunciar todas as tuas obras. Salmos 74 1Ó DEUS, por que nos rejeitaste para sempre? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto? 2Lembra-te da tua congregação, que compraste desde a antiguidade; da vara da tua herança, que remiste; deste monte Sião, em que habitaste. 3Levanta os teus pés para as perpétuas assolações, para tudo o que o inimigo tem feito de mal no santuário. 4Os teus inimigos bramam no meio dos teus lugares santos; põem neles as suas insígnias por sinais. 5Um homem se tornava famoso, conforme houvesse levantado machados, contra a espessura do arvoredo. 6Mas agora toda obra entalhada de uma vez quebram com machados e martelos. 7Lançaram fogo no teu santuário; profanaram, derrubando-a até ao chão, a morada do teu nome. 8Disseram nos seus corações: Despojemo-los duma vez. Queimaram todos os lugares santos de Deus na terra. 9Já não vemos os nossos sinais, já não há profeta, nem há entre nós alguém que saiba até quando isto durará. 10Até quando, ó Deus, nos afrontará o adversário? Blasfemará o inimigo o teu nome para sempre? 11Porque retiras a tua mão, a saber, a tua destra? Tira-a de dentro do teu seio. 12Todavia Deus é o meu Rei desde a antiguidade, operando a salvação no meio da terra. 13Tu dividiste o mar pela tua força; quebrantaste as cabeças das baleias nas águas. 14Fizeste em pedaços as cabeças do leviatã, e o deste por mantimento aos habitantes do deserto. 15Fendeste a fonte e o ribeiro; secaste os rios impetuosos. 16Teu é o dia e tua é a noite; preparaste a luz e o sol. 17Estabeleceste todos os limites da terra; verão e inverno tu os formaste. 18Lembra-te disto: que o inimigo afrontou ao SENHOR e que um povo louco blasfemou o teu nome. 19Não entregues às feras a alma da tua rola; não te esqueças para sempre da vida dos teus aflitos. 20Atende a tua aliança; pois os lugares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de crueldade. 21Oh, não volte envergonhado o oprimido; louvem o teu nome o aflito e o necessitado. 22Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa; lembra-te da afronta que o louco te faz cada dia. 23Não te esqueças dos gritos dos teus inimigos; o tumulto daqueles que se levantam contra ti aumenta continuamente. Salmos 75 1A TI, ó Deus, glorificamos, a ti damos louvor, pois o teu nome está perto, as tuas maravilhas o declaram. 2Quando eu ocupar o lugar determinado, julgarei retamente. 3A terra e todos os seus moradores estão dissolvidos, mas eu fortaleci as suas colunas. (Selá.) 4Disse eu aos loucos: Não enlouqueçais, e aos ímpios: Não levanteis a fronte; 5Não levanteis a vossa fronte altiva, nem faleis com cerviz dura. 6Porque nem do oriente, nem do ocidente, nem do deserto vem a exaltação. 7Mas Deus é o Juiz: a um abate, e a outro exalta. 8Porque na mão do SENHOR há um cálice cujo vinho é tinto; está cheio de mistura; e dá a beber dele; mas as escórias dele todos os ímpios da terra as sorverão e beberão. 9E eu o declararei para sempre; cantarei louvores ao Deus de Jacó. 10E quebrarei todas as forças dos ímpios, mas as forças dos justos serão exaltadas. Salmos 76 1CONHECIDO é Deus em Judá; grande é o seu nome em Israel. 2E em Salém está o seu tabernáculo, e a sua morada em Sião. 3Ali quebrou as flechas do arco; o escudo, e a espada, e a guerra. (Selá.) 4Tu és mais ilustre e glorioso do que os montes de caça. 5Os que são ousados de coração são despojados; dormiram o seu sono; e nenhum dos homens de força achou as próprias mãos. 6À tua repreensão, ó Deus de Jacó, carros e cavalos são lançados num sono profundo. 7Tu, tu és temível; e quem subsistirá à tua vista, uma vez que te irares? 8Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo; a terra tremeu e se aquietou, 9Quando Deus se levantou para fazer juízo, para livrar a todos os mansos da terra. (Selá.) 10Certamente a cólera do homem redundará em teu louvor; o restante da cólera tu o restringirás. 11Fazei votos, e pagai ao SENHOR vosso Deus; tragam presentes, os que estão em redor dele, àquele que é temível. 12Ele ceifará o espírito dos príncipes; é tremendo para com os reis da terra. Salmos 77 1CLAMEI a Deus com a minha voz, a Deus levantei a minha voz, e ele inclinou para mim os ouvidos. 2No dia da minha angústia busquei ao Senhor; a minha mão se estendeu de noite, e não cessava; a minha alma recusava ser consolada. 3Lembrava-me de Deus, e me perturbei; queixava-me, e o meu espírito desfalecia. (Selá.) 4Sustentaste os meus olhos acordados; estou tão perturbado que não posso falar. 5Considerava os dias da antiguidade, os anos dos tempos antigos. 6De noite chamei à lembrança o meu cântico; meditei em meu coração, e o meu espírito esquadrinhou. 7Rejeitará o Senhor para sempre e não tornará a ser favorável? 8Cessou para sempre a sua benignidade? Acabou-se já a promessa de geração em geração? 9Esqueceu-se Deus de ter misericórdia? Ou encerrou ele as suas misericórdias na sua ira? (Selá.) 10E eu disse: Isto é enfermidade minha; mas eu me lembrarei dos anos da destra do Altíssimo. 11Eu me lembrarei das obras do SENHOR; certamente que eu me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade. 12Meditarei também em todas as tuas obras, e falarei dos teus feitos. 13O teu caminho, ó Deus, está no santuário. Quem é Deus tão grande como o nosso Deus? 14Tu és o Deus que fazes maravilhas; tu fizeste notória a tua força entre os povos. 15Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacó e de José. (Selá.) 16As águas te viram, ó Deus, as águas te viram, e tremeram; os abismos também se abalaram. 17As nuvens lançaram água, os céus deram um som; as tuas flechas correram duma para outra parte. 18A voz do teu trovão estava no céu; os relâmpagos iluminaram o mundo; a terra se abalou e tremeu. 19O teu caminho é no mar, e as tuas veredas nas águas grandes, e os teus passos não são conhecidos. 20Guiaste o teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moisés e de Arão. Salmos 78 1ESCUTAI a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca. 2Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade. 3Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado. 4Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do SENHOR, assim como a sua força e as maravilhas que fez. 5Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pôs uma lei em Israel, a qual deu aos nossos pais para que a fizessem conhecer a seus filhos; 6Para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quais se levantassem e a contassem a seus filhos; 7Para que pusessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos. 8E não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espírito não foi fiel a Deus. 9Os filhos de Efraim, armados e trazendo arcos, viraram as costas no dia da peleja. 10Não guardaram a aliança de Deus, e recusaram andar na sua lei; 11E esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver. 12Maravilhas que ele fez à vista de seus pais na terra do Egito, no campo de Zoã. 13Dividiu o mar, e os fez passar por ele; fez com que as águas parassem como num montão. 14De dia os guiou por uma nuvem, e toda a noite por uma luz de fogo. 15Fendeu as penhas no deserto; e deu-lhes de beber como de grandes abismos. 16Fez sair fontes da rocha, e fez correr as águas como rios. 17E ainda prosseguiram em pecar contra ele, provocando ao Altíssimo na solidão. 18E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para o seu apetite. 19E falaram contra Deus, e disseram: Acaso pode Deus preparar-nos uma mesa no deserto? 20Eis que feriu a penha, e águas correram dela: rebentaram ribeiros em abundância. Poderá também dar-nos pão, ou preparar carne para o seu povo? 21Portanto o SENHOR os ouviu, e se indignou; e acendeu um fogo contra Jacó, e furor também subiu contra Israel; 22Porquanto não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação; 23Ainda que mandara às altas nuvens, e abriu as portas dos céus, 24E chovera sobre eles o maná para comerem, e lhes dera do trigo do céu. 25O homem comeu o pão dos anjos; ele lhes mandou comida a fartar. 26Fez soprar o vento do oriente nos céus, e o trouxe do sul com a sua força. 27E choveu sobre eles carne como pó, e aves de asas como a areia do mar. 28E as fez cair no meio do seu arraial, ao redor de suas habitações. 29Então comeram e se fartaram bem; pois lhes cumpriu o seu desejo. 30Não refrearam o seu apetite. Ainda lhes estava a comida na boca, 31Quando a ira de Deus desceu sobre eles, e matou os mais robustos deles, e feriu os escolhidos de Israel. 32Com tudo isto ainda pecaram, e não deram crédito às suas maravilhas. 33Por isso consumiu os seus dias na vaidade e os seus anos na angústia. 34Quando os matava, então o procuravam; e voltavam, e de madrugada buscavam a Deus. 35E se lembravam de que Deus era a sua rocha, e o Deus Altíssimo o seu Redentor. 36Todavia lisonjeavam-no com a boca, e com a língua lhe mentiam. 37Porque o seu coração não era reto para com ele, nem foram fiéis na sua aliança. 38Ele, porém, que é misericordioso, perdoou a sua iniqüidade; e não os destruiu, antes muitas vezes desviou deles o seu furor, e não despertou toda a sua ira. 39Porque se lembrou de que eram de carne, vento que passa e não volta. 40Quantas vezes o provocaram no deserto, e o entristeceram na solidão! 41Voltaram atrás, e tentaram a Deus, e limitaram o Santo de Israel. 42Não se lembraram da sua mão, nem do dia em que os livrou do adversário; 43Como operou os seus sinais no Egito, e as suas maravilhas no campo de Zoã; 44E converteu os seus rios em sangue, e as suas correntes, para que não pudessem beber. 45Enviou entre eles enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os destruíram. 46Deu também ao pulgão a sua novidade, e o seu trabalho aos gafanhotos. 47Destruiu as suas vinhas com saraiva, e os seus sicômoros com pedrisco. 48Também entregou o seu gado à saraiva, e os seus rebanhos aos coriscos. 49Lançou sobre eles o ardor da sua ira, furor, indignação, e angústia, mandando maus anjos contra eles. 50Preparou caminho à sua ira; não poupou as suas almas da morte, mas entregou à pestilência as suas vidas. 51E feriu a todo primogênito no Egito, primícias da sua força nas tendas de Cão. 52Mas fez com que o seu povo saísse como ovelhas, e os guiou pelo deserto como um rebanho. 53E os guiou com segurança, que não temeram; mas o mar cobriu os seus inimigos. 54E os trouxe até ao termo do seu santuário, até este monte que a sua destra adquiriu. 55E expulsou os gentios de diante deles, e lhes dividiu uma herança por linha, e fez habitar em suas tendas as tribos de Israel. 56Contudo tentaram e provocaram o Deus Altíssimo, e não guardaram os seus testemunhos. 57Mas retiraram-se para trás, e portaram-se infielmente como seus pais; viraramse como um arco enganoso. 58Pois o provocaram à ira com os seus altos, e moveram o seu zelo com as suas imagens de escultura. 59Deus ouviu isto e se indignou; e aborreceu a Israel sobremodo. 60Por isso desamparou o tabernáculo em Siló, a tenda que estabeleceu entre os homens. 61E deu a sua força ao cativeiro, e a sua glória à mão do inimigo. 62E entregou o seu povo à espada, e se enfureceu contra a sua herança. 63O fogo consumiu os seus jovens, e as suas moças não foram dadas em casamento. 64Os seus sacerdotes caíram à espada, e as suas viúvas não fizeram lamentação. 65Então o Senhor despertou, como quem acaba de dormir, como um valente que se alegra com o vinho. 66E feriu os seus adversários por detrás, e pô-los em perpétuo desprezo. 67Além disto, recusou o tabernáculo de José, e não elegeu a tribo de Efraim. 68Antes elegeu a tribo de Judá; o monte Sião, que ele amava. 69E edificou o seu santuário como altos palácios, como a terra, que fundou para sempre. 70Também elegeu a Davi seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas; 71E o tirou do cuidado das que se acharam prenhes; para apascentar a Jacó, seu povo, e a Israel, sua herança. 72Assim os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou pela perícia de suas mãos. Salmos 79 1Ó DEUS, os gentios vieram à tua herança; contaminaram o teu santo templo; reduziram Jerusalém a montões de pedras. 2Deram os corpos mortos dos teus servos por comida às aves dos céus, e a carne dos teus santos às feras da terra. 3Derramaram o sangue deles como a água ao redor de Jerusalém, e não houve quem os enterrasse. 4Somos feitos opróbrio para nossos vizinhos, escárnio e zombaria para os que estão à roda de nós. 5Até quando, SENHOR? Acaso te indignarás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo? 6Derrama o teu furor sobre os gentios que não te conhecem, e sobre os reinos que não invocam o teu nome. 7Porque devoraram a Jacó, e assolaram as suas moradas. 8Não te lembres das nossas iniqüidades passadas; venham ao nosso encontro depressa as tuas misericórdias, pois já estamos muito abatidos. 9Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela glória do teu nome; e livra-nos, e perdoa os nossos pecados por amor do teu nome. 10Porque diriam os gentios: Onde está o seu Deus? Seja ele conhecido entre os gentios, à nossa vista, pela vingança do sangue dos teus servos, que foi derramado. 11Venha perante a tua face o gemido dos presos; segundo a grandeza do teu braço preserva aqueles que estão sentenciados à morte. 12E torna aos nossos vizinhos, no seu regaço, sete vezes tanto da sua injúria com a qual te injuriaram, Senhor. 13Assim nós, teu povo e ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente; de geração em geração cantaremos os teus louvores. Salmos 80 1TU, que és pastor de Israel, dá ouvidos; tu, que guias a José como a um rebanho; tu, que te assentas entre os querubins, resplandece. 2Perante Efraim, Benjamim e Manassés, desperta o teu poder, e vem salvar-nos. 3Faze-nos voltar, ó Deus, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos. 4Ó SENHOR Deus dos Exércitos, até quando te indignarás contra a oração do teu povo? 5Tu os sustentas com pão de lágrimas, e lhes dás a beber lágrimas com abundância. 6Tu nos pões em contendas com os nossos vizinhos, e os nossos inimigos zombam de nós entre si. 7Faze-nos voltar, ó Deus dos Exércitos, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos. 8Trouxeste uma vinha do Egito; lançaste fora os gentios, e a plantaste. 9Preparaste-lhe lugar, e fizeste com que ela deitasse raízes, e encheu a terra. 10Os montes foram cobertos da sua sombra, e os seus ramos se fizeram como os formosos cedros. 11Ela estendeu a sua ramagem até ao mar, e os seus ramos até ao rio. 12Por que quebraste então os seus valados, de modo que todos os que passam por ela a vindimam? 13O javali da selva a devasta, e as feras do campo a devoram. 14Oh! Deus dos Exércitos, volta-te, nós te rogamos, atende dos céus, e vê, e visita esta vide; 15E a videira que a tua destra plantou, e o sarmento que fortificaste para ti. 16Está queimada pelo fogo, está cortada; pereceu pela repreensão da tua face. 17Seja a tua mão sobre o homem da tua destra, sobre o filho do homem, que fortificaste para ti. 18Assim nós não te viraremos as costas; guarda-nos em vida, e invocaremos o teu nome. 19Faze-nos voltar, SENHOR Deus dos Exércitos; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos. Salmos 81 1EXULTAI a Deus, nossa fortaleza; jubilai ao Deus de Jacó. 2Tomai um salmo, e trazei junto o tamborim, a harpa suave e o saltério. 3Tocai a trombeta na lua nova, no tempo apontado da nossa solenidade. 4Porque isto era um estatuto para Israel, e uma lei do Deus de Jacó. 5Ordenou-o em José por testemunho, quando saíra pela terra do Egito, onde ouvi uma língua que não entendia. 6Tirei de seus ombros a carga; as suas mãos foram livres dos cestos. 7Clamaste na angústia, e te livrei; respondi-te no lugar oculto dos trovões; provei-te nas águas de Meribá. (Selá.) 8Ouve-me, povo meu, e eu te atestarei: Ah, Israel, se me ouvires! 9Não haverá entre ti deus alheio, nem te prostrarás ante um deus estranho. 10Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito; abre bem a tua boca, e ta encherei. 11Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz, e Israel não me quis. 12Portanto eu os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram nos seus próprios conselhos. 13Oh! se o meu povo me tivesse ouvido! se Israel andasse nos meus caminhos! 14Em breve abateria os seus inimigos, e viraria a minha mão contra os seus adversários. 15Os que odeiam ao SENHOR ter-se-lhe-iam sujeitado, e o seu tempo seria eterno. 16E o sustentaria com o trigo mais fino, e o fartaria com o mel saído da rocha. Salmos 82 1DEUS está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses. 2Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios? (Selá.) 3Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado. 4Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. 5Eles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacilam. 6Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo. 7Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes. 8Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois tu possuis todas as nações. Salmos 83 1Ó DEUS, não estejas em silêncio; não te cales, nem te aquietes, ó Deus, 2Porque eis que teus inimigos fazem tumulto, e os que te odeiam levantaram a cabeça. 3Tomaram astuto conselho contra o teu povo, e consultaram contra os teus escondidos. 4Disseram: Vinde, e desarraiguemo-los para que não sejam nação, nem haja mais memória do nome de Israel. 5Porque consultaram juntos e unânimes; eles se unem contra ti: 6As tendas de Edom, e dos ismaelitas, de Moabe, e dos agarenos, 7De Gebal, e de Amom, e de Amaleque, a Filístia, com os moradores de Tiro; 8Também a Assíria se ajuntou com eles; foram ajudar aos filhos de Ló. (Selá.) 9Faze-lhes como aos midianitas; como a Sísera, como a Jabim na ribeira de Quisom; 10Os quais pereceram em Endor; tornaram-se como estrume para a terra. 11Faze aos seus nobres como a Orebe, e como a Zeebe; e a todos os seus príncipes, como a Zebá e como a Zalmuna, 12Que disseram: Tomemos para nós as casas de Deus em possessão. 13Deus meu, faze-os como um tufão, como a aresta diante do vento. 14Como o fogo que queima um bosque, e como a chama que incendeia as brenhas, 15Assim os persegue com a tua tempestade, e os assombra com o teu torvelinho. 16Encham-se de vergonha as suas faces, para que busquem o teu nome, SENHOR. 17Confundam-se e assombrem-se perpetuamente; envergonhem-se, e pereçam, 18Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome de SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra. Salmos 84 1QUÃO amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos! 2A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo. 3Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu. 4Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente. (Selá.) 5Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados. 6Que, passando pelo vale de Baca, faz dele uma fonte; a chuva também enche os tanques. 7Vão indo de força em força; cada um deles em Sião aparece perante Deus. 8SENHOR Deus dos Exércitos, escuta a minha oração; inclina os ouvidos, ó Deus de Jacó! (Selá.) 9Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido. 10Porque vale mais um dia nos teus átrios do que mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos ímpios. 11Porque o SENHOR Deus é um sol e escudo; o SENHOR dará graça e glória; não retirará bem algum aos que andam na retidão. 12SENHOR dos Exércitos, bem-aventurado o homem que em ti põe a sua confiança. Salmos 85 1ABENÇOASTE, SENHOR, a tua terra; fizeste voltar o cativeiro de Jacó. 2Perdoaste a iniqüidade do teu povo; cobriste todos os seus pecados. (Selá.) 3Fizeste cessar toda a tua indignação; desviaste-te do ardor da tua ira. 4Torna-nos a trazer, ó Deus da nossa salvação, e faze cessar a tua ira de sobre nós. 5Acaso estarás sempre irado contra nós? Estenderás a tua ira a todas as gerações? 6Não tornarás a vivificar-nos, para que o teu povo se alegre em ti? 7Mostra-nos, SENHOR, a tua misericórdia, e concede-nos a tua salvação. 8Escutarei o que Deus, o SENHOR, falar; porque falará de paz ao seu povo, e aos santos, para que não voltem à loucura. 9Certamente que a salvação está perto daqueles que o temem, para que a glória habite na nossa terra. 10A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram. 11A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus. 12Também o SENHOR dará o que é bom, e a nossa terra dará o seu fruto. 13A justiça irá adiante dele, e nos porá no caminho das suas pisadas. Salmos 86 1 INCLINA, SENHOR, os teus ouvidos, e ouve-me, porque estou necessitado e aflito. 2Guarda a minha alma, pois sou santo: ó Deus meu, salva o teu servo, que em ti confia. 3Tem misericórdia de mim, ó Senhor, pois a ti clamo todo o dia. 4Alegra a alma do teu servo, pois a ti, Senhor, levanto a minha alma. 5Pois tu, Senhor, és bom, e pronto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam. 6Dá ouvidos, SENHOR, à minha oração e atende à voz das minhas súplicas. 7No dia da minha angústia clamo a ti, porquanto me respondes. 8Entre os deuses não há semelhante a ti, Senhor, nem há obras como as tuas. 9Todas as nações que fizeste virão e se prostrarão perante a tua face, Senhor, e glorificarão o teu nome. 10Porque tu és grande e fazes maravilhas; só tu és Deus. 11Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; une o meu coração ao temor do teu nome. 12Louvar-te-ei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração, e glorificarei o teu nome para sempre. 13Pois grande é a tua misericórdia para comigo; e livraste a minha alma do inferno mais profundo. 14Ó Deus, os soberbos se levantaram contra mim, e as assembléias dos tiranos procuraram a minha alma, e não te puseram perante os seus olhos. 15Porém tu, Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, sofredor, e grande em benignidade e em verdade. 16Volta-te para mim, e tem misericórdia de mim; dá a tua fortaleza ao teu servo, e salva ao filho da tua serva. 17Mostra-me um sinal para bem, para que o vejam aqueles que me odeiam, e se confundam; porque tu, SENHOR, me ajudaste e me consolaste. Salmos 87 1O SEU fundamento está nos montes santos. 2O SENHOR ama as portas de Sião, mais do que todas as habitações de Jacó. 3Coisas gloriosas se dizem de ti, ó cidade de Deus. (Selá.) 4Farei menção de Raabe e de Babilônia àqueles que me conhecem; eis que da Filístia, e de Tiro, e da Etiópia, se dirá: Este homem nasceu ali. 5E de Sião se dirá: Este e aquele homem nasceram ali; e o mesmo Altíssimo a estabelecerá. 6O SENHOR contará na descrição dos povos que este homem nasceu ali. (Selá.) 7Assim os cantores como os tocadores de instrumentos estarão lá; todas as minhas fontes estão em ti. Salmos 88 1SENHOR Deus da minha salvação, diante de ti tenho clamado de dia e de noite. 2Chegue a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao meu clamor; 3Porque a minha alma está cheia de angústia, e a minha vida se aproxima da sepultura. 4Estou contado com aqueles que descem ao abismo; estou como homem sem forças, 5Livre entre os mortos, como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais te não lembras mais, e estão cortados da tua mão. 6Puseste-me no abismo mais profundo, em trevas e nas profundezas. 7Sobre mim pesa o teu furor; tu me afligiste com todas as tuas ondas. (Selá.) 8Alongaste de mim os meus conhecidos, puseste-me em extrema abominação para com eles. Estou fechado, e não posso sair. 9A minha vista desmaia por causa da aflição. SENHOR, tenho clamado a ti todo o dia, tenho estendido para ti as minhas mãos. 10Mostrarás, tu, maravilhas aos mortos, ou os mortos se levantarão e te louvarão? (Selá.) 11Será anunciada a tua benignidade na sepultura, ou a tua fidelidade na perdição? 12Saber-se-ão as tuas maravilhas nas trevas, e a tua justiça na terra do esquecimento? 13Eu, porém, SENHOR, tenho clamado a ti, e de madrugada te esperará a minha oração. 14SENHOR, porque rejeitas a minha alma? Por que escondes de mim a tua face? 15Estou aflito, e prestes tenho estado a morrer desde a minha mocidade; enquanto sofro os teus terrores, estou perturbado. 16A tua ardente indignação sobre mim vai passando; os teus terrores me têm retalhado. 17Eles me rodeiam todo o dia como água; eles juntos me sitiam. 18Desviaste para longe de mim amigos e companheiros, e os meus conhecidos estão em trevas. Salmos 89 1AS benignidades do SENHOR cantarei perpetuamente; com a minha boca manifestarei a tua fidelidade de geração em geração. 2Pois disse eu: A tua benignidade será edificada para sempre; tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus, dizendo: 3Fiz uma aliança com o meu escolhido, e jurei ao meu servo Davi, dizendo: 4A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu trono de geração em geração. (Selá.) 5E os céus louvarão as tuas maravilhas, ó SENHOR, a tua fidelidade também na congregação dos santos. 6Pois quem no céu se pode igualar ao SENHOR? Quem entre os filhos dos poderosos pode ser semelhante ao SENHOR? 7Deus é muito formidável na assembléia dos santos, e para ser reverenciado por todos os que o cercam. 8Ó SENHOR Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu, SENHOR, com a tua fidelidade ao redor de ti? 9Tu dominas o ímpeto do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar. 10Tu quebraste a Raabe como se fora ferida de morte; espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte. 11Teus são os céus, e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste. 12O norte e o sul tu os criaste; Tabor e Hermom jubilam em teu nome. 13Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e alta está a tua destra. 14Justiça e juízo são a base do teu trono; misericórdia e verdade irão adiante do teu rosto. 15Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre; andará, ó SENHOR, na luz da tua face. 16Em teu nome se alegrará todo o dia, e na tua justiça se exaltará. 17Pois tu és a glória da sua força; e no teu favor será exaltado o nosso poder. 18Porque o SENHOR é a nossa defesa, e o Santo de Israel o nosso Rei. 19Então falaste em visão ao teu santo, e disseste: Pus o socorro sobre um que é poderoso; exaltei a um eleito do povo. 20Achei a Davi, meu servo; com santo óleo o ungi, 21Com o qual a minha mão ficará firme, e o meu braço o fortalecerá. 22O inimigo não o importunará, nem o filho da perversidade o afligirá. 23E eu derrubarei os seus inimigos perante a sua face, e ferirei aos que o odeiam. 24E a minha fidelidade e a minha benignidade estarão com ele; e em meu nome será exaltado o seu poder. 25Porei também a sua mão no mar, e a sua direita nos rios. 26Ele me chamará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação. 27Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra. 28A minha benignidade lhe conservarei eu para sempre, e a minha aliança lhe será firme, 29E conservarei para sempre a sua semente, e o seu trono como os dias do céu. 30Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nos meus juízos, 31Se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos, 32Então visitarei a sua transgressão com a vara, e a sua iniqüidade com açoites. 33Mas não retirarei totalmente dele a minha benignidade, nem faltarei à minha fidelidade. 34Não quebrarei a minha aliança, não alterarei o que saiu dos meus lábios. 35Uma vez jurei pela minha santidade que não mentirei a Davi. 36A sua semente durará para sempre, e o seu trono, como o sol diante de mim. 37Será estabelecido para sempre como a lua e como uma testemunha fiel no céu. (Selá.) 38Mas tu rejeitaste e aborreceste; tu te indignaste contra o teu ungido. 39Abominaste a aliança do teu servo; profanaste a sua coroa, lançando-a por terra. 40Derrubaste todos os seus muros; arruinaste as suas fortificações. 41Todos os que passam pelo caminho o despojam; é um opróbrio para os seus vizinhos. 42Exaltaste a destra dos seus adversários; fizeste com que todos os seus inimigos se regozijassem. 43Também embotaste o fio da sua espada, e não o sustentaste na peleja. 44Fizeste cessar a sua glória, e deitaste por terra o seu trono. 45Abreviaste os dias da sua mocidade; cobriste-o de vergonha. (Selá.) 46Até quando, SENHOR? Acaso te esconderás para sempre? Arderá a tua ira como fogo? 47Lembra-te de quão breves são os meus dias; por que criarias debalde todos os filhos dos homens? 48Que homem há, que viva, e não veja a morte? Livrará ele a sua alma do poder da sepultura? (Selá.) 49Senhor, onde estão as tuas antigas benignidades que juraste a Davi pela tua verdade? 50Lembra-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos; como eu trago no meu peito o opróbrio de todos os povos poderosos, 51Com o qual, SENHOR, os teus inimigos têm difamado, com o qual têm difamado as pisadas do teu ungido. 52Bendito seja o SENHOR para sempre. Amém, e Amém. Salmos 90 1SENHOR, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. 2Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus. 3Tu reduzes o homem à destruição; e dizes: Tornai-vos, filhos dos homens. 4Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite. 5Tu os levas como uma corrente de água; são como um sono; de manhã são como a erva que cresce. 6De madrugada floresce e cresce; à tarde corta-se e seca. 7Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados. 8Diante de ti puseste as nossas iniqüidades, os nossos pecados ocultos, à luz do teu rosto. 9Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os nossos anos como um conto que se conta. 10Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando. 11Quem conhece o poder da tua ira? Segundo és tremendo, assim é o teu furor. 12Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. 13Volta-te para nós, SENHOR; até quando? Aplaca-te para com os teus servos. 14Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias. 15Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal. 16Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória sobre seus filhos. 17E seja sobre nós a formosura do SENHOR nosso Deus, e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos. Salmos 91 1AQUELE que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. 2Direi do SENHOR: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei. 3Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa. 4Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel. 5Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia, 6Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meiodia. 7Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti. 8Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios. 9Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação. 10Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. 11Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. 12Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra. 13Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente. 14Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome. 15Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei. 16Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação. Salmos 92 1BOM é louvar ao SENHOR, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo; 2Para de manhã anunciar a tua benignidade, e todas as noites a tua fidelidade; 3Sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério; sobre a harpa com som solene. 4Pois tu, SENHOR, me alegraste pelos teus feitos; exultarei nas obras das tuas mãos. 5Quão grandes são, SENHOR, as tuas obras! Mui profundos são os teus pensamentos. 6O homem brutal não conhece, nem o louco entende isto. 7Quando o ímpio crescer como a erva, e quando florescerem todos os que praticam a iniqüidade, é que serão destruídos perpetuamente. 8Mas tu, SENHOR, és o Altíssimo para sempre. 9Pois eis que os teus inimigos, SENHOR, eis que os teus inimigos perecerão; serão dispersos todos os que praticam a iniqüidade. 10Porém tu exaltarás o meu poder, como o do boi selvagem. Serei ungido com óleo fresco. 11Os meus olhos verão o meu desejo sobre os meus inimigos, e os meus ouvidos ouvirão o meu desejo acerca dos malfeitores que se levantam contra mim. 12O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano. 13Os que estão plantados na casa do SENHOR florescerão nos átrios do nosso Deus. 14Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos, 15Para anunciar que o SENHOR é reto. Ele é a minha rocha e nele não há injustiça. Salmos 93 1O SENHOR reina; está vestido de majestade. O SENHOR se revestiu e cingiu de poder; o mundo também está firmado, e não poderá vacilar. 2O teu trono está firme desde então; tu és desde a eternidade. 3Os rios levantam, ó SENHOR, os rios levantam o seu ruído, os rios levantam as suas ondas. 4Mas o SENHOR nas alturas é mais poderoso do que o ruído das grandes águas e do que as grandes ondas do mar. 5Mui fiéis são os teus testemunhos; a santidade convém à tua casa, SENHOR, para sempre. Salmos 94 1Ó SENHOR Deus, a quem a vingança pertence, ó Deus, a quem a vingança pertence, mostra-te resplandecente. 2Exalta-te, tu, que és juiz da terra; dá a paga aos soberbos. 3Até quando os ímpios, SENHOR, até quando os ímpios saltarão de prazer? 4Até quando proferirão, e falarão coisas duras, e se gloriarão todos os que praticam a iniqüidade? 5Reduzem a pedaços o teu povo, ó SENHOR, e afligem a tua herança. 6Matam a viúva e o estrangeiro, e ao órfão tiram a vida. 7Contudo dizem: O SENHOR não o verá; nem para isso atenderá o Deus de Jacó. 8Atendei, ó brutais dentre o povo; e vós, loucos, quando sereis sábios? 9Aquele que fez o ouvido não ouvirá? E o que formou o olho, não verá? 10Aquele que argüi os gentios não castigará? E o que ensina ao homem o conhecimento, não saberá? 11O SENHOR conhece os pensamentos do homem, que são vaidade. 12Bem-aventurado é o homem a quem tu castigas, ó SENHOR, e a quem ensinas a tua lei; 13Para lhe dares descanso dos dias maus, até que se abra a cova para o ímpio. 14Pois o SENHOR não rejeitará o seu povo, nem desamparará a sua herança. 15Mas o juízo voltará à retidão, e segui-lo-ão todos os retos de coração. 16Quem será por mim contra os malfeitores? Quem se porá por mim contra os que praticam a iniqüidade? 17Se o SENHOR não tivera ido em meu auxílio, a minha alma quase que teria ficado no silêncio. 18Quando eu disse: O meu pé vacila; a tua benignidade, SENHOR, me susteve. 19Na multidão dos meus pensamentos dentro de mim, as tuas consolações recrearam a minha alma. 20Porventura o trono de iniqüidade te acompanha, o qual forja o mal por uma lei? 21Eles se ajuntam contra a alma do justo, e condenam o sangue inocente. 22Mas o SENHOR é a minha defesa; e o meu Deus é a rocha do meu refúgio. 23E trará sobre eles a sua própria iniqüidade; e os destruirá na sua própria malícia; o SENHOR nosso Deus os destruirá. Salmos 95 1VINDE, cantemos ao SENHOR; jubilemos à rocha da nossa salvação. 2Apresentemo-nos ante a sua face com louvores, e celebremo-lo com salmos. 3Porque o SENHOR é Deus grande, e Rei grande sobre todos os deuses. 4Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são suas. 5Seu é o mar, e ele o fez, e as suas mãos formaram a terra seca. 6Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR que nos criou. 7Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão. Se hoje ouvirdes a sua voz, 8Não endureçais os vossos corações, assim como na provocação e como no dia da tentação no deserto; 9Quando vossos pais me tentaram, me provaram, e viram a minha obra. 10Quarenta anos estive desgostado com esta geração, e disse: É um povo que erra de coração, e não tem conhecido os meus caminhos. 11A quem jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso. Salmos 96 1CANTAI ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR toda a terra. 2Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia. 3Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas. 4Porque grande é o SENHOR, e digno de louvor, mais temível do que todos os deuses. 5Porque todos os deuses dos povos são ídolos, mas o SENHOR fez os céus. 6Glória e majestade estão ante a sua face, força e formosura no seu santuário. 7Dai ao SENHOR, ó famílias dos povos, dai ao SENHOR glória e força. 8Dai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; trazei oferenda, e entrai nos seus átrios. 9Adorai ao SENHOR na beleza da santidade; tremei diante dele toda a terra. 10Dizei entre os gentios que o SENHOR reina. O mundo também se firmará para que se não abale; julgará os povos com retidão. 11Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra; brame o mar e a sua plenitude. 12Alegre-se o campo com tudo o que há nele; então se regozijarão todas as árvores do bosque, 13Ante a face do SENHOR, porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos com a sua verdade. Salmos 97 1O SENHOR reina; regozije-se a terra; alegrem-se as muitas ilhas. 2Nuvens e escuridão estão ao redor dele; justiça e juízo são a base do seu trono. 3Um fogo vai adiante dele, e abrasa os seus inimigos em redor. 4Os seus relâmpagos iluminam o mundo; a terra viu e tremeu. 5Os montes derretem como cera na presença do SENHOR, na presença do Senhor de toda a terra. 6Os céus anunciam a sua justiça, e todos os povos vêem a sua glória. 7Confundidos sejam todos os que servem imagens de escultura, que se gloriam de ídolos; prostrai-vos diante dele todos os deuses. 8Sião ouviu e se alegrou; e os filhos de Judá se alegraram por causa da tua justiça, ó SENHOR. 9Pois tu, SENHOR, és o mais alto sobre toda a terra; tu és muito mais exaltado do que todos os deuses. 10Vós, que amais ao SENHOR, odiai o mal. Ele guarda as almas dos seus santos; ele os livra das mãos dos ímpios. 11A luz semeia-se para o justo, e a alegria para os retos de coração. 12Alegrai-vos, ó justos, no SENHOR, e dai louvores à memória da sua santidade. Salmos 98 1CANTAI ao SENHOR um cântico novo, porque fez maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a salvação. 2O SENHOR fez notória a sua salvação, manifestou a sua justiça perante os olhos dos gentios. 3Lembrou-se da sua benignidade e da sua verdade para com a casa de Israel; todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus. 4Exultai no SENHOR toda a terra; exclamai e alegrai-vos de prazer, e cantai louvores. 5Cantai louvores ao SENHOR com a harpa; com a harpa e a voz do canto. 6Com trombetas e som de cornetas, exultai perante a face do SENHOR, do Rei. 7Brame o mar e a sua plenitude; o mundo, e os que nele habitam. 8Os rios batam as palmas; regozijem-se também as montanhas, 9Perante a face do SENHOR, porque vem a julgar a terra; com justiça julgará o mundo, e o povo com eqüidade. Salmos 99 1O SENHOR reina; tremam os povos. Ele está assentado entre os querubins; comova-se a terra. 2O SENHOR é grande em Sião, e mais alto do que todos os povos. 3Louvem o teu nome, grande e tremendo, pois é santo. 4Também o poder do Rei ama o juízo; tu firmas a eqüidade, fazes juízo e justiça em Jacó. 5Exaltai ao SENHOR nosso Deus, e prostrai-vos diante do escabelo de seus pés, pois é santo. 6Moisés e Arão, entre os seus sacerdotes, e Samuel entre os que invocam o seu nome, clamavam ao SENHOR, e Ele lhes respondia. 7Na coluna de nuvem lhes falava; eles guardaram os seus testemunhos, e os estatutos que lhes dera. 8Tu os escutaste, SENHOR nosso Deus: tu foste um Deus que lhes perdoaste, ainda que tomaste vingança dos seus feitos. 9Exaltai ao SENHOR nosso Deus e adorai-o no seu monte santo, pois o SENHOR nosso Deus é santo. Salmos 100 1CELEBRAI com júbilo ao SENHOR, todas as terras. 2Servi ao SENHOR com alegria; e entrai diante dele com canto. 3Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto. 4Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome. 5Porque o SENHOR é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração. Salmos 101 1CANTAREI a misericórdia e o juízo; a ti, SENHOR, cantarei. 2Portar-me-ei com inteligência no caminho reto. Quando virás a mim? Andarei em minha casa com um coração sincero. 3Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim. 4Um coração perverso se apartará de mim; não conhecerei o homem mau. 5Aquele que murmura do seu próximo às escondidas, eu o destruirei; aquele que tem olhar altivo e coração soberbo, não suportarei. 6Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá. 7O que usa de engano não ficará dentro da minha casa; o que fala mentiras não estará firme perante os meus olhos. 8Pela manhã destruirei todos os ímpios da terra, para desarraigar da cidade do SENHOR todos os que praticam a iniqüidade. Salmos 102 1SENHOR, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor. 2Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angústia, inclina para mim os teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa. 3Porque os meus dias se consomem como a fumaça, e os meus ossos ardem como lenha. 4O meu coração está ferido e seco como a erva, por isso me esqueço de comer o meu pão. 5Por causa da voz do meu gemido os meus ossos se apegam à minha pele. 6Sou semelhante ao pelicano no deserto; sou como um mocho nas solidões. 7Vigio, sou como o pardal solitário no telhado. 8Os meus inimigos me afrontam todo o dia; os que se enfurecem contra mim têm jurado contra mim. 9Pois tenho comido cinza como pão, e misturado com lágrimas a minha bebida, 10Por causa da tua ira e da tua indignação, pois tu me levantaste e me arremessaste. 11Os meus dias são como a sombra que declina, e como a erva me vou secando. 12Mas tu, SENHOR, permanecerás para sempre, a tua memória de geração em geração. 13Tu te levantarás e terás piedade de Sião; pois o tempo de te compadeceres dela, o tempo determinado, já chegou. 14Porque os teus servos têm prazer nas suas pedras, e se compadecem do seu pó. 15Então os gentios temerão o nome do SENHOR, e todos os reis da terra a tua glória. 16Quando o SENHOR edificar a Sião, aparecerá na sua glória. 17Ele atenderá à oração do desamparado, e não desprezará a sua oração. 18 Isto se escreverá para a geração futura; e o povo que se criar louvará ao SENHOR. 19Pois olhou desde o alto do seu santuário, desde os céus o SENHOR contemplou a terra, 20Para ouvir o gemido dos presos, para soltar os sentenciados à morte; 21Para anunciarem o nome do SENHOR em Sião, e o seu louvor em Jerusalém, 22Quando os povos se ajuntarem, e os reinos, para servirem ao SENHOR. 23Abateu a minha força no caminho; abreviou os meus dias. 24Dizia eu: Meu Deus, não me leves no meio dos meus dias, os teus anos são por todas as gerações. 25Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. 26Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. 27Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim. 28Os filhos dos teus servos continuarão, e a sua semente ficará firmada perante ti. Salmos 103 1BENDIZE, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. 2Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. 3Ele é o que perdoa todas as tuas iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades, 4Que redime a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de misericórdia, 5Que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia. 6O SENHOR faz justiça e juízo a todos os oprimidos. 7Fez conhecidos os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel. 8Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade. 9Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a sua ira. 10Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniqüidades. 11Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. 12Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. 13Assim como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece daqueles que o temem. 14Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó. 15Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, como a flor do campo assim floresce. 16Passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não será mais conhecido. 17Mas a misericórdia do SENHOR é desde a eternidade e até a eternidade sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos; 18Sobre aqueles que guardam a sua aliança, e sobre os que se lembram dos seus mandamentos para os cumprir. 19O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo. 20Bendizei ao SENHOR, todos os seus anjos, vós que excedeis em força, que guardais os seus mandamentos, obedecendo à voz da sua palavra. 21Bendizei ao SENHOR, todos os seus exércitos, vós ministros seus, que executais o seu beneplácito. 22Bendizei ao SENHOR, todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio; bendize, ó minha alma, ao SENHOR. Salmos 104 1BENDIZE, ó minha alma, ao Senhor! Senhor Deus meu, tu és magnificentíssimo; estás vestido de glória e de majestade. 2Ele se cobre de luz como de um vestido, estende os céus como uma cortina. 3Põe nas águas as vigas das suas câmaras; faz das nuvens o seu carro, anda sobre as asas do vento. 4Faz dos seus anjos espíritos, dos seus ministros um fogo abrasador. 5Lançou os fundamentos da terra; ela não vacilará em tempo algum. 6Tu a cobriste com o abismo, como com um vestido; as águas estavam sobre os montes. 7À tua repreensão fugiram; à voz do teu trovão se apressaram. 8Subiram aos montes, desceram aos vales, até ao lugar que para elas fundaste. 9Termo lhes puseste, que não ultrapassarão, para que não tornem mais a cobrir a terra. 10Tu, que fazes sair as fontes nos vales, as quais correm entre os montes. 11Dão de beber a todo o animal do campo; os jumentos monteses matam a sua sede. 12Junto delas as aves do céu terão a sua habitação, cantando entre os ramos. 13Ele rega os montes desde as suas câmaras; a terra farta-se do fruto das suas obras. 14Faz crescer a erva para o gado, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão, 15E o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem. 16As árvores do SENHOR fartam-se de seiva, os cedros do Líbano que ele plantou, 17Onde as aves se aninham; quanto à cegonha, a sua casa é nas faias. 18Os altos montes são para as cabras monteses, e os rochedos são refúgio para os coelhos. 19Designou a lua para as estações; o sol conhece o seu ocaso. 20Ordenas a escuridão, e faz-se noite, na qual saem todos os animais da selva. 21Os leõezinhos bramam pela presa, e de Deus buscam o seu sustento. 22Nasce o sol e logo se acolhem, e se deitam nos seus covis. 23Então sai o homem à sua obra e ao seu trabalho, até à tarde. 24Ó SENHOR, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas. 25Assim é este mar grande e muito espaçoso, onde há seres sem número, animais pequenos e grandes. 26Ali andam os navios; e o leviatã que formaste para nele folgar. 27Todos esperam de ti, que lhes dês o seu sustento em tempo oportuno. 28Dando-lho tu, eles o recolhem; abres a tua mão, e se enchem de bens. 29Escondes o teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras o fôlego, morrem, e voltam para o seu pó. 30Envias o teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra. 31A glória do SENHOR durará para sempre; o SENHOR se alegrará nas suas obras. 32Olhando ele para a terra, ela treme; tocando nos montes, logo fumegam. 33Cantarei ao SENHOR enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu tiver existência. 34A minha meditação acerca dele será suave; eu me alegrarei no SENHOR. 35Desapareçam da terra os pecadores, e os ímpios não sejam mais. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR. Louvai ao SENHOR. Salmos 105 1LOUVAI ao SENHOR, e invocai o seu nome; fazei conhecidas as suas obras entre os povos. 2Cantai-lhe, cantai-lhe salmos; falai de todas as suas maravilhas. 3Gloriai-vos no seu santo nome; alegre-se o coração daqueles que buscam ao SENHOR. 4Buscai ao SENHOR e a sua força; buscai a sua face continuamente. 5Lembrai-vos das maravilhas que fez, dos seus prodígios e dos juízos da sua boca; 6Vós, semente de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus escolhidos. 7Ele é o SENHOR nosso Deus; os seus juízos estão em toda a terra. 8Lembrou-se da sua aliança para sempre, da palavra que mandou a milhares de gerações. 9A qual aliança fez com Abraão, e o seu juramento a Isaque. 10E confirmou o mesmo a Jacó por lei, e a Israel por aliança eterna, 11Dizendo: A ti darei a terra de Canaã, a região da vossa herança. 12Quando eram poucos homens em número, sim, mui poucos, e estrangeiros nela; 13Quando andavam de nação em nação e dum reino para outro povo; 14Não permitiu a ninguém que os oprimisse, e por amor deles repreendeu a reis, dizendo: 15Não toqueis os meus ungidos, e não maltrateis os meus profetas. 16Chamou a fome sobre a terra, quebrantou todo o sustento do pão. 17Mandou perante eles um homem, José, que foi vendido por escravo; 18Cujos pés apertaram com grilhões; foi posto em ferros; 19Até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do SENHOR o provou. 20Mandou o rei, e o fez soltar; o governador dos povos, e o soltou. 21Fê-lo senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda; 22Para sujeitar os seus príncipes a seu gosto, e instruir os seus anciãos. 23Então Israel entrou no Egito, e Jacó peregrinou na terra de Cão. 24E aumentou o seu povo em grande maneira, e o fez mais poderoso do que os seus inimigos. 25Virou o coração deles para que odiassem o seu povo, para que tratassem astutamente aos seus servos. 26Enviou Moisés, seu servo, e Arão, a quem escolhera. 27Mostraram entre eles os seus sinais e prodígios, na terra de Cão. 28Mandou trevas, e a fez escurecer; e não foram rebeldes à sua palavra. 29Converteu as suas águas em sangue, e matou os seus peixes. 30A sua terra produziu rãs em abundância, até nas câmaras dos seus reis. 31Falou ele, e vieram enxames de moscas e piolhos em todo o seu termo. 32Converteu as suas chuvas em saraiva, e fogo abrasador na sua terra. 33Feriu as suas vinhas e os seus figueirais, e quebrou as árvores dos seus termos. 34Falou ele e vieram gafanhotos e pulgão sem número. 35E comeram toda a erva da sua terra, e devoraram o fruto dos seus campos. 36Feriu também a todos os primogênitos da sua terra, as primícias de todas as suas forças. 37E tirou-os para fora com prata e ouro, e entre as suas tribos não houve um só fraco. 38O Egito se alegrou quando eles saíram, porque o seu temor caíra sobre eles. 39Estendeu uma nuvem por coberta, e um fogo para iluminar de noite. 40Oraram, e ele fez vir codornizes, e os fartou de pão do céu. 41Abriu a penha, e dela correram águas; correram pelos lugares secos, como um rio. 42Porque se lembrou da sua santa palavra, e de Abraão, seu servo. 43E tirou dali o seu povo com alegria, e os seus escolhidos com regozijo. 44E deu-lhes as terras dos gentios; e herdaram o trabalho dos povos; 45Para que guardassem os seus preceitos, e observassem as suas leis. Louvai ao SENHOR. Salmos 106 1LOUVAI ao SENHOR. Louvai ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre. 2Quem pode contar as obras poderosas do SENHOR? Quem anunciará os seus louvores? 3Bem-aventurados os que guardam o juízo, o que pratica justiça em todos os tempos. 4Lembra-te de mim, SENHOR, segundo a tua boa vontade para com o teu povo; visita-me com a tua salvação. 5Para que eu veja os bens de teus escolhidos, para que eu me alegre com a alegria da tua nação, para que me glorie com a tua herança. 6Nós pecamos como os nossos pais, cometemos a iniqüidade, andamos perversamente. 7Nossos pais não entenderam as tuas maravilhas no Egito; não se lembraram da multidão das tuas misericórdias; antes o provocaram no mar, sim no Mar Vermelho. 8Não obstante, ele os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu poder. 9Repreendeu, também, o Mar Vermelho, e este se secou, e os fez caminhar pelos abismos como pelo deserto. 10E os livrou da mão daquele que os odiava, e os remiu da mão do inimigo. 11E as águas cobriram os seus adversários; nem um só deles ficou. 12Então creram nas suas palavras, e cantaram os seus louvores. 13Porém cedo se esqueceram das suas obras; não esperaram o seu conselho. 14Mas deixaram-se levar à cobiça no deserto, e tentaram a Deus na solidão. 15E ele lhes cumpriu o seu desejo, mas enviou magreza às suas almas. 16E invejaram a Moisés no campo, e a Arão, o santo do SENHOR. 17Abriu-se a terra, e engoliu a Datã, e cobriu o grupo de Abirão. 18E um fogo se acendeu no seu grupo; a chama abrasou os ímpios. 19Fizeram um bezerro em Horebe e adoraram a imagem fundida. 20E converteram a sua glória na figura de um boi que come erva. 21Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que fizera grandezas no Egito, 22Maravilhas na terra de Cão, coisas tremendas no Mar Vermelho. 23Por isso disse que os destruiria, não houvesse Moisés, seu escolhido, ficado perante ele na brecha, para desviar a sua indignação, a fim de não os destruir. 24Também desprezaram a terra aprazível; não creram na sua palavra. 25Antes murmuraram nas suas tendas, e não deram ouvidos à voz do SENHOR. 26Por isso levantou a sua mão contra eles, para os derrubar no deserto; 27Para derrubar também a sua semente entre as nações, e espalhá-los pelas terras. 28Também se juntaram com Baal-Peor, e comeram os sacrifícios dos mortos. 29Assim o provocaram à ira com as suas invenções; e a peste rebentou entre eles. 30Então se levantou Finéias, e fez juízo, e cessou aquela peste. 31E isto lhe foi contado como justiça, de geração em geração, para sempre. 32 Indignaram-no também junto às águas da contenda, de sorte que sucedeu mal a Moisés, por causa deles; 33Porque irritaram o seu espírito, de modo que falou imprudentemente com seus lábios. 34Não destruíram os povos, como o SENHOR lhes dissera. 35Antes se misturaram com os gentios, e aprenderam as suas obras. 36E serviram aos seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço. 37Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios, 38E derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas que sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi manchada com sangue. 39Assim se contaminaram com as suas obras, e se corromperam com os seus feitos. 40Então se acendeu a ira do SENHOR contra o seu povo, de modo que abominou a sua herança. 41E os entregou nas mãos dos gentios; e aqueles que os odiavam se assenhorearam deles. 42E os seus inimigos os oprimiram, e foram humilhados debaixo das suas mãos. 43Muitas vezes os livrou, mas o provocaram com o seu conselho, e foram abatidos pela sua iniqüidade. 44Contudo, atendeu à sua aflição, ouvindo o seu clamor. 45E se lembrou da sua aliança, e se arrependeu segundo a multidão das suas misericórdias. 46Assim, também fez com que deles tivessem misericórdia os que os levaram cativos. 47Salva-nos, SENHOR nosso Deus, e congrega-nos dentre os gentios, para que louvemos o teu nome santo, e nos gloriemos no teu louvor. 48Bendito seja o SENHOR Deus de Israel, de eternidade em eternidade, e todo o povo diga: Amém. Louvai ao SENHOR. Salmos 107 1LOUVAI ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre. 2Digam-no os remidos do SENHOR, os que remiu da mão do inimigo, 3E os que congregou das terras do oriente e do ocidente, do norte e do sul. 4Andaram desgarrados pelo deserto, por caminhos solitários; não acharam cidade para habitarem. 5Famintos e sedentos, a sua alma neles desfalecia. 6E clamaram ao SENHOR na sua angústia, e os livrou das suas dificuldades. 7E os levou por caminho direito, para irem a uma cidade de habitação. 8Louvem ao SENHOR pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens. 9Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta. 10Tal como a que se assenta nas trevas e sombra da morte, presa em aflição e em ferro; 11Porquanto se rebelaram contra as palavras de Deus, e desprezaram o conselho do Altíssimo. 12Portanto, lhes abateu o coração com trabalho; tropeçaram, e não houve quem os ajudasse. 13Então clamaram ao SENHOR na sua angústia, e os livrou das suas dificuldades. 14Tirou-os das trevas e sombra da morte; e quebrou as suas prisões. 15Louvem ao SENHOR pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens. 16Pois quebrou as portas de bronze, e despedaçou os ferrolhos de ferro. 17Os loucos, por causa da sua transgressão, e por causa das suas iniqüidades, são aflitos. 18A sua alma aborreceu toda a comida, e chegaram até às portas da morte. 19Então clamaram ao SENHOR na sua angústia, e ele os livrou das suas dificuldades. 20Enviou a sua palavra, e os sarou; e os livrou da sua destruição. 21Louvem ao SENHOR pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens. 22E ofereçam os sacrifícios de louvor, e relatem as suas obras com regozijo. 23Os que descem ao mar em navios, mercando nas grandes águas. 24Esses vêem as obras do SENHOR, e as suas maravilhas no profundo. 25Pois ele manda, e se levanta o vento tempestuoso que eleva as suas ondas. 26Sobem aos céus; descem aos abismos, e a sua alma se derrete em angústias. 27Andam e cambaleiam como ébrios, e perderam todo o tino. 28Então clamam ao SENHOR na sua angústia; e ele os livra das suas dificuldades. 29Faz cessar a tormenta, e acalmam-se as suas ondas. 30Então se alegram, porque se aquietaram; assim os leva ao seu porto desejado. 31Louvem ao SENHOR pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens. 32Exaltem-no na congregação do povo, e glorifiquem-no na assembléia dos anciãos. 33Ele converte os rios em um deserto, e as fontes em terra sedenta; 34A terra frutífera em estéril, pela maldade dos que nela habitam. 35Converte o deserto em lagoa, e a terra seca em fontes. 36E faz habitar ali os famintos, para que edifiquem cidade para habitação; 37E semeiam os campos e plantam vinhas, que produzem fruto abundante. 38Também os abençoa, de modo que se multiplicam muito; e o seu gado não diminui. 39Depois se diminuem e se abatem, pela opressão, e aflição e tristeza. 40Derrama o desprezo sobre os príncipes, e os faz andar desgarrados pelo deserto, onde não há caminho. 41Porém livra ao necessitado da opressão, em um lugar alto, e multiplica as famílias como rebanhos. 42Os retos o verão, e se alegrarão, e toda a iniqüidade tapará a boca. 43Quem é sábio observará estas coisas, e eles compreenderão as benignidades do SENHOR. Salmos 108 1PREPARADO está o meu coração, ó Deus; cantarei e darei louvores até com a minha glória. 2Despertai, saltério e harpa; eu mesmo despertarei ao romper da alva. 3Louvar-te-ei entre os povos, SENHOR, e a ti cantarei louvores entre as nações. 4Porque a tua benignidade se estende até aos céus, e a tua verdade chega até às mais altas nuvens. 5Exalta-te sobre os céus, ó Deus, e a tua glória sobre toda a terra. 6Para que sejam livres os teus amados, salva-nos com a tua destra, e ouve-nos. 7Deus falou na sua santidade; eu me regozijarei; repartirei a Siquém, e medirei o vale de Sucote. 8Meu é Gileade, meu é Manassés; e Efraim a força da minha cabeça, Judá o meu legislador. 9Moabe a minha bacia de lavar; sobre Edom lançarei o meu sapato, sobre a Filístia jubilarei. 10Quem me levará à cidade forte? Quem me guiará até Edom? 11Porventura não serás tu, ó Deus, que nos rejeitaste? E não sairás, ó Deus, com os nossos exércitos? 12Dá-nos auxílio para sair da angústia, porque vão é o socorro da parte do homem. 13Em Deus faremos proezas, pois ele calcará aos pés os nossos inimigos. Salmos 109 1Ó DEUS do meu louvor, não te cales, 2Pois a boca do ímpio e a boca do enganador estão abertas contra mim. Têm falado contra mim com uma língua mentirosa. 3Eles me cercaram com palavras odiosas, e pelejaram contra mim sem causa. 4Em recompensa do meu amor são meus adversários; mas eu faço oração. 5E me deram mal pelo bem, e ódio pelo meu amor. 6Põe sobre ele um ímpio, e Satanás esteja à sua direita. 7Quando for julgado, saia condenado; e a sua oração se lhe torne em pecado. 8Sejam poucos os seus dias, e outro tome o seu ofício. 9Sejam órfãos os seus filhos, e viúva sua mulher. 10Sejam vagabundos e pedintes os seus filhos, e busquem pão fora dos seus lugares desolados. 11Lance o credor mão de tudo quanto tenha, e despojem os estranhos o seu trabalho. 12Não haja ninguém que se compadeça dele, nem haja quem favoreça os seus órfãos. 13Desapareça a sua posteridade, o seu nome seja apagado na seguinte geração. 14Esteja na memória do SENHOR a iniqüidade de seus pais, e não se apague o pecado de sua mãe. 15Antes estejam sempre perante o SENHOR, para que faça desaparecer a sua memória da terra. 16Porquanto não se lembrou de fazer misericórdia; antes perseguiu ao homem aflito e ao necessitado, para que pudesse até matar o quebrantado de coração. 17Visto que amou a maldição, ela lhe sobrevenha, e assim como não desejou a bênção, ela se afaste dele. 18Assim como se vestiu de maldição, como sua roupa, assim penetre ela nas suas entranhas, como água, e em seus ossos como azeite. 19Seja para ele como a roupa que o cobre, e como cinto que o cinja sempre. 20Seja este o galardão dos meus contrários, da parte do SENHOR, e dos que falam mal contra a minha alma. 21Mas tu, ó Deus o Senhor, trata comigo por amor do teu nome, porque a tua misericórdia é boa, livra-me, 22Pois estou aflito e necessitado, e o meu coração está ferido dentro de mim. 23Vou-me como a sombra que declina; sou sacudido como o gafanhoto. 24De jejuar estão enfraquecidos os meus joelhos, e a minha carne emagrece. 25E ainda lhes sou opróbrio; quando me contemplam, movem as cabeças. 26Ajuda-me, ó SENHOR meu Deus, salva-me segundo a tua misericórdia. 27Para que saibam que esta é a tua mão, e que tu, SENHOR, o fizeste. 28Amaldiçoem eles, mas abençoa tu; quando se levantarem fiquem confundidos; e alegre-se o teu servo. 29Vistam-se os meus adversários de vergonha, e cubram-se com a sua própria confusão como com uma capa. 30Louvarei grandemente ao SENHOR com a minha boca; louvá-lo-ei entre a multidão. 31Pois se porá à direita do pobre, para o livrar dos que condenam a sua alma. Salmos 110 1DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés. 2O SENHOR enviará o cetro da tua fortaleza desde Sião, dizendo: Domina no meio dos teus inimigos. 3O teu povo será mui voluntário no dia do teu poder; nos ornamentos de santidade, desde a madre da alva, tu tens o orvalho da tua mocidade. 4Jurou o SENHOR, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque. 5O Senhor, à tua direita, ferirá os reis no dia da sua ira. 6Julgará entre os gentios; tudo encherá de corpos mortos; ferirá os cabeças de muitos países. 7Beberá do ribeiro no caminho, por isso exaltará a cabeça. Salmos 111 1LOUVAI ao SENHOR. Louvarei ao SENHOR de todo o meu coração, na assembléia dos justos e na congregação. 2Grandes são as obras do SENHOR, procuradas por todos os que nelas tomam prazer. 3A sua obra tem glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre. 4Fez com que as suas maravilhas fossem lembradas; piedoso e misericordioso é o SENHOR. 5Deu mantimento aos que o temem; lembrar-se-á sempre da sua aliança. 6Anunciou ao seu povo o poder das suas obras, para lhe dar a herança dos gentios. 7As obras das suas mãos são verdade e juízo, seguros todos os seus mandamentos. 8Permanecem firmes para todo o sempre; e são feitos em verdade e retidão. 9Redenção enviou ao seu povo; ordenou a sua aliança para sempre; santo e tremendo é o seu nome. 10O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre. Salmos 112 1LOUVAI ao SENHOR. Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR, que em seus mandamentos tem grande prazer. 2A sua semente será poderosa na terra; a geração dos retos será abençoada. 3Prosperidade e riquezas haverá na sua casa, e a sua justiça permanece para sempre. 4Aos justos nasce luz nas trevas; ele é piedoso, misericordioso e justo. 5O homem bom se compadece, e empresta; disporá as suas coisas com juízo; 6Porque nunca será abalado; o justo estará em memória eterna. 7Não temerá maus rumores; o seu coração está firme, confiando no SENHOR. 8O seu coração está bem confirmado, ele não temerá, até que veja o seu desejo sobre os seus inimigos. 9Ele espalhou, deu aos necessitados; a sua justiça permanece para sempre, e a sua força se exaltará em glória. 10O ímpio o verá, e se entristecerá; rangerá os dentes, e se consumirá; o desejo dos ímpios perecerá. Salmos 113 1LOUVAI ao SENHOR. Louvai, servos do SENHOR, louvai o nome do SENHOR. 2Seja bendito o nome do SENHOR, desde agora para sempre. 3Desde o nascimento do sol até ao ocaso, seja louvado o nome do SENHOR. 4Exaltado está o SENHOR acima de todas as nações, e a sua glória sobre os céus. 5Quem é como o SENHOR nosso Deus, que habita nas alturas? 6O qual se inclina, para ver o que está nos céus e na terra! 7Levanta o pobre do pó, e do monturo levanta o necessitado, 8Para o fazer assentar com os príncipes, mesmo com os príncipes do seu povo. 9Faz com que a mulher estéril habite em casa, e seja alegre mãe de filhos. Louvai ao SENHOR. Salmos 114 1QUANDO Israel saiu do Egito, e a casa de Jacó de um povo de língua estranha, 2Judá foi seu santuário, e Israel seu domínio. 3O mar viu isto, e fugiu; o Jordão voltou para trás. 4Os montes saltaram como carneiros, e os outeiros como cordeiros. 5Que tiveste tu, ó mar, que fugiste, e tu, ó Jordão, que voltaste para trás? 6Montes, que saltastes como carneiros, e outeiros, como cordeiros? 7Treme, terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacó. 8O qual converteu o rochedo em lago de águas, e o seixo em fonte de água. Salmos 115 1NÃO a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade. 2Porque dirão os gentios: Onde está o seu Deus? 3Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou. 4Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. 5Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não vêem. 6Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram. 7Têm mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. 8A eles se tornem semelhantes os que os fazem, assim como todos os que neles confiam. 9 Israel, confia no SENHOR; ele é o seu auxílio e o seu escudo. 10Casa de Arão, confia no SENHOR; ele é o seu auxílio e o seu escudo. 11Vós, os que temeis ao SENHOR, confiai no SENHOR; ele é o seu auxílio e o seu escudo. 12O SENHOR se lembrou de nós; ele nos abençoará; abençoará a casa de Israel; abençoará a casa de Arão. 13Abençoará os que temem ao SENHOR, tanto pequenos como grandes. 14O SENHOR vos aumentará cada vez mais, a vós e a vossos filhos. 15Sois benditos do SENHOR, que fez os céus e a terra. 16Os céus são os céus do SENHOR; mas a terra a deu aos filhos dos homens. 17Os mortos não louvam ao SENHOR, nem os que descem ao silêncio. 18Mas nós bendiremos ao SENHOR, desde agora e para sempre. Louvai ao SENHOR. Salmos 116 1AMO ao SENHOR, porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica. 2Porque inclinou a mim os seus ouvidos; portanto, o invocarei enquanto viver. 3Os cordéis da morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; encontrei aperto e tristeza. 4Então invoquei o nome do SENHOR, dizendo: Ó SENHOR, livra a minha alma. 5Piedoso é o SENHOR e justo; o nosso Deus tem misericórdia. 6O SENHOR guarda aos símplices; fui abatido, mas ele me livrou. 7Volta, minha alma, para o teu repouso, pois o SENHOR te fez bem. 8Porque tu livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés da queda. 9Andarei perante a face do SENHOR na terra dos viventes. 10Cri, por isso falei. Estive muito aflito. 11Dizia na minha pressa: Todos os homens são mentirosos. 12Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito? 13Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do SENHOR. 14Pagarei os meus votos ao SENHOR, agora, na presença de todo o seu povo. 15Preciosa é à vista do SENHOR a morte dos seus santos. 16Ó SENHOR, deveras sou teu servo; sou teu servo, filho da tua serva; soltaste as minhas ataduras. 17Oferecer-te-ei sacrifícios de louvor, e invocarei o nome do SENHOR. 18Pagarei os meus votos ao SENHOR, na presença de todo o seu povo, 19Nos átrios da casa do SENHOR, no meio de ti, ó Jerusalém. Louvai ao SENHOR. Salmos 117 1LOUVAI ao SENHOR todas as nações, louvai-o todos os povos. 2Porque a sua benignidade é grande para conosco, e a verdade do SENHOR dura para sempre. Louvai ao SENHOR. Salmos 118 1LOUVAI ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre. 2Diga agora Israel que a sua benignidade dura para sempre. 3Diga agora a casa de Arão que a sua benignidade dura para sempre. 4Digam agora os que temem ao SENHOR que a sua benignidade dura para sempre. 5 Invoquei o SENHOR na angústia; o SENHOR me ouviu, e me tirou para um lugar largo. 6O SENHOR está comigo; não temerei o que me pode fazer o homem. 7O SENHOR está comigo entre aqueles que me ajudam; por isso verei cumprido o meu desejo sobre os que me odeiam. 8É melhor confiar no SENHOR do que confiar no homem. 9É melhor confiar no SENHOR do que confiar nos príncipes. 10Todas as nações me cercaram, mas no nome do SENHOR as despedaçarei. 11Cercaram-me, e tornaram a cercar-me; mas no nome do SENHOR eu as despedaçarei. 12Cercaram-me como abelhas; porém apagaram-se como o fogo de espinhos; pois no nome do SENHOR as despedaçarei. 13Com força me impeliste para me fazeres cair, porém o SENHOR me ajudou. 14O SENHOR é a minha força e o meu cântico; e se fez a minha salvação. 15Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação; a destra do SENHOR faz proezas. 16A destra do SENHOR se exalta; a destra do SENHOR faz proezas. 17Não morrerei, mas viverei; e contarei as obras do SENHOR. 18O SENHOR me castigou muito, mas não me entregou à morte. 19Abri-me as portas da justiça; entrarei por elas, e louvarei ao SENHOR. 20Esta é a porta do SENHOR, pela qual os justos entrarão. 21Louvar-te-ei, pois me escutaste, e te fizeste a minha salvação. 22A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a cabeça da esquina. 23Da parte do SENHOR se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos. 24Este é o dia que fez o SENHOR; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele. 25Salva-nos, agora, te pedimos, ó SENHOR; ó SENHOR, te pedimos, prosperanos. 26Bendito aquele que vem em nome do SENHOR; nós vos bendizemos desde a casa do SENHOR. 27Deus é o SENHOR que nos mostrou a luz; atai o sacrifício da festa com cordas, até às pontas do altar. 28Tu és o meu Deus, e eu te louvarei; tu és o meu Deus, e eu te exaltarei. 29Louvai ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre. Salmos 119 1 . BEM-AVENTURADOS os retos em seus caminhos, que andam na lei do SENHOR. 2Bem-aventurados os que guardam os seus testemunhos, e que o buscam com todo o coração. 3E não praticam iniqüidade, mas andam nos seus caminhos. 4Tu ordenaste os teus mandamentos, para que diligentemente os observássemos. 5Quem dera que os meus caminhos fossem dirigidos a observar os teus mandamentos. 6Então não ficaria confundido, atentando eu para todos os teus mandamentos. 7Louvar-te-ei com retidão de coração quando tiver aprendido os teus justos juízos. 8Observarei os teus estatutos; não me desampares totalmente. 9 . Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra. 10Com todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos. 11Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti. 12Bendito és tu, ó SENHOR; ensina-me os teus estatutos. 13Com os meus lábios declarei todos os juízos da tua boca. 14Folguei tanto no caminho dos teus testemunhos, como em todas as riquezas. 15Meditarei nos teus preceitos, e terei respeito aos teus caminhos. 16Recrear-me-ei nos teus estatutos; não me esquecerei da tua palavra. 17 . Faze bem ao teu servo, para que viva e observe a tua palavra. 18Abre tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei. 19Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos. 20A minha alma está quebrantada de desejar os teus juízos em todo o tempo. 21Tu repreendeste asperamente os soberbos que são amaldiçoados, que se desviam dos teus mandamentos. 22Tira de sobre mim o opróbrio e o desprezo, pois guardei os teus testemunhos. 23Príncipes também se assentaram, e falaram contra mim, mas o teu servo meditou nos teus estatutos. 24Também os teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros. 25 . A minha alma está pegada ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra. 26Eu te contei os meus caminhos, e tu me ouviste; ensina-me os teus estatutos. 27Faze-me entender o caminho dos teus preceitos; assim falarei das tuas maravilhas. 28A minha alma consome-se de tristeza; fortalece-me segundo a tua palavra. 29Desvia de mim o caminho da falsidade, e concede-me piedosamente a tua lei. 30Escolhi o caminho da verdade; propus-me seguir os teus juízos. 31Apego-me aos teus testemunhos; ó SENHOR, não me confundas. 32Correrei pelo caminho dos teus mandamentos, quando dilatares o meu coração. 33 . Ensina-me, ó SENHOR, o caminho dos teus estatutos, e guardá-lo-ei até o fim. 34Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei, e observá-la-ei de todo o meu coração. 35Faze-me andar na vereda dos teus mandamentos, porque nela tenho prazer. 36 Inclina o meu coração aos teus testemunhos, e não à cobiça. 37Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho. 38Confirma a tua palavra ao teu servo, que é dedicado ao teu temor. 39Desvia de mim o opróbrio que temo, pois os teus juízos são bons. 40Eis que tenho desejado os teus preceitos; vivifica-me na tua justiça. 41 . Venham sobre mim também as tuas misericórdias, ó SENHOR, e a tua salvação segundo a tua palavra. 42Assim terei que responder ao que me afronta, pois confio na tua palavra. 43E não tires totalmente a palavra de verdade da minha boca, pois tenho esperado nos teus juízos. 44Assim observarei de contínuo a tua lei para sempre e eternamente. 45E andarei em liberdade; pois busco os teus preceitos. 46Também falarei dos teus testemunhos perante os reis, e não me envergonharei. 47E recrear-me-ei em teus mandamentos, que tenho amado. 48Também levantarei as minhas mãos para os teus mandamentos, que amei, e meditarei nos teus estatutos. 49 . Lembra-te da palavra dada ao teu servo, na qual me fizeste esperar. 50 Isto é a minha consolação na minha aflição, porque a tua palavra me vivificou. 51Os soberbos zombaram grandemente de mim; contudo não me desviei da tua lei. 52Lembrei-me dos teus juízos antiqüíssimos, ó SENHOR, e assim me consolei. 53Grande indignação se apoderou de mim por causa dos ímpios que abandonam a tua lei. 54Os teus estatutos têm sido os meus cânticos na casa da minha peregrinação. 55Lembrei-me do teu nome, ó SENHOR, de noite, e observei a tua lei. 56 Isto fiz eu, porque guardei os teus mandamentos. 57 . O SENHOR é a minha porção; eu disse que observaria as tuas palavras. 58Roguei deveras o teu favor com todo o meu coração; tem piedade de mim, segundo a tua palavra. 59Considerei os meus caminhos, e voltei os meus pés para os teus testemunhos. 60Apressei-me, e não me detive, a observar os teus mandamentos. 61Bandos de ímpios me despojaram, mas eu não me esqueci da tua lei. 62À meia-noite me levantarei para te louvar, pelos teus justos juízos. 63Companheiro sou de todos os que te temem e dos que guardam os teus preceitos. 64A terra, ó SENHOR, está cheia da tua benignidade; ensina-me os teus estatutos. 65 . Fizeste bem ao teu servo, SENHOR, segundo a tua palavra. 66Ensina-me bom juízo e ciência, pois cri nos teus mandamentos. 67Antes de ser afligido andava errado; mas agora tenho guardado a tua palavra. 68Tu és bom e fazes bem; ensina-me os teus estatutos. 69Os soberbos forjaram mentiras contra mim; mas eu com todo o meu coração guardarei os teus preceitos. 70Engrossa-se-lhes o coração como gordura, mas eu me recreio na tua lei. 71Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos. 72Melhor é para mim a lei da tua boca do que milhares de ouro ou prata. 73 . As tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me inteligência para entender os teus mandamentos. 74Os que te temem alegraram-se quando me viram, porque tenho esperado na tua palavra. 75Bem sei eu, ó SENHOR, que os teus juízos são justos, e que segundo a tua fidelidade me afligiste. 76Sirva pois a tua benignidade para me consolar, segundo a palavra que deste ao teu servo. 77Venham sobre mim as tuas misericórdias, para que viva, pois a tua lei é a minha delícia. 78Confundam-se os soberbos, pois me trataram duma maneira perversa, sem causa; mas eu meditarei nos teus preceitos. 79Voltem-se para mim os que te temem, e aqueles que têm conhecido os teus testemunhos. 80Seja reto o meu coração nos teus estatutos, para que não seja confundido. 81 . Desfalece a minha alma pela tua salvação, mas espero na tua palavra. 82Os meus olhos desfalecem pela tua palavra; entrementes dizia: Quando me consolarás tu? 83Pois estou como odre na fumaça; contudo não me esqueço dos teus estatutos. 84Quantos serão os dias do teu servo? Quando me farás justiça contra os que me perseguem? 85Os soberbos me cavaram covas, o que não é conforme a tua lei. 86Todos os teus mandamentos são verdade. Com mentiras me perseguem; ajudame. 87Quase que me têm consumido sobre a terra, mas eu não deixei os teus preceitos. 88Vivifica-me segundo a tua benignidade; assim guardarei o testemunho da tua boca. 89 . Para sempre, ó SENHOR, a tua palavra permanece no céu. 90A tua fidelidade dura de geração em geração; tu firmaste a terra, e ela permanece firme. 91Eles continuam até ao dia de hoje, segundo as tuas ordenações; porque todos são teus servos. 92Se a tua lei não fora toda a minha recreação, há muito que pereceria na minha aflição. 93Nunca me esquecerei dos teus preceitos; pois por eles me tens vivificado. 94Sou teu, salva-me; pois tenho buscado os teus preceitos. 95Os ímpios me esperam para me destruírem, mas eu considerarei os teus testemunhos. 96Tenho visto fim a toda a perfeição, mas o teu mandamento é amplíssimo. 97 . Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia. 98Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio do que os meus inimigos; pois estão sempre comigo. 99Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação. 100Entendo mais do que os antigos; porque guardo os teus preceitos. 101Desviei os meus pés de todo caminho mau, para guardar a tua palavra. 102Não me apartei dos teus juízos, pois tu me ensinaste. 103Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca. 104Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho. 105 . Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho. 106Jurei, e o cumprirei, que guardarei os teus justos juízos. 107Estou aflitíssimo; vivifica-me, ó SENHOR, segundo a tua palavra. 108Aceita, eu te rogo, as oferendas voluntárias da minha boca, ó SENHOR; ensina-me os teus juízos. 109A minha alma está de contínuo nas minhas mãos; todavia não me esqueço da tua lei. 110Os ímpios me armaram laço; contudo não me desviei dos teus preceitos. 111Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança para sempre, pois são o gozo do meu coração. 112 Inclinei o meu coração a guardar os teus estatutos, para sempre, até ao fim. 113 . Odeio os pensamentos vãos, mas amo a tua lei. 114Tu és o meu refúgio e o meu escudo; espero na tua palavra. 115Apartai-vos de mim, malfeitores, pois guardarei os mandamentos do meu Deus. 116Sustenta-me conforme a tua palavra, para que viva, e não me deixes envergonhado da minha esperança. 117Sustenta-me, e serei salvo, e de contínuo terei respeito aos teus estatutos. 118Tu tens pisado aos pés todos os que se desviam dos teus estatutos, pois o engano deles é falsidade. 119Tu tiraste da terra todos os ímpios, como a escória, por isso amo os teus testemunhos. 120O meu corpo se arrepiou com temor de ti, e temi os teus juízos. 121 . Fiz juízo e justiça; não me entregues aos meus opressores. 122Fica por fiador do teu servo para o bem; não deixes que os soberbos me oprimam. 123Os meus olhos desfaleceram pela tua salvação e pela promessa da tua justiça. 124Usa com o teu servo segundo a tua benignidade, e ensina-me os teus estatutos. 125Sou teu servo; dá-me inteligência, para entender os teus testemunhos. 126Já é tempo de operares, ó SENHOR, pois eles têm quebrantado a tua lei. 127Por isso amo os teus mandamentos mais do que o ouro, e ainda mais do que o ouro fino. 128Por isso estimo todos os teus preceitos acerca de tudo, como retos, e odeio toda falsa vereda. 129 . Maravilhosos são os teus testemunhos; portanto, a minha alma os guarda. 130A entrada das tuas palavras dá luz, dá entendimento aos símplices. 131Abri a minha boca, e respirei, pois que desejei os teus mandamentos. 132Olha para mim, e tem piedade de mim, conforme usas com os que amam o teu nome. 133Ordena os meus passos na tua palavra, e não se apodere de mim iniqüidade alguma. 134Livra-me da opressão do homem; assim guardarei os teus preceitos. 135Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo, e ensina-me os teus estatutos. 136Rios de águas correm dos meus olhos, porque não guardam a tua lei. 137 . Justo és, ó SENHOR, e retos são os teus juízos. 138Os teus testemunhos que ordenaste são retos e muito fiéis. 139O meu zelo me consumiu, porque os meus inimigos se esqueceram da tua palavra. 140A tua palavra é muito pura; portanto, o teu servo a ama. 141Pequeno sou e desprezado, porém não me esqueço dos teus mandamentos. 142A tua justiça é uma justiça eterna, e a tua lei é a verdade. 143Aflição e angústia se apoderam de mim; contudo os teus mandamentos são o meu prazer. 144A justiça dos teus testemunhos é eterna; dá-me inteligência, e viverei. 145 . Clamei de todo o meu coração; escuta-me, SENHOR, e guardarei os teus estatutos. 146A ti te invoquei; salva-me, e guardarei os teus testemunhos. 147Antecipei o cair da noite, e clamei; esperei na tua palavra. 148Os meus olhos anteciparam as vigílias da noite, para meditar na tua palavra. 149Ouve a minha voz, segundo a tua benignidade; vivifica-me, ó SENHOR, segundo o teu juízo. 150Aproximam-se os que se dão a maus tratos; afastam-se da tua lei. 151Tu estás perto, ó SENHOR, e todos os teus mandamentos são a verdade. 152Acerca dos teus testemunhos soube, desde a antiguidade, que tu os fundaste para sempre. 153 . Olha para a minha aflição, e livra-me, pois não me esqueci da tua lei. 154Pleiteia a minha causa, e livra-me; vivifica-me segundo a tua palavra. 155A salvação está longe dos ímpios, pois não buscam os teus estatutos. 156Muitas são, ó SENHOR, as tuas misericórdias; vivifica-me segundo os teus juízos. 157Muitos são os meus perseguidores e os meus inimigos; mas não me desvio dos teus testemunhos. 158Vi os transgressores, e me afligi, porque não observam a tua palavra. 159Considera como amo os teus preceitos; vivifica-me, ó SENHOR, segundo a tua benignidade. 160A tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre. 161 . Príncipes me perseguiram sem causa, mas o meu coração temeu a tua palavra. 162Folgo com a tua palavra, como aquele que acha um grande despojo. 163Abomino e odeio a mentira; mas amo a tua lei. 164Sete vezes no dia te louvo pelos juízos da tua justiça. 165Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço. 166SENHOR, tenho esperado na tua salvação, e tenho cumprido os teus mandamentos. 167A minha alma tem observado os teus testemunhos; amo-os excessivamente. 168Tenho observado os teus preceitos, e os teus testemunhos, porque todos os meus caminhos estão diante de ti. 169 . Chegue a ti o meu clamor, ó SENHOR; dá-me entendimento conforme a tua palavra. 170Chegue a minha súplica perante a tua face; livra-me segundo a tua palavra. 171Os meus lábios proferiram o louvor, quando me ensinaste os teus estatutos. 172A minha língua falará da tua palavra, pois todos os teus mandamentos são justiça. 173Venha a tua mão socorrer-me, pois escolhi os teus preceitos. 174Tenho desejado a tua salvação, ó SENHOR; a tua lei é todo o meu prazer. 175Viva a minha alma, e louvar-te-á; ajudem-me os teus juízos. 176Desgarrei-me como a ovelha perdida; busca o teu servo, pois não me esqueci dos teus mandamentos. Salmos 120 1NA minha angústia clamei ao SENHOR, e me ouviu. 2SENHOR, livra a minha alma dos lábios mentirosos e da língua enganadora. 3Que te será dado, ou que te será acrescentado, língua enganadora? 4Flechas agudas do poderoso, com brasas vivas de zimbro. 5Ai de mim, que peregrino em Meseque, e habito nas tendas de Quedar. 6A minha alma bastante tempo habitou com os que detestam a paz. 7Pacífico sou, mas quando eu falo já eles procuram a guerra. Salmos 121 1LEVANTAREI os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro. 2O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra. 3Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará. 4Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel. 5O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. 6O sol não te molestará de dia nem a lua de noite. 7O SENHOR te guardará de todo o mal; guardará a tua alma. 8O SENHOR guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre. Salmos 122 1ALEGREI-ME quando me disseram: Vamos à casa do SENHOR. 2Os nossos pés estão dentro das tuas portas, ó Jerusalém. 3Jerusalém está edificada como uma cidade que é compacta. 4Onde sobem as tribos, as tribos do SENHOR, até ao testemunho de Israel, para darem graças ao nome do SENHOR. 5Pois ali estão os tronos do juízo, os tronos da casa de Davi. 6Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam. 7Haja paz dentro de teus muros, e prosperidade dentro dos teus palácios. 8Por causa dos meus irmãos e amigos, direi: Paz esteja em ti. 9Por causa da casa do SENHOR nosso Deus, buscarei o teu bem. Salmos 123 1A TI levanto os meus olhos, ó tu que habitas nos céus. 2Assim como os olhos dos servos atentam para as mãos dos seus senhores, e os olhos da serva para as mãos de sua senhora, assim os nossos olhos atentam para o SENHOR nosso Deus, até que tenha piedade de nós. 3Tem piedade de nós, ó SENHOR, tem piedade de nós, pois estamos assaz fartos de desprezo. 4A nossa alma está extremamente farta da zombaria daqueles que estão à sua vontade e do desprezo dos soberbos. Salmos 124 1SE não fora o SENHOR, que esteve ao nosso lado, ora diga Israel; 2Se não fora o SENHOR, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós, 3Eles então nos teriam engolido vivos, quando a sua ira se acendeu contra nós. 4Então as águas teriam transbordado sobre nós, e a corrente teria passado sobre a nossa alma; 5Então as águas altivas teriam passado sobre a nossa alma; 6Bendito seja o SENHOR, que não nos deu por presa aos seus dentes. 7A nossa alma escapou, como um pássaro do laço dos passarinheiros; o laço quebrou-se, e nós escapamos. 8O nosso socorro está no nome do SENHOR, que fez o céu e a terra. Salmos 125 1OS que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre. 2Assim como estão os montes à roda de Jerusalém, assim o SENHOR está em volta do seu povo desde agora e para sempre. 3Porque o cetro da impiedade não permanecerá sobre a sorte dos justos, para que o justo não estenda as suas mãos para a iniqüidade. 4Faze bem, ó SENHOR, aos bons e aos que são retos de coração. 5Quanto àqueles que se desviam para os seus caminhos tortuosos, levá-los-á o SENHOR com os que praticam a maldade; paz haverá sobre Israel. Salmos 126 1QUANDO o SENHOR trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham. 2Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o SENHOR a estes. 3Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos alegres. 4Traze-nos outra vez, ó SENHOR, do cativeiro, como as correntes das águas no sul. 5Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria. 6Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos. Salmos 127 1SE o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. 2 Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono. 3Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão. 4Como flechas na mão de um homem poderoso, assim são os filhos da mocidade. 5Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não serão confundidos, mas falarão com os seus inimigos à porta. Salmos 128 1BEM-AVENTURADO aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos. 2Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. 3A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa. 4Eis que assim será abençoado o homem que teme ao SENHOR. 5O SENHOR te abençoará desde Sião, e tu verás o bem de Jerusalém em todos os dias da tua vida. 6E verás os filhos de teus filhos, e a paz sobre Israel. Salmos 129 1MUITAS vezes me angustiaram desde a minha mocidade, diga agora Israel; 2Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade; todavia não prevaleceram contra mim. 3Os lavradores araram sobre as minhas costas; compridos fizeram os seus sulcos. 4O SENHOR é justo; cortou as cordas dos ímpios. 5Sejam confundidos, e voltem para trás todos os que odeiam a Sião. 6Sejam como a erva dos telhados que se seca antes que a arranquem. 7Com a qual o segador não enche a sua mão, nem o que ata os feixes enche o seu braço. 8Nem tampouco os que passam dizem: A bênção do SENHOR seja sobre vós; nós vos abençoamos em nome do SENHOR. Salmos 130 1DAS profundezas a ti clamo, ó SENHOR. 2Senhor, escuta a minha voz; sejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas. 3Se tu, SENHOR, observares as iniqüidades, Senhor, quem subsistirá? 4Mas contigo está o perdão, para que sejas temido. 5Aguardo ao SENHOR; a minha alma o aguarda, e espero na sua palavra. 6A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que os guardas pela manhã, mais do que aqueles que guardam pela manhã. 7Espere Israel no SENHOR, porque no SENHOR há misericórdia, e nele há abundante redenção. 8E ele remirá a Israel de todas as suas iniqüidades. Salmos 131 1SENHOR, o meu coração não se elevou nem os meus olhos se levantaram; não me exercito em grandes matérias, nem em coisas muito elevadas para mim. 2Certamente que me tenho portado e sossegado como uma criança desmamada de sua mãe; a minha alma está como uma criança desmamada. 3Espere Israel no SENHOR, desde agora e para sempre. Salmos 132 1LEMBRA-TE, SENHOR, de Davi, e de todas as suas aflições. 2Como jurou ao SENHOR, e fez votos ao poderoso Deus de Jacó, dizendo: 3Certamente que não entrarei na tenda de minha casa, nem subirei à minha cama, 4Não darei sono aos meus olhos, nem repouso às minhas pálpebras, 5Enquanto não achar lugar para o SENHOR, uma morada para o poderoso Deus de Jacó. 6Eis que ouvimos falar dela em Efrata, e a achamos no campo do bosque. 7Entraremos nos seus tabernáculos; prostrar-nos-emos ante o escabelo de seus pés. 8Levanta-te, SENHOR, ao teu repouso, tu e a arca da tua força. 9Vistam-se os teus sacerdotes de justiça, e alegrem-se os teus santos. 10Por amor de Davi, teu servo, não faças virar o rosto do teu ungido. 11O SENHOR jurou com verdade a Davi, e não se apartará dela: Do fruto do teu ventre porei sobre o teu trono. 12Se os teus filhos guardarem a minha aliança, e os meus testemunhos, que eu lhes hei de ensinar, também os seus filhos se assentarão perpetuamente no teu trono. 13Porque o SENHOR escolheu a Sião; desejou-a para a sua habitação, dizendo: 14Este é o meu repouso para sempre; aqui habitarei, pois o desejei. 15Abençoarei abundantemente o seu mantimento; fartarei de pão os seus necessitados. 16Também vestirei os seus sacerdotes de salvação, e os seus santos saltarão de prazer. 17Ali farei brotar a força de Davi; preparei uma lâmpada para o meu ungido. 18Vestirei os seus inimigos de vergonha; mas sobre ele florescerá a sua coroa. Salmos 133 1OH! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. 2É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. 3Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre. Salmos 134 1EIS aqui, bendizei ao SENHOR todos vós, servos do SENHOR, que assistis na casa do SENHOR todas as noites. 2Levantai as vossas mãos no santuário, e bendizei ao SENHOR. 3O SENHOR que fez o céu e a terra te abençoe desde Sião. Salmos 135 1LOUVAI ao SENHOR. Louvai o nome do SENHOR; louvai-o, servos do SENHOR. 2Vós que assistis na casa do SENHOR, nos átrios da casa do nosso Deus. 3Louvai ao SENHOR, porque o SENHOR é bom; cantai louvores ao seu nome, porque é agradável. 4Porque o SENHOR escolheu para si a Jacó, e a Israel para seu próprio tesouro. 5Porque eu conheço que o SENHOR é grande e que o nosso Senhor está acima de todos os deuses. 6Tudo o que o SENHOR quis, fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos. 7Faz subir os vapores das extremidades da terra; faz os relâmpagos para a chuva; tira os ventos dos seus tesouros. 8O que feriu os primogênitos do Egito, desde os homens até os animais; 9O que enviou sinais e prodígios no meio de ti, ó Egito, contra Faraó e contra os seus servos; 10O que feriu muitas nações, e matou poderosos reis: 11A Siom, rei dos amorreus, e a Ogue, rei de Basã, e a todos os reinos de Canaã; 12E deu a sua terra em herança, em herança a Israel, seu povo. 13O teu nome, ó SENHOR, dura perpetuamente, e a tua memória, ó SENHOR, de geração em geração. 14Pois o SENHOR julgará o seu povo, e se arrependerá com respeito aos seus servos. 15Os ídolos dos gentios são prata e ouro, obra das mãos dos homens. 16Têm boca, mas não falam; têm olhos, e não vêem, 17Têm ouvidos, mas não ouvem, nem há respiro algum nas suas bocas. 18Semelhantes a eles se tornem os que os fazem, e todos os que confiam neles. 19Casa de Israel, bendizei ao SENHOR; casa de Arão, bendizei ao SENHOR; 20Casa de Levi, bendizei ao SENHOR; vós os que temeis ao SENHOR, louvai ao SENHOR. 21Bendito seja o SENHOR desde Sião, que habita em Jerusalém. Louvai ao SENHOR. Salmos 136 1LOUVAI ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre. 2Louvai ao Deus dos deuses; porque a sua benignidade dura para sempre. 3Louvai ao Senhor dos senhores; porque a sua benignidade dura para sempre. 4Aquele que só faz maravilhas; porque a sua benignidade dura para sempre. 5Aquele que por entendimento fez os céus; porque a sua benignidade dura para sempre. 6Aquele que estendeu a terra sobre as águas; porque a sua benignidade dura para sempre. 7Aquele que fez os grandes luminares; porque a sua benignidade dura para sempre; 8O sol para governar de dia; porque a sua benignidade dura para sempre; 9A lua e as estrelas para presidirem à noite; porque a sua benignidade dura para sempre; 10O que feriu o Egito nos seus primogênitos; porque a sua benignidade dura para sempre; 11E tirou a Israel do meio deles; porque a sua benignidade dura para sempre; 12Com mão forte, e com braço estendido; porque a sua benignidade dura para sempre; 13Aquele que dividiu o Mar Vermelho em duas partes; porque a sua benignidade dura para sempre; 14E fez passar Israel pelo meio dele; porque a sua benignidade dura para sempre; 15Mas derrubou a Faraó com o seu exército no Mar Vermelho; porque a sua benignidade dura para sempre. 16Aquele que guiou o seu povo pelo deserto; porque a sua benignidade dura para sempre; 17Aquele que feriu os grandes reis; porque a sua benignidade dura para sempre; 18E matou reis famosos; porque a sua benignidade dura para sempre; 19Siom, rei dos amorreus; porque a sua benignidade dura para sempre; 20E Ogue, rei de Basã; porque a sua benignidade dura para sempre; 21E deu a terra deles em herança; porque a sua benignidade dura para sempre; 22E mesmo em herança a Israel, seu servo; porque a sua benignidade dura para sempre; 23Que se lembrou da nossa baixeza; porque a sua benignidade dura para sempre; 24E nos remiu dos nossos inimigos; porque a sua benignidade dura para sempre; 25O que dá mantimento a toda a carne; porque a sua benignidade dura para sempre. 26Louvai ao Deus dos céus; porque a sua benignidade dura para sempre. Salmos 137 1JUNTO aos rios da Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. 2Sobre os salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas. 3Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião. 4Como cantaremos a canção do SENHOR em terra estranha? 5Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza. 6Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a língua ao meu paladar; se não preferir Jerusalém à minha maior alegria. 7Lembra-te, SENHOR, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, que diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces. 8Ah! filha de Babilônia, que vais ser assolada; feliz aquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós. 9Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras. Salmos 138 1EU te louvarei, de todo o meu coração; na presença dos deuses a ti cantarei louvores. 2 Inclinar-me-ei para o teu santo templo, e louvarei o teu nome pela tua benignidade, e pela tua verdade; pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome. 3No dia em que eu clamei, me escutaste; e alentaste com força a minha alma. 4Todos os reis da terra te louvarão, ó SENHOR, quando ouvirem as palavras da tua boca; 5E cantarão os caminhos do SENHOR; pois grande é a glória do SENHOR. 6Ainda que o SENHOR é excelso, atenta todavia para o humilde; mas ao soberbo conhece-o de longe. 7Andando eu no meio da angústia, tu me reviverás; estenderás a tua mão contra a ira dos meus inimigos, e a tua destra me salvará. 8O SENHOR aperfeiçoará o que me toca; a tua benignidade, ó SENHOR, dura para sempre; não desampares as obras das tuas mãos. Salmos 139 1SENHOR, tu me sondaste, e me conheces. 2Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. 3Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. 4Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó SENHOR, tudo conheces. 5Tu me cercaste por detrás e por diante, e puseste sobre mim a tua mão. 6Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir. 7Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? 8Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. 9Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, 10Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. 11Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim. 12Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa; 13Pois possuíste os meus rins; cobristeme no ventre de minha mãe. 14Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. 15Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. 16Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia. 17E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles! 18Se as contasse, seriam em maior número do que a areia; quando acordo ainda estou contigo. 19Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio; apartai-vos portanto de mim, homens de sangue. 20Pois falam malvadamente contra ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão. 21Não odeio eu, ó SENHOR, aqueles que te odeiam, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti? 22Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos. 23Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. 24E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno. Salmos 140 1LIVRA-ME, ó SENHOR, do homem mau; guarda-me do homem violento, 2Que pensa o mal no coração; continuamente se ajuntam para a guerra. 3Aguçaram as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios. (Selá.) 4Guarda-me, ó SENHOR, das mãos do ímpio; guarda-me do homem violento; os quais se propuseram transtornar os meus passos. 5Os soberbos armaram-me laços e cordas; estenderam a rede ao lado do caminho; armaram-me laços corrediços. (Selá.) 6Eu disse ao SENHOR: Tu és o meu Deus; ouve a voz das minhas súplicas, ó SENHOR. 7Ó Deus o Senhor, fortaleza da minha salvação, tu cobriste a minha cabeça no dia da batalha. 8Não concedas, ó SENHOR, ao ímpio os seus desejos; não promovas o seu mau propósito, para que não se exalte. (Selá.) 9Quanto à cabeça dos que me cercam, cubra-os a maldade dos seus lábios. 10Caiam sobre eles brasas vivas; sejam lançados no fogo, em covas profundas, para que se não tornem a levantar. 11Não terá firmeza na terra o homem de má língua; o mal perseguirá o homem violento até que seja desterrado. 12Sei que o SENHOR sustentará a causa do oprimido, e o direito do necessitado. 13Assim os justos louvarão o teu nome; os retos habitarão na tua presença. Salmos 141 1SENHOR, a ti clamo, escuta-me; inclina os teus ouvidos à minha voz, quando a ti clamar. 2Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde. 3Põe, ó SENHOR, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios. 4Não inclines o meu coração a coisas más, a praticar obras más, com aqueles que praticam a iniqüidade; e não coma das suas delícias. 5Fira-me o justo, será isso uma benignidade; e repreenda-me, será um excelente óleo, que não me quebrará a cabeça; pois a minha oração também ainda continuará nas suas próprias calamidades. 6Quando os seus juízes forem derrubados pelos lados da rocha, ouvirão as minhas palavras, pois são agradáveis. 7Os nossos ossos são espalhados à boca da sepultura como se alguém fendera e partira lenha na terra. 8Mas os meus olhos te contemplam, ó Deus o Senhor; em ti confio; não desnudes a minha alma. 9Guarda-me dos laços que me armaram; e dos laços corrediços dos que praticam a iniqüidade. 10Caiam os ímpios nas suas próprias redes, até que eu tenha escapado inteiramente. Salmos 142 1COM a minha voz clamei ao SENHOR; com a minha voz supliquei ao SENHOR. 2Derramei a minha queixa perante a sua face; expus-lhe a minha angústia. 3Quando o meu espírito estava angustiado em mim, então conheceste a minha vereda. No caminho em que eu andava, esconderam-me um laço. 4Olhei para a minha direita, e vi; mas não havia quem me conhecesse. Refúgio me faltou; ninguém cuidou da minha alma. 5A ti, ó SENHOR, clamei; eu disse: Tu és o meu refúgio, e a minha porção na terra dos viventes. 6Atende ao meu clamor; porque estou muito abatido. Livra-me dos meus perseguidores; porque são mais fortes do que eu. 7Tira a minha alma da prisão, para que louve o teu nome; os justos me rodearão, pois me fizeste bem. Salmos 143 1Ó SENHOR, ouve a minha oração, inclina os ouvidos às minhas súplicas; escuta-me segundo a tua verdade, e segundo a tua justiça. 2E não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente. 3Pois o inimigo perseguiu a minha alma; atropelou-me até ao chão; fez-me habitar na escuridão, como aqueles que morreram há muito. 4Pois que o meu espírito se angustia em mim; e o meu coração em mim está desolado. 5Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus feitos; medito na obra das tuas mãos. 6Estendo para ti as minhas mãos; a minha alma tem sede de ti, como terra sedenta. (Selá.) 7Ouve-me depressa, ó SENHOR; o meu espírito desmaia. Não escondas de mim a tua face, para que não seja semelhante aos que descem à cova. 8Faze-me ouvir a tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; faze-me saber o caminho que devo seguir, porque a ti levanto a minha alma. 9Livra-me, ó SENHOR, dos meus inimigos; fujo para ti, para me esconder. 10Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus. O teu Espírito é bom; guie-me por terra plana. 11Vivifica-me, ó SENHOR, por amor do teu nome; por amor da tua justiça, tira a minha alma da angústia. 12E por tua misericórdia desarraiga os meus inimigos, e destrói a todos os que angustiam a minha alma; pois sou teu servo. Salmos 144 1BENDITO seja o SENHOR, minha rocha, que ensina as minhas mãos para a peleja e os meus dedos para a guerra; 2Benignidade minha e fortaleza minha; alto retiro meu e meu libertador és tu; escudo meu, em quem eu confio, e que me sujeita o meu povo. 3SENHOR, que é o homem, para que o conheças, e o filho do homem, para que o estimes? 4O homem é semelhante à vaidade; os seus dias são como a sombra que passa. 5Abaixa, ó SENHOR, os teus céus, e desce; toca os montes, e fumegarão. 6Vibra os teus raios e dissipa-os; envia as tuas flechas, e desbarata-os. 7Estende as tuas mãos desde o alto; livra-me, e arrebata-me das muitas águas e das mãos dos filhos estranhos, 8Cuja boca fala vaidade, e a sua mão direita é a destra de falsidade. 9A ti, ó Deus, cantarei um cântico novo; com o saltério e instrumento de dez cordas te cantarei louvores; 10A ti, que dás a salvação aos reis, e que livras a Davi, teu servo, da espada maligna. 11Livra-me, e tira-me das mãos dos filhos estranhos, cuja boca fala vaidade, e a sua mão direita é a destra de iniqüidade, 12Para que nossos filhos sejam como plantas crescidas na sua mocidade; para que as nossas filhas sejam como pedras de esquina lavradas à moda de palácio; 13Para que as nossas despensas se encham de todo provimento; para que os nossos rebanhos produzam a milhares e a dezenas de milhares nas nossas ruas. 14Para que os nossos bois sejam fortes para o trabalho; para que não haja nem assaltos, nem saídas, nem gritos nas nossas ruas. 15Bem-aventurado o povo ao qual assim acontece; bem-aventurado é o povo cujo Deus é o SENHOR. Salmos 145 1EU te exaltarei, ó Deus, rei meu, e bendirei o teu nome pelos séculos dos séculos e para sempre. 2Cada dia te bendirei, e louvarei o teu nome pelos séculos dos séculos e para sempre. 3Grande é o SENHOR, e muito digno de louvor, e a sua grandeza inescrutável. 4Uma geração louvará as tuas obras à outra geração, e anunciarão as tuas proezas. 5Falarei da magnificência gloriosa da tua majestade e das tuas obras maravilhosas. 6E se falará da força dos teus feitos terríveis; e contarei a tua grandeza. 7Proferirão abundantemente a memória da tua grande bondade, e cantarão a tua justiça. 8Piedoso e benigno é o SENHOR, sofredor e de grande misericórdia. 9O SENHOR é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras. 10Todas as tuas obras te louvarão, ó SENHOR, e os teus santos te bendirão. 11Falarão da glória do teu reino, e relatarão o teu poder, 12Para fazer saber aos filhos dos homens as tuas proezas e a glória da magnificência do teu reino. 13O teu reino é um reino eterno; o teu domínio dura em todas as gerações. 14O SENHOR sustenta a todos os que caem, e levanta a todos os abatidos. 15Os olhos de todos esperam em ti, e lhes dás o seu mantimento a seu tempo. 16Abres a tua mão, e fartas os desejos de todos os viventes. 17Justo é o SENHOR em todos os seus caminhos, e santo em todas as suas obras. 18Perto está o SENHOR de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade. 19Ele cumprirá o desejo dos que o temem; ouvirá o seu clamor, e os salvará. 20O SENHOR guarda a todos os que o amam; mas todos os ímpios serão destruídos. 21A minha boca falará o louvor do SENHOR, e toda a carne louvará o seu santo nome pelos séculos dos séculos e para sempre. Salmos 146 1LOUVAI ao SENHOR. Ó minha alma, louva ao SENHOR. 2Louvarei ao SENHOR durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu for vivo. 3Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há salvação. 4Sai-lhe o espírito, volta para a terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos. 5Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está posta no SENHOR seu Deus. 6O que fez os céus e a terra, o mar e tudo quanto há neles, e o que guarda a verdade para sempre; 7O que faz justiça aos oprimidos, o que dá pão aos famintos. O SENHOR solta os encarcerados. 8O SENHOR abre os olhos aos cegos; o SENHOR levanta os abatidos; o SENHOR ama os justos; 9O SENHOR guarda os estrangeiros; sustém o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios. 10O SENHOR reinará eternamente; o teu Deus, ó Sião, de geração em geração. Louvai ao SENHOR. Salmos 147 1LOUVAI ao SENHOR, porque é bom cantar louvores ao nosso Deus, porque é agradável; decoroso é o louvor. 2O SENHOR edifica a Jerusalém, congrega os dispersos de Israel. 3Sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas. 4Conta o número das estrelas, chama-as a todas pelos seus nomes. 5Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento é infinito. 6O SENHOR eleva os humildes, e abate os ímpios até à terra. 7Cantai ao SENHOR em ação de graças; cantai louvores ao nosso Deus sobre a harpa. 8Ele é o que cobre o céu de nuvens, o que prepara a chuva para a terra, e o que faz produzir erva sobre os montes; 9O que dá aos animais o seu sustento, e aos filhos dos corvos, quando clamam. 10Não se deleita na força do cavalo, nem se compraz nas pernas do homem. 11O SENHOR se agrada dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia. 12Louva, ó Jerusalém, ao SENHOR; louva, ó Sião, ao teu Deus. 13Porque fortaleceu os ferrolhos das tuas portas; abençoa aos teus filhos dentro de ti. 14Ele é o que põe em paz os teus termos, e da flor da farinha te farta. 15O que envia o seu mandamento à terra; a sua palavra corre velozmente. 16O que dá a neve como lã; esparge a geada como cinza; 17O que lança o seu gelo em pedaços; quem pode resistir ao seu frio? 18Manda a sua palavra, e os faz derreter; faz soprar o vento, e correm as águas. 19Mostra a sua palavra a Jacó, os seus estatutos e os seus juízos a Israel. 20Não fez assim a nenhuma outra nação; e quanto aos seus juízos, não os conhecem. Louvai ao SENHOR. Salmos 148 1LOUVAI ao SENHOR. Louvai ao SENHOR desde os céus, louvai-o nas alturas. 2Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todos os seus exércitos. 3Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes. 4Louvai-o, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus. 5Louvem o nome do SENHOR, pois mandou, e logo foram criados. 6E os confirmou eternamente para sempre, e lhes deu um decreto que não ultrapassarão. 7Louvai ao SENHOR desde a terra: vós, baleias, e todos os abismos; 8Fogo e saraiva, neve e vapores, e vento tempestuoso que executa a sua palavra; 9Montes e todos os outeiros, árvores frutíferas e todos os cedros; 10As feras e todos os gados, répteis e aves voadoras; 11Reis da terra e todos os povos, príncipes e todos os juízes da terra; 12Moços e moças, velhos e crianças. 13Louvem o nome do SENHOR, pois só o seu nome é exaltado; a sua glória está sobre a terra e o céu. 14Ele também exalta o poder do seu povo, o louvor de todos os seus santos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado. Louvai ao SENHOR. Salmos 149 1LOUVAI ao SENHOR. Cantai ao SENHOR um cântico novo, e o seu louvor na congregação dos santos. 2Alegre-se Israel naquele que o fez, regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei. 3Louvem o seu nome com danças; cantem-lhe o seu louvor com tamborim e harpa. 4Porque o SENHOR se agrada do seu povo; ornará os mansos com a salvação. 5Exultem os santos na glória; alegrem-se nas suas camas. 6Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus, e espada de dois fios nas suas mãos, 7Para tomarem vingança dos gentios, e darem repreensões aos povos; 8Para prenderem os seus reis com cadeias, e os seus nobres com grilhões de ferro; 9Para fazerem neles o juízo escrito; esta será a honra de todos os seus santos. Louvai ao SENHOR. Salmos 150 1LOUVAI ao SENHOR. Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento do seu poder. 2Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza. 3Louvai-o com o som de trombeta; louvai-o com o saltério e a harpa. 4Louvai-o com o tamborim e a dança, louvai-o com instrumentos de cordas e com órgãos. 5Louvai-o com os címbalos sonoros; louvai-o com címbalos altissonantes. 6Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR. Provérbios 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Provérbios 1 1PROVÉRBIOS de Salomão, filho de Davi, rei de Israel; 2Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem, as palavras da prudência. 3Para se receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a eqüidade; 4Para dar aos simples, prudência, e aos moços, conhecimento e bom siso; 5O sábio ouvirá e crescerá em conhecimento, e o entendido adquirirá sábios conselhos; 6Para entender os provérbios e sua interpretação; as palavras dos sábios e as suas proposições. 7O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução. 8Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensinamento de tua mãe, 9Porque serão como diadema gracioso em tua cabeça, e colares ao teu pescoço. 10Filho meu, se os pecadores procuram te atrair com agrados, não aceites. 11Se disserem: Vem conosco a tocaias de sangue; embosquemos o inocente sem motivo; 12Traguemo-los vivos, como a sepultura; e inteiros, como os que descem à cova; 13Acharemos toda sorte de bens preciosos; encheremos as nossas casas de despojos; 14Lança a tua sorte conosco; teremos todos uma só bolsa! 15Filho meu, não te ponhas a caminho com eles; desvia o teu pé das suas veredas; 16Porque os seus pés correm para o mal, e se apressam a derramar sangue. 17Na verdade é inútil estender-se a rede ante os olhos de qualquer ave. 18No entanto estes armam ciladas contra o seu próprio sangue; e espreitam suas próprias vidas. 19São assim as veredas de todo aquele que usa de cobiça: ela põe a perder a alma dos que a possuem. 20A sabedoria clama lá fora; pelas ruas levanta a sua voz. 21Nas esquinas movimentadas ela brada; nas entradas das portas e nas cidades profere as suas palavras: 22Até quando, ó simples, amareis a simplicidade? E vós escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós insensatos, odiareis o conhecimento? 23Atentai para a minha repreensão; pois eis que vos derramarei abundantemente do meu espírito e vos farei saber as minhas palavras. 24Entretanto, porque eu clamei e recusastes; e estendi a minha mão e não houve quem desse atenção, 25Antes rejeitastes todo o meu conselho, e não quisestes a minha repreensão, 26Também de minha parte eu me rirei na vossa perdição e zombarei, em vindo o vosso temor. 27Vindo o vosso temor como a assolação, e vindo a vossa perdição como uma tormenta, sobrevirá a vós aperto e angústia. 28Então clamarão a mim, mas eu não responderei; de madrugada me buscarão, porém não me acharão. 29Porquanto odiaram o conhecimento; e não preferiram o temor do SENHOR: 30Não aceitaram o meu conselho, e desprezaram toda a minha repreensão. 31Portanto comerão do fruto do seu caminho, e fartar-se-ão dos seus próprios conselhos. 32Porque o erro dos simples os matará, e o desvario dos insensatos os destruirá. 33Mas o que me der ouvidos habitará em segurança, e estará livre do temor do mal. Provérbios 2 1FILHO meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, 2Para fazeres o teu ouvido atento à sabedoria; e inclinares o teu coração ao entendimento; 3Se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a tua voz, 4Se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, 5Então entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus. 6Porque o SENHOR dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento. 7Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos. Escudo é para os que caminham na sinceridade, 8Para que guardem as veredas do juízo. Ele preservará o caminho dos seus santos. 9Então entenderás a justiça, o juízo, a eqüidade e todas as boas veredas. 10Pois quando a sabedoria entrar no teu coração, e o conhecimento for agradável à tua alma, 11O bom siso te guardará e a inteligência te conservará; 12Para te afastar do mau caminho, e do homem que fala coisas perversas; 13Dos que deixam as veredas da retidão, para andarem pelos caminhos escusos; 14Que se alegram de fazer mal, e folgam com as perversidades dos maus, 15Cujas veredas são tortuosas e que se desviam nos seus caminhos; 16Para te afastar da mulher estranha, sim da estranha que lisonjeia com suas palavras; 17Que deixa o guia da sua mocidade e se esquece da aliança do seu Deus; 18Porque a sua casa se inclina para a morte, e as suas veredas para os mortos. 19Todos os que se dirigem a ela não voltarão e não atinarão com as veredas da vida. 20Para andares pelos caminhos dos bons, e te conservares nas veredas dos justos. 21Porque os retos habitarão a terra, e os íntegros permanecerão nela. 22Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados. Provérbios 3 1FILHO meu, não te esqueças da minha lei, e o teu coração guarde os meus mandamentos. 2Porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de vida e paz. 3Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-as ao teu pescoço; escreve-as na tábua do teu coração. 4E acharás graça e bom entendimento aos olhos de Deus e do homem. 5Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. 6Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. 7Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal. 8 Isto será saúde para o teu âmago, e medula para os teus ossos. 9Honra ao SENHOR com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos; 10E se encherão os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares. 11Filho meu, não rejeites a correção do SENHOR, nem te enojes da sua repreensão. 12Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem. 13Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento; 14Porque é melhor a sua mercadoria do que artigos de prata, e maior o seu lucro que o ouro mais fino. 15Mais preciosa é do que os rubis, e tudo o que mais possas desejar não se pode comparar a ela. 16Vida longa de dias está na sua mão direita; e na esquerda, riquezas e honra. 17Os seus caminhos são caminhos de delícias, e todas as suas veredas de paz. 18É árvore de vida para os que dela tomam, e são bem-aventurados todos os que a retêm. 19O SENHOR, com sabedoria fundou a terra; com entendimento preparou os céus. 20Pelo seu conhecimento se fenderam os abismos, e as nuvens destilam o orvalho. 21Filho meu, não se apartem estas coisas dos teus olhos: guarda a verdadeira sabedoria e o bom siso; 22Porque serão vida para a tua alma, e adorno ao teu pescoço. 23Então andarás confiante pelo teu caminho, e o teu pé não tropeçará. 24Quando te deitares, não temerás; ao contrário, o teu sono será suave ao te deitares. 25Não temas o pavor repentino, nem a investida dos perversos quando vier. 26Porque o SENHOR será a tua esperança; guardará os teus pés de serem capturados. 27Não deixes de fazer bem a quem o merece, estando em tuas mãos a capacidade de fazê-lo. 28Não digas ao teu próximo: Vai, e volta amanhã que to darei, se já o tens contigo. 29Não maquines o mal contra o teu próximo, pois que habita contigo confiadamente. 30Não contendas com alguém sem causa, se não te fez nenhum mal. 31Não tenhas inveja do homem violento, nem escolhas nenhum dos seus caminhos. 32Porque o perverso é abominável ao SENHOR, mas com os sinceros ele tem intimidade. 33A maldição do SENHOR habita na casa do ímpio, mas a habitação dos justos abençoará. 34Certamente ele escarnecerá dos escarnecedores, mas dará graça aos mansos. 35Os sábios herdarão honra, mas os loucos tomam sobre si vergonha. Provérbios 4 1OUVI, filhos, a instrução do pai, e estai atentos para conhecerdes a prudência. 2Pois dou-vos boa doutrina; não deixeis a minha lei. 3Porque eu era filho tenro na companhia de meu pai, e único diante de minha mãe. 4E ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos, e vive. 5Adquire sabedoria, adquire inteligência, e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca. 6Não a abandones e ela te guardará; ama-a, e ela te protegerá. 7A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento. 8Exalta-a, e ela te exaltará; e, abraçando-a tu, ela te honrará. 9Dará à tua cabeça um diadema de graça e uma coroa de glória te entregará. 10Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, e se multiplicarão os anos da tua vida. 11No caminho da sabedoria te ensinei, e por veredas de retidão te fiz andar. 12Por elas andando, não se embaraçarão os teus passos; e se correres não tropeçarás. 13Apega-te à instrução e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida. 14Não entres pela vereda dos ímpios, nem andes no caminho dos maus. 15Evita-o; não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo. 16Pois não dormem, se não fizerem mal, e foge deles o sono se não fizerem alguém tropeçar. 17Porque comem o pão da impiedade, e bebem o vinho da violência. 18Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. 19O caminho dos ímpios é como a escuridão; nem sabem em que tropeçam. 20Filho meu, atenta para as minhas palavras; às minhas razões inclina o teu ouvido. 21Não as deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-as no íntimo do teu coração. 22Porque são vida para os que as acham, e saúde para todo o seu corpo. 23Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. 24Desvia de ti a falsidade da boca, e afasta de ti a perversidade dos lábios. 25Os teus olhos olhem para a frente, e as tuas pálpebras olhem direto diante de ti. 26Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem ordenados! 27Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal. Provérbios 5 1FILHO meu, atende à minha sabedoria; à minha inteligência inclina o teu ouvido; 2Para que guardes os meus conselhos e os teus lábios observem o conhecimento. 3Porque os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais suave do que o azeite. 4Mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois gumes. 5Os seus pés descem para a morte; os seus passos estão impregnados do inferno. 6Para que não ponderes os caminhos da vida, as suas andanças são errantes: jamais os conhecerás. 7Agora, pois, filhos, dai-me ouvidos, e não vos desvieis das palavras da minha boca. 8Longe dela seja o teu caminho, e não te chegues à porta da sua casa; 9Para que não dês a outrem a tua honra, e não entregues a cruéis os teus anos de vida; 10Para que não farte a estranhos o teu esforço, e todo o fruto do teu trabalho vá parar em casa alheia; 11E no fim venhas a gemer, no consumir-se da tua carne e do teu corpo. 12E então digas: Como odiei a correção! e o meu coração desprezou a repreensão! 13E não escutei a voz dos que me ensinavam, nem aos meus mestres inclinei o meu ouvido! 14No meio da congregação e da assembléia foi que eu me achei em quase todo o mal. 15Bebe água da tua fonte, e das correntes do teu poço. 16Derramar-se-iam as tuas fontes por fora, e pelas ruas os ribeiros de águas? 17Sejam para ti só, e não para os estranhos contigo. 18Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. 19Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente. 20E porque, filho meu, te deixarias atrair por outra mulher, e te abraçarias ao peito de uma estranha? 21Eis que os caminhos do homem estão perante os olhos do SENHOR, e ele pesa todas as suas veredas. 22Quanto ao ímpio, as suas iniqüidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido. 23Ele morrerá, porque desavisadamente andou, e pelo excesso da sua loucura se perderá. Provérbios 6 1FILHO meu, se ficaste por fiador do teu companheiro, se deste a tua mão ao estranho, 2E te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca; 3Faze pois isto agora, filho meu, e livra-te, já que caíste nas mãos do teu companheiro: vai, humilha-te, e importuna o teu companheiro. 4Não dês sono aos teus olhos, nem deixes adormecer as tuas pálpebras. 5Livra-te, como a gazela da mão do caçador, e como a ave da mão do passarinheiro. 6Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos, e sê sábio. 7Pois ela, não tendo chefe, nem guarda, nem dominador, 8Prepara no verão o seu pão; na sega ajunta o seu mantimento. 9Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? 10Um pouco a dormir, um pouco a tosquenejar; um pouco a repousar de braços cruzados; 11Assim sobrevirá a tua pobreza como o meliante, e a tua necessidade como um homem armado. 12O homem mau, o homem iníquo tem a boca pervertida. 13Acena com os olhos, fala com os pés e faz sinais com os dedos. 14Há no seu coração perversidade, todo o tempo maquina mal; anda semeando contendas. 15Por isso a sua destruição virá repentinamente; subitamente será quebrantado, sem que haja cura. 16Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina: 17Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, 18O coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, 19A testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos. 20Filho meu, guarda o mandamento de teu pai, e não deixes a lei da tua mãe; 21Ata-os perpetuamente ao teu coração, e pendura-os ao teu pescoço. 22Quando caminhares, te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, falará contigo. 23Porque o mandamento é lâmpada, e a lei é luz; e as repreensões da correção são o caminho da vida, 24Para te guardarem da mulher vil, e das lisonjas da estranha. 25Não cobices no teu coração a sua formosura, nem te prendas aos seus olhos. 26Porque por causa duma prostituta se chega a pedir um bocado de pão; e a adúltera anda à caça da alma preciosa. 27Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem? 28Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés? 29Assim ficará o que entrar à mulher do seu próximo; não será inocente todo aquele que a tocar. 30Não se injuria o ladrão, quando furta para saciar-se, tendo fome; 31E se for achado pagará o tanto sete vezes; terá de dar todos os bens da sua casa. 32Assim, o que adultera com uma mulher é falto de entendimento; aquele que faz isso destrói a sua alma. 33Achará castigo e vilipêndio, e o seu opróbrio nunca se apagará. 34Porque os ciúmes enfurecerão o marido; de maneira nenhuma perdoará no dia da vingança. 35Não aceitará nenhum resgate, nem se conformará por mais que aumentes os presentes. Provérbios 7 1FILHO meu, guarda as minhas palavras, e esconde dentro de ti os meus mandamentos. 2Guarda os meus mandamentos e vive; e a minha lei, como a menina dos teus olhos. 3Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração. 4Dize à sabedoria: Tu és minha irmã; e à prudência chama de tua parenta, 5Para que elas te guardem da mulher alheia, da estranha que lisonjeia com as suas palavras. 6Porque da janela da minha casa, olhando eu por minhas frestas, 7Vi entre os simples, descobri entre os moços, um moço falto de juízo, 8Que passava pela rua junto à sua esquina, e seguia o caminho da sua casa; 9No crepúsculo, à tarde do dia, na tenebrosa noite e na escuridão. 10E eis que uma mulher lhe saiu ao encontro com enfeites de prostituta, e astúcia de coração. 11Estava alvoroçada e irrequieta; não paravam em sua casa os seus pés. 12Foi para fora, depois pelas ruas, e ia espreitando por todos os cantos; 13E chegou-se para ele e o beijou. Com face impudente lhe disse: 14Sacrifícios pacíficos tenho comigo; hoje paguei os meus votos. 15Por isto saí ao teu encontro a buscar diligentemente a tua face, e te achei. 16Já cobri a minha cama com cobertas de tapeçaria, com obras lavradas, com linho fino do Egito. 17Já perfumei o meu leito com mirra, aloés e canela. 18Vem, saciemo-nos de amores até à manhã; alegremo-nos com amores. 19Porque o marido não está em casa; foi fazer uma longa viagem; 20Levou na sua mão um saquitel de dinheiro; voltará para casa só no dia marcado. 21Assim, o seduziu com palavras muito suaves e o persuadiu com as lisonjas dos seus lábios. 22E ele logo a segue, como o boi que vai para o matadouro, e como vai o insensato para o castigo das prisões; 23Até que a flecha lhe atravesse o fígado; ou como a ave que se apressa para o laço, e não sabe que está armado contra a sua vida. 24Agora pois, filhos, dai-me ouvidos, e estai atentos às palavras da minha boca. 25Não se desvie para os caminhos dela o teu coração, e não te deixes perder nas suas veredas. 26Porque a muitos feridos derrubou; e são muitíssimos os que por causa dela foram mortos. 27A sua casa é caminho do inferno que desce para as câmaras da morte. Provérbios 8 1NÃO clama porventura a sabedoria, e a inteligência não faz ouvir a sua voz? 2No cume das alturas, junto ao caminho, nas encruzilhadas das veredas se posta. 3Do lado das portas da cidade, à entrada da cidade, e à entrada das portas está gritando: 4A vós, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens. 5Entendei, ó simples, a prudência; e vós, insensatos, entendei de coração. 6Ouvi, porque falarei coisas excelentes; os meus lábios se abrirão para a eqüidade. 7Porque a minha boca proferirá a verdade, e os meus lábios abominam a impiedade. 8São justas todas as palavras da minha boca: não há nelas nenhuma coisa tortuosa nem pervertida. 9Todas elas são retas para aquele que as entende bem, e justas para os que acham o conhecimento. 10Aceitai a minha correção, e não a prata; e o conhecimento, mais do que o ouro fino escolhido. 11Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e tudo o que mais se deseja não se pode comparar com ela. 12Eu, a sabedoria, habito com a prudência, e acho o conhecimento dos conselhos. 13O temor do SENHOR é odiar o mal; a soberba e a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu odeio. 14Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria; eu sou o entendimento; minha é a fortaleza. 15Por mim reinam os reis e os príncipes decretam justiça. 16Por mim governam príncipes e nobres; sim, todos os juízes da terra. 17Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão. 18Riquezas e honra estão comigo; assim como os bens duráveis e a justiça. 19Melhor é o meu fruto do que o ouro, do que o ouro refinado, e os meus ganhos mais do que a prata escolhida. 20Faço andar pelo caminho da justiça, no meio das veredas do juízo. 21Para que faça herdar bens permanentes aos que me amam, e eu encha os seus tesouros. 22O SENHOR me possuiu no princípio de seus caminhos, desde então, e antes de suas obras. 23Desde a eternidade fui ungida, desde o princípio, antes do começo da terra. 24Quando ainda não havia abismos, fui gerada, quando ainda não havia fontes carregadas de águas. 25Antes que os montes se houvessem assentado, antes dos outeiros, eu fui gerada. 26Ainda ele não tinha feito a terra, nem os campos, nem o princípio do pó do mundo. 27Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; 28Quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo, 29Quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra. 30Então eu estava com ele, e era seu arquiteto; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo; 31Regozijando-me no seu mundo habitável e enchendo-me de prazer com os filhos dos homens. 32Agora, pois, filhos, ouvi-me, porque bem-aventurados serão os que guardarem os meus caminhos. 33Ouvi a instrução, e sede sábios, não a rejeiteis. 34Bem-aventurado o homem que me dá ouvidos, velando às minhas portas cada dia, esperando às ombreiras da minha entrada. 35Porque o que me achar, achará a vida, e alcançará o favor do SENHOR. 36Mas o que pecar contra mim violentará a sua própria alma; todos os que me odeiam amam a morte. Provérbios 9 1A SABEDORIA já edificou a sua casa, já lavrou as suas sete colunas. 2Já abateu os seus animais e misturou o seu vinho, e já preparou a sua mesa. 3Já ordenou às suas criadas, e está convidando desde as alturas da cidade, dizendo: 4Quem é simples, volte-se para cá. Aos faltos de senso diz: 5Vinde, comei do meu pão, e bebei do vinho que tenho misturado. 6Deixai os insensatos e vivei; e andai pelo caminho do entendimento. 7O que repreende o escarnecedor, toma afronta para si; e o que censura o ímpio recebe a sua mancha. 8Não repreendas o escarnecedor, para que não te odeie; repreende o sábio, e ele te amará. 9Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio; ensina o justo e ele aumentará em entendimento. 10O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência. 11Porque por meu intermédio se multiplicam os teus dias, e anos de vida se te aumentarão. 12Se fores sábio, para ti serás sábio; e, se fores escarnecedor, só tu o suportarás. 13A mulher louca é alvoroçadora; é simples e nada sabe. 14Assenta-se à porta da sua casa numa cadeira, nas alturas da cidade, 15E põe-se a chamar aos que vão pelo caminho, e que passam reto pelas veredas, dizendo: 16Quem é simples, volte-se para cá. E aos faltos de entendimento ela diz: 17As águas roubadas são doces, e o pão tomado às escondidas é agradável. 18Mas não sabem que ali estão os mortos; os seus convidados estão nas profundezas do inferno. Provérbios 10 1PROVÉRBIOS de Salomão: O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe. 2Os tesouros da impiedade de nada aproveitam; mas a justiça livra da morte. 3O SENHOR não deixa o justo passar fome, mas rechaça a aspiração dos perversos. 4O que trabalha com mão displicente empobrece, mas a mão dos diligentes enriquece. 5O que ajunta no verão é filho ajuizado, mas o que dorme na sega é filho que envergonha. 6Bênçãos há sobre a cabeça do justo, mas a violência cobre a boca dos perversos. 7A memória do justo é abençoada, mas o nome dos perversos apodrecerá. 8O sábio de coração aceita os mandamentos, mas o insensato de lábios ficará transtornado. 9Quem anda em sinceridade, anda seguro; mas o que perverte os seus caminhos ficará conhecido. 10O que acena com os olhos causa dores, e o tolo de lábios ficará transtornado. 11A boca do justo é fonte de vida, mas a violência cobre a boca dos perversos. 12O ódio excita contendas, mas o amor cobre todos os pecados. 13Nos lábios do entendido se acha a sabedoria, mas a vara é para as costas do falto de entendimento. 14Os sábios entesouram a sabedoria; mas a boca do tolo o aproxima da ruína. 15Os bens do rico são a sua cidade forte, a pobreza dos pobres a sua ruína. 16A obra do justo conduz à vida, o fruto do perverso, ao pecado. 17O caminho para a vida é daquele que guarda a instrução, mas o que deixa a repreensão comete erro. 18O que encobre o ódio tem lábios falsos, e o que divulga má fama é um insensato. 19Na multidão de palavras não falta pecado, mas o que modera os seus lábios é sábio. 20Prata escolhida é a língua do justo; o coração dos perversos é de nenhum valor. 21Os lábios do justo apascentam a muitos, mas os tolos morrem por falta de entendimento. 22A bênção do SENHOR é que enriquece; e não traz consigo dores. 23Para o tolo, o cometer desordem é divertimento; mas para o homem entendido é o ter sabedoria. 24Aquilo que o perverso teme sobrevirá a ele, mas o desejo dos justos será concedido. 25Como passa a tempestade, assim desaparece o perverso, mas o justo tem fundamento perpétuo. 26Como vinagre para os dentes, como fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que o mandam. 27O temor do SENHOR aumenta os dias, mas os perversos terão os anos da vida abreviados. 28A esperança dos justos é alegria, mas a expectação dos perversos perecerá. 29O caminho do SENHOR é fortaleza para os retos, mas ruína para os que praticam a iniqüidade. 30O justo nunca jamais será abalado, mas os perversos não habitarão a terra. 31A boca do justo jorra sabedoria, mas a língua da perversidade será cortada. 32Os lábios do justo sabem o que agrada, mas a boca dos perversos, só perversidades. Provérbios 11 1BALANÇA enganosa é abominação para o SENHOR, mas o peso justo é o seu prazer. 2Em vindo a soberba, virá também a afronta; mas com os humildes está a sabedoria. 3A sinceridade dos íntegros os guiará, mas a perversidade dos aleivosos os destruirá. 4De nada aproveitam as riquezas no dia da ira, mas a justiça livra da morte. 5A justiça do sincero endireitará o seu caminho, mas o perverso pela sua falsidade cairá. 6A justiça dos virtuosos os livrará, mas na sua perversidade serão apanhados os iníquos. 7Morrendo o homem perverso perece sua esperança, e acaba-se a expectação de riquezas. 8O justo é libertado da angústia, e vem o ímpio para o seu lugar. 9O hipócrita com a boca destrói o seu próximo, mas os justos se libertam pelo conhecimento. 10No bem dos justos exulta a cidade; e perecendo os ímpios, há júbilo. 11Pela bênção dos homens de bem a cidade se exalta, mas pela boca dos perversos é derrubada. 12O que despreza o seu próximo carece de entendimento, mas o homem entendido se mantém calado. 13O mexeriqueiro revela o segredo, mas o fiel de espírito o mantém em oculto. 14Não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança. 15Decerto sofrerá severamente aquele que fica por fiador do estranho, mas o que evita a fiança estará seguro. 16A mulher graciosa guarda a honra como os violentos guardam as riquezas. 17O homem bom cuida bem de si mesmo, mas o cruel prejudica o seu corpo. 18O ímpio faz obra falsa, mas para o que semeia justiça haverá galardão fiel. 19Como a justiça encaminha para a vida, assim o que segue o mal vai para a sua morte. 20Abominação ao SENHOR são os perversos de coração, mas os de caminho sincero são o seu deleite. 21Ainda que junte as mãos, o mau não ficará impune, mas a semente dos justos será liberada. 22Como jóia de ouro no focinho de uma porca, assim é a mulher formosa que não tem discrição. 23O desejo dos justos é tão somente para o bem, mas a esperança dos ímpios é criar contrariedades. 24Ao que distribui mais se lhe acrescenta, e ao que retém mais do que é justo, é para a sua perda. 25A alma generosa prosperará e aquele que atende também será atendido. 26Ao que retém o trigo o povo amaldiçoa, mas bênção haverá sobre a cabeça do que o vende. 27O que cedo busca o bem, busca favor, mas o que procura o mal, esse lhe sobrevirá. 28Aquele que confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como a folhagem. 29O que perturba a sua casa herdará o vento, e o tolo será servo do sábio de coração. 30O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio. 31Eis que o justo recebe na terra a retribuição; quanto mais o ímpio e o pecador! Provérbios 12 1O QUE ama a instrução ama o conhecimento, mas o que odeia a repreensão é estúpido. 2O homem de bem alcançará o favor do SENHOR, mas ao homem de intenções perversas ele condenará. 3O homem não se estabelecerá pela impiedade, mas a raiz dos justos não será removida. 4A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que o envergonha é como podridão nos seus ossos. 5Os pensamentos dos justos são retos, mas os conselhos dos ímpios, engano. 6As palavras dos ímpios são ciladas para derramar sangue, mas a boca dos retos os livrará. 7Os ímpios serão transtornados e não subsistirão, mas a casa dos justos permanecerá. 8Cada qual será louvado segundo o seu entendimento, mas o perverso de coração estará em desprezo. 9Melhor é o que se estima em pouco, e tem servos, do que o que se vangloria e tem falta de pão. 10O justo tem consideração pela vida dos seus animais, mas as afeições dos ímpios são cruéis. 11O que lavra a sua terra se fartará de pão; mas o que segue os ociosos é falto de juízo. 12O ímpio deseja a rede dos maus, mas a raiz dos justos produz o seu fruto. 13O ímpio se enlaça na transgressão dos lábios, mas o justo sairá da angústia. 14Cada um se fartará do fruto da sua boca, e da obra das suas mãos o homem receberá a recompensa. 15O caminho do insensato é reto aos seus próprios olhos, mas o que dá ouvidos ao conselho é sábio. 16A ira do insensato se conhece no mesmo dia, mas o prudente encobre a afronta. 17O que diz a verdade manifesta a justiça, mas a falsa testemunha diz engano. 18Há alguns que falam como que espada penetrante, mas a língua dos sábios é saúde. 19O lábio da verdade permanece para sempre, mas a língua da falsidade, dura por um só momento. 20No coração dos que maquinam o mal há engano, mas os que aconselham a paz têm alegria. 21Nenhum agravo sobrevirá ao justo, mas os ímpios ficam cheios de mal. 22Os lábios mentirosos são abomináveis ao SENHOR, mas os que agem fielmente são o seu deleite. 23O homem prudente encobre o conhecimento, mas o coração dos tolos proclama a estultícia. 24A mão dos diligentes dominará, mas os negligentes serão tributários. 25A ansiedade no coração deixa o homem abatido, mas uma boa palavra o alegra. 26O justo é mais excelente do que o seu próximo, mas o caminho dos ímpios faz errar. 27O preguiçoso deixa de assar a sua caça, mas ser diligente é o precioso bem do homem. 28Na vereda da justiça está a vida, e no caminho da sua carreira não há morte. Provérbios 13 1O FILHO sábio atende à instrução do pai; mas o escarnecedor não ouve a repreensão. 2Do fruto da boca cada um comerá o bem, mas a alma dos prevaricadores comerá a violência. 3O que guarda a sua boca conserva a sua alma, mas o que abre muito os seus lábios se destrói. 4A alma do preguiçoso deseja, e coisa nenhuma alcança, mas a alma dos diligentes se farta. 5O justo odeia a palavra de mentira, mas o ímpio faz vergonha e se confunde. 6A justiça guarda ao que é de caminho certo, mas a impiedade transtornará o pecador. 7Há alguns que se fazem de ricos, e não têm coisa nenhuma, e outros que se fazem de pobres e têm muitas riquezas. 8O resgate da vida de cada um são as suas riquezas, mas o pobre não ouve ameaças. 9A luz dos justos alegra, mas a candeia dos ímpios se apagará. 10Da soberba só provém a contenda, mas com os que se aconselham se acha a sabedoria. 11A riqueza de procedência vã diminuirá, mas quem a ajunta com o próprio trabalho a aumentará. 12A esperança adiada desfalece o coração, mas o desejo atendido é árvore de vida. 13O que despreza a palavra perecerá, mas o que teme o mandamento será galardoado. 14A doutrina do sábio é uma fonte de vida para se desviar dos laços da morte. 15O bom entendimento favorece, mas o caminho dos prevaricadores é áspero. 16Todo prudente procede com conhecimento, mas o insensato espraia a sua loucura. 17O que prega a maldade cai no mal, mas o embaixador fiel é saúde. 18Pobreza e afronta virão ao que rejeita a instrução, mas o que guarda a repreensão será honrado. 19O desejo que se alcança deleita a alma, mas apartar-se do mal é abominável para os insensatos. 20O que anda com os sábios ficará sábio, mas o companheiro dos tolos será destruído. 21O mal perseguirá os pecadores, mas os justos serão galardoados com o bem. 22O homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador é depositada para o justo. 23O pobre, do sulco da terra, tira mantimento em abundância; mas há os que se consomem por falta de juízo. 24O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga. 25O justo come até ficar satisfeito, mas o ventre dos ímpios passará necessidade. Provérbios 14 1TODA mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos. 2O que anda na retidão teme ao SENHOR, mas o que se desvia de seus caminhos o despreza. 3Na boca do tolo está a punição da soberba, mas os sábios se conservam pelos próprios lábios. 4Não havendo bois o estábulo fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheita. 5A verdadeira testemunha não mentirá, mas a testemunha falsa se desboca em mentiras. 6O escarnecedor busca sabedoria e não acha nenhuma, para o prudente, porém, o conhecimento é fácil. 7Desvia-te do homem insensato, porque nele não acharás lábios de conhecimento. 8A sabedoria do prudente é entender o seu caminho, mas a estultícia dos insensatos é engano. 9Os insensatos zombam do pecado, mas entre os retos há benevolência. 10O coração conhece a sua própria amargura, e o estranho não participará no íntimo da sua alegria. 11A casa dos ímpios se desfará, mas a tenda dos retos florescerá. 12Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte. 13Até no riso o coração sente dor e o fim da alegria é tristeza. 14O que no seu coração comete deslize, se enfada dos seus caminhos, mas o homem bom fica satisfeito com o seu proceder. 15O simples dá crédito a cada palavra, mas o prudente atenta para os seus passos. 16O sábio teme, e desvia-se do mal, mas o tolo se encoleriza, e dá-se por seguro. 17O que se indigna à toa fará doidices, e o homem de maus intentos será odiado. 18Os simples herdarão a estultícia, mas os prudentes serão coroados de conhecimento. 19Os maus inclinam-se diante dos bons, e os ímpios diante das portas dos justos. 20O pobre é odiado até pelo seu próximo, porém os amigos dos ricos são muitos. 21O que despreza ao seu próximo peca, mas o que se compadece dos humildes é bem-aventurado. 22Porventura não erram os que praticam o mal? mas beneficência e fidelidade haverá para os que praticam o bem. 23Em todo trabalho há proveito, mas ficar só em palavras leva à pobreza. 24A coroa dos sábios é a sua riqueza, a estultícia dos tolos é só estultícia. 25A testemunha verdadeira livra as almas, mas o que se desboca em mentiras é enganador. 26No temor do SENHOR há firme confiança e ele será um refúgio para seus filhos. 27O temor do SENHOR é fonte de vida, para desviar dos laços da morte. 28Na multidão do povo está a glória do rei, mas na falta de povo a ruína do príncipe. 29O longânimo é grande em entendimento, mas o que é de espírito impaciente mostra a sua loucura. 30O sentimento sadio é vida para o corpo, mas a inveja é podridão para os ossos. 31O que oprime o pobre insulta àquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado o honra. 32Pela sua própria malícia é lançado fora o perverso, mas o justo até na morte se mantém confiante. 33No coração do prudente a sabedoria permanece, mas o que está no interior dos tolos se faz conhecido. 34A justiça exalta os povos, mas o pecado é a vergonha das nações. 35O rei se alegra no servo prudente, mas sobre o que o envergonha cairá o seu furor. Provérbios 15 1A RESPOSTA branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira. 2A língua dos sábios adorna a sabedoria, mas a boca dos tolos derrama a estultícia. 3Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons. 4A língua benigna é árvore de vida, mas a perversidade nela deprime o espírito. 5O tolo despreza a instrução de seu pai, mas o que observa a repreensão se haverá prudentemente. 6Na casa do justo há um grande tesouro, mas nos ganhos do ímpio há perturbação. 7Os lábios dos sábios derramam o conhecimento, mas o coração dos tolos não faz assim. 8O sacrifício dos ímpios é abominável ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu contentamento. 9O caminho do ímpio é abominável ao SENHOR, mas ao que segue a justiça ele ama. 10Correção severa há para o que deixa a vereda, e o que odeia a repreensão morrerá. 11O inferno e a perdição estão perante o SENHOR; quanto mais os corações dos filhos dos homens? 12O escarnecedor não ama aquele que o repreende, nem se chegará aos sábios. 13O coração alegre aformoseia o rosto, mas pela dor do coração o espírito se abate. 14O coração entendido buscará o conhecimento, mas a boca dos tolos se apascentará de estultícia. 15Todos os dias do oprimido são maus, mas o coração alegre é um banquete contínuo. 16Melhor é o pouco com o temor do SENHOR, do que um grande tesouro onde há inquietação. 17Melhor é a comida de hortaliça, onde há amor, do que o boi cevado, e com ele o ódio. 18O homem iracundo suscita contendas, mas o longânimo apaziguará a luta. 19O caminho do preguiçoso é cercado de espinhos, mas a vereda dos retos é bem aplanada. 20O filho sábio alegra seu pai, mas o homem insensato despreza a sua mãe. 21A estultícia é alegria para o que carece de entendimento, mas o homem entendido anda retamente. 22Quando não há conselhos os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros eles se firmam. 23O homem se alegra em responder bem, e quão boa é a palavra dita a seu tempo! 24Para o entendido, o caminho da vida leva para cima, para que se desvie do inferno em baixo. 25O SENHOR desarraiga a casa dos soberbos, mas estabelece o termo da viúva. 26Abomináveis são para o SENHOR os pensamentos do mau, mas as palavras dos puros são aprazíveis. 27O que agir com avareza perturba a sua casa, mas o que odeia presentes viverá. 28O coração do justo medita no que há de responder, mas a boca dos ímpios jorra coisas más. 29O SENHOR está longe dos ímpios, mas a oração dos justos escutará. 30A luz dos olhos alegra o coração, a boa notícia fortalece os ossos. 31Os ouvidos que atendem à repreensão da vida farão a sua morada no meio dos sábios. 32O que rejeita a instrução menospreza a própria alma, mas o que escuta a repreensão adquire entendimento. 33O temor do SENHOR é a instrução da sabedoria, e precedendo a honra vai a humildade. Provérbios 16 1DO homem são as preparações do coração, mas do SENHOR a resposta da língua. 2Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito. 3Confia ao SENHOR as tuas obras, e teus pensamentos serão estabelecidos. 4O SENHOR fez todas as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o ímpio para o dia do mal. 5Abominação é ao SENHOR todo o altivo de coração; não ficará impune mesmo de mãos postas. 6Pela misericórdia e verdade a iniqüidade é perdoada, e pelo temor do SENHOR os homens se desviam do pecado. 7Sendo os caminhos do homem agradáveis ao SENHOR, até a seus inimigos faz que tenham paz com ele. 8Melhor é o pouco com justiça, do que a abundância de bens com injustiça. 9O coração do homem planeja o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos. 10Nos lábios do rei se acha a sentença divina; a sua boca não transgride quando julga. 11O peso e a balança justos são do SENHOR; obra sua são os pesos da bolsa. 12Abominação é aos reis praticarem impiedade, porque com justiça é que se estabelece o trono. 13Os lábios de justiça são o contentamento dos reis; eles amarão o que fala coisas retas. 14O furor do rei é mensageiro da morte, mas o homem sábio o apaziguará. 15No semblante iluminado do rei está a vida, e a sua benevolência é como a nuvem da chuva serôdia. 16Quão melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro! e quão mais excelente é adquirir a prudência do que a prata! 17Os retos fazem o seu caminho desviar-se do mal; o que guarda o seu caminho preserva a sua alma. 18A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda. 19Melhor é ser humilde de espírito com os mansos, do que repartir o despojo com os soberbos. 20O que atenta prudentemente para o assunto achará o bem, e o que confia no SENHOR será bem-aventurado. 21O sábio de coração será chamado prudente, e a doçura dos lábios aumentará o ensino. 22O entendimento para aqueles que o possuem, é uma fonte de vida, mas a instrução dos tolos é a sua estultícia. 23O coração do sábio instrui a sua boca, e aumenta o ensino dos seus lábios. 24As palavras suaves são favos de mel, doces para a alma, e saúde para os ossos. 25Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte. 26O trabalhador trabalha para si mesmo, porque a sua boca o incita. 27O homem ímpio cava o mal, e nos seus lábios há como que uma fogueira. 28O homem perverso instiga a contenda, e o intrigante separa os maiores amigos. 29O homem violento coage o seu próximo, e o faz deslizar por caminhos nada bons. 30O que fecha os olhos para imaginar coisas ruins, ao cerrar os lábios pratica o mal. 31Coroa de honra são as cãs, quando elas estão no caminho da justiça. 32Melhor é o que tarda em irar-se do que o poderoso, e o que controla o seu ânimo do que aquele que toma uma cidade. 33A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda a determinação. Provérbios 17 1É MELHOR um bocado seco, e com ele a tranqüilidade, do que a casa cheia de iguarias e com desavença. 2O servo prudente dominará sobre o filho que faz envergonhar; e repartirá a herança entre os irmãos. 3O crisol é para a prata, e o forno para o ouro; mas o SENHOR é quem prova os corações. 4O ímpio atenta para o lábio iníquo, o mentiroso inclina os ouvidos à língua maligna. 5O que escarnece do pobre insulta ao seu Criador, o que se alegra da calamidade não ficará impune. 6A coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais. 7Não convém ao tolo a fala excelente; quanto menos ao príncipe, o lábio mentiroso. 8O presente é, aos olhos dos que o recebem, como pedra preciosa; para onde quer que se volte servirá de proveito. 9Aquele que encobre a transgressão busca a amizade, mas o que revolve o assunto separa os maiores amigos. 10A repreensão penetra mais profundamente no prudente do que cem açoites no tolo. 11Na verdade o rebelde não busca senão o mal; afinal, um mensageiro cruel será enviado contra ele. 12Encontre-se o homem com a ursa roubada dos filhos, mas não com o louco na sua estultícia. 13Quanto àquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal da sua casa. 14Como o soltar das águas é o início da contenda, assim, antes que sejas envolvido afasta-te da questão. 15O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um como o outro são abomináveis ao SENHOR. 16De que serviria o preço na mão do tolo para comprar sabedoria, visto que não tem entendimento? 17Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão. 18O homem falto de entendimento compromete-se, ficando por fiador na presença do seu amigo. 19O que ama a transgressão ama a contenda; o que exalta a sua porta busca a ruína. 20O perverso de coração jamais achará o bem; e o que tem a língua dobre vem a cair no mal. 21O que gera um tolo para a sua tristeza o faz; e o pai do insensato não tem alegria. 22O coração alegre é como o bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos. 23O ímpio toma presentes em secreto para perverter as veredas da justiça. 24No rosto do entendido se vê a sabedoria, mas os olhos do tolo vagam pelas extremidades da terra. 25O filho insensato é tristeza para seu pai, e amargura para aquela que o deu à luz. 26Também não é bom punir o justo, nem tampouco ferir aos príncipes por eqüidade. 27O que possui o conhecimento guarda as suas palavras, e o homem de entendimento é de precioso espírito. 28Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio; e o que cerra os seus lábios é tido por entendido. Provérbios 18 1BUSCA satisfazer seu próprio desejo aquele que se isola; ele se insurge contra toda sabedoria. 2O tolo não tem prazer na sabedoria, mas só em que se manifeste aquilo que agrada o seu coração. 3Vindo o ímpio, vem também o desprezo, e com a ignomínia a vergonha. 4Águas profundas são as palavras da boca do homem, e ribeiro transbordante é a fonte da sabedoria. 5Não é bom favorecer o ímpio, e com isso, fazer o justo perder a questão. 6Os lábios do tolo entram na contenda, e a sua boca brada por açoites. 7A boca do tolo é a sua própria destruição, e os seus lábios um laço para a sua alma. 8As palavras do mexeriqueiro são como doces bocados; elas descem ao íntimo do ventre. 9O que é negligente na sua obra é também irmão do desperdiçador. 10Torre forte é o nome do SENHOR; a ela correrá o justo, e estará em alto refúgio. 11Os bens do rico são a sua cidade forte, e como uma muralha na sua imaginação. 12O coração do homem se exalta antes de ser abatido e diante da honra vai a humildade. 13O que responde antes de ouvir comete estultícia que é para vergonha sua. 14O espírito do homem susterá a sua enfermidade, mas ao espírito abatido, quem o suportará? 15O coração do entendido adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios busca a sabedoria. 16Com presentes o homem alarga o seu caminho e o eleva diante dos grandes. 17O que pleiteia por algo, a princípio parece justo, porém vem o seu próximo e o examina. 18A sorte faz cessar os pleitos, e faz separação entre os poderosos. 19O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio. 20Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios ficará satisfeito. 21A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto. 22Aquele que encontra uma esposa, acha o bem, e alcança a benevolência do SENHOR. 23O pobre fala com rogos, mas o rico responde com dureza. 24O homem de muitos amigos deve mostrar-se amigável, mas há um amigo mais chegado do que um irmão. Provérbios 19 1MELHOR é o pobre que anda na sua integridade do que o perverso de lábios e tolo. 2Assim como não é bom ficar a alma sem conhecimento, peca aquele que se apressa com seus pés. 3A estultícia do homem perverterá o seu caminho, e o seu coração se irará contra o SENHOR. 4As riquezas granjeiam muitos amigos, mas ao pobre, o seu próprio amigo o deixa. 5A falsa testemunha não ficará impune e o que respira mentiras não escapará. 6Muitos se deixam acomodar pelos favores do príncipe, e cada um é amigo daquele que dá presentes. 7Todos os irmãos do pobre o odeiam; quanto mais se afastarão dele os seus amigos! Corre após eles com palavras, que não servem de nada. 8O que adquire entendimento ama a sua alma; o que cultiva a inteligência achará o bem. 9A falsa testemunha não ficará impune; e o que profere mentiras perecerá. 10Ao tolo não é certo gozar de deleites; quanto menos ao servo dominar sobre os príncipes! 11A prudência do homem faz reter a sua ira, e é glória sua o passar por cima da transgressão. 12Como o rugido do leão jovem é a indignação do rei, mas como o orvalho sobre a relva é a sua benevolência. 13O filho insensato é uma desgraça para o pai, e um gotejar contínuo as contendas da mulher. 14A casa e os bens são herança dos pais; porém do SENHOR vem a esposa prudente. 15A preguiça faz cair em profundo sono, e a alma indolente padecerá fome. 16O que guardar o mandamento guardará a sua alma; porém o que desprezar os seus caminhos morrerá. 17Ao SENHOR empresta o que se compadece do pobre, ele lhe pagará o seu benefício. 18Castiga o teu filho enquanto há esperança, mas não deixes que o teu ânimo se exalte até o matar. 19O homem de grande indignação deve sofrer o dano; porque se tu o livrares ainda terás de tornar a fazê-lo. 20Ouve o conselho, e recebe a correção, para que no fim sejas sábio. 21Muitos propósitos há no coração do homem, porém o conselho do SENHOR permanecerá. 22O que o homem mais deseja é o que lhe faz bem; porém é melhor ser pobre do que mentiroso. 23O temor do SENHOR encaminha para a vida; aquele que o tem ficará satisfeito, e não o visitará mal nenhum. 24O preguiçoso esconde a sua mão ao seio; e não tem disposição nem de torná-la à sua boca. 25Açoita o escarnecedor, e o simples tomará aviso; repreende ao entendido, e aprenderá conhecimento. 26O que aflige o seu pai, ou manda embora sua mãe, é filho que traz vergonha e desonra. 27Filho meu, ouvindo a instrução, cessa de te desviares das palavras do conhecimento. 28O ímpio escarnece do juízo, e a boca dos perversos devora a iniqüidade. 29Preparados estão os juízos para os escarnecedores, e os açoites para as costas dos tolos. Provérbios 20 1O VINHO é escarnecedor, a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio. 2Como o rugido do leão é o terror do rei; o que o provoca à ira peca contra a sua própria alma. 3Honroso é para o homem desviar-se de questões, mas todo tolo é intrometido. 4O preguiçoso não lavrará por causa do inverno, pelo que mendigará na sega, mas nada receberá. 5Como as águas profundas é o conselho no coração do homem; mas o homem de inteligência o trará para fora. 6A multidão dos homens apregoa a sua própria bondade, porém o homem fidedigno quem o achará? 7O justo anda na sua sinceridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele. 8Assentando-se o rei no trono do juízo, com os seus olhos dissipa todo o mal. 9Quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado? 10Dois pesos diferentes e duas espécies de medida são abominação ao SENHOR, tanto um como outro. 11Até a criança se dará a conhecer pelas suas ações, se a sua obra é pura e reta. 12O ouvido que ouve, e o olho que vê, o SENHOR os fez a ambos. 13Não ames o sono, para que não empobreças; abre os teus olhos, e te fartarás de pão. 14Nada vale, nada vale, dirá o comprador, mas, indo-se, então se gabará. 15Há ouro e abundância de rubis, mas os lábios do conhecimento são jóia preciosa. 16Ficando alguém por fiador de um estranho, tome-se-lhe a roupa; e por penhor àquele que se obriga pela mulher estranha. 17Suave é ao homem o pão da mentira, mas depois a sua boca se encherá de cascalho. 18Cada pensamento se confirma com conselho e com bons conselhos se faz a guerra. 19O que anda tagarelando revela o segredo; não te intrometas com o que lisonjeia com os seus lábios. 20O que amaldiçoa seu pai ou sua mãe, apagar-se-á a sua lâmpada em negras trevas. 21A herança que no princípio é adquirida às pressas, no fim não será abençoada. 22Não digas: Vingar-me-ei do mal; espera pelo SENHOR, e ele te livrará. 23Pesos diferentes são abomináveis ao SENHOR, e balança enganosa não é boa. 24Os passos do homem são dirigidos pelo SENHOR; como, pois, entenderá o homem o seu caminho? 25Laço é para o homem apropriar-se do que é santo, e só refletir depois de feitos os votos. 26O rei sábio dispersa os ímpios e faz passar sobre eles a roda. 27O espírito do homem é a lâmpada do SENHOR, que esquadrinha todo o interior até o mais íntimo do ventre. 28Benignidade e verdade guardam ao rei, e com benignidade sustém ele o seu trono. 29A glória do jovem é a sua força; e a beleza dos velhos são as cãs. 30Os vergões das feridas são a purificação dos maus, como também as pancadas que penetram até o mais íntimo do ventre. Provérbios 21 1COMO ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o seu querer. 2Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o SENHOR sonda os corações. 3Fazer justiça e juízo é mais aceitável ao SENHOR do que sacrifício. 4Os olhos altivos, o coração orgulhoso e a lavoura dos ímpios é pecado. 5Os pensamentos do diligente tendem só para a abundância, porém os de todo apressado, tão-somente para a pobreza. 6Trabalhar com língua falsa para ajuntar tesouros é vaidade que conduz aqueles que buscam a morte. 7As rapinas dos ímpios os destruirão, porquanto se recusam a fazer justiça. 8O caminho do homem é todo perverso e estranho, porém a obra do homem puro é reta. 9É melhor morar num canto de telhado do que ter como companheira em casa ampla uma mulher briguenta. 10A alma do ímpio deseja o mal; o seu próximo não agrada aos seus olhos. 11Quando o escarnecedor é castigado, o simples torna-se sábio; e o sábio quando é instruído recebe o conhecimento. 12O justo considera com prudência a casa do ímpio; mas Deus destrói os ímpios por causa dos seus males. 13O que tapa o seu ouvido ao clamor do pobre, ele mesmo também clamará e não será ouvido. 14O presente dado em segredo aplaca a ira, e a dádiva no regaço põe fim à maior indignação. 15O fazer justiça é alegria para o justo, mas destruição para os que praticam a iniqüidade. 16O homem que anda desviado do caminho do entendimento, na congregação dos mortos repousará. 17O que ama os prazeres padecerá necessidade; o que ama o vinho e o azeite nunca enriquecerá. 18O resgate do justo é o ímpio; o do honrado é o perverso. 19É melhor morar numa terra deserta do que com a mulher rixosa e irritadiça. 20Tesouro desejável e azeite há na casa do sábio, mas o homem insensato os esgota. 21O que segue a justiça e a beneficência achará a vida, a justiça e a honra. 22O sábio escala a cidade do poderoso e derruba a força da sua confiança. 23O que guarda a sua boca e a sua língua guarda a sua alma das angústias. 24O soberbo e presumido, zombador é o seu nome, trata com indignação e soberba. 25O desejo do preguiçoso o mata, porque as suas mãos recusam trabalhar. 26O cobiçoso cobiça o dia todo, mas o justo dá, e nada retém. 27O sacrifício dos ímpios já é abominação; quanto mais oferecendo-o com má intenção! 28A falsa testemunha perecerá, porém o homem que dá ouvidos falará sempre. 29O homem ímpio endurece o seu rosto; mas o reto considera o seu caminho. 30Não há sabedoria, nem inteligência, nem conselho contra o SENHOR. 31Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, porém do SENHOR vem a vitória. Provérbios 22 1VALE mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro. 2O rico e o pobre se encontram; a todos o SENHOR os fez. 3O prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando. 4O galardão da humildade e o temor do SENHOR são riquezas, honra e vida. 5Espinhos e laços há no caminho do perverso; o que guarda a sua alma retira-se para longe dele. 6Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. 7O rico domina sobre os pobres e o que toma emprestado é servo do que empresta. 8O que semear a perversidade segará males; e com a vara da sua própria indignação será extinto. 9O que vê com bons olhos será abençoado, porque dá do seu pão ao pobre. 10Lança fora o escarnecedor, e se irá a contenda; e acabará a questão e a vergonha. 11O que ama a pureza de coração, e é amável de lábios, será amigo do rei. 12Os olhos do SENHOR conservam o conhecimento, mas as palavras do iníquo ele transtornará. 13Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas. 14Cova profunda é a boca das mulheres estranhas; aquele contra quem o SENHOR se irar, cairá nela. 15A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela. 16O que oprime ao pobre para se engrandecer a si mesmo, ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá. 17 Inclina o teu ouvido e ouve as palavras dos sábios, e aplica o teu coração ao meu conhecimento. 18Porque te será agradável se as guardares no teu íntimo, se aplicares todas elas aos teus lábios. 19Para que a tua confiança esteja no SENHOR, faço-te sabê-las hoje, a ti mesmo. 20Porventura não te escrevi excelentes coisas, acerca de todo conselho e conhecimento, 21Para fazer-te saber a certeza das palavras da verdade, e assim possas responder palavras de verdade aos que te consultarem? 22Não roubes ao pobre, porque é pobre, nem atropeles na porta o aflito; 23Porque o SENHOR defenderá a sua causa em juízo, e aos que os roubam ele lhes tirará a vida. 24Não sejas companheiro do homem briguento nem andes com o colérico, 25Para que não aprendas as suas veredas, e tomes um laço para a tua alma. 26Não estejas entre os que se comprometem, e entre os que ficam por fiadores de dívidas, 27Pois se não tens com que pagar, deixarias que te tirassem até a tua cama de debaixo de ti? 28Não removas os antigos limites que teus pais fizeram. 29Viste o homem diligente na sua obra? Perante reis será posto; não permanecerá entre os de posição inferior. Provérbios 23 1QUANDO te assentares a comer com um governador, atenta bem para o que é posto diante de ti, 2E se és homem de grande apetite, põe uma faca à tua garganta. 3Não cobices as suas iguarias porque são comidas enganosas. 4Não te fatigues para enriqueceres; e não apliques nisso a tua sabedoria. 5Porventura fixarás os teus olhos naquilo que não é nada? porque certamente criará asas e voará ao céu como a águia. 6Não comas o pão daquele que tem o olhar maligno, nem cobices as suas iguarias gostosas. 7Porque, como imaginou no seu coração, assim é ele. Come e bebe, te disse ele; porém o seu coração não está contigo. 8Vomitarás o bocado que comeste, e perderás as tuas suaves palavras. 9Não fales ao ouvido do tolo, porque desprezará a sabedoria das tuas palavras. 10Não removas os limites antigos nem entres nos campos dos órfãos, 11Porque o seu redentor é poderoso; e pleiteará a causa deles contra ti. 12Aplica o teu coração à instrução e os teus ouvidos às palavras do conhecimento. 13Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá. 14Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno. 15Filho meu, se o teu coração for sábio, alegrar-se-á o meu coração, sim, o meu próprio. 16E exultarão os meus rins, quando os teus lábios falarem coisas retas. 17O teu coração não inveje os pecadores; antes permanece no temor do SENHOR todo dia. 18Porque certamente acabará bem; não será malograda a tua esperança. 19Ouve tu, filho meu, e sê sábio, e dirige no caminho o teu coração. 20Não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne. 21Porque o beberrão e o comilão acabarão na pobreza; e a sonolência os faz vestir-se de trapos. 22Ouve teu pai, que te gerou, e não desprezes tua mãe, quando vier a envelhecer. 23Compra a verdade, e não a vendas; e também a sabedoria, a instrução e o entendimento. 24Grandemente se regozijará o pai do justo, e o que gerar um sábio, se alegrará nele. 25Alegrem-se teu pai e tua mãe, e regozije-se a que te gerou. 26Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos. 27Porque cova profunda é a prostituta, e poço estreito a estranha. 28Pois ela, como um salteador, se põe à espreita, e multiplica entre os homens os iníquos. 29Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos? 30Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado. 31Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. 32No fim, picará como a cobra, e como o basilisco morderá. 33Os teus olhos olharão para as mulheres estranhas, e o teu coração falará perversidades. 34E serás como o que se deita no meio do mar, e como o que jaz no topo do mastro. 35E dirás: Espancaram-me e não me doeu; bateram-me e nem senti; quando despertarei? aí então beberei outra vez. Provérbios 24 1NÃO tenhas inveja dos homens malignos, nem desejes estar com eles. 2Porque o seu coração medita a rapina, e os seus lábios falam a malícia. 3Com a sabedoria se edifica a casa, e com o entendimento ela se estabelece; 4E pelo conhecimento se encherão as câmaras com todos os bens preciosos e agradáveis. 5O homem sábio é forte, e o homem de conhecimento consolida a força. 6Com conselhos prudentes tu farás a guerra; e há vitória na multidão dos conselheiros. 7A sabedoria é demasiadamente alta para o tolo, na porta não abrirá a sua boca. 8Àquele que cuida em fazer mal, chamá-lo-ão de pessoa danosa. 9O pensamento do tolo é pecado, e abominável aos homens é o escarnecedor. 10Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena. 11Se tu deixares de livrar os que estão sendo levados para a morte, e aos que estão sendo levados para a matança; 12Se disseres: Eis que não o sabemos; porventura não o considerará aquele que pondera os corações? Não o saberá aquele que atenta para a tua alma? Não dará ele ao homem conforme a sua obra? 13Come mel, meu filho, porque é bom; o favo de mel é doce ao teu paladar. 14Assim será para a tua alma o conhecimento da sabedoria; se a achares, haverá galardão para ti e não será cortada a tua esperança. 15Não armes ciladas contra a habitação do justo, ó ímpio, nem assoles o seu lugar de repouso, 16Porque sete vezes cairá o justo, e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal. 17Quando cair o teu inimigo, não te alegres, nem se regozije o teu coração quando ele tropeçar; 18Para que, vendo-o o SENHOR, seja isso mau aos seus olhos, e desvie dele a sua ira. 19Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos ímpios, 20Porque o homem maligno não terá galardão, e a lâmpada dos ímpios se apagará. 21Teme ao SENHOR, filho meu, e ao rei, e não te ponhas com os que buscam mudanças, 22Porque de repente se levantará a sua destruição, e a ruína de ambos, quem o sabe? 23Também estes são provérbios dos sábios: Ter respeito a pessoas no julgamento não é bom. 24O que disser ao ímpio: Justo és, os povos o amaldiçoarão, as nações o detestarão. 25Mas para os que o repreenderem haverá delícias, e sobre eles virá a bênção do bem. 26Beijados serão os lábios do que responde com palavras retas. 27Prepara de fora a tua obra, e aparelha-a no campo, e então edifica a tua casa. 28Não sejas testemunha sem causa contra o teu próximo; e não enganes com os teus lábios. 29Não digas: Como ele me fez a mim, assim o farei eu a ele; pagarei a cada um segundo a sua obra. 30Passei pelo campo do preguiçoso, e junto à vinha do homem falto de entendimento, 31Eis que estava toda cheia de cardos, e a sua superfície coberta de urtiga, e o seu muro de pedras estava derrubado. 32O que eu tenho visto, o guardarei no coração, e vendo-o recebi instrução. 33Um pouco a dormir, um pouco a cochilar; outro pouco deitado de mãos cruzadas, para dormir, 34Assim te sobrevirá a tua pobreza como um vagabundo, e a tua necessidade como um homem armado. Provérbios 25 1TAMBÉM estes são provérbios de Salomão, os quais transcreveram os homens de Ezequias, rei de Judá. 2A glória de Deus está nas coisas encobertas; mas a honra dos reis, está em descobri-las. 3Os céus, pela altura, e a terra, pela profundidade, assim o coração dos reis é insondável. 4Tira da prata as escórias, e sairá vaso para o fundidor; 5Tira o ímpio da presença do rei, e o seu trono se firmará na justiça. 6Não te glories na presença do rei, nem te ponhas no lugar dos grandes; 7Porque melhor é que te digam: Sobe aqui; do que seres humilhado diante do príncipe que os teus olhos já viram. 8Não te precipites em litigar, para que depois, ao fim, fiques sem ação, quando teu próximo te puser em apuros. 9Pleiteia a tua causa com o teu próximo, e não reveles o segredo a outrem, 10Para que não te desonre o que o ouvir, e a tua infâmia não se aparte de ti. 11Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo. 12Como pendentes de ouro e gargantilhas de ouro fino, assim é o sábio repreensor para o ouvido atento. 13Como o frio da neve no tempo da sega, assim é o mensageiro fiel para com os que o enviam; porque refresca a alma dos seus senhores. 14Como nuvens e ventos que não trazem chuva, assim é o homem que se gaba falsamente de dádivas. 15Pela longanimidade se persuade o príncipe, e a língua branda amolece até os ossos. 16Achaste mel? come só o que te basta; para que porventura não te fartes dele, e o venhas a vomitar. 17Não ponhas muito os pés na casa do teu próximo; para que se não enfade de ti, e passe a te odiar. 18Martelo, espada e flecha aguda é o homem que profere falso testemunho contra o seu próximo. 19Como dente quebrado, e pé desconjuntado, é a confiança no desleal, no tempo da angústia. 20O que canta canções para o coração aflito é como aquele que despe a roupa num dia de frio, ou como o vinagre sobre salitre. 21Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe pão para comer; e se tiver sede, dá-lhe água para beber; 22Porque assim lhe amontoarás brasas sobre a cabeça; e o SENHOR to retribuirá. 23O vento norte afugenta a chuva, e a face irada, a língua fingida. 24Melhor é morar só num canto de telhado do que com a mulher briguenta numa casa ampla. 25Como água fresca para a alma cansada, tais são as boas novas vindas da terra distante. 26Como fonte turvada, e manancial poluído, assim é o justo que cede diante do ímpio. 27Comer mel demais não é bom; assim, a busca da própria glória não é glória. 28Como a cidade derrubada, sem muro, assim é o homem que não pode conter o seu espírito. Provérbios 26 1COMO a neve no verão, e como a chuva na sega, assim não fica bem para o tolo a honra. 2Como ao pássaro o vaguear, como à andorinha o voar, assim a maldição sem causa não virá. 3O açoite é para o cavalo, o freio é para o jumento, e a vara é para as costas dos tolos. 4Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia; para que também não te faças semelhante a ele. 5Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que não seja sábio aos seus próprios olhos. 6Os pés corta, e o dano sorve, aquele que manda mensagem pela mão dum tolo. 7Como as pernas do coxo, que pendem flácidas, assim é o provérbio na boca dos tolos. 8Como o que arma a funda com pedra preciosa, assim é aquele que concede honra ao tolo. 9Como o espinho que entra na mão do bêbado, assim é o provérbio na boca dos tolos. 10O Poderoso, que formou todas as coisas, paga ao tolo, e recompensa ao transgressor. 11Como o cão torna ao seu vômito, assim o tolo repete a sua estultícia. 12Tens visto o homem que é sábio a seus próprios olhos? Pode-se esperar mais do tolo do que dele. 13Diz o preguiçoso: Um leão está no caminho; um leão está nas ruas. 14Como a porta gira nos seus gonzos, assim o preguiçoso na sua cama. 15O preguiçoso esconde a sua mão ao seio; e cansa-se até de torná-la à sua boca. 16Mais sábio é o preguiçoso a seus próprios olhos do que sete homens que respondem bem. 17O que, passando, se põe em questão alheia, é como aquele que pega um cão pelas orelhas. 18Como o louco que solta faíscas, flechas, e mortandades, 19Assim é o homem que engana o seu próximo, e diz: Fiz isso por brincadeira. 20Sem lenha, o fogo se apagará; e não havendo intrigante, cessará a contenda. 21Como o carvão para as brasas, e a lenha para o fogo, assim é o homem contencioso para acender rixas. 22As palavras do intrigante são como doces bocados; elas descem ao mais íntimo do ventre. 23Como o caco de vaso coberto de escórias de prata, assim são os lábios ardentes com o coração maligno. 24Aquele que odeia dissimula com seus lábios, mas no seu íntimo encobre o engano; 25Quando te suplicar com voz suave não te fies nele, porque abriga sete abominações no seu coração, 26Cujo ódio se encobre com engano, a sua maldade será exposta perante a congregação. 27O que cava uma cova cairá nela; e o que revolve a pedra, esta voltará sobre ele. 28A língua falsa odeia aos que ela fere, e a boca lisonjeira provoca a ruína. Provérbios 27 1NÃO presumas do dia de amanhã, porque não sabes o que ele trará. 2Que um outro te louve, e não a tua própria boca; o estranho, e não os teus lábios. 3A pedra é pesada, e a areia é espessa; porém a ira do insensato é mais pesada que ambas. 4O furor é cruel e a ira impetuosa, mas quem poderá enfrentar a inveja? 5Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. 6Leais são as feridas feitas pelo amigo, mas os beijos do inimigo são enganosos. 7A alma farta pisa o favo de mel, mas para a alma faminta todo amargo é doce. 8Qual a ave que vagueia longe do seu ninho, tal é o homem que anda vagueando longe da sua morada. 9O óleo e o perfume alegram o coração; assim o faz a doçura do amigo pelo conselho cordial. 10Não deixes o teu amigo, nem o amigo de teu pai; nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade; melhor é o vizinho perto do que o irmão longe. 11Sê sábio, filho meu, e alegra o meu coração, para que tenha alguma coisa que responder àquele que me desprezar. 12O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena. 13Quando alguém fica por fiador do estranho, toma-lhe até a sua roupa, e por penhor àquele que se obriga pela mulher estranha. 14O que, pela manhã de madrugada, abençoa o seu amigo em alta voz, lho será imputado por maldição. 15O gotejar contínuo em dia de grande chuva, e a mulher contenciosa, uma e outra são semelhantes; 16Tentar moderá-la será como deter o vento, ou como conter o óleo dentro da sua mão direita. 17Como o ferro com ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo. 18O que cuida da figueira comerá do seu fruto; e o que atenta para o seu senhor será honrado. 19Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem. 20Como o inferno e a perdição nunca se fartam, assim os olhos do homem nunca se satisfazem. 21Como o crisol é para a prata, e o forno para o ouro, assim o homem é provado pelos louvores. 22Ainda que repreendas o tolo como quem bate o trigo com a mão de gral entre grãos pilados, não se apartará dele a sua estultícia. 23Procura conhecer o estado das tuas ovelhas; põe o teu coração sobre os teus rebanhos, 24Porque o tesouro não dura para sempre; e durará a coroa de geração em geração? 25Quando brotar a erva, e aparecerem os renovos, e se juntarem as ervas dos montes, 26Então os cordeiros serão para te vestires, e os bodes para o preço do campo; 27E a abastança do leite das cabras para o teu sustento, para sustento da tua casa e para sustento das tuas servas. Provérbios 28 1OS ímpios fogem sem que haja ninguém a persegui-los; mas os justos são ousados como um leão. 2Pela transgressão da terra muitos são os seus príncipes, mas por homem prudente e entendido a sua continuidade será prolongada. 3O homem pobre que oprime os pobres é como a chuva impetuosa, que causa a falta de alimento. 4Os que deixam a lei louvam o ímpio; porém os que guardam a lei contendem com eles. 5Os homens maus não entendem o juízo, mas os que buscam ao SENHOR entendem tudo. 6Melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o de caminhos perversos ainda que seja rico. 7O que guarda a lei é filho sábio, mas o companheiro dos desregrados envergonha a seu pai. 8O que aumenta os seus bens com usura e ganância ajunta-os para o que se compadece do pobre. 9O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável. 10O que faz com que os retos errem por mau caminho, ele mesmo cairá na sua cova; mas os bons herdarão o bem. 11O homem rico é sábio aos seus próprios olhos, mas o pobre que é entendido, o examina. 12Quando os justos exultam, grande é a glória; mas quando os ímpios sobem, os homens se escondem. 13O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia. 14Bem-aventurado o homem que continuamente teme; mas o que endurece o seu coração cairá no mal. 15Como leão rugidor, e urso faminto, assim é o ímpio que domina sobre um povo pobre. 16O príncipe falto de entendimento é também um grande opressor, mas o que odeia a avareza prolongará seus dias. 17O homem carregado do sangue de qualquer pessoa fugirá até à cova; ninguém o detenha. 18O que anda sinceramente salvar-se-á, mas o perverso em seus caminhos cairá logo. 19O que lavrar a sua terra virá a fartar-se de pão, mas o que segue a ociosos se fartará de pobreza. 20O homem fiel será coberto de bênçãos, mas o que se apressa a enriquecer não ficará impune. 21Dar importância à aparência das pessoas não é bom, porque até por um bocado de pão um homem prevaricará. 22O que quer enriquecer depressa é homem de olho maligno, porém não sabe que a pobreza há de vir sobre ele. 23O que repreende o homem gozará depois mais amizade do que aquele que lisonjeia com a língua. 24O que rouba a seu próprio pai, ou a sua mãe, e diz: Não é transgressão, companheiro é do homem destruidor. 25O orgulhoso de coração levanta contendas, mas o que confia no SENHOR prosperará. 26O que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda em sabedoria, será salvo. 27O que dá ao pobre não terá necessidade, mas o que esconde os seus olhos terá muitas maldições. 28Quando os ímpios se elevam, os homens andam se escondendo, mas quando perecem, os justos se multiplicam. Provérbios 29 1O HOMEM que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, de repente será destruído sem que haja remédio. 2Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme. 3O homem que ama a sabedoria alegra a seu pai, mas o companheiro de prostitutas desperdiça os bens. 4O rei com juízo sustém a terra, mas o amigo de peitas a transtorna. 5O homem que lisonjeia o seu próximo arma uma rede aos seus passos. 6Na transgressão do homem mau há laço, mas o justo jubila e se alegra. 7O justo se informa da causa dos pobres, mas o ímpio nem sequer toma conhecimento. 8Os homens escarnecedores alvoroçam a cidade, mas os sábios desviam a ira. 9O homem sábio que pleiteia com o tolo, quer se zangue, quer se ria, não terá descanso. 10Os homens sanguinários odeiam ao sincero, mas os justos procuram o seu bem. 11O tolo revela todo o seu pensamento, mas o sábio o guarda até o fim. 12O governador que dá atenção às palavras mentirosas, achará que todos os seus servos são ímpios. 13O pobre e o usurário se encontram; o SENHOR ilumina os olhos de ambos. 14O rei que julga os pobres conforme a verdade firmará o seu trono para sempre. 15A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe. 16Quando os ímpios se multiplicam, multiplicam-se as transgressões, mas os justos verão a sua queda. 17Castiga o teu filho, e te dará descanso; e dará delícias à tua alma. 18Não havendo profecia, o povo perece; porém o que guarda a lei, esse é bemaventurado. 19O servo não se emendará com palavras, porque, ainda que entenda, todavia não atenderá. 20Tens visto um homem precipitado no falar? Maior esperança há para um tolo do que para ele. 21Quando alguém cria o seu servo com mimos desde a meninice, por fim ele tornar-se-á seu filho. 22O homem irascível levanta contendas; e o furioso multiplica as transgressões. 23A soberba do homem o abaterá, mas a honra sustentará o humilde de espírito. 24O que tem parte com o ladrão odeia a sua própria alma; ouve maldições, e não o denuncia. 25O temor do homem armará laços, mas o que confia no SENHOR será posto em alto retiro. 26Muitos buscam o favor do poderoso, mas o juízo de cada um vem do SENHOR. 27Abominação é, para os justos, o homem iníquo; mas abominação é, para o iníquo, o de retos caminhos. Provérbios 30 1PALAVRAS de Agur, filho de Jaque, o masaíta, que proferiu este homem a Itiel, a Itiel e a Ucal: 2Na verdade eu sou o mais bruto dos homens, nem mesmo tenho o conhecimento de homem. 3Nem aprendi a sabedoria, nem tenho o conhecimento do santo. 4Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes? 5Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. 6Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso. 7Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra: 8Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; 9Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão. 10Não acuses o servo diante de seu senhor, para que não te amaldiçoe e tu fiques o culpado. 11Há uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe. 12Há uma geração que é pura aos seus próprios olhos, mas que nunca foi lavada da sua imundícia. 13Há uma geração cujos olhos são altivos, e as suas pálpebras são sempre levantadas. 14Há uma geração cujos dentes são espadas, e cujas queixadas são facas, para consumirem da terra os aflitos, e os necessitados dentre os homens. 15A sanguessuga tem duas filhas: Dá e Dá. Estas três coisas nunca se fartam; e com a quarta, nunca dizem: Basta! 16A sepultura; a madre estéril; a terra que não se farta de água; e o fogo; nunca dizem: Basta! 17Os olhos que zombam do pai, ou desprezam a obediência à mãe, corvos do ribeiro os arrancarão e os filhotes da águia os comerão. 18Estas três coisas me maravilham; e quatro há que não conheço: 19O caminho da águia no ar; o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do mar; e o caminho do homem com uma virgem. 20O caminho da mulher adúltera é assim: ela come, depois limpa a sua boca e diz: Não fiz nada de mal! 21Por três coisas se alvoroça a terra; e por quatro que não pode suportar: 22Pelo servo, quando reina; e pelo tolo, quando vive na fartura; 23Pela mulher odiosa, quando é casada; e pela serva, quando fica herdeira da sua senhora. 24Estas quatro coisas são das menores da terra, porém bem providas de sabedoria: 25As formigas não são um povo forte; todavia no verão preparam a sua comida; 26Os coelhos são um povo débil; e contudo, põem a sua casa na rocha; 27Os gafanhotos não têm rei; e contudo todos saem, e em bandos se repartem; 28A aranha se pendura com as mãos, e está nos palácios dos reis. 29Estes três têm um bom andar, e quatro passeiam airosamente; 30O leão, o mais forte entre os animais, que não foge de nada; 31O galgo; o bode também; e o rei a quem não se pode resistir. 32Se procedeste loucamente, exaltando-te, e se planejaste o mal, leva a mão à boca; 33Porque o mexer do leite produz manteiga, o espremer do nariz produz sangue; assim o forçar da ira produz contenda. Provérbios 31 1PALAVRAS do rei Lemuel, a profecia que lhe ensinou a sua mãe. 2Como, filho meu? e como, filho do meu ventre? e como, filho dos meus votos? 3Não dês às mulheres a tua força, nem os teus caminhos ao que destrói os reis. 4Não é próprio dos reis, ó Lemuel, não é próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes o desejar bebida forte; 5Para que bebendo, se esqueçam da lei, e pervertam o direito de todos os aflitos. 6Dai bebida forte ao que está prestes a perecer, e o vinho aos amargurados de espírito. 7Que beba, e esqueça da sua pobreza, e da sua miséria não se lembre mais. 8Abre a tua boca a favor do mudo, pela causa de todos que são designados à destruição. 9Abre a tua boca; julga retamente; e faze justiça aos pobres e aos necessitados. 10Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis. 11O coração do seu marido está nela confiado; assim ele não necessitará de despojo. 12Ela só lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida. 13Busca lã e linho, e trabalha de boa vontade com suas mãos. 14Como o navio mercante, ela traz de longe o seu pão. 15Levanta-se, mesmo à noite, para dar de comer aos da casa, e distribuir a tarefa das servas. 16Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com o fruto de suas mãos. 17Cinge os seus lombos de força, e fortalece os seus braços. 18Vê que é boa a sua mercadoria; e a sua lâmpada não se apaga de noite. 19Estende as suas mãos ao fuso, e suas mãos pegam na roca. 20Abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado. 21Não teme a neve na sua casa, porque toda a sua família está vestida de escarlata. 22Faz para si cobertas de tapeçaria; seu vestido é de seda e de púrpura. 23Seu marido é conhecido nas portas, e assenta-se entre os anciãos da terra. 24Faz panos de linho fino e vende-os, e entrega cintos aos mercadores. 25A força e a honra são seu vestido, e se alegrará com o dia futuro. 26Abre a sua boca com sabedoria, e a lei da beneficência está na sua língua. 27Está atenta ao andamento da casa, e não come o pão da preguiça. 28Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada; seu marido também, e ele a louva. 29Muitas filhas têm procedido virtuosamente, mas tu és, de todas, a mais excelente! 30Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada. 31Dai-lhe do fruto das suas mãos, e deixe o seu próprio trabalho louvá-la nas portas. Eclesiastes 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Eclesiastes 1 1PALAVRAS do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém. 2Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade. 3Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? 4Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece. 5Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu. 6O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos. 7Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr. 8Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. 9O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. 10Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós. 11Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois. 12Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém. 13E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar. 14Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito. 15Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular. 16Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. 17E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. 18Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor. Eclesiastes 2 1DISSE eu no meu coração: Ora vem, eu te provarei com alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade. 2Ao riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta? 3Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne (regendo porém o meu coração com sabedoria), e entregar-me à loucura, até ver o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu durante o número dos dias de sua vida. 4Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas. 5Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto. 6Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores. 7Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém. 8Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie. 9E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria. 10E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho. 11E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol. 12Então passei a contemplar a sabedoria, e a loucura e a estultícia. Pois que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram. 13Então vi eu que a sabedoria é mais excelente do que a estultícia, quanto a luz é mais excelente do que as trevas. 14Os olhos do homem sábio estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas; então também entendi eu que o mesmo lhes sucede a ambos. 15Assim eu disse no meu coração: Como acontece ao tolo, assim me sucederá a mim; por que então busquei eu mais a sabedoria? Então disse no meu coração que também isto era vaidade. 16Porque nunca haverá mais lembrança do sábio do que do tolo; porquanto de tudo, nos dias futuros, total esquecimento haverá. E como morre o sábio, assim morre o tolo! 17Por isso odiei esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e aflição de espírito. 18Também eu odiei todo o meu trabalho, que realizei debaixo do sol, visto que eu havia de deixá-lo ao homem que viesse depois de mim. 19E quem sabe se será sábio ou tolo? Todavia, se assenhoreará de todo o meu trabalho que realizei e em que me houve sabiamente debaixo do sol; também isto é vaidade. 20Então eu me volvi e entreguei o meu coração ao desespero no tocante ao trabalho, o qual realizei debaixo do sol. 21Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, conhecimento, e destreza; contudo deixará o seu trabalho como porção de quem nele não trabalhou; também isto é vaidade e grande mal. 22Porque, que mais tem o homem de todo o seu trabalho, e da aflição do seu coração, em que ele anda trabalhando debaixo do sol? 23Porque todos os seus dias são dores, e a sua ocupação é aflição; até de noite não descansa o seu coração; também isto é vaidade. 24Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer com que sua alma goze do bem do seu trabalho. Também vi que isto vem da mão de Deus. 25Pois quem pode comer, ou quem pode gozar melhor do que eu? 26Porque ao homem que é bom diante dele, dá Deus sabedoria e conhecimento e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte, e amontoe, para dá-lo ao que é bom perante Deus. Também isto é vaidade e aflição de espírito. Eclesiastes 3 1TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. 2Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; 3Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; 4Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; 5Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; 6Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; 7Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; 8Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. 9Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha? 10Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar. 11Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim. 12Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida; 13E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus. 14Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele. 15O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou. 16Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade. 17Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra. 18Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais. 19Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. 20Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó. 21Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra? 22Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele? Eclesiastes 4 1DEPOIS voltei-me, e atentei para todas as opressões que se fazem debaixo do sol; e eis que vi as lágrimas dos que foram oprimidos e dos que não têm consolador, e a força estava do lado dos seus opressores; mas eles não tinham consolador. 2Por isso eu louvei os que já morreram, mais do que os que vivem ainda. 3E melhor que uns e outros é aquele que ainda não é; que não viu as más obras que se fazem debaixo do sol. 4Também vi eu que todo o trabalho, e toda a destreza em obras, traz ao homem a inveja do seu próximo. Também isto é vaidade e aflição de espírito. 5O tolo cruza as suas mãos, e come a sua própria carne. 6Melhor é a mão cheia com descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho, e aflição de espírito. 7Outra vez me voltei, e vi vaidade debaixo do sol. 8Há um que é só, e não tem ninguém, nem tampouco filho nem irmão; e contudo não cessa do seu trabalho, e também seus olhos não se satisfazem com riqueza; nem diz: Para quem trabalho eu, privando a minha alma do bem? Também isto é vaidade e enfadonha ocupação. 9Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. 10Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante. 11Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará? 12E, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa. 13Melhor é a criança pobre e sábia do que o rei velho e insensato, que não se deixa mais admoestar. 14Porque um sai do cárcere para reinar; enquanto outro, que nasceu em seu reino, torna-se pobre. 15Vi a todos os viventes andarem debaixo do sol com a criança, a sucessora, que ficará no seu lugar. 16Não tem fim todo o povo que foi antes dele; tampouco os que lhe sucederem se alegrarão dele. Na verdade que também isto é vaidade e aflição de espírito. Eclesiastes 5 1GUARDA o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. 2Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras. 3Porque, da muita ocupação vêm os sonhos, e a voz do tolo da multidão das palavras. 4Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o. 5Melhor é que não votes do que votares e não cumprires. 6Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas diante do anjo que foi erro; por que razão se iraria Deus contra a tua voz, e destruiria a obra das tuas mãos? 7Porque, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu teme a Deus. 8Se vires em alguma província opressão do pobre, e violência do direito e da justiça, não te admires de tal procedimento; pois quem está altamente colocado tem superior que o vigia; e há mais altos do que eles. 9O proveito da terra é para todos; até o rei se serve do campo. 10Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade. 11Onde os bens se multiplicam, ali se multiplicam também os que deles comem; que mais proveito, pois, têm os seus donos do que os ver com os seus olhos? 12Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir. 13Há um grave mal que vi debaixo do sol, e atrai enfermidades: as riquezas que os seus donos guardam para o seu próprio dano; 14Porque as mesmas riquezas se perdem por qualquer má ventura, e havendo algum filho nada lhe fica na sua mão. 15Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu tornará, indo-se como veio; e nada tomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão. 16Assim que também isto é um grave mal que, justamente como veio, assim há de ir; e que proveito lhe vem de trabalhar para o vento, 17E de haver comido todos os seus dias nas trevas, e de haver padecido muito enfado, e enfermidade, e furor? 18Eis aqui o que eu vi, uma boa e bela coisa: comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, em que trabalhou debaixo do sol, todos os dias de vida que Deus lhe deu, porque esta é a sua porção. 19E a todo o homem, a quem Deus deu riquezas e bens, e lhe deu poder para delas comer e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus. 20Porque não se lembrará muito dos dias da sua vida; porquanto Deus lhe enche de alegria o seu coração. Eclesiastes 6 1HÁ um mal que tenho visto debaixo do sol, e é mui freqüente entre os homens: 2Um homem a quem Deus deu riquezas, bens e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, e Deus não lhe dá poder para daí comer, antes o estranho lho come; também isto é vaidade e má enfermidade. 3Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que ele. 4Porquanto debalde veio, e em trevas se vai, e de trevas se cobre o seu nome. 5E ainda que nunca viu o sol, nem conheceu nada, mais descanso tem este do que aquele. 6E, ainda que vivesse duas vezes mil anos e não gozasse o bem, não vão todos para um mesmo lugar? 7Todo o trabalho do homem é para a sua boca, e contudo nunca se satisfaz o seu apetite. 8Porque, que mais tem o sábio do que o tolo? E que mais tem o pobre que sabe andar perante os vivos? 9Melhor é a vista dos olhos do que o vaguear da cobiça; também isto é vaidade e aflição de espírito. 10Seja qualquer o que for, já o seu nome foi nomeado, e sabe-se que é homem, e que não pode contender com o que é mais forte do que ele. 11Na verdade que há muitas coisas que multiplicam a vaidade; que mais tem o homem de melhor? 12Pois, quem sabe o que é bom nesta vida para o homem, por todos os dias da sua vida de vaidade, os quais gasta como sombra? Quem declarará ao homem o que será depois dele debaixo do sol? Eclesiastes 7 1MELHOR é a boa fama do que o melhor ungüento, e o dia da morte do que o dia do nascimento de alguém. 2Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração. 3Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração. 4O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria. 5Melhor é ouvir a repreensão do sábio, do que ouvir alguém a canção do tolo. 6Porque qual o crepitar dos espinhos debaixo de uma panela, tal é o riso do tolo; também isto é vaidade. 7Verdadeiramente que a opressão faria endoidecer até ao sábio, e o suborno corrompe o coração. 8Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas; melhor é o paciente de espírito do que o altivo de espírito. 9Não te apresses no teu espírito a irar-te, porque a ira repousa no íntimo dos tolos. 10Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta. 11Tão boa é a sabedoria como a herança, e dela tiram proveito os que vêem o sol. 12Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor. 13Atenta para a obra de Deus; porque quem poderá endireitar o que ele fez torto? 14No dia da prosperidade goza do bem, mas no dia da adversidade considera; porque também Deus fez a este em oposição àquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele. 15Tudo isto vi nos dias da minha vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há ímpio que prolonga os seus dias na sua maldade. 16Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? 17Não sejas demasiadamente ímpio, nem sejas louco; por que morrerias fora de teu tempo? 18Bom é que retenhas isto, e também daquilo não retires a tua mão; porque quem teme a Deus escapa de tudo isso. 19A sabedoria fortalece ao sábio, mais do que dez poderosos que haja na cidade. 20Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque. 21Tampouco apliques o teu coração a todas as palavras que se disserem, para que não venhas a ouvir o teu servo amaldiçoar-te. 22Porque o teu coração também já confessou que muitas vezes tu amaldiçoaste a outros. 23Tudo isto provei-o pela sabedoria; eu disse: Sabedoria adquirirei; mas ela ainda estava longe de mim. 24O que já sucedeu é remoto e profundíssimo; quem o achará? 25Eu apliquei o meu coração para saber, e inquirir, e buscar a sabedoria e a razão das coisas, e para conhecer que a impiedade é insensatez e que a estultícia é loucura. 26E eu achei uma coisa mais amarga do que a morte, a mulher cujo coração são redes e laços, e cujas mãos são ataduras; quem for bom diante de Deus escapará dela, mas o pecador virá a ser preso por ela. 27Vedes aqui, isto achei, diz o pregador, conferindo uma coisa com a outra para achar a razão delas; 28A qual ainda busca a minha alma, porém ainda não a achei; um homem entre mil achei eu, mas uma mulher entre todas estas não achei. 29Eis aqui, o que tão-somente achei: que Deus fez ao homem reto, porém eles buscaram muitas astúcias. Eclesiastes 8 1QUEM é como o sábio? E quem sabe a interpretação das coisas? A sabedoria do homem faz brilhar o seu rosto, e a dureza do seu rosto se muda. 2Eu digo: Observa o mandamento do rei, e isso em consideração ao juramento que fizeste a Deus. 3Não te apresses a sair da presença dele, nem persistas em alguma coisa má, porque ele faz tudo o que quer. 4Porque a palavra do rei tem poder; e quem lhe dirá: Que fazes? 5Quem guardar o mandamento não experimentará nenhum mal; e o coração do sábio discernirá o tempo e o juízo. 6Porque para todo o propósito há seu tempo e juízo; porquanto a miséria do homem pesa sobre ele. 7Porque não sabe o que há de suceder, e quando há de ser, quem lho dará a entender? 8Nenhum homem há que tenha domínio sobre o espírito, para o reter; nem tampouco tem ele poder sobre o dia da morte; como também não há licença nesta peleja; nem tampouco a impiedade livrará aos ímpios. 9Tudo isto vi quando apliquei o meu coração a toda a obra que se faz debaixo do sol; tempo há em que um homem tem domínio sobre outro homem, para desgraça sua. 10Assim também vi os ímpios, quando os sepultavam; e eles entravam, e saíam do lugar santo; e foram esquecidos na cidade, em que assim fizeram; também isso é vaidade. 11Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal. 12Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, contudo eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a Deus, aos que temem diante dele. 13Porém o ímpio não irá bem, e ele não prolongará os seus dias, que são como a sombra; porque ele não teme diante de Deus. 14Ainda há outra vaidade que se faz sobre a terra: que há justos a quem sucede segundo as obras dos ímpios, e há ímpios a quem sucede segundo as obras dos justos. Digo que também isto é vaidade. 15Então louvei eu a alegria, porquanto para o homem nada há melhor debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; porque isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da sua vida que Deus lhe dá debaixo do sol. 16Aplicando eu o meu coração a conhecer a sabedoria, e a ver o trabalho que há sobre a terra (que nem de dia nem de noite vê o homem sono nos seus olhos); 17Então vi toda a obra de Deus, que o homem não pode perceber, a obra que se faz debaixo do sol; por mais que trabalhe o homem para a descobrir, não a achará; e, ainda que diga o sábio que a conhece, nem por isso a poderá compreender. Eclesiastes 9 1DEVERAS todas estas coisas considerei no meu coração, para declarar tudo isto: que os justos, e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus, e também o homem não conhece nem o amor nem o ódio; tudo passa perante ele. 2Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. 3Este é o mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol; a todos sucede o mesmo; e que também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade, e que há desvarios no seu coração enquanto vivem, e depois se vão aos mortos. 4Ora, para aquele que está entre os vivos há esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto). 5Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento. 6Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. 7Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. 8Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça. 9Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol. 10Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma. 11Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos. 12Que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles. 13Também vi esta sabedoria debaixo do sol, que para mim foi grande: 14Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens, e veio contra ela um grande rei, e a cercou e levantou contra ela grandes baluartes; 15E encontrou-se nela um sábio pobre, que livrou aquela cidade pela sua sabedoria, e ninguém se lembrava daquele pobre homem. 16Então disse eu: Melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre foi desprezada, e as suas palavras não foram ouvidas. 17As palavras dos sábios devem em silêncio ser ouvidas, mais do que o clamor do que domina entre os tolos. 18Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, porém um só pecador destrói muitos bens. Eclesiastes 10 1ASSIM como as moscas mortas fazem exalar mau cheiro e inutilizar o ungüento do perfumador, assim é, para o famoso em sabedoria e em honra, um pouco de estultícia. 2O coração do sábio está à sua direita, mas o coração do tolo está à sua esquerda. 3E, até quando o tolo vai pelo caminho, falta-lhe o seu entendimento e diz a todos que é tolo. 4Levantando-se contra ti o espírito do governador, não deixes o teu lugar, porque a submissão é um remédio que aplaca grandes ofensas. 5Ainda há um mal que vi debaixo do sol, como o erro que procede do governador. 6A estultícia está posta em grandes alturas, mas os ricos estão assentados em lugar baixo. 7Vi os servos a cavalo, e os príncipes andando sobre a terra como servos. 8Quem abrir uma cova, nela cairá, e quem romper um muro, uma cobra o morderá. 9Aquele que transporta pedras, será maltratado por elas, e o que racha lenha expõe-se ao perigo. 10Se estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então se deve redobrar a força; mas a sabedoria é excelente para dirigir. 11Seguramente a serpente morderá antes de estar encantada, e o falador não é melhor. 12Nas palavras da boca do sábio há favor, porém os lábios do tolo o devoram. 13O princípio das palavras da sua boca é a estultícia, e o fim do seu falar um desvario péssimo. 14O tolo multiplica as palavras, porém, o homem não sabe o que será; e quem lhe fará saber o que será depois dele? 15O trabalho dos tolos a cada um deles fatiga, porque não sabem como ir à cidade. 16Ai de ti, ó terra, quando teu rei é uma criança, e cujos príncipes comem de manhã. 17Bem-aventurada tu, ó terra, quando teu rei é filho dos nobres, e teus príncipes comem a tempo, para se fortalecerem, e não para bebedice. 18Por muita preguiça se enfraquece o teto, e pela frouxidão das mãos a casa goteja. 19Para rir se fazem banquetes, e o vinho produz alegria, e por tudo o dinheiro responde. 20Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tampouco no mais interior da tua recâmara amaldiçoes ao rico; porque as aves dos céus levariam a voz, e os que têm asas dariam notícia do assunto. Eclesiastes 11 1LANÇA o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. 2Reparte com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra. 3Estando as nuvens cheias, derramam a chuva sobre a terra, e caindo a árvore para o sul, ou para o norte, no lugar em que a árvore cair ali ficará. 4Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará. 5Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas. 6Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas. 7Certamente suave é a luz, e agradável é aos olhos ver o sol. 8Porém, se o homem viver muitos anos, e em todos eles se alegrar, também se deve lembrar dos dias das trevas, porque hão de ser muitos. Tudo quanto sucede é vaidade. 9Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juízo. 10Afasta, pois, a ira do teu coração, e remove da tua carne o mal, porque a adolescência e a juventude são vaidade. Eclesiastes 12 1LEMBRA-TE também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; 2Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; 3No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas; 4E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem. 5Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; 6Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, 7E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu. 8Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade. 9E, quanto mais sábio foi o pregador, tanto mais ensinou ao povo sabedoria; e atentando, e esquadrinhando, compôs muitos provérbios. 10Procurou o pregador achar palavras agradáveis; e escreveu-as com retidão, palavras de verdade. 11As palavras dos sábios são como aguilhões, e como pregos, bem fixados pelos mestres das assembléias, que nos foram dadas pelo único Pastor. 12E, demais disto, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne. 13De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. 14Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau. Cantares de Salomão 1 2 3 4 5 6 7 8 Cantares de Salomão 1 1CÂNTICO dos cânticos, que é de Salomão. 2Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho. 3Suave é o aroma dos teus ungüentos; como o ungüento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam. 4Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam. 5Eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão. 6Não olheis para o eu ser morena, porque o sol resplandeceu sobre mim; os filhos de minha mãe indignaram-se contra mim, puseram-me por guarda das vinhas; a minha vinha, porém, não guardei. 7Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia; pois por que razão seria eu como a que anda errante junto aos rebanhos de teus companheiros? 8Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas do rebanho, e apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores. 9Às éguas dos carros de Faraó te comparo, ó meu amor. 10Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, o teu pescoço com os colares. 11Enfeites de ouro te faremos, com incrustações de prata. 12Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume. 13O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra, posto entre os meus seios. 14Como um ramalhete de hena nas vinhas de En-Gedi é para mim o meu amado. 15Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas. 16Eis que és formoso, ó amado meu, e também amável; o nosso leito é verde. 17As traves da nossa casa são de cedro, as nossas varandas de cipreste. Cantares de Salomão 2 1EU sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales. 2Qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas. 3Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar. 4Levou-me à casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor. 5Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor. 6A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace. 7Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira. 8Esta é a voz do meu amado; ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros. 9O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho do veado; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, espreitando pelas grades. 10O meu amado fala e me diz: Levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem. 11Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou, e se foi; 12Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra. 13A figueira já deu os seus figos verdes, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem. 14Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua face graciosa. 15Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor. 16O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios. 17Até que refresque o dia, e fujam as sombras, volta, amado meu; faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes de Beter. Cantares de Salomão 3 1DE noite, em minha cama, busquei aquele a quem ama a minha alma; busqueio, e não o achei. 2Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei. 3Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu lhes perguntei: Vistes aquele a quem ama a minha alma? 4Apartando-me eu um pouco deles, logo achei aquele a quem ama a minha alma; agarrei-me a ele, e não o larguei, até que o introduzi em casa de minha mãe, na câmara daquela que me gerou. 5Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o meu amor, até que queira. 6Quem é esta que sobe do deserto, como colunas de fumaça, perfumada de mirra, de incenso, e de todos os pós dos mercadores? 7Eis que é a liteira de Salomão; sessenta valentes estão ao redor dela, dos valentes de Israel; 8Todos armados de espadas, destros na guerra; cada um com a sua espada à cinta por causa dos temores noturnos. 9O rei Salomão fez para si uma carruagem de madeira do Líbano. 10Fez-lhe as colunas de prata, o estrado de ouro, o assento de púrpura, o interior revestido com amor, pelas filhas de Jerusalém. 11Saí, ó filhas de Sião, e contemplai ao rei Salomão com a coroa com que o coroou sua mãe no dia do seu desposório e no dia do júbilo do seu coração. Cantares de Salomão 4 1EIS que és formosa, meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas entre as tuas tranças; o teu cabelo é como o rebanho de cabras que pastam no monte de Gileade. 2Os teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas, que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas. 3Os teus lábios são como um fio de escarlate, e o teu falar é agradável; a tua fronte é qual um pedaço de romã entre os teus cabelos. 4O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para pendurar armas; mil escudos pendem dela, todos broquéis de poderosos. 5Os teus dois seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios. 6Até que refresque o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da mirra, e ao outeiro do incenso. 7Tu és toda formosa, meu amor, e em ti não há mancha. 8Vem comigo do Líbano, ó minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde os covis dos leões, desde os montes dos leopardos. 9Enlevaste-me o coração, minha irmã, minha esposa; enlevaste-me o coração com um dos teus olhares, com um colar do teu pescoço. 10Que belos são os teus amores, minha irmã, esposa minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho! E o aroma dos teus ungüentos do que o de todas as especiarias! 11Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano. 12Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada. 13Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes, o cipreste com o nardo. 14O nardo, e o açafrão, o cálamo, e a canela, com toda a sorte de árvores de incenso, a mirra e aloés, com todas as principais especiarias. 15És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano! 16Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que destilem os seus aromas. Ah! entre o meu amado no seu jardim, e coma os seus frutos excelentes! Cantares de Salomão 5 1JÁ entrei no meu jardim, minha irmã, minha esposa; colhi a minha mirra com a minha especiaria, comi o meu favo com o meu mel, bebi o meu vinho com o meu leite; comei, amigos, bebei abundantemente, ó amados. 2Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite. 3Já despi a minha roupa; como a tornarei a vestir? Já lavei os meus pés; como os tornarei a sujar? 4O meu amado pôs a sua mão pela fresta da porta, e as minhas entranhas estremeceram por amor dele. 5Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos gotejavam mirra, e os meus dedos mirra com doce aroma, sobre as aldravas da fechadura. 6Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado tinha se retirado, e tinha ido; a minha alma desfaleceu quando ele falou; busquei-o e não o achei, chamei-o e não me respondeu. 7Acharam-me os guardas que rondavam pela cidade; espancaram-me, feriramme, tiraram-me o manto os guardas dos muros. 8Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que, se achardes o meu amado, lhe digais que estou enferma de amor. 9Que é o teu amado mais do que outro amado, ó tu, a mais formosa entre as mulheres? Que é o teu amado mais do que outro amado, que tanto nos conjuras? 10O meu amado é branco e rosado; ele é o primeiro entre dez mil. 11A sua cabeça é como o ouro mais apurado, os seus cabelos são crespos, pretos como o corvo. 12Os seus olhos são como os das pombas junto às correntes das águas, lavados em leite, postos em engaste. 13As suas faces são como um canteiro de bálsamo, como flores perfumadas; os seus lábios são como lírios gotejando mirra com doce aroma. 14As suas mãos são como anéis de ouro engastados de berilo; o seu ventre como alvo marfim, coberto de safiras. 15As suas pernas como colunas de mármore, colocadas sobre bases de ouro puro; o seu aspecto como o Líbano, excelente como os cedros. 16A sua boca é muitíssimo suave; sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalém. Cantares de Salomão 6 1PARA onde foi o teu amado, ó mais formosa entre as mulheres? Para onde se retirou o teu amado, para que o busquemos contigo? 2O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de bálsamo, para apascentar nos jardins e para colher os lírios. 3Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele apascenta entre os lírios. 4Formosa és, meu amor, como Tirza, aprazível como Jerusalém, terrível como um exército com bandeiras. 5Desvia de mim os teus olhos, porque eles me dominam. O teu cabelo é como o rebanho das cabras que aparecem em Gileade. 6Os teus dentes são como o rebanho de ovelhas que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e não há estéril entre elas. 7Como um pedaço de romã, assim são as tuas faces entre os teus cabelos. 8Sessenta são as rainhas, e oitenta as concubinas, e as virgens sem número. 9Porém uma é a minha pomba, a minha imaculada, a única de sua mãe, e a mais querida daquela que a deu à luz; viram-na as filhas e chamaram-na bemaventurada, as rainhas e as concubinas louvaram-na. 10Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército com bandeiras? 11Desci ao jardim das nogueiras, para ver os frutos do vale, a ver se floresciam as vides e brotavam as romãzeiras. 12Antes de eu o sentir, me pôs a minha alma nos carros do meu nobre povo. 13Volta, volta, ó Sulamita, volta, volta, para que nós te vejamos. Por que olhais para a Sulamita como para as fileiras de dois exércitos? Cantares de Salomão 7 1QUÃO formosos são os teus pés nos sapatos, ó filha do príncipe! Os contornos de tuas coxas são como jóias, trabalhadas por mãos de artista. 2O teu umbigo como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre como montão de trigo, cercado de lírios. 3Os teus dois seios como dois filhos gêmeos de gazela. 4O teu pescoço como a torre de marfim; os teus olhos como as piscinas de Hesbom, junto à porta de Bate-Rabim; o teu nariz como torre do Líbano, que olha para Damasco. 5A tua cabeça sobre ti é como o monte Carmelo, e os cabelos da tua cabeça como a púrpura; o rei está preso nas galerias. 6Quão formosa, e quão aprazível és, ó amor em delícias! 7A tua estatura é semelhante à palmeira; e os teus seios são semelhantes aos cachos de uvas. 8Dizia eu: Subirei à palmeira, pegarei em seus ramos; e então os teus seios serão como os cachos na vide, e o cheiro da tua respiração como o das maçãs. 9E a tua boca como o bom vinho para o meu amado, que se bebe suavemente, e faz com que falem os lábios dos que dormem. 10Eu sou do meu amado, e ele me tem afeição. 11Vem, ó amado meu, saiamos ao campo, passemos as noites nas aldeias. 12Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se já aparecem as tenras uvas, se já brotam as romãzeiras; ali te darei os meus amores. 13As mandrágoras exalam o seu perfume, e às nossas portas há todo o gênero de excelentes frutos, novos e velhos; ó amado meu, eu os guardei para ti. Cantares de Salomão 8 1AH! quem me dera que foras como meu irmão, que mamou aos seios de minha mãe! Quando te encontrasse lá fora, beijar-te-ia, e não me desprezariam! 2Levar-te-ia e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me ensinarias; eu te daria a beber do vinho aromático e do mosto das minhas romãs. 3A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua direita me abrace. 4Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira. 5Quem é esta que sobe do deserto, e vem encostada ao seu amado? Debaixo da macieira te despertei, ali esteve tua mãe com dores; ali esteve com dores aquela que te deu à luz. 6Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. 7As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam. 8Temos uma irmã pequena, que ainda não tem seios; que faremos a esta nossa irmã, no dia em que dela se falar? 9Se ela for um muro, edificaremos sobre ela um palácio de prata; e, se ela for uma porta, cercá-la-emos com tábuas de cedro. 10Eu sou um muro, e os meus seios são como as suas torres; então eu era aos seus olhos como aquela que acha paz. 11Teve Salomão uma vinha em Baal-Hamom; entregou-a a uns guardas; e cada um lhe trazia pelo seu fruto mil peças de prata. 12A minha vinha, que me pertence, está diante de mim; as mil peças de prata são para ti, ó Salomão, e duzentas para os que guardam o seu fruto. 13Ó tu, que habitas nos jardins, os companheiros estão atentos para ouvir a tua voz; faze-me, pois, também ouvi-la. 14Vem depressa, amado meu, e faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes dos aromas. Isaías 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 Isaías 1 1VISÃO de Isaías, filho de Amós, que ele teve a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz, e Ezequias, reis de Judá. 2Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, tu, ó terra; porque o SENHOR tem falado: Criei filhos, e engrandeci-os; mas eles se rebelaram contra mim. 3O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende. 4Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás. 5Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. 6Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo. 7A vossa terra está assolada, as vossas cidades estão abrasadas pelo fogo; a vossa terra os estranhos a devoram em vossa presença; e está como devastada, numa subversão de estranhos. 8E a filha de Sião é deixada como a cabana na vinha, como a choupana no pepinal, como uma cidade sitiada. 9Se o SENHOR dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra. 10Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra. 11De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. 12Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? 13Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. 14As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. 15Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. 16Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal. 17Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas. 18Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. 19Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra. 20Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse. 21Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas agora homicidas. 22A tua prata tornou-se em escórias, o teu vinho se misturou com água. 23Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva. 24Portanto diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, o Forte de Israel: Ah! tomarei satisfações dos meus adversários, e vingar-me-ei dos meus inimigos. 25E voltarei contra ti a minha mão, e purificarei inteiramente as tuas escórias; e tirar-te-ei toda a impureza. 26E te restituirei os teus juízes, como foram dantes; e os teus conselheiros, como antigamente; e então te chamarão cidade de justiça, cidade fiel. 27Sião será remida com juízo, e os que voltam para ela com justiça. 28Mas os transgressores e os pecadores serão juntamente destruídos; e os que deixarem o SENHOR serão consumidos. 29Porque vos envergonhareis pelos carvalhos que cobiçastes, e sereis confundidos pelos jardins que escolhestes. 30Porque sereis como o carvalho, ao qual caem as folhas, e como o jardim que não tem água. 31E o forte se tornará em estopa, e a sua obra em faísca; e ambos arderão juntamente, e não haverá quem os apague. Isaías 2 1PALAVRA que viu Isaías, filho de Amós, a respeito de Judá e de Jerusalém. 2E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do SENHOR no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. 3E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do SENHOR, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do SENHOR. 4E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear. 5Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do SENHOR. 6Mas tu desamparaste o teu povo, a casa de Jacó, porque se encheram dos costumes do oriente e são agoureiros como os filisteus; e associam-se com os filhos dos estrangeiros, 7E a sua terra está cheia de prata e ouro, e não têm fim os seus tesouros; também a sua terra está cheia de cavalos, e os seus carros não têm fim. 8Também a sua terra está cheia de ídolos; inclinam-se perante a obra das suas mãos, diante daquilo que fabricaram os seus dedos. 9E o povo se abate, e os nobres se humilham; portanto não lhes perdoarás. 10Entra nas rochas, e esconde-te no pó, do terror do SENHOR e da glória da sua majestade. 11Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a sua altivez será humilhada; e só o SENHOR será exaltado naquele dia. 12Porque o dia do SENHOR dos Exércitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido; 13E contra todos os cedros do Líbano, altos e sublimes; e contra todos os carvalhos de Basã; 14E contra todos os montes altos, e contra todos os outeiros elevados; 15E contra toda a torre alta, e contra todo o muro fortificado; 16E contra todos os navios de Társis, e contra todas as pinturas desejáveis. 17E a arrogância do homem será humilhada, e a sua altivez se abaterá, e só o SENHOR será exaltado naquele dia. 18E todos os ídolos desaparecerão totalmente. 19Então os homens entrarão nas cavernas das rochas, e nas covas da terra, do terror do SENHOR, e da glória da sua majestade, quando ele se levantar para assombrar a terra. 20Naquele dia o homem lançará às toupeiras e aos morcegos os seus ídolos de prata, e os seus ídolos de ouro, que fizeram para diante deles se prostrarem. 21E entrarão nas fendas das rochas, e nas cavernas das penhas, por causa do terror do SENHOR, e da glória da sua majestade, quando ele se levantar para abalar terrivelmente a terra. 22Deixai-vos do homem cujo fôlego está nas suas narinas; pois em que se deve ele estimar? Isaías 3 1PORQUE, eis que o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, tirará de Jerusalém e de Judá o sustento e o apoio; a todo o sustento de pão e a todo o sustento de água; 2O poderoso, e o homem de guerra, o juiz, e o profeta, e o adivinho, e o ancião, 3O capitão de cinqüenta, e o homem respeitável, e o conselheiro, e o sábio entre os artífices, e o eloqüente orador. 4E dar-lhes-ei meninos por príncipes, e crianças governarão sobre eles. 5E o povo será oprimido; um será contra o outro, e cada um contra o seu próximo; o menino se atreverá contra o ancião, e o vil contra o nobre. 6Quando alguém pegar de seu irmão na casa de seu pai, dizendo: Tu tens roupa, sê nosso governador, e toma sob a tua mão esta ruína; 7Naquele dia levantará este a sua voz, dizendo: Não posso ser médico, nem tampouco há em minha casa pão, ou roupa alguma; não me haveis de constituir governador sobre o povo. 8Porque Jerusalém está arruinada, e Judá caída; porque a sua língua e as suas obras são contra o SENHOR, para provocarem os olhos da sua glória. 9O aspecto do seu rosto testifica contra eles; e publicam os seus pecados, como Sodoma; não os dissimulam. Ai da sua alma! Porque fazem mal a si mesmos. 10Dizei ao justo que bem lhe irá; porque comerão do fruto das suas obras. 11Ai do ímpio! Mal lhe irá; porque se lhe fará o que as suas mãos fizeram. 12Os opressores do meu povo são crianças, e mulheres dominam sobre ele; ah, povo meu! Os que te guiam te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas. 13O SENHOR se levanta para pleitear, e põe-se de pé para julgar os povos. 14O SENHOR entrará em juízo contra os anciãos do seu povo, e contra os seus príncipes; é que fostes vós que consumistes esta vinha; o espólio do pobre está em vossas casas. 15Que tendes vós, que esmagais o meu povo e moeis as faces dos pobres? Diz o Senhor Deus dos Exércitos. 16Diz ainda mais o SENHOR: Porquanto as filhas de Sião se exaltam, e andam com o pescoço erguido, lançando olhares impudentes; e quando andam, caminham afetadamente, fazendo um tilintar com os seus pés; 17Portanto o Senhor fará tinhoso o alto da cabeça das filhas de Sião, e o SENHOR porá a descoberto a sua nudez, 18Naquele dia tirará o Senhor os ornamentos dos pés, e as toucas, e adornos em forma de lua, 19Os pendentes, e os braceletes, as estolas, 20Os gorros, e os ornamentos das pernas, e os cintos e as caixinhas de perfumes, e os brincos, 21Os anéis, e as jóias do nariz, 22Os vestidos de festa, e os mantos, e os xales, e as bolsas. 23Os espelhos, e o linho finíssimo, e os turbantes, e os véus. 24E será que em lugar de perfume haverá mau cheiro; e por cinto uma corda; e em lugar de encrespadura de cabelos, calvície; e em lugar de veste luxuosa, pano de saco; e queimadura em lugar de formosura. 25Teus homens cairão à espada e teus poderosos na peleja. 26E as suas portas gemerão e prantearão; e ela, desolada, se assentará no chão. Isaías 4 1E SETE mulheres naquele dia lançarão mão de um homem, dizendo: Nós comeremos do nosso pão, e nos vestiremos do que é nosso; tão-somente queremos ser chamadas pelo teu nome; tira o nosso opróbrio. 2Naquele dia o renovo do SENHOR será cheio de beleza e de glória; e o fruto da terra excelente e formoso para os que escaparem de Israel. 3E será que aquele que for deixado em Sião, e ficar em Jerusalém, será chamado santo; todo aquele que estiver inscrito entre os viventes em Jerusalém; 4Quando o Senhor lavar a imundícia das filhas de Sião, e limpar o sangue de Jerusalém, do meio dela, com o espírito de justiça, e com o espírito de ardor. 5E criará o SENHOR sobre todo o lugar do monte de Sião, e sobre as suas assembléias, uma nuvem de dia e uma fumaça, e um resplendor de fogo flamejante de noite; porque sobre toda a glória haverá proteção. 6E haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia; e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e a chuva. Isaías 5 1AGORA cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. O meu amado tem uma vinha num outeiro fértil. 2E cercou-a, e limpando-a das pedras, plantou-a de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre, e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, porém deu uvas bravas. 3Agora, pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha. 4Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? Por que, esperando eu que desse uvas boas, veio a dar uvas bravas? 5Agora, pois, vos farei saber o que eu hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derrubarei a sua parede, para que seja pisada; 6E a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; porém crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela. 7Porque a vinha do SENHOR dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias; e esperou que exercesse juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor. 8Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e fiquem como únicos moradores no meio da terra! 9A meus ouvidos disse o SENHOR dos Exércitos: Em verdade que muitas casas ficarão desertas, e até as grandes e excelentes sem moradores. 10E dez jeiras de vinha não darão mais do que um bato; e um ômer de semente não dará mais do que um efa. 11Ai dos que se levantam pela manhã, e seguem a bebedice; e continuam até à noite, até que o vinho os esquente! 12E harpas e alaúdes, tamboris e gaitas, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos. 13Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede. 14Portanto o inferno grandemente se alargou, e se abriu a sua boca desmesuradamente; e para lá descerão o seu esplendor, e a sua multidão, e a sua pompa, e os que entre eles se alegram. 15Então o plebeu se abaterá, e o nobre se humilhará; e os olhos dos altivos se humilharão. 16Porém o SENHOR dos Exércitos será exaltado em juízo; e Deus, o Santo, será santificado em justiça. 17Então os cordeiros pastarão como de costume, e os estranhos comerão dos lugares devastados pelos gordos. 18Ai dos que puxam a iniqüidade com cordas de vaidade, e o pecado com tirantes de carro! 19E dizem: Avie-se, e acabe a sua obra, para que a vejamos; e aproxime-se e venha o conselho do Santo de Israel, para que o conheçamos. 20Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! 21Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos! 22Ai dos que são poderosos para beber vinho, e homens de poder para misturar bebida forte; 23Dos que justificam ao ímpio por suborno, e aos justos negam a justiça! 24Por isso, como a língua de fogo consome a palha, e o restolho se desfaz pela chama, assim será a sua raiz como podridão, e a sua flor se esvaecerá como pó; porquanto rejeitaram a lei do SENHOR dos Exércitos, e desprezaram a palavra do Santo de Israel. 25Por isso se acendeu a ira do SENHOR contra o seu povo, e estendeu a sua mão contra ele, e o feriu, de modo que as montanhas tremeram, e os seus cadáveres se fizeram como lixo no meio das ruas; com tudo isto não tornou atrás a sua ira, mas a sua mão ainda está estendida. 26E ele arvorará o estandarte para as nações de longe, e lhes assobiará para que venham desde a extremidade da terra; e eis que virão apressurada e ligeiramente. 27Não haverá entre eles cansado, nem quem tropece; ninguém tosquenejará nem dormirá; não se lhe desatará o cinto dos seus lombos, nem se lhe quebrará a correia dos seus sapatos. 28As suas flechas serão agudas, e todos os seus arcos retesados; os cascos dos seus cavalos são reputados como pederneiras, e as rodas dos seus carros como redemoinho. 29O seu rugido será como o do leão; rugirão como filhos de leão; sim, rugirão e arrebatarão a presa, e a levarão, e não haverá quem a livre. 30E bramarão contra eles naquele dia, como o bramido do mar; então olharão para a terra, e eis que só verão trevas e ânsia, e a luz se escurecerá nos céus. Isaías 6 1NO ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e a cauda do seu manto enchia o templo. 2Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. 3E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. 4E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. 5Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos. 6Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; 7E com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e expiado o teu pecado. 8Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. 9Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. 10Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado. 11Então disse eu: Até quando Senhor? E respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, e as casas sem moradores, e a terra seja de todo assolada. 12E o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo. 13Porém ainda a décima parte ficará nela, e tornará a ser pastada; e como o carvalho, e como a azinheira, que depois de se desfolharem, ainda ficam firmes, assim a santa semente será a firmeza dela. Isaías 7 1SUCEDEU, pois, nos dias de Acaz, filho de Jotão, filho de Uzias, rei de Judá, que Rezim, rei da Síria, e Peca, filho de Remalias, rei de Israel, subiram a Jerusalém, para pelejarem contra ela, mas nada puderam contra ela. 2E deram aviso à casa de Davi, dizendo: A Síria fez aliança com Efraim. Então se moveu o seu coração, e o coração do seu povo, como se movem as árvores do bosque com o vento. 3Então disse o SENHOR a Isaías: Agora, tu e teu filho Sear-Jasube, saí ao encontro de Acaz, ao fim do canal do tanque superior, no caminho do campo do lavandeiro. 4E dize-lhe: Acautela-te, e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração por causa destes dois pedaços de tições fumegantes; por causa do ardor da ira de Rezim, e da Síria, e do filho de Remalias. 5Porquanto a Síria teve contra ti maligno conselho, com Efraim, e com o filho de Remalias, dizendo: 6Vamos subir contra Judá, e molestemo-lo e repartamo-lo entre nós, e façamos reinar no meio dele o filho de Tabeal. 7Assim diz o Senhor Deus: Isto não subsistirá, nem tampouco acontecerá. 8Porém a cabeça da Síria será Damasco, e a cabeça de Damasco Rezim; e dentro de sessenta e cinco anos Efraim será destruído, e deixará de ser povo. 9Entretanto a cabeça de Efraim será Samaria, e a cabeça de Samaria o filho de Remalias; se não o crerdes, certamente não haveis de permanecer. 10E continuou o SENHOR a falar com Acaz, dizendo: 11Pede para ti ao SENHOR teu Deus um sinal; pede-o, ou em baixo nas profundezas, ou em cima nas alturas. 12Acaz, porém, disse: Não pedirei, nem tentarei ao SENHOR. 13Então ele disse: Ouvi agora, ó casa de Davi: Pouco vos é afadigardes os homens, senão que também afadigareis ao meu Deus? 14Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel. 15Manteiga e mel comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem. 16Na verdade, antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, de que te enfadas, será desamparada dos seus dois reis. 17Porém o SENHOR fará vir sobre ti, e sobre o teu povo, e sobre a casa de teu pai, pelo rei da Assíria, dias tais, quais nunca vieram, desde o dia em que Efraim se separou de Judá. 18Porque há de acontecer que naquele dia assobiará o SENHOR às moscas, que há no extremo dos rios do Egito, e às abelhas que estão na terra da Assíria; 19E todas elas virão, e pousarão nos vales desertos e nas fendas das rochas, e em todos os espinheiros e em todos os arbustos. 20Naquele mesmo dia rapará o Senhor com uma navalha alugada, que está além do rio, isto é, com o rei da Assíria, a cabeça e os cabelos dos pés; e até a barba totalmente tirará. 21E sucederá naquele dia que um homem criará uma novilha e duas ovelhas. 22E acontecerá que por causa da abundância do leite que elas hão de dar, comerá manteiga; e manteiga e mel comerá todo aquele que restar no meio da terra. 23Sucederá também naquele dia que todo o lugar, em que houver mil vides, do valor de mil siclos de prata, será para as sarças e para os espinheiros. 24Com arco e flecha se entrará ali, porque toda a terra será sarças e espinheiros. 25E quanto a todos os montes, que costumavam cavar com enxadas, para ali não irás por causa do temor das sarças e dos espinheiros; porém servirão para se mandarem para lá os bois e para serem pisados pelas ovelhas. Isaías 8 1DISSEME também o SENHOR: Toma um grande rolo, e escreve nele com caneta de homem: Apressando-se ao despojo, apressurou-se à presa. 2Então tomei comigo fiéis testemunhas, a Urias sacerdote, e a Zacarias, filho de Jeberequias, 3E fui ter com a profetisa, e ela concebeu, e deu à luz um filho; e o SENHOR me disse: Põe-lhe o nome de Maer-Salal-Has-Baz. 4Porque antes que o menino saiba dizer meu pai, ou minha mãe, se levarão as riquezas de Damasco, e os despojos de Samaria, diante do rei da Assíria. 5E continuou o SENHOR a falar ainda comigo, dizendo: 6Porquanto este povo desprezou as águas de Siloé que correm brandamente, e alegrou-se com Rezim e com o filho de Remalias, 7Portanto eis que o Senhor fará subir sobre eles as águas do rio, fortes e impetuosas, isto é, o rei da Assíria, com toda a sua glória; e subirá sobre todos os seus leitos, e transbordará por todas as suas ribanceiras. 8E passará a Judá, inundando-o, e irá passando por ele e chegará até ao pescoço; e a extensão de suas asas encherá a largura da tua terra, ó Emanuel. 9Ajuntai-vos, ó povos, e sereis quebrantados; dai ouvidos, todos os que sois de terras longínquas; cingi-vos e sereis feitos em pedaços, cingi-vos e sereis feitos em pedaços. 10Tomai juntamente conselho, e ele será frustrado; dizei uma palavra, e ela não subsistirá, porque Deus é conosco. 11Porque assim o SENHOR me disse com mão forte, e me ensinou que não andasse pelo caminho deste povo, dizendo: 12Não chameis conjuração, a tudo quanto este povo chama conjuração; e não temais o que ele teme, nem tampouco vos assombreis. 13Ao SENHOR dos Exércitos, a ele santificai; e seja ele o vosso temor e seja ele o vosso assombro. 14Então ele vos será por santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e rocha de escândalo, às duas casas de Israel; por armadilha e laço aos moradores de Jerusalém. 15E muitos entre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos. 16Liga o testemunho, sela a lei entre os meus discípulos. 17E esperarei ao SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei. 18Eis-me aqui, com os filhos que me deu o SENHOR, por sinais e por maravilhas em Israel, da parte do SENHOR dos Exércitos, que habita no monte de Sião. 19Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos? 20À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles. 21E passarão pela terra duramente oprimidos e famintos; e será que, tendo fome, e enfurecendo-se, então amaldiçoarão ao seu rei e ao seu Deus, olhando para cima. 22E, olhando para a terra, eis que haverá angústia e escuridão, e sombras de ansiedade, e serão empurrados para as trevas. Isaías 9 1MAS a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações. 2O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz. 3Tu multiplicaste a nação, a alegria lhe aumentaste; todos se alegrarão perante ti, como se alegram na ceifa, e como exultam quando se repartem os despojos. 4Porque tu quebraste o jugo da sua carga, e o bordão do seu ombro, e a vara do seu opressor, como no dia dos midianitas. 5Porque todo calçado que levava o guerreiro no tumulto da batalha, e todo o manto revolvido em sangue, serão queimados, servindo de combustível ao fogo. 6Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. 7Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto. 8O Senhor enviou uma palavra a Jacó, e ela caiu em Israel. 9E todo este povo o saberá, Efraim e os moradores de Samaria, que em soberba e altivez de coração, dizem: 10Os tijolos caíram, mas com cantaria tornaremos a edificar; cortaram-se os sicômoros, mas em cedros as mudaremos. 11Portanto o SENHOR suscitará, contra ele, os adversários de Rezim, e juntará os seus inimigos. 12Pela frente virão os sírios, e por detrás os filisteus, e devorarão a Israel à boca escancarada; e nem com tudo isto cessou a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão. 13Todavia este povo não se voltou para quem o feria, nem buscou ao SENHOR dos Exércitos. 14Assim o SENHOR cortará de Israel a cabeça e a cauda, o ramo e o junco, num mesmo dia 15 (O ancião e o homem de respeito é a cabeça; e o profeta que ensina a falsidade é a cauda). 16Porque os guias deste povo são enganadores, e os que por eles são guiados são destruídos. 17Por isso o Senhor não se regozija nos seus jovens, e não se compadecerá dos seus órfãos e das suas viúvas, porque todos eles são hipócritas e malfazejos, e toda a boca profere doidices; e nem com tudo isto cessou a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão. 18Porque a impiedade lavra como um fogo, ela devora as sarças e os espinheiros; e ela se ateará no emaranhado da floresta; e subirão em espessas nuvens de fumaça. 19Por causa da ira do SENHOR dos Exércitos a terra se escurecerá, e será o povo como combustível para o fogo; ninguém poupará ao seu irmão. 20Se colher à direita, ainda terá fome, e se comer à esquerda, ainda não se fartará; cada um comerá a carne de seu braço. 21Manassés a Efraim, e Efraim a Manassés, e ambos serão contra Judá. Com tudo isto não cessou a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão. Isaías 10 1AI dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que prescrevem opressão. 2Para desviarem os pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos! 3Mas que fareis vós no dia da visitação, e na desolação, que há de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa glória, 4Sem que cada um se abata entre os presos, e caia entre mortos? Com tudo isto a sua ira não cessou, mas ainda está estendida a sua mão. 5Ai da Assíria, a vara da minha ira, porque a minha indignação é como bordão nas suas mãos. 6Enviá-la-ei contra uma nação hipócrita, e contra o povo do meu furor lhe darei ordem, para que lhe roube a presa, e lhe tome o despojo, e o ponha para ser pisado aos pés, como a lama das ruas. 7Ainda que ele não cuide assim, nem o seu coração assim o imagine; antes no seu coração intenta destruir e desarraigar não poucas nações. 8Porque diz: Não são meus príncipes todos eles reis? 9Não é Calno como Carquemis? Não é Hamate como Arpade? E Samaria como Damasco? 10Como a minha mão alcançou os reinos dos ídolos, cujas imagens esculpidas eram melhores do que as de Jerusalém e do que as de Samaria, 11Porventura como fiz a Samaria e aos seus ídolos, não o faria igualmente a Jerusalém e aos seus ídolos? 12Por isso acontecerá que, havendo o Senhor acabado toda a sua obra no monte Sião e em Jerusalém, então castigarei o fruto da arrogante grandeza do coração do rei da Assíria e a pompa da altivez dos seus olhos. 13Porquanto disse: Com a força da minha mão o fiz, e com a minha sabedoria, porque sou prudente; e removi os limites dos povos, e roubei os seus tesouros, e como valente abati aos habitantes. 14E achou a minha mão as riquezas dos povos como a um ninho, e como se ajuntam os ovos abandonados, assim eu ajuntei a toda a terra, e não houve quem movesse a asa, ou abrisse a boca, ou murmurasse. 15Porventura gloriar-se-á o machado contra o que corta com ele, ou presumirá a serra contra o que puxa por ela, como se o bordão movesse aos que o levantam, ou a vara levantasse como não sendo pau? 16Por isso o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, fará definhar os que entre eles são gordos, e debaixo da sua glória ateará um incêndio, como incêndio de fogo. 17Porque a Luz de Israel virá a ser como fogo e o seu Santo por labareda, que abrase e consuma os seus espinheiros e as suas sarças num só dia. 18Também consumirá a glória da sua floresta, e do seu campo fértil, desde a alma até à carne, e será como quando desmaia o porta-bandeira. 19E o resto das árvores da sua floresta será tão pouco em número, que um menino poderá contá-las. 20E acontecerá naquele dia que os restantes de Israel, e os que tiverem escapado da casa de Jacó, nunca mais se estribarão sobre aquele que os feriu; antes estribar-se-ão verdadeiramente sobre o SENHOR, o Santo de Israel. 21Os restantes se converterão ao Deus forte, sim, os restantes de Jacó. 22Porque ainda que o teu povo, ó Israel, seja como a areia do mar, só um remanescente dele se converterá; uma destruição está determinada, transbordando em justiça. 23Porque determinada já a destruição, o Senhor Deus dos Exércitos a executará no meio de toda esta terra. 24Por isso assim diz o Senhor Deus dos Exércitos: Povo meu, que habitas em Sião, não temas à Assíria, quando te ferir com a vara, e contra ti levantar o seu bordão à maneira dos egípcios. 25Porque daqui a bem pouco se cumprirá a minha indignação e a minha ira, para a consumir. 26Porque o SENHOR dos Exércitos suscitará contra ela um flagelo, como na matança de Midiã junto à rocha de Orebe; e a sua vara estará sobre o mar, e ele a levantará como sucedeu aos egípcios. 27E acontecerá, naquele dia, que a sua carga será tirada do teu ombro, e o seu jugo do teu pescoço; e o jugo será despedaçado por causa da unção. 28Já vem chegando a Aiate, já vai passando por Migrom, e em Micmás deixa a sua bagagem. 29Já passaram o desfiladeiro, já se alojam em Geba; já Ramá treme, e Gibeá de Saul vai fugindo. 30Clama alto com a tua voz, ó filha de Galim! Ouve, ó Laís! Ó tu pobre Anatote! 31Madmena já se foi; os moradores de Gebim vão fugindo em bandos. 32Ainda um dia parará em Nobe; acenará com a sua mão contra o monte da filha de Sião, o outeiro de Jerusalém. 33Mas eis que o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, cortará os ramos com violência, e os de alta estatura serão cortados, e os altivos serão abatidos. 34E cortará com ferro a espessura da floresta, e o Líbano cairá à mão de um poderoso. Isaías 11 1PORQUE brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. 2E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. 3E deleitar-se-á no temor do SENHOR; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos. 4Mas julgará com justiça aos pobres, e repreenderá com eqüidade aos mansos da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio, 5E a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins. 6E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. 7A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi. 8E brincará a criança de peito sobre a toca da áspide, e a desmamada colocará a sua mão na cova do basilisco. 9Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar. 10E acontecerá naquele dia que a raiz de Jessé, a qual estará posta por estandarte dos povos, será buscada pelos gentios; e o lugar do seu repouso será glorioso. 11E há de ser que naquele dia o Senhor tornará a pôr a sua mão para adquirir outra vez o remanescente do seu povo, que for deixado, da Assíria, e do Egito, e de Patros, e da Etiópia, e de Elã, e de Sinar, e de Hamate, e das ilhas do mar. 12E levantará um estandarte entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro confins da terra. 13E afastar-se-á a inveja de Efraim, e os adversários de Judá serão desarraigados; Efraim não invejará a Judá, e Judá não oprimirá a Efraim. 14Antes voarão sobre os ombros dos filisteus ao ocidente; juntos despojarão aos do oriente; em Edom e Moabe porão as suas mãos, e os filhos de Amom lhes obedecerão. 15E o SENHOR destruirá totalmente a língua do mar do Egito, e moverá a sua mão contra o rio com a força do seu vento e, ferindo-o, dividi-lo-á em sete correntes e fará que por ele passem com sapatos secos. 16E haverá caminho plano para o remanescente do seu povo, que for deixado da Assíria, como sucedeu a Israel no dia em que subiu da terra do Egito. Isaías 12 1E DIRÁS naquele dia: Graças te dou, ó SENHOR, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas. 2Eis que Deus é a minha salvação; nele confiarei, e não temerei, porque o SENHOR Deus é a minha força e o meu cântico, e se tornou a minha salvação. 3E vós com alegria tirareis águas das fontes da salvação. 4E direis naquele dia: Dai graças ao SENHOR, invocai o seu nome, fazei notório os seus feitos entre os povos, contai quão excelso é o seu nome. 5Cantai ao SENHOR, porque fez coisas grandiosas; saiba-se isto em toda a terra. 6Exulta e jubila, ó habitante de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti. Isaías 13 1PESO de Babilônia, que viu Isaías, filho de Amós. 2Alçai uma bandeira sobre o monte elevado, levantai a voz para eles; acenai-lhes com a mão, para que entrem pelas portas dos nobres. 3Eu dei ordens aos meus santificados; sim, já chamei os meus poderosos para executarem a minha ira, os que exultam com a minha majestade. 4Já se ouve a gritaria da multidão sobre os montes, como a de muito povo; o som do rebuliço de reinos e de nações congregados. O SENHOR dos Exércitos passa em revista o exército de guerra. 5Já vem de uma terra remota, desde a extremidade do céu, o SENHOR, e os instrumentos da sua indignação, para destruir toda aquela terra. 6Clamai, pois, o dia do SENHOR está perto; vem do Todo-Poderoso como assolação. 7Portanto, todas as mãos se debilitarão, e o coração de todos os homens se desanimará. 8E assombrar-se-ão, e apoderar-se-ão deles dores e ais, e se angustiarão, como a mulher com dores de parto; cada um se espantará do seu próximo; os seus rostos serão rostos flamejantes. 9Eis que vem o dia do SENHOR, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação, e dela destruir os pecadores. 10Porque as estrelas dos céus e as suas constelações não darão a sua luz; o sol se escurecerá ao nascer, e a lua não resplandecerá com a sua luz. 11E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos. 12Farei que o homem seja mais precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir. 13Por isso farei estremecer os céus; e a terra se moverá do seu lugar, por causa do furor do SENHOR dos Exércitos, e por causa do dia da sua ardente ira. 14E cada um será como a corça que foge, e como a ovelha que ninguém recolhe; cada um voltará para o seu povo, e cada um fugirá para a sua terra. 15Todo o que for achado será transpassado; e todo o que se unir a ele cairá à espada. 16E suas crianças serão despedaçadas perante os seus olhos; as suas casas serão saqueadas, e as suas mulheres violadas. 17Eis que eu despertarei contra eles os medos, que não farão caso da prata, nem tampouco desejarão ouro. 18E os seus arcos despedaçarão os jovens, e não se compadecerão do fruto do ventre; os seus olhos não pouparão aos filhos. 19E Babilônia, o ornamento dos reinos, a glória e a soberba dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou. 20Nunca mais será habitada, nem nela morará alguém de geração em geração; nem o árabe armará ali a sua tenda, nem tampouco os pastores ali farão deitar os seus rebanhos. 21Mas as feras do deserto repousarão ali, e as suas casas se encherão de horríveis animais; e ali habitarão os avestruzes, e os sátiros pularão ali. 22E os animais selvagens das ilhas uivarão em suas casas vazias, como também os chacais nos seus palácios de prazer; pois bem perto já vem chegando o seu tempo, e os seus dias não se prolongarão. Isaías 14 1PORQUE o SENHOR se compadecerá de Jacó, e ainda escolherá a Israel e os porá na sua própria terra; e ajuntar-se-ão com eles os estrangeiros, e se achegarão à casa de Jacó. 2E os povos os receberão, e os levarão aos seus lugares, e a casa de Israel os possuirá por servos, e por servas, na terra do SENHOR; e cativarão aqueles que os cativaram, e dominarão sobre os seus opressores. 3E acontecerá que no dia em que o SENHOR vier a dar-te descanso do teu sofrimento, e do teu pavor, e da dura servidão com que te fizeram servir, 4Então proferirás este provérbio contra o rei de Babilônia, e dirás: Como já cessou o opressor, como já cessou a cidade dourada! 5Já quebrantou o SENHOR o bastão dos ímpios e o cetro dos dominadores. 6Aquele que feria aos povos com furor, com golpes incessantes, e que com ira dominava sobre as nações agora é perseguido, sem que alguém o possa impedir. 7Já descansa, já está sossegada toda a terra; rompem cantando. 8Até as faias se alegram sobre ti, e os cedros do Líbano, dizendo: Desde que tu caíste ninguém sobe contra nós para nos cortar. 9O inferno desde o profundo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinda; despertou por ti os mortos, e todos os chefes da terra, e fez levantar dos seus tronos a todos os reis das nações. 10Estes todos responderão, e te dirão: Tu também adoeceste como nós, e foste semelhante a nós. 11Já foi derrubada na sepultura a tua soberba com o som das tuas violas; os vermes debaixo de ti se estenderão, e os bichos te cobrirão. 12Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! 13E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. 14Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. 15E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo. 16Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão, e dirão: É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos? 17Que punha o mundo como o deserto, e assolava as suas cidades? Que não abria a casa de seus cativos? 18Todos os reis das nações, todos eles, jazem com honra, cada um na sua morada. 19Porém tu és lançado da tua sepultura, como um renovo abominável, como as vestes dos que foram mortos atravessados à espada, como os que descem ao covil de pedras, como um cadáver pisado. 20Com eles não te reunirás na sepultura; porque destruíste a tua terra e mataste o teu povo; a descendência dos malignos não será jamais nomeada. 21Preparai a matança para os seus filhos por causa da maldade de seus pais, para que não se levantem, e nem possuam a terra, e encham a face do mundo de cidades. 22Porque me levantarei contra eles, diz o SENHOR dos Exércitos, e extirparei de Babilônia o nome, e os sobreviventes, o filho e o neto, diz o SENHOR. 23E farei dela uma possessão de ouriços e a lagoas de águas; e varrê-la-ei com vassoura de perdição, diz o SENHOR dos Exércitos. 24O SENHOR dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará. 25Quebrantarei a Assíria na minha terra, e nas minhas montanhas a pisarei, para que o seu jugo se aparte deles e a sua carga se desvie dos seus ombros. 26Este é o propósito que foi determinado sobre toda a terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações. 27Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem o invalidará? E a sua mão está estendida; quem pois a fará voltar atrás? 28No ano em que morreu o rei Acaz, foi dada esta sentença. 29Não te alegres, tu, toda a Filístia, por estar quebrada a vara que te feria; porque da raiz da cobra sairá um basilisco, e o seu fruto será uma serpente ardente, voadora. 30E os primogênitos dos pobres serão apascentados, e os necessitados se deitarão seguros; porém farei morrer de fome a tua raiz, e ele matará os teus sobreviventes. 31Dá uivos, ó porta, grita, ó cidade; tu, ó Filístia, estás toda derretida; porque do norte vem uma fumaça, e não haverá quem fique sozinho nas suas convocações. 32Que se responderá, pois, aos mensageiros da nação? Que o SENHOR fundou a Sião, para que os opressos do seu povo nela encontrem refúgio. Isaías 15 1PESO de Moabe. Certamente numa noite foi destruída Ar de Moabe, e foi desfeita; certamente numa noite foi destruída Quir de Moabe e foi desfeita. 2Vai subindo a Bajite, e a Dibom, aos lugares altos, para chorar; por Nebo e por Medeba clamará Moabe; todas as cabeças ficarão calvas, e toda a barba será rapada. 3Cingiram-se de sacos nas suas ruas; nos seus terraços e nas suas praças todos andam gritando, e choram abundantemente. 4Assim Hesbom como Eleale, andam gritando; até Jaaz se ouve a sua voz; por isso os armados de Moabe clamam; a sua alma lhes será penosa. 5O meu coração clama por causa de Moabe; os seus fugitivos foram até Zoar, como uma novilha de três anos; porque vão chorando pela subida de Luíte, porque no caminho de Horonaim levantam um lastimoso pranto. 6Porque as águas de Ninrim serão pura assolação; porque já secou o feno, acabou a erva, e não há verdura alguma. 7Por isso a abundância que ajuntaram, e o que guardaram, ao ribeiro dos salgueiros o levarão. 8Porque o pranto rodeará aos limites de Moabe; até Eglaim chegará o seu clamor, e ainda até Beer-Elim chegará o seu lamento. 9Porquanto as águas de Dimom estão cheias de sangue, porque ainda acrescentarei mais a Dimom; leões contra aqueles que escaparem de Moabe e contra o restante da terra. Isaías 16 1ENVIAI o cordeiro ao governador da terra, desde Sela, no deserto, até ao monte da filha de Sião. 2De outro modo sucederá que serão as filhas de Moabe junto aos vaus de Arnom como o pássaro vagueante, lançado fora do ninho. 3Toma conselho, executa juízo, põe a tua sombra no pino do meio-dia como a noite; esconde os desterrados, e não descubras os fugitivos. 4Habitem contigo os meus desterrados, ó Moabe; serve-lhes de refúgio perante a face do destruidor; porque o homem violento terá fim; a destruição é desfeita, e os opressores são consumidos sobre a terra. 5Porque o trono se firmará em benignidade, e sobre ele no tabernáculo de Davi se assentará em verdade um que julgue, e busque o juízo, e se apresse a fazer justiça. 6Ouvimos da soberba de Moabe, que é soberbíssimo; da sua altivez, da sua soberba, e do seu furor; porém, as suas mentiras não serão firmes. 7Portanto Moabe clamará por Moabe; todos clamarão; gemereis pelos fundamentos de Quir-Haresete, pois certamente já estão abatidos. 8Porque os campos de Hesbom enfraqueceram, e a vinha de Sibma; os senhores dos gentios quebraram as suas melhores plantas que haviam chegado a Jazer e vagueiam no deserto; os seus rebentos se estenderam e passaram além do mar. 9Por isso prantearei, com o pranto de Jazer, a vinha de Sibma; regar-te-ei com as minhas lágrimas, ó Hesbom e Eleale; porque o júbilo dos teus frutos de verão e da tua sega desapareceu. 10E fugiu a alegria e o regozijo do campo fértil, e nas vinhas não se canta, nem há júbilo algum; já não se pisarão as uvas nos lagares. Eu fiz cessar o júbilo. 11Por isso o meu íntimo vibra por Moabe como harpa, e o meu interior por QuirHeres. 12E será que, quando virem Moabe cansado nos altos, então entrará no seu santuário a orar, porém não prevalecerá. 13Esta é a palavra que o SENHOR falou contra Moabe desde aquele tempo. 14Porém agora falou o SENHOR, dizendo: Dentro de três anos (tais como os anos de jornaleiros), será envilecida a glória de Moabe, com toda a sua grande multidão; e o restante será pouco, pequeno e impotente. Isaías 17 1PESO de Damasco. Eis que Damasco será tirada, e já não será cidade, antes será um montão de ruínas. 2As cidades de Aroer serão abandonadas; hão de ser para os rebanhos que se deitarão sem que alguém os espante. 3E a fortaleza de Efraim cessará, como também o reino de Damasco e o restante da Síria; serão como a glória dos filhos de Israel, diz o SENHOR dos Exércitos. 4E naquele dia será diminuída a glória de Jacó, e a gordura da sua carne ficará emagrecida. 5Porque será como o segador que colhe a cana do trigo e com o seu braço sega as espigas; e será também como o que colhe espigas no vale de Refaim. 6Porém ainda ficarão nele alguns rabiscos, como no sacudir da oliveira: duas ou três azeitonas na mais alta ponta dos ramos, e quatro ou cinco nos seus ramos mais frutíferos, diz o SENHOR Deus de Israel. 7Naquele dia atentará o homem para o seu Criador, e os seus olhos olharão para o Santo de Israel. 8E não atentará para os altares, obra das suas mãos, nem olhará para o que fizeram seus dedos, nem para os bosques, nem para as imagens. 9Naquele dia as suas cidades fortificadas serão como lugares abandonados, no bosque ou sobre o cume das montanhas, os quais foram abandonados ante os filhos de Israel; e haverá assolação. 10Porque te esqueceste do Deus da tua salvação, e não te lembraste da rocha da tua fortaleza, portanto farás plantações formosas, e assentarás nelas sarmentos estranhos. 11E no dia em que as plantares as farás crescer, e pela manhã farás que a tua semente brote; mas a colheita voará no dia da angústia e das dores insofríveis. 12Ai do bramido dos grandes povos que bramam como bramam os mares, e do rugido das nações que rugem como rugem as impetuosas águas. 13Rugirão as nações, como rugem as muitas águas, mas Deus as repreenderá e elas fugirão para longe; e serão afugentadas como a pragana dos montes diante do vento, e como o que rola levado pelo tufão. 14Ao anoitecer eis que há pavor, mas antes que amanheça já não existe; esta é a parte daqueles que nos despojam, e a sorte daqueles que nos saqueiam. Isaías 18 1AI da terra que ensombreia com as suas asas, que está além dos rios da Etiópia. 2Que envia embaixadores por mar em navios de junco sobre as águas, dizendo: Ide, mensageiros velozes, a um povo de elevada estatura e de pele lisa; a um povo terrível desde o seu princípio; a uma nação forte e esmagadora, cuja terra os rios dividem. 3Vós, todos os habitantes do mundo, e vós os moradores da terra, quando se arvorar a bandeira nos montes, o vereis; e quando se tocar a trombeta, o ouvireis. 4Porque assim me disse o SENHOR: Estarei quieto, olhando desde a minha morada, como o ardor do sol resplandecente depois da chuva, como a nuvem do orvalho no calor da sega. 5Porque antes da sega, quando já o fruto está perfeito e, passada a flor, as uvas verdes amadurecerem, então, com foice podará os sarmentos e tirará os ramos e os lançará fora. 6Serão deixados juntos às aves dos montes e aos animais da terra; e sobre eles veranearão as aves de rapina, e todos os animais da terra invernarão sobre eles. 7Naquele tempo trará um presente ao SENHOR dos Exércitos um povo de elevada estatura e de pele lisa, e um povo terrível desde o seu princípio; uma nação forte e esmagadora, cuja terra os rios dividem; ao lugar do nome do SENHOR dos Exércitos, ao monte Sião. Isaías 19 1PESO do Egito. Eis que o SENHOR vem cavalgando numa nuvem ligeira, e entrará no Egito; e os ídolos do Egito estremecerão diante dele, e o coração dos egípcios se derreterá no meio deles. 2Porque farei com que os egípcios, se levantem contra os egípcios, e cada um pelejará contra o seu irmão, e cada um contra o seu próximo, cidade contra cidade, reino contra reino. 3E o espírito do Egito se esvaecerá no seu interior, e destruirei o seu conselho; e eles consultarão aos seus ídolos, e encantadores, e aqueles que têm espíritos familiares e feiticeiros. 4E entregarei os egípcios nas mãos de um senhor cruel, e um rei rigoroso os dominará, diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos. 5E secarão as águas do mar, e o rio se esgotará e ressequirá. 6Também os rios exalarão mau cheiro e se esgotarão e secarão os canais do Egito; as canas e os juncos murcharão. 7A relva junto ao rio, junto às ribanceiras dos rios, e tudo o que foi semeado junto ao rio, secará, será arrancado e não subsistirá. 8E os pescadores gemerão, e suspirarão todos os que lançam anzol ao rio, e os que estendem rede sobre as águas desfalecerão. 9E envergonhar-se-ão os que trabalham em linho fino, e os que tecem pano branco. 10E os seus fundamentos serão despedaçados, e todos os que trabalham por salário ficarão com tristeza de alma. 11Na verdade são loucos os príncipes de Zoã; o conselho dos sábios conselheiros de Faraó se embruteceu; como, pois, a Faraó direis: Sou filho de sábios, filho de antigos reis? 12Onde estão agora os teus sábios? Notifiquem-te agora, ou informem-te sobre o que o SENHOR dos Exércitos determinou contra o Egito. 13Loucos tornaram-se os príncipes de Zoã, enganados estão os príncipes de Nofe; eles fizeram errar o Egito, aqueles que são a pedra de esquina das suas tribos. 14O SENHOR derramou no meio dele um perverso espírito; e eles fizeram errar o Egito em toda a sua obra, como o bêbado quando se revolve no seu vômito. 15E não aproveitará ao Egito obra alguma que possa fazer a cabeça, a cauda, o ramo, ou o junco. 16Naquele tempo os egípcios serão como mulheres, e tremerão e temerão por causa do movimento da mão do SENHOR dos Exércitos, que há de levantar-se contra eles. 17E a terra de Judá será um espanto para o Egito; todo aquele a quem isso se anunciar se assombrará, por causa do propósito do SENHOR dos Exércitos, que determinou contra eles. 18Naquele tempo haverá cinco cidades na terra do Egito que falarão a língua de Canaã e farão juramento ao SENHOR dos Exércitos; e uma se chamará: Cidade de destruição. 19Naquele tempo o SENHOR terá um altar no meio da terra do Egito, e uma coluna se erigirá ao SENHOR, junto da sua fronteira. 20E servirá de sinal e de testemunho ao SENHOR dos Exércitos na terra do Egito, porque ao SENHOR clamarão por causa dos opressores, e ele lhes enviará um salvador e um protetor, que os livrará. 21E o SENHOR se dará a conhecer ao Egito, e os egípcios conhecerão ao SENHOR naquele dia, e o adorarão com sacrifícios e ofertas, e farão votos ao SENHOR, e os cumprirão. 22E ferirá o SENHOR ao Egito, ferirá e o curará; e converter-se-ão ao SENHOR, e mover-se-á às suas orações, e os curará; 23Naquele dia haverá estrada do Egito até à Assíria, e os assírios virão ao Egito, e os egípcios irão à Assíria; e os egípcios servirão com os assírios. 24Naquele dia Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra. 25Porque o SENHOR dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança. Isaías 20 1NO ano em que Tartã, enviado por Sargom, rei da Assíria, veio a Asdode, e guerreou contra ela, e a tomou, 2Nesse mesmo tempo falou o SENHOR por intermédio de Isaías, filho de Amós, dizendo: Vai, solta o cilício de teus lombos, e descalça os sapatos dos teus pés. E ele assim o fez, indo nu e descalço. 3Então disse o SENHOR: Assim como o meu servo Isaías andou três anos nu e descalço, por sinal e prodígio sobre o Egito e sobre a Etiópia, 4Assim o rei da Assíria levará em cativeiro os presos do Egito, e os exilados da Etiópia, tanto moços como velhos, nus e descalços, e com as nádegas descobertas, para vergonha do Egito. 5E assombrar-se-ão, e envergonhar-se-ão, por causa dos etíopes, sua esperança, como também dos egípcios, sua glória. 6Então os moradores desta ilha dirão naquele dia: Vede que tal é a nossa esperança, à qual fugimos por socorro, para nos livrarmos da face do rei da Assíria! Como pois escaparemos nós? Isaías 21 1PESO do deserto do mar. Como os tufões de vento do sul, que tudo assolam, ele virá do deserto, de uma terra horrível. 2Dura visão me foi anunciada: o pérfido trata perfidamente, e o destruidor anda destruindo. Sobe, ó Elão, sitia, ó Média, que já fiz cessar todo o seu gemido. 3Por isso os meus lombos estão cheios de angústia; dores se apoderam de mim como as dores daquela que dá à luz; fiquei abatido quando ouvi, e desanimado vendo isso. 4O meu coração se agita, o horror apavora-me; a noite que desejava, se me tornou em temor. 5Põem-se a mesa, estão de atalaia, comem, bebem; levantai-vos, príncipes, e untai o escudo. 6Porque assim me disse o Senhor: Vai, põe uma sentinela, e ela que diga o que vir. 7E quando vir um carro com um par de cavaleiros, um carro com jumentos, e um carro com camelos, ela que observe atentamente com grande cuidado. 8E clamou: Um leão, meu senhor! Sobre a torre de vigia estou em pé continuamente de dia, e de guarda me ponho noites inteiras. 9E eis agora vem um carro com homens, e um par de cavaleiros. Então respondeu e disse: Caída é Babilônia, caída é! E todas as imagens de escultura dos seus deuses quebraram-se no chão. 10Ah, malhada minha, e trigo da minha eira! O que ouvi do SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, isso vos anunciei. 11Peso de Dumá. Gritam-me de Seir: Guarda, que houve de noite? Guarda, que houve de noite? 12E disse o guarda: Vem a manhã, e também a noite; se quereis perguntar, perguntai; voltai, vinde. 13Peso contra Arábia. Nos bosques da Arábia passareis a noite, ó viandantes de Dedanim. 14Saí com água ao encontro dos sedentos; moradores da terra de Tema, saí com pão ao encontro dos fugitivos. 15Porque fogem de diante das espadas, de diante da espada desembainhada, e de diante do arco armado, e de diante do peso da guerra. 16Porque assim me disse o Senhor: Dentro de um ano, como os anos de jornaleiro, desaparecerá toda a glória de Quedar. 17E os restantes do número dos flecheiros, os poderosos dos filhos de Quedar, serão diminuídos, porque assim disse o SENHOR Deus de Israel. Isaías 22 1PESO do vale da visão. Que tens agora, pois que com todos os teus subiste aos telhados? 2Tu, cheia de clamores, cidade turbulenta, cidade alegre, os teus mortos não foram mortos à espada, nem morreram na guerra. 3Todos os teus governadores juntamente fugiram, foram atados pelos arqueiros; todos os que em ti se acharam, foram amarrados juntamente, e fugiram para longe. 4Portanto digo: Desviai de mim a vista, e chorarei amargamente; não vos canseis mais em consolar-me pela destruição da filha do meu povo. 5Porque dia de alvoroço, e de atropelamento, e de confusão é este da parte do Senhor Deus dos Exércitos, no vale da visão; dia de derrubar o muro e de clamar até aos montes. 6Porque Elão tomou a aljava, juntamente com carros de homens e cavaleiros; e Quir descobriu os escudos. 7E os teus mais formosos vales se encherão de carros, e os cavaleiros se colocarão em ordem às portas. 8E ele tirou a coberta de Judá, e naquele dia olhaste para as armas da casa do bosque. 9E vistes as brechas da cidade de Davi, porquanto já eram muitas, e ajuntastes as águas do tanque de baixo. 10Também contastes as casas de Jerusalém, e derrubastes as casas, para fortalecer os muros. 11Fizestes também um reservatório entre os dois muros para as águas do tanque velho, porém não olhastes acima, para aquele que isto tinha feito, nem considerastes o que o formou desde a antiguidade. 12E o Senhor Deus dos Exércitos, chamou naquele dia para chorar e para prantear, e para raspar a cabeça, e cingir com o cilício. 13Porém eis aqui gozo e alegria, matam-se bois e degolam-se ovelhas, come-se carne, e bebe-se vinho, e diz-se: Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos. 14Mas o SENHOR dos Exércitos revelou-se aos meus ouvidos, dizendo: Certamente esta maldade não vos será expiada até que morrais, diz o Senhor Deus dos Exércitos. 15Assim diz o Senhor Deus dos Exércitos: Anda e vai ter com este tesoureiro, com Sebna, o mordomo, e dize-lhe: 16Que é que tens aqui, ou a quem tens tu aqui, para que cavasses aqui uma sepultura? Cavando em lugar alto a sua sepultura, e cinzelando na rocha uma morada para ti mesmo? 17Eis que o SENHOR te arrojará violentamente como um homem forte, e de todo te envolverá. 18Certamente com violência te fará rolar, como se faz rolar uma bola num país espaçoso; ali morrerás, e ali acabarão os carros da tua glória, ó opróbrio da casa do teu senhor. 19E demitir-te-ei do teu posto, e te arrancarei do teu assento. 20E será naquele dia que chamarei a meu servo Eliaquim, filho de Hilquias; 21E vesti-lo-ei da tua túnica, e cingi-lo-ei com o teu cinto, e entregarei nas suas mãos o teu domínio, e será como pai para os moradores de Jerusalém, e para a casa de Judá. 22E porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro, e abrirá, e ninguém fechará; e fechará, e ninguém abrirá. 23E fixá-lo-ei como a um prego num lugar firme, e será como um trono de honra para a casa de seu pai. 24E nele pendurarão toda a honra da casa de seu pai, a prole e os descendentes, como também todos os vasos menores, desde as taças até os frascos. 25Naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, o prego fincado em lugar firme será tirado; e será cortado, e cairá, e a carga que nele estava se desprenderá, porque o SENHOR o disse. Isaías 23 1PESO de Tiro. Uivai, navios de Társis, porque está assolada, a ponto de não haver nela casa nenhuma, e de ninguém mais entrar nela; desde a terra de Quitim lhes foi isto revelado. 2Calai-vos, moradores da ilha, vós a quem encheram os mercadores de Sidom, navegando pelo mar. 3E a sua provisão era a semente de Sior, que vinha com as muitas águas, a ceifa do Nilo, e ela era a feira das nações. 4Envergonha-te, ó Sidom, porque o mar, a fortaleza do mar, fala, dizendo: Eu não tive dores de parto, nem dei à luz, nem ainda criei jovens, nem eduquei virgens. 5Como quando se ouviram as novas do Egito, assim haverá dores quando se ouvirem as de Tiro. 6Passai a Társis; clamai, moradores da ilha. 7É esta, porventura, a vossa cidade exultante, cuja origem é dos dias antigos, cujos pés a levaram para longe a peregrinar? 8Quem formou este desígnio contra Tiro, distribuidora de coroas, cujos mercadores são príncipes e cujos negociantes são os mais nobres da terra? 9O SENHOR dos Exércitos formou este desígnio para denegrir a soberba de toda a glória, e envilecer os mais nobres da terra. 10Passa como o Nilo pela tua terra, ó filha de Társis; já não há quem te restrinja. 11Ele estendeu a sua mão sobre o mar, e turbou os reinos; o SENHOR deu ordens contra Canaã, para que se destruíssem as suas fortalezas. 12E disse: Nunca mais exultarás de alegria, ó oprimida virgem, filha de Sidom; levanta-te, passa a Quitim, e ainda ali não terás descanso. 13Vede a terra dos caldeus, ainda este povo não era povo; a Assíria a fundou para os que moravam no deserto; levantaram as suas fortalezas, e edificaram os seus palácios; porém converteu-a em ruína. 14Uivai, navios de Társis, porque está destruída a vossa fortaleza. 15Naquele dia Tiro será posta em esquecimento por setenta anos, conforme os dias de um rei; porém no fim de setenta anos Tiro cantará como uma prostituta. 16Toma a harpa, rodeia a cidade, ó prostituta entregue ao esquecimento; faça doces melodias, canta muitas canções, para que haja memória de ti. 17Porque será no fim de setenta anos que o SENHOR visitará a Tiro, e ela tornará à sua ganância de prostituta, e prostituir-se-á com todos os reinos que há sobre a face da terra. 18E o seu comércio e a sua ganância de prostituta serão consagrados ao SENHOR; não se entesourará, nem se fechará; mas o seu comércio será para os que habitam perante o SENHOR, para que comam até se saciarem, e tenham vestimenta durável. Isaías 24 1EIS que o SENHOR esvazia a terra, e a desola, e transtorna a sua superfície, e dispersa os seus moradores. 2E o que suceder ao povo, assim sucederá ao sacerdote; ao servo, como ao seu senhor; à serva, como à sua senhora; ao comprador, como ao vendedor; ao que empresta, como ao que toma emprestado; ao que dá usura, como ao que paga usura. 3De todo se esvaziará a terra, e de todo será saqueada, porque o SENHOR pronunciou esta palavra. 4A terra pranteia e se murcha; o mundo enfraquece e se murcha; enfraquecem os mais altos do povo da terra. 5Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a aliança eterna. 6Por isso a maldição tem consumido a terra; e os que habitam nela são desolados; por isso são queimados os moradores da terra, e poucos homens restam. 7Pranteia o mosto, enfraquece a vide; e suspiram todos os alegres de coração. 8Cessa o folguedo dos tamboris, acaba o ruído dos que exultam, e cessa a alegria da harpa. 9Com canções não beberão vinho; a bebida forte será amarga para os que a beberem. 10Demolida está a cidade vazia, todas as casas fecharam, ninguém pode entrar. 11Há lastimoso clamor nas ruas por falta do vinho; toda a alegria se escureceu, desterrou-se o gozo da terra. 12Na cidade só ficou a desolação, a porta ficou reduzida a ruínas. 13Porque assim será no interior da terra, e no meio destes povos, como a sacudidura da oliveira, e como os rabiscos, quando está acabada a vindima. 14Estes alçarão a sua voz, e cantarão com alegria; e por causa da glória do SENHOR exultarão desde o mar. 15Por isso glorificai ao SENHOR no oriente, e nas ilhas do mar, ao nome do SENHOR Deus de Israel. 16Dos confins da terra ouvimos cantar: Glória ao justo. Mas eu disse: Emagreço, emagreço, ai de mim! Os pérfidos têm tratado perfidamente; sim, os pérfidos têm tratado perfidamente. 17O temor, e a cova, e o laço vêm sobre ti, ó morador da terra. 18E será que aquele que fugir da voz de temor cairá na cova, e o que subir da cova o laço o prenderá; porque as janelas do alto estão abertas, e os fundamentos da terra tremem. 19De todo está quebrantada a terra, de todo está rompida a terra, e de todo é movida a terra. 20De todo cambaleará a terra como o ébrio, e será movida e removida como a choça de noite; e a sua transgressão se agravará sobre ela, e cairá, e nunca mais se levantará. 21E será que naquele dia o SENHOR castigará os exércitos do alto nas alturas, e os reis da terra sobre a terra. 22E serão ajuntados como presos numa masmorra, e serão encerrados num cárcere; e outra vez serão castigados depois de muitos dias. 23E a lua se envergonhará, e o sol se confundirá quando o SENHOR dos Exércitos reinar no monte Sião e em Jerusalém, e perante os seus anciãos gloriosamente. Isaías 25 1Ó SENHOR, tu és o meu Deus; exaltar-te-ei, e louvarei o teu nome, porque fizeste maravilhas; os teus conselhos antigos são verdade e firmeza. 2Porque da cidade fizeste um montão de pedras, e da cidade forte uma ruína, e do paço dos estranhos, que não seja mais cidade, e jamais se torne a edificar. 3Por isso te glorificará um povo poderoso, e a cidade das nações formidáveis te temerá. 4Porque foste a fortaleza do pobre, e a fortaleza do necessitado, na sua angústia; refúgio contra a tempestade, e sombra contra o calor; porque o sopro dos opressores é como a tempestade contra o muro. 5Como o calor em lugar seco, assim abaterás o ímpeto dos estranhos; como se abranda o calor pela sombra da espessa nuvem, assim o cântico dos tiranos será humilhado. 6E o SENHOR dos Exércitos dará neste monte a todos os povos uma festa com animais gordos, uma festa de vinhos velhos, com tutanos gordos, e com vinhos velhos, bem purificados. 7E destruirá neste monte a face da cobertura, com que todos os povos andam cobertos, e o véu com que todas as nações se cobrem. 8Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará o opróbrio do seu povo de toda a terra; porque o SENHOR o disse. 9E naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e ele nos salvará; este é o SENHOR, a quem aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos. 10Porque a mão do SENHOR descansará neste monte; mas Moabe será trilhado debaixo dele, como se trilha a palha no monturo. 11E estenderá as suas mãos por entre eles, como as estende o nadador para nadar; e abaterá a sua altivez com as ciladas das suas mãos. 12E abaixará as altas fortalezas dos teus muros, abatê-las-á e derrubá-las-á por terra até ao pó. Isaías 26 1NAQUELE dia se entoará este cântico na terra de Judá: Temos uma cidade forte, a que Deus pôs a salvação por muros e antemuros. 2Abri as portas, para que entre nelas a nação justa, que observa a verdade. 3Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. 4Confiai no SENHOR perpetuamente; porque o SENHOR Deus é uma rocha eterna. 5Porque ele abate os que habitam no alto, na cidade elevada; humilha-a, humilhaa até ao chão, e derruba-a até ao pó. 6O pé pisá-la-á; os pés dos aflitos, e os passos dos pobres. 7O caminho do justo é todo plano; tu retamente pesas o andar do justo. 8Também no caminho dos teus juízos, SENHOR, te esperamos; no teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma. 9Com minha alma te desejei de noite, e com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te; porque, havendo os teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça. 10Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniqüidade, e não atenta para a majestade do SENHOR. 11SENHOR, a tua mão está exaltada, mas nem por isso a vêem; vê-la-ão, porém, e confundir-se-ão por causa do zelo que tens do teu povo; e o fogo consumirá os teus adversários. 12SENHOR, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras. 13Ó SENHOR Deus nosso, já outros senhores têm tido domínio sobre nós; porém, por ti só, nos lembramos de teu nome. 14Morrendo eles, não tornarão a viver; falecendo, não ressuscitarão; por isso os visitaste e destruíste, e apagaste toda a sua memória. 15Tu, SENHOR, aumentaste a esta nação, tu aumentaste a esta nação, fizeste-te glorioso; alargaste todos os confins da terra. 16Ó SENHOR, na angústia te buscaram; vindo sobre eles a tua correção, derramaram a sua oração secreta. 17Como a mulher grávida, quando está próxima a sua hora, tem dores de parto, e dá gritos nas suas dores, assim fomos nós diante de ti, ó SENHOR! 18Bem concebemos nós e tivemos dores de parto, porém demos à luz o vento; livramento não trouxemos à terra, nem caíram os moradores do mundo. 19Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos. 20Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. 21Porque eis que o SENHOR sairá do seu lugar, para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniqüidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seu mortos. Isaías 27 1NAQUELE dia o SENHOR castigará com a sua dura espada, grande e forte, o leviatã, serpente veloz, e o leviatã, a serpente tortuosa, e matará o dragão, que está no mar. 2Naquele dia haverá uma vinha de vinho tinto; cantai-lhe. 3Eu, o SENHOR, a guardo, e cada momento a regarei; para que ninguém lhe faça dano, de noite e de dia a guardarei. 4Não há indignação em mim. Quem me poria sarças e espinheiros diante de mim na guerra? Eu iria contra eles e juntamente os queimaria. 5Ou que se apodere da minha força, e faça paz comigo; sim, que faça paz comigo. 6Dias virão em que Jacó lançará raízes, e florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto a face do mundo. 7Feriu-o como feriu aos que o feriram? Ou matou-o, assim como matou aos que foram mortos por ele? 8Com medida contendeste com ela, quando a rejeitaste, quando a tirou com o seu vento forte, no tempo do vento leste. 9Por isso se expiará a iniqüidade de Jacó, e este será todo o fruto de se haver tirado seu pecado; quando ele fizer a todas as pedras do altar como pedras de cal feitas em pedaços, então os bosques e as imagens não poderão ficar em pé. 10Porque a cidade fortificada ficará solitária, será uma habitação rejeitada e abandonada como um deserto; ali pastarão os bezerros, e ali se deitarão, e devorarão os seus ramos. 11Quando os seus ramos se secarem, serão quebrados, e vindo as mulheres, os acenderão, porque este povo não é povo de entendimento, assim aquele que o fez não se compadecerá dele, e aquele que o formou não lhe mostrará nenhum favor. 12E será naquele dia que o SENHOR debulhará seus cereais desde as correntes do rio, até ao rio do Egito; e vós, ó filhos de Israel, sereis colhidos um a um. 13E será naquele dia que se tocará uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra da Assíria, e os que foram desterrados para a terra do Egito, tornarão a vir, e adorarão ao SENHOR no monte santo em Jerusalém. Isaías 28 1AI da coroa de soberba dos bêbados de Efraim, cujo glorioso ornamento é como a flor que cai, que está sobre a cabeça do fértil vale dos vencidos do vinho. 2Eis que o Senhor tem um forte e poderoso; como tempestade de saraiva, tormenta destruidora, e como tempestade de impetuosas águas que transbordam, ele, com a mão, derrubará por terra. 3A coroa de soberba dos bêbados de Efraim será pisada aos pés. 4E a flor caída do seu glorioso ornamento, que está sobre a cabeça do fértil vale, será como o fruto temporão antes do verão, que, vendo-o alguém, e tendo-o ainda na mão, o engole. 5Naquele dia o SENHOR dos Exércitos será por coroa gloriosa, e por diadema formosa, para os restantes de seu povo. 6E por espírito de juízo, para o que se assenta a julgar, e por fortaleza para os que fazem recuar a peleja até à porta. 7Mas também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo. 8Porque todas as suas mesas estão cheias de vômitos e imundícia, e não há lugar limpo. 9A quem, pois, se ensinaria o conhecimento? E a quem se daria a entender doutrina? Ao desmamado do leite, e ao arrancado dos seios? 10Porque é mandamento sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali. 11Assim por lábios gaguejantes, e por outra língua, falará a este povo. 12Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir. 13Assim, pois, a palavra do SENHOR lhes será mandamento sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para trás, e se quebrantem e se enlacem, e sejam presos. 14Ouvi, pois, a palavra do SENHOR, homens escarnecedores, que dominais este povo que está em Jerusalém. 15Porquanto dizeis: Fizemos aliança com a morte, e com o inferno fizemos acordo; quando passar o dilúvio do açoite, não chegará a nós, porque pusemos a mentira por nosso refúgio, e debaixo da falsidade nos escondemos. 16Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada; aquele que crer não se apresse. 17E regrarei o juízo pela linha, e a justiça pelo prumo, e a saraiva varrerá o refúgio da mentira, e as águas cobrirão o esconderijo. 18E a vossa aliança com a morte se anulará; e o vosso acordo com o inferno não subsistirá; e, quando o dilúvio do açoite passar, então sereis por ele pisados. 19Desde que comece a passar, vos arrebatará, porque manhã após manhã passará, de dia e de noite; e será que somente o ouvir tal notícia causará grande turbação. 20Porque a cama será tão curta que ninguém se poderá estender nela; e o cobertor tão estreito que ninguém se poderá cobrir com ele. 21Porque o SENHOR se levantará como no monte Perazim, e se irará, como no vale de Gibeão, para fazer a sua obra, a sua estranha obra, e para executar o seu ato, o seu estranho ato. 22Agora, pois, não mais escarneçais, para que vossos grilhões não se façam mais fortes; porque já ao Senhor Deus dos Exércitos ouvi falar de uma destruição, e essa já está determinada sobre toda a terra. 23 Inclinai os ouvidos, e ouvi a minha voz; atendei bem e ouvi o meu discurso. 24Porventura lavra todo o dia o lavrador, para semear? Ou abre e desterroa todo o dia a sua terra? 25Não é antes assim: quando já tem nivelado a sua superfície, então espalha nela ervilhaca, e semeia cominho; ou lança nela do melhor trigo, ou cevada escolhida, ou centeio, cada qual no seu lugar? 26O seu Deus o ensina, e o instrui acerca do que há de fazer. 27Porque a ervilhaca não se trilha com trilho, nem sobre o cominho passa roda de carro; mas com uma vara se sacode a ervilhaca, e o cominho com um pau. 28O trigo é esmiuçado, mas não se trilha continuamente, nem se esmiúça com as rodas do seu carro, nem se quebra com os seus cavaleiros. 29Até isto procede do SENHOR dos Exércitos; porque é maravilhoso em conselho e grande em obra. Isaías 29 1AI de Ariel, Ariel, a cidade onde Davi acampou! Acrescentai ano a ano, e sucedam-se as festas. 2Contudo porei a Ariel em aperto, e haverá pranto e tristeza; e ela será para mim como Ariel. 3Porque te cercarei com o meu arraial, e te sitiarei com baluartes, e levantarei trincheiras contra ti. 4Então serás abatida, falarás de debaixo da terra, e a tua fala desde o pó sairá fraca, e será a tua voz debaixo da terra, como a de um que tem espírito familiar, e a tua fala assobiará desde o pó. 5E a multidão dos teus inimigos será como o pó miúdo, e a multidão dos tiranos como a pragana que passa, e num momento repentino isso acontecerá. 6Do SENHOR dos Exércitos serás visitada com trovões, e com terremotos, e grande ruído com tufão de vento, e tempestade, e labareda de fogo consumidor. 7E como o sonho e uma visão de noite será a multidão de todas as nações que hão de pelejar contra Ariel, como também todos os que pelejarem contra ela e contra a sua fortaleza, e a puserem em aperto. 8Será também como o faminto que sonha, que está a comer, porém, acordando, sente-se vazio; ou como o sedento que sonha que está a beber, porém, acordando, eis que ainda desfalecido se acha, e a sua alma com sede; assim será toda a multidão das nações, que pelejarem contra o monte Sião. 9Tardai, e maravilhai-vos, folgai, e clamai; bêbados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte. 10Porque o SENHOR derramou sobre vós um espírito de profundo sono, e fechou os vossos olhos, vendou os profetas, e os vossos principais videntes. 11Por isso toda a visão vos é como as palavras de um livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele dirá: Não posso, porque está selado. 12Ou dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele dirá: Não sei ler. 13Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído; 14Portanto eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro; porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá. 15Ai dos que querem esconder profundamente o seu propósito do SENHOR, e fazem as suas obras às escuras, e dizem: Quem nos vê? E quem nos conhece? 16Vós tudo perverteis, como se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Não me fez; e o vaso formado dissesse do seu oleiro: Nada sabe. 17Porventura não se converterá o Líbano, num breve momento, em campo fértil? E o campo fértil não se reputará por um bosque? 18E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e dentre a escuridão e dentre as trevas os olhos dos cegos as verão. 19E os mansos terão gozo sobre gozo no SENHOR; e os necessitados entre os homens se alegrarão no Santo de Israel. 20Porque o tirano é reduzido a nada, e se consome o escarnecedor, e todos os que se dão à iniqüidade são desarraigados; 21Os que fazem culpado ao homem por uma palavra, e armam laços ao que repreende na porta, e os que sem motivo põem de parte o justo. 22Portanto assim diz o SENHOR, que remiu a Abraão, acerca da casa de Jacó: Jacó não será agora envergonhado, nem agora se descorará a sua face. 23Mas quando ele vir seus filhos, obra das minhas mãos no meio dele, santificarão o meu nome; sim, santificarão ao Santo de Jacó, e temerão ao Deus de Israel. 24E os errados de espírito virão a ter entendimento, e os murmuradores aprenderão doutrina. Isaías 30 1AI dos filhos rebeldes, diz o SENHOR, que tomam conselho, mas não de mim; e que se cobrem, com uma cobertura, mas não do meu espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado; 2Que descem ao Egito, sem pedirem o meu conselho; para se fortificarem com a força de Faraó, e para confiarem na sombra do Egito. 3Porque a força de Faraó se vos tornará em vergonha, e a confiança na sombra do Egito em confusão. 4Porque os seus príncipes já estão em Zoã, e os seus embaixadores já chegaram a Hanes. 5Todos se envergonharão de um povo que de nada lhes servirá nem de ajuda, nem de proveito, porém de vergonha, e de opróbrio. 6Peso dos animais do sul. Para a terra de aflição e de angústia (de onde vêm a leoa e o leão, a víbora, e a serpente ardente, voadora) levarão às costas de jumentinhos as suas riquezas, e sobre as corcovas de camelos os seus tesouros, a um povo que de nada lhes aproveitará. 7Porque o Egito os ajudará em vão, e para nenhum fim; por isso clamei acerca disto: No estarem quietos será a sua força. 8Vai, pois, agora, escreve isto numa tábua perante eles e registra-o num livro; para que fique até ao último dia, para sempre e perpetuamente. 9Porque este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR. 10Que dizem aos videntes: Não vejais; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, e vede para nós enganos. 11Desviai-vos do caminho, apartai-vos da vereda; fazei que o Santo de Israel cesse de estar perante nós. 12Por isso, assim diz o Santo de Israel: porquanto rejeitais esta palavra, e confiais na opressão e perversidade, e sobre isso vos estribais, 13Por isso esta maldade vos será como a brecha de um alto muro que, formando uma barriga, está prestes a cair e cuja quebra virá subitamente. 14E ele o quebrará como se quebra o vaso do oleiro e, quebrando-o, não se compadecerá; de modo que não se achará entre os seus pedaços um caco para tomar fogo do lar, ou tirar água da poça. 15Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes. 16Mas dizeis: Não; antes sobre cavalos fugiremos; portanto fugireis; e, sobre cavalos ligeiros cavalgaremos; por isso os vossos perseguidores também serão ligeiros. 17Mil homens fugirão ao grito de um, e ao grito de cinco todos vós fugireis, até que sejais deixados como o mastro no cume do monte, e como a bandeira no outeiro. 18Por isso, o SENHOR esperará, para ter misericórdia de vós; e por isso se levantará, para se compadecer de vós, porque o SENHOR é um Deus de eqüidade; bem-aventurados todos os que nele esperam. 19Porque o povo habitará em Sião, em Jerusalém; não chorarás mais; certamente se compadecerá de ti, à voz do teu clamor e, ouvindo-a, te responderá. 20Bem vos dará o Senhor pão de angústia e água de aperto, mas os teus mestres nunca mais fugirão de ti, como voando com asas; antes os teus olhos verão a todos os teus mestres. 21E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda. 22E terás por contaminadas as coberturas de tuas esculturas de prata, e o revestimento das tuas esculturas fundidas de ouro; e as lançarás fora como um pano imundo, e dirás a cada uma delas: Fora daqui. 23Então te dará chuva sobre a tua semente, com que semeares a terra, como também pão da novidade da terra; e esta será fértil e cheia; naquele dia o teu gado pastará em largos pastos. 24E os bois e os jumentinhos, que lavram a terra, comerão grão puro, que for padejado com a pá, e cirandado com a ciranda. 25E em todo o monte alto, e em todo o outeiro levantado, haverá ribeiros e correntes de águas, no dia da grande matança, quando caírem as torres. 26E a luz da lua será como a luz do sol, e a luz do sol sete vezes maior, como a luz de sete dias, no dia em que o SENHOR ligar a quebradura do seu povo, e curar a chaga da sua ferida. 27Eis que o nome do SENHOR vem de longe, ardendo a sua ira, sendo pesada a sua carga; os seus lábios estão cheios de indignação, e a sua língua é como um fogo consumidor. 28E a sua respiração como o ribeiro transbordante, que chega até ao pescoço, para peneirar as nações com peneira de destruição, e um freio de fazer errar nas queixadas dos povos. 29Um cântico haverá entre vós, como na noite em que se celebra uma festa santa; e alegria de coração, como a daquele que vai com flauta, para entrar no monte do SENHOR, à Rocha de Israel. 30E o SENHOR fará ouvir a sua voz majestosa e fará ver o abaixamento do seu braço, com indignação de ira, e labareda de fogo consumidor, raios e dilúvio e pedras de saraiva. 31Porque com a voz do SENHOR será desfeita em pedaços a Assíria, que feriu com a vara. 32E a cada pancada do bordão do juízo que o SENHOR lhe der, haverá tamboris e harpas; e com combates de agitação combaterá contra eles. 33Porque Tofete já há muito está preparada; sim, está preparada para o rei; ele a fez profunda e larga; a sua pira é de fogo, e tem muita lenha; o assopro do SENHOR como torrente de enxofre a acenderá. Isaías 31 1AI dos que descem ao Egito a buscar socorro, e se estribam em cavalos; e têm confiança em carros, porque são muitos; e nos cavaleiros, porque são poderosíssimos; e não atentam para o Santo de Israel, e não buscam ao SENHOR. 2Todavia também ele é sábio, e fará vir o mal, e não retirará as suas palavras; e levantar-se-á contra a casa dos malfeitores, e contra a ajuda dos que praticam a iniqüidade. 3Porque os egípcios são homens, e não Deus; e os seus cavalos, carne, e não espírito; e quando o SENHOR estender a sua mão, tanto tropeçará o auxiliador, como cairá o ajudado, e todos juntamente serão consumidos. 4Porque assim me disse o SENHOR: Como o leão e o leãozinho rugem sobre a sua presa, ainda que se convoque contra ele uma multidão de pastores, não se espantam das suas vozes, nem se abatem pela sua multidão, assim o SENHOR dos Exércitos descerá, para pelejar sobre o monte Sião, e sobre o seu outeiro. 5Como as aves voam, assim o SENHOR dos Exércitos amparará a Jerusalém; ele a amparará, a livrará e, passando, a salvará. 6Convertei-vos, pois, àquele contra quem os filhos de Israel se rebelaram tão profundamente. 7Porque naquele dia cada um lançará fora os seus ídolos de prata, e os seus ídolos de ouro, que vos fabricaram as vossas mãos para pecardes, 8E a Assíria cairá pela espada, não de poderoso homem; e a espada, não de homem desprezível, a consumirá; e fugirá perante a espada e os seus jovens serão tributários. 9E de medo passará a sua rocha, e os seus príncipes terão pavor da bandeira, diz o SENHOR, cujo fogo está em Sião e a sua fornalha em Jerusalém. Isaías 32 1EIS que reinará um rei com justiça, e dominarão os príncipes segundo o juízo. 2E será aquele homem como um esconderijo contra o vento, e um refúgio contra a tempestade, como ribeiros de águas em lugares secos, e como a sombra de uma grande rocha em terra sedenta. 3E os olhos dos que vêem não olharão para trás; e os ouvidos dos que ouvem estarão atentos. 4E o coração dos imprudentes entenderá o conhecimento; e a língua dos gagos estará pronta para falar distintamente. 5Ao vil nunca mais se chamará liberal; e do avarento nunca mais se dirá que é generoso. 6Porque o vil fala obscenidade, e o seu coração pratica a iniqüidade, para usar hipocrisia, e para proferir mentiras contra o SENHOR, para deixar vazia a alma do faminto, e fazer com que o sedento venha a ter falta de bebida. 7Também todas as armas do avarento são más; ele maquina invenções malignas, para destruir os mansos com palavras falsas, mesmo quando o pobre chega a falar retamente. 8Mas o liberal projeta coisas liberais, e pela liberalidade está em pé. 9Levantai-vos, mulheres, que estais sossegadas, e ouvi a minha voz; e vós, filhas, que estais tão seguras, inclinai os ouvidos às minhas palavras. 10Porque num ano e dias vireis a ser turbadas, ó mulheres que estais tão seguras; porque a vindima se acabará, e a colheita não virá. 11Tremei, mulheres que estais sossegadas, e turbai-vos vós, que estais tão seguras; despi-vos, e ponde-vos nuas, e cingi com saco os vossos lombos. 12Baterão nos peitos, pelos campos desejáveis, e pelas vinhas frutíferas. 13Sobre a terra do meu povo virão espinheiros e sarças, como também sobre todas as casas onde há alegria, na cidade jubilosa. 14Porque os palácios serão abandonados, a multidão da cidade cessará; e as fortificações e as torres servirão de cavernas para sempre, para alegria dos jumentos monteses, e para pasto dos rebanhos; 15Até que se derrame sobre nós o espírito lá do alto; então o deserto se tornará em campo fértil, e o campo fértil será reputado por um bosque. 16E o juízo habitará no deserto, e a justiça morará no campo fértil. 17E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre. 18E o meu povo habitará em morada de paz, e em moradas bem seguras, e em lugares quietos de descanso. 19Mas, descendo ao bosque, cairá saraiva e a cidade será inteiramente abatida. 20Bem-aventurados vós os que semeais junto a todas as águas; e deixais livres os pés do boi e do jumento. Isaías 33 1AI de ti, despojador, que não foste despojado, e que procedes perfidamente contra os que não procederam perfidamente contra ti! Acabando tu de despojar, serás despojado; e, acabando tu de tratar perfidamente, perfidamente te tratarão. 2SENHOR, tem misericórdia de nós, por ti temos esperado; sê tu o nosso braço cada manhã, como também a nossa salvação no tempo da tribulação. 3Ao ruído do tumulto fugirão os povos; à tua exaltação as nações serão dispersas. 4Então ajuntar-se-á o vosso despojo como se ajunta a lagarta; como os gafanhotos saltam, assim ele saltará sobre eles. 5O SENHOR está exaltado, pois habita nas alturas; encheu a Sião de juízo e justiça. 6E haverá estabilidade nos teus tempos, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; e o temor do SENHOR será o seu tesouro. 7Eis que os seus embaixadores estão clamando de fora; e os mensageiros de paz estão chorando amargamente. 8As estradas estão desoladas, cessou o que passava pela vereda, ele rompeu a aliança, desprezou as cidades, e já não faz caso dos homens. 9A terra geme e pranteia, o Líbano se envergonha e se murcha; Sarom se tornou como um deserto; e Basã e Carmelo foram sacudidos. 10Agora, pois, me levantarei, diz o SENHOR; agora me erguerei. Agora serei exaltado. 11Concebestes palha, dareis à luz restolho; e o vosso espírito vos devorará como o fogo. 12E os povos serão como as queimas de cal; como espinhos cortados arderão no fogo. 13Ouvi, vós os que estais longe, o que tenho feito; e vós que estais vizinhos, conhecei o meu poder. 14Os pecadores de Sião se assombraram, o tremor surpreendeu os hipócritas. Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? Quem dentre nós habitará com as labaredas eternas? 15O que anda em justiça, e o que fala com retidão; o que rejeita o ganho da opressão, o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de derramamento de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal. 16Este habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será dado, as suas águas serão certas. 17Os teus olhos verão o rei na sua formosura, e verão a terra que está longe. 18O teu coração considerará o assombro dizendo: Onde está o escrivão? Onde está o que pesou o tributo? Onde está o que conta as torres? 19Não verás mais aquele povo atrevido, povo de fala obscura, que não se pode compreender e de língua tão estranha que não se pode entender. 20Olha para Sião, a cidade das nossas solenidades; os teus olhos verão a Jerusalém, habitação quieta, tenda que não será removida, cujas estacas nunca serão arrancadas e das suas cordas nenhuma se quebrará. 21Mas ali o glorioso SENHOR será para nós um lugar de rios e correntes largas; barco nenhum de remo passará por ele, nem navio grande navegará por ele. 22Porque o SENHOR é o nosso Juiz; o SENHOR é o nosso legislador; o SENHOR é o nosso rei, ele nos salvará. 23As tuas cordas se afrouxaram; não puderam ter firme o seu mastro, e nem desfraldar a vela; então a presa de abundantes despojos se repartirá; e até os coxos dividirão a presa. 24E morador nenhum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar nela será absolvido da iniqüidade. Isaías 34 1CHEGAI-VOS, nações, para ouvir, e vós povos, escutai; ouça a terra, e a sua plenitude, o mundo, e tudo quanto produz. 2Porque a indignação do SENHOR está sobre todas as nações, e o seu furor sobre todo o exército delas; ele as destruiu totalmente, entregou-as à matança. 3E os seus mortos serão arremessados e dos seus cadáveres subirá o seu mau cheiro; e os montes se derreterão com o seu sangue. 4E todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um livro; e todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e como cai o figo da figueira. 5Porque a minha espada se embriagou nos céus; eis que sobre Edom descerá, e sobre o povo do meu anátema para exercer juízo. 6A espada do SENHOR está cheia de sangue, está engordurada da gordura do sangue de cordeiros e de bodes, da gordura dos rins de carneiros; porque o SENHOR tem sacrifício em Bozra, e grande matança na terra de Edom. 7E os bois selvagens cairão com eles, e os bezerros com os touros; e a sua terra embriagar-se-á de sangue até se fartar, e o seu pó se engrossará com a gordura. 8Porque será o dia da vingança do SENHOR, ano de retribuições pela contenda de Sião. 9E os seus ribeiros se tornarão em pez, e o seu pó em enxofre, e a sua terra em pez ardente. 10Nem de noite nem de dia se apagará; para sempre a sua fumaça subirá; de geração em geração será assolada; pelos séculos dos séculos ninguém passará por ela. 11Mas o pelicano e a coruja a possuirão, e o bufo e o corvo habitarão nela; e ele estenderá sobre ela o cordel de confusão e nível de vaidade. 12Eles chamarão ao reino os seus nobres, mas nenhum haverá; e todos os seus príncipes não serão coisa alguma. 13E nos seus palácios crescerão espinhos, urtigas e cardos nas suas fortalezas; e será uma habitação de chacais, e sítio para avestruzes. 14As feras do deserto se encontrarão com as feras da ilha, e o sátiro clamará ao seu companheiro; e os animais noturnos ali pousarão, e acharão lugar de repouso para si. 15Ali se aninhará a coruja e porá os seus ovos, e tirará os seus filhotes, e os recolherá debaixo da sua sombra; também ali os abutres se ajuntarão uns com os outros. 16Buscai no livro do SENHOR, e lede; nenhuma destas coisas faltará, ninguém faltará com a sua companheira; porque a minha boca tem ordenado, e o seu espírito mesmo as tem ajuntado. 17Porque ele mesmo lançou as sortes por elas, e sua mão lhas tens repartido com o cordel; para sempre a possuirão, de geração em geração habitarão nela. Isaías 35 1O DESERTO e o lugar solitário se alegrarão disto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa. 2Abundantemente florescerá, e também jubilará de alegria e cantará; a glória do Líbano se lhe deu, a excelência do Carmelo e Sarom; eles verão a glória do SENHOR, o esplendor do nosso Deus. 3Fortalecei as mãos fracas, e firmai os joelhos trementes. 4Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não temais; eis que o vosso Deus virá com vingança, com recompensa de Deus; ele virá, e vos salvará. 5Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão. 6Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo. 7E a terra seca se tornará em lagos, e a terra sedenta em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos. 8E ali haverá uma estrada, um caminho, que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para aqueles; os caminhantes, até mesmo os loucos, não errarão. 9Ali não haverá leão, nem animal feroz subirá a ele, nem se achará nele; porém só os remidos andarão por ele. 10E os resgatados do SENHOR voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido. Isaías 36 1E ACONTECEU no ano décimo quarto do rei Ezequias, que Senaqueribe, rei da Assíria, subiu contra todas as cidades fortificadas de Judá, e as tomou. 2Então o rei da Assíria enviou a Rabsaqué, de Laquis a Jerusalém, ao rei Ezequias com um grande exército, e ele parou junto ao aqueduto do açude superior, junto ao caminho do campo do lavandeiro. 3Então saíram a ter com ele Eliaquim, filho de Hilquias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joá, filho de Asafe, o cronista. 4E Rabsaqué lhes disse: Ora dizei a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da Assíria: Que confiança é esta, em que esperas? 5Bem posso eu dizer: Teu conselho e poder para a guerra são apenas vãs palavras; em quem, pois, agora confias, que contra mim te rebelas? 6Eis que confias no Egito, aquele bordão de cana quebrada, o qual, se alguém se apoiar nele lhe entrará pela mão, e a furará; assim é Faraó, rei do Egito, para com todos os que nele confiam. 7Porém se me disseres: No SENHOR, nosso Deus, confiamos; porventura não é este aquele cujos altos e altares Ezequias tirou, e disse a Judá e a Jerusalém: Perante este altar adorareis? 8Ora, pois, empenha-te com meu senhor, o rei da Assíria, e dar-te-ei dois mil cavalos, se tu puderes dar cavaleiros para eles. 9Como, pois, poderás repelir a um só capitão dos menores servos do meu senhor, quando confias no Egito, por causa dos carros e cavaleiros? 10Agora, pois, subi eu sem o SENHOR contra esta terra, para destruí-la? O SENHOR mesmo me disse: Sobe contra esta terra, e destrói-a. 11Então disseram Eliaquim, Sebna e Joá a Rabsaqué: Pedimos-te que fales aos teus servos em siríaco, porque bem o entendemos, e não nos fales em judaico, aos ouvidos do povo que está sobre o muro. 12Rabsaqué, porém, disse: Porventura mandou-me o meu SENHOR ao teu senhor e a ti, para dizer estas palavras e não antes aos homens que estão assentados sobre o muro, para que comam convosco o seu esterco, e bebam a sua urina? 13Rabsaqué, pois, se pôs em pé, e clamou em alta voz em judaico, e disse: Ouvi as palavras do grande rei, do rei da Assíria. 14Assim diz o rei: Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar. 15Nem tampouco Ezequias vos faça confiar no SENHOR, dizendo: Infalivelmente nos livrará o SENHOR, e esta cidade não será entregue nas mãos do rei da Assíria. 16Não deis ouvidos a Ezequias; porque assim diz o rei da Assíria: Aliai-vos comigo, e saí a mim, e coma cada um da sua vide, e da sua figueira, e beba cada um da água da sua cisterna; 17Até que eu venha, e vos leve para uma terra como a vossa; terra de trigo e de mosto, terra de pão e de vinhas. 18Não vos engane Ezequias, dizendo: O SENHOR nos livrará. Porventura os deuses das nações livraram cada um a sua terra das mãos do rei da Assíria? 19Onde estão os deuses de Hamate e de Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim? Porventura livraram a Samaria da minha mão? 20Quais dentre todos os deuses destes países livraram a sua terra das minhas mãos, para que o SENHOR livrasse a Jerusalém das minhas mãos? 21Eles, porém, se calaram, e não lhe responderam palavra alguma; porque havia mandado do rei, dizendo: Não lhe respondereis. 22Então Eliaquim, filho de Hilquias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joá, filho de Asafe, o cronista, vieram a Ezequias, com as vestes rasgadas, e lhe fizeram saber as palavras de Rabsaqué. Isaías 37 1E ACONTECEU que, tendo ouvido isso, o rei Ezequias rasgou as suas vestes, e se cobriu de saco, e entrou na casa do SENHOR. 2Então enviou Eliaquim, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e os anciãos dos sacerdotes, cobertos de sacos, ao profeta Isaías, filho de Amós. 3E disseram-lhe: Assim diz Ezequias: Este dia é dia de angústia, e de vitupério, e de blasfêmias; porque chegados são os filhos ao parto, e força não há para dá-los à luz. 4Porventura o SENHOR teu Deus terá ouvido as palavras de Rabsaqué, a quem o rei da Assíria, seu senhor, enviou para afrontar o Deus vivo, e para vituperá-lo com as palavras que o SENHOR teu Deus tem ouvido; faze oração pelo remanescente que ficou. 5E os servos do rei Ezequias foram ter com Isaías. 6E Isaías lhes disse: Assim direis a vosso senhor: Assim diz o SENHOR: Não temas à vista das palavras que ouviste, com as quais os servos do rei da Assíria me blasfemaram. 7Eis que porei nele um espírito, e ele ouvirá um rumor, e voltará para a sua terra; e fá-lo-ei cair morto à espada na sua terra. 8Voltou, pois, Rabsaqué, e achou ao rei da Assíria pelejando contra Libna; porque ouvira que já se havia retirado de Laquis. 9E, ouviu ele dizer que Tiraca, rei da Etiópia, tinha saído para lhe fazer guerra. Assim que ouviu isto, enviou mensageiros a Ezequias, dizendo: 10Assim falareis a Ezequias, rei de Judá, dizendo: Não te engane o teu Deus, em quem confias, dizendo: Jerusalém não será entregue na mão do rei da Assíria. 11Eis que já tens ouvido o que fizeram os reis da Assíria a todas as terras, destruindo-as totalmente; e escaparias tu? 12Porventura as livraram os deuses das nações que meus pais destruíram: Gozã, e Harã, e Rezefe, e os filhos de Éden, que estavam em Telassar? 13Onde está o rei de Hamate, e o rei de Arpade, e o rei da cidade de Sefarvaim, Hena e Iva? 14Recebendo, pois, Ezequias as cartas das mãos dos mensageiros, e lendo-as, subiu à casa do SENHOR; e Ezequias as estendeu perante o SENHOR. 15E orou Ezequias ao SENHOR, dizendo: 16Ó SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, que habitas entre os querubins; tu mesmo, só tu és Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra. 17 Inclina, ó SENHOR, o teu ouvido, e ouve; abre, SENHOR, os teus olhos, e vê; e ouve todas as palavras de Senaqueribe, as quais ele enviou para afrontar o Deus vivo. 18Verdade é, SENHOR, que os reis da Assíria assolaram todas as nações e suas terras. 19E lançaram no fogo os seus deuses; porque deuses não eram, senão obra de mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram. 20Agora, pois, ó SENHOR nosso Deus, livra-nos da sua mão; e assim saberão todos os reinos da terra, que só tu és o SENHOR. 21Então Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Quanto ao que pediste acerca de Senaqueribe, rei da Assíria, 22Esta é a palavra que o SENHOR falou a respeito dele: A virgem, a filha de Sião, te despreza, de ti zomba; a filha de Jerusalém meneia a cabeça por detrás de ti. 23A quem afrontaste e blasfemaste? E contra quem alçaste a voz, e ergueste os teus olhos ao alto? Contra o Santo de Israel. 24Por meio de teus servos afrontaste o Senhor, e disseste: Com a multidão dos meus carros subi eu aos cumes dos montes, aos últimos recessos do Líbano; e cortarei os seus altos cedros e as suas faias escolhidas, e entrarei na altura do seu cume, ao bosque do seu campo fértil. 25Eu cavei, e bebi as águas; e com as plantas de meus pés sequei todos os rios dos lugares sitiados. 26Porventura não ouviste que já há muito tempo eu fiz isto, e já desde os dias antigos o tinha formado? Agora porém o fiz vir, para que tu fosses o que destruísse as cidades fortificadas, e as reduzisse a montões de ruínas. 27Por isso os seus moradores, dispondo de pouca força, andaram atemorizados e envergonhados; tornaram-se como a erva do campo, e a relva verde, e o feno dos telhados, e o trigo queimado antes da seara. 28Porém eu conheço o teu assentar, e o teu sair, e o teu entrar, e o teu furor contra mim. 29Por causa do teu furor contra mim, e porque a tua arrogância subiu até aos meus ouvidos, portanto porei o meu anzol no teu nariz e o meu freio nos teus lábios, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste. 30E isto te será por sinal: Este ano se comerá o que espontaneamente nascer, e no segundo ano o que daí proceder; porém no terceiro ano semeai e segai, e plantai vinhas, e comei os frutos delas. 31Porque o que escapou da casa de Judá, e restou, tornará a lançar raízes para baixo, e dará fruto para cima. 32Porque de Jerusalém sairá o restante, e do monte de Sião os que escaparem; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto. 33Portanto, assim diz o SENHOR acerca do rei da Assíria: Não entrará nesta cidade, nem lançará nela flecha alguma; tampouco virá perante ela com escudo, ou levantará trincheira contra ela. 34Pelo caminho por onde vier, por esse voltará; porém nesta cidade não entrará, diz o SENHOR. 35Porque eu ampararei esta cidade, para livrá-la, por amor de mim e por amor do meu servo Davi. 36Então saiu o anjo do SENHOR, e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil deles; e, quando se levantaram pela manhã cedo, eis que todos estes eram corpos mortos. 37Assim Senaqueribe, rei da Assíria, se retirou, e se foi, e voltou, e habitou em Nínive. 38E sucedeu que, estando ele prostrado na casa de Nisroque, seu deus, Adrameleque e Sarezer, seus filhos, o feriram à espada; escaparam para a terra de Ararate; e Esar-Hadom, seu filho, reinou em seu lugar. Isaías 38 1NAQUELES dias Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal; e veio a ele o profeta Isaías, filho de Amós, e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás. 2Então virou Ezequias o seu rosto para a parede, e orou ao SENHOR. 3E disse: Ah! SENHOR, peço-te, lembra-te agora, de que andei diante de ti em verdade, e com coração perfeito, e fiz o que era reto aos teus olhos. E chorou Ezequias muitíssimo. 4Então veio a palavra do SENHOR a Isaías, dizendo: 5Vai, e dize a Ezequias: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que acrescentarei aos teus dias quinze anos. 6E livrar-te-ei das mãos do rei da Assíria, a ti, e a esta cidade, e defenderei esta cidade. 7E isto te será da parte do SENHOR como sinal de que o SENHOR cumprirá esta palavra que falou. 8Eis que farei retroceder dez graus a sombra lançada pelo sol declinante no relógio de Acaz. Assim retrocedeu o sol os dez graus que já tinha declinado. 9O escrito de Ezequias, rei de Judá, de quando adoeceu e sarou de sua enfermidade: 10Eu disse: No cessar de meus dias ir-me-ei às portas da sepultura; já estou privado do restante de meus anos. 11Disse: Não verei ao SENHOR, o SENHOR na terra dos viventes; jamais verei o homem com os moradores do mundo. 12Já o tempo da minha vida se foi, e foi arrebatada de mim, como tenda de pastor; cortei a minha vida como tecelão; ele me cortará do tear; desde a manhã até à noite me acabarás. 13Esperei com paciência até à madrugada; como um leão quebrou todos os meus ossos; desde a manhã até à noite me acabarás. 14Como o grou, ou a andorinha, assim eu chilreava, e gemia como a pomba; alçava os meus olhos ao alto; ó SENHOR, ando oprimido, fica por meu fiador. 15Que direi? Como me prometeu, assim o fez; assim passarei mansamente por todos os meus anos, por causa da amargura da minha alma. 16Senhor, por estas coisas se vive, e em todas elas está a vida do meu espírito, portanto cura-me e faze-me viver. 17Eis que foi para a minha paz que tive grande amargura, mas a ti agradou livrar a minha alma da cova da corrupção; porque lançaste para trás das tuas costas todos os meus pecados. 18Porque não te louvará a sepultura, nem a morte te glorificará; nem esperarão em tua verdade os que descem à cova. 19O vivente, o vivente, esse te louvará, como eu hoje o faço; o pai aos filhos fará notória a tua verdade. 20O SENHOR veio salvar-me; por isso, tangendo em meus instrumentos, nós o louvaremos todos os dias de nossa vida na casa do SENHOR. 21E dissera Isaías: Tomem uma pasta de figos, e a ponham como emplastro sobre a chaga; e sarará. 22Também dissera Ezequias: Qual será o sinal de que hei de subir à casa do SENHOR? Isaías 39 1NAQUELE tempo enviou Merodaque-Baladã, filho de Baladã, rei de Babilônia, cartas e um presente a Ezequias, porque tinha ouvido dizer que havia estado doente e que já tinha convalescido. 2E Ezequias se alegrou com eles, e lhes mostrou a casa do seu tesouro, a prata, e o ouro, e as especiarias, e os melhores ungüentos, e toda a sua casa de armas, e tudo quanto se achava nos seus tesouros; coisa nenhuma houve, nem em sua casa, nem em todo o seu domínio, que Ezequias não lhes mostrasse. 3Então o profeta Isaías veio ao rei Ezequias, e lhe disse: Que foi que aqueles homens disseram, e de onde vieram a ti? E disse Ezequias: De uma terra remota vieram a mim, de Babilônia. 4E disse ele: Que foi que viram em tua casa? E disse Ezequias: Viram tudo quanto há em minha casa; coisa nenhuma há nos meus tesouros que eu deixasse de lhes mostrar. 5Então disse Isaías a Ezequias: Ouve a palavra do SENHOR dos Exércitos: 6Eis que virão dias em que tudo quanto houver em tua casa, e o que entesouraram teus pais até ao dia de hoje, será levado para Babilônia; não ficará coisa alguma, disse o SENHOR. 7E até de teus filhos, que procederem de ti, e tu gerares, tomarão, para que sejam eunucos no palácio do rei de Babilônia. 8Então disse Ezequias a Isaías: Boa é a palavra do SENHOR que disseste. Disse mais: Pois haverá paz e verdade em meus dias. Isaías 40 1CONSOLAI, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. 2Falai benignamente a Jerusalém, e bradai-lhe que já a sua milícia é acabada, que a sua iniqüidade está expiada e que já recebeu em dobro da mão do SENHOR, por todos os seus pecados. 3Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. 4Todo o vale será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro será abatido; e o que é torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. 5E a glória do SENHOR se manifestará, e toda a carne juntamente a verá, pois a boca do SENHOR o disse. 6Uma voz diz: Clama; e alguém disse: Que hei de clamar? Toda a carne é erva e toda a sua beleza como a flor do campo. 7Seca-se a erva, e cai a flor, soprando nela o Espírito do SENHOR. Na verdade o povo é erva. 8Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente. 9Tu, ó Sião, que anuncias boas novas, sobe a um monte alto. Tu, ó Jerusalém, que anuncias boas novas, levanta a tua voz fortemente; levanta-a, não temas, e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus. 10Eis que o Senhor Deus virá com poder e seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão está com ele, e o seu salário diante da sua face. 11Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam guiará suavemente. 12Quem mediu na concha da sua mão as águas, e tomou a medida dos céus aos palmos, e recolheu numa medida o pó da terra e pesou os montes com peso e os outeiros em balanças? 13Quem guiou o Espírito do SENHOR, ou como seu conselheiro o ensinou? 14Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, e lhe ensinasse conhecimento, e lhe mostrasse o caminho do entendimento? 15Eis que as nações são consideradas por ele como a gota de um balde, e como o pó miúdo das balanças; eis que ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima. 16Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos. 17Todas as nações são como nada perante ele; ele as considera menos do que nada e como uma coisa vã. 18A quem, pois, fareis semelhante a Deus, ou com que o comparareis? 19O artífice funde a imagem, e o ourives a cobre de ouro, e forja para ela cadeias de prata. 20O empobrecido, que não pode oferecer tanto, escolhe madeira que não se apodrece; artífice sábio busca, para gravar uma imagem que não se pode mover. 21Porventura não sabeis? Porventura não ouvis, ou desde o princípio não se vos notificou, ou não atentastes para os fundamentos da terra? 22Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar; 23O que reduz a nada os príncipes, e torna em coisa vã os juízes da terra. 24E mal se tem plantado, mal se tem semeado, e mal se tem arraigado na terra o seu tronco, já se secam, quando ele sopra sobre eles, e um tufão os leva como a pragana. 25A quem, pois, me fareis semelhante, para que eu lhe seja igual? diz o Santo. 26Levantai ao alto os vossos olhos, e vede quem criou estas coisas; foi aquele que faz sair o exército delas segundo o seu número; ele as chama a todas pelos seus nomes; por causa da grandeza das suas forças, e porquanto é forte em poder, nenhuma delas faltará. 27Por que dizes, ó Jacó, e tu falas, ó Israel: O meu caminho está encoberto ao SENHOR, e o meu juízo passa despercebido ao meu Deus? 28Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento. 29Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. 30Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os moços certamente cairão; 31Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão. Isaías 41 1CALAI-VOS perante mim, ó ilhas, e os povos renovem as forças; cheguem-se, e então falem; cheguemo-nos juntos a juízo. 2Quem suscitou do oriente o justo e o chamou para o seu pé? Quem deu as nações à sua face e o fez dominar sobre reis? Ele os entregou à sua espada como o pó e como pragana arrebatada pelo vento ao seu arco. 3Ele os persegue e passa em paz, por uma vereda por onde os seus pés nunca tinham caminhado. 4Quem operou e fez isto, chamando as gerações desde o princípio? Eu o SENHOR, o primeiro, e com os últimos eu mesmo. 5As ilhas o viram, e temeram; os fins da terra tremeram; aproximaram-se, e vieram. 6Um ao outro ajudou, e ao seu irmão disse: Esforça-te. 7E o artífice animou ao ourives, e o que alisa com o martelo ao que bate na bigorna, dizendo da coisa soldada: Boa é. Então com pregos a firma, para que não venha a mover-se. 8Porém tu, ó Israel, servo meu, tu Jacó, a quem elegi descendência de Abraão, meu amigo; 9Tu a quem tomei desde os fins da terra, e te chamei dentre os seus mais excelentes, e te disse: Tu és o meu servo, a ti escolhi e nunca te rejeitei. 10Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça. 11Eis que, envergonhados e confundidos serão todos os que se indignaram contra ti; tornar-se-ão em nada, e os que contenderem contigo, perecerão. 12Buscá-los-ás, porém não os acharás; os que pelejarem contigo, tornar-se-ão em nada, e como coisa que não é nada, os que guerrearem contigo. 13Porque eu, o SENHOR teu Deus, te tomo pela tua mão direita; e te digo: Não temas, eu te ajudo. 14Não temas, tu verme de Jacó, povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o SENHOR, e o teu redentor é o Santo de Israel. 15Eis que farei de ti um trilho novo, que tem dentes agudos; os montes trilharás e moerás; e os outeiros tornarás como a pragana. 16Tu os padejarás e o vento os levará, e o redemoinho os espalhará; mas tu te alegrarás no SENHOR e te gloriarás no Santo de Israel. 17Os aflitos e necessitados buscam águas, e não há, e a sua língua se seca de sede; eu o SENHOR os ouvirei, eu, o Deus de Israel não os desampararei. 18Abrirei rios em lugares altos, e fontes no meio dos vales; tornarei o deserto em lagos de águas, e a terra seca em mananciais de água. 19Plantarei no deserto o cedro, a acácia, e a murta, e a oliveira; porei no ermo juntamente a faia, o pinheiro e o álamo. 20Para que todos vejam, e saibam, e considerem, e juntamente entendam que a mão do SENHOR fez isto, e o Santo de Israel o criou. 21Apresentai a vossa demanda, diz o SENHOR; trazei as vossas firmes razões, diz o Rei de Jacó. 22Tragam e anunciem-nos as coisas que hão de acontecer; anunciai-nos as coisas passadas, para que atentemos para elas, e saibamos o fim delas; ou fazei-nos ouvir as coisas futuras. 23Anunciai-nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que sois deuses; ou fazei bem, ou fazei mal, para que nos assombremos, e juntamente o vejamos. 24Eis que sois menos do que nada e a vossa obra é menos do que nada; abominação é quem vos escolhe. 25Suscitei a um do norte, e ele há de vir; desde o nascimento do sol invocará o meu nome; e virá sobre os príncipes, como sobre o lodo e, como o oleiro pisa o barro, os pisará. 26Quem anunciou isto desde o princípio, para que o possamos saber, ou desde antes, para que digamos: Justo é? Porém não há quem anuncie, nem tampouco quem manifeste, nem tampouco quem ouça as vossas palavras. 27Eu sou o que primeiro direi a Sião: Eis que ali estão; e a Jerusalém darei um anunciador de boas novas. 28E quando olhei, não havia ninguém; nem mesmo entre estes, conselheiro algum havia a quem perguntasse ou que me respondesse palavra. 29Eis que todos são vaidade; as suas obras não são coisa alguma; as suas imagens de fundição são vento e confusão. Isaías 42 1EIS aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios. 2Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça. 3A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça. 4Não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a sua lei. 5Assim diz Deus, o SENHOR, que criou os céus, e os estendeu, e espraiou a terra, e a tudo quanto produz; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela. 6Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios. 7Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas. 8Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura. 9Eis que as primeiras coisas já se cumpriram, e as novas eu vos anuncio, e, antes que venham à luz, vo-las faço ouvir. 10Cantai ao SENHOR um cântico novo, e o seu louvor desde a extremidade da terra; vós os que navegais pelo mar, e tudo quanto há nele; vós, ilhas, e seus habitantes. 11Alcem a voz o deserto e as suas cidades, com as aldeias que Quedar habita; exultem os que habitam nas rochas, e clamem do cume dos montes. 12Dêem a glória ao SENHOR, e anunciem o seu louvor nas ilhas. 13O SENHOR sairá como poderoso, como homem de guerra despertará o zelo; clamará, e fará grande ruído, e prevalecerá contra seus inimigos. 14Por muito tempo me calei; estive em silêncio, e me contive; mas agora darei gritos como a que está de parto, e a todos os assolarei e juntamente devorarei. 15Os montes e outeiros tornarei em deserto, e toda a sua erva farei secar, e tornarei os rios em ilhas, e as lagoas secarei. 16E guiarei os cegos pelo caminho que nunca conheceram, fá-los-ei caminhar pelas veredas que não conheceram; tornarei as trevas em luz perante eles, e as coisas tortas farei direitas. Estas coisas lhes farei, e nunca os desampararei. 17Tornarão atrás e confundir-se-ão de vergonha os que confiam em imagens de escultura, e dizem às imagens de fundição: Vós sois nossos deuses. 18Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver. 19Quem é cego, senão o meu servo, ou surdo como o meu mensageiro, a quem envio? E quem é cego como o que é perfeito, e cego como o servo do SENHOR? 20Tu vês muitas coisas, mas não as guardas; ainda que tenhas os ouvidos abertos, nada ouves. 21O SENHOR se agradava dele por amor da sua justiça; engrandeceu-o pela lei, e o fez glorioso. 22Mas este é um povo roubado e saqueado; todos estão enlaçados em cavernas, e escondidos em cárceres; são postos por presa, e ninguém há que os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui. 23Quem há entre vós que ouça isto, que atenda e ouça o que há de ser depois? 24Quem entregou a Jacó por despojo, e a Israel aos roubadores? Porventura não foi o SENHOR, aquele contra quem pecamos, e nos caminhos do qual não queriam andar, não dando ouvidos à sua lei? 25Por isso derramou sobre eles a indignação da sua ira, e a força da guerra, e lhes pôs labaredas em redor; porém nisso não atentaram; e os queimou, mas não puseram nisso o coração. Isaías 43 1MAS agora, assim diz o SENHOR que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. 2Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. 3Porque eu sou o SENHOR teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate, a Etiópia e a Seba em teu lugar. 4Visto que foste precioso aos meus olhos, também foste honrado, e eu te amei, assim dei os homens por ti, e os povos pela tua vida. 5Não temas, pois, porque estou contigo; trarei a tua descendência desde o oriente, e te ajuntarei desde o ocidente. 6Direi ao norte: Dá; e ao sul: Não retenhas; trazei meus filhos de longe e minhas filhas das extremidades da terra, 7A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para a minha glória: eu os formei, e também eu os fiz. 8Trazei o povo cego, que tem olhos; e os surdos, que têm ouvidos. 9Todas as nações se congreguem, e os povos se reúnam; quem dentre eles pode anunciar isto, e fazer-nos ouvir as coisas antigas? Apresentem as suas testemunhas, para que se justifiquem, e se ouça, e se diga: Verdade é. 10Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. 11Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há Salvador. 12Eu anunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR; eu sou Deus. 13Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá? 14Assim diz o SENHOR, vosso Redentor, o Santo de Israel: Por amor de vós enviei a Babilônia, e a todos fiz descer como fugitivos, os caldeus, nos navios com que se vangloriavam. 15Eu sou o SENHOR, vosso Santo, o Criador de Israel, vosso Rei. 16Assim diz o SENHOR, o que preparou no mar um caminho, e nas águas impetuosas uma vereda; 17O que fez sair o carro e o cavalo, o exército e a força; eles juntamente se deitaram, e nunca se levantarão; estão extintos; como um pavio se apagaram. 18Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. 19Eis que faço uma coisa nova, agora sairá à luz; porventura não a percebeis? Eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo. 20Os animais do campo me honrarão, os chacais, e os avestruzes; porque porei águas no deserto, e rios no ermo, para dar de beber ao meu povo, ao meu eleito. 21A esse povo que formei para mim; o meu louvor relatarão. 22Contudo tu não me invocaste a mim, ó Jacó, mas te cansaste de mim, ó Israel. 23Não me trouxeste o gado miúdo dos teus holocaustos, nem me honraste com os teus sacrifícios; não te fiz servir com ofertas, nem te fatiguei com incenso. 24Não me compraste por dinheiro cana aromática, nem com a gordura dos teus sacrifícios me satisfizeste, mas me deste trabalho com os teus pecados, e me cansaste com as tuas iniqüidades. 25Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro. 26Faze-me lembrar; entremos juntos em juízo; conta tu as tuas razões, para que te possas justificar. 27Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim. 28Por isso profanei os príncipes do santuário; e entreguei Jacó ao anátema, e Israel ao opróbrio. Isaías 44 1AGORA, pois, ouve, ó Jacó, servo meu, e tu, ó Israel, a quem escolhi. 2Assim diz o SENHOR que te criou e te formou desde o ventre, e que te ajudará: Não temas, ó Jacó, servo meu, e tu, Jesurum, a quem escolhi. 3Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes. 4E brotarão como a erva, como salgueiros junto aos ribeiros das águas. 5Este dirá: Eu sou do SENHOR; e aquele se chamará do nome de Jacó; e aquele outro escreverá com a sua mão ao SENHOR, e por sobrenome tomará o nome de Israel. 6Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, e seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus. 7E quem proclamará como eu, e anunciará isto, e o porá em ordem perante mim, desde que ordenei um povo eterno? E anuncie-lhes as coisas vindouras, e as que ainda hão de vir. 8Não vos assombreis, nem temais; porventura desde então não vo-lo fiz ouvir, e não vo-lo anunciei? Porque vós sois as minhas testemunhas. Porventura há outro Deus fora de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça. 9Todos os artífices de imagens de escultura são vaidade, e as suas coisas mais desejáveis são de nenhum préstimo; e suas próprias testemunhas, nada vêem nem entendem para que sejam envergonhados. 10Quem forma um deus, e funde uma imagem de escultura, que é de nenhum préstimo? 11Eis que todos os seus companheiros ficarão confundidos, pois os mesmos artífices não passam de homens; ajuntem-se todos, e levantem-se; assombrar-seão, e serão juntamente confundidos. 12O ferreiro, com a tenaz, trabalha nas brasas, e o forma com martelos, e o lavra com a força do seu braço; ele tem fome e a sua força enfraquece, e não bebe água, e desfalece. 13O carpinteiro estende a régua, desenha-o com uma linha, aplaina-o com a plaina, e traça-o com o compasso; e o faz à semelhança de um homem, segundo a forma de um homem, para ficar em casa. 14Quando corta para si cedros, toma, também, o cipreste e o carvalho; assim escolhe dentre as árvores do bosque; planta um olmeiro, e a chuva o faz crescer. 15Então serve ao homem para queimar; e toma deles, e se aquenta, e os acende, e coze o pão; também faz um deus, e se prostra diante dele; também fabrica uma imagem de escultura, e ajoelha-se diante dela. 16Metade dele queima no fogo, com a outra metade prepara a carne para comer, assa-a e farta-se dela; também se aquenta, e diz: Ora já me aquentei, já vi o fogo. 17Então do resto faz um deus, uma imagem de escultura; ajoelha-se diante dela, e se inclina, e roga-lhe, e diz: Livra-me, porquanto tu és o meu deus. 18Nada sabem, nem entendem; porque tapou os olhos para que não vejam, e os seus corações para que não entendam. 19E nenhum deles cai em si, e já não têm conhecimento nem entendimento para dizer: Metade queimei no fogo, e cozi pão sobre as suas brasas, assei sobre elas carne, e a comi; e faria eu do resto uma abominação? Ajoelhar-me-ei ao que saiu de uma árvore? 20Apascenta-se de cinza; o seu coração enganado o desviou, de maneira que já não pode livrar a sua alma, nem dizer: Porventura não há uma mentira na minha mão direita? 21Lembra-te destas coisas, ó Jacó, e Israel, porquanto és meu servo; eu te formei, meu servo és, ó Israel, não me esquecerei de ti. 22Apaguei as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi. 23Cantai alegres, vós, ó céus, porque o SENHOR o fez; exultai vós, as partes mais baixas da terra; vós, montes, retumbai com júbilo; também vós, bosques, e todas as suas árvores; porque o SENHOR remiu a Jacó, e glorificou-se em Israel. 24Assim diz o SENHOR, teu redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o SENHOR que faço tudo, que sozinho estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo; 25Que desfaço os sinais dos inventores de mentiras, e enlouqueço os adivinhos; que faço tornar atrás os sábios, e converto em loucura o conhecimento deles; 26Que confirmo a palavra do seu servo, e cumpro o conselho dos seus mensageiros; que digo a Jerusalém: Tu serás habitada, e às cidades de Judá: Sereis edificadas, e eu levantarei as suas ruínas; 27Que digo à profundeza: Seca-te, e eu secarei os teus rios. 28Que digo de Ciro: É meu pastor, e cumprirá tudo o que me apraz, dizendo também a Jerusalém: Tu serás edificada; e ao templo: Tu serás fundado. Isaías 45 1ASSIM diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. 2Eu irei adiante de ti, e endireitarei os caminhos tortuosos; quebrarei as portas de bronze, e despedaçarei os ferrolhos de ferro. 3Dar-te-ei os tesouros escondidos, e as riquezas encobertas, para que saibas que eu sou o SENHOR, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome. 4Por amor de meu servo Jacó, e de Israel, meu eleito, eu te chamei pelo teu nome, pus o teu sobrenome, ainda que não me conhecesses. 5Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças; 6Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro. 7Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas. 8Destilai, ó céus, dessas alturas, e as nuvens chovam justiça; abra-se a terra, e produza a salvação, e ao mesmo tempo frutifique a justiça; eu, o SENHOR, as criei. 9Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos? 10Ai daquele que diz ao pai: Que é o que geras? E à mulher: Que dás tu à luz? 11Assim diz o SENHOR, o Santo de Israel, aquele que o formou: Perguntai-me as coisas futuras; demandai-me acerca de meus filhos, e acerca da obra das minhas mãos. 12Eu fiz a terra, e criei nela o homem; eu o fiz; as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as minhas ordens. 13Eu o despertei em justiça, e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a minha cidade, e soltará os meus cativos, não por preço nem por presente, diz o SENHOR dos Exércitos. 14Assim diz o SENHOR: O trabalho do Egito, e o comércio dos etíopes e dos sabeus, homens de alta estatura, passarão para ti, e serão teus; irão atrás de ti, virão em grilhões, e diante de ti se prostrarão; far-te-ão as suas súplicas, dizendo: Deveras Deus está em ti, e não há nenhum outro Deus. 15Verdadeiramente tu és o Deus que te ocultas, o Deus de Israel, o Salvador. 16Envergonhar-se-ão, e também se confundirão todos; cairão juntamente na afronta os que fabricam imagens. 17Porém Israel é salvo pelo SENHOR, com uma eterna salvação; por isso não sereis envergonhados nem confundidos em toda a eternidade. 18Porque assim diz o SENHOR que tem criado os céus, o Deus que formou a terra, e a fez; ele a confirmou, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada: Eu sou o SENHOR e não há outro. 19Não falei em segredo, nem em lugar algum escuro da terra; não disse à descendência de Jacó: Buscai-me em vão; eu sou o SENHOR, que falo a justiça, e anuncio coisas retas. 20Congregai-vos, e vinde; chegai-vos juntos, os que escapastes das nações; nada sabem os que conduzem em procissão as suas imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar. 21Anunciai, e chegai-vos, e tomai conselho todos juntos; quem fez ouvir isto desde a antiguidade? Quem desde então o anunciou? Porventura não sou eu, o SENHOR? Pois não há outro Deus senão eu; Deus justo e Salvador não há além de mim. 22Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro. 23Por mim mesmo tenho jurado, já saiu da minha boca a palavra de justiça, e não tornará atrás; que diante de mim se dobrará todo o joelho, e por mim jurará toda a língua. 24De mim se dirá: Deveras no SENHOR há justiça e força; até ele virão, mas serão envergonhados todos os que se indignarem contra ele. 25Mas no SENHOR será justificada, e se gloriará toda a descendência de Israel. Isaías 46 1BEL está abatido, Nebo se encurvou, os seus ídolos são postos sobre os animais e sobre as feras; as cargas dos vossos fardos são canseiras para as feras já cansadas. 2Juntamente se encurvaram e se abateram; não puderam livrar-se da carga, mas a sua alma entrou em cativeiro. 3Ouvi-me, ó casa de Jacó, e todo o restante da casa de Israel; vós a quem trouxe nos braços desde o ventre, e sois levados desde a madre. 4E até à velhice eu serei o mesmo, e ainda até às cãs eu vos carregarei; eu vos fiz, e eu vos levarei, e eu vos trarei, e vos livrarei. 5A quem me assemelhareis, e com quem me igualareis, e me comparareis, para que sejamos semelhantes? 6Gastam o ouro da bolsa, e pesam a prata nas balanças; assalariam o ourives, e ele faz um deus, e diante dele se prostram e se inclinam. 7Sobre os ombros o tomam, o levam, e o põem no seu lugar; ali fica em pé, do seu lugar não se move; e, se alguém clama a ele, resposta nenhuma dá, nem livra alguém da sua tribulação. 8Lembrai-vos disto, e considerai; trazei-o à memória, ó prevaricadores. 9Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. 10Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade. 11Que chamo a ave de rapina desde o oriente, e de uma terra remota o homem do meu conselho; porque assim o disse, e assim o farei vir; eu o formei, e também o farei. 12Ouvi-me, ó duros de coração, os que estais longe da justiça. 13Faço chegar a minha justiça, e não estará ao longe, e a minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião a salvação, e em Israel a minha glória. Isaías 47 1DESCE, e assenta-te no pó, ó virgem filha de Babilônia; assenta-te no chão; já não há trono, ó filha dos caldeus, porque nunca mais serás chamada a tenra nem a delicada. 2Toma a mó, e mói a farinha; remove o teu véu, descalça os pés, descobre as pernas e passa os rios. 3A tua vergonha se descobrirá, e ver-se-á o teu opróbrio; tomarei vingança, e não pouparei a homem algum. 4O nosso redentor cujo nome é o SENHOR dos Exércitos, é o Santo de Israel. 5Assenta-te calada, e entra nas trevas, ó filha dos caldeus, porque nunca mais serás chamada senhora de reinos. 6Muito me agastei contra o meu povo, profanei a minha herança, e os entreguei na tua mão; porém não usaste com eles de misericórdia, e até sobre os velhos fizeste muito pesado o teu jugo. 7E disseste: Eu serei senhora para sempre; até agora não te importaste com estas coisas, nem te lembraste do fim delas. 8Agora, pois, ouve isto, tu que és dada a prazeres, que habitas tão segura, que dizes no teu coração: Eu o sou, e fora de mim não há outra; não ficarei viúva, nem conhecerei a perda de filhos. 9Porém ambas estas coisas virão sobre ti num momento, no mesmo dia, perda de filhos e viuvez; em toda a sua plenitude virão sobre ti, por causa da multidão das tuas feitiçarias, e da grande abundância dos teus muitos encantamentos. 10Porque confiaste na tua maldade e disseste: Ninguém me pode ver; a tua sabedoria e o teu conhecimento, isso te fez desviar, e disseste no teu coração: Eu sou, e fora de mim não há outra. 11Portanto sobre ti virá o mal, sem que saibas a sua origem, e tal destruição cairá sobre ti, sem que a possas evitar; e virá sobre ti de repente desolação que não poderás conhecer. 12Deixa-te estar com os teus encantamentos, e com a multidão das tuas feitiçarias, em que trabalhaste desde a tua mocidade, a ver se podes tirar proveito, ou se porventura te podes fortalecer. 13Cansaste-te na multidão dos teus conselhos; levantem-se pois agora os agoureiros dos céus, os que contemplavam os astros, os prognosticadores das luas novas, e salvem-te do que há de vir sobre ti. 14Eis que serão como a pragana, o fogo os queimará; não poderão salvar a sua vida do poder das chamas; não haverá brasas, para se aquentar, nem fogo para se assentar junto dele. 15Assim serão para contigo aqueles com quem trabalhaste, os teus negociantes desde a tua mocidade; cada qual irá vagueando pelo seu caminho; ninguém te salvará. Isaías 48 1OUVI isto, casa de Jacó, que vos chamais do nome de Israel, e saístes das águas de Judá, que jurais pelo nome do SENHOR, e fazeis menção do Deus de Israel, mas não em verdade nem em justiça. 2E até da santa cidade tomam o nome e se firmam sobre o Deus de Israel; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome. 3As primeiras coisas desde a antiguidade as anunciei; da minha boca saíram, e eu as fiz ouvir; apressuradamente as fiz, e aconteceram. 4Porque eu sabia que eras duro, e a tua cerviz um nervo de ferro, e a tua testa de bronze. 5Por isso te anunciei desde então, e te fiz ouvir antes que acontecesse, para que não dissesses: O meu ídolo fez estas coisas, e a minha imagem de escultura, e a minha imagem de fundição as mandou. 6Já o tens ouvido; olha bem para tudo isto; porventura não o anunciareis? Desde agora te faço ouvir coisas novas e ocultas, e que nunca conheceste. 7Agora são criadas, e não de há muito, e antes deste dia não as ouviste, para que porventura não digas: Eis que eu já as sabia. 8Nem tu as ouviste, nem tu as conheceste, nem tampouco há muito foi aberto o teu ouvido, porque eu sabia que procederias muito perfidamente, e que eras chamado transgressor desde o ventre. 9Por amor do meu nome retardarei a minha ira, e por amor do meu louvor me refrearei para contigo, para que te não venha a cortar. 10Eis que já te purifiquei, mas não como a prata; escolhi-te na fornalha da aflição. 11Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque, como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem. 12Dá-me ouvidos, ó Jacó, e tu, ó Israel, a quem chamei; eu sou o mesmo, eu o primeiro, eu também o último. 13Também a minha mão fundou a terra, e a minha destra mediu os céus a palmos; eu os chamarei, e aparecerão juntos. 14Ajuntai-vos todos vós, e ouvi: Quem, dentre eles, tem anunciado estas coisas? O SENHOR o amou, e executará a sua vontade contra Babilônia, e o seu braço será contra os caldeus. 15Eu, eu o tenho falado; também já o chamei, e o trarei, e farei próspero o seu caminho. 16Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e agora o Senhor Deus me enviou a mim, e o seu Espírito. 17Assim diz o SENHOR, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o SENHOR teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar. 18Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar! 19Também a tua descendência seria como a areia, e os que procedem das tuas entranhas como os seus grãos; o seu nome nunca seria cortado nem destruído de diante de mim. 20Saí de Babilônia, fugi de entre os caldeus. E anunciai com voz de júbilo, fazei ouvir isso, e levai-o até ao fim da terra; dizei: O SENHOR remiu a seu servo Jacó. 21E não tinham sede, quando os levava pelos desertos; fez-lhes correr água da rocha; fendeu a rocha, e as águas correram. 22Mas os ímpios não têm paz, diz o SENHOR. Isaías 49 1OUVI-ME, ilhas, e escutai vós, povos de longe: O SENHOR me chamou desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe fez menção do meu nome. 2E fez a minha boca como uma espada aguda, com a sombra da sua mão me cobriu; e me pôs como uma flecha limpa, e me escondeu na sua aljava; 3E me disse: Tu és meu servo; és Israel, aquele por quem hei de ser glorificado. 4Porém eu disse: Debalde tenho trabalhado, inútil e vãmente gastei as minhas forças; todavia o meu direito está perante o SENHOR, e o meu galardão perante o meu Deus. 5E agora diz o SENHOR, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó; porém Israel não se deixará ajuntar; contudo aos olhos do SENHOR serei glorificado, e o meu Deus será a minha força. 6Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra. 7Assim diz o SENHOR, o Redentor de Israel, o seu Santo, à alma desprezada, ao que a nação abomina, ao servo dos que dominam: Os reis o verão, e se levantarão, como também os príncipes, e eles diante de ti se inclinarão, por amor do SENHOR, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu. 8Assim diz o SENHOR: No tempo aceitável te ouvi e no dia da salvação te ajudei, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, para restaurares a terra, e dar-lhes em herança as herdades assoladas; 9Para dizeres aos presos: Saí; e aos que estão em trevas: Aparecei. Eles pastarão nos caminhos, e em todos os lugares altos haverá o seu pasto. 10Nunca terão fome, nem sede, nem o calor, nem o sol os afligirá; porque o que se compadece deles os guiará e os levará mansamente aos mananciais das águas. 11E farei de todos os meus montes um caminho; e as minhas estradas serão levantadas. 12Eis que estes virão de longe, e eis que aqueles do norte, e do ocidente, e aqueles outros da terra de Sinim. 13Exultai, ó céus, e alegra-te, ó terra, e vós, montes, estalai com júbilo, porque o SENHOR consolou o seu povo, e dos seus aflitos se compadecerá. 14Porém Sião diz: Já me desamparou o SENHOR, e o meu Senhor se esqueceu de mim. 15Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. 16Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim. 17Os teus filhos pressurosamente virão, mas os teus destruidores e os teus assoladores sairão do meio de ti. 18Levanta os teus olhos ao redor, e olha; todos estes que se ajuntam vêm a ti; vivo eu, diz o SENHOR, que de todos estes te vestirás, como de um ornamento, e te cingirás deles como noiva. 19Porque nos teus desertos, e nos teus lugares solitários, e na tua terra destruída, agora te verás apertada de moradores, e os que te devoravam se afastarão para longe de ti. 20E até mesmo os filhos da tua orfandade dirão aos teus ouvidos: Muito estreito é para mim este lugar; aparta-te de mim, para que possa habitar nele. 21E dirás no teu coração: Quem me gerou estes? Pois eu estava desfilhada e solitária; entrara em cativeiro, e me retirara; quem, pois, me criou estes? Eis que eu fui deixada sozinha; e estes onde estavam? 22Assim diz o Senhor Deus: Eis que levantarei a minha mão para os gentios, e ante os povos arvorarei a minha bandeira; então trarão os teus filhos nos braços, e as tuas filhas serão levadas sobre os ombros. 23E os reis serão os teus aios, e as suas rainhas as tuas amas; diante de ti se inclinarão com o rosto em terra, e lamberão o pó dos teus pés; e saberás que eu sou o SENHOR, que os que confiam em mim não serão confundidos. 24Porventura tirar-se-ia a presa ao poderoso, ou escapariam os legalmente presos? 25Mas assim diz o SENHOR: Por certo que os presos se tirarão ao poderoso, e a presa do tirano escapará; porque eu contenderei com os que contendem contigo, e os teus filhos eu remirei. 26E sustentarei os teus opressores com a sua própria carne, e com o seu próprio sangue se embriagarão, como com mosto; e toda a carne saberá que eu sou o SENHOR, o teu Salvador, e o teu Redentor, o Forte de Jacó. Isaías 50 1ASSIM diz o SENHOR: Onde está a carta de divórcio de vossa mãe, pela qual eu a repudiei? Ou quem é o meu credor a quem eu vos tenha vendido? Eis que por vossas maldades fostes vendidos, e por vossas transgressões vossa mãe foi repudiada. 2Por que razão vim eu, e ninguém apareceu? Chamei, e ninguém respondeu? Porventura tanto se encolheu a minha mão, que já não possa remir? Ou não há mais força em mim para livrar? Eis que com a minha repreensão faço secar o mar, torno os rios em deserto, até que cheirem mal os seus peixes, porquanto não têm água e morrem de sede. 3Eu visto os céus de negridão, pôr-lhes-ei um saco para a sua cobertura. 4O Senhor Deus me deu uma língua erudita, para que eu saiba dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado. Ele desperta-me todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça, como aqueles que aprendem. 5O Senhor Deus me abriu os ouvidos, e eu não fui rebelde; não me retirei para trás. 6As minhas costas ofereci aos que me feriam, e a minha face aos que me arrancavam os cabelos; não escondi a minha face dos que me afrontavam e me cuspiam. 7Porque o Senhor Deus me ajuda, assim não me confundo; por isso pus o meu rosto como um seixo, porque sei que não serei envergonhado. 8Perto está o que me justifica; quem contenderá comigo? Compareçamos juntamente; quem é meu adversário? Chegue-se para mim. 9Eis que o Senhor Deus me ajuda; quem há que me condene? Eis que todos eles como roupas se envelhecerão, e a traça os comerá. 10Quem há entre vós que tema ao SENHOR e ouça a voz do seu servo? Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do SENHOR, e firmese sobre o seu Deus. 11Eis que todos vós, que acendeis fogo, e vos cingis com faíscas, andai entre as labaredas do vosso fogo, e entre as faíscas, que acendestes. Isto vos sobrevirá da minha mão, e em tormentos jazereis. Isaías 51 1OUVI-ME, vós os que seguis a justiça, os que buscais ao SENHOR. Olhai para a rocha de onde fostes cortados, e para a caverna do poço de onde fostes cavados. 2Olhai para Abraão, vosso pai, e para Sara, que vos deu à luz; porque, sendo ele só, o chamei, e o abençoei e o multipliquei. 3Porque o SENHOR consolará a Sião; consolará a todos os seus lugares assolados, e fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão como o jardim do SENHOR; gozo e alegria se achará nela, ação de graças, e voz de melodia. 4Atendei-me, povo meu, e nação minha, inclinai os ouvidos para mim; porque de mim sairá a lei, e o meu juízo farei repousar para a luz dos povos. 5Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me aguardarão, e no meu braço esperarão. 6Levantai os vossos olhos para os céus, e olhai para a terra em baixo, porque os céus desaparecerão como a fumaça, e a terra se envelhecerá como roupa, e os seus moradores morrerão semelhantemente; porém a minha salvação durará para sempre, e a minha justiça não será abolida. 7Ouvi-me, vós que conheceis a justiça, povo em cujo coração está a minha lei; não temais o opróbrio dos homens, nem vos turbeis pelas suas injúrias. 8Porque a traça os roerá como a roupa, e o bicho os comerá como a lã; mas a minha justiça durará para sempre, e a minha salvação de geração em geração. 9Desperta, desperta, veste-te de força, ó braço do SENHOR; desperta como nos dias passados, como nas gerações antigas. Não és tu aquele que cortou em pedaços a Raabe, o que feriu ao chacal? 10Não és tu aquele que secou o mar, as águas do grande abismo? O que fez o caminho no fundo do mar, para que passassem os remidos? 11Assim voltarão os resgatados do SENHOR, e virão a Sião com júbilo, e perpétua alegria haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, a tristeza e o gemido fugirão. 12Eu, eu sou aquele que vos consola; quem, pois, és tu para que temas o homem que é mortal, ou o filho do homem, que se tornará em erva? 13E te esqueces do SENHOR que te criou, que estendeu os céus, e fundou a terra, e temes continuamente todo o dia o furor do angustiador, quando se prepara para destruir; pois onde está o furor do que te atribulava? 14O exilado cativo depressa será solto, e não morrerá na caverna, e o seu pão não lhe faltará. 15Porque eu sou o SENHOR teu Deus, que agito o mar, de modo que bramem as suas ondas. O SENHOR dos Exércitos é o seu nome. 16E ponho as minhas palavras na tua boca, e te cubro com a sombra da minha mão; para plantar os céus, e para fundar a terra, e para dizer a Sião: Tu és o meu povo. 17Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que bebeste da mão do SENHOR o cálice do seu furor; bebeste e sorveste os sedimentos do cálice do atordoamento. 18De todos os filhos que ela teve, nenhum há que a guie mansamente; e de todos os filhos que criou, nenhum há que a tome pela mão. 19Estas duas coisas te aconteceram; quem terá compaixão de ti? A assolação, e o quebrantamento, e a fome, e a espada! Por quem te consolarei? 20Os teus filhos já desmaiaram, jazem nas entradas de todos os caminhos, como o antílope na rede; cheios estão do furor do SENHOR e da repreensão do teu Deus. 21Portanto agora ouve isto, ó aflita, e embriagada, mas não de vinho. 22Assim diz o teu Senhor o SENHOR, e o teu Deus, que pleiteará a causa do seu povo: Eis que eu tomo da tua mão o cálice do atordoamento, os sedimentos do cálice do meu furor, nunca mais dele beberás. 23Porém, pô-lo-ei nas mãos dos que te entristeceram, que disseram à tua alma: Abaixa-te, e passaremos sobre ti; e tu puseste as tuas costas como chão, e como caminho, aos viandantes. Isaías 52 1DESPERTA, desperta, veste-te da tua fortaleza, ó Sião; veste-te das tuas roupas formosas, ó Jerusalém, cidade santa, porque nunca mais entrará em ti nem incircunciso nem imundo. 2Sacode-te do pó, levanta-te, e assenta-te, ó Jerusalém: solta-te das cadeias de teu pescoço, ó cativa filha de Sião. 3Porque assim diz o SENHOR: Por nada fostes vendidos; também sem dinheiro sereis resgatados. 4Porque assim diz o Senhor Deus: O meu povo em tempos passados desceu ao Egito, para peregrinar lá, e a Assíria sem razão o oprimiu. 5E agora, que tenho eu que fazer aqui, diz o SENHOR, pois o meu povo foi tomado sem nenhuma razão? Os que dominam sobre ele dão uivos, diz o SENHOR; e o meu nome é blasfemado incessantemente o dia todo. 6Portanto o meu povo saberá o meu nome; pois, naquele dia, saberá que sou eu mesmo o que falo: Eis-me aqui. 7Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina! 8Eis a voz dos teus atalaias! Eles alçam a voz, juntamente exultam; porque olho a olho verão, quando o SENHOR fizer Sião voltar. 9Clamai cantando, exultai juntamente, desertos de Jerusalém; porque o SENHOR consolou o seu povo, remiu a Jerusalém. 10O SENHOR desnudou o seu santo braço perante os olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus. 11Retirai-vos, retirai-vos, saí daí, não toqueis coisa imunda; saí do meio dela, purificai-vos, os que levais os vasos do SENHOR. 12Porque vós não saireis apressadamente, nem ireis fugindo; porque o SENHOR irá diante de vós, e o Deus de Israel será a vossa retaguarda. 13Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime. 14Como pasmaram muitos à vista dele, pois o seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua figura mais do que a dos outros filhos dos homens. 15Assim borrifará muitas nações, e os reis fecharão as suas bocas por causa dele; porque aquilo que não lhes foi anunciado verão, e aquilo que eles não ouviram entenderão. Isaías 53 1QUEM deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do SENHOR? 2Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos. 3Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. 4Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. 5Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. 6Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. 7Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. 8Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido. 9E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. 10Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão. 11Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si. 12Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores. Isaías 54 1CANTA alegremente, ó estéril, que não deste à luz; rompe em cântico, e exclama com alegria, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária, do que os filhos da casada, diz o SENHOR. 2Amplia o lugar da tua tenda, e estendam-se as cortinas das tuas habitações; não o impeças; alonga as tuas cordas, e fixa bem as tuas estacas. 3Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; e a tua descendência possuirá os gentios e fará que sejam habitadas as cidades assoladas. 4Não temas, porque não serás envergonhada; e não te envergonhes, porque não serás humilhada; antes te esquecerás da vergonha da tua mocidade, e não te lembrarás mais do opróbrio da tua viuvez. 5Porque o teu Criador é o teu marido; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; que é chamado o Deus de toda a terra. 6Porque o SENHOR te chamou como a mulher desamparada e triste de espírito; como a mulher da mocidade, que fora desprezada, diz o teu Deus. 7Por um breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias te recolherei; 8Com um pouco de ira escondi a minha face de ti por um momento; mas com benignidade eterna me compadecerei de ti, diz o SENHOR, o teu Redentor. 9Porque isto será para mim como as águas de Noé; pois jurei que as águas de Noé não passariam mais sobre a terra; assim jurei que não me irarei mais contra ti, nem te repreenderei. 10Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão abalados; porém a minha benignidade não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não mudará, diz o SENHOR que se compadece de ti. 11Tu, oprimida, arrojada com a tormenta e desconsolada, eis que eu assentarei as tuas pedras com todo o ornamento, e te fundarei sobre as safiras. 12E farei os teus vitrais de rubis, e as tuas portas de carbúnculos, e todos os teus termos de pedras aprazíveis. 13E todos os teus filhos serão ensinados do SENHOR; e a paz de teus filhos será abundante. 14Com justiça serás estabelecida; estarás longe da opressão, porque já não temerás; e também do terror, porque não chegará a ti. 15Eis que seguramente poderão vir a juntar-se contra ti, mas não será por mim; quem se ajuntar contra ti cairá por causa de ti. 16Eis que eu criei o ferreiro, que assopra as brasas no fogo, e que produz a ferramenta para a sua obra; também criei o assolador, para destruir. 17Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará, e toda a língua que se levantar contra ti em juízo tu a condenarás; esta é a herança dos servos do SENHOR, e a sua justiça que de mim procede, diz o SENHOR. Isaías 55 1Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. 2Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura. 3 Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi. 4Eis que eu o dei por testemunha aos povos, como líder e governador dos povos. 5Eis que chamarás a uma nação que não conheces, e uma nação que nunca te conheceu correrá para ti, por amor do SENHOR teu Deus, e do Santo de Israel; porque ele te glorificou. 6Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. 7Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar. 8Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR. 9Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos. 10Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, 11Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei. 12Porque com alegria saireis, e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cântico diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas. 13Em lugar do espinheiro crescerá a faia, e em lugar da sarça crescerá a murta; o que será para o SENHOR por nome, e por sinal eterno, que nunca se apagará. Isaías 56 1ASSIM diz o SENHOR: Guardai o juízo, e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, para se manifestar. 2Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o sábado, e guarda a sua mão de fazer algum mal. 3E não fale o filho do estrangeiro, que se houver unido ao SENHOR, dizendo: Certamente o SENHOR me separará do seu povo; nem tampouco diga o eunuco: Eis que sou uma árvore seca. 4Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos, que guardam os meus sábados, e escolhem aquilo em que eu me agrado, e abraçam a minha aliança: 5Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará. 6E aos filhos dos estrangeiros, que se unirem ao SENHOR, para o servirem, e para amarem o nome do SENHOR, e para serem seus servos, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança, 7Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. 8Assim diz o Senhor Deus, que congrega os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que já se lhe ajuntaram. 9Vós, todos os animais do campo, todos os animais dos bosques, vinde comer. 10Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados, e gostam do sono. 11E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte. 12Vinde, dizem, trarei vinho, e beberemos bebida forte; e o dia de amanhã será como este, e ainda muito mais abundante. Isaías 57 1PERECE o justo, e não há quem considere isso em seu coração, e os homens compassivos são recolhidos, sem que alguém considere que o justo é levado antes do mal. 2Entrará em paz; descansarão nas suas camas, os que houverem andado na sua retidão. 3Mas chegai-vos aqui, vós os filhos da agoureira, descendência adulterina, e de prostituição. 4De quem fazeis o vosso passatempo? Contra quem escancarais a boca, e deitais para fora a língua? Porventura não sois filhos da transgressão, descendência da falsidade, 5Que vos inflamais com os deuses debaixo de toda a árvore verde, e sacrificais os filhos nos ribeiros, nas fendas dos penhascos? 6Nas pedras lisas dos ribeiros está a tua parte; estas, estas são a tua sorte; sobre elas também derramaste a tua libação, e lhes ofereceste ofertas; contentar-me-ia eu com estas coisas? 7Sobre o monte alto e levantado pões a tua cama; e lá subiste para oferecer sacrifícios. 8E detrás das portas, e dos umbrais puseste o teu memorial; pois te descobriste a outros que não a mim, e subiste, alargaste a tua cama, e fizeste aliança com alguns deles; amaste a sua cama, onde quer que a viste. 9E foste ao rei com óleo, e multiplicaste os teus perfumes e enviaste os teus embaixadores para longe, e te abateste até ao inferno. 10Na tua comprida viagem te cansaste; porém não disseste: Não há esperança; achaste novo vigor na tua mão; por isso não adoeceste. 11Mas de quem tiveste receio, ou temor, para que mentisses, e não te lembrasses de mim, nem no teu coração me pusesses? Não é porventura porque eu me calei, e isso há muito tempo, e não me temes? 12Eu publicarei a tua justiça, e as tuas obras, que não te aproveitarão. 13Quando clamares, livrem-te os ídolos que ajuntaste; mas o vento a todos levará, e um sopro os arrebatará; mas o que confia em mim possuirá a terra, e herdará o meu santo monte. 14E dir-se-á: Aplanai, aplanai a estrada, preparai o caminho; tirai os tropeços do caminho do meu povo. 15Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos. 16Porque não contenderei para sempre, nem continuamente me indignarei; porque o espírito perante a minha face se desfaleceria, e as almas que eu fiz. 17Pela iniqüidade da sua avareza me indignei, e o feri; escondi-me, e indigneime; contudo, rebelde, seguiu o caminho do seu coração. 18Eu vejo os seus caminhos, e o sararei, e o guiarei, e lhe tornarei a dar consolação, a saber, aos seus pranteadores. 19Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei. 20Mas os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar, e as suas águas lançam de si lama e lodo. 21Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus. Isaías 58 1CLAMA em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados. 2Todavia me procuram cada dia, tomam prazer em saber os meus caminhos, como um povo que pratica justiça, e não deixa o direito do seu Deus; perguntam- me pelos direitos da justiça, e têm prazer em se chegarem a Deus, 3Dizendo: Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas, e tu não o sabes? Eis que no dia em que jejuais achais o vosso próprio contentamento, e requereis todo o vosso trabalho. 4Eis que para contendas e debates jejuais, e para ferirdes com punho iníquo; não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto. 5Seria este o jejum que eu escolheria, que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao SENHOR? 6Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? 7Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? 8Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda. 9Então clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente; 10E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. 11E o SENHOR te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam. 12E os que de ti procederem edificarão as antigas ruínas; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador das roturas, e restaurador de veredas para morar. 13Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, 14Então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse. Isaías 59 1EIS que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir. 2Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça. 3Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue, e os vossos dedos de iniqüidade; os vossos lábios falam falsidade, a vossa língua pronuncia perversidade. 4Ninguém há que clame pela justiça, nem ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal, e dão à luz a iniqüidade. 5Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá; e, quebrando-os, sairá uma víbora. 6As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniqüidade, e obra de violência há nas suas mãos. 7Os seus pés correm para o mal, e se apressam para derramarem o sangue inocente; os seus pensamentos são pensamentos de iniqüidade; destruição e quebrantamento há nas suas estradas. 8Não conhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; todo aquele que anda por elas não tem conhecimento da paz. 9Por isso o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão. 10Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos. 11Todos nós bramamos como ursos, e continuamente gememos como pombas; esperamos pelo juízo, e não o há; pela salvação, e está longe de nós. 12Porque as nossas transgressões se multiplicaram perante ti, e os nossos pecados testificam contra nós; porque as nossas transgressões estão conosco, e conhecemos as nossas iniqüidades; 13Como o prevaricar, e mentir contra o SENHOR, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade. 14Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a eqüidade não pode entrar. 15Sim, a verdade desfalece, e quem se desvia do mal arrisca-se a ser despojado; e o SENHOR viu, e pareceu mal aos seus olhos que não houvesse justiça. 16E vendo que ninguém havia, maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; por isso o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve. 17Pois vestiu-se de justiça, como de uma couraça, e pôs o capacete da salvação na sua cabeça, e por vestidura pôs sobre si vestes de vingança, e cobriu-se de zelo, como de um manto. 18Conforme forem as obras deles, assim será a sua retribuição, furor aos seus adversários, e recompensa aos seus inimigos; às ilhas dará ele a sua recompensa. 19Então temerão o nome do SENHOR desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do SENHOR arvorará contra ele a sua bandeira. 20E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o SENHOR. 21Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre. Isaías 60 1LEVANTA-TE, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR vai nascendo sobre ti; 2Porque eis que as trevas cobriram a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o SENHOR virá surgindo, e a sua glória se verá sobre ti. 3E os gentios caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor que te nasceu. 4Levanta em redor os teus olhos, e vê; todos estes já se ajuntaram, e vêm a ti; teus filhos virão de longe, e tuas filhas serão criadas ao teu lado. 5Então o verás, e serás iluminado, e o teu coração estremecerá e se alargará; porque a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas dos gentios virão a ti. 6A multidão de camelos te cobrirá, os dromedários de Midiã e Efá; todos virão de Sabá; ouro e incenso trarão, e publicarão os louvores do SENHOR. 7Todas as ovelhas de Quedar se congregarão a ti; os carneiros de Nebaiote te servirão; com agrado subirão ao meu altar, e eu glorificarei a casa da minha glória. 8Quem são estes que vêm voando como nuvens, e como pombas às suas janelas? 9Certamente as ilhas me aguardarão, e primeiro os navios de Társis, para trazer teus filhos de longe, e com eles a sua prata e o seu ouro, para o nome do SENHOR teu Deus, e para o Santo de Israel, porquanto ele te glorificou. 10E os filhos dos estrangeiros edificarão os teus muros, e os seus reis te servirão; porque no meu furor te feri, mas na minha benignidade tive misericórdia de ti. 11E as tuas portas estarão abertas de contínuo, nem de dia nem de noite se fecharão; para que tragam a ti as riquezas dos gentios, e, conduzidos com elas, os seus reis. 12Porque a nação e o reino que não te servirem perecerão; sim, essas nações serão de todo assoladas. 13A glória do Líbano virá a ti; a faia, o pinheiro, e o álamo conjuntamente, para ornarem o lugar do meu santuário, e glorificarei o lugar dos meus pés. 14Também virão a ti, inclinando-se, os filhos dos que te oprimiram; e prostrar-seão às plantas dos teus pés todos os que te desprezaram; e chamar-te-ão a cidade do SENHOR, a Sião do Santo de Israel. 15Em lugar de seres deixada, e odiada, de modo que ninguém passava por ti, farte-ei uma excelência perpétua, um gozo de geração em geração. 16E mamarás o leite dos gentios, e alimentar-te-ás ao peito dos reis; e saberás que eu sou o SENHOR, o teu Salvador, e o teu Redentor, o Poderoso de Jacó. 17Por cobre trarei ouro, e por ferro trarei prata, e por madeira, bronze, e por pedras, ferro; e farei pacíficos os teus oficiais e justos os teus exatores. 18Nunca mais se ouvirá de violência na tua terra, desolação nem destruição nos teus termos; mas aos teus muros chamarás Salvação, e às tuas portas Louvor. 19Nunca mais te servirá o sol para luz do dia nem com o seu resplendor a lua te iluminará; mas o SENHOR será a tua luz perpétua, e o teu Deus a tua glória. 20Nunca mais se porá o teu sol, nem a tua lua minguará; porque o SENHOR será a tua luz perpétua, e os dias do teu luto findarão. 21E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado. 22O menor virá a ser mil, e o mínimo uma nação forte; eu, o SENHOR, ao seu tempo o farei prontamente. Isaías 61 1O ESPÍRITO do Senhor Deus está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; 2A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; 3A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado. 4E edificarão os lugares antigamente assolados, e restaurarão os anteriormente destruídos, e renovarão as cidades assoladas, destruídas de geração em geração. 5E haverá estrangeiros, que apascentarão os vossos rebanhos; e estranhos serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros. 6Porém vós sereis chamados sacerdotes do SENHOR, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis a riqueza dos gentios, e na sua glória vos gloriareis. 7Em lugar da vossa vergonha tereis dupla honra; e em lugar da afronta exultareis na vossa parte; por isso na sua terra possuirão o dobro, e terão perpétua alegria. 8Porque eu, o SENHOR, amo o juízo, odeio o que foi roubado oferecido em holocausto; portanto, firmarei em verdade a sua obra; e farei uma aliança eterna com eles. 9E a sua posteridade será conhecida entre os gentios, e os seus descendentes no meio dos povos; todos quantos os virem os conhecerão, como descendência bendita do SENHOR. 10Regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como um noivo se adorna com turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com as suas jóias. 11Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor para todas as nações. Isaías 62 1POR amor de Sião não me calarei, e por amor de Jerusalém não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação como uma tocha acesa. 2E os gentios verão a tua justiça, e todos os reis a tua glória; e chamar-te-ão por um nome novo, que a boca do SENHOR designará. 3E serás uma coroa de glória na mão do SENHOR, e um diadema real na mão do teu Deus. 4Nunca mais te chamarão: Desamparada, nem a tua terra se denominará jamais: Assolada; mas chamar-te-ão: O meu prazer está nela, e à tua terra: A casada; porque o SENHOR se agrada de ti, e a tua terra se casará. 5Porque, como o jovem se casa com a virgem, assim teus filhos se casarão contigo; e como o noivo se alegra da noiva, assim se alegrará de ti o teu Deus. 6Ó Jerusalém, sobre os teus muros pus guardas, que todo o dia e toda a noite jamais se calarão; ó vós, os que fazeis lembrar ao SENHOR, não haja descanso em vós, 7Nem deis a ele descanso, até que confirme, e até que ponha a Jerusalém por louvor na terra. 8Jurou o SENHOR pela sua mão direita, e pelo braço da sua força: Nunca mais darei o teu trigo por comida aos teus inimigos, nem os estrangeiros beberão o teu mosto, em que trabalhaste. 9Mas os que o ajuntarem o comerão, e louvarão ao SENHOR; e os que o colherem beberão nos átrios do meu santuário. 10Passai, passai pelas portas; preparai o caminho ao povo; aplainai, aplainai a estrada, limpai-a das pedras; arvorai a bandeira aos povos. 11Eis que o SENHOR fez ouvir até às extremidades da terra: Dizei à filha de Sião: Eis que vem a tua salvação; eis que com ele vem o seu galardão, e a sua obra diante dele. 12E chamar-lhes-ão: Povo santo, remidos do SENHOR; e tu serás chamada: Procurada, a cidade não desamparada. Isaías 63 1QUEM é este, que vem de Edom, de Bozra, com vestes tintas; este que é glorioso em sua vestidura, que marcha com a sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar. 2Por que está vermelha a tua vestidura, e as tuas roupas como as daquele que pisa no lagar? 3Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura. 4Porque o dia da vingança estava no meu coração; e o ano dos meus remidos é chegado. 5E olhei, e não havia quem me ajudasse; e admirei-me de não haver quem me sustivesse, por isso o meu braço me trouxe a salvação, e o meu furor me susteve. 6E atropelei os povos na minha ira, e os embriaguei no meu furor; e a sua força derrubei por terra. 7As benignidades do SENHOR mencionarei, e os muitos louvores do SENHOR, conforme tudo quanto o SENHOR nos concedeu; e grande bondade para com a casa de Israel, que usou com eles segundo as suas misericórdias, e segundo a multidão das suas benignidades. 8Porque dizia: Certamente eles são meu povo, filhos que não mentirão; assim ele se fez o seu Salvador. 9Em toda a angústia deles ele foi angustiado, e o anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor, e pela sua compaixão ele os remiu; e os tomou, e os conduziu todos os dias da antiguidade. 10Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles. 11Todavia se lembrou dos dias da antiguidade, de Moisés, e do seu povo, dizendo: Onde está agora o que os fez subir do mar com os pastores do seu rebanho? Onde está o que pôs no meio deles o seu Espírito Santo? 12Aquele cujo braço glorioso ele fez andar à mão direita de Moisés, que fendeu as águas diante deles, para fazer para si um nome eterno? 13Aquele que os guiou pelos abismos, como o cavalo no deserto, de modo que nunca tropeçaram? 14Como o animal que desce ao vale, o Espírito do SENHOR lhes deu descanso; assim guiaste ao teu povo, para te fazeres um nome glorioso. 15Atenta desde os céus, e olha desde a tua santa e gloriosa habitação. Onde estão o teu zelo e as tuas obras poderosas? A comoção das tuas entranhas, e das tuas misericórdias, detém-se para comigo? 16Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó SENHOR, és nosso Pai; nosso Redentor desde a antiguidade é o teu nome. 17Por que, ó SENHOR, nos fazes errar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que não te temamos? Volta, por amor dos teus servos, às tribos da tua herança. 18Só por um pouco de tempo o teu santo povo a possuiu; nossos adversários pisaram o teu santuário. 19Somos feitos como aqueles sobre quem tu nunca dominaste, e como os que nunca se chamaram pelo teu nome. Isaías 64 1OH! se fendesses os céus, e descesses, e os montes se escoassem de diante da tua face, 2Como o fogo abrasador de fundição, fogo que faz ferver as águas, para fazeres notório o teu nome aos teus adversários, e assim as nações tremessem da tua presença! 3Quando fazias coisas terríveis, que nunca esperávamos, descias, e os montes se escoavam diante da tua face. 4Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera. 5Saíste ao encontro daquele que se alegrava e praticava justiça e dos que se lembram de ti nos teus caminhos; eis que te iraste, porque pecamos; neles há eternidade, para que sejamos salvos? 6Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam. 7E já ninguém há que invoque o teu nome, que se desperte, e te detenhas; porque escondes de nós o teu rosto, e nos fazes derreter, por causa das nossas iniqüidades. 8Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai; nós o barro e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra das tuas mãos. 9Não te enfureças tanto, ó SENHOR, nem perpetuamente te lembres da iniqüidade; olha, pois, nós te pedimos, todos nós somos o teu povo. 10As tuas santas cidades tornaram-se um deserto; Sião está feita um deserto, Jerusalém está assolada. 11A nossa santa e gloriosa casa, em que te louvavam nossos pais, foi queimada a fogo; e todas as nossas coisas preciosas se tornaram em assolação. 12Conter-te-ias tu ainda sobre estas coisas, ó SENHOR? Ficarias calado, e nos afligirias tanto? Isaías 65 1FUI buscado dos que não perguntavam por mim, fui achado daqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui. 2Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos; 3Povo que de contínuo me irrita diante da minha face, sacrificando em jardins e queimando incenso sobre altares de tijolos; 4Que habita entre as sepulturas, e passa as noites junto aos lugares secretos; come carne de porco e tem caldo de coisas abomináveis nos seus vasos; 5Que dizem: Fica onde estás, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. Estes são fumaça no meu nariz, um fogo que arde todo o dia. 6Eis que está escrito diante de mim: não me calarei; mas eu pagarei, sim, pagarei no seu seio, 7As vossas iniqüidades, e juntamente as iniqüidades de vossos pais, diz o SENHOR, que queimaram incenso nos montes, e me afrontaram nos outeiros; assim lhes tornarei a medir as suas obras antigas no seu seio. 8Assim diz o SENHOR: Como quando se acha mosto num cacho de uvas, dizem: Não o desperdices, pois há bênção nele, assim farei por amor de meus servos, que não os destrua a todos, 9E produzirei descendência a Jacó, e a Judá um herdeiro que possua os meus montes; e os meus eleitos herdarão a terra e os meus servos habitarão ali. 10E Sarom servirá de curral de rebanhos, e o vale de Acor lugar de repouso de gados, para o meu povo, que me buscou. 11Mas a vós, os que vos apartais do SENHOR, os que vos esqueceis do meu santo monte, os que preparais uma mesa para a Fortuna, e que misturais a bebida para o Destino. 12Também vos destinareis à espada, e todos vos encurvareis à matança; porquanto chamei, e não respondestes; falei, e não ouvistes; mas fizestes o que era mau aos meus olhos, e escolhestes aquilo em que não tinha prazer. 13Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que os meus servos comerão, mas vós padecereis fome; eis que os meus servos beberão, porém vós tereis sede; eis que os meus servos se alegrarão, mas vós vos envergonhareis; 14Eis que os meus servos exultarão pela alegria de coração, mas vós gritareis pela tristeza de coração; e uivareis pelo quebrantamento de espírito. 15E deixareis o vosso nome aos meus eleitos por maldição; e o Senhor Deus vos matará; e a seus servos chamará por outro nome. 16Assim que aquele que se bendisser na terra, se bendirá no Deus da verdade; e aquele que jurar na terra, jurará pelo Deus da verdade; porque já estão esquecidas as angústias passadas, e estão escondidas dos meus olhos. 17Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão. 18Mas vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém uma alegria, e para o seu povo gozo. 19E exultarei em Jerusalém, e me alegrarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor. 20Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não cumpra os seus dias; porque o menino morrerá de cem anos; porém o pecador de cem anos será amaldiçoado. 21E edificarão casas, e as habitarão; e plantarão vinhas, e comerão o seu fruto. 22Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus eleitos gozarão das obras das suas mãos. 23Não trabalharão debalde, nem terão filhos para a perturbação; porque são a posteridade bendita do SENHOR, e os seus descendentes estarão com eles. 24E será que antes que clamem eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei. 25O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o SENHOR. Isaías 66 1ASSIM diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés; que casa me edificaríeis vós? E qual seria o lugar do meu descanso? 2Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra. 3Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações. 4Também eu escolherei as suas calamidades, farei vir sobre eles os seus temores; porquanto clamei e ninguém respondeu, falei e não escutaram; mas fizeram o que era mau aos meus olhos, e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer. 5Ouvi a palavra do SENHOR, os que tremeis da sua palavra. Vossos irmãos, que vos odeiam e que para longe vos lançam por amor do meu nome, dizem: Seja glorificado o SENHOR, para que vejamos a vossa alegria; mas eles serão confundidos. 6Uma voz de grande rumor virá da cidade, uma voz do templo, a voz do SENHOR, que dá o pago aos seus inimigos. 7Antes que estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, deu à luz um menino. 8Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos. 9Abriria eu a madre, e não geraria? diz o SENHOR; geraria eu, e fecharia a madre? diz o teu Deus. 10Regozijai-vos com Jerusalém, e alegrai-vos por ela, vós todos os que a amais; enchei-vos por ela de alegria, todos os que por ela pranteastes; 11Para que mameis, e vos farteis dos peitos das suas consolações; para que sugueis, e vos deleiteis com a abundância da sua glória. 12Porque assim diz o SENHOR: Eis que estenderei sobre ela a paz como um rio, e a glória dos gentios como um ribeiro que transborda; então mamareis, ao colo vos trarão, e sobre os joelhos vos afagarão. 13Como alguém a quem consola sua mãe, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém vós sereis consolados. 14E vós vereis e alegrar-se-á o vosso coração, e os vossos ossos reverdecerão como a erva tenra; então a mão do SENHOR será notória aos seus servos, e ele se indignará contra os seus inimigos. 15Porque, eis que o SENHOR virá com fogo; e os seus carros como um torvelinho; para tornar a sua ira em furor, e a sua repreensão em chamas de fogo. 16Porque com fogo e com a sua espada entrará o SENHOR em juízo com toda a carne; e os mortos do SENHOR serão multiplicados. 17Os que se santificam, e se purificam, nos jardins uns após outros; os que comem carne de porco, e a abominação, e o rato, juntamente serão consumidos, diz o SENHOR. 18Porque conheço as suas obras e os seus pensamentos; vem o dia em que ajuntarei todas as nações e línguas; e virão e verão a minha glória. 19E porei entre eles um sinal, e os que deles escaparem enviarei às nações, a Társis, Pul, e Lude, flecheiros, a Tubal e Javã, até às ilhas de mais longe, que não ouviram a minha fama, nem viram a minha glória; e anunciarão a minha glória entre os gentios. 20E trarão a todos os vossos irmãos, dentre todas as nações, por oferta ao SENHOR, sobre cavalos, e em carros, e em liteiras, e sobre mulas, e sobre dromedários, trarão ao meu santo monte, a Jerusalém, diz o SENHOR; como quando os filhos de Israel trazem as suas ofertas em vasos limpos à casa do SENHOR. 21E também deles tomarei a alguns para sacerdotes e para levitas, diz o SENHOR. 22Porque, como os novos céus, e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o SENHOR, assim também há de estar a vossa posteridade e o vosso nome. 23E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o SENHOR. 24E sairão, e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror a toda a carne. Jeremias 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 Jeremias 1 1PALAVRAS de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim; 2Ao qual veio a palavra do SENHOR, nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá, no décimo terceiro ano do seu reinado. 3E lhe veio também nos dias de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, até ao fim do ano undécimo de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, até que Jerusalém foi levada em cativeiro no quinto mês. 4Assim veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 5Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. 6Então disse eu: Ah, Senhor Deus! Eis que não sei falar; porque ainda sou um menino. 7Mas o SENHOR me disse: Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, falarás. 8Não temas diante deles; porque estou contigo para te livrar, diz o SENHOR. 9E estendeu o SENHOR a sua mão, e tocou-me na boca; e disseme o SENHOR: Eis que ponho as minhas palavras na tua boca; 10Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, e para derrubares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares. 11Ainda veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira. 12E disseme o SENHOR: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la. 13E veio a mim a palavra do SENHOR segunda vez, dizendo: Que é que vês? E eu disse: Vejo uma panela a ferver, cuja face está para o lado do norte. 14E disseme o SENHOR: Do norte se descobrirá o mal sobre todos os habitantes da terra. 15Porque eis que eu convoco todas as famílias dos reinos do norte, diz o SENHOR; e virão, e cada um porá o seu trono à entrada das portas de Jerusalém, e contra todos os seus muros em redor, e contra todas as cidades de Judá. 16E eu pronunciarei contra eles os meus juízos, por causa de toda a sua malícia; pois me deixaram, e queimaram incenso a deuses estranhos, e se encurvaram diante das obras das suas mãos. 17Tu, pois, cinge os teus lombos, e levanta-te, e dize-lhes tudo quanto eu te mandar; não te espantes diante deles, para que eu não te envergonhe diante deles. 18Porque, eis que hoje te ponho por cidade forte, e por coluna de ferro, e por muros de bronze, contra toda a terra, contra os reis de Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes, e contra o povo da terra. 19E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te livrar. Jeremias 2 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Vai, e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da piedade da tua mocidade, e do amor do teu noivado, quando me seguias no deserto, numa terra que não se semeava. 3Então Israel era santidade para o SENHOR, e as primícias da sua novidade; todos os que o devoravam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o SENHOR. 4Ouvi a palavra do SENHOR, ó casa de Jacó, e todas as famílias da casa de Israel; 5Assim diz o SENHOR: Que injustiça acharam vossos pais em mim, para se afastarem de mim, indo após a vaidade, e tornando-se levianos? 6E não disseram: Onde está o SENHOR, que nos fez subir da terra do Egito, que nos guiou através do deserto, por uma terra árida, e de covas, por uma terra de sequidão e sombra de morte, por uma terra pela qual ninguém transitava, e na qual não morava homem algum? 7E eu vos introduzi numa terra fértil, para comerdes o seu fruto e o seu bem; mas quando nela entrastes contaminastes a minha terra, e da minha herança fizestes uma abominação. 8Os sacerdotes não disseram: Onde está o SENHOR? E os que tratavam da lei não me conheciam, e os pastores prevaricavam contra mim, e os profetas profetizavam por Baal, e andaram após o que é de nenhum proveito. 9Portanto ainda contenderei convosco, diz o SENHOR; e até com os filhos de vossos filhos contenderei. 10Pois, passai às ilhas de Quitim, e vede; e enviai a Quedar, e atentai bem, e vede se jamais sucedeu coisa semelhante. 11Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, ainda que não fossem deuses? Todavia o meu povo trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum proveito. 12Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o SENHOR. 13Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas. 14Acaso é Israel um servo? É ele um escravo nascido em casa? Por que, pois, veio a ser presa? 15Os filhos de leão rugiram sobre ele, levantaram a sua voz; e fizeram da sua terra uma desolação; as suas cidades se queimaram, e ninguém habita nelas. 16Até os filhos de Nofe e de Tafnes te quebraram o alto da cabeça. 17Porventura não fizeste isto a ti mesmo, deixando o SENHOR teu Deus, no tempo em que ele te guiava pelo caminho? 18Agora, pois, que te importa a ti o caminho do Egito, para beberes as águas de Sior? E que te importa a ti o caminho da Assíria, para beberes as águas do rio? 19A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão; sabe, pois, e vê, que mal e quão amargo é deixares ao SENHOR teu Deus, e não teres em ti o meu temor, diz o Senhor Deus dos Exércitos. 20Quando eu já há muito quebrava o teu jugo, e rompia as tuas ataduras, dizias tu: Nunca mais transgredirei; contudo em todo o outeiro alto e debaixo de toda a árvore verde te andas encurvando e prostituindo-te. 21Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma semente inteiramente fiel; como, pois, te tornaste para mim uma planta degenerada como vide estranha? 22Por isso, ainda que te laves com salitre, e amontoes sabão, a tua iniqüidade está gravada diante de mim, diz o Senhor Deus. 23Como dizes logo: Não estou contaminada nem andei após os baalins? Vê o teu caminho no vale, conhece o que fizeste; dromedária ligeira és, que anda torcendo os seus caminhos. 24Jumenta montês, acostumada ao deserto, que, conforme o desejo da sua alma, sorve o vento, quem a deteria no seu cio? Todos os que a buscarem não se cansarão; no mês dela a acharão. 25Evita que o teu pé ande descalço, e a tua garganta tenha sede. Mas tu dizes: Não há esperança; porque amo os estranhos, após eles andarei. 26Como fica confundido o ladrão quando o apanham, assim se confundem os da casa de Israel; eles, os seus reis, os seus príncipes, e os seus sacerdotes, e os seus profetas, 27Que dizem ao pau: Tu és meu pai; e à pedra: Tu me geraste; porque me viraram as costas, e não o rosto; mas no tempo da sua angústia dirão: Levanta-te, e livra-nos. 28Onde, pois, estão os teus deuses, que fizeste para ti? Que se levantem, se te podem livrar no tempo da tua angústia; porque os teus deuses, ó Judá, são tão numerosos como as tuas cidades. 29Por que contendeis comigo? Todos vós transgredistes contra mim, diz o SENHOR. 30Em vão castiguei os vossos filhos; eles não aceitaram a correção; a vossa espada devorou os vossos profetas como um leão destruidor. 31Oh geração! Considerai vós a palavra do SENHOR: Porventura tenho eu sido para Israel um deserto? Ou uma terra da mais espessa escuridão? Por que, pois, diz o meu povo: Temos determinado; não viremos mais a ti? 32Porventura esquece-se a virgem dos seus enfeites, ou a noiva dos seus adornos? Todavia o meu povo se esqueceu de mim por inumeráveis dias. 33Por que ornamentas o teu caminho, para buscares o amor? Pois até às malignas ensinaste os teus caminhos. 34Até nas orlas dos teus vestidos se achou o sangue das almas dos inocentes e necessitados; não cavei para achar, pois se vê em todas estas coisas. 35E ainda dizes: Eu estou inocente; certamente a sua ira se desviou de mim. Eis que entrarei em juízo contigo, porquanto dizes: Não pequei. 36Por que te desvias tanto, mudando o teu caminho? Também do Egito serás envergonhada, como foste envergonhada da Assíria. 37Também daquele sairás com as mãos sobre a tua cabeça; porque o SENHOR rejeitou a tua confiança, e não prosperarás com eles. Jeremias 3 1ELES dizem: Se um homem despedir sua mulher, e ela o deixar, e se ajuntar a outro homem, porventura tornará ele outra vez para ela? Não se poluirá de todo aquela terra? Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas ainda assim, torna para mim, diz o SENHOR. 2Levanta os teus olhos aos altos, e vê: onde não te prostituíste? Nos caminhos te assentavas para eles, como o árabe no deserto; assim poluíste a terra com as tuas fornicações e com a tua malícia. 3Por isso foram retiradas as chuvas, e não houve chuva serôdia; mas tu tens a fronte de uma prostituta, e não queres ter vergonha. 4Ao menos desde agora não chamarás por mim, dizendo: Pai meu, tu és o guia da minha mocidade? 5Conservará ele para sempre a sua ira? Ou a guardará continuamente? Eis que tens falado e feito quantas maldades pudeste. 6Disse mais o SENHOR nos dias do rei Josias: Viste o que fez a rebelde Israel? Ela foi a todo o monte alto, e debaixo de toda a árvore verde, e ali andou prostituindo-se. 7E eu disse: Depois que fizer tudo isto, voltará para mim; mas não voltou; e viu isto a sua aleivosa irmã Judá. 8E vi que, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério a rebelde Israel, a despedi, e lhe dei a sua carta de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu. 9E sucedeu que pela fama da sua prostituição, contaminou a terra; porque adulterou com a pedra e com a madeira. 10E, contudo, apesar de tudo isso a sua aleivosa irmã Judá não voltou para mim de todo o seu coração, mas falsamente, diz o SENHOR. 11E o SENHOR me disse: Já a rebelde Israel mostrou-se mais justa do que a aleivosa Judá. 12Vai, pois, e apregoa estas palavras para o lado norte, e dize: Volta, ó rebelde Israel, diz o SENHOR, e não farei cair a minha ira sobre ti; porque misericordioso sou, diz o SENHOR, e não conservarei para sempre a minha ira. 13Somente reconhece a tua iniqüidade, que transgrediste contra o SENHOR teu Deus; e estendeste os teus caminhos aos estranhos, debaixo de toda a árvore verde, e não deste ouvidos à minha voz, diz o SENHOR. 14Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o SENHOR; pois eu vos desposei; e vos tomarei, a um de uma cidade, e a dois de uma família; e vos levarei a Sião. 15E dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência. 16E sucederá que, quando vos multiplicardes e frutificardes na terra, naqueles dias, diz o SENHOR, nunca mais se dirá: A arca da aliança do SENHOR, nem lhes virá ao coração; nem dela se lembrarão, nem a visitarão; nem se fará outra. 17Naquele tempo chamarão a Jerusalém o trono do SENHOR, e todas as nações se ajuntarão a ela, em nome do SENHOR, em Jerusalém; e nunca mais andarão segundo o propósito do seu coração maligno. 18Naqueles dias andará a casa de Judá com a casa de Israel; e virão juntas da terra do norte, para a terra que dei em herança a vossos pais. 19Mas eu dizia: Como te porei entre os filhos, e te darei a terra desejável, a excelente herança dos exércitos das nações? Mas eu disse: Tu me chamarás meu pai, e de mim não te desviarás. 20Deveras, como a mulher se aparta aleivosamente do seu marido, assim aleivosamente te houveste comigo, ó casa de Israel, diz o SENHOR. 21Nos lugares altos se ouviu uma voz, pranto e súplicas dos filhos de Israel; porquanto perverteram o seu caminho, e se esqueceram do SENHOR seu Deus. 22Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões. Eis-nos aqui, vimos a ti; porque tu és o SENHOR nosso Deus. 23Certamente em vão se confia nos outeiros e na multidão das montanhas; deveras no SENHOR nosso Deus está a salvação de Israel. 24Porque a confusão devorou o trabalho de nossos pais desde a nossa mocidade; as suas ovelhas e o seu gado, os seus filhos e as suas filhas. 25Deitemo-nos em nossa vergonha; e cubra-nos a nossa confusão, porque pecamos contra o SENHOR nosso Deus, nós e nossos pais, desde a nossa mocidade até o dia de hoje; e não demos ouvidos à voz do SENHOR nosso Deus. Jeremias 4 1SE voltares, ó Israel, diz o SENHOR, volta para mim; e se tirares as tuas abominações de diante de mim, não andarás mais vagueando, 2E jurarás: Vive o SENHOR na verdade, no juízo e na justiça; e nele se bendirão as nações, e nele se gloriarão. 3Porque assim diz o SENHOR aos homens de Judá e a Jerusalém: Preparai para vós o campo de lavoura, e não semeeis entre espinhos. 4Circuncidai-vos ao SENHOR, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que o meu furor não venha a sair como fogo, e arda de modo que não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras. 5Anunciai em Judá, e fazei ouvir em Jerusalém, e dizei: Tocai a trombeta na terra, gritai em alta voz, dizendo: Ajuntai-vos, e entremos nas cidades fortificadas. 6Arvorai a bandeira rumo a Sião, fugi, não vos detenhais; porque eu trago do norte um mal, e uma grande destruição. 7Já um leão subiu da sua ramada, e um destruidor dos gentios; ele já partiu, e saiu do seu lugar para fazer da tua terra uma desolação, a fim de que as tuas cidades sejam destruídas, e ninguém habite nelas. 8Por isto cingi-vos de sacos, lamentai, e uivai, porque o ardor da ira do SENHOR não se desviou de nós. 9E sucederá naquele tempo, diz o SENHOR, que se desfará o coração do rei e o coração dos príncipes; e os sacerdotes pasmarão, e os profetas se maravilharão. 10Então disse eu: Ah, Senhor Deus! Verdadeiramente enganaste grandemente a este povo e a Jerusalém, dizendo: Tereis paz; pois a espada penetra-lhe até à alma. 11Naquele tempo se dirá a este povo e a Jerusalém: Um vento seco das alturas do deserto veio ao caminho da filha do meu povo; não para padejar, nem para limpar; 12Mas um vento mais veemente virá da minha parte; agora também eu pronunciarei juízos contra eles. 13Eis que virá subindo como nuvens e os seus carros como a tormenta; os seus cavalos serão mais ligeiros do que as águias; ai de nós, que somos assolados! 14Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva; até quando permanecerão no meio de ti os pensamentos da tua iniqüidade? 15Porque uma voz anuncia desde Dã, e faz ouvir a calamidade desde o monte de Efraim. 16Lembrai isto às nações; fazei ouvir contra Jerusalém, que vigias vêm de uma terra remota, e levantarão a sua voz contra as cidades de Judá. 17Como os guardas de um campo, estão contra ela ao redor; porquanto ela se rebelou contra mim, diz o SENHOR. 18O teu caminho e as tuas obras te fizeram estas coisas; esta é a tua maldade, e amargosa é, que te chega até ao coração. 19Ah, entranhas minhas, entranhas minhas! Estou com dores no meu coração! O meu coração se agita em mim. Não posso me calar; porque tu, ó minha alma, ouviste o som da trombeta e o alarido da guerra. 20Destruição sobre destruição se apregoa; porque já toda a terra está destruída; de repente foram destruídas as minhas tendas, e as minhas cortinas num momento. 21Até quando verei a bandeira, e ouvirei a voz da trombeta? 22Deveras o meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios, e não entendidos; são sábios para fazer mal, mas não sabem fazer o bem. 23Observei a terra, e eis que era sem forma e vazia; também os céus, e não tinham a sua luz. 24Observei os montes, e eis que estavam tremendo; e todos os outeiros estremeciam. 25Observei, e eis que não havia homem algum; e todas as aves do céu tinham fugido. 26Vi também que a terra fértil era um deserto; e todas as suas cidades estavam derrubadas diante do SENHOR, diante do furor da sua ira. 27Porque assim diz o SENHOR: Toda esta terra será assolada; de todo, porém, não a consumirei. 28Por isto lamentará a terra, e os céus em cima se enegrecerão; porquanto assim o disse, assim o propus, e não me arrependi nem me desviarei disso. 29Ao clamor dos cavaleiros e dos flecheiros fugiram todas as cidades; entraram pelas matas e treparam pelos penhascos; todas as cidades ficaram abandonadas, e já ninguém habita nelas. 30Agora, pois, que farás, ó assolada? Ainda que te vistas de carmesim, ainda que te adornes com enfeites de ouro, ainda que te pintes em volta dos teus olhos, debalde te farias bela; os amantes te desprezam, e procuram tirar-te a vida. 31Porquanto ouço uma voz, como a de uma mulher que está de parto, uma angústia como a de que está com dores de parto do primeiro filho; a voz da filha de Sião, ofegante, que estende as suas mãos, dizendo: Oh! ai de mim agora, porque já a minha alma desmaia por causa dos assassinos. Jeremias 5 1DAI voltas às ruas de Jerusalém, e vede agora; e informai-vos, e buscai pelas suas praças, a ver se achais alguém, ou se há homem que pratique a justiça ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei. 2E ainda que digam: Vive o SENHOR, de certo falsamente juram. 3Ah SENHOR, porventura não atentam os teus olhos para a verdade? Feriste-os, e não lhes doeu; consumiste-os, e não quiseram receber a correção; endureceram as suas faces mais do que uma rocha; não quiseram voltar. 4Eu, porém, disse: Deveras estes são pobres; são loucos, pois não sabem o caminho do SENHOR, nem o juízo do seu Deus. 5 Irei aos grandes, e falarei com eles; porque eles sabem o caminho do SENHOR, o juízo do seu Deus; mas estes juntamente quebraram o jugo, e romperam as ataduras. 6Por isso um leão do bosque os feriu, um lobo dos desertos os assolará; um leopardo vigia contra as suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se avolumam, multiplicaram-se as suas apostasias. 7Como, vendo isto, te perdoaria? Teus filhos me deixam a mim e juram pelos que não são deuses; quando os fartei, então adulteraram, e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos. 8Como cavalos bem fartos, levantam-se pela manhã, rinchando cada um à mulher do seu próximo. 9Deixaria eu de castigar por estas coisas, diz o SENHOR, ou não se vingaria a minha alma de uma nação como esta? 10Subi aos seus muros, e destruí-os (porém não façais uma destruição final); tirai os seus ramos, porque não são do SENHOR. 11Porque aleivosissimamente se houveram contra mim a casa de Israel e a casa de Judá, diz o SENHOR. 12Negaram ao SENHOR, e disseram: Não é ele; nem mal nos sobrevirá, nem veremos espada nem fome. 13E até os profetas serão como vento, porque a palavra não está com eles; assim se lhes sucederá. 14Portanto assim diz o SENHOR Deus dos Exércitos: Porquanto disseste tal palavra, eis que converterei as minhas palavras na tua boca em fogo, e a este povo em lenha, eles serão consumidos. 15Eis que trarei sobre vós uma nação de longe, ó casa de Israel, diz o SENHOR; é uma nação robusta, é uma nação antiqüíssima, uma nação cuja língua ignorarás, e não entenderás o que ela falar. 16A sua aljava é como uma sepultura aberta; todos eles são poderosos. 17E comerão a tua sega e o teu pão, que teus filhos e tuas filhas haviam de comer; comerão as tuas ovelhas e as tuas vacas; comerão a tua vide e a tua figueira; as tuas cidades fortificadas, em que confiavas, abatê-las-ão à espada. 18Contudo, ainda naqueles dias, diz o SENHOR, não farei de vós uma destruição final. 19E sucederá que, quando disserdes: Por que nos fez o SENHOR nosso Deus todas estas coisas? Então lhes dirás: Como vós me deixastes, e servistes a deuses estranhos na vossa terra, assim servireis a estrangeiros, em terra que não é vossa. 20Anunciai isto na casa de Jacó, e fazei-o ouvir em Judá, dizendo: 21Ouvi agora isto, ó povo insensato, e sem coração, que tendes olhos e não vedes, que tendes ouvidos e não ouvis. 22Porventura não me temereis a mim? diz o SENHOR; não temereis diante de mim, que pus a areia por limite ao mar, por ordenança eterna, que ele não traspassará? Ainda que se levantem as suas ondas, não prevalecerão; ainda que bramem, não a traspassarão. 23Mas este povo é de coração rebelde e pertinaz: rebelaram-se e foram-se. 24E não dizem no seu coração: Temamos agora ao SENHOR nosso Deus, que dá chuva, a temporã e a tardia, ao seu tempo; e nos conserva as semanas determinadas da sega. 25As vossas iniqüidades desviam estas coisas, e os vossos pecados apartam de vós o bem. 26Porque ímpios se acham entre o meu povo; andam espiando, como quem arma laços; põem armadilhas, com que prendem os homens. 27Como uma gaiola está cheia de pássaros, assim as suas casas estão cheias de engano; por isso se engrandeceram, e enriqueceram; 28Engordam-se, estão nédios, e ultrapassam até os feitos dos malignos; não julgam a causa do órfão; todavia prosperam; nem julgam o direito dos necessitados. 29Porventura não castigaria eu por causa destas coisas? diz o SENHOR; não me vingaria eu de uma nação como esta? 30Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra. 31Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; mas que fareis ao fim disto? Jeremias 6 1FUGI para salvação vossa, filhos de Benjamim, do meio de Jerusalém; e tocai a buzina em Tecoa, e levantai um sinal de fogo sobre Bete-Haquerém; porque do lado norte surge um mal e uma grande destruição. 2À formosa e delicada assemelhei a filha de Sião. 3Mas contra ela virão pastores com os seus rebanhos; levantarão contra ela tendas em redor, e cada um apascentará no seu lugar. 4Preparai a guerra contra ela, levantai-vos, e subamos ao pino do meio-dia. Ai de nós! Já declina o dia, já se vão estendendo as sombras da tarde. 5Levantai-vos, e subamos de noite, e destruamos os seus palácios. 6Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Cortai árvores, e levantai trincheiras contra Jerusalém; esta é a cidade que há de ser castigada, só opressão há no meio dela. 7Como a fonte produz as suas águas, assim ela produz a sua malícia; violência e estrago se ouvem nela; enfermidade e feridas há diante de mim continuamente. 8Corrige-te, ó Jerusalém, para que a minha alma não se aparte de ti, para que não te torne em assolação e terra não habitada. 9Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Diligentemente respigarão os resíduos de Israel como uma vinha; torna a tua mão, como o vindimador, aos cestos. 10A quem falarei e testemunharei, para que ouça? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos, e não podem ouvir; eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela. 11Por isso estou cheio do furor do SENHOR; estou cansado de o conter; derramálo-ei sobre os meninos pelas ruas e na reunião de todos os jovens; porque até o marido com a mulher serão presos, e o velho com o que está cheio de dias. 12E as suas casas passarão a outros, como também as suas herdades e as suas mulheres juntamente; porque estenderei a minha mão contra os habitantes desta terra, diz o SENHOR. 13Porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à avareza; e desde o profeta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade. 14E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. 15Porventura envergonham-se de cometer abominação? Pelo contrário, de maneira nenhuma se envergonham, nem tampouco sabem que coisa é envergonhar-se; portanto cairão entre os que caem; no tempo em que eu os visitar, tropeçarão, diz o SENHOR. 16Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele. 17Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas dizem: Não escutaremos. 18Portanto ouvi, vós, nações; e informa-te tu, ó congregação, do que se faz entre eles! 19Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras, e rejeitam a minha lei. 20Para que, pois, me vem o incenso de Sabá e a melhor cana aromática de terras remotas? Vossos holocaustos não me agradam, nem me são suaves os vossos sacrifícios. 21Portanto assim diz o SENHOR: Eis que armarei tropeços a este povo; e tropeçarão neles pais e filhos juntamente; o vizinho e o seu companheiro perecerão. 22Assim diz o SENHOR: Eis que um povo vem da terra do norte, e uma grande nação se levantará das extremidades da terra. 23Arco e lança trarão; são cruéis, e não usarão de misericórdia; a sua voz rugirá como o mar, e em cavalos virão montados, dispostos como homens de guerra contra ti, ó filha de Sião. 24Ouvimos a sua fama, afrouxaram-se as nossas mãos; angústia nos tomou, e dores como as de parturiente. 25Não saiais ao campo, nem andeis pelo caminho; porque espada do inimigo e espanto há ao redor. 26Ó filha do meu povo, cinge-te de saco, e revolve-te na cinza; pranteia como por um filho único, pranto de amargura; porque de repente virá o destruidor sobre nós. 27Por torre de guarda te pus entre o meu povo, por fortaleza, para que soubesses e examinasses o seu caminho. 28Todos eles são os mais rebeldes, andam murmurando; são duros como bronze e ferro; todos eles são corruptores. 29Já o fole se queimou, o chumbo se consumiu com o fogo; em vão fundiu o fundidor tão diligentemente, pois os maus não são arrancados. 30Prata rejeitada lhes chamarão, porque o SENHOR os rejeitou. Jeremias 7 1A PALAVRA que da parte do SENHOR, veio a Jeremias, dizendo: 2Põe-te à porta da casa do SENHOR, e proclama ali esta palavra, e dize: Ouvi a palavra do SENHOR, todos de Judá, os que entrais por estas portas, para adorardes ao SENHOR. 3Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Melhorai os vossos caminhos e as vossas obras, e vos farei habitar neste lugar. 4Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este. 5Mas, se deveras melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras; se deveras praticardes o juízo entre um homem e o seu próximo; 6Se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso próprio mal, 7Eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre. 8Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam. 9Porventura furtareis, e matareis, e adulterareis, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes, 10E então vireis, e vos poreis diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e direis: Fomos libertados para fazermos todas estas abominações? 11É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o SENHOR. 12Mas ide agora ao meu lugar, que estava em Siló, onde, ao princípio, fiz habitar o meu nome, e vede o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo Israel. 13Agora, pois, porquanto fazeis todas estas obras, diz o SENHOR, e eu vos falei, madrugando, e falando, e não ouvistes, e chamei-vos, e não respondestes, 14Farei também a esta casa, que se chama pelo meu nome, na qual confiais, e a este lugar, que vos dei a vós e a vossos pais, como fiz a Siló. 15E lançar-vos-ei de diante de minha face, como lancei a todos os vossos irmãos, a toda a geração de Efraim. 16Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me supliques, porque eu não te ouvirei. 17Porventura não vês tu o que andam fazendo nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém? 18Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira. 19Acaso é a mim que eles provocam à ira? diz o SENHOR, e não a si mesmos, para confusão dos seus rostos? 20Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que a minha ira e o meu furor se derramarão sobre este lugar, sobre os homens e sobre os animais, e sobre as árvores do campo, e sobre os frutos da terra; e acender-se-á, e não se apagará. 21Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Ajuntai os vossos holocaustos aos vossos sacrifícios, e comei carne. 22Porque nunca falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios. 23Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e andai em todo o caminho que eu vos mandar, para que vos vá bem. 24Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado; e andaram para trás, e não para diante. 25Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito, até hoje, enviei-vos todos os meus servos, os profetas, todos os dias madrugando e enviando-os. 26Mas não me deram ouvidos, nem inclinaram os seus ouvidos, mas endureceram a sua cerviz, e fizeram pior do que seus pais. 27Dir-lhes-ás, pois, todas estas palavras, mas não te darão ouvidos; chamá-los-ás, mas não te responderão. 28E lhes dirás: Esta é a nação que não deu ouvidos à voz do SENHOR seu Deus e não aceitou a correção; já pereceu a verdade, e foi cortada da sua boca. 29Corta o teu cabelo e lança-o de ti, e levanta um pranto sobre as alturas; porque já o SENHOR rejeitou e desamparou a geração do seu furor. 30Porque os filhos de Judá fizeram o que era mau aos meus olhos, diz o SENHOR; puseram as suas abominações na casa que se chama pelo meu nome, para contaminá-la. 31E edificaram os altos de Tofete, que está no Vale do Filho de Hinom, para queimarem no fogo a seus filhos e a suas filhas, o que nunca ordenei, nem me subiu ao coração. 32Portanto, eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que não se chamará mais Tofete, nem Vale do Filho de Hinom, mas o Vale da Matança; e enterrarão em Tofete, por não haver outro lugar. 33E os cadáveres deste povo servirão de pasto às aves dos céus e aos animais da terra; e ninguém os espantará. 34E farei cessar nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, a voz de gozo, e a voz de alegria, a voz de esposo e a voz de esposa; porque a terra se tornará em desolação. Jeremias 8 1NAQUELE tempo, diz o SENHOR, tirarão para fora das suas sepulturas os ossos dos reis de Judá, e os ossos dos seus príncipes, e os ossos dos sacerdotes, e os ossos dos profetas, e os ossos dos habitantes de Jerusalém; 2E expô-los-ão ao sol, e à lua, e a todo o exército do céu, a quem tinham amado, e a quem tinham servido, e após quem tinham ido, e a quem tinham buscado e diante de quem se tinham prostrado; não serão recolhidos nem sepultados; serão como esterco sobre a face da terra. 3E será escolhida antes a morte do que a vida por todos os que restarem desta raça maligna, que ficarem em todos os lugares onde os lancei, diz o SENHOR dos Exércitos. 4Dize-lhes mais: Assim diz o SENHOR: Porventura cairão e não se tornarão a levantar? Desviar-se-ão, e não voltarão? 5Por que, pois, se desvia este povo de Jerusalém com uma apostasia tão contínua? Persiste no engano, não quer voltar. 6Eu escutei e ouvi; não falam o que é reto, ninguém há que se arrependa da sua maldade, dizendo: Que fiz eu? Cada um se desvia na sua carreira, como um cavalo que arremete com ímpeto na batalha. 7Até a cegonha no céu conhece os seus tempos determinados; e a rola, e o grou e a andorinha observam o tempo da sua arribação; mas o meu povo não conhece o juízo do SENHOR. 8Como, pois, dizeis: Nós somos sábios, e a lei do SENHOR está conosco? Eis que em vão tem trabalhado a falsa pena dos escribas. 9Os sábios são envergonhados, espantados e presos; eis que rejeitaram a palavra do SENHOR; que sabedoria, pois, têm eles? 10Portanto darei suas mulheres a outros, e os seus campos a novos possuidores; porque desde o menor até ao maior, cada um deles se dá à avareza; desde o profeta até ao sacerdote, cada um deles usa de falsidade. 11E curam a ferida da filha de meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. 12Porventura envergonham-se de cometerem abominação? Não; de maneira nenhuma se envergonham, nem sabem que coisa é envergonhar-se; portanto cairão entre os que caem e tropeçarão no tempo em que eu os visitar, diz o SENHOR. 13Certamente os apanharei, diz o SENHOR; já não há uvas na vide, nem figos na figueira, e até a folha caiu; e o que lhes dei passará deles. 14Por que nos assentamos ainda? Juntai-vos e entremos nas cidades fortificadas, e ali pereçamos; pois já o SENHOR nosso Deus nos destinou a perecer e nos deu a beber água de fel; porquanto pecamos contra o SENHOR. 15Espera-se a paz, mas não há bem; o tempo da cura, e eis o terror. 16Já desde Dã se ouve o resfolegar dos seus cavalos, toda a terra treme ao som dos rinchos dos seus fortes; e vêm, e devoram a terra, e sua abundância, a cidade e os que habitam nela. 17Porque eis que envio entre vós serpentes e basiliscos, contra os quais não há encantamento, e vos morderão, diz o SENHOR. 18Oh! se eu pudesse consolar-me na minha tristeza! O meu coração desfalece em mim. 19Eis a voz do clamor da filha do meu povo de terra mui remota; não está o SENHOR em Sião? Não está nela o seu rei? Por que me provocaram à ira com as suas imagens de escultura, com vaidades estranhas? 20Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos. 21Estou quebrantado pela ferida da filha do meu povo; ando de luto; o espanto se apoderou de mim. 22Porventura não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo? Jeremias 9 1OH! se a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos numa fonte de lágrimas! Então choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo. 2Oh! se tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! Então deixaria o meu povo, e me apartaria dele, porque todos eles são adúlteros, um bando de aleivosos. 3E encurvam a língua como se fosse o seu arco, para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para a verdade; porque avançam de malícia em malícia, e a mim não me conhecem, diz o SENHOR. 4Guardai-vos cada um do seu próximo, e de irmão nenhum vos fieis; porque todo o irmão não faz mais do que enganar, e todo o próximo anda caluniando. 5E zombará cada um do seu próximo, e não falam a verdade; ensinam a sua língua a falar a mentira, andam-se cansando em proceder perversamente. 6A tua habitação está no meio do engano; pelo engano recusam conhecer-me, diz o SENHOR. 7Portanto assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis que eu os fundirei e os provarei; pois, de que outra maneira procederia com a filha do meu povo? 8Uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu próximo mas no seu coração arma-lhe ciladas. 9Porventura por estas coisas não os castigaria? diz o SENHOR; ou não se vingaria a minha alma de nação tal como esta? 10Pelos montes levantarei choro e pranto, e pelas pastagens do deserto lamentação; porque já estão queimadas, e ninguém passa por elas; nem se ouve mugido de gado; desde as aves dos céus, até os animais, andaram vagueando, e fugiram. 11E farei de Jerusalém montões de pedras, morada de chacais, e das cidades de Judá farei assolação, de sorte que não haja habitante. 12Quem é o homem sábio, que entenda isto? e a quem falou a boca do SENHOR, para que o possa anunciar? Por que razão pereceu a terra, e se queimou como deserto, sem que ninguém passa por ela? 13E disse o SENHOR: Porque deixaram a minha lei, que pus perante eles, e não deram ouvidos à minha voz, nem andaram nela, 14Antes andaram após o propósito do seu próprio coração, e após os baalins, como lhes ensinaram os seus pais. 15Portanto assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que darei de comer losna a este povo, e lhe darei a beber água de fel. 16E os espalharei entre gentios, que não conheceram, nem eles nem seus pais, e mandarei a espada após eles, até que venha a consumi-los. 17Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai, e chamai carpideiras que venham; e mandai procurar mulheres hábeis, para que venham. 18E se apressem, e levantem o seu lamento sobre nós; e desfaçam-se em lágrimas os nossos olhos, e as nossas pálpebras destilem águas. 19Porque uma voz de pranto se ouviu de Sião: Como estamos arruinados! Estamos mui envergonhados, porque deixamos a terra, e por terem eles lançado fora as nossas moradas. 20Ouvi, pois, vós, mulheres, a palavra do SENHOR, e os vossos ouvidos recebam a palavra da sua boca; e ensinai o pranto a vossas filhas, e cada uma à sua vizinha a lamentação; 21Porque a morte subiu pelas nossas janelas, e entrou em nossos palácios, para exterminar as crianças das ruas e os jovens das praças. 22Fala: Assim diz o SENHOR: Até os cadáveres dos homens jazerão como esterco sobre a face do campo, e como gavela atrás do segador, e não há quem a recolha. 23Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, 24Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR. 25Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que castigarei a todo o circuncidado com o incircunciso. 26Ao Egito, e a Judá, e a Edom, e aos filhos de Amom, e a Moabe, e a todos os que cortam os cantos do seu cabelo, que habitam no deserto; porque todas as nações são incircuncisas, e toda a casa de Israel é incircuncisa de coração. Jeremias 10 1OUVI a palavra que o SENHOR vos fala a vós, ó casa de Israel. 2Assim diz o SENHOR: Não aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis dos sinais dos céus; porque com eles se atemorizam as nações. 3Porque os costumes dos povos são vaidade; pois corta-se do bosque um madeiro, obra das mãos do artífice, feita com machado; 4Com prata e com ouro o enfeitam, com pregos e com martelos o firmam, para que não se mova. 5São como a palmeira, obra torneada, porém não podem falar; certamente são levados, porquanto não podem andar. Não tenhais receio deles, pois não podem fazer mal, nem tampouco têm poder de fazer bem. 6Ninguém há semelhante a ti, ó SENHOR; tu és grande, e grande o teu nome em poder. 7Quem não te temeria a ti, ó Rei das nações? Pois isto só a ti pertence; porquanto entre todos os sábios das nações, e em todo o seu reino, ninguém há semelhante a ti. 8Mas eles todos se embruteceram e tornaram-se loucos; ensino de vaidade é o madeiro. 9Trazem prata batida de Társis e ouro de Ufaz, trabalho do artífice, e das mãos do fundidor; fazem suas roupas de azul e púrpura; obra de peritos são todos eles. 10Mas o SENHOR Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno; ao seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação. 11Assim lhes direis: Os deuses que não fizeram os céus e a terra desaparecerão da terra e de debaixo deste céu. 12Ele fez a terra com o seu poder; ele estabeleceu o mundo com a sua sabedoria, e com a sua inteligência estendeu os céus. 13Fazendo ele soar a sua voz, logo há rumor de águas no céu, e faz subir os vapores da extremidade da terra; faz os relâmpagos para a chuva, e dos seus tesouros faz sair o vento. 14Todo o homem é embrutecido no seu conhecimento; envergonha-se todo o fundidor da sua imagem de escultura; porque sua imagem fundida é mentira, e nelas não há espírito. 15Vaidade são, obra de enganos: no tempo da sua visitação virão a perecer. 16Não é semelhante a estes aquele que é a porção de Jacó; porque ele é o que formou tudo, e Israel é a vara da sua herança: SENHOR dos Exércitos é o seu nome. 17Ajunta da terra a tua mercadoria, ó tu que habitas em lugar sitiado. 18Porque assim diz o SENHOR: Eis que desta vez arrojarei como se fora com uma funda aos moradores da terra, e os angustiarei, para que venham a achá-lo, dizendo: 19Ai de mim por causa do meu quebrantamento! A minha chaga me causa grande dor; e eu havia dito: Certamente isto é enfermidade que eu poderei suportar. 20A minha tenda está destruída, e todas as minhas cordas se romperam; os meus filhos foram-se de mim, e não existem; ninguém há mais que estenda a minha tenda, nem que levante as minhas cortinas, 21Porque os pastores se embruteceram, e não buscaram ao SENHOR; por isso não prosperaram, e todos os seus rebanhos se espalharam. 22Eis que vem uma voz de rumor, grande tremor da terra do norte, para fazer das cidades de Judá uma assolação, uma morada de chacais. 23Eu sei, ó SENHOR, que não é do homem o seu caminho; nem do homem que caminha o dirigir os seus passos. 24Castiga-me, ó SENHOR, porém com juízo, não na tua ira, para que não me reduzas a nada. 25Derrama a tua indignação sobre os gentios que não te conhecem, e sobre as gerações que não invocam o teu nome; porque devoraram a Jacó, e devoraramno e consumiram-no, e assolaram a sua morada. Jeremias 11 1A PALAVRA que veio a Jeremias, da parte do SENHOR, dizendo: 2Ouvi as palavras desta aliança, e falai aos homens de Judá, e aos habitantes de Jerusalém. 3Dize-lhes pois: Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Maldito o homem que não escutar as palavras desta aliança, 4Que ordenei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, da fornalha de ferro, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e fazei conforme a tudo quanto vos mando; e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus. 5Para que confirme o juramento que fiz a vossos pais de dar-lhes uma terra que manasse leite e mel, como se vê neste dia. Então eu respondi, e disse: Amém, ó SENHOR. 6E disseme o SENHOR: Apregoa todas estas palavras nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, dizendo: Ouvi as palavras desta aliança, e cumpri-as. 7Porque deveras adverti a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, até ao dia de hoje, madrugando, e protestando, e dizendo: Dai ouvidos à minha voz. 8Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, antes andaram cada um conforme o propósito do seu coração malvado; por isso trouxe sobre eles todas as palavras desta aliança que lhes mandei que cumprissem, porém não cumpriram. 9Disseme mais o SENHOR: Uma conspiração se achou entre os homens de Judá, entre os habitantes de Jerusalém. 10Tornaram às maldades de seus primeiros pais, que não quiseram ouvir as minhas palavras; e eles andaram após outros deuses para os servir; a casa de Israel e a casa de Judá quebraram a minha aliança, que tinha feito com seus pais. 11Portanto assim diz o SENHOR: Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar; e clamarão a mim, mas eu não os ouvirei. 12Então irão as cidades de Judá e os habitantes de Jerusalém e clamarão aos deuses a quem eles queimaram incenso; estes, porém, de nenhum modo os livrarão no tempo do seu mal. 13Porque, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses, ó Judá! E, segundo o número das ruas de Jerusalém, levantastes altares à impudência, altares para queimardes incenso a Baal. 14Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor nem oração; porque não os ouvirei no tempo em que eles clamarem a mim, por causa do seu mal. 15Que direito tem a minha amada na minha casa, visto que com muitos tem cometido grande lascívia? Crês que os sacrifícios e as carnes santificadas poderão afastar de ti o mal? Então saltarias de prazer. 16Denominou-te o SENHOR oliveira verde, formosa por seus deliciosos frutos, mas agora à voz de um grande tumulto acendeu fogo ao redor dela e se quebraram os seus ramos. 17Porque o SENHOR dos Exércitos, que te plantou, pronunciou contra ti o mal, pela maldade da casa de Israel e da casa de Judá, que para si mesma fizeram, pois me provocaram à ira, queimando incenso a Baal. 18E o SENHOR me fez saber, e assim o soube; então me fizeste ver as suas ações. 19E eu era como um cordeiro, como um boi que levam à matança; porque não sabia que maquinavam propósitos contra mim, dizendo: Destruamos a árvore com o seu fruto, e cortemo-lo da terra dos viventes, e não haja mais memória do seu nome. 20Mas, ó SENHOR dos Exércitos, justo Juiz, que provas os rins e o coração, veja eu a tua vingança sobre eles; pois a ti descobri a minha causa. 21Portanto, assim diz o SENHOR acerca dos homens de Anatote, que buscam a tua vida, dizendo: Não profetizes no nome do SENHOR, para que não morras às nossas mãos. 22Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis que eu os castigarei; os jovens morrerão à espada, os seus filhos e suas filhas morrerão de fome. 23E não haverá deles um remanescente, porque farei vir o mal sobre os homens de Anatote, no ano da sua visitação. Jeremias 12 1JUSTO serias, ó SENHOR, ainda que eu entrasse contigo num pleito; contudo falarei contigo dos teus juízos. Por que prospera o caminho dos ímpios, e vivem em paz todos os que procedem aleivosamente? 2Plantaste-os, e eles se arraigaram; crescem, dão também fruto; chegado estás à sua boca, porém longe dos seus rins. 3Mas tu, ó SENHOR, me conheces, tu me vês, e provas o meu coração para contigo; arranca-os como as ovelhas para o matadouro, e dedica-os para o dia da matança. 4Até quando lamentará a terra, e se secará a erva de todo o campo? Pela maldade dos que habitam nela, perecem os animais e as aves; porquanto dizem: Ele não verá o nosso fim. 5Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os cavalos? Se tão-somente numa terra de paz estás confiado, como farás na enchente do Jordão? 6Porque até os teus irmãos, e a casa de teu pai, eles próprios procedem deslealmente contigo; eles mesmos clamam após ti em altas vozes: Não te fies neles, ainda que te digam coisas boas. 7Desamparei a minha casa, abandonei a minha herança; entreguei a amada da minha alma na mão de seus inimigos. 8Tornou-se a minha herança para mim como leão numa floresta; levantou a sua voz contra mim, por isso eu a odiei. 9A minha herança é para mim ave de rapina de várias cores. Andam as aves de rapina contra ela em redor. Vinde, pois, ajuntai todos os animais do campo, trazei-os para a devorarem. 10Muitos pastores destruíram a minha vinha, pisaram o meu campo; tornaram em desolado deserto o meu campo desejado. 11Em desolação a puseram, e clama a mim na sua desolação; e toda a terra está desolada, porquanto não há ninguém que tome isso a sério. 12Sobre todos os lugares altos do deserto vieram destruidores; porque a espada do SENHOR devora desde um extremo da terra até o outro; não há paz para nenhuma carne. 13Semearam trigo, e segaram espinhos; cansaram-se, mas de nada se aproveitaram; envergonhados sereis das vossas colheitas, e por causa do ardor da ira do SENHOR. 14Assim diz o SENHOR, acerca de todos os meus maus vizinhos, que tocam a minha herança, que fiz herdar ao meu povo Israel: Eis que os arrancarei da sua terra, e a casa de Judá arrancarei do meio deles. 15E será que, depois de os haver arrancado, tornarei, e me compadecerei deles, e os farei voltar cada um à sua herança, e cada um à sua terra. 16E será que, se diligentemente aprenderem os caminhos do meu povo, jurando pelo meu nome: Vive o SENHOR, como ensinaram o meu povo a jurar por Baal; então edificar-se-ão no meio do meu povo. 17Mas se não quiserem ouvir, totalmente arrancarei a tal nação, e a farei perecer, diz o SENHOR. Jeremias 13 1ASSIM me disse o SENHOR: Vai, e compra um cinto de linho e põe-no sobre os teus lombos, mas não o coloques na água. 2E comprei o cinto, conforme a palavra do SENHOR, e o pus sobre os meus lombos. 3Então me veio a palavra do SENHOR pela segunda vez, dizendo: 4Toma o cinto que compraste, e que trazes sobre os teus lombos, e levanta-te; vai ao Eufrates, e esconde-o ali na fenda de uma rocha. 5E fui, e escondi-o junto ao Eufrates, como o SENHOR me havia ordenado. 6Sucedeu, ao final de muitos dias, que me disse o SENHOR: Levanta-te, vai ao Eufrates, e toma dali o cinto que te ordenei que o escondesses ali. 7E fui ao Eufrates, e cavei, e tomei o cinto do lugar onde o havia escondido; e eis que o cinto tinha apodrecido, e para nada prestava. 8Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 9Assim diz o SENHOR: Do mesmo modo farei apodrecer a soberba de Judá, e a muita soberba de Jerusalém. 10Este povo maligno, que recusa ouvir as minhas palavras, que caminha segundo a dureza do seu coração, e anda após deuses alheios, para servi-los, e inclinar-se diante deles, será tal como este cinto, que para nada presta. 11Porque, como o cinto está pegado aos lombos do homem, assim eu liguei a mim toda a casa de Israel, e toda a casa de Judá, diz o SENHOR, para me serem por povo, e por nome, e por louvor, e por glória; mas não deram ouvidos. 12Portanto, dize-lhes esta palavra: Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Todo o odre se encherá de vinho; e dir-te-ão: Porventura não sabemos nós muito bem que todo o odre se encherá de vinho? 13Mas tu dize-lhes: Assim diz o SENHOR: Eis que eu encherei de embriaguez a todos os habitantes desta terra, e aos reis da estirpe de Davi, que estão assentados sobre o seu trono, e aos sacerdotes, e aos profetas, e a todos os habitantes de Jerusalém. 14E fá-los-ei em pedaços atirando uns contra os outros, e juntamente os pais com os filhos, diz o SENHOR; não perdoarei, nem pouparei, nem terei deles compaixão, para que não os destrua. 15Escutai, e inclinai os ouvidos; não vos ensoberbeçais; porque o SENHOR falou: 16Dai glória ao SENHOR vosso Deus, antes que venha a escuridão e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; antes que, esperando vós luz, ele a mude em sombra de morte, e a reduza à escuridão. 17E, se isto não ouvirdes, a minha alma chorará em lugares ocultos, por causa da vossa soberba; e amargamente chorarão os meus olhos, e se desfarão em lágrimas, porquanto o rebanho do SENHOR foi levado cativo. 18Dize ao rei e à rainha: Humilhai-vos, e assentai-vos no chão; porque já caiu todo o ornato de vossas cabeças, a coroa da vossa glória. 19As cidades do sul estão fechadas, e ninguém há que as abra; todo o Judá foi levado cativo, sim, inteiramente cativo. 20Levantai os vossos olhos, e vede os que vêm do norte; onde está o rebanho que se te deu, o rebanho da tua glória? 21Que dirás, quando ele te castigar porque os ensinaste a serem capitães, e chefe sobre ti? Porventura não te tomarão as dores, como à mulher que está de parto? 22Quando, pois, disseres no teu coração: Por que me sobrevieram estas coisas? Pela multidão das tuas maldades se descobriram as tuas fraldas, e os teus calcanhares sofrem violência. 23Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal. 24Assim os espalharei como o restolho, que passa com o vento do deserto. 25Esta será a tua sorte, a porção que te será medida por mim, diz o SENHOR; pois te esqueceste de mim, e confiaste em mentiras. 26Assim também eu levantarei as tuas fraldas sobre o teu rosto; e aparecerá a tua ignomínia. 27Já vi as tuas abominações, e os teus adultérios, e os teus rinchos, e a enormidade da tua prostituição sobre os outeiros no campo; ai de ti, Jerusalém! Até quando ainda não te purificarás? Jeremias 14 1A PALAVRA do SENHOR, que veio a Jeremias, a respeito da grande seca. 2Anda chorando Judá, e as suas portas estão enfraquecidas; andam de luto até ao chão, e o clamor de Jerusalém vai subindo. 3E os seus mais ilustres enviam os seus pequenos a buscar água; vão às cisternas, e não acham água; voltam com os seus cântaros vazios; envergonham-se e confundem-se, e cobrem as suas cabeças. 4Por causa da terra que se fendeu, porque não há chuva sobre a terra, os lavradores se envergonham e cobrem as suas cabeças. 5Porque até as cervas no campo têm as suas crias, e abandonam seus filhos, porquanto não há erva. 6E os jumentos monteses se põem nos lugares altos, sorvem o vento como os chacais; desfalecem os seus olhos, porquanto não há erva. 7Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó SENHOR, age por amor do teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra ti pecamos. 8Ó esperança de Israel, e Redentor seu no tempo da angústia, por que serias como um estrangeiro na terra e como o viandante que se retira a passar a noite? 9Por que serias como homem surpreendido, como poderoso que não pode livrar? Mas tu estás no meio de nós, ó SENHOR, e nós somos chamados pelo teu nome; não nos desampares. 10Assim diz o SENHOR, acerca deste povo: Pois que tanto gostaram de andar errantes, e não retiveram os seus pés, por isso o SENHOR não se agrada deles, mas agora se lembrará da iniqüidade deles, e visitará os seus pecados. 11Disseme mais o SENHOR: Não rogues por este povo para seu bem. 12Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor, e quando oferecerem holocaustos e ofertas de alimentos, não me agradarei deles; antes eu os consumirei pela espada, e pela fome e pela peste. 13Então disse eu: Ah! Senhor Deus, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, e não tereis fome; antes vos darei paz verdadeira neste lugar. 14E disseme o SENHOR: Os profetas profetizam falsamente no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam. 15Portanto assim diz o SENHOR acerca dos profetas que profetizam no meu nome, sem que eu os tenha mandado, e que dizem: Nem espada, nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome, serão consumidos esses profetas. 16E o povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém, por causa da fome e da espada; e não haverá quem os sepultem, tanto a eles, como as suas mulheres, e os seus filhos e as suas filhas; porque derramarei sobre eles a sua maldade. 17Portanto lhes dirás esta palavra: Os meus olhos derramem lágrimas de noite e de dia, e não cessem; porque a virgem, filha do meu povo, está gravemente ferida, de chaga mui dolorosa. 18Se eu saio ao campo, eis ali os mortos à espada, e, se entro na cidade, estão ali os debilitados pela fome; e até os profetas e os sacerdotes percorrem uma terra, que não conhecem. 19Porventura já de todo rejeitaste a Judá? Ou repugna a tua alma a Sião? Por que nos feriste de tal modo que já não há cura para nós? Aguardamos a paz, e não aparece o bem; e o tempo da cura, e eis aqui turbação. 20Ah! SENHOR! conhecemos a nossa impiedade e a maldade de nossos pais; porque pecamos contra ti. 21Não nos rejeites por amor do teu nome; não abatas o trono da tua glória; lembra-te, e não anules a tua aliança conosco. 22Porventura há, entre as vaidades dos gentios, alguém que faça chover? Ou podem os céus dar chuvas? Não és tu, ó SENHOR nosso Deus? Portanto em ti esperamos, pois tu fazes todas estas coisas. Jeremias 15 1DISSEME, porém, o SENHOR: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não estaria a minha alma com este povo; lança-os de diante da minha face, e saiam. 2E será que, quando te disserem: Para onde iremos? Dir-lhes-ás: Assim diz o SENHOR: Os que para a morte, para a morte, e os que para a espada, para a espada; e os que para a fome, para a fome; e os que para o cativeiro, para o cativeiro. 3Porque visitá-los-ei com quatro gêneros de males, diz o SENHOR: com espada para matar, e com cães, para os arrastarem, e com aves dos céus, e com animais da terra, para os devorarem e destruírem. 4Entregá-los-ei ao desterro em todos os reinos da terra; por causa de Manassés, filho de Ezequias, rei de Judá, e por tudo quanto fez em Jerusalém. 5Porque quem se compadeceria de ti, ó Jerusalém? Ou quem se entristeceria por ti? Ou quem se desviaria a perguntar pela tua paz? 6Tu me deixaste, diz o SENHOR, e tornaste-te para trás; por isso estenderei a minha mão contra ti, e te destruirei; já estou cansado de me arrepender. 7E padejá-los-ei com a pá nas portas da terra; já desfilhei, e destruí o meu povo; não voltaram dos seus caminhos. 8As suas viúvas mais se multiplicaram do que a areia dos mares; trouxe ao meiodia um destruidor sobre a mãe dos jovens; fiz que caísse de repente sobre ela, e enchesse a cidade de terrores. 9A que dava à luz sete se enfraqueceu; expirou a sua alma; pôs-se-lhe o sol sendo ainda de dia, confundiu-se, e envergonhou-se; e os que ficarem dela entregarei à espada, diante dos seus inimigos, diz o SENHOR. 10Ai de mim, minha mãe, por que me deste à luz homem de rixa e homem de contendas para toda a terra? Nunca lhes emprestei com usura, nem eles me emprestaram com usura, todavia cada um deles me amaldiçoa. 11Disse o SENHOR: De certo que o teu remanescente será para o bem; de certo, no tempo da calamidade, e no tempo da angústia, farei que o inimigo te dirija súplicas. 12Pode alguém quebrar o ferro, o ferro do norte, ou o aço? 13As tuas riquezas e os teus tesouros entregarei sem preço ao saque; e isso por todos os teus pecados, mesmo em todos os teus limites. 14E te farei passar aos teus inimigos numa terra que não conheces; porque o fogo se acendeu em minha ira, e sobre vós arderá; 15Tu, ó SENHOR, o sabes; lembra-te de mim, e visita-me, e vinga-me dos meus perseguidores; não me arrebates por tua longanimidade; sabe que por amor de ti tenho sofrido afronta. 16Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR Deus dos Exércitos. 17Nunca me assentei na assembléia dos zombadores, nem me regozijei; por causa da tua mão me assentei solitário; pois me encheste de indignação. 18Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói, e já não admite cura? Serias tu para mim como coisa mentirosa e como águas inconstantes? 19Portanto assim diz o SENHOR: Se tu voltares, então te trarei, e estarás diante de mim; e se apartares o precioso do vil, serás como a minha boca; tornem-se eles para ti, mas não voltes tu para eles. 20E eu te porei contra este povo como forte muro de bronze; e pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu sou contigo para te guardar, para te livrar deles, diz o SENHOR. 21E arrebatar-te-ei da mão dos malignos, e livrar-te-ei da mão dos fortes. Jeremias 16 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Não tomarás para ti mulher, nem terás filhos nem filhas neste lugar. 3Porque assim diz o SENHOR, acerca dos filhos e das filhas que nascerem neste lugar, acerca de suas mães, que os tiverem, e de seus pais que os gerarem nesta terra: 4Morrerão de enfermidades dolorosas, e não serão pranteados nem sepultados; servirão de esterco sobre a face da terra; e pela espada e pela fome serão consumidos, e os seus cadáveres servirão de mantimento para as aves do céu e para os animais da terra. 5Porque assim diz o SENHOR: Não entres na casa do luto, nem vás a lamentar, nem te compadeças deles; porque deste povo, diz o SENHOR, retirei a minha paz, benignidade e misericórdia. 6E morrerão grandes e pequenos nesta terra, e não serão sepultados, e não os prantearão, nem se farão por eles incisões, nem por eles se raparão os cabelos. 7E não se partirá pão para consolá-los por causa de seus mortos; nem lhes darão a beber do copo de consolação, pelo pai ou pela mãe de alguém. 8Nem entres na casa do banquete, para te assentares com eles a comer e a beber. 9Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que farei cessar, neste lugar, perante os vossos olhos, e em vossos dias, a voz de gozo e a voz de alegria, a voz do esposo e a voz da esposa. 10E será que, quando anunciares a este povo todas estas palavras, e eles te disserem: Por que pronuncia o SENHOR sobre nós todo este grande mal? E qual é a nossa iniqüidade, e qual é o nosso pecado, que cometemos contra o SENHOR nosso Deus? 11Então lhes dirás: Porquanto vossos pais me deixaram, diz o SENHOR, e se foram após outros deuses, e os serviram, e se inclinaram diante deles, e a mim me deixaram, e a minha lei não a guardaram. 12E vós fizestes pior do que vossos pais; porque, eis que cada um de vós anda segundo o propósito do seu mau coração, para não me dar ouvidos a mim. 13Portanto lançar-vos-ei fora desta terra, para uma terra que não conhecestes, nem vós nem vossos pais; e ali servireis a deuses alheios de dia e de noite, porque não usarei de misericórdia convosco. 14Portanto, eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que nunca mais se dirá: Vive o SENHOR, que fez subir os filhos de Israel da terra do Egito. 15Mas: Vive o SENHOR, que fez subir os filhos de Israel da terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha lançado; porque eu os farei voltar à sua terra, a qual dei a seus pais. 16Eis que mandarei muitos pescadores, diz o SENHOR, os quais os pescarão; e depois enviarei muitos caçadores, os quais os caçarão de sobre todo o monte, e de sobre todo o outeiro, e até das fendas das rochas. 17Porque os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos; não se escondem da minha face, nem a sua maldade se encobre aos meus olhos. 18E primeiramente pagarei em dobro a sua maldade e o seu pecado, porque profanaram a minha terra com os cadáveres das suas coisas detestáveis, e das suas abominações encheram a minha herança. 19Ó SENHOR, fortaleza minha, e força minha, e refúgio meu no dia da angústia; a ti virão os gentios desde os fins da terra, e dirão: Nossos pais herdaram só mentiras, e vaidade, em que não havia proveito. 20Porventura fará um homem deuses para si, que contudo não são deuses? 21Portanto, eis que lhes farei conhecer, desta vez lhes farei conhecer a minha mão e o meu poder; e saberão que o meu nome é o SENHOR. Jeremias 17 1O PECADO de Judá está escrito com um ponteiro de ferro, com ponta de diamante, gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos vossos altares; 2Como também seus filhos se lembram dos seus altares, e dos seus bosques, junto às árvores frondosas, sobre os altos outeiros. 3Ó meu monte no campo! a tua riqueza e todos os teus tesouros darei por presa, como também os teus altos, por causa do pecado, em todos os teus termos. 4Assim por ti mesmo te privarás da tua herança que te dei, e far-te-ei servir os teus inimigos, na terra que não conheces; porque o fogo que acendeste na minha ira arderá para sempre. 5Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR! 6Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. 7Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR. 8Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto. 9Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? 10Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações. 11Como a perdiz, que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias as deixará, e no seu fim será um insensato. 12Um trono de glória, posto bem alto desde o princípio, é o lugar do nosso santuário. 13Ó SENHOR, esperança de Israel, todos aqueles que te deixam serão envergonhados; os que se apartam de mim serão escritos sobre a terra; porque abandonam o SENHOR, a fonte das águas vivas. 14Cura-me, SENHOR, e sararei; salvame, e serei salvo; porque tu és o meu louvor. 15Eis que eles me dizem: Onde está a palavra do SENHOR? Venha agora. 16Porém eu não me apressei em ser o pastor seguindo-te; nem tampouco desejei o dia da aflição, tu o sabes; o que saiu dos meus lábios está diante de tua face. 17Não me sejas por espanto; meu refúgio és tu no dia do mal. 18Envergonhem-se os que me perseguem, e não me envergonhe eu; assombremse eles, e não me assombre eu; traze sobre eles o dia do mal, e destrói-os com dobrada destruição. 19Assim me disse o SENHOR: Vai, e põe-te à porta dos filhos do povo, pela qual entram os reis de Judá, e pela qual saem; como também em todas as portas de Jerusalém. 20E dize-lhes: Ouvi a palavra do SENHOR, vós, reis de Judá e todo o Judá, e todos os moradores de Jerusalém que entrais por estas portas. 21Assim diz o SENHOR: Guardai as vossas almas, e não tragais cargas no dia de sábado, nem as introduzais pelas portas de Jerusalém; 22Nem tireis cargas de vossas casas no dia de sábado, nem façais obra alguma; antes santificai o dia de sábado, como eu ordenei a vossos pais. 23Mas não escutaram, nem inclinaram os seus ouvidos; antes endureceram a sua cerviz, para não ouvirem, e para não receberem correção. 24Mas se vós diligentemente me ouvirdes, diz o SENHOR, não introduzindo cargas pelas portas desta cidade no dia de sábado, e santificardes o dia de sábado, não fazendo nele obra alguma, 25Então entrarão pelas portas desta cidade reis e príncipes, que se assentem sobre o trono de Davi, andando em carros e em cavalos; e eles e seus príncipes, os homens de Judá, e os moradores de Jerusalém; e esta cidade será habitada para sempre. 26E virão das cidades de Judá, e dos arredores de Jerusalém, e da terra de Benjamim, e das planícies, e das montanhas, e do sul, trazendo holocaustos, e sacrifícios, e ofertas de alimentos, e incenso, trazendo também sacrifícios de louvores à casa do SENHOR. 27Mas, se não me ouvirdes, para santificardes o dia de sábado, e para não trazerdes carga alguma, quando entrardes pelas portas de Jerusalém no dia de sábado, então acenderei fogo nas suas portas, o qual consumirá os palácios de Jerusalém, e não se apagará. Jeremias 18 1A PALAVRA do SENHOR, que veio a Jeremias, dizendo: 2Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. 3E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas, 4Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. 5Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 6Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. 7No momento em que falar contra uma nação, e contra um reino para arrancar, e para derrubar, e para destruir, 8Se a tal nação, porém, contra a qual falar se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe. 9No momento em que falar de uma nação e de um reino, para edificar e para plantar, 10Se fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz, então me arrependerei do bem que tinha falado que lhe faria. 11Ora, pois, fala agora aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Eis que estou forjando mal contra vós; e projeto um plano contra vós; convertei-vos, pois, agora cada um do seu mau caminho, e melhorai os vossos caminhos e as vossas ações. 12Mas eles dizem: Não há esperança, porque andaremos segundo as nossas imaginações; e cada um fará segundo o propósito do seu mau coração. 13Portanto, assim diz o SENHOR: Perguntai agora entre os gentios quem ouviu tal coisa? Coisa mui horrenda fez a virgem de Israel. 14Porventura a neve do Líbano deixará a rocha do campo ou esgotar-se-ão as águas frias que correm de terras estranhas? 15Contudo o meu povo se tem esquecido de mim, queimando incenso à vaidade, que os fez tropeçar nos seus caminhos, e nas veredas antigas, para que andassem por veredas afastadas, não aplainadas; 16Para fazerem da sua terra objeto de espanto e de perpétuos assobios; todo aquele que passar por ela se espantará, e meneará a sua cabeça; 17Com vento oriental os espalharei diante do inimigo; mostrar-lhes-ei as costas e não o rosto, no dia da sua perdição. 18Então disseram: Vinde, e maquinemos projetos contra Jeremias; porque não perecerá a lei do sacerdote, nem o conselho do sábio, nem a palavra do profeta; vinde e firamo-lo com a língua, e não atendamos a nenhuma das suas palavras. 19Olha para mim, SENHOR, e ouve a voz dos que contendem comigo. 20Porventura pagar-se-á mal por bem? Pois cavaram uma cova para a minha alma. Lembra-te de que eu compareci à tua presença, para falar a favor deles, e para desviar deles a tua indignação; 21Portanto entrega seus filhos à fome, e entrega-os ao poder da espada, e sejam suas mulheres roubadas dos filhos, e fiquem viúvas; e seus maridos sejam feridos de morte, e os seus jovens sejam feridos à espada na peleja. 22Ouça-se o clamor de suas casas, quando de repente trouxeres uma tropa sobre eles. Porquanto cavaram uma cova para prender-me e armaram laços aos meus pés. 23Mas tu, ó SENHOR, sabes todo o seu conselho contra mim para matar-me; não perdoes a sua maldade, nem apagues o seu pecado de diante da tua face; mas tropecem diante de ti; trata-os assim no tempo da tua ira. Jeremias 19 1ASSIM disse o SENHOR: Vai, e compra uma botija de oleiro, e leva contigo alguns dos anciãos do povo e alguns dos anciãos dos sacerdotes; 2E sai ao Vale do Filho de Hinom, que está à entrada da porta do sol, e apregoa ali as palavras que eu te disser; 3E dirás: Ouvi a palavra do SENHOR, ó reis de Judá, e moradores de Jerusalém. Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei um mal sobre este lugar, e quem quer que dele ouvir retinir-lhe-ão os ouvidos. 4Porquanto me deixaram e alienaram este lugar, e nele queimaram incenso a outros deuses, que nunca conheceram, nem eles nem seus pais, nem os reis de Judá; e encheram este lugar de sangue de inocentes. 5Porque edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo em holocaustos a Baal; o que nunca lhes ordenei, nem falei, nem me veio ao pensamento. 6Por isso eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que este lugar não se chamará mais Tofete, nem o Vale do Filho de Hinom, mas o Vale da Matança. 7Porque dissiparei o conselho de Judá e de Jerusalém neste lugar, e os farei cair à espada diante de seus inimigos, e pela mão dos que buscam a vida deles; e darei os seus cadáveres para pasto às aves dos céus e aos animais da terra. 8E farei esta cidade objeto de espanto e de assobio; todo aquele que passar por ela se espantará, e assobiará por causa de todas as suas pragas. 9E lhes farei comer a carne de seus filhos e a carne de suas filhas, e comerá cada um a carne do seu amigo, no cerco e no aperto em que os apertarão os seus inimigos, e os que buscam a vida deles. 10Então quebrarás a botija à vista dos homens que forem contigo. 11E dir-lhes-ás: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Deste modo quebrarei eu a este povo, e a esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, que não pode mais refazer-se, e os enterrarão em Tofete, porque não haverá mais lugar para os enterrar. 12Assim farei a este lugar, diz o SENHOR, e aos seus moradores; sim, para pôr a esta cidade como a Tofete. 13E as casas de Jerusalém, e as casas dos reis de Judá, serão imundas como o lugar de Tofete, como também todas as casas, sobre cujos terraços queimaram incenso a todo o exército dos céus, e ofereceram libações a deuses estranhos. 14Vindo, pois, Jeremias de Tofete onde o tinha enviado o SENHOR a profetizar, se pôs em pé no átrio da casa do SENHOR, e disse a todo o povo: 15Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre esta cidade, e sobre todas as suas vilas, todo o mal que pronunciei contra ela, porquanto endureceram a sua cerviz, para não ouvirem as minhas palavras. Jeremias 20 1E PASUR, filho de Imer, o sacerdote, que havia sido nomeado presidente na casa do SENHOR, ouviu a Jeremias, que profetizava estas palavras. 2E feriu Pasur ao profeta Jeremias, e o colocou no cepo que está na porta superior de Benjamim, na casa do SENHOR. 3E sucedeu que no dia seguinte Pasur tirou a Jeremias do cepo. Então disse-lhe Jeremias: O SENHOR não chama o teu nome Pasur, mas, Terror por todos os lados. 4Porque assim diz o SENHOR: Eis que farei de ti um terror para ti mesmo, e para todos os teus amigos. Eles cairão à espada de seus inimigos, e teus olhos o verão. Entregarei todo o Judá na mão do rei de Babilônia; ele os levará presos a Babilônia, e feri-los-á à espada. 5Também entregarei toda a riqueza desta cidade, e todo o seu trabalho, e todas as suas coisas preciosas, sim, todos os tesouros dos reis de Judá entregarei na mão de seus inimigos, e saqueá-los-ão, e tomá-los-ão e levá-los-ão a Babilônia. 6E tu, Pasur, e todos os moradores da tua casa ireis para o cativeiro; e virás a Babilônia, e ali morrerás, e ali serás sepultado, tu, e todos os teus amigos, aos quais profetizaste falsamente. 7Persuadiste-me, ó SENHOR, e persuadido fiquei; mais forte foste do que eu, e prevaleceste; sirvo de escárnio todo o dia; cada um deles zomba de mim. 8Porque desde que falo, grito, clamo: Violência e destruição; porque se tornou a palavra do SENHOR um opróbrio e ludíbrio todo o dia. 9Então disse eu: Não me lembrarei dele, e não falarei mais no seu nome; mas isso foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; e estou fatigado de sofrer, e não posso mais. 10Porque ouvi a murmuração de muitos, terror de todos os lados: Denunciai, e o denunciaremos; todos os que têm paz comigo aguardam o meu manquejar, dizendo: Bem pode ser que se deixe persuadir; então prevaleceremos contra ele e nos vingaremos dele. 11Mas o SENHOR está comigo como um valente terrível; por isso tropeçarão os meus perseguidores, e não prevalecerão; ficarão muito confundidos; porque não se houveram prudentemente, terão uma confusão perpétua que nunca será esquecida. 12Tu, pois, ó SENHOR dos Exércitos, que provas o justo, e vês os rins e o coração, permite que eu veja a tua vingança contra eles; pois já te revelei a minha causa. 13Cantai ao SENHOR, louvai ao SENHOR; pois livrou a alma do necessitado da mão dos malfeitores. 14Maldito o dia em que nasci; não seja bendito o dia em que minha mãe me deu à luz. 15Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho; alegrando-o com isso grandemente. 16E seja esse homem como as cidades que o SENHOR destruiu e não se arrependeu; e ouça clamor pela manhã, e ao tempo do meio-dia um alarido. 17Por que não me matou na madre? Assim minha mãe teria sido a minha sepultura, e teria ficado grávida perpetuamente! 18Por que saí da madre, para ver trabalho e tristeza, e para que os meus dias se consumam na vergonha? Jeremias 21 1A PALAVRA que veio a Jeremias da parte do SENHOR, quando o rei Zedequias lhe enviou a Pasur, filho de Malquias, e a Sofonias, filho de Maaséias, o sacerdote, dizendo: 2Pergunta agora por nós ao SENHOR, por que Nabucodonosor, rei de Babilônia, guerreia contra nós; bem pode ser que o SENHOR trate conosco segundo todas as suas maravilhas, e o faça retirar-se de nós. 3Então Jeremias lhes disse: Assim direis a Zedequias: 4Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Eis que virarei contra vós as armas de guerra, que estão nas vossas mãos, com que vós pelejais contra o rei de Babilônia, e contra os caldeus, que vos têm cercado de fora dos muros, e ajuntálos-ei no meio desta cidade. 5E eu pelejarei contra vós com mão estendida e com braço forte, e com ira, e com indignação e com grande furor. 6E ferirei os habitantes desta cidade, assim os homens como os animais; de grande pestilência morrerão. 7E depois disto, diz o SENHOR, entregarei Zedequias, rei de Judá, e seus servos, e o povo, e os que desta cidade restarem da pestilência, e da espada, e da fome, na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e na mão de seus inimigos, e na mão dos que buscam a sua vida; e feri-los-á ao fio da espada; não os poupará, nem se compadecerá, nem terá misericórdia. 8E a este povo dirás: Assim diz o SENHOR: Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte. 9O que ficar nesta cidade há de morrer à espada, ou de fome, ou de pestilência; mas o que sair, e se render aos caldeus, que vos têm cercado, viverá, e terá a sua vida por despojo. 10Porque pus o meu rosto contra esta cidade para mal, e não para bem, diz o SENHOR; na mão do rei de Babilônia se entregará, e ele queimá-la-á a fogo. 11E à casa do rei de Judá dirás: Ouvi a palavra do SENHOR: 12Ó casa de Davi, assim diz o SENHOR: Julgai pela manhã justamente, e livrai o espoliado da mão do opressor; para que não saia o meu furor como fogo, e se acenda, sem que haja quem o apague, por causa da maldade de vossas ações. 13Eis que eu sou contra ti, ó moradora do vale, ó rocha da campina, diz o SENHOR; contra vós que dizeis: Quem descerá contra nós? Ou quem entrará nas nossas moradas? 14Eu vos castigarei segundo o fruto das vossas ações, diz o SENHOR; e acenderei o fogo no seu bosque, que consumirá a tudo o que está em redor dela. Jeremias 22 1ASSIM diz o SENHOR: Desce à casa do rei de Judá, e anuncia ali esta palavra, 2E dize: Ouve a palavra do SENHOR, ó rei de Judá, que te assentas no trono de Davi, tu, e os teus servos, o teu povo, que entrais por estas portas. 3Assim diz o SENHOR: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da mão do opressor; e não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar. 4Porque, se deveras cumprirdes esta palavra, entrarão pelas portas desta casa os reis que se assentarão em lugar de Davi sobre o seu trono, andando em carros e montados em cavalos, eles, e os seus servos, e o seu povo. 5Mas, se não derdes ouvidos a estas palavras, por mim mesmo tenho jurado, diz o SENHOR, que esta casa se tornará em assolação. 6Porque assim diz o SENHOR acerca da casa do rei de Judá: Tu és para mim Gileade, e a cabeça do Líbano; mas por certo que farei de ti um deserto e cidades desabitadas. 7Porque preparei contra ti destruidores, cada um com as suas armas; e cortarão os teus cedros escolhidos, e lançá-los-ão no fogo. 8E muitas nações passarão por esta cidade, e dirá cada um ao seu próximo: Por que procedeu o SENHOR assim com esta grande cidade? 9E dirão: Porque deixaram a aliança do SENHOR seu Deus, e se inclinaram diante de outros deuses, e os serviram. 10Não choreis o morto, nem o lastimeis; chorai abundantemente aquele que sai, porque nunca mais tornará nem verá a terra onde nasceu. 11Porque assim diz o SENHOR acerca de Salum, filho de Josias, rei de Judá, que reinou em lugar de Josias, seu pai, e que saiu deste lugar: Nunca mais ali tornará. 12Mas no lugar para onde o levaram cativo ali morrerá, e nunca mais verá esta terra. 13Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário do seu trabalho. 14Que diz: Edificarei para mim uma casa espaçosa, e aposentos largos; e que lhe abre janelas, forrando-a de cedro, e pintando-a de vermelhão. 15Porventura reinarás tu, porque te encerras em cedro? Acaso teu pai não comeu e bebeu, e não praticou o juízo e a justiça? Por isso lhe sucedeu bem. 16Julgou a causa do aflito e necessitado; então lhe sucedeu bem; porventura não é isto conhecer-me? diz o SENHOR. 17Mas os teus olhos e o teu coração não atentam senão para a tua avareza, e para derramar sangue inocente, e para praticar a opressão, e a violência. 18Portanto assim diz o SENHOR acerca de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá: Não o lamentarão, dizendo: Ai, meu irmão, ou ai, minha irmã! Nem o lamentarão, dizendo: Ai, senhor, ou, ai, sua glória! 19Em sepultura de jumento será sepultado, sendo arrastado e lançado para bem longe, fora das portas de Jerusalém. 20Sobe ao Líbano, e clama, e levanta a tua voz em Basã, e clama desde Abarim; porque estão destruídos todos os teus namorados. 21Falei contigo na tua prosperidade, mas tu disseste: Não ouvirei. Este tem sido o teu caminho, desde a tua mocidade, pois nunca deste ouvidos à minha voz. 22O vento apascentará a todos os teus pastores, e os teus namorados irão para o cativeiro; certamente então te confundirás, e te envergonharás por causa de toda a tua maldade. 23Ó tu, que habitas no Líbano e fazes o teu ninho nos cedros, quão lastimada serás quando te vierem as dores e os ais como da que está de parto. 24Vivo eu, diz o SENHOR, que ainda que Conias, filho de Jeoiaquim, rei de Judá, fosse o anel do selo na minha mão direita, contudo dali te arrancaria. 25E entregar-te-ei na mão dos que buscam a tua vida, e na mão daqueles diante de quem tu temes, a saber, na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e na mão dos caldeus. 26E lançar-te-ei, a ti e à tua mãe que te deu à luz, para uma terra estranha, em que não nasceste, e ali morrereis. 27Mas à terra, para a qual eles com toda a alma desejam voltar, para lá não voltarão. 28É, pois, este homem Conias um ídolo desprezado e quebrado, ou um vaso de que ninguém se agrada? Por que razão foram arremessados fora, ele e a sua geração, e arrojados para uma terra que não conhecem? 29Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do SENHOR. 30Assim diz o SENHOR: Escrevei que este homem está privado de filhos, homem que não prosperará nos seus dias; porque nenhum da sua geração prosperará, para se assentar no trono de Davi, e reinar ainda em Judá. Jeremias 23 1AI dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o SENHOR. 2Portanto assim diz o SENHOR Deus de Israel, contra os pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e não as visitastes; eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas ações, diz o SENHOR. 3E eu mesmo recolherei o restante das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão, e se multiplicarão. 4E levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e nunca mais temerão, nem se assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o SENHOR. 5Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra. 6Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA. 7Portanto, eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que nunca mais dirão: Vive o SENHOR, que fez subir os filhos de Israel da terra do Egito; 8Mas: Vive o SENHOR, que fez subir, e que trouxe a geração da casa de Israel da terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha arrojado; e habitarão na sua terra. 9Quanto aos profetas, já o meu coração está quebrantado dentro de mim; todos os meus ossos estremecem; sou como um homem embriagado, e como um homem vencido de vinho, por causa do SENHOR, e por causa das suas santas palavras. 10Porque a terra está cheia de adúlteros, e a terra chora por causa da maldição; os pastos do deserto se secam; porque a sua carreira é má, e a sua força não é reta. 11Porque tanto o profeta, como o sacerdote, estão contaminados; até na minha casa achei a sua maldade, diz o SENHOR. 12Portanto o seu caminho lhes será como lugares escorregadios na escuridão; serão empurrados, e cairão nele; porque trarei sobre eles mal, no ano da sua visitação, diz o SENHOR. 13Nos profetas de Samaria bem vi loucura; profetizavam da parte de Baal, e faziam errar o meu povo Israel. 14Mas nos profetas de Jerusalém vejo uma coisa horrenda: cometem adultérios, e andam com falsidade, e fortalecem as mãos dos malfeitores, para que não se convertam da sua maldade; eles têm-se tornado para mim como Sodoma, e os seus moradores como Gomorra. 15Portanto assim diz o SENHOR dos Exércitos acerca dos profetas: Eis que lhes darei a comer losna, e lhes farei beber águas de fel; porque dos profetas de Jerusalém saiu a contaminação sobre toda a terra. 16Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas, que entre vós profetizam; fazem-vos desvanecer; falam da visão do seu coração, não da boca do SENHOR. 17Dizem continuamente aos que me desprezam: O SENHOR disse: Paz tereis; e a qualquer que anda segundo a dureza do seu coração, dizem: Não virá mal sobre vós. 18Porque, quem esteve no conselho do SENHOR, e viu, e ouviu a sua palavra? Quem esteve atento à sua palavra, e ouviu? 19Eis que saiu com indignação a tempestade do SENHOR; e uma tempestade penosa cairá cruelmente sobre a cabeça dos ímpios. 20Não se desviará a ira do SENHOR, até que execute e cumpra os desígnios do seu coração; nos últimos dias entendereis isso claramente. 21Não mandei esses profetas, contudo eles foram correndo; não lhes falei, contudo eles profetizaram. 22Mas, se estivessem estado no meu conselho, então teriam feito o meu povo ouvir as minhas palavras, e o teriam feito voltar do seu mau caminho, e da maldade das suas ações. 23Porventura sou eu Deus de perto, diz o SENHOR, e não também Deus de longe? 24Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? diz o SENHOR. Porventura não encho eu os céus e a terra? diz o SENHOR. 25Tenho ouvido o que dizem aqueles profetas, profetizando mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei. 26Até quando sucederá isso no coração dos profetas que profetizam mentiras, e que só profetizam do engano do seu coração? 27Os quais cuidam fazer com que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus sonhos que cada um conta ao seu próximo, assim como seus pais se esqueceram do meu nome por causa de Baal. 28O profeta que tem um sonho conte o sonho; e aquele que tem a minha palavra, fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? diz o SENHOR. 29Porventura a minha palavra não é como o fogo, diz o SENHOR, e como um martelo que esmiúça a pedra? 30Portanto, eis que eu sou contra os profetas, diz o SENHOR, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu próximo. 31Eis que eu sou contra os profetas, diz o SENHOR, que usam de sua própria linguagem, e dizem: Ele disse. 32Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o SENHOR, e os contam, e fazem errar o meu povo com as suas mentiras e com as suas leviandades; pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e não trouxeram proveito algum a este povo, diz o SENHOR. 33Quando, pois, te perguntar este povo, ou qualquer profeta, ou sacerdote, dizendo: Qual é o peso do SENHOR? Então lhe dirás: Este é o peso: Que vos deixarei, diz o SENHOR. 34E, quanto ao profeta, e ao sacerdote, e ao povo, que disser: Peso do SENHOR, eu castigarei o tal homem e a sua casa. 35Assim direis, cada um ao seu próximo, e cada um ao seu irmão: Que respondeu o SENHOR? e que falou o SENHOR? 36Mas nunca mais vos lembrareis do peso do SENHOR; porque a cada um lhe servirá de peso a sua própria palavra; pois torceis as palavras do Deus vivo, do SENHOR dos Exércitos, o nosso Deus. 37Assim dirás ao profeta: Que te respondeu o SENHOR, e que falou o SENHOR? 38Mas, porque dizeis: Peso do SENHOR; assim o diz o SENHOR: Porque dizeis esta palavra: Peso do SENHOR, havendo-vos ordenado, dizendo: Não direis: Peso do SENHOR; 39Por isso, eis que também eu me esquecerei totalmente de vós, e tirarei da minha presença, a vós e a cidade que vos dei a vós e a vossos pais; 40E porei sobre vós perpétuo opróbrio, e eterna vergonha, que não será esquecida. Jeremias 24 1FEZ-ME o SENHOR ver, e eis dois cestos de figos, postos diante do templo do SENHOR, depois que Nabucodonosor, rei de Babilônia, levou em cativeiro a Jeconias, filho de Jeoiaquim, rei de Judá, e os príncipes de Judá, e os carpinteiros, e os ferreiros de Jerusalém, e os trouxe a Babilônia. 2Um cesto tinha figos muito bons, como os figos temporãos; mas o outro cesto tinha figos muito ruins, que não se podiam comer, de ruins que eram. 3E disseme o SENHOR: Que vês tu, Jeremias? E eu disse: Figos: os figos bons, muito bons e os ruins, muito ruins, que não se podem comer, de ruins que são. 4Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 5Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Como a estes bons figos, assim também conhecerei aos de Judá, levados em cativeiro; os quais enviei deste lugar para a terra dos caldeus, para o seu bem. 6Porei os meus olhos sobre eles, para o seu bem, e os farei voltar a esta terra, e edificá-los-ei, e não os destruirei; e plantá-los-ei, e não os arrancarei. 7E dar-lhes-ei coração para que me conheçam, porque eu sou o SENHOR; e serme-ão por povo, e eu lhes serei por Deus; porque se converterão a mim de todo o seu coração. 8E como os figos ruins, que se não podem comer, de ruins que são (porque assim diz o SENHOR), assim entregarei Zedequias, rei de Judá, e os seus príncipes, e o restante de Jerusalém, que ficou nesta terra, e os que habitam na terra do Egito. 9E entregá-los-ei para que sejam um prejuízo, uma ofensa para todos os reinos da terra, um opróbrio e um provérbio, e um escárnio, e uma maldição em todos os lugares para onde eu os arrojar. 10E enviarei entre eles a espada, a fome, e a peste, até que se consumam de sobre a terra que lhes dei a eles e a seus pais. Jeremias 25 1A PALAVRA que veio a Jeremias acerca de todo o povo de Judá no quarto ano de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá (que é o primeiro ano de Nabucodonosor, rei de Babilônia), 2A qual anunciou o profeta Jeremias a todo o povo de Judá, e a todos os habitantes de Jerusalém, dizendo: 3Desde o ano treze de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até o dia de hoje, período de vinte e três anos, tem vindo a mim a palavra do SENHOR, e vo-la tenho anunciado, madrugando e falando; mas vós não escutastes. 4Também vos enviou o SENHOR todos os seus servos, os profetas, madrugando e enviando-os, mas vós não escutastes, nem inclinastes os vossos ouvidos para ouvir, 5Quando diziam: Convertei-vos agora cada um do seu mau caminho, e da maldade das suas ações, e habitai na terra que o SENHOR vos deu, e a vossos pais, para sempre. 6E não andeis após outros deuses para os servirdes, e para vos inclinardes diante deles, nem me provoqueis à ira com a obra de vossas mãos, para que não vos faça mal. 7Porém não me destes ouvidos, diz o SENHOR, mas me provocastes à ira com a obra de vossas mãos, para vosso mal. 8Portanto assim diz o SENHOR dos Exércitos: Visto que não escutastes as minhas palavras, 9Eis que eu enviarei, e tomarei a todas as famílias do norte, diz o SENHOR, como também a Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo, e os trarei sobre esta terra, e sobre os seus moradores, e sobre todas estas nações em redor, e os destruirei totalmente, e farei que sejam objeto de espanto, e de assobio, e de perpétuas desolações. 10E farei desaparecer dentre eles a voz de gozo, e a voz de alegria, a voz do esposo, e a voz da esposa, como também o som das mós, e a luz do candeeiro. 11E toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; e estas nações servirão ao rei de Babilônia setenta anos. 12Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, visitarei o rei de Babilônia, e esta nação, diz o SENHOR, castigando a sua iniqüidade, e a da terra dos caldeus; farei deles ruínas perpétuas. 13E trarei sobre aquela terra todas as minhas palavras, que disse contra ela, a saber, tudo quanto está escrito neste livro, que profetizou Jeremias contra todas estas nações. 14Porque também deles se servirão muitas nações e grandes reis; assim lhes retribuirei segundo os seus feitos, e segundo as obras das suas mãos. 15Porque assim me disse o SENHOR Deus de Israel: Toma da minha mão este copo do vinho do furor, e darás a beber dele a todas as nações, às quais eu te enviarei. 16Para que bebam e tremam, e enlouqueçam, por causa da espada, que eu enviarei entre eles. 17E tomei o copo da mão do SENHOR, e dei a beber a todas as nações, às quais o SENHOR me enviou; 18A Jerusalém, e às cidades de Judá, e aos seus reis, e aos seus príncipes, para fazer deles uma desolação, um espanto, um assobio, e uma maldição, como hoje se vê; 19A Faraó, rei do Egito, e a seus servos, e a seus príncipes, e a todo o seu povo; 20E a toda a mistura de povo, e a todos os reis da terra de Uz, e a todos os reis da terra dos filisteus, e a Ascalom, e a Gaza, e a Ecrom, e ao remanescente de Asdode, 21E a Edom, e a Moabe, e aos filhos de Amom; 22E a todos os reis de Tiro, e a todos os reis de Sidom; e aos reis das ilhas que estão além do mar; 23A Dedã, e a Tema, e a Buz e a todos os que estão nos lugares mais distantes. 24E a todos os reis da Arábia, e todos os reis do povo misto que habita no deserto; 25E a todos os reis de Zinri, e a todos os reis de Elão, e a todos os reis da Média; 26E a todos os reis do norte, os de perto, e os de longe, tanto um como o outro, e a todos os reinos do mundo, que estão sobre a face da terra, e o rei de Sesaque beberá depois deles. 27Pois lhes dirás: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Bebei, e embebedai-vos, e vomitai, e caí, e não torneis a levantar-vos, por causa da espada que eu vos enviarei. 28E será que, se não quiserem tomar o copo da tua mão para beber, então lhes dirás: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Certamente bebereis. 29Porque, eis que na cidade que se chama pelo meu nome começo a castigar; e ficareis vós totalmente impunes? Não ficareis impunes, porque eu chamo a espada sobre todos os moradores da terra, diz o SENHOR dos Exércitos. 30Tu, pois, lhes profetizarás todas estas palavras, e lhes dirás: O SENHOR desde o alto bramirá, e fará ouvir a sua voz desde a morada da sua santidade; terrivelmente bramirá contra a sua habitação, com grito de alegria, como dos que pisam as uvas, contra todos os moradores da terra. 31Chegará o estrondo até à extremidade da terra, porque o SENHOR tem contenda com as nações, entrará em juízo com toda a carne; os ímpios entregará à espada, diz o SENHOR. 32Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis que o mal passa de nação para nação, e grande tormenta se levantará dos confins da terra. 33E serão os mortos do SENHOR, naquele dia, desde uma extremidade da terra até à outra; não serão pranteados, nem recolhidos, nem sepultados; mas serão por esterco sobre a face da terra. 34Uivai, pastores, e clamai, e revolvei-vos na cinza, principais do rebanho, porque já se cumpriram os vossos dias para serdes mortos, e dispersos, e vós então caireis como um vaso precioso. 35E não haverá refúgio para os pastores, nem salvamento para os principais do rebanho. 36Voz de grito dos pastores, e uivos dos principais do rebanho; porque o SENHOR está destruindo o pasto deles. 37Porque as suas malhadas pacíficas serão desarraigadas, por causa do furor da ira do SENHOR. 38Deixou a sua tenda, como o filho de leão; porque a sua terra foi posta em desolação, por causa do furor do opressor, e por causa do furor da sua ira. Jeremias 26 1NO princípio do reinado de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, veio esta palavra do SENHOR, dizendo: 2Assim diz o SENHOR: Põe-te no átrio da casa do SENHOR e dize a todas as cidades de Judá, que vêm adorar na casa do SENHOR, todas as palavras que te mandei que lhes dissesses; não omitas nenhuma palavra. 3Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações. 4Dize-lhes pois: Assim diz o SENHOR: Se não me derdes ouvidos para andardes na minha lei, que pus diante de vós, 5Para que ouvísseis as palavras dos meus servos, os profetas, que eu vos envio, madrugando e enviando, mas não ouvistes; 6Então farei que esta casa seja como Siló, e farei desta cidade uma maldição para todas as nações da terra. 7Os sacerdotes, e os profetas, e todo o povo, ouviram a Jeremias, falando estas palavras na casa do SENHOR. 8E sucedeu que, acabando Jeremias de dizer tudo quanto o SENHOR lhe havia ordenado que dissesse a todo o povo, pegaram nele os sacerdotes, e os profetas, e todo o povo, dizendo: Certamente morrerás, 9Por que profetizaste no nome do SENHOR, dizendo: Como Siló será esta casa, e esta cidade será assolada, de sorte que não fique nenhum morador nela? E ajuntou-se todo o povo contra Jeremias, na casa do SENHOR. 10E, ouvindo os príncipes de Judá estas palavras, subiram da casa do rei à casa do SENHOR, e se assentaram à entrada da porta nova do SENHOR. 11Então falaram os sacerdotes e os profetas aos príncipes e a todo o povo, dizendo: Este homem é réu de morte, porque profetizou contra esta cidade, como ouvistes com os vossos ouvidos. 12E falou Jeremias a todos os príncipes e a todo o povo, dizendo: O SENHOR me enviou a profetizar contra esta casa, e contra esta cidade, todas as palavras que ouvistes. 13Agora, pois, melhorai os vossos caminhos e as vossas ações, e ouvi a voz do SENHOR vosso Deus, e arrepender-se-á o SENHOR do mal que falou contra vós. 14Quanto a mim, eis que estou nas vossas mãos; fazei de mim conforme o que for bom e reto aos vossos olhos. 15Sabei, porém, com certeza que, se me matardes, trareis sangue inocente sobre vós, e sobre esta cidade, e sobre os seus habitantes; porque, na verdade, o SENHOR me enviou a vós, para dizer aos vossos ouvidos todas estas palavras. 16Então disseram os príncipes, e todo o povo aos sacerdotes e aos profetas: Este homem não é réu de morte, porque em nome do SENHOR, nosso Deus, nos falou. 17Também se levantaram alguns homens dentre os anciãos da terra, e falaram a toda a congregação do povo, dizendo: 18Miquéias, o morastita, profetizou nos dias de Ezequias, rei de Judá, e falou a todo o povo de Judá, dizendo: Assim disse o SENHOR dos Exércitos: Sião será lavrada como um campo, e Jerusalém se tornará em montões de pedras, e o monte desta casa como os altos de um bosque. 19Mataram-no, porventura, Ezequias, rei de Judá, e todo o Judá? Antes não temeu ao SENHOR, e não implorou o favor do SENHOR? E o SENHOR não se arrependeu do mal que falara contra eles? Nós fazemos um grande mal contra as nossas almas. 20Também houve outro homem que profetizava em nome do SENHOR, a saber: Urias, filho de Semaías de Quiriate-Jearim, o qual profetizou contra esta cidade, e contra esta terra, conforme todas as palavras de Jeremias. 21E, ouvindo o rei Jeoiaquim, e todos os seus poderosos e todos os príncipes, as suas palavras, procurou o rei matá-lo; mas ouvindo isto, Urias temeu e fugiu, e foi para o Egito; 22Mas o rei Jeoiaquim enviou alguns homens ao Egito, a saber: Elnatã, filho de Acbor, e outros homens com ele, ao Egito. 23Os quais tiraram a Urias do Egito, e o trouxeram ao rei Jeoiaquim, que o feriu à espada, e lançou o seu cadáver nas sepulturas dos filhos do povo. 24Porém a mão de Aicão, filho de Safã, foi com Jeremias, para que o não entregassem na mão do povo, para ser morto. Jeremias 27 1NO princípio do reinado de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, veio esta palavra a Jeremias da parte do SENHOR, dizendo: 2Assim me disse o SENHOR: Faze uns grilhões e jugos, e põe-nos ao teu pescoço. 3E envia-os ao rei de Edom, e ao rei de Moabe, e ao rei dos filhos de Amom, e ao rei de Tiro, e ao rei de Sidom, pela mão dos mensageiros que vêm a Jerusalém a ter com Zedequias, rei de Judá. 4E lhes ordenarás, que digam aos seus senhores: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Assim direis a vossos senhores: 5Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, com o meu grande poder, e com o meu braço estendido, e a dou a quem é reto aos meus olhos. 6E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo; e ainda até os animais do campo lhe dei, para que o sirvam. 7E todas as nações servirão a ele, e a seu filho, e ao filho de seu filho, até que também venha o tempo da sua própria terra, quando muitas nações e grandes reis se servirão dele. 8E acontecerá que, se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nabucodonosor, rei de Babilônia, e não puserem o seu pescoço debaixo do jugo do rei de Babilônia, a essa nação castigarei com espada, e com fome, e com peste, diz o SENHOR, até que a consuma pela sua mão; 9E vós não deis ouvidos aos vossos profetas, e aos vossos adivinhos, e aos vossos sonhos, e aos vossos agoureiros, e aos vossos encantadores, que vos falam, dizendo: Não servireis ao rei de Babilônia. 10Porque mentiras vos profetizam, para vos mandarem para longe da vossa terra, e para que eu vos expulse dela, e pereçais. 11Mas a nação que colocar o seu pescoço sob o jugo do rei de Babilônia, e o servir, eu a deixarei na sua terra, diz o SENHOR, e lavrá-la-á e habitará nela. 12E falei com Zedequias, rei de Judá, conforme todas estas palavras, dizendo: Colocai os vossos pescoços no jugo do rei de Babilônia, e servi-o, a ele e ao seu povo, e vivereis. 13Por que morrerias tu e o teu povo, à espada, e à fome, e de peste, como o SENHOR disse contra a nação que não servir ao rei de Babilônia? 14E não deis ouvidos às palavras dos profetas, que vos falam, dizendo: Não servireis ao rei de Babilônia; porque vos profetizam mentiras. 15Porque não os enviei, diz o SENHOR, e profetizam falsamente em meu nome; para que eu vos lance fora, e pereçais, vós e os profetas que vos profetizam. 16Também falei aos sacerdotes, e a todo este povo, dizendo: Assim diz o SENHOR: Não deis ouvidos às palavras dos vossos profetas, que vos profetizam, dizendo: Eis que os utensílios da casa do SENHOR cedo voltarão de Babilônia, porque vos profetizam mentiras. 17Não lhes deis ouvidos, servi ao rei de Babilônia, e vivereis; por que se tornaria esta cidade em desolação? 18Porém, se são profetas, e se há palavras do SENHOR com eles, orem agora ao SENHOR dos Exércitos, para que os utensílios que ficaram na casa do SENHOR, e na casa do rei de Judá, e em Jerusalém, não vão para a Babilônia. 19Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos acerca das colunas, e do mar, e das bases, e dos demais utensílios que ficaram na cidade, 20Os quais Nabucodonosor, rei de Babilônia, não levou, quando transportou de Jerusalém para Babilônia a Jeconias, filho de Jeoiaquim, rei de Judá, como também a todos os nobres de Judá e de Jerusalém; 21Assim, pois, diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, acerca dos utensílios que ficaram na casa do SENHOR, e na casa do rei de Judá, e em Jerusalém: 22À Babilônia serão levados, e ali ficarão até o dia em que eu os visitarei, diz o SENHOR; então os farei subir, e os tornarei a trazer a este lugar. Jeremias 28 1E SUCEDEU no mesmo ano, no princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá, no ano quarto, no mês quinto, que Hananias, filho de Azur, o profeta que era de Gibeom, me falou na casa do SENHOR, na presença dos sacerdotes e de todo o povo, dizendo: 2Assim fala o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Eu quebrei o jugo do rei de Babilônia. 3Depois de passados dois anos completos, eu tornarei a trazer a este lugar todos os utensílios da casa do SENHOR, que deste lugar tomou Nabucodonosor, rei de Babilônia, levando-os a Babilônia. 4Também a Jeconias, filho de Jeoiaquim, rei de Judá, e a todos os do cativeiro de Judá, que entraram em Babilônia, eu tornarei a trazer a este lugar, diz o SENHOR; porque quebrarei o jugo do rei de Babilônia. 5Então falou o profeta Jeremias ao profeta Hananias, na presença dos sacerdotes, e na presença de todo o povo que estava na casa do SENHOR. 6Disse, pois, Jeremias, o profeta: Amém! Assim faça o SENHOR; confirme o SENHOR as tuas palavras, que profetizaste, e torne ele a trazer os utensílios da casa do SENHOR, e todos os do cativeiro de Babilônia a este lugar. 7Mas ouve agora esta palavra, que eu falo aos teus ouvidos e aos ouvidos de todo o povo: 8Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram contra muitas terras, e contra grandes reinos, acerca de guerra, e de mal, e de peste. 9O profeta que profetizar de paz, quando se cumprir a palavra desse profeta, será conhecido como aquele a quem o SENHOR na verdade enviou. 10Então Hananias, o profeta, tomou o jugo do pescoço do profeta Jeremias, e o quebrou. 11E falou Hananias na presença de todo o povo, dizendo: Assim diz o SENHOR: Assim, passados dois anos completos, quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei de Babilônia, de sobre o pescoço de todas as nações. E Jeremias, o profeta, seguiu o seu caminho. 12Mas veio a palavra do SENHOR a Jeremias, depois que Hananias, o profeta, quebrou o jugo de sobre o pescoço de Jeremias, o profeta, dizendo: 13Vai, e fala a Hananias, dizendo: Assim diz o SENHOR: Jugos de madeira quebraste, mas em vez deles farás jugos de ferro. 14Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Jugo de ferro pus sobre o pescoço de todas estas nações, para servirem a Nabucodonosor, rei de Babilônia, e servi-lo-ão, e até os animais do campo lhe dei. 15E disse o profeta Jeremias ao profeta Hananias: Ouve agora, Hananias: Não te enviou o SENHOR, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras. 16Portanto, assim diz o SENHOR: Eis que te lançarei de sobre a face da terra; este ano morrerás, porque falaste em rebeldia contra o SENHOR. 17E morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês. Jeremias 29 1E ESTAS são as palavras da carta que Jeremias, o profeta, enviou de Jerusalém, aos que restaram dos anciãos do cativeiro, como também aos sacerdotes, e aos profetas, e a todo o povo que Nabucodonosor havia deportado de Jerusalém para Babilônia 2 (Depois que saíram de Jerusalém o rei Jeconias, e a rainha, e os eunucos, e os príncipes de Judá e Jerusalém, e os carpinteiros e ferreiros), 3Pela mão de Elasa, filho de Safã, e de Gemarias, filho de Hilquias (os quais Zedequias, rei de Judá, tinha enviado a Babilônia, a Nabucodonosor, rei de Babilônia), dizendo: 4Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os do cativeiro, os quais fiz transportar de Jerusalém para Babilônia: 5Edificai casas e habitai-as; e plantai jardins, e comei o seu fruto. 6Tomai mulheres e gerai filhos e filhas, e tomai mulheres para vossos filhos, e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; e multiplicai-vos ali, e não vos diminuais. 7E procurai a paz da cidade, para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz. 8Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhos, que sonhais; 9Porque eles vos profetizam falsamente em meu nome; não os enviei, diz o SENHOR. 10Porque assim diz o SENHOR: Certamente que passados setenta anos em Babilônia, vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar. 11Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais. 12Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei. 13E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração. 14E serei achado de vós, diz o SENHOR, e farei voltar os vossos cativos e congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o SENHOR, e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei. 15Porque dizeis: O SENHOR nos levantou profetas em Babilônia. 16Porque assim diz o SENHOR acerca do rei que se assenta no trono de Davi, e de todo o povo que habita nesta cidade, vossos irmãos, que não saíram conosco para o cativeiro. 17Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis que enviarei entre eles a espada, a fome e a peste, e fá-los-ei como a figos podres que não se podem comer, de ruins que são. 18E persegui-los-ei com a espada, com a fome, e com a peste; e dá-los-ei para deslocarem-se por todos os reinos da terra, para serem uma maldição, e um espanto, e um assobio, e um opróbrio entre todas as nações para onde os tiver lançado. 19Porquanto não deram ouvidos às minhas palavras, diz o SENHOR, mandandolhes eu os meus servos, os profetas, madrugando e enviando; mas vós não escutastes, diz o SENHOR. 20Vós, pois, ouvi a palavra do SENHOR, todos os do cativeiro que enviei de Jerusalém a Babilônia. 21Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, acerca de Acabe, filho de Colaías, e de Zedequias, filho de Maaséias, que vos profetizam falsamente em meu nome: Eis que os entregarei na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e ele os ferirá diante dos vossos olhos. 22E todos os transportados de Judá, que estão em Babilônia, tomarão deles uma maldição, dizendo: O SENHOR te faça como Zedequias, e como Acabe, os quais o rei de Babilônia assou no fogo; 23Porquanto fizeram loucura em Israel, e cometeram adultério com as mulheres dos seus vizinhos, e anunciaram falsamente, em meu nome uma palavra, que não lhes mandei, e eu o sei e sou testemunha disso, diz o SENHOR. 24E a Semaías, o neelamita, falarás, dizendo: 25Assim fala o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Porquanto tu enviaste no teu nome cartas a todo o povo que está em Jerusalém, como também a Sofonias, filho de Maaséias, o sacerdote, e a todos os sacerdotes, dizendo: 26O SENHOR te pôs por sacerdote em lugar de Joiada, o sacerdote, para que sejas encarregado da casa do SENHOR sobre todo o homem fanático, e que profetiza, para o lançares na prisão e no tronco. 27Agora, pois, por que não repreendeste a Jeremias, o anatotita, que vos profetiza? 28Porque até nos mandou dizer em Babilônia: Ainda o cativeiro muito há de durar; edificai casas, e habitai nelas; e plantai pomares, e comei o seu fruto. 29E leu Sofonias, o sacerdote, esta carta aos ouvidos de Jeremias, o profeta. 30E veio a palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo: 31Manda a todos os do cativeiro, dizendo: Assim diz o SENHOR acerca de Semaías, o neelamita: Porquanto Semaías vos profetizou, e eu não o enviei, e vos fez confiar em mentiras, 32Portanto assim diz o SENHOR: Eis que castigarei a Semaías, o neelamita, e a sua descendência; ele não terá ninguém que habite entre este povo, e não verá o bem que hei de fazer ao meu povo, diz o SENHOR, porque falou em rebeldia contra o SENHOR. Jeremias 30 1A PALAVRA que do SENHOR veio a Jeremias, dizendo: 2Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Escreve num livro todas as palavras que te tenho falado. 3Porque eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que farei voltar do cativeiro o meu povo Israel, e de Judá, diz o SENHOR; e tornarei a trazê-los à terra que dei a seus pais, e a possuirão. 4E estas são as palavras que disse o SENHOR, acerca de Israel e de Judá. 5Porque assim diz o SENHOR: Ouvimos uma voz de tremor, de temor mas não de paz. 6Perguntai, pois, e vede, se um homem pode dar à luz. Por que, pois, vejo a cada homem com as mãos sobre os lombos como a que está dando à luz? e por que se tornaram pálidos todos os rostos? 7Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante; e é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela. 8Porque será naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, que eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço, e quebrarei os teus grilhões; e nunca mais se servirão dele os estrangeiros. 9Mas servirão ao SENHOR, seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhes levantarei. 10Não temas, pois, tu, ó meu servo Jacó, diz o SENHOR, nem te espantes, ó Israel; porque eis que te livrarei de terras de longe, e à tua descendência da terra do seu cativeiro; e Jacó voltará, e descansará, e ficará em sossego, e não haverá quem o atemorize. 11Porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te salvar; porquanto darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei; a ti, porém, não darei fim, mas castigar-te-ei com medida, e de todo não te terei por inocente. 12Porque assim diz o SENHOR: A tua ferida é incurável; a tua chaga é dolorosa. 13Não há quem defenda a tua causa para te aplicar curativo; não tens remédios que possam curar. 14Todos os teus amantes se esqueceram de ti, e não perguntam por ti; porque te feri com ferida de inimigo, e com castigo de quem é cruel, pela grandeza da tua maldade e multidão de teus pecados. 15Por que gritas por causa da tua ferida? Tua dor é incurável. Pela grandeza de tua maldade, e multidão de teus pecados, eu fiz estas coisas. 16Por isso todos os que te devoram serão devorados; e todos os teus adversários irão, todos eles, para o cativeiro; e os que te roubam serão roubados, e a todos os que te despojam entregarei ao saque. 17Porque te restaurarei a saúde, e te curarei as tuas chagas, diz o SENHOR; porquanto te chamaram a repudiada, dizendo: É Sião, já ninguém pergunta por ela. 18Assim diz o SENHOR: Eis que farei voltar do cativeiro as tendas de Jacó, e apiedar-me-ei das suas moradas; e a cidade será reedificada sobre o seu montão, e o palácio permanecerá como habitualmente. 19E sairá deles o louvor e a voz de júbilo; e multiplicá-los-ei, e não serão diminuídos, e glorificá-los-ei, e não serão apoucados. 20E seus filhos serão como na antiguidade, e a sua congregação será confirmada diante de mim; e castigarei todos os seus opressores. 21E os seus nobres serão deles; e o seu governador sairá do meio deles, e o farei aproximar, e ele se chegará a mim; pois, quem de si mesmo se empenharia para chegar-se a mim? diz o SENHOR. 22E ser-me-eis por povo, e eu vos serei por Deus. 23Eis que a tempestade do SENHOR, a sua indignação, já saiu; uma tempestade varredora, cairá cruelmente sobre a cabeça dos ímpios. 24Não voltará atrás o furor da ira do SENHOR, até que tenha executado e até que tenha cumprido os desígnios do seu coração; no fim dos dias entendereis isto. Jeremias 31 1NAQUELE tempo, diz o SENHOR, serei o Deus de todas as famílias de Israel, e elas serão o meu povo. 2Assim diz o SENHOR: O povo dos que escaparam da espada achou graça no deserto. Israel mesmo, quando eu o fizer descansar. 3Há muito que o SENHOR me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí. 4Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus tamboris, e sairás nas danças dos que se alegram. 5Ainda plantarás vinhas nos montes de Samaria; os plantadores as plantarão e comerão como coisas comuns. 6Porque haverá um dia em que gritarão os vigias sobre o monte de Efraim: Levantai-vos, e subamos a Sião, ao SENHOR nosso Deus. 7Porque assim diz o SENHOR: Cantai sobre Jacó com alegria, e exultai por causa do chefe das nações; proclamai, cantai louvores, e dizei: Salva, SENHOR, ao teu povo, o restante de Israel. 8Eis que os trarei da terra do norte, e os congregarei das extremidades da terra; entre os quais haverá cegos e aleijados, grávidas e as de parto juntamente; em grande congregação voltarão para aqui. 9Virão com choro, e com súplicas os levarei; guiá-los-ei aos ribeiros de águas, por caminho direito, no qual não tropeçarão, porque sou um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito. 10Ouvi a palavra do SENHOR, ó nações, e anunciai-a nas ilhas longínquas, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará, como o pastor ao seu rebanho. 11Porque o SENHOR resgatou a Jacó, e o livrou da mão do que era mais forte do que ele. 12Assim que virão, e exultarão no alto de Sião, e correrão aos bens do SENHOR, ao trigo, e ao mosto, e ao azeite, e aos cordeiros e bezerros; e a sua alma será como um jardim regado, e nunca mais andarão tristes. 13Então a virgem se alegrará na dança, como também os jovens e os velhos juntamente; e tornarei o seu pranto em alegria, e os consolarei, e lhes darei alegria em lugar de tristeza. 14E saciarei a alma dos sacerdotes com gordura, e o meu povo se fartará dos meus bens, diz o SENHOR. 15Assim diz o SENHOR: Uma voz se ouviu em Ramá, lamentação, choro amargo; Raquel chora seus filhos; não quer ser consolada quanto a seus filhos, porque já não existem. 16Assim diz o SENHOR: Reprime a tua voz de choro, e as lágrimas de teus olhos; porque há galardão para o teu trabalho, diz o SENHOR, pois eles voltarão da terra do inimigo. 17E há esperança quanto ao teu futuro, diz o SENHOR, porque teus filhos voltarão para os seus termos. 18Bem ouvi eu que Efraim se queixava, dizendo: Castigaste-me e fui castigado, como novilho ainda não domado; converte-me, e converter-me-ei, porque tu és o SENHOR meu Deus. 19Na verdade que, depois que me converti, tive arrependimento; e depois que fui instruído, bati na minha coxa; fiquei confuso, e também me envergonhei; porque suportei o opróbrio da minha mocidade. 20Não é Efraim para mim um filho precioso, criança das minhas delícias? Porque depois que falo contra ele, ainda me lembro dele solicitamente; por isso se comovem por ele as minhas entranhas; deveras me compadecerei dele, diz o SENHOR. 21Levanta para ti sinais, faze para ti altos marcos, aplica o teu coração à vereda, ao caminho por onde andaste; volta, pois, ó virgem de Israel, regressa a estas tuas cidades. 22Até quando andarás errante, ó filha rebelde? Porque o SENHOR criou uma coisa nova sobre a terra; uma mulher cercará a um homem. 23Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Ainda dirão esta palavra na terra de Judá, e nas suas cidades, quando eu vos restaurar do seu cativeiro: O SENHOR te abençoe, ó morada de justiça, ó monte de santidade! 24E nela habitarão Judá, e todas as suas cidades juntamente; como também os lavradores e os que pastoreiam o rebanho. 25Porque satisfiz a alma cansada, e toda a alma entristecida saciei. 26Nisto despertei, e olhei, e o meu sono foi doce para mim. 27Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que semearei a casa de Israel, e a casa de Judá, com a semente de homens, e com a semente de animais. 28E será que, como velei sobre eles, para arrancar, e para derrubar, e para transtornar, e para destruir, e para afligir, assim velarei sobre eles, para edificar e para plantar, diz o SENHOR. 29Naqueles dias nunca mais dirão: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram. 30Mas cada um morrerá pela sua iniqüidade; de todo o homem que comer as uvas verdes os dentes se embotarão. 31Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. 32Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. 33Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 34E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados. 35Assim diz o SENHOR, que dá o sol para luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, bramando as suas ondas; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome. 36Se falharem estas ordenanças de diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre. 37Assim disse o SENHOR: Se puderem ser medidos os céus lá em cima, e sondados os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o SENHOR. 38Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que esta cidade será reedificada para o SENHOR, desde a torre de Hananeel até à porta da esquina. 39E a linha de medir estender-se-á para diante dela, até ao outeiro de Garebe, e virar-se-á para Goa. 40E todo o vale dos cadáveres e da cinza, e todos os campos até ao ribeiro de Cedrom, até à esquina da porta dos cavalos para o oriente, serão consagrados ao SENHOR; não se arrancará nem se derrubará mais eternamente. Jeremias 32 1A PALAVRA que veio a Jeremias da parte do SENHOR, no ano décimo de Zedequias, rei de Judá, o qual foi o décimo oitavo de Nabucodonosor. 2Ora, nesse tempo o exército do rei de Babilônia cercava Jerusalém; e Jeremias, o profeta, estava encerrado no pátio da guarda que estava na casa do rei de Judá; 3Porque Zedequias, rei de Judá, o tinha encerrado, dizendo: Por que profetizas tu, dizendo: Assim diz o SENHOR: Eis que entrego esta cidade na mão do rei de Babilônia, e ele a tomará; 4E Zedequias, rei de Judá, não escapará das mãos dos caldeus; mas certamente será entregue na mão do rei de Babilônia, e com ele falará boca a boca, e os seus olhos verão os dele; 5E ele levará Zedequias para Babilônia, e ali estará, até que eu o visite, diz o SENHOR e, ainda que pelejeis contra os caldeus, não ganhareis? 6Disse, pois, Jeremias: Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 7Eis que Hanameel, filho de Salum, teu tio, virá a ti dizendo: Compra para ti a minha herdade que está em Anatote, pois tens o direito de resgate para comprála. 8Veio, pois, a mim Hanameel, filho de meu tio, segundo a palavra do SENHOR, ao pátio da guarda, e me disse: Compra agora a minha herdade que está em Anatote, na terra de Benjamim; porque teu é o direito de herança, e tens o resgate; compra-a para ti. Então entendi que isto era a palavra do SENHOR. 9Comprei, pois, a herdade de Hanameel, filho de meu tio, a qual está em Anatote; e pesei-lhe o dinheiro, dezessete siclos de prata. 10E assinei a escritura, e selei-a, e fiz confirmar por testemunhas; e pesei-lhe o dinheiro numa balança. 11E tomei a escritura da compra, selada segundo a lei e os estatutos, e a cópia aberta. 12E dei a escritura da compra a Baruque, filho de Nerias, filho de Maaséias, na presença de Hanameel, filho de meu tio e na presença das testemunhas, que subscreveram a escritura da compra, e na presença de todos os judeus que se assentavam no pátio da guarda. 13E dei ordem a Baruque, na presença deles, dizendo: 14Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Toma estas escrituras, este auto de compra, tanto a selada, como a aberta, e coloca-as num vaso de barro, para que se possam conservar muitos dias. 15Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Ainda se comprarão casas, e campos, e vinhas nesta terra. 16E depois que dei a escritura da compra a Baruque, filho de Nerias, orei ao SENHOR, dizendo: 17Ah Senhor Deus! Eis que tu fizeste os céus e a terra com o teu grande poder, e com o teu braço estendido; nada há que te seja demasiado difícil; 18Tu que usas de benignidade com milhares, e retribuis a maldade dos pais ao seio dos filhos depois deles; o grande, o poderoso Deus cujo nome é o SENHOR dos Exércitos; 19Grande em conselho, e magnífico em obras; porque os teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens, para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas obras; 20Tu puseste sinais e maravilhas na terra do Egito até ao dia de hoje, tanto em Israel, como entre os outros homens, e te fizeste um nome, o qual tu tens neste dia. 21E tiraste o teu povo Israel da terra do Egito, com sinais e com maravilhas, e com mão forte, e com braço estendido, e com grande espanto, 22E lhes deste esta terra, que juraste a seus pais que lhes havias de dar, terra que mana leite e mel. 23E entraram nela, e a possuíram, mas não obedeceram à tua voz, nem andaram na tua lei; tudo o que lhes mandaste que fizessem, eles não o fizeram; por isso ordenaste lhes sucedesse todo este mal. 24Eis aqui os valados; já vieram contra a cidade para tomá-la, e a cidade está entregue na mão dos caldeus, que pelejam contra ela, pela espada, pela fome e pela pestilência; e o que disseste se cumpriu, e eis aqui o estás presenciando. 25Contudo tu me disseste, ó Senhor Deus: Compra para ti o campo por dinheiro, e faze que o confirmem testemunhas, embora a cidade já esteja entregue na mão dos caldeus. 26Então veio a palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo: 27Eis que eu sou o SENHOR, o Deus de toda a carne; acaso haveria alguma coisa demasiado difícil para mim? 28Portanto assim diz o SENHOR: Eis que eu entrego esta cidade na mão dos caldeus, e na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e ele a tomará. 29E os caldeus, que pelejam contra esta cidade, entrarão nela, e pôr-lhe-ão fogo, e queimarão, as casas sobre cujos terraços queimaram incenso a Baal e ofereceram libações a outros deuses, para me provocarem à ira. 30Porque os filhos de Israel e os filhos de Judá não fizeram senão mal aos meus olhos, desde a sua mocidade; porque os filhos de Israel nada fizeram senão provocar-me à ira com as obras das suas mãos, diz o SENHOR. 31Porque para a minha ira e para o meu furor me tem sido esta cidade, desde o dia em que a edificaram, e até ao dia de hoje, para que a tirasse da minha presença; 32Por causa de toda a maldade dos filhos de Israel, e dos filhos de Judá, que fizeram, para me provocarem à ira, eles e os seus reis, os seus príncipes, os seus sacerdotes, e os seus profetas, como também os homens de Judá e os moradores de Jerusalém. 33E viraram-me as costas, e não o rosto; ainda que eu os ensinava, madrugando e ensinando-os, contudo eles não deram ouvidos, para receberem o ensino. 34Antes puseram as suas abominações na casa que se chama pelo meu nome, para a profanarem. 35E edificaram os altos de Baal, que estão no Vale do Filho de Hinom, para fazerem passar seus filhos e suas filhas pelo fogo a Moloque; o que nunca lhes ordenei, nem veio ao meu coração, que fizessem tal abominação, para fazerem pecar a Judá. 36E por isso agora assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca desta cidade, da qual vós dizeis: Já está dada na mão do rei de Babilônia, pela espada, pela fome, e pela pestilência: 37Eis que eu os congregarei de todas as terras, para onde os tenho lançado na minha ira, e no meu furor, e na minha grande indignação; e os tornarei a trazer a este lugar, e farei que habitem nele seguramente. 38E eles serão o meu povo, e eu lhes serei o seu Deus; 39E lhes darei um mesmo coração, e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem, e o bem de seus filhos, depois deles. 40E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim. 41E alegrar-me-ei deles, fazendo-lhes bem; e plantá-los-ei nesta terra firmemente, com todo o meu coração e com toda a minha alma. 42Porque assim diz o SENHOR: Como eu trouxe sobre este povo todo este grande mal, assim eu trarei sobre ele todo o bem que lhes tenho declarado. 43E comprar-se-ão campos nesta terra, da qual vós dizeis: Está desolada, sem homens, sem animais; está entregue na mão dos caldeus. 44Comprarão campos por dinheiro, e assinarão as escrituras, e as selarão, e farão que confirmem testemunhas, na terra de Benjamim, e nos contornos de Jerusalém, e nas cidades de Judá, e nas cidades das montanhas, e nas cidades das planícies, e nas cidades do sul; porque os farei voltar do seu cativeiro, diz o SENHOR. Jeremias 33 1E VEIO a palavra do SENHOR a Jeremias, segunda vez, estando ele ainda encarcerado no pátio da guarda, dizendo: 2Assim diz o SENHOR que faz isto, o SENHOR que forma isto, para o estabelecer; o SENHOR é o seu nome. 3Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes. 4Porque assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca das casas desta cidade, e das casas dos reis de Judá, que foram derrubadas com os aríetes e à espada. 5Eles entraram a pelejar contra os caldeus, mas isso é para os encher de cadáveres de homens, que feri na minha ira e no meu furor; porquanto escondi o meu rosto desta cidade, por causa de toda a sua maldade. 6Eis que eu trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes manifestarei abundância de paz e de verdade. 7E removerei o cativeiro de Judá e o cativeiro de Israel, e os edificarei como ao princípio. 8E os purificarei de toda a sua maldade com que pecaram contra mim; e perdoarei todas as suas maldades, com que pecaram e transgrediram contra mim; 9E este lugar me servirá de nome, de gozo, de louvor, e de glória, entre todas as nações da terra, que ouvirem todo o bem que eu lhe faço; e espantar-se-ão e perturbar-se-ão por causa de todo o bem, e por causa de toda a paz que eu lhe dou. 10Assim diz o SENHOR: Neste lugar de que vós dizeis que está desolado, e sem homem, sem animal nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, que estão assoladas, sem homem, sem morador, sem animal, ainda se ouvirá: 11A voz de gozo, e a voz de alegria, a voz do esposo e a voz da esposa, e a voz dos que dizem: Louvai ao SENHOR dos Exércitos, porque bom é o SENHOR, porque a sua benignidade dura para sempre; dos que trazem ofertas de ação de graças à casa do SENHOR; pois farei voltar os cativos da terra como ao princípio, diz o SENHOR. 12Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Ainda neste lugar, que está deserto, sem homem nem animal, e em todas as suas cidades, haverá uma morada de pastores, que façam repousar aos seus rebanhos. 13Nas cidades das montanhas, nas cidades das planícies, e nas cidades do sul, e na terra de Benjamim, e nos contornos de Jerusalém, e nas cidades de Judá, ainda passarão os rebanhos pelas mãos dos contadores, diz o SENHOR. 14Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que cumprirei a boa palavra que falei à casa de Israel e à casa de Judá; 15Naqueles dias e naquele tempo farei brotar a Davi um Renovo de justiça, e ele fará juízo e justiça na terra. 16Naqueles dias Judá será salvo e Jerusalém habitará seguramente; e este é o nome com o qual Deus a chamará: O SENHOR é a nossa justiça. 17Porque assim diz o SENHOR: Nunca faltará a Davi homem que se assente sobre o trono da casa de Israel; 18Nem aos sacerdotes levíticos faltará homem diante de mim, que ofereça holocausto, queime oferta de alimentos e faça sacrifício todos os dias. 19E veio a palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo: 20Assim diz o SENHOR: Se puderdes invalidar a minha aliança com o dia, e a minha aliança com a noite, de tal modo que não haja dia e noite a seu tempo, 21Também se poderá invalidar a minha aliança com Davi, meu servo, para que não tenha filho que reine no seu trono; como também com os levitas, sacerdotes, meus ministros. 22Como não se pode contar o exército dos céus, nem medir-se a areia do mar, assim multiplicarei a descendência de Davi, meu servo, e os levitas que ministram diante de mim. 23E veio ainda a palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo: 24Porventura não tens visto o que este povo está dizendo: As duas gerações, que o SENHOR escolheu, agora as rejeitou? Assim desprezam o meu povo, como se não fora mais uma nação diante deles. 25Assim diz o SENHOR: Se a minha aliança com o dia e com a noite não permanecer, e eu não puser as ordenanças dos céus e da terra, 26Também rejeitarei a descendência de Jacó, e de Davi, meu servo, para que não tome da sua descendência os que dominem sobre a descendência de Abraão, Isaque, e Jacó; porque removerei o seu cativeiro, e apiedar-me-ei deles. Jeremias 34 1A PALAVRA que do SENHOR veio a Jeremias, quando Nabucodonosor, rei de Babilônia, e todo o seu exército, e todos os reinos da terra, que estavam sob o domínio da sua mão, e todos os povos, pelejavam contra Jerusalém, e contra todas as suas cidades, dizendo: 2Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Vai, e fala a Zedequias, rei de Judá, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR: Eis que eu entrego esta cidade na mão do rei de Babilônia, o qual queimá-la-á a fogo. 3E tu não escaparás da sua mão, antes certamente serás preso e entregue na sua mão; e teus olhos verão os olhos do rei de Babilônia, e ele te falará boca a boca, e entrarás em Babilônia. 4Todavia ouve a palavra do SENHOR, ó Zedequias, rei de Judá; assim diz o SENHOR acerca de ti: Não morrerás à espada. 5Em paz morrerás, e conforme as queimas para teus pais, os reis precedentes, que foram antes de ti, assim queimarão para ti, e prantear-te-ão, dizendo: Ah, SENHOR! Pois eu disse a palavra, diz o SENHOR. 6E falou Jeremias, o profeta, a Zedequias, rei de Judá, todas estas palavras, em Jerusalém, 7Quando o exército do rei de Babilônia pelejava contra Jerusalém, e contra todas as cidades que restavam de Judá, contra Laquis e contra Azeca; porque estas fortes cidades foram as que ficaram dentre as cidades de Judá. 8A palavra que do SENHOR veio a Jeremias, depois que o rei Zedequias fez aliança com todo o povo que havia em Jerusalém, para lhes apregoar a liberdade; 9Que cada um despedisse livre o seu servo, e cada um a sua serva, hebreu ou hebréia; de maneira que ninguém se fizesse servir deles, sendo judeus, seus irmãos. 10E obedeceram todos os príncipes, e todo o povo que havia entrado na aliança, que cada um despedisse livre o seu servo, e cada um a sua serva, de maneira que não se fizessem mais servir deles; obedeceram, pois, e os soltaram, 11Mas depois se arrependeram, e fizeram voltar os servos e as servas que haviam libertado, e os sujeitaram por servos e por servas. 12Veio, pois, a palavra do SENHOR a Jeremias, da parte do SENHOR, dizendo: 13Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu fiz aliança com vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, da casa da servidão, dizendo: 14Ao fim de sete anos libertareis cada um a seu irmão hebreu, que te for vendido, e te houver servido seis anos, e despedi-lo-ás livre de ti; mas vossos pais não me ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos. 15E vos havíeis hoje arrependido, e fizestes o que é reto aos meus olhos, apregoando liberdade cada um ao seu próximo; e fizestes diante de mim uma aliança, na casa que se chama pelo meu nome; 16Mudastes, porém, e profanastes o meu nome, e fizestes voltar cada um ao seu servo, e cada um à sua serva, os quais já tínheis despedido libertos conforme a vontade deles; e os sujeitastes, para que se vos fizessem servos e servas. 17Portanto assim diz o SENHOR: Vós não me ouvistes a mim, para apregoardes a liberdade, cada um ao seu irmão, e cada um ao seu próximo; pois eis que eu vos apregôo a liberdade, diz o SENHOR, para a espada, para a pestilência, e para a fome; e farei que sejais espanto a todos os reinos da terra. 18E entregarei os homens que transgrediram a minha aliança, que não cumpriram as palavras da aliança que fizeram diante de mim, com o bezerro, que dividiram em duas partes, e passaram pelo meio das suas porções; 19A saber, os príncipes de Judá, e os príncipes de Jerusalém, os eunucos, e os sacerdotes, e todo o povo da terra que passou por meio das porções do bezerro; 20Entregá-los-ei, digo, na mão de seus inimigos, e na mão dos que procuram a sua morte, e os cadáveres deles servirão de alimento para as aves dos céus e para os animais da terra. 21E até o rei Zedequias, rei de Judá, e seus príncipes entregarei na mão de seus inimigos e na mão dos que procuram a sua morte, a saber, na mão do exército do rei de Babilônia, que já se retirou de vós. 22Eis que eu darei ordem, diz o SENHOR, e os farei voltar a esta cidade, e pelejarão contra ela, e a tomarão, e a queimarão a fogo; e as cidades de Judá porei em assolação, de sorte que ninguém habite nelas. Jeremias 35 1A PALAVRA que do SENHOR veio a Jeremias, nos dias de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, dizendo: 2Vai à casa dos recabitas, e fala com eles, e leva-os à casa do SENHOR, a uma das câmaras e dá-lhes vinho a beber. 3Então tomei a Jazanias, filho de Jeremias, filho de Habazinias, e a seus irmãos, e a todos os seus filhos, e a toda a casa dos recabitas; 4E os levei à casa do SENHOR, à câmara dos filhos de Hanã, filho de Jigdalias, homem de Deus, que estava junto à câmara dos príncipes, que ficava sobre a câmara de Maaséias, filho de Salum, guarda do vestíbulo; 5E pus diante dos filhos da casa dos recabitas taças cheias de vinho, e copos, e disselhes: Bebei vinho. 6Porém eles disseram: Não beberemos vinho, porque Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, nos ordenou, dizendo: Nunca jamais bebereis vinho, nem vós nem vossos filhos; 7Não edificareis casa, nem semeareis semente, nem plantareis vinha, nem a possuireis; mas habitareis em tendas todos os vossos dias, para que vivais muitos dias sobre a face da terra, em que vós andais peregrinando. 8Obedecemos, pois, à voz de Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, em tudo quanto nos ordenou; de maneira que não bebemos vinho em todos os nossos dias, nem nós, nem nossas mulheres, nem nossos filhos, nem nossas filhas; 9Nem edificamos casas para nossa habitação; nem temos vinha, nem campo, nem semente. 10Mas habitamos em tendas, e assim obedecemos e fazemos conforme tudo quanto nos ordenou Jonadabe, nosso pai. 11Sucedeu, porém, que, subindo Nabucodonosor, rei de Babilônia, a esta terra, dissemos: Vinde, e vamo-nos a Jerusalém, por causa do exército dos caldeus, e por causa do exército dos sírios; e assim ficamos em Jerusalém. 12Então veio a palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo: 13Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Vai, e dize aos homens de Judá e aos moradores de Jerusalém: Porventura nunca aceitareis instrução, para ouvirdes as minhas palavras? diz o SENHOR. 14As palavras de Jonadabe, filho de Recabe, que ordenou a seus filhos que não bebessem vinho, foram guardadas; pois não beberam até este dia, antes obedeceram o mandamento de seu pai; a mim, porém, que vos tenho falado, madrugando e falando, não me ouvistes. 15E vos tenho enviado todos os meus servos, os profetas, madrugando, e insistindo, e dizendo: Convertei-vos, agora, cada um do seu mau caminho, e fazei boas as vossas ações, e não sigais a outros deuses para servi-los; e assim ficareis na terra que vos dei a vós e a vossos pais; porém não inclinastes o vosso ouvido, nem me obedecestes a mim. 16Visto que os filhos de Jonadabe, filho de Recabe, guardaram o mandamento de seu pai que ele lhes ordenou, mas este povo não me obedeceu, 17Por isso assim diz o SENHOR Deus dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre Judá, e sobre todos os moradores de Jerusalém, todo o mal que falei contra eles; pois lhes tenho falado, e não ouviram; e clamei a eles, e não responderam. 18E à casa dos recabitas disse Jeremias: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Pois que obedecestes ao mandamento de Jonadabe, vosso pai, e guardastes todos os seus mandamentos, e fizestes conforme tudo quanto vos ordenou, 19Portanto assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Nunca faltará homem a Jonadabe, filho de Recabe, que esteja na minha presença todos os dias. Jeremias 36 1SUCEDEU, pois, no ano quarto de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, que veio esta palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo: 2Toma o rolo de um livro, e escreve nele todas as palavras que te tenho falado de Israel, e de Judá, e de todas as nações, desde o dia em que eu te falei, desde os dias de Josias até ao dia de hoje. 3Porventura ouvirão os da casa de Judá todo o mal que eu intento fazer-lhes; para que cada qual se converta do seu mau caminho, e eu perdoe a sua maldade e o seu pecado. 4Então Jeremias chamou a Baruque, filho de Nerias; e escreveu Baruque da boca de Jeremias no rolo de um livro todas as palavras do SENHOR, que ele lhe tinha falado. 5E Jeremias deu ordem a Baruque, dizendo: Eu estou encarcerado; não posso entrar na casa do SENHOR. 6Entra, pois, tu, e pelo rolo que escreveste da minha boca, lê as palavras do SENHOR aos ouvidos do povo, na casa do SENHOR, no dia de jejum; e também, aos ouvidos de todos os de Judá, que vêm das suas cidades, as lerás. 7Pode ser que caia a sua súplica diante do SENHOR, e se converta cada um do seu mau caminho; porque grande é a ira e o furor que o SENHOR tem expressado contra este povo. 8E fez Baruque, filho de Nerias, conforme tudo quanto lhe havia ordenado Jeremias, o profeta, lendo naquele livro as palavras do SENHOR, na casa do SENHOR. 9E aconteceu, no quinto ano de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, no mês nono, que apregoaram jejum diante do SENHOR a todo o povo em Jerusalém, como também a todo o povo que vinha das cidades de Judá a Jerusalém. 10Leu, pois, Baruque naquele livro as palavras de Jeremias, na casa do SENHOR, na câmara de Gemarias, filho de Safã, o escriba, no átrio superior, à entrada da porta nova da casa do SENHOR, aos ouvidos de todo o povo. 11E, ouvindo Micaías, filho de Gemarias, filho de Safã, todas as palavras do SENHOR, daquele livro, 12Desceu à casa do rei, à câmara do escriba. E eis que todos os príncipes estavam ali assentados, a saber: Elisama, o escriba, e Delaías, filho de Semaías, e Elnatã, filho de Acbor, e Gemarias, filho de Safã, e Zedequias, filho de Hananias, e todos os outros príncipes. 13E Micaías anunciou-lhes todas as palavras que ouvira, quando Baruque leu o livro, aos ouvidos do povo. 14Então todos os príncipes mandaram Jeudi, filho de Netanias, filho de Selemias, filho de Cusi, a Baruque, para lhe dizer: O rolo que leste aos ouvidos do povo, toma-o na tua mão, e vem. E Baruque, filho de Nerias, tomou o rolo na sua mão, e foi ter com eles. 15E disseram-lhe: Assenta-te agora, e lê-o aos nossos ouvidos. E leu Baruque aos ouvidos deles. 16E sucedeu que, ouvindo eles todas aquelas palavras, voltaram-se temerosos uns para os outros, e disseram a Baruque: Sem dúvida alguma anunciaremos ao rei todas estas palavras. 17E perguntaram a Baruque, dizendo: Declara-nos agora como escreveste da sua boca todas estas palavras. 18E disselhes Baruque: Da sua boca ele me ditava todas estas palavras, e eu com tinta as escrevia no livro. 19Então disseram os príncipes a Baruque: Vai, esconde-te, tu e Jeremias, e ninguém saiba onde estais. 20E foram ter com o rei ao átrio: mas depositaram o rolo na câmara de Elisama, o escriba, e anunciaram aos ouvidos do rei todas aquelas palavras. 21Então enviou o rei a Jeudi, para que tomasse o rolo; e Jeudi tomou-o da câmara de Elisama, o escriba, e leu-o aos ouvidos do rei e aos ouvidos de todos os príncipes que estavam em torno do rei. 22Ora, o rei estava assentado na casa de inverno, pelo nono mês; e diante dele estava um braseiro aceso. 23E sucedeu que, tendo Jeudi lido três ou quatro folhas, cortou-as com um canivete de escrivão, e lançou-as no fogo que havia no braseiro, até que todo o rolo se consumiu no fogo que estava sobre o braseiro. 24E não temeram, nem rasgaram as suas vestes, nem o rei, nem nenhum dos seus servos que ouviram todas aquelas palavras. 25E, posto que Elnatã, e Delaías, e Gemarias tivessem rogado ao rei que não queimasse o rolo, ele não lhes deu ouvidos. 26Antes deu ordem o rei a Jerameel, filho de Hamaleque, e a Seraías, filho de Azriel, e a Selemias, filho de Abdeel, que prendessem a Baruque, o escrivão, e a Jeremias, o profeta; mas o SENHOR os escondera. 27Então veio a Jeremias a palavra do SENHOR, depois que o rei queimara o rolo, com as palavras que Baruque escrevera da boca de Jeremias, dizendo: 28Toma ainda outro rolo, e escreve nele todas aquelas palavras que estavam no primeiro rolo, que queimou Jeoiaquim, rei de Judá. 29E a Jeoiaquim, rei de Judá, dirás: Assim diz o SENHOR: Tu queimaste este rolo, dizendo: Por que escreveste nele, dizendo: Certamente virá o rei de Babilônia, e destruirá esta terra e fará cessar nela homens e animais? 30Portanto assim diz o SENHOR, acerca de Jeoiaquim, rei de Judá: Não terá quem se assente sobre o trono de Davi, e será lançado o seu cadáver ao calor do dia, e à geada da noite. 31E castigarei a sua iniqüidade nele, e na sua descendência, e nos seus servos; e trarei sobre ele e sobre os moradores de Jerusalém, e sobre os homens de Judá, todo aquele mal que lhes tenho falado, e não ouviram. 32Tomou, pois, Jeremias outro rolo, e deu-o a Baruque, filho de Nerias, o escrivão, o qual escreveu nele, da boca de Jeremias, todas as palavras do livro que Jeoiaquim, rei de Judá, tinha queimado no fogo; e ainda se lhes acrescentaram muitas palavras semelhantes. Jeremias 37 1E ZEDEQUIAS, filho de Josias, a quem Nabucodonosor, rei de Babilônia, constituiu rei na terra de Judá, reinou em lugar de Conias, filho de Jeoiaquim. 2Mas nem ele, nem os seus servos, nem o povo da terra deram ouvidos às palavras do SENHOR que falou pelo ministério de Jeremias, o profeta. 3Contudo mandou o rei Zedequias a Jucal, filho de Selemias, e a Sofonias, filho de Maaséias, o sacerdote, ao profeta Jeremias, para lhe dizer: Roga agora por nós ao SENHOR nosso Deus. 4E entrava e saía Jeremias entre o povo, porque não o tinham posto na prisão. 5E o exército de Faraó saíra do Egito; e quando os caldeus, que tinham sitiado Jerusalém, ouviram esta notícia, retiraram-se de Jerusalém. 6Então veio a Jeremias, o profeta, a palavra do SENHOR, dizendo: 7Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Assim direis ao rei de Judá, que vos enviou a mim para me consultar: Eis que o exército de Faraó, que saiu em vosso socorro, voltará para a sua terra no Egito. 8E voltarão os caldeus, e pelejarão contra esta cidade, e a tomarão, e a queimarão a fogo. 9Assim diz o SENHOR: Não enganeis as vossas almas, dizendo: Sem dúvida se retirarão os caldeus de nós, pois não se retirarão. 10Porque ainda que ferísseis a todo o exército dos caldeus, que peleja contra vós, e só ficassem deles homens feridos, cada um levantar-se-ia na sua tenda, e queimaria a fogo esta cidade. 11E sucedeu que, subindo de Jerusalém o exército dos caldeus, por causa do exército de Faraó, 12Saiu Jeremias de Jerusalém, a fim de ir à terra de Benjamim, para dali se separar no meio do povo. 13Mas, estando ele à porta de Benjamim, achava-se ali um capitão da guarda, cujo nome era Jerias, filho de Selemias, filho de Hananias, o qual prendeu a Jeremias, o profeta, dizendo: Tu foges para os caldeus. 14E Jeremias disse: Isso é falso, não fujo para os caldeus. Mas ele não lhe deu ouvidos; e assim Jerias prendeu a Jeremias, e o levou aos príncipes. 15E os príncipes se iraram muito contra Jeremias, e o feriram; e puseram-no na prisão, na casa de Jônatas, o escrivão; porque a tinham transformado em cárcere. 16Entrando, pois, Jeremias nas celas do calabouço, ali ficou muitos dias. 17E mandou o rei Zedequias soltá-lo; e o rei lhe perguntou em sua casa, em segredo: Há porventura alguma palavra do SENHOR? E disse Jeremias: Há. E disse ainda: Na mão do rei de Babilônia serás entregue. 18Disse mais Jeremias ao rei Zedequias: Em que tenho pecado contra ti, e contra os teus servos, e contra este povo, para que me pusésseis na prisão? 19Onde estão agora os vossos profetas, que vos profetizavam, dizendo: O rei de Babilônia não virá contra vós nem contra esta terra? 20Ora, pois, ouve agora, ó rei meu senhor: Seja aceita agora a minha súplica diante de ti, e não me deixes tornar à casa de Jônatas, o escriba, para que eu não venha a morrer ali. 21Então ordenou o rei Zedequias que pusessem a Jeremias no átrio da guarda; e deram-lhe um pão cada dia, da rua dos padeiros, até que se acabou todo o pão da cidade; assim ficou Jeremias no átrio da guarda. Jeremias 38 1OUVIRAM, pois, Sefatias, filho de Matã, e Gedalias, filho de Pasur, e Jucal, filho de Selemias, e Pasur, filho de Malquias, as palavras que anunciava Jeremias a todo o povo, dizendo: 2Assim diz o SENHOR: O que ficar nesta cidade morrerá à espada, de fome e de pestilência; mas o que sair aos caldeus viverá; porque a sua alma lhe será por despojo, e viverá. 3Assim diz o SENHOR: Esta cidade infalivelmente será entregue na mão do exército do rei de Babilônia, e ele a tomará. 4E disseram os príncipes ao rei: Morra este homem, visto que ele assim enfraquece as mãos dos homens de guerra que restam nesta cidade, e as mãos de todo o povo, dizendo-lhes tais palavras; porque este homem não busca a paz para este povo, porém o mal. 5E disse o rei Zedequias: Eis que ele está na vossa mão; porque o rei nada pode fazer contra vós. 6Então tomaram a Jeremias, e o lançaram na cisterna de Malquias, filho do rei, que estava no átrio da guarda; e desceram a Jeremias com cordas; mas na cisterna não havia água, senão lama; e atolou-se Jeremias na lama. 7E, ouvindo Ebede-Meleque, o etíope, um eunuco que então estava na casa do rei, que tinham posto a Jeremias na cisterna (estava, porém, o rei assentado à porta de Benjamim), 8Logo Ebede-Meleque saiu da casa do rei, e falou ao rei, dizendo: 9Ó rei, senhor meu, estes homens agiram mal em tudo quanto fizeram a Jeremias, o profeta, lançando-o na cisterna; de certo morrerá de fome no lugar onde se acha, pois não há mais pão na cidade. 10Então deu ordem o rei a Ebede-Meleque, o etíope, dizendo: Toma contigo daqui trinta homens, e tira a Jeremias, o profeta, da cisterna, antes que morra. 11E tomou Ebede-Meleque os homens consigo, e foi à casa do rei, por debaixo da tesouraria, e tomou dali uns trapos velhos e rotos, e roupas velhas, e desceu-os a Jeremias na cisterna por meio de cordas. 12E disse Ebede-Meleque, o etíope, a Jeremias: Põe agora estes trapos velhos e rotos, já apodrecidos, nas axilas, calçando as cordas. E Jeremias assim o fez. 13E puxaram a Jeremias com as cordas, e o alçaram da cisterna; e ficou Jeremias no átrio da guarda. 14Então o rei Zedequias mandou trazer à sua presença Jeremias, o profeta, à terceira entrada da casa do SENHOR; e disse o rei a Jeremias: Pergunto-te uma coisa, não me encubras nada. 15E disse Jeremias a Zedequias: Se eu te declarar, porventura não me matarás? E se eu te aconselhar, não me ouvirás? 16Então jurou o rei Zedequias a Jeremias, em segredo, dizendo: Vive o SENHOR, que nos fez esta alma, que não te matarei nem te entregarei na mão destes homens que procuram a tua morte. 17Então Jeremias disse a Zedequias: Assim diz o SENHOR, Deus dos Exércitos, Deus de Israel: Se voluntariamente saíres aos príncipes do rei de Babilônia, então viverá a tua alma, e esta cidade não se queimará a fogo, e viverás tu e a tua casa. 18Mas, se não saíres aos príncipes do rei de Babilônia, então será entregue esta cidade na mão dos caldeus, e queimá-la-ão a fogo, e tu não escaparás da mão deles. 19E disse o rei Zedequias a Jeremias: Receio-me dos judeus, que se passaram para os caldeus; que estes me entreguem na mão deles, e escarneçam de mim. 20E disse Jeremias: Não te entregarão; ouve, peço-te, a voz do SENHOR, conforme a qual eu te falo; e bem te irá, e viverá a tua alma. 21Mas, se tu não quiseres sair, esta é a palavra que me mostrou o SENHOR: 22Eis que todas as mulheres que ficaram na casa do rei de Judá serão levadas aos príncipes do rei de Babilônia, e elas mesmas dirão: Teus pacificadores te incitaram e prevaleceram contra ti, mas agora que se atolaram os teus pés na lama, voltaram atrás. 23Assim que a todas as tuas mulheres e a teus filhos levarão aos caldeus, e nem tu escaparás da sua mão, antes pela mão do rei de Babilônia serás preso, e esta cidade será queimada a fogo. 24Então disse Zedequias a Jeremias: Ninguém saiba estas palavras, e não morrerás. 25E quando os príncipes, ouvindo que falei contigo, vierem a ti, e te disserem: Declara-nos agora o que disseste ao rei e o que ele te disse, não no-lo encubras, e não te mataremos; 26Então lhes dirás: Eu lancei a minha súplica diante do rei, que não me fizesse tornar à casa de Jônatas, para morrer ali. 27Vindo, pois, todos os príncipes a Jeremias, e interrogando-o, declarou-lhes todas as palavras que o rei lhe havia ordenado; e calados o deixaram, porque o assunto não foi revelado. 28E ficou Jeremias no átrio da guarda, até o dia em que Jerusalém foi tomada, e ainda ali estava quando Jerusalém foi tomada. Jeremias 39 1NO ano nono de Zedequias, rei de Judá, no décimo mês, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, e todo o seu exército, contra Jerusalém, e a cercaram. 2No ano undécimo de Zedequias, no quarto mês, aos nove do mês, fez-se uma brecha na cidade. 3Entraram nela todos os príncipes do rei de Babilônia, e pararam na porta do meio, a saber: Nergal-Sarezer, Sangar-Nebo, Sarsequim, Rabe-Saris, NergalSarezer, Rabe-Mague, e todos os outros príncipes do rei de Babilônia. 4E sucedeu que, vendo-os Zedequias, rei de Judá, e todos os homens de guerra, fugiram, saindo de noite da cidade, pelo caminho do jardim do rei, pela porta que está entre os dois muros; e seguiram pelo caminho da campina. 5Mas o exército dos caldeus os perseguiu, e alcançou a Zedequias nas campinas de Jericó; e eles o prenderam, e fizeram-no subir a Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Ribla, na terra de Hamate, e o rei o sentenciou. 6E o rei de Babilônia matou em Ribla os filhos de Zedequias, diante dos seus olhos; também matou o rei de Babilônia a todos os nobres de Judá. 7E cegou os olhos de Zedequias, e o atou com duas cadeias de bronze, para leválo a Babilônia. 8E os caldeus incendiaram a casa do rei e as casas do povo, e derrubaram os muros de Jerusalém. 9E o restante do povo, que ficou na cidade, e os desertores que se tinham passado para ele, e o restante do povo que ficou, Nebuzaradã, capitão da guarda, levou cativo para a Babilônia. 10Porém os pobres dentre o povo, que não tinham nada, Nebuzaradã, capitão da guarda, deixou na terra de Judá; e deu-lhes vinhas e campos naquele dia. 11Mas Nabucodonosor, rei de Babilônia, havia ordenado acerca de Jeremias, a Nebuzaradã, capitão da guarda, dizendo: 12Toma-o, e põe sobre ele os teus olhos, e não lhe faças nenhum mal; antes como ele te disser, assim procederás com ele. 13Por isso mandou Nebuzaradã, capitão da guarda, e Nebusazbã, Rabe-Saris, Nergal-Sarezer, Rabe-Mague, e todos os príncipes do rei de Babilônia, 14Mandaram retirar a Jeremias do átrio da guarda, e o entregaram a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, para que o levassem à casa; e ele habitou entre o povo. 15Ora, tinha vindo a Jeremias a palavra do SENHOR, estando ele ainda encarcerado no átrio da guarda, dizendo: 16Vai, e fala a Ebede-Meleque, o etíope, dizendo: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que eu trarei as minhas palavras sobre esta cidade para mal e não para bem; e cumprir-se-ão diante de ti naquele dia. 17A ti, porém, eu livrarei naquele dia, diz o SENHOR, e não serás entregue na mão dos homens, a quem temes. 18Porque certamente te livrarei, e não cairás à espada; mas a tua alma terás por despojo, porquanto confiaste em mim, diz o SENHOR. Jeremias 40 1A PALAVRA que veio a Jeremias da parte do SENHOR, depois que Nebuzaradã, capitão da guarda, o deixara ir de Ramá, quando o tomou, estando ele atado com cadeias no meio de todos os do cativeiro de Jerusalém e de Judá, que foram levados cativos para Babilônia. 2Tomou o capitão da guarda a Jeremias, e disse-lhe: O SENHOR teu Deus pronunciou este mal, contra este lugar. 3E o SENHOR o trouxe, e fez como havia falado; porque pecastes contra o SENHOR, e não obedecestes à sua voz, portanto vos sucedeu isto. 4Agora, pois, eis que te soltei hoje das cadeias que estavam sobre as tuas mãos. Se te apraz vir comigo para Babilônia, vem, e eu cuidarei de ti, mas se não te apraz vir comigo para Babilônia, deixa de vir. Olha, toda a terra está diante de ti; para onde parecer bom e reto aos teus olhos ir, para ali vai. 5Mas, como ele ainda não tinha voltado, disse-lhe: Volta a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, a quem o rei de Babilônia pôs sobre as cidades de Judá, e habita com ele no meio do povo; ou se para qualquer outra parte te aprouver ir, vai. E deu-lhe o capitão da guarda sustento para o caminho, e um presente, e o deixou ir. 6Assim veio Jeremias a Gedalias, filho de Aicão, a Mizpá; e habitou com ele no meio do povo que havia ficado na terra. 7Ouvindo, pois, todos os capitães dos exércitos, que estavam no campo, eles e os seus homens, que o rei de Babilônia tinha nomeado a Gedalias, filho de Aicão, governador da terra, e que lhe havia confiado os homens, e as mulheres, e os meninos, e os mais pobres da terra, que não foram levados cativos a Babilônia, 8Vieram ter com Gedalias, a Mizpá; a saber: Ismael, filho de Netanias, e Joanã e Jônatas, filhos de Careá, e Seraías, filho de Tanumete, e os filhos de Efai, o netofatita, e Jezanias, filho de um maacatita, eles e os seus homens. 9E jurou Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, a eles e aos seus homens, dizendo: Não temais servir aos caldeus; ficai na terra, e servi o rei de Babilônia, e bem vos irá. 10Quanto a mim, eis que habito em Mizpá, para estar às ordens dos caldeus que vierem a nós; e vós recolhei o vinho, e as frutas de verão, e o azeite, e colocai-os nos vossos vasos, e habitai nas vossas cidades, que tomastes. 11Do mesmo modo todos os judeus que estavam em Moabe, e entre os filhos de Amom, e em Edom, e os que havia em todas aquelas terras, ouviram que o rei de Babilônia havia deixado alguns em Judá, e que havia posto sobre eles a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, 12Então voltaram todos os judeus de todos os lugares, para onde foram lançados, e vieram à terra de Judá, a Gedalias, a Mizpá; e recolheram vinho e frutas do verão com muita abundância. 13Joanã, filho de Careá, e todos os capitães dos exércitos, que estavam no campo, vieram a Gedalias, a Mizpá. 14E disseram-lhe: Bem sabes que Baalis, rei dos filhos de Amom, enviou a Ismael, filho de Netanias, para tirar-te a vida. Mas, Gedalias, filho de Aicão, não lhes deu crédito. 15Todavia Joanã, filho de Careá, falou a Gedalias em segredo, em Mizpá, dizendo: Irei agora, e ferirei a Ismael, filho de Netanias, sem que ninguém o saiba; por que razão te tiraria ele a vida, de modo que todos os judeus, que se têm congregado a ti, fossem dispersos, e perecesse o restante de Judá? 16Mas disse Gedalias, filho de Aicão, a Joanã, filho de Careá: Não faças tal coisa; porque falas falsamente contra Ismael. Jeremias 41 1SUCEDEU, porém, no mês sétimo, que veio Ismael, filho de Netanias, filho de Elisama, de sangue real, e com ele dez homens, príncipes do rei, a Gedalias, filho de Aicão, a Mizpá; e comeram pão juntos ali em Mizpá. 2E levantou-se Ismael, filho de Netanias, com os dez homens que estavam com ele, e feriram à espada a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, matando assim aquele que o rei de Babilônia havia posto por governador sobre a terra. 3Também matou Ismael a todos os judeus que com ele, com Gedalias, estavam em Mizpá, como também aos caldeus, homens de guerra, que se achavam ali. 4Sucedeu, pois, no dia seguinte, depois que ele matara a Gedalias, sem ninguém o saber, 5Que vieram homens de Siquém, de Siló, e de Samaria; oitenta homens, com a barba rapada, e as vestes rasgadas, e retalhando-se; e trazendo nas suas mãos ofertas e incenso, para levarem à casa do SENHOR. 6E, saindo-lhes ao encontro Ismael, filho de Netanias, desde Mizpá, ia chorando; e sucedeu que, encontrando-os lhes disse: Vinde a Gedalias, filho de Aicão. 7Sucedeu, porém, que, entrando eles até ao meio da cidade, matou-os Ismael, filho de Netanias, e os lançou num poço, ele e os homens que estavam com ele. 8Mas houve entre eles dez homens que disseram a Ismael: Não nos mates, porque temos, no campo, tesouros, trigo, cevada, azeite e mel. E ele por isso os deixou, e não os matou entre seus irmãos. 9E o poço em que Ismael lançou todos os cadáveres dos homens que matou por causa de Gedalias é o mesmo que fez o rei Asa, por causa de Baasa, rei de Israel; foi esse mesmo que Ismael, filho de Netanias, encheu de mortos. 10E Ismael levou cativo a todo o restante do povo que estava em Mizpá, isto é, as filhas do rei, e todo o povo que ficara em Mizpá, que Nebuzaradã, capitão da guarda, havia confiado a Gedalias, filho de Aicão; e levou-os cativos Ismael, filho de Netanias, e se foi para passar aos filhos de Amom. 11Ouvindo, pois, Joanã, filho de Careá, e todos os capitães dos exércitos que estavam com ele, todo o mal que havia feito Ismael, filho de Netanias, 12Tomaram todos os seus homens, e foram pelejar contra Ismael, filho de Netanias; e acharam-no ao pé das grandes águas que há em Gibeom. 13E aconteceu que, vendo todo o povo, que estava com Ismael, a Joanã, filho de Careá, e a todos os capitães dos exércitos, que vinham com ele, se alegrou. 14E todo o povo que Ismael levara cativo de Mizpá virou as costas, e voltou, e foi para Joanã, filho de Careá. 15Mas Ismael, filho de Netanias, escapou com oito homens de diante de Joanã, e se foi para os filhos de Amom. 16Então tomou Joanã, filho de Careá, e todos os capitães dos exércitos que estavam com ele, a todo o restante do povo que ele havia recobrado de Ismael, filho de Netanias, desde Mizpá, depois de haver matado a Gedalias, filho de Aicão, isto é, aos homens poderosos de guerra, e às mulheres, e aos meninos, e aos eunucos que havia recobrado de Gibeom. 17E partiram, indo habitar em Gerute-Quimã, que está perto de Belém, para dali irem e entrarem no Egito, 18Por causa dos caldeus; porque os temiam, por ter Ismael, filho de Netanias, matado a Gedalias, filho de Aicão, a quem o rei de Babilônia tinha feito governador sobre a terra. Jeremias 42 1ENTÃO chegaram todos os capitães dos exércitos, e Joanã, filho de Careá, e Jezanias, filho de Hosaías, e todo o povo, desde o menor até ao maior, 2E disseram a Jeremias, o profeta: Aceita agora a nossa súplica diante de ti, e roga ao SENHOR teu Deus, por nós e por todo este remanescente; porque de muitos restamos uns poucos, como nos vêem os teus olhos; 3Para que o SENHOR teu Deus nos ensine o caminho por onde havemos de andar e aquilo que havemos de fazer. 4E disselhes Jeremias, o profeta: Eu vos tenho ouvido; eis que orarei ao SENHOR vosso Deus conforme as vossas palavras; e seja o que for que o SENHOR vos responder eu vo-lo declararei; não vos ocultarei uma só palavra. 5Então eles disseram a Jeremias: Seja o SENHOR entre nós testemunha verdadeira e fiel, se não fizermos conforme toda a palavra com que te enviar a nós o SENHOR teu Deus. 6Seja ela boa, ou seja má, à voz do SENHOR nosso Deus, a quem te enviamos, obedeceremos, para que nos suceda bem, obedecendo à voz do SENHOR nosso Deus. 7E sucedeu que ao fim de dez dias veio a palavra do SENHOR a Jeremias. 8Então chamou a Joanã, filho de Careá, e a todos os capitães dos exércitos, que havia com ele, e a todo o povo, desde o menor até ao maior, 9E disselhes: Assim diz o SENHOR, Deus de Israel, a quem me enviastes, para apresentar a vossa súplica diante dele: 10Se de boa mente ficardes nesta terra, então vos edificarei, e não vos derrubarei; e vos plantarei, e não vos arrancarei; porque estou arrependido do mal que vos tenho feito. 11Não temais o rei de Babilônia, a quem vós temeis; não o temais, diz o SENHOR, porque eu sou convosco, para vos salvar e para vos livrar da sua mão. 12E vos concederei misericórdia, para que ele tenha misericórdia de vós, e vos faça voltar à vossa terra. 13Mas se vós disserdes: Não ficaremos nesta terra, não obedecendo à voz do SENHOR vosso Deus, 14Dizendo: Não, antes iremos à terra do Egito, onde não veremos guerra, nem ouviremos som de trombeta, nem teremos fome de pão, e ali ficaremos, 15Nesse caso ouvi a palavra do SENHOR, ó remanescente de Judá: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Se vós absolutamente propuserdes a entrar no Egito, e entrardes para lá habitar, 16Acontecerá que a espada que vós temeis vos alcançará ali na terra do Egito, e a fome que vós receais vos seguirá de perto no Egito, e ali morrereis. 17Assim será com todos os homens que puseram os seus rostos para entrarem no Egito, a fim de lá habitarem: morrerão à espada, e de fome, e de peste; e deles não haverá quem reste e escape do mal que eu farei vir sobre eles. 18Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Como se derramou a minha ira e a minha indignação sobre os habitantes de Jerusalém, assim se derramará a minha indignação sobre vós, quando entrardes no Egito; e sereis objeto de maldição, e de espanto, e de execração, e de opróbrio, e não vereis mais este lugar. 19Falou o SENHOR acerca de vós, ó remanescente de Judá! Não entreis no Egito; tende por certo que hoje testifiquei contra vós. 20Porque vos enganastes a vós mesmos, pois me enviastes ao SENHOR vosso Deus, dizendo: Ora por nós ao SENHOR nosso Deus; e conforme tudo o que disser o SENHOR nosso Deus, declara-no-lo assim, e o faremos. 21E vo-lo tenho declarado hoje; mas não destes ouvidos à voz do SENHOR vosso Deus, em coisa alguma pela qual ele me enviou a vós. 22Agora, pois, sabei por certo que morrereis à espada, de fome e de peste no mesmo lugar onde desejais ir, para lá morardes. Jeremias 43 1E SUCEDEU que, acabando Jeremias de falar a todo o povo todas as palavras do SENHOR seu Deus, com as quais o SENHOR seu Deus lho havia enviado, para que lhes dissesse todas estas palavras, 2Então falaram Azarias, filho de Hosaías, e Joanã, filho de Careá, e todos os homens soberbos, dizendo a Jeremias: Tu dizes mentiras; o SENHOR nosso Deus não te enviou a dizer: Não entreis no Egito, para ali habitar; 3Mas Baruque, filho de Nerias, te incita contra nós, para entregar-nos na mão dos caldeus, para nos matarem, ou para nos levarem cativos para Babilônia. 4Não obedeceu, pois, Joanã, filho de Careá, nem nenhum de todos os capitães dos exércitos, nem o povo todo, à voz do SENHOR, para ficarem na terra de Judá. 5Antes tomou Joanã, filho de Careá, e todos os capitães dos exércitos a todo o restante de Judá, que havia voltado dentre todas as nações, para onde haviam sido lançados, para morarem na terra de Judá; 6Aos homens, e às mulheres, e aos meninos, e às filhas do rei, e a toda a alma que Nebuzaradã, capitão da guarda, deixara com Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã; como também a Jeremias, o profeta, e a Baruque, filho de Nerias; 7E entraram na terra do Egito, porque não obedeceram à voz do SENHOR; e vieram até Tafnes. 8Então veio a palavra do SENHOR a Jeremias, em Tafnes, dizendo: 9Toma na tua mão pedras grandes, e esconde-as no barro, no forno que está à entrada da casa de Faraó, em Tafnes, perante os olhos dos homens de Judá, 10E dize-lhes: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que eu enviarei, e tomarei a Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo, e porei o seu trono sobre estas pedras que escondi; e ele estenderá a sua tenda real sobre elas. 11E virá, e ferirá a terra do Egito; entregando para a morte, quem é para a morte; e quem é para o cativeiro, para o cativeiro; e quem é para a espada, para a espada. 12E lançarei fogo às casas dos deuses do Egito, e queimá-los-á, e levá-los-á cativos; e vestir-se-á da terra do Egito, como veste o pastor a sua roupa, e sairá dali em paz. 13E quebrará as estátuas de Bete-Semes, que está na terra do Egito; e as casas dos deuses do Egito queimará a fogo. Jeremias 44 1A PALAVRA que veio a Jeremias, acerca de todos os judeus, habitantes da terra do Egito, que habitavam em Migdol, e em Tafnes, e em Nofe, e na terra de Patros, dizendo: 2Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Vós vistes todo o mal que fiz vir sobre Jerusalém, e sobre todas as cidades de Judá; e eis que elas são hoje uma desolação, e ninguém habita nelas; 3Por causa da maldade que fizeram, para me irarem, indo queimar incenso, e servir a deuses estranhos, que nunca conheceram, nem eles, nem vós, nem vossos pais. 4E eu vos enviei todos os meus servos, os profetas, madrugando e enviando a dizer: Ora, não façais esta coisa abominável que odeio. 5Mas eles não escutaram, nem inclinaram os seus ouvidos, para se converterem da sua maldade, para não queimarem incenso a outros deuses. 6Derramou-se, pois, a minha indignação e a minha ira, e acendeu-se nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, e elas tornaram-se em deserto e em desolação, como hoje se vê. 7Agora, pois, assim diz o SENHOR, Deus dos Exércitos, Deus de Israel: Por que fazeis vós tão grande mal contra as vossas almas, para vos desarraigardes, ao homem e à mulher, à criança e ao que mama, do meio de Judá, a fim de não deixardes remanescente algum; 8 Irando-me com as obras de vossas mãos, queimando incenso a deuses estranhos na terra do Egito, aonde vós entrastes para lá habitar; para que a vós mesmos vos desarraigueis, e para que sirvais de maldição, e de opróbrio entre todas as nações da terra? 9Esquecestes já as maldades de vossos pais, e as maldades dos reis de Judá, e as maldades de suas mulheres, e as vossas maldades, e as maldades de vossas mulheres, que cometeram na terra de Judá, e nas ruas de Jerusalém? 10Não se humilharam até ao dia de hoje, nem temeram, nem andaram na minha lei, nem nos meus estatutos, que pus diante de vós e diante de vossos pais. 11Portanto assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que eu ponho o meu rosto contra vós para mal, e para desarraigar a todo o Judá. 12E tomarei os que restam de Judá, os quais puseram os seus rostos para entrarem na terra do Egito, para lá habitar e todos eles serão consumidos na terra do Egito; cairão à espada, e de fome morrerão; consumir-se-ão, desde o menor até ao maior; à espada e de fome morrerão; e servirão de execração, e de espanto, e de maldição, e de opróbrio. 13Porque castigarei os que habitam na terra do Egito, como castiguei Jerusalém, com a espada, com a fome e com a peste. 14De maneira que da parte remanescente de Judá, que entrou na terra do Egito, para lá habitar, não haverá quem escape e fique para tornar à terra de Judá, à qual eles suspiram voltar para nela morar; porém não tornarão senão uns fugitivos. 15Então responderam a Jeremias todos os homens que sabiam que suas mulheres queimavam incenso a deuses estranhos, e todas as mulheres que estavam presentes em grande multidão, como também todo o povo que habitava na terra do Egito, em Patros, dizendo: 16Quanto à palavra que nos anunciaste em nome do SENHOR, não obedeceremos a ti; 17Mas certamente cumpriremos toda a palavra que saiu da nossa boca, queimando incenso à rainha dos céus, e oferecendo-lhe libações, como nós e nossos pais, nossos reis e nossos príncipes, temos feito, nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém; e então tínhamos fartura de pão, e andávamos alegres, e não víamos mal algum. 18Mas desde que cessamos de queimar incenso à rainha dos céus, e de lhe oferecer libações, tivemos falta de tudo, e fomos consumidos pela espada e pela fome. 19E quando nós queimávamos incenso à rainha dos céus, e lhe oferecíamos libações, acaso lhe fizemos bolos, para a adorar, e oferecemos-lhe libações sem nossos maridos? 20Então disse Jeremias a todo o povo, aos homens e às mulheres, e a todo o povo que lhe havia dado esta resposta, dizendo: 21Porventura não se lembrou o SENHOR, e não lhe veio ao coração o incenso que queimastes nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, vós e vossos pais, vossos reis e vossos príncipes, como também o povo da terra? 22De maneira que o SENHOR não podia por mais tempo sofrer a maldade das vossas ações, as abominações que cometestes; por isso se tornou a vossa terra em desolação, e em espanto, e em maldição, sem habitantes, como hoje se vê. 23Porque queimastes incenso, e porque pecastes contra o SENHOR, e não obedecestes à voz do SENHOR, e na sua lei, e nos seus testemunhos não andastes, por isso vos sucedeu este mal, como se vê neste dia. 24Disse mais Jeremias a todo o povo e a todas as mulheres: Ouvi a palavra do SENHOR, vós, todo o Judá, que estais na terra do Egito. 25Assim fala o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, dizendo: Vós e vossas mulheres não somente falastes por vossa boca, senão também o cumpristes por vossas mãos, dizendo: Certamente cumpriremos os nossos votos que fizemos de queimar incenso à rainha dos céus e de lhe oferecer libações; confirmai, pois, os vossos votos, e perfeitamente cumpri-os. 26Portanto ouvi a palavra do SENHOR, todo o Judá, que habitais na terra do Egito: Eis que eu juro pelo meu grande nome, diz o SENHOR, que nunca mais será pronunciado o meu nome pela boca de nenhum homem de Judá em toda a terra do Egito dizendo: Vive o Senhor Deus! 27Eis que velarei sobre eles para mal, e não para bem; e serão consumidos todos os homens de Judá, que estão na terra do Egito, pela espada e pela fome, até que de todo se acabem. 28E os que escaparem da espada voltarão da terra do Egito à terra de Judá, poucos em número; e todo o restante de Judá, que entrou na terra do Egito, para habitar ali, saberá se subsistirá a minha palavra ou a sua. 29E isto vos servirá de sinal, diz o SENHOR, que eu vos castigarei neste lugar, para que saibais que certamente subsistirão as minhas palavras contra vós para mal. 30Assim diz o SENHOR: Eis que eu darei Faraó-Hofra, rei do Egito, na mão de seus inimigos, e na mão dos que procuram a sua morte; como entreguei Zedequias, rei de Judá, na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, seu inimigo, e que procurava a sua morte. Jeremias 45 1A PALAVRA que Jeremias, o profeta, falou a Baruque, filho de Nerias, quando este escrevia, num livro, estas palavras, da boca de Jeremias, no ano quarto de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, dizendo: 2Assim diz o SENHOR, Deus de Israel, acerca de ti, ó Baruque: 3Disseste: Ai de mim agora, porque me acrescentou o SENHOR tristeza sobre minha dor! Estou cansado do meu gemido, e não acho descanso. 4Assim lhe dirás: Isto diz o SENHOR: Eis que o que edifiquei eu derrubo, e o que plantei eu arranco, e isso em toda esta terra. 5E procuras tu grandezas para ti mesmo? Não as procures; porque eis que trarei mal sobre toda a carne, diz o SENHOR; porém te darei a tua alma por despojo, em todos os lugares para onde fores. Jeremias 46 1A PALAVRA do SENHOR, que veio a Jeremias, o profeta, contra os gentios, 2Acerca do Egito, contra o exército de Faraó-Neco, rei do Egito, que estava junto ao rio Eufrates em Carquemis, ao qual feriu Nabucodonosor, rei de Babilônia, no ano quarto de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá. 3Preparai o escudo e o pavês, e chegai-vos para a peleja. 4Selai os cavalos e montai, cavaleiros, e apresentai-vos com elmos; limpai as lanças, vesti-vos de couraças. 5Por que razão vejo os medrosos voltando as costas? Os seus valentes estão abatidos, e vão fugindo, sem olharem para trás; terror há ao redor, diz o SENHOR. 6Não fuja o ligeiro, e não escape o valente; para o lado norte, junto à borda do rio Eufrates tropeçaram e caíram. 7Quem é este que vem subindo como o Nilo, cujas águas se movem como os rios? 8O Egito vem subindo como o Nilo, e como rios cujas águas se movem; e disse: Subirei, cobrirei a terra, destruirei a cidade, e os que nela habitam. 9Subi, ó cavalos, e estrondeai, ó carros, e saiam os valentes; os etíopes, e os do Líbano, que manejam o escudo, e os lídios, que manejam e entesam o arco. 10Porque este dia é o dia do Senhor Deus dos Exércitos, dia de vingança para ele se vingar dos seus adversários; e a espada devorará, e fartar-se-á, e embriagar-seá com o sangue deles; porque o Senhor Deus dos Exércitos tem um sacrifício na terra do norte, junto ao rio Eufrates. 11Sobe a Gileade, e toma bálsamo, ó virgem filha do Egito; debalde multiplicas remédios, pois já não há cura para ti. 12As nações ouviram a tua vergonha, e a terra está cheia do teu clamor; porque o valente tropeçou com o valente e ambos caíram juntos. 13A palavra que falou o SENHOR a Jeremias, o profeta, acerca da vinda de Nabucodonosor, rei de Babilônia, para ferir a terra do Egito. 14Anunciai no Egito, e fazei ouvir isto em Migdol; fazei também ouvi-lo em Nofe, e em Tafnes, dizei: Apresenta-te, e prepara-te; porque a espada já devorou o que está ao redor de ti. 15Por que foram derrubados os teus valentes? Não puderam manter-se firmes, porque o SENHOR os abateu. 16Multiplicou os que tropeçavam; também caíram uns sobre os outros, e disseram: Levanta-te, e voltemos ao nosso povo, e à terra do nosso nascimento, por causa da espada que oprime. 17Clamaram ali: Faraó rei do Egito é apenas um barulho; deixou passar o tempo assinalado. 18Vivo eu, diz o rei, cujo nome é o SENHOR dos Exércitos, que certamente como o Tabor entre os montes, e como o Carmelo junto ao mar, certamente assim ele virá. 19Prepara os utensílios para ires ao cativeiro, ó moradora, filha do Egito; porque Nofe será tornada em desolação, e será incendiada, até que ninguém mais aí more. 20Bezerra mui formosa é o Egito; mas já vem a destruição, vem do norte. 21Até os seus mercenários no meio dela são como bezerros cevados; mas também eles viraram as costas, fugiram juntos; não ficaram firmes; porque veio sobre eles o dia da sua ruína e o tempo do seu castigo. 22A sua voz irá como a da serpente; porque marcharão com um exército, e virão contra ela com machados, como cortadores de lenha. 23Cortarão o seu bosque, diz o SENHOR, embora seja impenetrável; porque se multiplicaram mais do que os gafanhotos; são inumeráveis. 24A filha do Egito será envergonhada; será entregue na mão do povo do norte. 25Diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que eu castigarei a Amom de Nô, e a Faraó, e ao Egito, e aos seus deuses, e aos seus reis; ao próprio Faraó, e aos que nele confiam. 26E os entregarei na mão dos que procuram a sua morte, na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e na mão dos seus servos; mas depois será habitada, como nos dias antigos, diz o SENHOR. 27Mas não temas tu, servo meu, Jacó, nem te espantes, ó Israel; porque eis que te livrarei mesmo de longe, como também a tua descendência da terra do seu cativeiro; e Jacó voltará, e descansará, e sossegará, e não haverá quem o atemorize. 28Tu não temas, servo meu, Jacó, diz o SENHOR, porque estou contigo; porque porei termo a todas as nações entre as quais te lancei; mas a ti não darei fim, mas castigar-te-ei com justiça, e não te darei de todo por inocente. Jeremias 47 1A PALAVRA do SENHOR, que veio a Jeremias, o profeta, contra os filisteus, antes que Faraó ferisse a Gaza. 2Assim diz o SENHOR: Eis que se levantam as águas do norte, e tornar-se-ão em torrente transbordante, e alagarão a terra e sua plenitude, a cidade, e os que nela habitam; e os homens clamarão, e todos os moradores da terra se lamentarão; 3Ao ruído estrepitoso dos cascos dos seus fortes cavalos, ao barulho de seus carros, ao estrondo das suas rodas; os pais não atendem aos filhos, por causa da fraqueza das mãos; 4Por causa do dia que vem, para destruir a todos os filisteus, para cortar de Tiro e de Sidom todo o restante que os socorra; porque o SENHOR destruirá os filisteus, o remanescente da ilha de Caftor. 5A calvície veio sobre Gaza, foi desarraigada Ascalom, com o restante do seu vale; até quando te retalharás? 6Ah; espada do SENHOR! Até quando deixarás de repousar? Volta para a tua bainha, descansa, e aquieta-te. 7Mas como te aquietarás? Pois o SENHOR deu ordem à espada contra Ascalom, e contra a praia do mar, para onde ele a enviou. Jeremias 48 1CONTRA Moabe, assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Ai de Nebo, porque foi destruída; envergonhada está Quiriataim, já está tomada; Misgabe está envergonhada e desanimada. 2A glória de Moabe já não existe mais; em Hesbom tramaram mal contra ela, dizendo: Vinde, e exterminemo-la, para que não seja mais nação; também tu, ó Madmém, serás silenciada; a espada te perseguirá. 3Voz de clamor de Horonaim; ruína e grande destruição! 4Está destruída Moabe; seus filhinhos fizeram ouvir um clamor. 5Porque pela subida de Luíte eles irão com choro contínuo; porque na descida de Horonaim os adversários de Moabe ouviram as angústias do grito da destruição. 6Fugi, salvai a vossa vida; sede como a tamargueira no deserto; 7Porque, por causa da tua confiança nas tuas obras, e nos teus tesouros, também tu serás tomada; e Quemós sairá para o cativeiro, os seus sacerdotes e os seus príncipes juntamente. 8Porque virá o destruidor sobre cada uma das cidades, e nenhuma cidade escapará, e perecerá o vale, e destruir-se-á a campina; porque o SENHOR o disse. 9Dai asas a Moabe; porque voando sairá, e as suas cidades se tornarão em desolação, e ninguém morará nelas. 10Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR fraudulosamente; e maldito aquele que retém a sua espada do sangue. 11Moabe esteve descansado desde a sua mocidade, e repousou nas suas borras, e não foi mudado de vasilha para vasilha, nem foi para o cativeiro; por isso conservou o seu sabor, e o seu cheiro não se alterou. 12Portanto, eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que lhe enviarei derramadores que o derramarão; e despejarão as suas vasilhas, e romperão os seus odres. 13E Moabe terá vergonha de Quemós como a casa de Israel se envergonhou de Betel, sua confiança. 14Como direis: Somos valentes e homens fortes para a guerra? 15Moabe está destruído, e subiu das suas cidades, e os seus jovens escolhidos desceram à matança, diz o Rei, cujo nome é o SENHOR dos Exércitos. 16Está prestes a vir a calamidade de Moabe; e apressa-se muito a sua aflição. 17Condoei-vos dele todos os que estais ao seu redor, e todos os que sabeis o seu nome; dizei: Como se quebrou a vara forte, o cajado formoso? 18Desce da tua glória, e assenta-te em terra seca, ó moradora, filha de Dibom; porque o destruidor de Moabe subiu contra ti, e desfez as tuas fortalezas. 19Põe-te no caminho, e espia, ó moradora de Aroer; pergunta ao que vai fugindo; e à que escapou dize: Que sucedeu? 20Moabe está envergonhado, porque foi quebrantado; lamentai e gritai; anunciai em Arnom que Moabe está destruído. 21Também o julgamento veio sobre a terra da campina; sobre Holom, sobre Jaza, sobre Mefaate, 22Sobre Dibom, sobre Nebo, sobre Bete-Diblataim, 23Sobre Quiriataim, sobre Bete-Gamul, sobre Bete-Meom, 24Sobre Queriote, e sobre Bozra; e até sobre todas as cidades da terra de Moabe, as de longe e as de perto. 25Já é cortado o poder de Moabe, e é quebrantado o seu braço, diz o SENHOR. 26Embriagai-o, porque contra o SENHOR se engrandeceu; e Moabe se revolverá no seu vômito, e ele também se tornará objeto de escárnio. 27Pois não foi também Israel objeto de escárnio? Porventura foi achado entre ladrões, para que sempre que fales dele, saltes de alegria? 28Deixai as cidades, e habitai no rochedo, ó moradores de Moabe; e sede como a pomba que se aninha nos lados da boca da caverna. 29Ouvimos da soberba de Moabe, que é soberbíssimo, como também da sua arrogância, e da sua vaidade, e da sua altivez e do seu orgulhoso coração. 30Eu conheço, diz o SENHOR, a sua indignação, mas isso nada é; as suas mentiras nada farão. 31Por isso gemerei por Moabe, sim, gritarei por todo o Moabe; pelos homens de Quir-Heres lamentarei; 32Com o choro de Jazer chorar-te-ei, ó vide de Sibma; os teus ramos passaram o mar, chegaram até ao mar de Jazer; porém o destruidor caiu sobre os teus frutos do verão, e sobre a tua vindima. 33Tirou-se, pois, o folguedo e a alegria do campo fértil e da terra de Moabe; porque fiz cessar o vinho nos lagares; já não pisarão uvas com júbilo; o júbilo não será júbilo. 34Por causa do grito de Hesbom até Eleale e até Jaaz, se ouviu a sua voz desde Zoar até Horonaim, como bezerra de três anos; porque até as águas do Ninrim se tornarão em assolação. 35E farei cessar em Moabe, diz o SENHOR, quem sacrifique nos altos, e queime incenso aos seus deuses. 36Por isso ressoará como flauta o meu coração por Moabe, também ressoará como flauta o meu coração pelos homens de Quir-Heres; porquanto a abundância que ajuntou se perdeu. 37Porque toda a cabeça será tosquiada, e toda a barba será diminuída; sobre todas as mãos haverá sarjaduras, e sobre os lombos, sacos. 38Sobre todos os telhados de Moabe e nas suas ruas haverá um pranto geral; porque quebrei a Moabe, como a um vaso que não agrada, diz o SENHOR. 39Como está quebrantado! Como gritam! Como virou Moabe a cerviz envergonhado! Assim será Moabe objeto de escárnio e de desmaio, para todos que estão em redor dele. 40Porque assim diz o SENHOR: Eis que voará como a águia, e estenderá as suas asas sobre Moabe. 41São tomadas as cidades, e ocupadas as fortalezas; e naquele dia será o coração dos valentes de Moabe como o coração da mulher que está com dores de parto. 42E Moabe será destruído, para que não seja povo; porque se engrandeceu contra o SENHOR. 43Temor, e cova, e laço, vêm sobre ti, ó morador de Moabe, diz o SENHOR. 44O que fugir do temor cairá na cova, e o que subir da cova ficará preso no laço; porque trarei sobre ele, sobre Moabe, o ano do seu castigo, diz o SENHOR. 45Os que fugiam sem força pararam à sombra de Hesbom; pois saiu fogo de Hesbom, e a labareda do meio de Siom, e devorou o canto de Moabe e o alto da cabeça dos turbulentos. 46Ai de ti, Moabe! Pereceu o povo de Quemós; porque teus filhos ficaram cativos, e tuas filhas em cativeiro. 47Mas nos últimos dias farei voltar os cativos de Moabe, diz o SENHOR. Até aqui o juízo de Moabe. Jeremias 49 1CONTRA os filhos de Amom. Assim diz o SENHOR: Acaso Israel não tem filhos, nem tem herdeiro? Por que, pois, herdou Malcã a Gade e o seu povo habitou nas suas cidades? 2Portanto, eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que farei ouvir em Rabá dos filhos de Amom o alarido de guerra, e tornar-se-á num montão de ruínas, e os lugares da sua jurisdição serão queimados a fogo; e Israel herdará aos que o herdaram, diz o SENHOR. 3Lamenta, ó Hesbom, porque é destruída Ai; clamai, ó filhas de Rabá, cingi-vos de sacos, lamentai, e dai voltas pelos valados; porque Malcã irá em cativeiro, juntamente com seus sacerdotes e os seus príncipes. 4Por que te glorias nos vales, teus luxuriantes vales, ó filha rebelde, que confias nos teus tesouros, dizendo: Quem virá contra mim? 5Eis que eu trarei temor sobre ti, diz o Senhor Deus dos Exércitos, de todos os que estão ao redor de ti; e sereis lançados fora cada um diante de si, e ninguém recolherá o desgarrado. 6Mas depois disto farei voltar os cativos dos filhos de Amom, diz o SENHOR. 7Acerca de Edom. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Acaso não há mais sabedoria em Temã? Pereceu o conselho dos entendidos? Corrompeu-se a sua sabedoria? 8Fugi, voltai-vos, buscai profundezas para habitar, ó moradores de Dedã, porque eu trarei sobre ele a ruína de Esaú, no tempo em que o castiguei. 9Se vindimadores viessem a ti, não deixariam rabiscos? Se ladrões de noite viessem, não te danificariam quanto lhes bastasse? 10Mas eu despi a Esaú, descobri os seus esconderijos, e não se poderá esconder; foi destruída a sua descendência, como também seus irmãos e seus vizinhos, e ele já não existe. 11Deixa os teus órfãos, eu os guardarei em vida; e as tuas viúvas confiem em mim. 12Porque assim diz o SENHOR: Eis que os que não estavam condenados a beber do copo, totalmente o beberão; e tu ficarias inteiramente impune? Não ficarás impune, mas certamente o beberás. 13Porque por mim mesmo jurei, diz o SENHOR, que Bozra servirá de espanto, de opróbrio, de assolação, e de maldição; e todas as suas cidades se tornarão em desolações perpétuas. 14Ouvi novas vindas do SENHOR, que um embaixador é enviado aos gentios, para lhes dizer: Ajuntai-vos, e vinde contra ela, e levantai-vos para a guerra. 15Porque eis que te fiz pequeno entre os gentios, desprezado entre os homens. 16Quanto à tua terribilidade, enganou-te a arrogância do teu coração, tu que habitas nas cavernas das rochas, que ocupas as alturas dos outeiros; ainda que eleves o teu ninho como a águia, de lá te derrubarei, diz o SENHOR. 17Assim servirá Edom de desolação; todo aquele que passar por ela se espantará, e assobiará por causa de todas as suas pragas. 18Será como a destruição de Sodoma e Gomorra, e dos seus vizinhos, diz o SENHOR; não habitará ninguém ali, nem morará nela filho de homem. 19Eis que ele como leão subirá da enchente do Jordão contra a morada do forte; porque num momento o farei correr dali; e quem é o escolhido que porei sobre ela? Pois quem é semelhante a mim? e quem me fixará o tempo? e quem é o pastor que subsistirá perante mim? 20Portanto ouvi o conselho do SENHOR, que ele decretou contra Edom, e os seus desígnios que ele intentou entre os moradores de Temã: Certamente os menores do rebanho serão arrastados; certamente ele assolará as suas moradas com eles. 21A terra estremeceu com o estrondo da sua queda; e do seu grito, até ao Mar Vermelho se ouviu o som. 22Eis que ele como águia subirá, e voará, e estenderá as suas asas contra Bozra; e o coração dos valentes de Edom naquele dia será como o coração da mulher que está com dores de parto. 23Acerca de Damasco. Envergonhou-se Hamate e Arpade, porquanto ouviram más novas, desmaiaram; no mar há angústia, não se pode sossegar. 24Enfraquecida está Damasco; virou as costas para fugir, e o tremor a tomou; angústia e dores a tomaram como da que está de parto. 25Como está abandonada a cidade do louvor, a cidade da minha alegria! 26Portanto cairão os seus jovens nas suas ruas; e todos os homens de guerra serão consumidos naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos. 27E acenderei fogo no muro de Damasco, e consumirá os palácios de BeneHadade. 28Acerca de Quedar, e dos reinos de Hazor, que Nabucodonosor, rei de Babilônia, feriu. Assim diz o SENHOR: Levantai-vos, subi contra Quedar, e destruí os filhos do oriente. 29Tomarão as suas tendas, os seus gados, as suas cortinas e todos os seus utensílios, e os seus camelos levarão para si; e lhes clamarão: Há medo por todos os lados. 30Fugi, desviai-vos para muito longe, buscai profundezas para habitar, ó moradores de Hazor, diz o SENHOR; porque Nabucodonosor, rei de Babilônia, tomou conselho contra vós, e formou um desígnio contra vós. 31Levantai-vos, subi contra uma nação tranqüila, que habita confiadamente, diz o SENHOR, que não tem portas, nem ferrolhos; habitam sós. 32E os seus camelos serão para presa, e a multidão dos seus gados para despojo; e os espalharei a todo o vento, àqueles que estão nos lugares mais distantes, e de todos os seus lados lhes trarei a sua ruína, diz o SENHOR. 33E Hazor se tornará em morada de chacais, em assolação para sempre; ninguém habitará ali, nem morará nela filho de homem. 34A palavra do SENHOR, que veio a Jeremias, o profeta, contra Elão, no princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá, dizendo: 35Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis que eu quebrarei o arco de Elão, o principal do seu poder. 36E trarei sobre Elão os quatro ventos dos quatro cantos dos céus, e os espalharei na direção de todos estes ventos; e não haverá nação aonde não cheguem os fugitivos de Elão. 37E farei que Elão tema diante de seus inimigos e diante dos que procuram a sua morte; e farei vir sobre eles o mal, o furor da minha ira, diz o SENHOR; e enviarei após eles a espada, até que venha a consumi-los. 38E porei o meu trono em Elão; e destruirei dali o rei e os príncipes, diz o SENHOR. 39Acontecerá, porém, nos últimos dias, que farei voltar os cativos de Elão, diz o SENHOR. Jeremias 50 1A PALAVRA que falou o SENHOR contra a Babilônia, contra a terra dos caldeus, por intermédio de Jeremias, o profeta. 2Anunciai entre as nações; e fazei ouvir, e arvorai um estandarte, fazei ouvir, não encubrais; dizei: Tomada está Babilônia, confundido está Bel, espatifado está Merodaque, confundidos estão os seus ídolos, e quebradas estão as suas imagens. 3Porque subiu contra ela uma nação do norte, que fará da sua terra uma solidão, e não haverá quem nela habite; tanto os homens como os animais fugiram, e se foram. 4Naqueles dias, e naquele tempo, diz o SENHOR, os filhos de Israel virão, eles e os filhos de Judá juntamente; andando e chorando virão, e buscarão ao SENHOR seu Deus. 5Pelo caminho de Sião perguntarão, para ali voltarão os seus rostos, dizendo: Vinde, e unamo-nos ao SENHOR, numa aliança eterna que nunca será esquecida. 6Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso. 7Todos os que as achavam as devoravam, e os seus adversários diziam: Culpa nenhuma teremos; porque pecaram contra o SENHOR, a morada da justiça, sim, o SENHOR, a esperança de seus pais. 8Fugi do meio de Babilônia, e saí da terra dos caldeus, e sede como os bodes diante do rebanho. 9Porque eis que eu suscitarei e farei subir contra a Babilônia uma congregação de grandes nações da terra do norte, e se prepararão contra ela; dali será tomada; as suas flechas serão como as de valente herói, nenhuma tornará sem efeito. 10A Caldéia servirá de presa; todos os que a saquearam serão fartos, diz o SENHOR. 11Porquanto vos alegrastes, e vos regozijastes, ó saqueadores da minha herança, porquanto vos engordastes como novilha no pasto, e mugistes como touros. 12Será mui confundida vossa mãe, ficará envergonhada a que vos deu à luz; eis que ela será a última das nações, um deserto, uma terra seca e uma solidão. 13Por causa do furor do SENHOR não será habitada, antes se tornará em total assolação; qualquer que passar por Babilônia se espantará, assobiará por todas as suas pragas. 14Ordenai-vos contra Babilônia ao redor, todos os que armais arcos; atirai-lhe, não poupeis as flechas, porque pecou contra o SENHOR. 15Gritai contra ela ao redor, ela já se submeteu; caíram seus fundamentos, estão derrubados os seus muros; porque esta é a vingança do SENHOR; vingai-vos dela; como ela fez, assim lhe fazei. 16Arrancai de Babilônia o que semeia, e o que leva a foice no tempo da sega; por causa da espada aflitiva virar-se-á cada um para o seu povo, e fugirá cada um para a sua terra. 17Cordeiro desgarrado é Israel; os leões o afugentaram; o primeiro a devorá-lo foi o rei da Assíria; e, por último Nabucodonosor, rei de Babilônia, lhe quebrou os ossos. 18Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que castigarei o rei de Babilônia, e a sua terra, como castiguei o rei da Assíria. 19E farei tornar Israel para a sua morada, e ele pastará no Carmelo e em Basã; e fartar-se-á a sua alma no monte de Efraim e em Gileade. 20Naqueles dias, e naquele tempo, diz o SENHOR, buscar-se-á a maldade de Israel, e não será achada; e os pecados de Judá, mas não se acharão; porque perdoarei os remanescentes que eu deixar. 21Sobe contra a terra de Merataim, sim, contra ela, e contra os moradores de Pecode; assola e inteiramente destrói tudo após eles, diz o SENHOR, e faze conforme tudo o que te mandei. 22Estrondo de batalha há na terra, e de grande destruição. 23Como foi cortado e quebrado o martelo de toda a terra! Como se tornou Babilônia objeto de espanto entre as nações! 24Laços te armei, e também foste presa, ó Babilônia, e tu não o soubeste; foste achada, e também apanhada; porque contra o SENHOR te entremeteste. 25O SENHOR abriu o seu depósito, e tirou os instrumentos da sua indignação; porque o Senhor Deus dos Exércitos, tem uma obra a realizar na terra dos caldeus. 26Vinde contra ela dos confins da terra, abri os seus celeiros; fazei dela montões de ruínas, e destruí-a de todo; nada lhe fique de sobra. 27Matai a todos os seus novilhos, desçam a matança. Ai deles, porque veio o seu dia, o tempo do seu castigo! 28Eis a voz dos que fugiram e escaparam da terra de Babilônia, para anunciarem em Sião a vingança do SENHOR nosso Deus, a vingança do seu templo. 29Convocai contra Babilônia os flecheiros, a todos os que armam arcos; acampaivos contra ela em redor, ninguém escape dela; pagai-lhe conforme a sua obra, conforme tudo o que fez, fazei-lhe; porque se houve arrogantemente contra o SENHOR, contra o Santo de Israel. 30Portanto, cairão os seus jovens nas suas ruas; e todos os seus homens de guerra serão desarraigados naquele dia, diz o SENHOR. 31Eis que eu sou contra ti, ó soberbo, diz o Senhor Deus dos Exércitos; porque veio o teu dia, o tempo em que te hei de castigar. 32Então tropeçará o soberbo, e cairá, e ninguém haverá que o levante; e porei fogo nas suas cidades, o qual consumirá todos os seus arredores. 33Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Os filhos de Israel e os filhos de Judá foram oprimidos juntamente; e todos os que os levaram cativos os retiveram, não os quiseram soltar. 34Mas o seu Redentor é forte, o SENHOR dos Exércitos é o seu nome; certamente pleiteará a causa deles, para dar descanso à terra, e inquietar os moradores de Babilônia. 35A espada virá sobre os caldeus, diz o SENHOR, e sobre os moradores de Babilônia, e sobre os seus príncipes, e sobre os seus sábios. 36A espada virá sobre os mentirosos, e ficarão insensatos; a espada virá sobre os seus poderosos, e desfalecerão. 37A espada virá sobre os seus cavalos, e sobre os seus carros, e sobre toda a mistura de povos, que está no meio dela; e tornar-se-ão como mulheres; a espada virá sobre os seus tesouros, e serão saqueados. 38Cairá a seca sobre as suas águas, e secarão; porque é uma terra de imagens esculpidas, e pelos seus ídolos andam enfurecidos. 39Por isso habitarão nela as feras do deserto, com os animais selvagens das ilhas; também habitarão nela as avestruzes; e nunca mais será povoada, nem será habitada de geração em geração. 40Como quando Deus subverteu a Sodoma e a Gomorra, e as suas cidades vizinhas, diz o SENHOR, assim ninguém habitará ali, nem morará nela filho de homem. 41Eis que um povo vem do norte; uma grande nação e muitos reis se levantarão dos extremos da terra. 42Armam-se de arco e lança; eles são cruéis, e não têm piedade; a sua voz bramará como o mar, e sobre cavalos cavalgarão, todos postos em ordem como um homem para a batalha, contra ti, ó filha de Babilônia. 43O rei de Babilônia ouviu a sua fama, e desfaleceram as suas mãos; a angústia se apoderou dele, como da que está de parto. 44Eis que ele como leão subirá da enchente do Jordão, contra a morada forte, porque num momento o farei correr dali; e quem é o escolhido que porei sobre ela? porque quem é semelhante a mim, e quem me fixará o tempo? E quem é o pastor que poderá permanecer perante mim? 45Portanto ouvi o conselho do SENHOR, que ele decretou contra Babilônia, e os seus desígnios que intentou contra a terra dos caldeus: certamente os pequenos do rebanho serão arrastados; certamente ele assolará as suas moradas sobre eles. 46Ao estrondo da tomada de Babilônia estremeceu a terra; e o grito se ouviu entre as nações. Jeremias 51 1ASSIM diz o SENHOR: Eis que levantarei um vento destruidor contra Babilônia, e contra os que habitam no meio dos que se levantam contra mim. 2E enviarei padejadores contra Babilônia, que a padejarão, e despejarão a sua terra; porque virão contra ela em redor no dia da calamidade. 3O flecheiro arme o seu arco contra o que arma o seu arco, e contra o que se exalta na sua couraça; e não perdoeis aos seus jovens; destruí a todo o seu exército. 4E os mortos cairão na terra dos caldeus, e atravessados nas suas ruas. 5Porque Israel e Judá não foram abandonados do seu Deus, do SENHOR dos Exércitos, ainda que a sua terra esteja cheia de culpas contra o Santo de Israel. 6Fugi do meio de Babilônia, e livrai cada um a sua alma, e não vos destruais na sua maldade; porque este é o tempo da vingança do SENHOR; que lhe dará a sua recompensa. 7Babilônia era um copo de ouro na mão do SENHOR, o qual embriagava a toda a terra; do seu vinho beberam as nações; por isso as nações enlouqueceram. 8Num momento caiu Babilônia, e ficou arruinada; lamentai por ela, tomai bálsamo para a sua dor, porventura sarará. 9Queríamos curar Babilônia, porém ela não sarou; deixai-a, e vamo-nos cada um para a sua terra; porque o seu juízo chegou até ao céu, e se elevou até às mais altas nuvens. 10O SENHOR trouxe a nossa justiça à luz; vinde e contemos em Sião a obra do SENHOR, nosso Deus. 11Aguçai as flechas, preparai os escudos; o SENHOR despertou o espírito dos reis da Média; porque o seu intento é contra Babilônia para a destruir; porque esta é a vingança do SENHOR, a vingança do seu templo. 12Arvorai um estandarte sobre os muros de Babilônia, reforçai a guarda, colocai sentinelas, preparai as ciladas; porque como o SENHOR intentou, assim fez o que tinha falado contra os moradores de Babilônia. 13Ó tu, que habitas sobre muitas águas, rica de tesouros, é chegado o teu fim, a medida da tua avareza. 14Jurou o SENHOR dos Exércitos por si mesmo, dizendo: Ainda que te enchi de homens, como de lagarta, contudo levantarão gritaria contra ti. 15Ele fez a terra com o seu poder, e ordenou o mundo com a sua sabedoria, e estendeu os céus com o seu entendimento. 16Fazendo ele ouvir a sua voz, grande estrondo de águas há nos céus, e faz subir os vapores desde o fim da terra; faz os relâmpagos com a chuva, e tira o vento dos seus tesouros, 17Embrutecido é todo o homem, no seu conhecimento; envergonha-se todo o artífice da imagem de escultura; porque a sua imagem de fundição é mentira, e nelas não há espírito. 18Vaidade são, obra de enganos; no tempo da sua visitação perecerão. 19Não é semelhante a estes a porção de Jacó; porque ele é o que formou tudo; e Israel é a tribo da sua herança; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome. 20Tu és meu machado de batalha e minhas armas de guerra, e por meio de ti despedaçarei as nações e por ti destruirei os reis; 21E por meio de ti despedaçarei o cavalo e o seu cavaleiro; e por meio de ti despedaçarei o carro e o que nele vai; 22E por meio de ti despedaçarei o homem e a mulher, e por meio de ti despedaçarei o velho e o moço, e por meio de ti despedaçarei o jovem e a virgem; 23E por meio de ti despedaçarei o pastor e o seu rebanho, e por meio de ti despedaçarei o lavrador e a sua junta de bois, e por meio de ti despedaçarei os capitães e os magistrados. 24E pagarei a Babilônia, e a todos os moradores da Caldéia, toda a maldade que fizeram em Sião, aos vossos olhos, diz o SENHOR. 25Eis-me aqui contra ti, ó monte destruidor, diz o SENHOR, que destróis toda a terra; e estenderei a minha mão contra ti, e te revolverei das rochas, e farei de ti um monte de queima. 26E não tomarão de ti pedra para esquina, nem pedra para fundamentos, porque te tornarás em assolação perpétua, diz o SENHOR. 27Arvorai um estandarte na terra, tocai a buzina entre as nações, preparai as nações contra ela, convocai contra ela os reinos de Ararate, Mini, e Asquenaz; ordenai contra ela um capitão, fazei subir cavalos, como lagartas eriçadas. 28Preparai contra ela as nações, os reis da Média, os seus capitães, e todos os seus magistrados, e toda a terra do seu domínio. 29Então tremerá a terra, e doer-se-á, porque cada um dos desígnios do SENHOR está firme contra Babilônia, para fazer da terra de Babilônia uma desolação, sem habitantes. 30Os poderosos de Babilônia cessaram de pelejar, ficaram nas fortalezas, desfaleceu a sua força, tornaram-se como mulheres; incendiaram as suas moradas, quebrados foram os seus ferrolhos. 31Um correio correrá ao encontro de outro correio, e um mensageiro ao encontro de outro mensageiro, para anunciar ao rei de Babilônia que a sua cidade está tomada de todos os lados. 32E os vaus estão ocupados, e os canaviais queimados a fogo; e os homens de guerra ficaram assombrados. 33Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: A filha de Babilônia é como uma eira, no tempo da debulha; ainda um pouco, e o tempo da sega lhe virá. 34Nabucodonosor, rei de Babilônia, devorou-me, colocou-me de lado, fez de mim um vaso vazio, como chacal me tragou, encheu o seu ventre das minhas delicadezas; lançou-me fora. 35A violência que se fez a mim e à minha carne venha sobre Babilônia, dirá a moradora de Sião; e o meu sangue caia sobre os moradores da Caldéia, dirá Jerusalém. 36Portanto, assim diz o SENHOR: Eis que pleitearei a tua causa, e tomarei vingança por ti; e secarei o seu mar, e farei que se esgote o seu manancial. 37E Babilônia se tornará em montões, morada de chacais, espanto e assobio, sem que haja quem nela habite. 38Juntamente rugirão como filhos dos leões; bramarão como filhotes de leões. 39Estando eles excitados, lhes darei a sua bebida, e os embriagarei, para que andem saltando; porém dormirão um perpétuo sono, e não acordarão, diz o SENHOR. 40Fá-los-ei descer como cordeiros à matança, como carneiros e bodes. 41Como foi tomada Sesaque, e apanhada de surpresa a glória de toda a terra! Como se tornou Babilônia objeto de espanto entre as nações! 42O mar subiu sobre Babilônia; com a multidão das suas ondas se cobriu. 43Tornaram-se as suas cidades em desolação, terra seca e deserta, terra em que ninguém habita, nem passa por ela filho de homem. 44E castigarei a Bel em Babilônia, e tirarei da sua boca o que tragou, e nunca mais concorrerão a ele as nações; também o muro de Babilônia caiu. 45Saí do meio dela, ó povo meu, e livrai cada um a sua alma do ardor da ira do SENHOR. 46E para que porventura não se enterneça o vosso coração, e não temais pelo rumor que se ouvir na terra; porque virá num ano um rumor, e depois noutro ano outro rumor; e haverá violência na terra, dominador contra dominador. 47Portanto, eis que vêm dias, em que farei juízo sobre as imagens de escultura de Babilônia, e toda a sua terra será envergonhada, e todos os seus mortos cairão no meio dela. 48E os céus e a terra, com tudo quanto neles há, jubilarão sobre Babilônia; porque do norte lhe virão os destruidores, diz o SENHOR. 49Como Babilônia fez cair mortos os de Israel, assim em Babilônia cairão os mortos de toda a terra. 50Vós, que escapastes da espada, ide-vos, não pareis; de longe lembrai-vos do SENHOR, e suba Jerusalém a vossa mente. 51Direis: Envergonhados estamos, porque ouvimos opróbrio; vergonha cobriu o nosso rosto, porquanto vieram estrangeiros contra os santuários da casa do SENHOR. 52Portanto, eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que farei juízo sobre as suas imagens de escultura; e gemerão os feridos em toda a sua terra. 53Ainda que Babilônia subisse aos céus, e ainda que fortificasse a altura da sua fortaleza, todavia de mim virão destruidores sobre ela, diz o SENHOR. 54De Babilônia se ouve clamor de grande destruição da terra dos caldeus; 55Porque o SENHOR tem destruído Babilônia, e tem feito perecer nela a sua grande voz; quando as suas ondas bramam como muitas águas, é emitido o ruído da sua voz. 56Porque o destruidor vem sobre ela, sobre Babilônia, e os seus poderosos serão presos, já estão quebrados os seus arcos; porque o SENHOR, Deus das recompensas, certamente lhe retribuirá. 57E embriagarei os seus príncipes, e os seus sábios e os seus capitães, e os seus magistrados, e os seus poderosos; e dormirão um sono eterno, e não acordarão, diz o Rei, cujo nome é o SENHOR dos Exércitos. 58Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Os largos muros de Babilônia serão totalmente derrubados, e as suas altas portas serão abrasadas pelo fogo; e trabalharão os povos em vão, e as nações no fogo, e eles se cansarão. 59A palavra que Jeremias, o profeta, mandou a Seraías, filho de Nerias, filho de Maaséias, indo ele com Zedequias, rei de Judá, a Babilônia, no quarto ano do seu reinado. E Seraías era o camareiro-mor. 60Escreveu, pois, Jeremias num livro todo o mal que havia de vir sobre Babilônia, a saber, todas estas palavras que estavam escritas contra Babilônia. 61E disse Jeremias a Seraías: Quando chegares a Babilônia, verás e lerás todas estas palavras. 62E dirás: SENHOR, tu falaste contra este lugar, que o havias de desarraigar, até não ficar nele morador algum, nem homem nem animal, e que se tornaria em perpétua desolação. 63E será que, acabando tu de ler este livro, atar-lhe-ás uma pedra e lançá-lo-ás no meio do Eufrates. 64E dirás: Assim será afundada Babilônia, e não se levantará, por causa do mal que eu hei de trazer sobre ela; e eles se cansarão. Até aqui são as palavras de Jeremias. Jeremias 52 1ERA Zedequias da idade de vinte e um anos quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém; e o nome de sua mãe era Hamutal, filha de Jeremias, de Libna. 2E fez o que era mau aos olhos do SENHOR, conforme tudo o que fizera Jeoiaquim. 3Assim, por causa da ira do SENHOR, contra Jerusalém e Judá, ele os lançou de diante dele, e Zedequias se rebelou contra o rei de Babilônia. 4E aconteceu, que no ano nono do seu reinado, no décimo mês, no décimo dia do mês, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, contra Jerusalém, ele e todo o seu exército, e se acamparam contra ela, e levantaram contra ela trincheiras ao redor. 5Assim esteve cercada a cidade, até ao undécimo ano do rei Zedequias. 6No quarto mês, aos nove dias do mês, quando já a fome prevalecia na cidade, e o povo da terra não tinha pão, 7Então foi aberta uma brecha na cidade, e todos os homens de guerra fugiram, e saíram da cidade de noite, pelo caminho da porta entre os dois muros, a qual estava perto do jardim do rei (porque os caldeus cercavam a cidade ao redor), e foram pelo caminho da campina. 8Mas o exército dos caldeus perseguiu o rei, e alcançou a Zedequias nas campinas de Jericó, e todo o seu exército se espalhou, abandonando-o. 9E prenderam o rei, e o fizeram subir ao rei de Babilônia, a Ribla, na terra de Hamate, o qual lhe pronunciou a sentença. 10E o rei de Babilônia degolou os filhos de Zedequias à sua vista, e também degolou a todos os príncipes de Judá em Ribla. 11E cegou os olhos a Zedequias, e o atou com cadeias; e o rei de Babilônia o levou para Babilônia, e o conservou na prisão até o dia da sua morte. 12E no quinto mês, no décimo dia do mês, que era o décimo nono ano do rei Nabucodonosor, rei de Babilônia, Nebuzaradã, capitão da guarda, que assistia na presença do rei de Babilônia, veio a Jerusalém. 13E queimou a casa do SENHOR, e a casa do rei; e também a todas as casas de Jerusalém, e a todas as casas dos grandes ele as incendiou. 14E todo o exército dos caldeus, que estava com o capitão da guarda, derrubou a todos os muros em redor de Jerusalém. 15E dos mais pobres do povo, e a parte do povo, que tinha ficado na cidade, e os rebeldes que se haviam passado para o rei de Babilônia, e o mais da multidão, Nebuzaradã, capitão da guarda, levou presos. 16Mas dos mais pobres da terra Nebuzaradã, capitão da guarda, deixou ficar alguns, para serem vinhateiros e lavradores. 17Quebraram mais os caldeus as colunas de bronze, que estavam na casa do SENHOR, e as bases, e o mar de bronze, que estavam na casa do SENHOR, e levaram todo o bronze para Babilônia. 18Também tomaram os caldeirões, e as pás, e as espevitadeiras, e as bacias, e as colheres, e todos os utensílios de bronze, com que se ministrava. 19E tomou o capitão da guarda as bacias, e os braseiros, e as tigelas, e os caldeirões, e os castiçais, e as colheres, e os copos; tanto o que era de puro ouro, como o que era de prata maciça. 20Quanto às duas colunas, ao único mar, e aos doze bois de bronze, que estavam debaixo das bases, que fizera o rei Salomão para a casa do SENHOR, o peso do bronze de todos estes utensílios era incalculável. 21Quanto às colunas, a altura de cada uma era de dezoito côvados, e um fio de doze côvados a cercava; e era a sua espessura de quatro dedos, e era oca. 22E havia sobre ela um capitel de bronze; e a altura do capitel era de cinco côvados; a rede e as romãs ao redor do capitel eram de bronze; e semelhante a esta era a segunda coluna, com as romãs. 23E havia noventa e seis romãs em cada lado; as romãs todas, em redor da rede, eram cem. 24Levou também o capitão da guarda a Seraías, o sacerdote chefe, e a Sofonias, o segundo sacerdote, e aos três guardas da porta. 25E da cidade tomou a um eunuco que tinha a seu cargo os homens de guerra, e a sete homens que estavam próximos à pessoa do rei, que se achavam na cidade, como também o escrivão-mor do exército, que alistava o povo da terra para a guerra, e a sessenta homens do povo da terra, que se achavam no meio da cidade. 26Tomando-os, pois, Nebuzaradã, capitão da guarda, levou-os ao rei de Babilônia, a Ribla. 27E o rei de Babilônia os feriu e os matou em Ribla, na terra de Hamate; assim Judá foi levado cativo para fora da sua terra. 28Este é o povo que Nabucodonosor levou cativo, no sétimo ano: três mil e vinte e três judeus. 29No ano décimo oitavo de Nabucodonosor, ele levou cativas de Jerusalém oitocentas e trinta e duas pessoas. 30No ano vinte e três de Nabucodonosor, Nebuzaradã, capitão da guarda, levou cativas, dos judeus, setecentas e quarenta e cinco pessoas; todas as pessoas foram quatro mil e seiscentas. 31Sucedeu, pois, no ano trigésimo sétimo do cativeiro de Jeoiaquim, rei de Judá, no duodécimo mês, aos vinte e cinco dias do mês, que Evil-Merodaque, rei de Babilônia, no primeiro ano do seu reinado, levantou a cabeça de Jeoiaquim, rei de Judá, e tirou-o do cárcere; 32E falou com ele benignamente, e pôs o seu trono acima dos tronos dos reis que estavam com ele em Babilônia; 33E lhe fez mudar as vestes da sua prisão; e passou a comer pão sempre na presença do rei, todos os dias da sua vida. 34E, quanto à sua alimentação, foi-lhe dada refeição contínua do rei de Babilônia, porção cotidiana, no seu dia, até o dia da sua morte, todos os dias da sua vida. Lamentações 1 2 3 4 5 Lamentações 1 1COMO está sentada solitária aquela cidade, antes tão populosa! Tornou-se como viúva, a que era grande entre as nações! A que era princesa entre as províncias, tornou-se tributária! 2Chora amargamente de noite, e as suas lágrimas lhe correm pelas faces; não tem quem a console entre todos os seus amantes; todos os seus amigos se houveram aleivosamente com ela, tornaram-se seus inimigos. 3Judá passou em cativeiro por causa da aflição, e por causa da grande servidão; ela habita entre os gentios, não acha descanso; todos os seus perseguidores a alcançam entre as suas dificuldades. 4Os caminhos de Sião pranteiam, porque não há quem venha à festa solene; todas as suas portas estão desoladas; os seus sacerdotes suspiram; as suas virgens estão tristes, e ela mesma tem amargura. 5Os seus adversários têm sido feitos chefes, os seus inimigos prosperam; porque o SENHOR a afligiu, por causa da multidão das suas transgressões; os seus filhinhos foram para o cativeiro na frente do adversário. 6E da filha de Sião já se foi toda a sua formosura; os seus príncipes ficaram sendo como corços que não acham pasto e caminham sem força adiante do perseguidor. 7Lembra-se Jerusalém, nos dias da sua aflição e dos seus exílios, de todas as suas mais queridas coisas, que tivera desde os tempos antigos; quando caía o seu povo na mão do adversário, e não havia quem a socorresse; os adversários a viram, e fizeram escárnio da sua ruína. 8Jerusalém gravemente pecou, por isso se fez errante; todos os que a honravam, a desprezaram, porque viram a sua nudez; ela também suspira e volta para trás. 9A sua imundícia está nas suas saias; nunca se lembrou do seu fim; por isso foi pasmosamente abatida, não tem consolador; vê, SENHOR, a minha aflição, porque o inimigo se tem engrandecido. 10Estendeu o adversário a sua mão a todas as coisas mais preciosas dela; pois ela viu entrar no seu santuário os gentios, acerca dos quais mandaste que não entrassem na tua congregação. 11Todo o seu povo anda suspirando, buscando o pão; deram as suas coisas mais preciosas a troco de mantimento para restaurarem a alma; vê, SENHOR, e contempla, que sou desprezível. 12Não vos comove isto a todos vós que passais pelo caminho? Atendei, e vede, se há dor como a minha dor, que veio sobre mim, com que o SENHOR me afligiu, no dia do furor da sua ira. 13Desde o alto enviou fogo a meus ossos, o qual se assenhoreou deles; estendeu uma rede aos meus pés, fez-me voltar para trás, fez-me assolada e enferma todo o dia. 14O jugo das minhas transgressões está atado pela sua mão; elas estão entretecidas, subiram sobre o meu pescoço, e ele abateu a minha força; entregoume o Senhor nas mãos daqueles a quem não posso resistir. 15O Senhor atropelou todos os meus poderosos no meio de mim; convocou contra mim uma assembléia, para esmagar os meus jovens; o Senhor pisou como num lagar a virgem filha de Judá. 16Por estas coisas eu ando chorando; os meus olhos, os meus olhos se desfazem em águas; porque se afastou de mim o consolador que devia restaurar a minha alma; os meus filhos estão assolados, porque prevaleceu o inimigo. 17Estende Sião as suas mãos, não há quem a console; mandou o SENHOR acerca de Jacó que lhe fossem inimigos os que estão em redor dele; Jerusalém é entre eles como uma mulher imunda. 18Justo é o SENHOR, pois me rebelei contra o seu mandamento; ouvi, pois, todos os povos, e vede a minha dor; as minhas virgens e os meus jovens foram levados para o cativeiro. 19Chamei os meus amantes, mas eles me enganaram; os meus sacerdotes e os meus anciãos expiraram na cidade; enquanto buscavam para si mantimento, para restaurarem a sua alma. 20Olha, SENHOR, porque estou angustiada; turbadas estão as minhas entranhas; o meu coração está transtornado dentro de mim, porque gravemente me rebelei; fora me desfilhou a espada, em casa está a morte. 21Ouviram que eu suspiro, mas não tenho quem me console; todos os meus inimigos que souberam do meu mal folgam, porque tu o fizeste; mas, em trazendo tu o dia que apregoaste, serão como eu. 22Venha toda a sua maldade diante de ti, e faze-lhes como me fizeste a mim por causa de todas as minhas transgressões; porque os meus suspiros são muitos, e o meu coração está desfalecido. Lamentações 2 1COMO cobriu o Senhor de nuvens na sua ira a filha de Sião! Derrubou do céu à terra a glória de Israel, e não se lembrou do escabelo de seus pés, no dia da sua ira. 2Devorou o Senhor todas as moradas de Jacó, e não se apiedou; derrubou no seu furor as fortalezas da filha de Judá, e abateu-as até à terra; profanou o reino e os seus príncipes. 3No furor da sua ira cortou toda a força de Israel; retirou para trás a sua destra de diante do inimigo; e ardeu contra Jacó, como labareda de fogo que consome em redor. 4Armou o seu arco como inimigo, firmou a sua destra como adversário, e matou tudo o que era formoso à vista; derramou a sua indignação como fogo na tenda da filha de Sião. 5Tornou-se o Senhor como inimigo; devorou a Israel, devorou a todos os seus palácios, destruiu as suas fortalezas; e multiplicou na filha de Judá a lamentação e a tristeza. 6E arrancou o seu tabernáculo com violência, como se fosse o de uma horta; destruiu o lugar da sua congregação; o SENHOR, em Sião, pôs em esquecimento a festa solene e o sábado, e na indignação da sua ira rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote. 7Rejeitou o Senhor o seu altar, detestou o seu santuário; entregou na mão do inimigo os muros dos seus palácios; deram gritos na casa do SENHOR, como em dia de festa solene. 8 Intentou o SENHOR destruir o muro da filha de Sião; estendeu o cordel sobre ele, não retirou a sua mão destruidora; fez gemer o antemuro e o muro; estão eles juntamente enfraquecidos. 9As suas portas caíram por terra; ele destruiu e quebrou os seus ferrolhos; o seu rei e os seus príncipes estão entre os gentios, onde não há lei, nem os seus profetas acham visão alguma do SENHOR. 10Estão sentados na terra, silenciosos, os anciãos da filha de Sião; lançam pó sobre as suas cabeças, cingiram sacos; as virgens de Jerusalém abaixam as suas cabeças até à terra. 11Já se consumiram os meus olhos com lágrimas, turbadas estão as minhas entranhas, o meu fígado se derramou pela terra por causa do quebrantamento da filha do meu povo; pois desfalecem o menino e a criança de peito pelas ruas da cidade. 12Ao desfalecerem, como feridos, pelas ruas da cidade, ao exalarem as suas almas no regaço de suas mães, perguntam a elas: Onde está o trigo e o vinho? 13Que testemunho te trarei? A quem te compararei, ó filha de Jerusalém? A quem te assemelharei, para te consolar, ó virgem filha de Sião? Porque grande como o mar é a tua quebradura; quem te sarará? 14Os teus profetas viram para ti, vaidade e loucura, e não manifestaram a tua maldade, para impedirem o teu cativeiro; mas viram para ti cargas vãs e motivos de expulsão. 15Todos os que passam pelo caminho batem palmas, assobiam e meneiam as suas cabeças sobre a filha de Jerusalém, dizendo: É esta a cidade que denominavam: perfeita em formosura, gozo de toda a terra? 16Todos os teus inimigos abrem as suas bocas contra ti, assobiam, e rangem os dentes; dizem: Devoramo-la; certamente este é o dia que esperávamos; achamolo, vimo-lo. 17Fez o SENHOR o que intentou; cumpriu a sua palavra, que ordenou desde os dias da antiguidade; derrubou, e não se apiedou; fez que o inimigo se alegrasse por tua causa, exaltou o poder dos teus adversários. 18O coração deles clamou ao Senhor: Ó muralha da filha de Sião, corram as tuas lágrimas como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês descanso, nem parem as meninas de teus olhos. 19Levanta-te, clama de noite no princípio das vigias; derrama o teu coração como águas diante da presença do Senhor; levanta a ele as tuas mãos, pela vida de teus filhinhos, que desfalecem de fome à entrada de todas as ruas. 20Vê, ó SENHOR, e considera a quem fizeste assim! Hão de comer as mulheres o fruto de si mesmas, as crianças que trazem nos braços? Ou matar-se-á no santuário do Senhor o sacerdote e o profeta? 21Jazem por terra pelas ruas o moço e o velho, as minhas virgens e os meus jovens vieram a cair à espada; tu os mataste no dia da tua ira; mataste e não te apiedaste. 22Convocaste os meus temores em redor como num dia de solenidade; não houve no dia da ira do SENHOR quem escapasse, ou ficasse; aqueles que eu trouxe nas mãos e sustentei, o meu inimigo os consumiu. Lamentações 3 1EU sou aquele homem que viu a aflição pela vara do seu furor. 2Ele me guiou e me fez andar em trevas e não na luz. 3Deveras fez virar e revirar a sua mão contra mim o dia todo. 4Fez envelhecer a minha carne e a minha pele, quebrou os meus ossos. 5Edificou contra mim, e me cercou de fel e trabalho. 6Assentou-me em lugares tenebrosos, como os que estavam mortos há muito. 7Cercou-me de uma sebe, e não posso sair; agravou os meus grilhões. 8Ainda quando clamo e grito, ele exclui a minha oração. 9Fechou os meus caminhos com pedras lavradas, fez tortuosas as minhas veredas. 10Fez-se-me como urso de emboscada, um leão em esconderijos. 11Desviou os meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me assolado. 12Armou o seu arco, e me pôs como alvo à flecha. 13Fez entrar nos meus rins as flechas da sua aljava. 14Fui feito um objeto de escárnio para todo o meu povo, e a sua canção todo o dia. 15Fartou-me de amarguras, embriagou-me de absinto. 16Quebrou com cascalho os meus dentes, abaixou-me na cinza. 17E afastaste da paz a minha alma; esquecime do bem. 18Então disse eu: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no SENHOR. 19Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do fel. 20Minha alma certamente disto se lembra, e se abate dentro de mim. 21Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei. 22As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; 23Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. 24A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto esperarei nele. 25Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca. 26Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR. 27Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. 28Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele. 29Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança. 30Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta. 31Pois o Senhor não rejeitará para sempre. 32Pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão, segundo a grandeza das suas misericórdias. 33Porque não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens. 34Pisar debaixo dos seus pés a todos os presos da terra, 35Perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo, 36Subverter ao homem no seu pleito, não o veria o Senhor? 37Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? 38Porventura da boca do Altíssimo não sai tanto o mal como o bem? 39De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados. 40Esquadrinhemos os nossos caminhos, e provemo-los, e voltemos para o SENHOR. 41Levantemos os nossos corações com as mãos para Deus nos céus, dizendo: 42Nós transgredimos, e fomos rebeldes; por isso tu não perdoaste. 43Cobriste-te de ira, e nos perseguiste; mataste, não perdoaste. 44Cobriste-te de nuvens, para que não passe a nossa oração. 45Como escória e refugo nos puseste no meio dos povos. 46Todos os nossos inimigos abriram contra nós a sua boca. 47Temor e laço vieram sobre nós, assolação e destruição. 48Torrentes de água derramaram os meus olhos, por causa da destruição da filha do meu povo. 49Os meus olhos choram, e não cessam, porque não há descanso, 50Até que o SENHOR atente e veja desde os céus. 51Os meus olhos entristecem a minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade. 52Como ave me caçam os que, sem causa, são meus inimigos. 53Cortaram-me a vida na masmorra, e lançaram pedras sobre mim. 54Águas correram sobre a minha cabeça; eu disse: Estou cortado. 55 Invoquei o teu nome, SENHOR, desde a mais profunda masmorra. 56Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor. 57Tu te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas. 58Pleiteaste, Senhor, as causas da minha alma, remiste a minha vida. 59Viste, SENHOR, a injustiça que me fizeram; julga a minha causa. 60Viste toda a sua vingança, todos os seus pensamentos contra mim, 61Ouviste a sua afronta, SENHOR, todos os seus pensamentos contra mim, 62Os lábios dos que se levantam contra mim e os seus desígnios me são contrários todo o dia. 63Observa-os ao assentarem-se e ao levantarem-se; eu sou a sua música. 64Tu lhes darás recompensa, SENHOR, conforme a obra das suas mãos. 65Tu lhes darás ânsia de coração, maldição tua sobre eles. 66Na tua ira os perseguirás, e os destruirás de debaixo dos céus do SENHOR. Lamentações 4 1COMO se escureceu o ouro! Como se mudou o ouro puro e bom! Como estão espalhadas as pedras do santuário sobre cada rua! 2Os preciosos filhos de Sião, avaliados a puro ouro, como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro! 3Até os chacais abaixam o peito, dão de mamar aos seus filhos; mas a filha do meu povo tornou-se cruel como os avestruzes no deserto. 4A língua do que mama fica pegada pela sede ao seu paladar; os meninos pedem pão, e ninguém lho reparte. 5Os que comiam comidas finas agora desfalecem nas ruas; os que se criaram em carmesim abraçam monturos. 6Porque maior é a iniqüidade da filha do meu povo do que o pecado de Sodoma, a qual foi subvertida como num momento, sem que mãos lhe tocassem. 7Os seus nobres eram mais puros do que a neve, mais brancos do que o leite, mais vermelhos de corpo do que os rubis, e mais polidos do que a safira. 8Mas agora escureceu-se o seu aspecto mais do que o negrume; não são conhecidos nas ruas; a sua pele se lhes pegou aos ossos, secou-se, tornou-se como um pau. 9Os mortos à espada foram mais ditosos do que os mortos à fome; porque estes morreram lentamente, por falta dos frutos dos campos. 10As mãos das mulheres compassivas cozeram seus próprios filhos; serviramlhes de alimento na destruição da filha do meu povo. 11Deu o SENHOR cumprimento ao seu furor; derramou o ardor da sua ira, e acendeu fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos. 12Não creram os reis da terra, nem todos os moradores do mundo, que entrasse o adversário e o inimigo pelas portas de Jerusalém. 13Foi por causa dos pecados dos profetas, das maldades dos seus sacerdotes, que derramaram o sangue dos justos no meio dela. 14Vagueiam como cegos nas ruas, andam contaminados de sangue; de tal sorte que ninguém pode tocar nas suas roupas. 15Desviai-vos, imundos! gritavam-lhes; desviai-vos, desviai-vos, não toqueis! quando fugiram e também andaram errantes, dizia-se entre os gentios: Nunca mais morarão aqui. 16A face indignada do SENHOR os espalhou, ele nunca mais tornará a olhar para eles; não respeitaram a pessoa dos sacerdotes, nem se compadeceram dos velhos. 17Os nossos olhos desfaleciam, esperando o nosso vão socorro; olhávamos atentamente para uma nação que não nos podia livrar. 18Espiaram os nossos passos, de maneira que não podíamos andar pelas nossas ruas; está chegado o nosso fim, estão cumpridos os nossos dias, porque é vindo o nosso fim. 19Os nossos perseguidores foram mais ligeiros do que as águias dos céus; sobre os montes nos perseguiram, no deserto nos armaram ciladas. 20O fôlego das nossas narinas, o ungido do SENHOR, foi preso nas suas covas; dele dizíamos: Debaixo da sua sombra viveremos entre os gentios. 21Regozija-te e alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz; o cálice passará também para ti; embebedar-te-ás, e te descobrirás. 22O castigo da tua maldade está consumado, ó filha de Sião; ele nunca mais te levará para o cativeiro; ele visitará a tua maldade, ó filha de Edom, descobrirá os teus pecados. Lamentações 5 1LEMBRA-TE, SENHOR, do que nos tem sucedido; considera, e olha o nosso opróbrio. 2A nossa herança passou a estrangeiros, e as nossas casas a forasteiros. 3Órfãos somos sem pai, nossas mães são como viúvas. 4A nossa água por dinheiro a bebemos, por preço vem a nossa lenha. 5Os nossos perseguidores estão sobre os nossos pescoços; estamos cansados, e não temos descanso. 6Aos egípcios e aos assírios estendemos as mãos, para nos fartarem de pão. 7Nossos pais pecaram, e já não existem; e nós levamos as suas maldades. 8Servos dominam sobre nós; ninguém há que nos livre da sua mão. 9Com perigo de nossas vidas trazemos o nosso pão, por causa da espada do deserto. 10Nossa pele se queimou como um forno, por causa do ardor da fome. 11Forçaram as mulheres em Sião, as virgens nas cidades de Judá. 12Os príncipes foram enforcados pelas mãos deles; as faces dos velhos não foram reverenciadas. 13Aos jovens obrigaram a moer, e os meninos caíram debaixo das cargas de lenha. 14Os velhos já não estão mais às portas, os jovens já deixaram a sua música. 15Cessou o gozo de nosso coração; converteu-se em lamentação a nossa dança. 16Caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós! porque pecamos. 17Por isso desmaiou o nosso coração; por isso se escureceram os nossos olhos. 18Pelo monte de Sião, que está assolado, andam as raposas. 19Tu, SENHOR, permaneces eternamente, e o teu trono subsiste de geração em geração. 20Por que te esquecerias de nós para sempre? Por que nos desampararias por tanto tempo? 21Converte-nos a ti, SENHOR, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes. 22Mas tu nos rejeitaste totalmente. Tu estás muito enfurecido contra nós. Ezequiel 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 Ezequiel 1 1E ACONTECEU no trigésimo ano, no quarto mês, no quinto dia do mês, que estando eu no meio dos cativos, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus. 2No quinto dia do mês, no quinto ano do cativeiro do rei Jeoiaquim, 3Veio expressamente a palavra do SENHOR a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do SENHOR. 4Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com um fogo revolvendo-se nela, e um resplendor ao redor, e no meio dela havia uma coisa, como de cor de âmbar, que saía do meio do fogo. 5E do meio dela saía a semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem. 6E cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas. 7E os seus pés eram pés direitos; e as plantas dos seus pés como a planta do pé de uma bezerra, e luziam como a cor de cobre polido. 8E tinham mãos de homem debaixo das suas asas, aos quatro lados; e assim todos quatro tinham seus rostos e suas asas. 9Uniam-se as suas asas uma à outra; não se viravam quando andavam, e cada qual andava continuamente em frente. 10E a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e do lado direito todos os quatro tinham rosto de leão, e do lado esquerdo todos os quatro tinham rosto de boi; e também tinham rosto de águia todos os quatro. 11Assim eram os seus rostos. As suas asas estavam estendidas por cima; cada qual tinha duas asas juntas uma a outra, e duas cobriam os corpos deles. 12E cada qual andava para adiante de si; para onde o espírito havia de ir, iam; não se viravam quando andavam. 13E, quanto à semelhança dos seres viventes, o seu aspecto era como ardentes brasas de fogo, com uma aparência de lâmpadas; o fogo subia e descia por entre os seres viventes, e o fogo resplandecia, e do fogo saíam relâmpagos; 14E os seres viventes corriam, e voltavam, à semelhança de um clarão de relâmpago. 15E vi os seres viventes; e eis que havia uma roda sobre a terra junto aos seres viventes, uma para cada um dos quatro rostos. 16O aspecto das rodas, e a obra delas, era como a cor de berilo; e as quatro tinham uma mesma semelhança; e o seu aspecto, e a sua obra, era como se estivera uma roda no meio de outra roda. 17Andando elas, andavam pelos seus quatro lados; não se viravam quando andavam. 18E os seus aros eram tão altos, que faziam medo; e estas quatro tinham as suas cambotas cheias de olhos ao redor. 19E, andando os seres viventes, andavam as rodas ao lado deles; e, elevando-se os seres viventes da terra, elevavam-se também as rodas. 20Para onde o espírito queria ir, eles iam; para onde o espírito tinha de ir; e as rodas se elevavam defronte deles, porque o espírito do ser vivente estava nas rodas. 21Andando eles, andavam elas e, parando eles, paravam elas e, elevando-se eles da terra, elevavam-se também as rodas defronte deles; porque o espírito do ser vivente estava nas rodas. 22E sobre as cabeças dos seres viventes havia uma semelhança de firmamento, com a aparência de cristal terrível, estendido por cima, sobre as suas cabeças. 23E debaixo do firmamento estavam as suas asas direitas uma em direção à outra; cada um tinha duas, que lhe cobriam o corpo de um lado; e cada um tinha outras duas asas, que os cobriam do outro lado. 24E, andando eles, ouvi o ruído das suas asas, como o ruído de muitas águas, como a voz do Onipotente, um tumulto como o estrépito de um exército; parando eles, abaixavam as suas asas. 25E ouviu-se uma voz vinda do firmamento, que estava por cima das suas cabeças; parando eles, abaixavam as suas asas. 26E por cima do firmamento, que estava por cima das suas cabeças, havia algo semelhante a um trono que parecia de pedra de safira; e sobre esta espécie de trono havia uma figura semelhante à de um homem, na parte de cima, sobre ele. 27E vi-a como a cor de âmbar, como a aparência do fogo pelo interior dele ao redor, desde o aspecto dos seus lombos, e daí para cima; e, desde o aspecto dos seus lombos e daí para baixo, vi como a semelhança de fogo, e um resplendor ao redor dele. 28Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor. Este era o aspecto da semelhança da glória do SENHOR; e, vendo isto, caí sobre o meu rosto, e ouvi a voz de quem falava. Ezequiel 2 1E DISSEME: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo. 2Então entrou em mim o Espírito, quando ele falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me falava. 3E disseme: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se rebelaram contra mim; eles e seus pais transgrediram contra mim até este mesmo dia. 4E os filhos são de semblante duro, e obstinados de coração; eu te envio a eles, e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus. 5E eles, quer ouçam quer deixem de ouvir (porque eles são casa rebelde), hão de saber, contudo, que esteve no meio deles um profeta. 6E tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras; ainda que estejam contigo sarças e espinhos, e tu habites entre escorpiões, não temas as suas palavras, nem te assustes com os seus semblantes, porque são casa rebelde. 7Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes. 8Mas tu, ó filho do homem, ouve o que eu te falo, não sejas rebelde como a casa rebelde; abre a tua boca, e come o que eu te dou. 9Então vi, e eis que uma mão se estendia para mim, e eis que nela havia um rolo de livro. 10E estendeu-o diante de mim, e ele estava escrito por dentro e por fora; e nele estavam escritas lamentações, e suspiros e ais. Ezequiel 3 1DEPOIS me disse: Filho do homem, come o que achares; come este rolo, e vai, fala à casa de Israel. 2Então abri a minha boca, e me deu a comer o rolo. 3E disseme: Filho do homem, dá de comer ao teu ventre, e enche as tuas entranhas deste rolo que eu te dou. Então o comi, e era na minha boca doce como o mel. 4E disseme ainda: Filho do homem, vai, entra na casa de Israel, e dize-lhe as minhas palavras. 5Porque tu não és enviado a um povo de estranha fala, nem de língua difícil, mas à casa de Israel; 6Nem a muitos povos de estranha fala, e de língua difícil, cujas palavras não possas entender; se eu aos tais te enviara, certamente te dariam ouvidos. 7Mas a casa de Israel não te quererá dar ouvidos, porque não me querem dar ouvidos a mim; pois toda a casa de Israel é de fronte obstinada e dura de coração. 8Eis que fiz duro o teu rosto contra os seus rostos, e forte a tua fronte contra a sua fronte. 9Fiz como diamante a tua fronte, mais forte do que a pederneira; não os temas, pois, nem te assombres com os seus rostos, porque são casa rebelde. 10Disseme mais: Filho do homem, recebe no teu coração todas as minhas palavras que te hei de dizer, e ouve-as com os teus ouvidos. 11Eia, pois, vai aos do cativeiro, aos filhos do teu povo, e lhes falarás e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus, quer ouçam quer deixem de ouvir. 12E levantou-me o Espírito, e ouvi por detrás de mim uma voz de grande estrondo, que dizia: Bendita seja a glória do SENHOR, desde o seu lugar. 13E ouvi o ruído das asas dos seres viventes, que tocavam umas nas outras, e o ruído das rodas defronte deles, e o sonido de um grande estrondo. 14Então o Espírito me levantou, e me levou; e eu me fui amargurado, na indignação do meu espírito; porém a mão do SENHOR era forte sobre mim. 15E fui a Tel-Abibe, aos do cativeiro, que moravam junto ao rio Quebar, e eu morava onde eles moravam; e fiquei ali sete dias, pasmado no meio deles. 16E sucedeu que, ao fim de sete dias, veio a palavra do SENHOR a mim, dizendo: 17Filho do homem: Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra e avisá-los-ás da minha parte. 18Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniqüidade, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. 19Mas, se avisares ao ímpio, e ele não se converter da sua impiedade e do seu mau caminho, ele morrerá na sua iniqüidade, mas tu livraste a tua alma. 20Semelhantemente, quando o justo se desviar da sua justiça, e cometer a iniqüidade, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá: porque tu não o avisaste, no seu pecado morrerá; e suas justiças, que tiver praticado, não serão lembradas, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. 21Mas, avisando tu o justo, para que não peque, e ele não pecar, certamente viverá; porque foi avisado; e tu livraste a tua alma. 22E a mão do SENHOR estava sobre mim ali, e ele me disse: Levanta-te, e sai ao vale, e ali falarei contigo. 23E levantei-me, e saí ao vale, e eis que a glória do SENHOR estava ali, como a glória que vi junto ao rio Quebar; e caí sobre o meu rosto. 24Então entrou em mim o Espírito, e me pôs em pé, e falou comigo, e me disse: Entra, encerra-te dentro da tua casa. 25E quanto a ti, ó filho do homem, eis que porão cordas sobre ti, e te ligarão com elas; não sairás, pois, ao meio deles. 26E eu farei que a tua língua se pegue ao teu paladar, e ficarás mudo, e não lhes servirás de repreendedor; porque eles são casa rebelde. 27Mas, quando eu falar contigo, abrirei a tua boca, e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus: Quem ouvir ouça, e quem deixar de ouvir, deixe; porque eles são casa rebelde. Ezequiel 4 1TU, pois, ó filho do homem, toma um tijolo, e pô-lo-ás diante de ti, e grava nele a cidade de Jerusalém. 2E põe contra ela um cerco, e edifica contra ela uma fortificação, e levanta contra ela uma trincheira, e põe contra ela arraiais, e põe-lhe aríetes em redor. 3E tu toma uma sertã de ferro, e põe-na por muro de ferro entre ti e a cidade; e dirige para ela o teu rosto, e assim será cercada, e a cercarás; isto servirá de sinal à casa de Israel. 4Tu também deita-te sobre o teu lado esquerdo, e põe a iniqüidade da casa de Israel sobre ele; conforme o número dos dias que te deitares sobre ele, levarás as suas iniqüidades. 5Porque eu já te tenho fixado os anos da sua iniqüidade, conforme o número dos dias, trezentos e noventa dias; e levarás a iniqüidade da casa de Israel. 6E, quando tiveres cumprido estes dias, tornar-te-ás a deitar sobre o teu lado direito, e levarás a iniqüidade da casa de Judá quarenta dias; um dia te dei para cada ano. 7Dirigirás, pois, o teu rosto para o cerco de Jerusalém, com o teu braço descoberto, e profetizarás contra ela. 8E eis que porei sobre ti cordas; assim tu não te voltarás de um lado para o outro, até que cumpras os dias do teu cerco. 9E tu, toma trigo, e cevada, e favas, e lentilhas, e milho e aveia, e coloca-os numa vasilha, e faze deles pão; conforme o número dos dias que tu te deitares sobre o teu lado, trezentos e noventa dias, comerás disso. 10E a tua comida, que hás de comer, será do peso de vinte siclos por dia; de tempo em tempo a comerás. 11Também beberás a água por medida, a saber, a sexta parte de um him; de tempo em tempo beberás. 12E o que comeres será como bolos de cevada, e cozê-los-ás sobre o esterco que sai do homem, diante dos olhos deles. 13E disse o SENHOR: Assim comerão os filhos de Israel o seu pão imundo, entre os gentios para onde os lançarei. 14Então disse eu: Ah! Senhor Deus! Eis que a minha alma não foi contaminada, pois desde a minha mocidade até agora, nunca comi daquilo que morrer de si mesmo, ou que é despedaçado por feras; nem carne abominável entrou na minha boca. 15E disseme: Vê, dei-te esterco de vacas, em lugar de esterco de homem; e sobre ele prepararás o teu pão. 16Disseme ainda: Filho do homem, eis que eu quebrarei o sustento de pão em Jerusalém, e comerão o pão por peso, e com ansiedade; e a água beberão por medida, e com espanto; 17Para que lhes falte o pão e a água, e se espantem uns com os outros, e se consumam nas suas iniqüidades. Ezequiel 5 1E TU, ó filho do homem, toma uma faca afiada, como navalha de barbeiro, e a farás passar pela tua cabeça e pela tua barba; então tomarás uma balança de peso, e repartirás os cabelos. 2Uma terça parte queimarás no fogo, no meio da cidade, quando se cumprirem os dias do cerco; então tomarás outra terça parte, e feri-la-ás com uma faca ao redor dela; e a outra terça parte espalharás ao vento; porque desembainharei a espada atrás deles. 3Também tomarás dali um pequeno número, e atá-los-ás nas bordas do teu manto. 4E ainda destes tomarás alguns, e os lançarás no meio do fogo e os queimarás a fogo; e dali sairá um fogo contra toda a casa de Israel. 5Assim diz o Senhor Deus: Esta é Jerusalém; coloquei-a no meio das nações e das terras que estão ao redor dela. 6Ela, porém, mudou em impiedade os meus juízos, mais do que as nações, e os meus estatutos mais do que as terras que estão ao redor dela; porque rejeitaram os meus juízos e os meus estatutos, e não andaram neles. 7Portanto assim diz o Senhor Deus: Porque multiplicastes mais do que as nações, que estão ao redor de vós, e não andastes nos meus estatutos, nem guardastes os meus juízos, nem ainda procedestes segundo os juízos das nações que estão ao redor de vós; 8Por isso assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, sim eu, estou contra ti; e executarei juízos no meio de ti aos olhos das nações. 9E farei em ti o que nunca fiz, e o que jamais farei, por causa de todas as tuas abominações. 10Portanto os pais comerão a seus filhos no meio de ti, e os filhos comerão a seus pais; e executarei em ti juízos, e tudo o que restar de ti, espalharei a todos os ventos. 11Portanto, como eu vivo, diz o Senhor Deus, certamente, porquanto profanaste o meu santuário com todas as tuas coisas detestáveis, e com todas as tuas abominações, também eu te diminuirei, e o meu olho não te perdoará, nem também terei piedade. 12Uma terça parte de ti morrerá de peste, e se consumirá de fome no meio de ti; e outra terça parte cairá à espada em redor de ti; e a outra terça parte espalharei a todos os ventos, e desembainharei a espada atrás deles. 13Assim se cumprirá a minha ira, e satisfarei neles o meu furor, e me consolarei; e saberão que eu, o SENHOR, tenho falado no meu zelo, quando eu cumprir neles o meu furor. 14E pôr-te-ei em desolação, e por objeto de opróbrio entre as nações que estão em redor de ti, aos olhos de todos os que passarem. 15E será objeto de opróbrio e blasfêmia, instrução e espanto às nações que estão em redor de ti, quando eu executar em ti juízos com ira, e com furor, e com terríveis castigos. Eu, o SENHOR, falei. 16Quando eu enviar as malignas flechas da fome contra eles, que servirão para destruição, as quais eu mandarei para vos destruir, então aumentarei a fome sobre vós, e vos quebrarei o sustento do pão. 17E enviarei sobre vós a fome, e as feras que te desfilharão; e a peste e o sangue passarão por ti; e trarei a espada sobre ti. Eu, o SENHOR, falei. Ezequiel 6 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, dirige o teu rosto para os montes de Israel, e profetiza contra eles. 3E dirás: Montes de Israel, ouvi a palavra do Senhor Deus: Assim diz o Senhor Deus aos montes, aos outeiros, aos ribeiros e aos vales: Eis que eu, sim eu, trarei a espada sobre vós, e destruirei os vossos lugares altos. 4E serão assolados os vossos altares, e quebradas as vossas imagens do sol e derrubarei os vossos mortos, diante dos vossos ídolos. 5E porei os cadáveres dos filhos de Israel diante dos seus ídolos; e espalharei os vossos ossos em redor dos vossos altares. 6Em todos os vossos lugares habitáveis, as cidades serão destruídas, e os lugares altos assolados; para que os vossos altares sejam destruídos e assolados, e os vossos ídolos se quebrem e se acabem, e as vossas imagens sejam cortadas, e desfeitas as vossas obras. 7E os mortos cairão no meio de vós, para que saibais que eu sou o SENHOR. 8Porém deixarei um remanescente, para que tenhais entre as nações alguns que escaparem da espada, quando fordes espalhados pelas terras. 9Então os que dentre vós escaparem se lembrarão de mim entre as nações para onde foram levados em cativeiro; porquanto me quebrantei por causa do seu coração corrompido, que se desviou de mim, e por causa dos seus olhos, que andaram se corrompendo após os seus ídolos; e terão nojo de si mesmos, por causa das maldades que fizeram em todas as suas abominações. 10E saberão que eu sou o SENHOR, e que não disse debalde que lhes faria este mal. 11Assim diz o Senhor Deus: Bate com a mão, e bate com o teu pé, e dize: Ah! Por todas as grandes abominações da casa de Israel! Porque cairão à espada, e de fome, e de peste. 12O que estiver longe morrerá de peste, e o que está perto cairá à espada; e o que restar e ficar cercado morrerá de fome; assim cumprirei o meu furor sobre eles. 13Então sabereis que eu sou o SENHOR, quando os seus mortos estiverem no meio dos seus ídolos, em redor dos seus altares, em todo o outeiro alto, em todos os cumes dos montes, e debaixo de toda a árvore verde, e debaixo de todo o carvalho frondoso, no lugar onde ofereciam cheiro suave a todos os seus ídolos. 14E estenderei a minha mão sobre eles, e farei a terra desolada, e mais devastada do que o deserto do lado de Dibla, em todas as suas habitações; e saberão que eu sou o SENHOR. Ezequiel 7 1DEPOIS veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2E tu, ó filho do homem, assim diz o Senhor Deus acerca da terra de Israel: Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra. 3Agora vem o fim sobre ti, e enviarei sobre ti a minha ira, e te julgarei conforme os teus caminhos, e trarei sobre ti todas as tuas abominações. 4E não te poupará o meu olho, nem terei piedade de ti, mas porei sobre ti os teus caminhos, e as tuas abominações estarão no meio de ti; e sabereis que eu sou o SENHOR. 5Assim diz o Senhor Deus: Um mal, eis que um só mal vem. 6Vem o fim, o fim vem, despertou-se contra ti; eis que vem. 7A manhã vem para ti, ó habitante da terra. Vem o tempo; chegado é o dia da turbação, e não mais o sonido de alegria dos montes. 8Agora depressa derramarei o meu furor sobre ti, e cumprirei a minha ira contra ti, e te julgarei conforme os teus caminhos, e porei sobre ti todas as tuas abominações. 9E não te poupará o meu olho, nem terei piedade de ti; conforme os teus caminhos, assim te punirei, e as tuas abominações estarão no meio de ti; e sabereis que eu, o SENHOR, é que firo. 10Eis aqui o dia, eis que vem; veio a manhã, já floresceu a vara, já reverdeceu a soberba. 11A violência se levantou em vara de impiedade; nada restará deles, nem da sua multidão, nem do seu rumor, nem haverá lamentação por eles. 12Vem o tempo, é chegado o dia; o que compra não se alegre, e o que vende não se entristeça; porque a ira ardente está sobre toda a multidão deles. 13Porque o que vende não tornará a possuir o que vendeu, ainda que esteja entre os viventes; porque a visão, sobre toda a sua multidão, não tornará para trás, nem ninguém fortalecerá a sua vida com a sua iniqüidade. 14Já tocaram a trombeta, e tudo prepararam, mas não há quem vá à peleja, porque a minha ardente ira está sobre toda a sua multidão. 15Fora está a espada, e dentro a peste e a fome; o que estiver no campo morrerá à espada, e o que estiver na cidade a fome e a peste o consumirão. 16E escaparão os que fugirem deles, mas estarão pelos montes, como pombas dos vales, todos gemendo, cada um por causa da sua iniqüidade. 17Todas as mãos se enfraquecerão, e todos os joelhos serão débeis como água. 18E cingir-se-ão de sacos, e o terror os cobrirá; e sobre todos os rostos haverá vergonha, e sobre todas as suas cabeças, calva. 19A sua prata lançarão pelas ruas, e o seu ouro será removido; nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia do furor do SENHOR; eles não fartarão a sua alma, nem lhes encherão o estômago, porque isto foi o tropeço da sua iniqüidade. 20E a glória do seu ornamento ele a pôs em magnificência, mas eles fizeram nela imagens das suas abominações e coisas detestáveis; por isso eu lha tenho feito coisa imunda. 21E entregá-la-ei por presa, na mão dos estrangeiros, e aos ímpios da terra por despojo; e a profanarão. 22E desviarei deles o meu rosto, e profanarão o meu lugar oculto; porque entrarão nele saqueadores, e o profanarão. 23Faze uma cadeia, porque a terra está cheia de crimes de sangue, e a cidade está cheia de violência. 24E farei vir os piores dentre os gentios e possuirão as suas casas; e farei cessar a arrogância dos fortes, e os seus lugares santos serão profanados. 25Vem a destruição; eles buscarão a paz, mas não há nenhuma. 26Miséria sobre miséria virá, e se levantará rumor sobre rumor; então buscarão do profeta uma visão, mas do sacerdote perecerá a lei e dos anciãos o conselho. 27O rei lamentará, e o príncipe se vestirá de desolação, e as mãos do povo da terra se conturbarão; conforme o seu caminho lhes farei, e conforme os seus merecimentos os julgarei; e saberão que eu sou o SENHOR. Ezequiel 8 1SUCEDEU, pois, no sexto ano, no sexto mês, no quinto dia do mês, estando eu assentado na minha casa, e os anciãos de Judá assentados diante de mim, que ali a mão do Senhor Deus caiu sobre mim. 2E olhei, e eis uma semelhança como o aspecto de fogo; desde o aspecto dos seus lombos, e daí para baixo, era fogo; e dos seus lombos e daí para cima como o aspecto de um resplendor como a cor de âmbar. 3E estendeu a forma de uma mão, e tomou-me pelos cabelos da minha cabeça; e o Espírito me levantou entre a terra e o céu, e levou-me a Jerusalém em visões de Deus, até à entrada da porta do pátio de dentro, que olha para o norte, onde estava o assento da imagem do ciúmes, que provoca ciúmes. 4E eis que a glória do Deus de Israel estava ali, conforme o aspecto que eu tinha visto no vale. 5E disseme: Filho do homem, levanta agora os teus olhos para o caminho do norte. E levantei os meus olhos para o caminho do norte, e eis que ao norte da porta do altar, estava esta imagem de ciúmes na entrada. 6E disseme: Filho do homem, vês tu o que eles estão fazendo? As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário? Mas ainda tornarás a ver maiores abominações. 7E levou-me à porta do átrio; então olhei, e eis que havia um buraco na parede. 8E disseme: Filho do homem, cava agora naquela parede. E cavei na parede, e eis que havia uma porta. 9Então me disse: Entra, e vê as malignas abominações que eles fazem aqui. 10E entrei, e olhei, e eis que toda a forma de répteis, e animais abomináveis, e de todos os ídolos da casa de Israel, estavam pintados na parede em todo o redor. 11E estavam em pé diante deles setenta homens dos anciãos da casa de Israel, e Jaazanias, filho de Safã, em pé, no meio deles, e cada um tinha na mão o seu incensário; e subia uma espessa nuvem de incenso. 12Então me disse: Viste, filho do homem, o que os anciãos da casa de Israel fazem nas trevas, cada um nas suas câmaras pintadas de imagens? Pois dizem: O SENHOR não nos vê; o SENHOR abandonou a terra. 13E disseme: Ainda tornarás a ver maiores abominações, que estes fazem. 14E levou-me à entrada da porta da casa do SENHOR, que está do lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz. 15E disseme: Vês isto, filho do homem? Ainda tornarás a ver abominações maiores do que estas. 16E levou-me para o átrio interior da casa do SENHOR, e eis que estavam à entrada do templo do SENHOR, entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do SENHOR, e com os rostos para o oriente; e eles, virados para o oriente adoravam o sol. 17Então me disse: Vês isto, filho do homem? Há porventura coisa mais leviana para a casa de Judá, do que tais abominações, que fazem aqui? Havendo enchido a terra de violência, tornam a irritar-me; e ei-los a chegar o ramo ao seu nariz. 18Por isso também eu os tratarei com furor; o meu olho não poupará, nem terei piedade; ainda que me gritem aos ouvidos com grande voz, contudo não os ouvirei. Ezequiel 9 1ENTÃO me gritou aos ouvidos com grande voz, dizendo: Fazei chegar os intendentes da cidade, cada um com as suas armas destruidoras na mão. 2E eis que vinham seis homens a caminho da porta superior, que olha para o norte, e cada um com a sua arma destruidora na mão, e entre eles um homem vestido de linho, com um tinteiro de escrivão à sua cintura; e entraram, e se puseram junto ao altar de bronze. 3E a glória do Deus de Israel se levantou de sobre o querubim, sobre o qual estava, indo até a entrada da casa; e clamou ao homem vestido de linho, que tinha o tinteiro de escrivão à sua cintura. 4E disse-lhe o SENHOR: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela. 5E aos outros disse ele, ouvindo eu: Passai pela cidade após ele, e feri; não poupe o vosso olho, nem vos compadeçais. 6Matai velhos, jovens, virgens, meninos e mulheres, até exterminá-los; mas a todo o homem que tiver o sinal não vos chegueis; e começai pelo meu santuário. E começaram pelos homens mais velhos que estavam diante da casa. 7E disselhes: Contaminai a casa e enchei os átrios de mortos; saí. E saíram, e feriram na cidade. 8Sucedeu, pois, que, havendo-os ferido, e ficando eu sozinho, caí sobre a minha face, e clamei, e disse: Ah! Senhor Deus! dar-se-á caso que destruas todo o restante de Israel, derramando a tua indignação sobre Jerusalém? 9Então me disse: A maldade da casa de Israel e de Judá é grandíssima, e a terra se encheu de sangue e a cidade se encheu de perversidade; porque dizem: O SENHOR abandonou a terra, e o SENHOR não vê. 10Pois, também, quanto a mim, não poupará o meu olho, nem me compadecerei; sobre a cabeça deles farei recair o seu caminho. 11Eis que o homem que estava vestido de linho, a cuja cintura estava o tinteiro, tornou com a resposta, dizendo: Fiz como me mandaste. Ezequiel 10 1DEPOIS olhei, e eis que no firmamento, que estava por cima da cabeça dos querubins, apareceu sobre eles uma como pedra de safira, semelhante a forma de um trono. 2E falou ao homem vestido de linho, dizendo: Vai por entre as rodas, até debaixo do querubim, e enche as tuas mãos de brasas acesas dentre os querubins e espalha-as sobre a cidade. E ele entrou à minha vista. 3E os querubins estavam ao lado direito da casa, quando entrou aquele homem; e uma nuvem encheu o átrio interior. 4Então se levantou a glória do SENHOR de sobre o querubim indo para a entrada da casa; e encheu-se a casa de uma nuvem, e o átrio se encheu do resplendor da glória do SENHOR. 5E o ruído das asas dos querubins se ouviu até ao átrio exterior, como a voz do Deus Todo-Poderoso, quando fala. 6Sucedeu, pois, que, dando ele ordem ao homem vestido de linho, dizendo: Toma fogo dentre as rodas, dentre os querubins, entrou ele, e parou junto às rodas. 7Então estendeu um querubim a sua mão dentre os querubins para o fogo que estava entre os querubins; e tomou dele, e o pôs nas mãos do que estava vestido de linho; o qual o tomou, e saiu. 8E apareceu nos querubins uma semelhança de mão de homem debaixo das suas asas. 9Então olhei, e eis quatro rodas junto aos querubins, uma roda junto a um querubim, e outra roda junto a outro querubim; e o aspecto das rodas era como a cor da pedra de berilo. 10E, quanto ao seu aspecto, as quatro tinham uma mesma semelhança; como se estivesse uma roda no meio de outra roda. 11Andando estes, andavam para os quatro lados deles; não se viravam quando andavam, mas para o lugar para onde olhava a cabeça, para esse seguiam; não se viravam quando andavam. 12E todo o seu corpo, as suas costas, as suas mãos, as suas asas e as rodas, as rodas que os quatro tinham, estavam cheias de olhos ao redor. 13E, quanto às rodas, ouvindo eu, se lhes gritava: Roda! 14E cada um tinha quatro rostos; o rosto do primeiro era rosto de querubim, e o rosto do segundo, rosto de homem, e do terceiro era rosto de leão, e do quarto, rosto de águia. 15E os querubins se elevaram ao alto; estes são os mesmos seres viventes que vi junto ao rio Quebar. 16E, andando os querubins, andavam as rodas juntamente com eles; e, levantando os querubins as suas asas, para se elevarem de sobre a terra, também as rodas não se separavam deles. 17Parando eles, paravam elas; e, elevando-se eles elevavam-se elas, porque o espírito do ser vivente estava nelas. 18Então saiu a glória do SENHOR de sobre a entrada da casa, e parou sobre os querubins. 19E os querubins alçaram as suas asas, e se elevaram da terra aos meus olhos, quando saíram; e as rodas os acompanhavam; e cada um parou à entrada da porta oriental da casa do SENHOR; e a glória do Deus de Israel estava em cima, sobre eles. 20Estes são os seres viventes que vi debaixo do Deus de Israel, junto ao rio Quebar, e conheci que eram querubins. 21Cada um tinha quatro rostos e cada um quatro asas, e a semelhança de mãos de homem debaixo das suas asas. 22E a semelhança dos seus rostos era a dos rostos que eu tinha visto junto ao rio Quebar, o aspecto deles, e eles mesmos; cada um andava para diante do seu rosto. Ezequiel 11 1ENTÃO me levantou o Espírito, e me levou à porta oriental da casa do SENHOR, a qual olha para o oriente; e eis que estavam à entrada da porta vinte e cinco homens; e no meio deles vi a Jaazanias, filho de Azur, e a Pelatias, filho de Benaia, príncipes do povo. 2E disseme: Filho do homem, estes são os homens que maquinam perversidade, e dão mau conselho nesta cidade. 3Os quais dizem: Não está próximo o tempo de edificar casas; esta cidade é o caldeirão, e nós a carne. 4Portanto, profetiza contra eles; profetiza, ó filho do homem. 5Caiu, pois, sobre mim o Espírito do SENHOR, e disseme: Fala: Assim diz o SENHOR: Assim haveis falado, ó casa de Israel, porque, quanto às coisas que vos sobem ao espírito, eu as conheço. 6Multiplicastes os vossos mortos nesta cidade, e enchestes as suas ruas de mortos. 7Portanto, assim diz o Senhor Deus: Vossos mortos, que deitastes no meio dela, esses são a carne e ela é o caldeirão; a vós, porém, vos tirarei do meio dela. 8Temestes a espada, e a espada trarei sobre vós, diz o Senhor Deus. 9E vos farei sair do meio dela, e vos entregarei na mão de estrangeiros, e exercerei os meus juízos entre vós. 10Caireis à espada, e nos confins de Israel vos julgarei; e sabereis que eu sou o SENHOR. 11Esta cidade não vos servirá de caldeirão, nem vós servireis de carne no meio dela; nos confins de Israel vos julgarei. 12E sabereis que eu sou o SENHOR, porque não andastes nos meus estatutos, nem cumpristes os meus juízos; antes fizestes conforme os juízos dos gentios que estão ao redor de vós. 13E aconteceu que, profetizando eu, morreu Pelatias, filho de Benaia; então caí sobre o meu rosto, e clamei com grande voz, e disse: Ah! Senhor Deus! Porventura darás tu fim ao remanescente de Israel? 14Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 15Filho do homem, teus irmãos, sim, teus irmãos, os homens de teu parentesco, e toda a casa de Israel, todos eles são aqueles a quem os habitantes de Jerusalém disseram: Apartai-vos para longe do SENHOR; esta terra nos foi dada em possessão. 16Portanto, dize: Assim diz o Senhor Deus: Ainda que os lancei para longe entre os gentios, e ainda que os espalhei pelas terras, todavia lhes serei como um pequeno santuário, nas terras para onde forem. 17Portanto, dize: Assim diz o Senhor Deus: Hei de ajuntar-vos do meio dos povos, e vos recolherei das terras para onde fostes lançados, e vos darei a terra de Israel. 18E virão ali, e tirarão dela todas as suas coisas detestáveis e todas as suas abominações. 19E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne; 20Para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus. 21Mas, quanto àqueles cujo coração andar conforme o coração das suas coisas detestáveis, e as suas abominações, farei recair nas suas cabeças o seu caminho, diz o Senhor Deus. 22Então os querubins elevaram as suas asas, e as rodas os acompanhavam; e a glória do Deus de Israel estava em cima sobre eles. 23E a glória do SENHOR se alçou desde o meio da cidade; e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade. 24Depois o Espírito me levantou, e me levou à Caldéia, para os do cativeiro, em visão, pelo Espírito de Deus; e subiu de sobre mim a visão que eu tinha tido. 25E falei aos do cativeiro todas as coisas que o SENHOR me havia mostrado. Ezequiel 12 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver e não vê, e tem ouvidos para ouvir e não ouve; porque eles são casa rebelde. 3Tu, pois, ó filho do homem, prepara mobílias para mudares, e de dia muda aos olhos deles; e do teu lugar mudarás para outro lugar aos olhos deles; bem pode ser que reparem nisso, ainda que eles são casa rebelde. 4Aos olhos deles, pois, tirarás para fora, de dia, as tuas mobílias, como quem vai mudar; então tu sairás de tarde aos olhos deles, como quem sai mudando para o cativeiro. 5Faze para ti, à vista deles, uma abertura na parede, e tira-as para fora, por ali. 6Aos olhos deles, nos seus ombros, às escuras as tirarás, e cobrirás o teu rosto, para que não vejas a terra; porque te dei por sinal à casa de Israel. 7E fiz assim, como se me deu ordem; as minhas mobílias tirei para fora de dia, como mobílias do cativeiro; então à tarde fiz, com a mão, uma abertura na parede; às escuras as tirei para fora, e nos meus ombros as levei, aos olhos deles. 8E, pela manhã, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 9Filho do homem, porventura não te disse a casa de Israel, aquela casa rebelde: Que fazes tu? 10Dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Esta carga refere-se ao príncipe em Jerusalém, e a toda a casa de Israel, que está no meio dela. 11Dize: Eu sou o vosso sinal. Assim como eu fiz, assim se lhes fará a eles; irão para o exílio em cativeiro. 12E o príncipe que está no meio deles levará aos ombros as mobílias, e às escuras sairá; farão uma abertura na parede para as tirarem por ela; o seu rosto cobrirá, para que com os seus olhos não veja a terra. 13Também estenderei a minha rede sobre ele, e será apanhado no meu laço; e o levarei à Babilônia, à terra dos caldeus, e contudo não a verá, ainda que ali morrerá. 14E a todos os ventos espalharei os que estiverem ao redor dele para seu socorro, e a todas as suas tropas; e desembainharei a espada atrás deles. 15Assim saberão que eu sou o SENHOR, quando eu os dispersar entre as nações e os espalhar pelas terras. 16Mas deles deixarei ficar alguns poucos, escapos da espada, da fome, e da peste, para que contem todas as suas abominações entre as nações para onde forem; e saberão que eu sou o SENHOR. 17Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 18Filho do homem, o teu pão comerás com tremor, e a tua água beberás com estremecimento e com receio. 19E dirás ao povo da terra: Assim diz o Senhor Deus acerca dos habitantes de Jerusalém, na terra de Israel: O seu pão comerão com receio, e a sua água beberão com susto, pois a sua terra será despojada de sua abundância, por causa da violência de todos os que nela habitam. 20E as cidades habitadas serão devastadas, e a terra se tornará em desolação; e sabereis que eu sou o SENHOR. 21E veio ainda a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 22Filho do homem, que provérbio é este que vós tendes na terra de Israel, dizendo: Prolongar-se-ão os dias, e perecerá toda a visão? 23Portanto, dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Farei cessar este provérbio, e já não se servirão mais dele em Israel; mas dize-lhes: Os dias estão próximos e o cumprimento de toda a visão. 24Porque não haverá mais alguma visão vã, nem adivinhação lisonjeira, no meio da casa de Israel. 25Porque eu, o SENHOR, falarei, e a palavra que eu falar se cumprirá; não será mais adiada; porque em vossos dias, ó casa rebelde, falarei uma palavra e a cumprirei, diz o Senhor Deus. 26Veio mais a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 27Filho do homem, eis que os da casa de Israel dizem: A visão que este tem é para muitos dias, e ele profetiza de tempos que estão longe. 28Portanto dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Não será mais adiada nenhuma das minhas palavras; e a palavra que falei se cumprirá, diz o Senhor Deus. Ezequiel 13 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, profetiza contra os profetas de Israel que profetizam, e dize aos que só profetizam de seu coração: Ouvi a palavra do SENHOR; 3Assim diz o Senhor Deus: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e que nada viram! 4Os teus profetas, ó Israel, são como raposas nos desertos. 5Não subistes às brechas, nem reparastes o muro para a casa de Israel, para estardes firmes na peleja no dia do SENHOR. 6Viram vaidade e adivinhação mentirosa os que dizem: O SENHOR disse; quando o SENHOR não os enviou; e fazem que se espere o cumprimento da palavra. 7Porventura não tivestes visão de vaidade, e não falastes adivinhação mentirosa, quando dissestes: O SENHOR diz, sendo que eu tal não falei? 8Portanto assim diz o Senhor Deus: Como tendes falado vaidade, e visto a mentira, portanto eis que eu sou contra vós, diz o Senhor Deus. 9E a minha mão será contra os profetas que vêem vaidade e que adivinham mentira; não estarão na congregação do meu povo, nem nos registros da casa de Israel se escreverão, nem entrarão na terra de Israel; e sabereis que eu sou o Senhor Deus. 10Porquanto, sim, porquanto andam enganando o meu povo, dizendo: Paz, não havendo paz; e quando um edifica uma parede, eis que outros a cobrem com argamassa não temperada; 11Dize aos que a cobrem com argamassa não temperada que ela cairá. Haverá uma grande pancada de chuva, e vós, ó pedras grandes de saraiva, caireis, e um vento tempestuoso a fenderá. 12Ora, eis que, caindo a parede, não vos dirão: Onde está a argamassa com que a cobristes? 13Portanto assim diz o Senhor Deus: Fendê-la-ei no meu furor com vento tempestuoso, e chuva de inundar haverá na minha ira, e grandes pedras de saraiva na minha indignação, para a consumir. 14E derrubarei a parede que cobristes com argamassa não temperada, e darei com ela por terra, e o seu fundamento se descobrirá; assim cairá, e perecereis no meio dela, e sabereis que eu sou o SENHOR. 15Assim cumprirei o meu furor contra a parede, e contra os que a cobriram com argamassa não temperada; e vos direi: Já não há parede, nem existem os que a cobriram; 16Os profetas de Israel, que profetizam acerca de Jerusalém, e vêem para ela visão de paz, não havendo paz, diz o Senhor Deus. 17E tu, ó filho do homem, dirige o teu rosto contra as filhas do teu povo, que profetizam de seu coração, e profetiza contra elas, 18E dize: Assim diz o Senhor Deus: Ai das que cosem almofadas para todas as axilas, e que fazem véus para as cabeças de pessoas de toda a estatura, para caçarem as almas! Porventura caçareis as almas do meu povo, e as almas guardareis em vida para vós? 19E vós me profanastes entre o meu povo, por punhados de cevada, e por pedaços de pão, para matardes as almas que não haviam de morrer, e para guardardes em vida as almas que não haviam de viver, mentindo assim ao meu povo que escuta a mentira? 20Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis aí vou eu contra as vossas almofadas, com que vós ali caçais as almas fazendo-as voar, e as arrancarei de vossos braços, e soltarei as almas, sim, as almas que vós caçais fazendo-as voar. 21E rasgarei os vossos véus, e livrarei o meu povo das vossas mãos, e nunca mais estará em vossas mãos para ser caçado; e sabereis que eu sou o SENHOR. 22Visto que entristecestes o coração do justo com falsidade, não o havendo eu entristecido; e fortalecestes as mãos do ímpio, para que não se desviasse do seu mau caminho, para conservá-lo em vida. 23Portanto não vereis mais vaidade, nem mais fareis adivinhações; mas livrarei o meu povo da vossa mão, e sabereis que eu sou o SENHOR. Ezequiel 14 1E VIERAM a mim alguns homens dos anciãos de Israel, e se assentaram diante de mim. 2Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 3Filho do homem, estes homens levantaram os seus ídolos nos seus corações, e o tropeço da sua maldade puseram diante da sua face; devo eu de alguma maneira ser interrogado por eles? 4Portanto fala com eles, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Qualquer homem da casa de Israel, que levantar os seus ídolos no seu coração, e puser o tropeço da sua maldade diante da sua face, e vier ao profeta, eu, o SENHOR, vindo ele, lhe responderei conforme a multidão dos seus ídolos; 5Para que eu possa apanhar a casa de Israel no seu coração, porquanto todos se apartaram de mim para seguirem os seus ídolos. 6Portanto dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Convertei-vos, e tornaivos dos vossos ídolos; e desviai os vossos rostos de todas as vossas abominações; 7Porque qualquer homem da casa de Israel, e dos estrangeiros que peregrinam em Israel, que se alienar de mim, e levantar os seus ídolos no seu coração, e puser o tropeço da sua maldade diante do seu rosto, e vier ao profeta, para me consultar por meio dele, eu, o SENHOR, lhe responderei por mim mesmo. 8E porei o meu rosto contra o tal homem, e o assolarei para que sirva de sinal e provérbio, e arrancá-lo-ei do meio do meu povo; e sabereis que eu sou o SENHOR. 9E se o profeta for enganado, e falar alguma coisa, eu, o SENHOR, terei enganado esse profeta; e estenderei a minha mão contra ele, e destruí-lo-ei do meio do meu povo Israel. 10E levarão sobre si o castigo da sua iniqüidade; o castigo do profeta será como o castigo de quem o consultar. 11Para que a casa de Israel não se desvie mais de mim, nem mais se contamine com todas as suas transgressões; então eles serão o meu povo, e eu lhes serei o seu Deus, diz o Senhor Deus. 12Veio ainda a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 13Filho do homem, quando uma terra pecar contra mim, se rebelando gravemente, então estenderei a minha mão contra ela, e lhe quebrarei o sustento do pão, e enviarei contra ela fome, e cortarei dela homens e animais. 14Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles pela sua justiça livrariam apenas as suas almas, diz o Senhor Deus. 15Se eu fizer passar pela terra as feras selvagens, e elas a desfilharem de modo que fique desolada, e ninguém possa passar por ela por causa das feras; 16E estes três homens estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor Deus, que nem a filhos nem a filhas livrariam; eles só ficariam livres, e a terra seria assolada. 17Ou, se eu trouxer a espada sobre aquela terra, e disser: Espada, passa pela terra; e eu cortar dela homens e animais; 18Ainda que aqueles três homens estivessem nela, vivo eu, diz o Senhor Deus, que nem filhos nem filhas livrariam, mas somente eles ficariam livres. 19Ou, se eu enviar a peste sobre aquela terra, e derramar o meu furor sobre ela com sangue, para cortar dela homens e animais, 20Ainda que Noé, Daniel e Jó estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor Deus, que nem um filho nem uma filha eles livrariam, mas somente eles livrariam as suas próprias almas pela sua justiça. 21Porque assim diz o Senhor Deus: Quanto mais, se eu enviar os meus quatro maus juízos, a espada, a fome, as feras, e a peste, contra Jerusalém, para cortar dela homens e feras? 22Mas eis que alguns fugitivos restarão nela, que serão levados para fora, assim filhos e filhas; eis que eles virão a vós, e vereis o seu caminho e os seus feitos; e ficareis consolados do mal que eu trouxe sobre Jerusalém, e de tudo o que trouxe sobre ela. 23E sereis consolados, quando virdes o seu caminho e os seus feitos; e sabereis que não fiz sem razão tudo quanto nela tenho feito, diz o Senhor Deus. Ezequiel 15 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, que mais é a árvore da videira do que qualquer outra árvore, ou do que o sarmento que está entre as árvores do bosque? 3Toma-se dela madeira para fazer alguma obra? Ou toma-se dela alguma estaca, para que se lhe pendure um vaso? 4Eis que é lançado no fogo, para ser consumido; ambas as suas extremidades consome o fogo, e o meio dela fica também queimado; serviria porventura para alguma obra? 5Ora, se estando inteiro, não servia para obra alguma, quanto menos sendo consumido pelo fogo, e, sendo queimado, se faria ainda obra dele? 6Portanto, assim diz o Senhor Deus: Como a árvore da videira entre as árvores do bosque, que tenho entregue ao fogo para que seja consumido, assim entregarei os habitantes de Jerusalém. 7E porei a minha face contra eles; do fogo sairão, mas o fogo os consumirá; e sabereis que eu sou o SENHOR, quando tiver posto a minha face contra eles. 8E tornarei a terra em desolação, porquanto grandemente transgrediram, diz o Senhor Deus. Ezequiel 16 1E VEIO a mim outra vez a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, faze conhecer a Jerusalém as suas abominações. 3E dize: Assim diz o Senhor Deus a Jerusalém: A tua origem e o teu nascimento procedem da terra dos cananeus. Teu pai era amorreu, e tua mãe hetéia. 4E, quanto ao teu nascimento, no dia em que nasceste não te foi cortado o umbigo, nem foste lavada com água para te limpar; nem tampouco foste esfregada com sal, nem envolta em faixas. 5Não se apiedou de ti olho algum, para te fazer alguma coisa disto, compadecendo-se de ti; antes foste lançada em pleno campo, pelo nojo da tua pessoa, no dia em que nasceste. 6E, passando eu junto de ti, vi-te a revolver-te no teu sangue, e dissete: Ainda que estejas no teu sangue, vive; sim, dissete: Ainda que estejas no teu sangue, vive. 7Eu te fiz multiplicar como o renovo do campo, e cresceste, e te engrandeceste, e chegaste à grande formosura; avultaram os seios, e cresceu o teu cabelo; mas estavas nua e descoberta. 8E, passando eu junto de ti, vi-te, e eis que o teu tempo era tempo de amores; e estendi sobre ti a aba do meu manto, e cobri a tua nudez; e dei-te juramento, e entrei em aliança contigo, diz o Senhor Deus, e tu ficaste sendo minha. 9Então te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo. 10E te vesti com roupas bordadas, e te calcei com pele de texugo, e te cingi com linho fino, e te cobri de seda. 11E te enfeitei com adornos, e te pus braceletes nas mãos e um colar ao redor do teu pescoço. 12E te pus um pendente na testa, e brincos nas orelhas, e uma coroa de glória na cabeça. 13E assim foste ornada de ouro e prata, e o teu vestido foi de linho fino, e de seda e de bordados; nutriste-te de flor de farinha, e mel e azeite; e foste formosa em extremo, e foste próspera, até chegares a realeza. 14E correu de ti a tua fama entre os gentios, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti, diz o Senhor Deus. 15Mas confiaste na tua formosura, e te corrompeste por causa da tua fama, e prostituías-te a todo o que passava, para seres dele. 16E tomaste dos teus vestidos, e fizeste lugares altos pintados de diversas cores, e te prostituíste sobre eles, como nunca sucedera, nem sucederá. 17E tomaste as tuas jóias de enfeite, que eu te dei do meu ouro e da minha prata, e fizeste imagens de homens, e te prostituíste com elas. 18E tomaste os teus vestidos bordados, e as cobriste; e o meu azeite e o meu perfume puseste diante delas. 19E o meu pão que te dei, a flor de farinha, e o azeite e o mel com que eu te sustentava, também puseste diante delas em cheiro suave; e assim foi, diz o Senhor Deus. 20Além disto, tomaste a teus filhos e tuas filhas, que me tinhas gerado, e os sacrificaste a elas, para serem consumidos; acaso é pequena a tua prostituição? 21E mataste a meus filhos, e os entregaste a elas para os fazerem passar pelo fogo. 22E em todas as tuas abominações, e nas tuas prostituições, não te lembraste dos dias da tua mocidade, quando tu estavas nua e descoberta, e revolvida no teu sangue. 23E sucedeu, depois de toda a tua maldade (ai, ai de ti! diz o Senhor Deus), 24Que edificaste uma abóbada, e fizeste lugares altos em cada rua. 25A cada canto do caminho edificaste o teu lugar alto, e fizeste abominável a tua formosura, e alargaste os teus pés a todo o que passava, e multiplicaste as tuas prostituições. 26Também te prostituíste com os filhos do Egito, teus vizinhos grandes de carne, e multiplicaste a tua prostituição para me provocares à ira. 27Por isso estendi a minha mão sobre ti, e diminuí a tua porção; e te entreguei à vontade das que te odeiam, das filhas dos filisteus, as quais se envergonhavam do teu caminho depravado. 28Também te prostituíste com os filhos da Assíria, porquanto eras insaciável; e prostituindo-te com eles, nem ainda assim ficaste farta. 29Antes multiplicaste as tuas prostituições na terra de Canaã até Caldéia, e nem ainda com isso te fartaste. 30Quão fraco é o teu coração, diz o Senhor Deus, fazendo tu todas estas coisas, obras de uma meretriz imperiosa! 31Edificando tu a tua abóbada ao canto de cada caminho, e fazendo o teu lugar alto em cada rua! Nem foste como a meretriz, pois desprezaste a paga; 32Foste como a mulher adúltera que, em lugar de seu marido, recebe os estranhos. 33A todas as meretrizes dão paga, mas tu dás os teus presentes a todos os teus amantes; e lhes dás presentes, para que venham a ti de todas as partes, pelas tuas prostituições. 34Assim que contigo sucede o contrário das outras mulheres nas tuas prostituições, pois ninguém te procura para prostituição; porque, dando tu a paga, e a ti não sendo dada a paga, fazes o contrário. 35Portanto, ó meretriz, ouve a palavra do SENHOR. 36Assim diz o Senhor Deus: Porquanto se derramou o teu dinheiro, e se descobriu a tua nudez nas tuas prostituições com os teus amantes, como também com todos os ídolos das tuas abominações, e do sangue de teus filhos que lhes deste; 37Portanto, eis que ajuntarei a todos os teus amantes, com os quais te deleitaste, como também a todos os que amaste, com todos os que odiaste, e ajuntá-los-ei contra ti em redor, e descobrirei a tua nudez diante deles, para que vejam toda a tua nudez. 38E julgar-te-ei como são julgadas as adúlteras e as que derramam sangue; e entregar-te-ei ao sangue de furor e de ciúme. 39E entregar-te-ei nas mãos deles; e eles derrubarão a tua abóbada, e transtornarão os teus altos lugares, e te despirão os teus vestidos, e tomarão as tuas jóias de enfeite, e te deixarão nua e descoberta. 40Então farão subir contra ti uma multidão, e te apedrejarão, e te traspassarão com as suas espadas. 41E queimarão as tuas casas a fogo, e executarão juízos contra ti aos olhos de muitas mulheres; e te farei cessar de ser meretriz, e paga não darás mais. 42Assim satisfarei em ti o meu furor, e os meus ciúmes se desviarão de ti, e me aquietarei, e nunca mais me indignarei. 43Porquanto não te lembraste dos dias da tua mocidade, e me provocaste à ira com tudo isto, eis que também eu farei recair o teu caminho sobre a tua cabeça, diz o Senhor Deus, e não mais farás tal perversidade sobre todas as tuas abominações. 44Eis que todo o que usa de provérbios usará contra ti este provérbio, dizendo: Tal mãe, tal filha. 45Tu és filha de tua mãe, que tinha nojo de seu marido e de seus filhos; e tu és irmã de tuas irmãs, que tinham nojo de seus maridos e de seus filhos; vossa mãe foi hetéia, e vosso pai amorreu. 46E tua irmã, a maior, é Samaria, ela e suas filhas, a qual habita à tua esquerda; e a tua irmã menor, que habita à tua mão direita, é Sodoma e suas filhas. 47Todavia não andaste nos seus caminhos, nem fizeste conforme as suas abominações; mas como se isto fora mui pouco, ainda te corrompeste mais do que elas, em todos os teus caminhos. 48Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não fez Sodoma, tua irmã, nem ela, nem suas filhas, como fizeste tu e tuas filhas. 49Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado. 50E se ensoberbeceram, e fizeram abominações diante de mim; portanto, vendo eu isto as tirei dali. 51Também Samaria não cometeu a metade de teus pecados; e multiplicaste as tuas abominações mais do que elas, e justificaste a tuas irmãs, com todas as tuas abominações que fizeste. 52Tu, também, que julgaste a tuas irmãs, leva a tua vergonha pelos pecados, que cometeste, mais abomináveis do que elas; mais justas são do que tu; envergonhate logo também, e leva a tua vergonha, pois justificaste a tuas irmãs. 53Eu, pois, farei voltar os cativos delas; os cativos de Sodoma e suas filhas, e os cativos de Samaria e suas filhas, e os cativos do teu cativeiro dentre elas; 54Para que leves a tua vergonha, e sejas envergonhada por tudo o que fizeste, dandolhes tu consolação. 55Quando tuas irmãs, Sodoma e suas filhas, tornarem ao seu primeiro estado, e também Samaria e suas filhas tornarem ao seu primeiro estado, também tu e tuas filhas tornareis ao vosso primeiro estado. 56Nem mesmo Sodoma, tua irmã, foi mencionada pela tua boca, no dia da tua soberba, 57Antes que se descobrisse a tua maldade, como no tempo do desprezo das filhas da Síria, e de todos os que estavam ao redor dela, as filhas dos filisteus, que te desprezavam em redor. 58A tua perversidade e as tuas abominações tu levarás, diz o SENHOR. 59Porque assim diz o Senhor Deus: Eu te farei como fizeste, que desprezaste o juramento, quebrando a aliança. 60Contudo eu me lembrarei da minha aliança, que fiz contigo nos dias da tua mocidade; e estabelecerei contigo uma aliança eterna. 61Então te lembrarás dos teus caminhos, e te confundirás, quando receberes tuas irmãs maiores do que tu, com as menores do que tu, porque tas darei por filhas, mas não pela tua aliança. 62Porque eu estabelecerei a minha aliança contigo, e saberás que eu sou o SENHOR; 63Para que te lembres disso, e te envergonhes, e nunca mais abras a tua boca, por causa da tua vergonha, quando eu te expiar de tudo quanto fizeste, diz o Senhor Deus. Ezequiel 17 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, propõe um enigma, e profere uma parábola para com a casa de Israel. 3E disse: Assim diz o Senhor Deus: Uma grande águia, de grandes asas, de plumagem comprida, e cheia de penas de várias cores, veio ao Líbano e levou o mais alto ramo de um cedro. 4E arrancou a ponta mais alta dos seus renovos, e a levou a uma terra de mercancia; numa cidade de mercadores a pôs. 5Tomou da semente da terra, e a lançou num solo frutífero; tomando-a, colocou-a junto às muitas águas, plantando-a como salgueiro. 6E brotou, e tornou-se numa videira muito larga, de pouca altura, virando-se para ela os seus ramos, porque as suas raízes estavam debaixo dela; e tornou-se numa videira, e produzia sarmentos, e brotava renovos. 7E houve mais uma grande águia, de grandes asas, e cheia de penas; e eis que esta videira lançou para ela as suas raízes, e estendeu para ela os seus ramos, desde as covas do seu plantio, para que a regasse. 8Num bom campo, junto a muitas águas, estava ela plantada, para produzir ramos, e para dar fruto, a fim de que fosse videira excelente. 9Dize: Assim diz o Senhor Deus: Porventura há de prosperar? Não lhe arrancará as suas raízes, e não cortará o seu fruto, para que se seque? Para que sequem todas as folhas de seus renovos, e isto não com grande força, nem muita gente, para arrancá-la pelas suas raízes. 10Mas, estando plantada, prosperará? Porventura, tocando-lhe vento oriental, de todo não se secará? Nas covas do seu plantio se secará. 11Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 12Dize agora à casa rebelde: Não sabeis o que significam estas coisas? Dize: Eis que veio o rei de Babilônia a Jerusalém, e tomou o seu rei e os seus príncipes, e os levou consigo para Babilônia. 13E tomou um da descendência real, e fez aliança com ele, e o fez prestar juramento; e tomou consigo os poderosos da terra, 14Para que o reino ficasse humilhado, e não se levantasse, embora, guardando a sua aliança, pudesse subsistir. 15Mas rebelou-se contra ele, enviando os seus mensageiros ao Egito, para que se lhe mandassem cavalos e muita gente. Porventura prosperará ou escapará aquele que faz tais coisas, ou quebrará a aliança, e ainda escapará? 16Vivo eu, diz o Senhor Deus, que no lugar em que habita o rei que o fez reinar, cujo juramento desprezou, e cuja aliança quebrou, sim, com ele no meio de Babilônia certamente morrerá. 17E Faraó, nem com grande exército, nem com uma companhia numerosa, fará coisa alguma com ele em guerra, levantando trincheiras e edificando baluartes, para destruir muitas vidas. 18Porque desprezou o juramento, quebrando a aliança; eis que ele tinha dado a sua mão; contudo fez todas estas coisas; não escapará. 19Portanto, assim diz o Senhor Deus: Vivo eu, que o meu juramento, que desprezou, e a minha aliança, que quebrou, isto farei recair sobre a sua cabeça. 20E estenderei sobre ele a minha rede, e ficará preso no meu laço; e o levarei a Babilônia, e ali entrarei em juízo com ele por causa da rebeldia que praticou contra mim. 21E todos os seus fugitivos, com todas as suas tropas, cairão à espada, e os que restarem serão espalhados a todo o vento; e sabereis que eu, o SENHOR, o disse. 22Assim diz o Senhor Deus: Também eu tomarei um broto do topo do cedro, e o plantarei; do principal dos seus renovos cortarei o mais tenro, e o plantarei sobre um monte alto e sublime. 23No monte alto de Israel o plantarei, e produzirá ramos, e dará fruto, e se fará um cedro excelente; e habitarão debaixo dele aves de toda plumagem, à sombra dos seus ramos habitarão. 24Assim saberão todas as árvores do campo que eu, o SENHOR, abati a árvore alta, elevei a árvore baixa, sequei a árvore verde, e fiz reverdecer a árvore seca; eu, o SENHOR, o disse, e o fiz. Ezequiel 18 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Que pensais, vós, os que usais esta parábola sobre a terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? 3Vivo eu, diz o Senhor Deus, que nunca mais direis esta parábola em Israel. 4Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá. 5Sendo, pois, o homem justo, e praticando juízo e justiça, 6Não comendo sobre os montes, nem levantando os seus olhos para os ídolos da casa de Israel, nem contaminando a mulher do seu próximo, nem se chegando à mulher na sua separação, 7Não oprimindo a ninguém, tornando ao devedor o seu penhor, não roubando, dando o seu pão ao faminto, e cobrindo ao nu com roupa, 8Não dando o seu dinheiro à usura, e não recebendo demais, desviando a sua mão da injustiça, e fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem; 9Andando nos meus estatutos, e guardando os meus juízos, e procedendo segundo a verdade, o tal justo certamente viverá, diz o Senhor Deus. 10E se ele gerar um filho ladrão, derramador de sangue, que fizer a seu irmão qualquer destas coisas; 11E não cumprir todos aqueles deveres, mas antes comer sobre os montes, e contaminar a mulher de seu próximo, 12Oprimir ao pobre e necessitado, praticar roubos, não tornar o penhor, e levantar os seus olhos para os ídolos, e cometer abominação, 13E emprestar com usura, e receber demais, porventura viverá? Não viverá. Todas estas abominações ele fez, certamente morrerá; o seu sangue será sobre ele. 14E eis que também, se ele gerar um filho que veja todos os pecados que seu pai fez e, vendo-os, não cometer coisas semelhantes, 15Não comer sobre os montes, e não levantar os seus olhos para os ídolos da casa de Israel, e não contaminar a mulher de seu próximo, 16E não oprimir a ninguém, e não retiver o penhor, e não roubar, der o seu pão ao faminto, e cobrir ao nu com roupa, 17Desviar do pobre a sua mão, não receber usura e juros, cumprir os meus juízos, e andar nos meus estatutos, o tal não morrerá pela iniqüidade de seu pai; certamente viverá. 18Seu pai, porque praticou a extorsão, roubou os bens do irmão, e fez o que não era bom no meio de seu povo, eis que ele morrerá pela sua iniqüidade. 19Mas dizeis: Por que não levará o filho a iniqüidade do pai? Porque o filho procedeu com retidão e justiça, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso certamente viverá. 20A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele. 21Mas se o ímpio se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e proceder com retidão e justiça, certamente viverá; não morrerá. 22De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou viverá. 23Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor Deus; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva? 24Mas, desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniqüidade, fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as justiças que tiver feito não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá. 25Dizeis, porém: O caminho do Senhor não é direito. Ouvi agora, ó casa de Israel: Porventura não é o meu caminho direito? Não são os vossos caminhos tortuosos? 26Desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo iniqüidade, morrerá por ela; na iniqüidade, que cometeu, morrerá. 27Mas, convertendo-se o ímpio da impiedade que cometeu, e procedendo com retidão e justiça, conservará este a sua alma em vida. 28Pois que reconsidera, e se converte de todas as suas transgressões que cometeu; certamente viverá, não morrerá. 29Contudo, diz a casa de Israel: O caminho do Senhor não é direito. Porventura não são direitos os meus caminhos, ó casa de Israel? E não são tortuosos os vossos caminhos? 30Portanto, eu vos julgarei, cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor Deus. Tornai-vos, e convertei-vos de todas as vossas transgressões, e a iniqüidade não vos servirá de tropeço. 31Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo; pois, por que razão morreríeis, ó casa de Israel? 32Porque não tenho prazer na morte do que morre, diz o Senhor Deus; converteivos, pois, e vivei. Ezequiel 19 1E TU levanta uma lamentação sobre os príncipes de Israel, 2E dize: Quem foi tua mãe? Uma leoa entre os leões a qual, deitada no meio dos leõezinhos, criou os seus filhotes. 3E educou um dos seus filhotes, o qual veio a ser leãozinho e aprendeu a apanhar a presa, e devorou homens, 4E, ouvindo falar dele as nações, foi apanhado na cova delas, e o trouxeram com cadeias à terra do Egito. 5Vendo, pois, ela que havia esperado muito, e que a sua expectação era perdida, tomou outro dos seus filhotes, e fez dele um leãozinho. 6Este, pois, andando continuamente no meio dos leões, veio a ser leãozinho, e aprendeu a apanhar a presa, e devorou homens. 7E conheceu os seus palácios, e destruiu as suas cidades; e assolou-se a terra, e a sua plenitude, ao som do seu rugido. 8Então se ajuntaram contra ele os povos das províncias ao redor, e estenderam sobre ele a rede, e foi apanhado na cova deles. 9E com cadeias colocaram-no em uma jaula, e o levaram ao rei de Babilônia; fizeram-no entrar nos lugares fortes, para que não se ouvisse mais a sua voz nos montes de Israel. 10Tua mãe era como uma videira no teu sangue, plantada junto às águas; ela frutificou, e encheu-se de ramos, por causa das muitas águas. 11E tinha varas fortes para cetros de dominadores, e elevou-se a sua estatura entre os espessos ramos, e foi vista na sua altura com a multidão dos seus ramos. 12Mas foi arrancada com furor, foi lançada por terra, e o vento oriental secou o seu fruto; quebraram-se e secaram-se as suas fortes varas, o fogo as consumiu, 13E agora está plantada no deserto, numa terra seca e sedenta. 14E de uma vara dos seus ramos saiu fogo que consumiu o seu fruto de maneira que nela não há mais vara forte, cetro para dominar. Esta é a lamentação, e servirá de lamentação. Ezequiel 20 1E ACONTECEU, no sétimo ano, no quinto mês, aos dez do mês, que vieram alguns dos anciãos de Israel, para consultarem o SENHOR; e assentaram-se diante de mim. 2Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 3Filho do homem, fala aos anciãos de Israel, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Viestes consultar-me? Vivo eu, que não me deixarei ser consultado por vós, diz o Senhor Deus. 4Porventura tu os julgarias, julgarias tu, ó filho do homem? Notifica-lhes as abominações de seus pais; 5E dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: No dia em que escolhi a Israel, levantei a minha mão para a descendência da casa de Jacó, e me dei a conhecer a eles na terra do Egito, e levantei a minha mão para eles, dizendo: Eu sou o SENHOR vosso Deus; 6Naquele dia levantei a minha mão para eles, para os tirar da terra do Egito, para uma terra que já tinha previsto para eles, a qual mana leite e mel, e é a glória de todas as terras. 7Então lhes disse: Cada um lance de si as abominações dos seus olhos, e não vos contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o SENHOR vosso Deus. 8Mas rebelaram-se contra mim, e não me quiseram ouvir; ninguém lançava de si as abominações dos seus olhos, nem deixava os ídolos do Egito; então eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir a minha ira contra eles no meio da terra do Egito. 9O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos dos gentios, no meio dos quais estavam, a cujos olhos eu me dei a conhecer a eles, para os tirar da terra do Egito. 10E os tirei da terra do Egito, e os levei ao deserto. 11E dei-lhes os meus estatutos e lhes mostrei os meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles. 12E também lhes dei os meus sábados, para que servissem de sinal entre mim e eles; para que soubessem que eu sou o SENHOR que os santifica. 13Mas a casa de Israel se rebelou contra mim no deserto, não andando nos meus estatutos, e rejeitando os meus juízos, os quais, cumprindo-os, o homem viverá por eles; e profanaram grandemente os meus sábados; e eu disse que derramaria sobre eles o meu furor no deserto, para os consumir. 14O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos dos gentios perante a vista dos quais os fiz sair. 15E, contudo, eu levantei a minha mão para eles no deserto, para não os deixar entrar na terra que lhes tinha dado, a qual mana leite e mel, e é a glória de todas as terras; 16Porque rejeitaram os meus juízos, e não andaram nos meus estatutos, e profanaram os meus sábados; porque o seu coração andava após os seus ídolos. 17Não obstante o meu olho lhes perdoou, e eu não os destruí nem os consumi no deserto. 18Mas disse eu a seus filhos no deserto: Não andeis nos estatutos de vossos pais, nem guardeis os seus juízos, nem vos contamineis com os seus ídolos. 19Eu sou o SENHOR vosso Deus; andai nos meus estatutos, e guardai os meus juízos, e executai-os. 20E santificai os meus sábados, e servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o SENHOR vosso Deus. 21Mas também os filhos se rebelaram contra mim, e não andaram nos meus estatutos, nem guardaram os meus juízos para os fazer, os quais, cumprindo-os, o homem viverá por eles; eles profanaram os meus sábados; por isso eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir contra eles a minha ira no deserto. 22Mas contive a minha mão, e o fiz por amor do meu nome, para que não fosse profanado perante os olhos dos gentios, à vista dos quais os fiz sair. 23Também levantei a minha mão para eles no deserto, para os espalhar entre os gentios, e os derramar pelas terras, 24Porque não executaram os meus juízos, e rejeitaram os meus estatutos, e profanaram os meus sábados, e os seus olhos iam após os ídolos de seus pais. 25Por isso também lhes dei estatutos que não eram bons, juízos pelos quais não haviam de viver; 26E os contaminei em seus próprios dons, nos quais faziam passar pelo fogo tudo o que abre a madre; para assolá-los para que soubessem que eu sou o SENHOR. 27Portanto fala à casa de Israel, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Ainda até nisto me blasfemaram vossos pais, e que procederam traiçoeiramente contra mim. 28Porque, havendo-os eu introduzido na terra sobre a qual eu levantara a minha mão, para lha dar, então olharam para todo o outeiro alto, e para toda a árvore frondosa, e ofereceram ali os seus sacrifícios e apresentaram ali a provocação das suas ofertas; puseram ali os seus cheiros suaves, e ali derramaram as suas libações. 29E eu lhes disse: Que alto é este, aonde vós ides? E seu nome tem sido Bamá até o dia de hoje. 30Portanto dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Contaminai-vos a vós mesmos a maneira de vossos pais? E vos prostituístes com as suas abominações? 31E, quando ofereceis os vossos dons, e fazeis passar os vossos filhos pelo fogo, não é certo que estais contaminados com todos os vossos ídolos, até este dia? E vós me consultaríeis, ó casa de Israel? Vivo eu, diz o Senhor Deus, que vós não me consultareis. 32E o que veio à vossa mente de modo algum sucederá, quando dizeis: Seremos como os gentios, como as outras famílias da terra, servindo ao madeiro e à pedra. 33Vivo eu, diz o Senhor Deus, que com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada, hei de reinar sobre vós. 34E vos tirarei dentre os povos, e vos congregarei das terras nas quais andais espalhados, com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada. 35E vos levarei ao deserto dos povos; e ali face a face entrarei em juízo convosco; 36Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor Deus. 37Também vos farei passar debaixo da vara, e vos farei entrar no vínculo da aliança. 38E separarei dentre vós os rebeldes, e os que transgrediram contra mim; da terra das suas peregrinações os tirarei, mas à terra de Israel não voltarão; e sabereis que eu sou o SENHOR. 39Quanto a vós, ó casa de Israel, assim diz o Senhor Deus; Ide, sirva cada um os seus ídolos, pois que a mim não me quereis ouvir; mas não profaneis mais o meu santo nome com as vossas dádivas e com os vossos ídolos. 40Porque no meu santo monte, no monte alto de Israel, diz o Senhor Deus, ali me servirá toda a casa de Israel, toda ela naquela terra; ali me deleitarei neles, e ali requererei as vossas ofertas alçadas, e as primícias das vossas oblações, com todas as vossas coisas santas; 41Com cheiro suave me deleitarei em vós, quando eu vos tirar dentre os povos e vos congregar das terras em que andais espalhados; e serei santificado em vós perante os olhos dos gentios. 42E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu vos introduzir na terra de Israel, terra pela qual levantei a minha mão para dá-la a vossos pais. 43E ali vos lembrareis de vossos caminhos, e de todos os vossos atos com que vos contaminastes, e tereis nojo de vós mesmos, por causa de todas as vossas maldades que tendes cometido. 44E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu proceder para convosco por amor do meu nome; não conforme os vossos maus caminhos, nem conforme os vossos atos corruptos, ó casa de Israel, disse o Senhor Deus. 45E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 46Filho do homem, dirige o teu rosto para o caminho do sul, e derrama as tuas palavras contra o sul, e profetiza contra o bosque do campo do sul. 47E dize ao bosque do sul: Ouve a palavra do SENHOR: Assim diz o Senhor Deus: Eis que acenderei em ti um fogo que em ti consumirá toda a árvore verde e toda a árvore seca; não se apagará a chama flamejante, antes com ela se queimarão todos os rostos, desde o sul até ao norte. 48E verá toda a carne que eu, o SENHOR, o acendi; não se apagará. 49Então disse eu: Ah! Senhor Deus! Eles dizem de mim: Não é este um proferidor de parábolas? Ezequiel 21 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, dirige o teu rosto contra Jerusalém, e derrama as tuas palavras sobre os santuários, e profetiza sobre a terra de Israel. 3E dize à terra de Israel: Assim diz o SENHOR: Eis que sou contra ti, e tirarei a minha espada da bainha, e exterminarei do meio de ti o justo e o ímpio. 4E, por isso que hei de exterminar do meio de ti o justo e o ímpio, a minha espada sairá da sua bainha contra toda a carne, desde o sul até o norte. 5E saberá toda a carne que eu, o SENHOR, tirei a minha espada da bainha; nunca mais voltará a ela. 6Tu, porém, ó filho do homem, suspira; suspira aos olhos deles, com quebrantamento dos teus lombos e com amargura. 7E será que, quando eles te disserem: Por que suspiras tu? Dirás: Por causa das novas, porque vêm; e todo o coração desmaiará, e todas as mãos se enfraquecerão, e todo o espírito se angustiará, e todos os joelhos se desfarão em águas; eis que vêm, e se cumprirão, diz o Senhor Deus. 8E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 9Filho do homem, profetiza, e dize: Assim diz o Senhor: dize: A espada, a espada está afiada e polida. 10Para grande matança está afiada, para reluzir está polida. Alegrar-nos-emos pois? A vara de meu filho é que despreza todo o madeiro. 11E foi dada a polir, para ser manejada; esta espada está afiada, e está polida, para ser posta na mão do matador. 12Grita e geme, ó filho do homem, porque ela será contra o meu povo, contra todos os príncipes de Israel. Estes, juntamente com o meu povo, estão espantados com a espada; bate, pois, na tua coxa. 13Pois se faz uma prova; e que seria se a espada desprezasse mesmo a vara? Ela não seria mais, diz o Senhor Deus. 14Tu, pois, ó filho do homem, profetiza e bate com as mãos uma na outra; e dobre-se a espada até a terceira vez, a espada dos mortos; ela é a espada para a grande matança, que os traspassará até o seu interior. 15Para que desmaie o coração, e se multipliquem as destruições, contra todas as suas portas, pus a ponta da espada, a que foi feita para reluzir, e está preparada para a matança! 16Ó espada, une-te, vira-te para a direita; prepara-te, vira-te para a esquerda, para onde quer que o teu rosto se dirigir. 17E também eu baterei com as minhas mãos uma na outra, e farei descansar a minha indignação; eu, o SENHOR, o disse. 18E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 19Tu, pois, ó filho do homem, propõe dois caminhos, por onde venha a espada do rei de Babilônia. Ambos procederão de uma mesma terra, e escolhe um lugar; escolhe-o no cimo do caminho da cidade. 20Um caminho proporás, por onde virá a espada contra Rabá dos filhos de Amom, e contra Judá, em Jerusalém, a fortificada. 21Porque o rei de Babilônia parará na encruzilhada, no cimo dos dois caminhos, para fazer adivinhações; aguçará as suas flechas, consultará as imagens, atentará para o fígado. 22À sua direita estará a adivinhação sobre Jerusalém, para ordenar aos capitães, para abrirem a boca, ordenando a matança, para levantarem a voz com júbilo, para porem os aríetes contra as portas, para levantarem trincheiras, para edificarem baluartes. 23 Isto será como adivinhação vã, aos olhos daqueles que lhes fizeram juramentos; mas ele se lembrará da iniqüidade, para que sejam apanhados. 24Portanto assim diz o Senhor Deus: Visto que me fazeis lembrar da vossa iniqüidade, descobrindo-se as vossas transgressões, aparecendo os vossos pecados em todos os vossos atos; visto que viestes em memória, sereis apanhados com a mão. 25E tu, ó profano e ímpio príncipe de Israel, cujo dia virá no tempo da extrema iniqüidade, 26Assim diz o Senhor Deus: Tira o diadema, e remove a coroa; esta não será a mesma; exalta ao humilde, e humilha ao soberbo. 27Ao revés, ao revés, ao revés porei aquela coroa, e ela não mais será, até que venha aquele a quem pertence de direito; a ele a darei. 28E tu, ó filho do homem, profetiza, e dize: Assim diz o Senhor Deus acerca dos filhos de Amom, e acerca do seu opróbrio; dize pois: A espada, a espada está desembainhada, polida para a matança, para consumir, por estar reluzente; 29Entretanto te profetizam vaidade, te adivinham mentira, para te porem no pescoço dos ímpios, daqueles que estão mortos, cujo dia veio no tempo da iniqüidade final. 30Torne a tua espada à sua bainha. No lugar em que foste criado, na terra do teu nascimento, eu te julgarei. 31E derramarei sobre ti a minha indignação, assoprarei contra ti o fogo do meu furor, entregar-te-ei nas mãos dos homens brutais, inventores de destruição. 32Ao fogo servirás para ser consumido; o teu sangue estará no meio da terra; já não serás mais lembrado, porque eu, o SENHOR, o disse. Ezequiel 22 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Tu, pois, ó filho do homem, porventura julgarás, julgarás a cidade sanguinária? Faze-lhe conhecer, pois, todas as suas abominações. 3E dize: Assim diz o Senhor Deus: Ai da cidade que derrama o sangue no meio de si para que venha o seu tempo! Que faz ídolos contra si mesma, para se contaminar! 4Pelo teu sangue que derramaste te fizeste culpada, e pelos teus ídolos que fabricaste te contaminaste, e fizeste aproximarem-se os teus dias, e tem chegado o fim dos teus anos; por isso eu te fiz o opróbrio das nações e o escárnio de todas as terras. 5As que estão perto de ti e as que estão longe escarnecerão de ti, infamada, cheia de inquietação. 6Eis que os príncipes de Israel, cada um conforme o seu poder, estavam em ti para derramarem sangue. 7Ao pai e à mãe desprezaram em ti; para com o estrangeiro usaram de opressão no meio de ti; ao órfão e à viúva oprimiram em ti. 8As minhas coisas santas desprezaste, e os meus sábados profanaste. 9Homens caluniadores se acharam em ti, para derramarem sangue; e em ti sobre os montes comeram; perversidade cometeram no meio de ti. 10A vergonha do pai descobriram em ti; a que estava imunda, na sua separação, humilharam no meio de ti. 11Um cometeu abominação com a mulher do seu próximo, outro contaminou abominavelmente a sua nora, e outro humilhou no meio de ti a sua irmã, filha de seu pai. 12Presentes receberam no meio de ti para derramarem sangue; usura e juros ilícitos tomaste, e usaste de avareza com o teu próximo, oprimindo-o; mas de mim te esqueceste, diz o Senhor Deus. 13E eis que bati as mãos contra a avareza que cometeste, e por causa do sangue que houve no meio de ti. 14Porventura estará firme o teu coração? Porventura estarão fortes as tuas mãos, nos dias em que eu tratarei contigo? Eu, o SENHOR, o disse, e o farei. 15E espalhar-te-ei entre as nações, e dispersar-te-ei pelas terras, e porei termo à tua imundícia. 16E tu serás profanada em ti mesma aos olhos dos gentios, e saberás que eu sou o SENHOR. 17E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 18Filho do homem, a casa de Israel se tornou para mim em escórias; todos eles são bronze, e estanho, e ferro, e chumbo no meio do forno; em escórias de prata se tornaram. 19Portanto assim diz o Senhor Deus: Pois que todos vós vos tornastes em escórias, por isso eis que eu vos ajuntarei no meio de Jerusalém. 20Como se ajuntam a prata, e o bronze, e o ferro, e o chumbo, e o estanho, no meio do forno, para assoprar o fogo sobre eles, a fim de se fundirem, assim vos ajuntarei na minha ira e no meu furor, e ali vos deixarei e fundirei. 21E congregar-vos-ei, e assoprarei sobre vós o fogo do meu furor; e sereis fundidos no meio dela. 22Como se funde a prata no meio do forno, assim sereis fundidos no meio dela; e sabereis que eu, o SENHOR, derramei o meu furor sobre vós. 23E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 24Filho do homem, dize-lhe: Tu és uma terra que não está purificada; e que não tem chuva no dia da indignação. 25Conspiração dos seus profetas há no meio dela, como um leão que ruge, que arrebata a presa; eles devoram as almas; tomam tesouros e coisas preciosas, multiplicam as suas viúvas no meio dela. 26Os seus sacerdotes violentam a minha lei, e profanam as minhas coisas santas; não fazem diferença entre o santo e o profano, nem discernem o impuro do puro; e de meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles. 27Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa, para derramarem sangue, para destruírem as almas, para seguirem a avareza. 28E os seus profetas têm feito para eles cobertura com argamassa não temperada, profetizando vaidade, adivinhando-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor Deus; sem que o SENHOR tivesse falado. 29Ao povo da terra oprimem gravemente, e andam roubando, e fazendo violência ao pobre e necessitado, e ao estrangeiro oprimem sem razão. 30E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei. 31Por isso eu derramei sobre eles a minha indignação; com o fogo do meu furor os consumi; fiz que o seu caminho recaísse sobre a sua cabeça, diz o Senhor Deus. Ezequiel 23 1VEIO mais a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma mesma mãe. 3Estas se prostituíram no Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apertados os seus seios, e ali foram apalpados os seios da sua virgindade. 4E os seus nomes eram: Aolá, a mais velha, e Aolibá, sua irmã; e foram minhas, e tiveram filhos e filhas; e, quanto aos seus nomes, Samaria é Aolá, e Jerusalém é Aolibá. 5E prostituiu-se Aolá, sendo minha; e enamorou-se dos seus amantes, dos assírios, seus vizinhos, 6Vestidos de azul, capitães e magistrados, todos jovens cobiçáveis, cavaleiros montados a cavalo. 7Assim cometeu ela as suas devassidões com eles, que eram todos a flor dos filhos da Assíria, e com todos os de quem se enamorava; com todos os seus ídolos se contaminou. 8E as suas prostituições, que trouxe do Egito, não as deixou; porque com ela se deitaram na sua mocidade, e eles apalparam os seios da sua virgindade, e derramaram sobre ela a sua impudicícia. 9Portanto a entreguei na mão dos seus amantes, na mão dos filhos da Assíria, de quem se enamorara. 10Estes descobriram a sua vergonha, levaram seus filhos e suas filhas, mas a ela mataram à espada; e tornou-se falada entre as mulheres, e sobre ela executaram os juízos. 11Vendo isto sua irmã Aolibá, corrompeu o seu imoderado amor mais do que ela, e as suas devassidões foram mais do que as de sua irmã. 12Enamorou-se dos filhos da Assíria, dos capitães e dos magistrados seus vizinhos, vestidos com primor, cavaleiros que andam montados em cavalos, todos jovens cobiçáveis. 13E vi que se tinha contaminado; o caminho de ambas era o mesmo. 14E aumentou as suas impudicícias, porque viu homens pintados na parede, imagens dos caldeus, pintadas de vermelho; 15Cingidos de cinto nos seus lombos, e tiaras largas e tingidas nas suas cabeças, todos com parecer de príncipes, semelhantes aos filhos de Babilônia em Caldéia, terra do seu nascimento. 16E enamorou-se deles, ao lançar sobre eles os seus olhos; e lhes mandou mensageiros à Caldéia. 17Então vieram a ela os filhos de Babilônia para o leito dos amores, e a contaminaram com as suas impudicícias; e ela se contaminou com eles; então a sua alma apartou-se deles. 18Assim pôs a descoberto as suas devassidões, e descobriu a sua vergonha; então a minha alma se apartou dela, como já tinha se apartado a minha alma de sua irmã. 19Todavia ela multiplicou as suas prostituições, lembrando-se dos dias da sua mocidade, em que se prostituíra na terra do Egito. 20E enamorou-se dos seus amantes, cuja carne é como a de jumentos, e cujo fluxo é como o de cavalos. 21Assim trouxeste à memória a perversidade da tua mocidade, quando os do Egito apalpavam os teus seios, por causa dos peitos da tua mocidade. 22Por isso, ó Aolibá, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu suscitarei contra ti os teus amantes, dos quais se tinha apartado a tua alma, e os trarei contra ti de toda a parte em derredor. 23Os filhos de Babilônia, e todos os caldeus de Pecode, e de Soa, e de Coa, e todos os filhos da Assíria com eles, jovens cobiçáveis, capitães e magistrados todos eles, grandes e afamados senhores, todos eles montados a cavalo. 24E virão contra ti com carros, carretas e rodas, e com multidão de povos; e se colocarão contra ti em redor com paveses, e escudos e capacetes; e porei diante deles o juízo, e julgar-te-ão segundo os seus juízos. 25E porei contra ti o meu zelo, e usarão de indignação contigo. Tirar-te-ão o nariz e as orelhas, e o que restar cairá à espada. Eles tomarão teus filhos e tuas filhas, e o que ficar por último em ti será consumido pelo fogo. 26Também te despirão as tuas vestes, e te tomarão as tuas belas jóias. 27Assim farei cessar em ti a tua perversidade e a tua prostituição trazida da terra do Egito; e não levantarás os teus olhos para eles, nem te lembrarás nunca mais do Egito. 28Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu te entregarei na mão dos que odeias, na mão daqueles de quem tem se apartado a tua alma. 29E eles te tratarão com ódio, e levarão todo o fruto do teu trabalho, e te deixarão nua e despida; e descobrir-se-á a vergonha da tua prostituição, e a tua perversidade, e as tuas devassidões. 30Estas coisas se te farão, porque te prostituíste após os gentios, e te contaminaste com os seus ídolos. 31No caminho de tua irmã andaste; por isso entregarei o seu cálice na tua mão. 32Assim diz o Senhor Deus: Beberás o cálice de tua irmã, fundo e largo; servirás de riso e escárnio; pois nele cabe muito. 33De embriaguez e de dor te encherás; o cálice de tua irmã Samaria é cálice de espanto e de assolação. 34Bebê-lo-ás, pois, e esgotá-lo-ás, e os seus cacos roerás, e os teus seios arrancarás; porque eu o falei, diz o Senhor Deus. 35Portanto, assim diz o Senhor Deus: Como te esqueceste de mim, e me lançaste para trás das tuas costas, também carregarás com a tua perversidade e as tuas devassidões. 36Disseme ainda o SENHOR: Filho do homem, porventura julgarás tu a Aolá e a Aolibá? Mostra-lhes, pois, as suas abominações. 37Porque adulteraram, e sangue se acha nas suas mãos, e com os seus ídolos adulteraram, e até os seus filhos, que de mim geraram, fizeram passar pelo fogo, para os consumir. 38E ainda isto me fizeram: contaminaram o meu santuário no mesmo dia, e profanaram os meus sábados. 39Porquanto, havendo sacrificado seus filhos aos seus ídolos, vinham ao meu santuário no mesmo dia para o profanarem; e eis que assim fizeram no meio da minha casa. 40E, mais ainda, mandaram vir alguns homens, de longe, aos quais fora enviado um mensageiro, e eis que vieram. Por amor deles te lavaste, coloriste os teus olhos, e te ornaste de enfeites. 41E te assentaste sobre um leito de honra, diante do qual estava uma mesa preparada; e puseste sobre ela o meu incenso e o meu azeite. 42Com ela se ouvia a voz de uma multidão satisfeita; com homens de classe baixa foram trazidos beberrões do deserto; e puseram braceletes nas mãos das mulheres e coroas de esplendor nas suas cabeças. 43Então disse à envelhecida em adultérios: Agora deveras se prostituirão com ela, e ela com eles? 44E entraram a ela, como quem entra a uma prostituta; assim entraram a Aolá e a Aolibá, mulheres infames. 45De maneira que homens justos as julgarão como se julgam as adúlteras, e como se julgam as que derramam sangue; porque são adúlteras, e sangue há nas suas mãos. 46Porque assim diz o Senhor Deus: Farei subir contra elas uma multidão, e as entregarei ao desterro e ao saque. 47E a multidão as apedrejará, e as golpeará com as suas espadas; eles a seus filhos e a suas filhas matarão, e as suas casas queimarão a fogo. 48Assim farei cessar a perversidade da terra, para que se escarmentem todas as mulheres, e não façam conforme a vossa perversidade; 49O castigo da vossa perversidade eles farão recair sobre vós, e levareis os pecados dos vossos ídolos; e sabereis que eu sou o Senhor Deus. Ezequiel 24 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, no nono ano, no décimo mês, aos dez do mês, dizendo: 2Filho do homem, escreve o nome deste dia, deste mesmo dia; porque o rei de Babilônia se pôs contra Jerusalém neste mesmo dia. 3E fala por parábola à casa rebelde, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Põe a panela ao lume, põe-na, e deita-lhe também água dentro. 4Ajunta nela pedaços, todos os bons pedaços, as coxas e as espáduas; enche-a de ossos escolhidos. 5Escolhe o melhor do rebanho, e queima também os ossos debaixo dela; faze-a ferver bem, e cozam-se dentro dela os seus ossos. 6Portanto, assim diz o Senhor Deus: Ai da cidade sanguinária, da panela que escuma por dentro, e cuja escuma não saiu dela! Tira dela pedaço por pedaço; não caia sorte sobre ela; 7Porque o seu sangue está no meio dela, sobre uma penha descalvada o pôs; não o derramou sobre a terra, para o cobrir com pó. 8Para fazer subir a indignação, para tomar vingança, eu pus o seu sangue numa penha descalvada, para que não fosse coberto. 9Portanto, assim diz o Senhor Deus: Ai da cidade sanguinária! Também eu farei uma grande fogueira. 10Amontoa muita lenha, acende o fogo, ferve bem a carne, e tempera o caldo, e ardam os ossos. 11Então a porás vazia sobre as suas brasas, para que ela aqueça, e se queime o seu cobre, e se funda a sua imundícia no meio dela, e se consuma a sua escuma. 12Ela com mentiras se cansou; e não saiu dela a sua muita escuma; ao fogo irá a sua escuma. 13Na imundícia está a infâmia, porquanto te purifiquei, e não permaneceste pura; nunca mais serás purificada da tua imundícia, enquanto eu não fizer descansar sobre ti a minha indignação. 14Eu, o SENHOR, o disse: viva isso, e o farei, não me tornarei atrás, e não pouparei, nem me arrependerei; conforme os teus caminhos, e conforme os teus feitos, te julgarão, diz o Senhor Deus. 15E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 16Filho do homem, eis que, de um golpe tirarei de ti o desejo dos teus olhos, mas não lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lágrimas. 17Geme em silêncio, não faças luto por mortos; ata o teu turbante, e põe nos pés os teus sapatos, e não cubras os teus lábios, e não comas o pão dos homens. 18E falei ao povo pela manhã, e à tarde morreu minha mulher; e fiz pela manhã como me foi mandado. 19E o povo me disse: Porventura não nos farás saber o que significam para nós estas coisas que estás fazendo? 20E eu lhes disse: Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 21Dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu profanarei o meu santuário, a glória da vossa força, o desejo dos vossos olhos, e o anelo das vossas almas; e vossos filhos e vossas filhas, que deixastes, cairão à espada. 22E fareis como eu fiz; não vos cobrireis os lábios, e não comereis o pão dos homens. 23E tereis nas cabeças os vossos turbantes, e os vossos sapatos nos pés; não lamentareis, nem chorareis, mas definhar-vos-eis nas vossas maldades, e gemereis uns com os outros. 24Assim vos servirá Ezequiel de sinal; conforme tudo quanto ele fez, fareis; quando isso suceder, sabereis que eu sou o Senhor Deus. 25E quanto a ti, filho do homem, não sucederá que no dia que eu lhes tirar a sua força, a alegria da sua glória, o desejo dos seus olhos, e o anelo de suas almas, com seus filhos e suas filhas, 26Nesse dia virá ter contigo aquele que escapar, para te dar notícias pessoalmente? 27Naquele dia abrir-se-á a tua boca para com aquele que escapar, e falarás, e não mais ficarás mudo; assim virás a ser para eles um sinal, e saberão que eu sou o SENHOR. Ezequiel 25 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, dirige o teu rosto contra os filhos de Amom, e profetiza contra eles. 3E dize aos filhos de Amom: Ouvi a palavra do Senhor Deus: Assim diz o Senhor Deus: Porquanto tu disseste: Ah! contra o meu santuário, quando foi profanado; e contra a terra de Israel, quando foi assolada; e contra a casa de Judá, quando foi ao cativeiro; 4Portanto, eis que te entregarei em possessão aos do oriente, e em ti estabelecerão os seus acampamentos, e porão em ti as suas moradas; eles comerão os teus frutos, e eles beberão o teu leite. 5E farei de Rabá uma estrebaria de camelos, e dos filhos de Amom um curral de ovelhas; e sabereis que eu sou o SENHOR. 6Porque assim diz o Senhor Deus: Porquanto bateste com as mãos, e pateaste com os pés, e com todo o desprezo do teu coração te alegraste contra a terra de Israel, 7Portanto, eis que eu tenho estendido a minha mão sobre ti, e te darei por despojo aos gentios, e te arrancarei dentre os povos, e te destruirei dentre as terras, e acabarei de todo contigo; e saberás que eu sou o SENHOR. 8Assim diz o Senhor Deus: Porquanto dizem Moabe e Seir: Eis que a casa de Judá é como todos os gentios; 9Portanto, eis que eu abrirei o lado de Moabe desde as cidades, desde as suas cidades da fronteira, a glória da terra, Bete-Jesimote, Baal-Meom, e Quiriataim. 10E aos do oriente, contra os filhos de Amom, o entregarei em possessão, para que não haja memória dos filhos de Amom entre as nações. 11Também executarei juízos sobre Moabe, e saberão que eu sou o SENHOR. 12Assim diz o Senhor Deus: Porquanto Edom se houve vingativamente para com a casa de Judá, e se fez culpadíssimo, quando se vingou deles; 13Portanto assim diz o Senhor Deus: Também estenderei a minha mão sobre Edom, e arrancarei dela homens e animais; e a tornarei em deserto, e desde Temã até Dedã cairão à espada. 14E exercerei a minha vingança sobre Edom, pela mão do meu povo de Israel; e farão em Edom segundo a minha ira e segundo o meu furor; e conhecerão a minha vingança, diz o Senhor Deus. 15Assim diz o Senhor Deus: Porquanto os filisteus se houveram vingativamente, e executaram vingança com desprezo de coração, para destruírem com perpétua inimizade, 16Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estendo a minha mão sobre os filisteus, e arrancarei os quereteus, e destruirei o restante da costa do mar. 17E executarei sobre eles grandes vinganças, com furiosos castigos, e saberão que eu sou o SENHOR, quando eu tiver exercido a minha vingança sobre eles. Ezequiel 26 1E SUCEDEU no undécimo ano, ao primeiro do mês, que veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, visto que Tiro disse contra Jerusalém: Ah! está quebrada a porta dos povos; virou-se para mim; eu me encherei, agora que ela está assolada; 3Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra ti, ó Tiro, e farei subir contra ti muitas nações, como o mar faz subir as suas ondas, 4Elas destruirão os muros de Tiro, e derrubarão as suas torres; e eu lhe varrerei o seu pó, e dela farei uma penha descalvada. 5No meio do mar virá a ser um enxugadouro das redes; porque eu o falei, diz o Senhor Deus; e servirá de despojo para as nações. 6E suas filhas, que estão no campo, serão mortas à espada; e saberão que eu sou o SENHOR. 7Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, desde o norte, trarei contra Tiro a Nabucodonosor, rei de Babilônia, o rei dos reis, com cavalos, e com carros, e com cavaleiros, e companhias, e muito povo. 8As tuas filhas que estão no campo, ele as matará à espada, e levantará um baluarte contra ti, e fundará uma trincheira contra ti, e levantará paveses contra ti. 9E disporá os seus aríetes contra os teus muros, e derrubará as tuas torres com os seus machados. 10Por causa da multidão de seus cavalos te cobrirá o seu pó; os teus muros tremerão com o estrondo dos cavaleiros, e das rodas, e dos carros, quando ele entrar pelas tuas portas, como os homens entram numa cidade em que se fez brecha. 11Com os cascos dos seus cavalos pisará todas as tuas ruas; ao teu povo matará à espada, e as tuas fortes colunas cairão por terra. 12E roubarão as tuas riquezas, e saquearão as tuas mercadorias, e derrubarão os teus muros, e arrasarão as tuas casas agradáveis; e lançarão no meio das águas as tuas pedras, e as tuas madeiras, e o teu pó. 13E farei cessar o ruído das tuas cantigas, e o som das tuas harpas não se ouvirá mais. 14E farei de ti uma penha descalvada; virás a ser um enxugadouro das redes, nunca mais serás edificada; porque eu o SENHOR o falei, diz o Senhor Deus. 15Assim diz o Senhor Deus a Tiro: Porventura não tremerão as ilhas com o estrondo da tua queda, quando gemerem os feridos, quando se fizer uma espantosa matança no meio de ti? 16E todos os príncipes do mar descerão dos seus tronos, e tirarão de si os seus mantos, e despirão as suas vestes bordadas; se vestirão de tremores, sobre a terra se assentarão, e estremecerão a cada momento; e por tua causa pasmarão. 17E levantarão uma lamentação sobre ti, e te dirão: Como pereceste, ó bem povoada e afamada cidade, que foste forte no mar; ela e os seus moradores, que atemorizaram a todos os seus habitantes! 18Agora, estremecerão as ilhas no dia da tua queda; sim, as ilhas, que estão no mar, turbar-se-ão com tua saída. 19Porque assim diz o Senhor Deus: Quando eu te fizer uma cidade assolada, como as cidades que não se habitam, quando eu fizer subir sobre ti o abismo, e as muitas águas te cobrirem, 20Então te farei descer com os que descem à cova, ao povo antigo, e te farei habitar nas mais baixas partes da terra, em lugares desertos antigos, com os que descem à cova, para que não sejas habitada; e estabelecerei a glória na terra dos viventes. 21Farei de ti um grande espanto, e não mais existirás; e quando te buscarem então nunca mais serás achada para sempre, diz o Senhor Deus. Ezequiel 27 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Tu pois, ó filho do homem, levanta uma lamentação sobre Tiro. 3E dize a Tiro, que habita nas entradas do mar, e negocia com os povos em muitas ilhas: Assim diz o Senhor Deus: Ó Tiro, tu dizes: Eu sou perfeita em formosura. 4No coração dos mares estão os teus termos; os que te edificaram aperfeiçoaram a tua formosura. 5Fabricaram todos os teus conveses de faias de Senir; trouxeram cedros do Líbano para te fazerem mastros. 6Fizeram os teus remos de carvalhos de Basã; os teus bancos fizeram-nos de marfim engastado em buxo das ilhas dos quiteus. 7Linho fino bordado do Egito era a tua cortina, para te servir de vela; azul e púrpura das ilhas de Elisá era a tua cobertura. 8Os moradores de Sidom e de Arvade foram os teus remadores; os teus sábios, ó Tiro, que se achavam em ti, esses foram os teus pilotos. 9Os anciãos de Gebal e seus sábios foram em ti os que consertavam as tuas fendas; todos os navios do mar e os marinheiros se acharam em ti, para tratarem dos teus negócios. 10Os persas, e os lídios, e os de Pute eram no teu exército os teus soldados; escudos e capacetes penduraram em ti; eles manifestaram a tua beleza. 11Os filhos de Arvade e o teu exército estavam sobre os teus muros em redor, e os gamaditas nas tuas torres; penduravam os seus escudos nos teus muros em redor; eles aperfeiçoavam a tua formosura. 12Társis negociava contigo, por causa da abundância de toda a casta de riquezas; com prata, ferro, estanho e chumbo, negociavam em tuas feiras. 13Javã, Tubal e Meseque eram teus mercadores; em troca das tuas mercadorias davam pessoas de homens e objetos de bronze. 14Os da casa de Togarma trocavam pelas tuas mercadorias, cavalos, e cavaleiros e mulos. 15Os filhos de Dedã eram os teus mercadores; muitas ilhas eram o comércio da tua mão; dentes de marfim e pau de ébano tornavam a dar-te em presente. 16A Síria negociava contigo por causa da multidão das tuas manufaturas; pelas tuas mercadorias davam esmeralda, púrpura, obra bordada, linho fino, corais e ágata. 17Judá e a terra de Israel, eram os teus mercadores; pelas tuas mercadorias trocavam trigo de Minite, e Panague, e mel, azeite e bálsamo. 18Damasco negociava contigo, por causa da multidão das tuas obras, por causa da abundância de toda a sorte de riqueza, dando em troca vinho de Helbom e lã branca. 19Também Dã e Javã, de Uzal, pelas tuas mercadorias, davam em troca ferro trabalhado, cássia e cálamo aromático, que assim entravam no teu comércio. 20Dedã negociava contigo com panos preciosos para carros. 21A Arábia, e todos os príncipes de Quedar, eram mercadores ao teu serviço, com cordeiros, carneiros e bodes; nestas coisas negociavam contigo. 22Os mercadores de Sabá e Raamá eram os teus mercadores; em todos os seus mais finos aromas, em toda a pedra preciosa e ouro, negociaram nas tuas feiras. 23Harã, e Cane e Éden, os mercadores de Sabá, Assur e Quilmade negociavam contigo. 24Estes eram teus mercadores em roupas escolhidas, em pano de azul, e bordados, e em cofres de roupas preciosas, amarrados com cordas e feitos de cedros, entre tua mercadoria. 25Os navios de Társis eram as tuas caravanas que traziam tuas mercadorias; e te encheste, e te glorificaste muito no meio dos mares. 26Os teus remadores te conduziram sobre grandes águas; o vento oriental te quebrou no meio dos mares. 27As tuas riquezas, as tuas feiras, e tuas mercadorias, os teus marinheiros, os teus pilotos, os que consertavam as tuas fendas, os que faziam os teus negócios, e todos os teus soldados, que estão em ti, juntamente com toda a tua companhia, que está no meio de ti, cairão no meio dos mares no dia da tua queda, 28Ao estrondo da gritaria dos teus pilotos tremerão os arrabaldes. 29E todos os que pegam no remo, os marinheiros, e todos os pilotos do mar descerão de seus navios, e pararão em terra. 30E farão ouvir a sua voz sobre ti, e gritarão amargamente; e lançarão pó sobre as cabeças, e na cinza se revolverão. 31E far-se-ão calvos por tua causa, e cingir-se-ão de sacos, e chorarão sobre ti com amargura de alma, e com amarga lamentação. 32E no seu pranto levantarão uma lamentação sobre ti, e lamentarão sobre ti, dizendo: Quem foi como Tiro, como a que foi destruída no meio do mar? 33Quando as tuas mercadorias saiam pelos mares, fartaste a muitos povos; com a multidão das tuas riquezas e do teu negócio, enriqueceste os reis da terra. 34No tempo em que foste quebrantada pelos mares, nas profundezas das águas, caíram, no meio de ti, os teus negócios e toda a tua companhia. 35Todos os moradores das ilhas estão a teu respeito cheios de espanto; e os seus reis tremeram sobremaneira, e ficaram perturbados nos seus rostos; 36Os mercadores dentre os povos assobiaram contra ti; tu te tornaste em grande espanto, e jamais subsistirá. Ezequiel 28 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor Deus: Porquanto o teu coração se elevou e disseste: Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no meio dos mares; e não passas de homem, e não és Deus, ainda que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus; 3Eis que tu és mais sábio que Daniel; e não há segredo algum que se possa esconder de ti. 4Pela tua sabedoria e pelo teu entendimento alcançaste para ti riquezas, e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros. 5Pela extensão da tua sabedoria no teu comércio aumentaste as tuas riquezas; e eleva-se o teu coração por causa das tuas riquezas; 6Portanto, assim diz o Senhor Deus: Porquanto estimas o teu coração, como se fora o coração de Deus, 7Por isso eis que eu trarei sobre ti estrangeiros, os mais terríveis dentre as nações, os quais desembainharão as suas espadas contra a formosura da tua sabedoria, e mancharão o teu resplendor. 8Eles te farão descer à cova e morrerás da morte dos traspassados no meio dos mares. 9Acaso dirás ainda diante daquele que te matar: Eu sou Deus? mas tu és homem, e não Deus, na mão do que te traspassa. 10Da morte dos incircuncisos morrerás, por mão de estrangeiros, porque eu o falei, diz o Senhor Deus. 11Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 12Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. 13Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. 14Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. 15Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti. 16Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas. 17Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti. 18Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te vêem. 19Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; em grande espanto te tornaste, e nunca mais subsistirá. 20E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 21Filho do homem, dirige o teu rosto contra Sidom, e profetiza contra ela, 22E dize: Assim diz o Senhor Deus: Eis-me contra ti, ó Sidom, e serei glorificado no meio de ti; e saberão que eu sou o SENHOR, quando nela executar juízos e nela me santificar. 23Porque enviarei contra ela a peste, e o sangue nas suas ruas, e os traspassados cairão no meio dela, estando a espada contra ela por todos os lados; e saberão que eu sou o SENHOR. 24E a casa de Israel nunca mais terá espinho que a fira, nem espinho que cause dor, entre os que se acham ao redor deles e que os desprezam; e saberão que eu sou o Senhor Deus. 25Assim diz o Senhor Deus: Quando eu congregar a casa de Israel dentre os povos entre os quais estão espalhados, e eu me santificar entre eles, perante os olhos dos gentios, então habitarão na sua terra que dei a meu servo, a Jacó. 26E habitarão nela seguros, e edificarão casas, e plantarão vinhas, e habitarão seguros, quando eu executar juízos contra todos os que estão ao seu redor e que os desprezam; e saberão que eu sou o SENHOR seu Deus. Ezequiel 29 1NO décimo ano, no décimo mês, no dia doze do mês, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, dirige o teu rosto contra Faraó, rei do Egito, e profetiza contra ele e contra todo o Egito. 3Fala, e dize: Assim diz o Senhor Deus: Eis-me contra ti, ó Faraó, rei do Egito, grande dragão, que pousas no meio dos teus rios, e que dizes: O meu rio é meu, e eu o fiz para mim. 4Mas eu porei anzóis em teus queixos, e farei que os peixes dos teus rios se apeguem às tuas escamas; e tirar-te-ei do meio dos teus rios, e todos os peixes dos teus rios se apegarem às tuas escamas. 5E te deixarei no deserto, a ti e a todo o peixe dos teus rios; sobre a face do campo cairás; não serás recolhido nem ajuntado; aos animais da terra e às aves do céu te dei por mantimento. 6E saberão todos os moradores do Egito que eu sou o SENHOR, porquanto se tornaram um bordão de cana para a casa de Israel. 7Tomando-te eles pela mão, te quebraste, e lhes rasgaste todo o ombro; e quando se apoiaram em ti, te quebraste, e lhes fazias tremer todos os seus lombos. 8Portanto, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu trarei sobre ti a espada, e de ti destruirei homem e animal, 9E a terra do Egito se tornará em desolação e deserto; e saberão que eu sou o SENHOR, porquanto disse: O rio é meu, e eu o fiz. 10Portanto, eis que eu estou contra ti, e contra os teus rios; e tornarei a terra do Egito deserta, em completa desolação, desde a torre de Syene até aos confins da Etiópia. 11Não passará por ela pé de homem, nem pé de animal passará por ela, nem será habitada quarenta anos. 12Porque tornarei a terra do Egito em desolação no meio das terras desoladas; e as suas cidades entre as cidades desertas se tornarão em desolação por quarenta anos; e espalharei os egípcios entre as nações, e os dispersarei pelas terras. 13Porém, assim diz o Senhor Deus: Ao fim de quarenta anos ajuntarei os egípcios dentre os povos entre os quais foram espalhados. 14E removerei o cativeiro dos egípcios, e os farei voltar à terra de Patros, à terra de sua origem; e serão ali um reino humilde; 15Mais humilde se fará do que os outros reinos, e nunca mais se exalçará sobre as nações; porque os diminuirei, para que não dominem sobre as nações. 16E não será mais a confiança da casa de Israel, para lhes trazer à lembrança a sua iniqüidade, quando olharem para trás deles; antes saberão que eu sou o Senhor Deus. 17E sucedeu que, no ano vinte e sete, no primeiro mês, no primeiro dia do mês, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 18Filho do homem, Nabucodonosor, rei de Babilônia, fez com que o seu exército prestasse um grande serviço contra Tiro; toda a cabeça se tornou calva, e todo o ombro se pelou; e não houve paga de Tiro para ele, nem para o seu exército, pelo serviço que prestou contra ela. 19Portanto, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu darei a Nabucodonosor, rei de Babilônia, a terra do Egito; e levará a sua multidão, e tomará o seu despojo, e roubará a sua presa, e isto será a recompensa para o seu exército. 20Como recompensa do seu trabalho, com que serviu contra ela, lhe dei a terra do Egito; porquanto trabalharam por mim, diz o Senhor Deus. 21Naquele dia farei brotar o poder na casa de Israel, e abrirei a tua boca no meio deles; e saberão que eu sou o SENHOR. Ezequiel 30 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, profetiza, e dize: Assim diz o Senhor Deus: Gemei: Ah! Aquele dia! 3Porque está perto o dia, sim, está perto o dia do SENHOR; dia nublado; será o tempo dos gentios. 4A espada virá ao Egito, e haverá grande dor na Etiópia, quando caírem os traspassados no Egito; e tomarão a sua multidão, e serão destruídos os seus fundamentos. 5Etiópia, Pute e Lude, e toda a mistura de gente, e Cube, e os homens da terra da liga, juntamente com eles cairão à espada. 6Assim diz o SENHOR: Também cairão os que sustém o Egito, e descerá a soberba de seu poder; desde a torre de Syene ali cairão à espada, diz o Senhor Deus. 7E serão desolados no meio das terras assoladas; e as suas cidades estarão no meio das cidades desertas. 8E saberão que eu sou o SENHOR, quando eu puser fogo no Egito, e forem destruídos todos os que lhe davam auxílio. 9Naquele dia sairão mensageiros de diante de mim em navios, para espantarem a Etiópia descuidada; e haverá neles grandes dores, como no dia do Egito; pois, eis que já vem. 10Assim diz o Senhor Deus: Eu, pois, farei cessar a multidão do Egito, por mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia. 11Ele e o seu povo com ele, os mais terríveis das nações, serão levados para destruírem a terra; e desembainharão as suas espadas contra o Egito, e encherão a terra de mortos. 12E secarei os rios, e venderei a terra entregando-a na mão dos maus, e assolarei a terra e a sua plenitude pela mão dos estrangeiros; eu, o SENHOR, o disse. 13Assim diz o Senhor Deus: Também destruirei os ídolos, e farei cessar as imagens de Nofe; e não haverá mais um príncipe da terra do Egito; e porei o temor na terra do Egito. 14E assolarei a Patros, e porei fogo a Zoã, e executarei juízos em Nô. 15E derramarei o meu furor sobre Sim, a fortaleza do Egito, e exterminarei a multidão de Nô. 16E porei fogo no Egito; Sim terá grande dor, e Nô será fendida, e Nofe terá angústias cotidianas. 17Os jovens de Áven e Pi-Besete cairão à espada, e as cidades irão em cativeiro. 18E em Tafnes se escurecerá o dia, quando eu quebrar ali os jugos do Egito, e nela cessar a soberba do seu poder; uma nuvem a cobrirá, e suas filhas irão em cativeiro. 19Assim executarei juízos no Egito, e saberão que eu sou o SENHOR. 20E sucedeu que, no ano undécimo, no primeiro mês, aos sete do mês, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 21Filho do homem, eu quebrei o braço de Faraó, rei do Egito, e eis que não foi atado para se lhe aplicar remédios, nem lhe colocarão ligaduras para o atar, a fim de torná-lo forte, para pegar na espada. 22Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra Faraó, rei do Egito, e quebrarei os seus braços, assim o forte como o que está quebrado, e farei cair da sua mão a espada. 23E espalharei os egípcios entre as nações, e os dispersarei pelas terras. 24E fortalecerei os braços do rei de Babilônia, e porei a minha espada na sua mão; mas quebrarei os braços de Faraó, e diante dele gemerá como geme o traspassado. 25Eu fortalecerei os braços do rei de Babilônia, mas os braços de Faraó cairão; e saberão que eu sou o SENHOR, quando eu puser a minha espada na mão do rei de Babilônia, e ele a estender sobre a terra do Egito. 26E espalharei os egípcios entre as nações, e os dispersarei entre as terras; assim saberão que eu sou o SENHOR. Ezequiel 31 1E SUCEDEU, no ano undécimo, no terceiro mês, ao primeiro do mês, que veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, dize a Faraó, rei do Egito, e à sua multidão: A quem és semelhante na tua grandeza? 3Eis que a Assíria era um cedro no Líbano, de ramos formosos, de sombrosa ramagem e de alta estatura, e a sua copa estava entre os ramos espessos. 4As águas o fizeram crescer, o abismo o exalçou; as suas correntes corriam em torno da sua plantação, e ele enviava os regatos a todas as árvores do campo. 5Por isso se elevou a sua estatura sobre todas as árvores do campo, e se multiplicaram os seus ramos, e se alongaram as suas varas, por causa das muitas águas quando brotava. 6Todas as aves do céu se aninhavam nos seus ramos, e todos os animais do campo geravam debaixo dos seus ramos, e todas as grandes nações habitavam à sua sombra. 7Assim era ele formoso na sua grandeza, na extensão dos seus ramos, porque a sua raiz estava junto às muitas águas. 8Os cedros, no jardim de Deus, não o podiam obscurecer; as faias não igualavam os seus ramos, e os castanheiros não eram como os seus renovos; nenhuma árvore no jardim de Deus se assemelhou a ele na sua formosura. 9Formoso o fiz com a multidão dos seus ramos; e todas as árvores do Éden, que estavam no jardim de Deus, tiveram inveja dele. 10Portanto assim diz o Senhor Deus: Porquanto te elevaste na tua estatura, e se levantou a sua copa no meio dos espessos ramos, e o seu coração se exalçou na sua altura, 11Eu o entregarei na mão do mais poderoso dos gentios, que lhe dará o tratamento merecido; pela sua impiedade o lançarei fora. 12E estrangeiros, das mais terríveis nações o cortarão, e deixá-lo-ão; cairão os seus ramos sobre os montes e por todos os vales, e os seus renovos serão quebrados por todos os rios da terra; e todos os povos da terra se retirarão da sua sombra, e o deixarão. 13Todas as aves do céu habitarão sobre a sua ruína, e todos os animais do campo se acolherão sob os seus renovos; 14Para que todas as árvores junto às águas não se exaltem na sua estatura, nem levantem a sua copa no meio dos ramos espessos, nem as que bebem as águas venham a confiar em si, por causa da sua altura; porque todos estão entregues à morte, até à terra mais baixa, no meio dos filhos dos homens, com os que descem à cova. 15Assim diz o Senhor Deus: No dia em que ele desceu ao inferno, fiz eu que houvesse luto; fiz cobrir o abismo, por sua causa, e retive as suas correntes, e detiveram-se as muitas águas; e cobri o Líbano de preto por causa dele, e todas as árvores do campo por causa dele desfaleceram. 16Ao som da sua queda fiz tremer as nações, quando o fiz descer ao inferno, com os que descem à cova; e todas as árvores do Éden, a flor e o melhor do Líbano, todas as árvores que bebem águas, se consolavam nas partes mais baixas da terra. 17Também estes com ele descerão ao inferno a juntar-se aos que foram traspassados à espada, sim, aos que foram seu braço, e que habitavam à sombra no meio dos gentios. 18A quem, pois, és semelhante em glória e em grandeza entre as árvores do Éden? Todavia serás precipitado com as árvores do Éden às partes mais baixas da terra; no meio dos incircuncisos jazerás com os que foram traspassados à espada; este é Faraó e toda a sua multidão, diz o Senhor Deus. Ezequiel 32 1E SUCEDEU que, no ano duodécimo, no duodécimo mês, ao primeiro do mês, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, levanta uma lamentação sobre Faraó, rei do Egito, e dize-lhe: Eras semelhante a um filho do leão entre as nações, mas tu és como uma baleia nos mares, e rompias os teus rios, e turbavas as águas com os teus pés, e pisavas os teus rios. 3Assim diz o Senhor Deus: Portanto, estenderei sobre ti a minha rede com reunião de muitos povos, e te farão subir na minha rede. 4Então te deixarei em terra; sobre a face do campo te lançarei, e farei pousar sobre ti todas as aves do céu, e fartarei de ti os animais de toda a terra. 5E porei as tuas carnes sobre os montes, e encherei os vales da tua altura. 6E regarei com o teu sangue a terra onde nadas, até aos montes; e os rios se encherão de ti. 7E, apagando-te eu, cobrirei os céus, e enegrecerei as suas estrelas; ao sol encobrirei com uma nuvem, e a lua não fará resplandecer a sua luz. 8Todas as brilhantes luzes do céu enegrecerei sobre ti, e trarei trevas sobre a tua terra, diz o Senhor Deus. 9E afligirei os corações de muitos povos, quando eu levar a tua destruição entre as nações, às terras que não conheceste. 10E farei com que muitos povos fiquem pasmados de ti, e os seus reis tremam sobremaneira, quando eu brandir a minha espada ante os seus rostos; e estremecerão a cada momento, cada um pela sua vida, no dia da tua queda. 11Porque assim diz o Senhor Deus: A espada do rei de Babilônia virá sobre ti. 12Farei cair a tua multidão pelas espadas dos poderosos, que são todos os mais terríveis das nações; e destruirão a soberba do Egito, e toda a sua multidão será destruída. 13E exterminarei todos os seus animais sobre as muitas águas; nem as turbará mais pé de homem, nem as turbarão unhas de animais. 14Então farei assentar as suas águas, e farei correr os seus rios como o azeite, diz o Senhor Deus. 15Quando eu tornar a terra do Egito em desolação, e ela for despojada da sua plenitude, e quando ferir a todos os que habitam nela, então saberão que eu sou o SENHOR. 16Esta é a lamentação que se fará; que as filhas das nações farão; sobre o Egito e sobre toda a sua multidão, diz o Senhor Deus. 17E sucedeu que, no ano duodécimo, aos quinze do mês, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 18Filho do homem, pranteia sobre a multidão do Egito, e faze-a descer, a ela e às filhas das nações magníficas, às partes mais baixas da terra, juntamente com os que descem à cova. 19A quem sobrepujas tu em formosura? Desce, e deita-te com os incircuncisos. 20No meio daqueles que foram mortos à espada cairão; à espada ela está entregue; arrastai-a e a toda a sua multidão. 21Os mais poderosos dos fortes lhe falarão desde o meio do inferno, com os que a socorrem; desceram, jazeram com os incircuncisos mortos à espada. 22Ali está Assur com toda a sua multidão; em redor dele estão os seus sepulcros; todos eles mortos, abatidos à espada. 23Os seus sepulcros foram postos nas extremidades da cova, e a sua multidão está em redor do seu sepulcro; todos eles mortos, abatidos à espada; os que tinham causado espanto na terra dos viventes. 24Ali está Elão com toda a sua multidão em redor do seu sepulcro; todos eles mortos, abatidos à espada; desceram incircuncisos às partes mais baixas da terra, causaram terror na terra dos viventes e levaram a sua vergonha com os que desceram à cova. 25No meio dos mortos lhe puseram uma cama, entre toda a sua multidão; ao redor dele estão os seus sepulcros; todos eles são incircuncisos, mortos à espada; porque causaram terror na terra dos viventes, e levaram a sua vergonha com os que desceram à cova; foi posto no meio dos mortos. 26Ali estão Meseque, Tubal e toda a sua multidão; ao redor deles estão os seus sepulcros; todos eles são incircuncisos, e mortos à espada, porquanto causaram terror na terra dos viventes. 27Porém não jazerão com os poderosos que caíram dos incircuncisos, os quais desceram ao inferno com as suas armas de guerra e puseram as suas espadas debaixo das suas cabeças; e a sua iniqüidade está sobre os seus ossos, porquanto eram o terror dos fortes na terra dos viventes. 28Também tu serás quebrado no meio dos incircuncisos, e jazerás com os que foram mortos à espada. 29Ali está Edom, os seus reis e todos os seus príncipes, que com o seu poder foram postos com os que foram mortos à espada; estes jazem com os incircuncisos e com os que desceram à cova. 30Ali estão os príncipes do norte, todos eles, e todos os sidônios, que desceram com os mortos, envergonhados com o terror causado pelo seu poder; e jazem incircuncisos com os que foram mortos à espada, e levam a sua vergonha com os que desceram à cova. 31Faraó os verá, e se consolará com toda a sua multidão; sim, o próprio Faraó, e todo o seu exército, mortos à espada, diz o Senhor Deus. 32Porque também eu pus o meu espanto na terra dos viventes; por isso jazerá no meio dos incircuncisos, com os mortos à espada, Faraó e toda a sua multidão, diz o Senhor Deus. Ezequiel 33 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, fala aos filhos do teu povo, e dize-lhes: Quando eu fizer vir a espada sobre a terra, e o povo da terra tomar um homem dos seus termos, e o constituir por seu atalaia; 3E, vendo ele que a espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo; 4Se aquele que ouvir o som da trombeta, não se der por avisado, e vier a espada, e o alcançar, o seu sangue será sobre a sua cabeça. 5Ele ouviu o som da trombeta, e não se deu por avisado, o seu sangue será sobre ele; mas o que se dá por avisado salvará a sua vida. 6Mas, se quando o atalaia vir que vem a espada, e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo, e a espada vier, e levar uma vida dentre eles, este tal foi levado na sua iniqüidade, porém o seu sangue requererei da mão do atalaia. 7A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca, e lha anunciarás da minha parte. 8Se eu disser ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não falares, para dissuadir ao ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniqüidade, porém o seu sangue eu o requererei da tua mão. 9Mas, se advertires o ímpio do seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho, ele morrerá na sua iniqüidade; mas tu livraste a tua alma. 10Tu, pois, filho do homem, dize à casa de Israel: Assim falais vós, dizendo: Visto que as nossas transgressões e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como viveremos então? 11Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel? 12Tu, pois, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: A justiça do justo não o livrará no dia da sua transgressão; e, quanto à impiedade do ímpio, não cairá por ela, no dia em que se converter da sua impiedade; nem o justo poderá viver pela sua justiça no dia em que pecar. 13Quando eu disser ao justo que certamente viverá, e ele, confiando na sua justiça, praticar a iniqüidade, não virão à memória todas as suas justiças, mas na sua iniqüidade, que pratica, ele morrerá. 14Quando eu também disser ao ímpio: Certamente morrerás; se ele se converter do seu pecado, e praticar juízo e justiça, 15Restituindo esse ímpio o penhor, indenizando o que furtou, andando nos estatutos da vida, e não praticando iniqüidade, certamente viverá, não morrerá. 16De todos os seus pecados que cometeu não se terá memória contra ele; juízo e justiça fez, certamente viverá. 17Todavia os filhos do teu povo dizem: Não é justo o caminho do Senhor; mas o próprio caminho deles é que não é justo. 18Desviando-se o justo da sua justiça, e praticando iniqüidade, morrerá nela. 19E, convertendo-se o ímpio da sua impiedade, e praticando juízo e justiça, ele viverá por eles. 20Todavia, vós dizeis: Não é justo o caminho do Senhor; julgar-vos-ei a cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel. 21E sucedeu que, no ano duodécimo do nosso cativeiro, no décimo mês, aos cinco do mês, veio a mim um que tinha escapado de Jerusalém, dizendo: A cidade está ferida. 22Ora, a mão do SENHOR estivera sobre mim pela tarde, antes que viesse o que tinha escapado; e ele abrira a minha boca antes que esse homem viesse ter comigo pela manhã; e abriu-se a minha boca, e não fiquei mais calado. 23Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 24Filho do homem, os moradores destes lugares desertos da terra de Israel falam, dizendo: Abraão era um só, e possuiu esta terra; mas nós somos muitos, esta terra nos foi dada em possessão. 25Dize-lhes portanto: Assim diz o Senhor Deus: Comeis a carne com o sangue, e levantais os vossos olhos para os vossos ídolos, e derramais o sangue! Porventura possuireis a terra? 26Vós vos estribais sobre a vossa espada, cometeis abominação, e cada um contamina a mulher do seu próximo! E possuireis a terra? 27Assim lhes dirás: Assim disse o Senhor Deus: Vivo eu, que os que estiverem em lugares desertos, cairão à espada, e o que estiver em campo aberto o entregarei às feras, para que o devorem, e os que estiverem em lugares fortes e em cavernas morrerão de peste. 28E tornarei a terra em desolação e espanto e cessará a soberba do seu poder; e os montes de Israel ficarão tão desolados que ninguém passará por eles. 29Então saberão que eu sou o SENHOR, quando eu tornar a terra em desolação e espanto, por causa de todas as abominações que cometeram. 30Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto às paredes e nas portas das casas; e fala um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos, e ouvi qual seja a palavra que procede do SENHOR. 31E eles vêm a ti, como o povo costumava vir, e se assentam diante de ti, como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois lisonjeiam com a sua boca, mas o seu coração segue a sua avareza. 32E eis que tu és para eles como uma canção de amores, de quem tem voz suave, e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra. 33Mas, quando vier isto (eis que está para vir), então saberão que houve no meio deles um profeta. Ezequiel 34 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas? 3Comeis a gordura, e vos vestis da lã; matais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. 4As fracas não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. 5Assim se espalharam, por não haver pastor, e tornaram-se pasto para todas as feras do campo, porquanto se espalharam. 6As minhas ovelhas andaram desgarradas por todos os montes, e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andaram espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem perguntasse por elas, nem quem as buscasse. 7Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR: 8Vivo eu, diz o Senhor Deus, que, porquanto as minhas ovelhas foram entregues à rapina, e as minhas ovelhas vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os meus pastores não procuraram as minhas ovelhas; e os pastores apascentaram a si mesmos, e não apascentaram as minhas ovelhas; 9Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR: 10Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra os pastores; das suas mãos demandarei as minhas ovelhas, e eles deixarão de apascentar as ovelhas; os pastores não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e não lhes servirão mais de pasto. 11Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. 12Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de escuridão. 13E tirá-las-ei dos povos, e as congregarei dos países, e as trarei à sua própria terra, e as apascentarei nos montes de Israel, junto aos rios, e em todas as habitações da terra. 14Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será o seu aprisco; ali se deitarão num bom redil, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel. 15Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor Deus. 16A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer, e a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com juízo. 17E quanto a vós, ó ovelhas minhas, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu julgarei entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e bodes. 18Acaso não vos basta pastar os bons pastos, senão que pisais o resto de vossos pastos aos vossos pés? E não vos basta beber as águas claras, senão que sujais o resto com os vossos pés? 19E quanto às minhas ovelhas elas pastarão o que haveis pisado com os vossos pés, e beberão o que haveis sujado com os vossos pés. 20Por isso o Senhor Deus assim lhes diz: Eis que eu, eu mesmo, julgarei entre a ovelha gorda e a ovelha magra. 21Porquanto com o lado e com o ombro dais empurrões, e com os vossos chifres escorneais todas as fracas, até que as espalhais para fora. 22Portanto livrarei as minhas ovelhas, para que não sirvam mais de rapina, e julgarei entre ovelhas e ovelhas. 23E suscitarei sobre elas um só pastor, e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor. 24E eu, o SENHOR, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o SENHOR, o disse. 25E farei com elas uma aliança de paz, e acabarei com as feras da terra, e habitarão em segurança no deserto, e dormirão nos bosques. 26E delas e dos lugares ao redor do meu outeiro, farei uma bênção; e farei descer a chuva a seu tempo; chuvas de bênção serão. 27E as árvores do campo darão o seu fruto, e a terra dará a sua novidade, e estarão seguras na sua terra; e saberão que eu sou o SENHOR, quando eu quebrar as ataduras do seu jugo e as livrar da mão dos que se serviam delas. 28E não servirão mais de rapina aos gentios, as feras da terra nunca mais as devorarão; e habitarão seguramente, e ninguém haverá que as espante. 29E lhes levantarei uma plantação de renome, e nunca mais serão consumidas pela fome na terra, nem mais levarão sobre si o opróbrio dos gentios. 30Saberão, porém, que eu, o SENHOR seu Deus, estou com elas, e que elas são o meu povo, a casa de Israel, diz o Senhor Deus. 31Vós, pois, ó ovelhas minhas, ovelhas do meu pasto; homens sois; porém eu sou o vosso Deus, diz o Senhor Deus. Ezequiel 35 1E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, dirige o teu rosto contra o monte Seir, e profetiza contra ele. 3E dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra ti, ó monte Seir, e estenderei a minha mão contra ti, e te farei maior desolação. 4As tuas cidades farei desertas, e tu serás desolado; e saberás que eu sou o SENHOR. 5Porquanto guardaste inimizade perpétua, e espalhaste os filhos de Israel pelo poder da espada no tempo da sua calamidade e no tempo da iniqüidade final. 6Por isso vivo eu, diz o Senhor Deus, que te preparei para sangue, e o sangue te perseguirá; visto que não odiaste o sangue, o sangue te perseguirá. 7E farei do monte Seir uma extrema desolação, e exterminarei dele o que por ele passar, e o que por ele voltar. 8E encherei os seus montes dos seus mortos; nos teus outeiros, e nos teus vales, e em todos os teus rios cairão os mortos à espada. 9Em desolações perpétuas te porei, e as tuas cidades nunca mais serão habitadas; assim sabereis que eu sou o SENHOR. 10Porquanto disseste: As duas nações e as duas terras serão minhas, e as possuiremos, sendo que o SENHOR se achava ali. 11Portanto, vivo eu, diz o Senhor Deus, que procederei conforme a tua ira, e conforme a tua inveja, de que usaste, no teu ódio contra eles; e me farei conhecer entre eles, quando te julgar. 12E saberás que eu, o SENHOR, ouvi todas as tuas blasfêmias, que proferiste contra os montes de Israel, dizendo: Já estão assolados, a nós nos são entregues por pasto. 13Assim vos engrandecestes contra mim com a vossa boca, e multiplicastes as vossas palavras contra mim. Eu o ouvi. 14Assim diz o Senhor Deus: Quando toda a terra se alegrar eu te porei em desolação. 15Como te alegraste da herança da casa de Israel, porque foi assolada, assim te farei a ti; assolado serás, ó monte Seir, e todo o Edom, sim, todo ele; e saberão que eu sou o SENHOR. Ezequiel 36 1E TU, ó filho do homem, profetiza aos montes de Israel, e dize: Montes de Israel, ouvi a palavra do SENHOR. 2Assim diz o Senhor Deus: Pois que disse o inimigo contra vós: Ah! ah! até as alturas eternas serão nossa herança; 3Portanto, profetiza, e dize: Assim diz o Senhor Deus: Porquanto vos assolaram e devoraram de todos os lados, para que ficásseis feitos herança do restante dos gentios, e tendes andado em lábios paroleiros, e em infâmia do povo, 4Portanto, ouvi, ó montes de Israel, a palavra do Senhor Deus: Assim diz o Senhor Deus aos montes e aos outeiros, aos rios e aos vales, aos lugares assolados e solitários, e às cidades desamparadas que se tornaram em rapina e em escárnio para o restante dos gentios que lhes estão em redor; 5Portanto, assim diz o Senhor Deus: Certamente no fogo do meu zelo falei contra o restante dos gentios, e contra todo o Edom, que se apropriaram da minha terra, com toda a alegria de seu coração, e com menosprezo da alma, para a lançarem fora à rapina. 6Portanto, profetiza sobre a terra de Israel, e dize aos montes, e aos outeiros, aos rios e aos vales: Assim diz o Senhor Deus: Eis que falei no meu zelo e no meu furor, porque levastes sobre vós o opróbrio dos gentios. 7Portanto, assim diz o Senhor Deus: Eu levantei a minha mão, para que os gentios, que estão ao redor de vós, levem o seu opróbrio. 8Mas vós, ó montes de Israel, produzireis os vossos ramos, e dareis o vosso fruto para o meu povo de Israel; porque estão prestes a vir. 9Porque eis que eu estou convosco, e eu me voltarei para vós, e sereis lavrados e semeados. 10E multiplicarei homens sobre vós, a toda a casa de Israel, a toda ela; e as cidades serão habitadas, e os lugares devastados serão edificados. 11E multiplicarei homens e animais sobre vós, e eles se multiplicarão, e frutificarão. E farei com que sejais habitados como dantes e vos tratarei melhor que nos vossos princípios; e sabereis que eu sou o SENHOR. 12E farei andar sobre vós homens, o meu povo de Israel; eles te possuirão, e serás a sua herança, e nunca mais os desfilharás. 13Assim diz o Senhor Deus: Porquanto vos dizem: Tu és uma terra que devora os homens, e és uma terra que desfilha as suas nações; 14Por isso tu não devorarás mais os homens, nem desfilharás mais as tuas nações, diz o Senhor Deus. 15E farei que nunca mais tu ouças a afronta dos gentios; nem levarás mais sobre ti o opróbrio das gentes, nem mais desfilharás a tua nação, diz o Senhor Deus. 16E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 17Filho do homem, quando a casa de Israel habitava na sua terra, então a contaminaram com os seus caminhos e com as suas ações. Como a imundícia de uma mulher em sua separação, tal era o seu caminho perante o meu rosto. 18Derramei, pois, o meu furor sobre eles, por causa do sangue que derramaram sobre a terra, e dos seus ídolos, com que a contaminaram. 19E espalhei-os entre os gentios, e foram dispersos pelas terras; conforme os seus caminhos, e conforme os seus feitos, eu os julguei. 20E, chegando aos gentios para onde foram, profanaram o meu santo nome, porquanto se dizia deles: Estes são o povo do SENHOR, e saíram da sua terra. 21Mas eu os poupei por amor do meu santo nome, que a casa de Israel profanou entre os gentios para onde foi. 22Dize portanto à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Não é por respeito a vós que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes. 23E eu santificarei o meu grande nome, que foi profanado entre os gentios, o qual profanastes no meio deles; e os gentios saberão que eu sou o SENHOR, diz o Senhor Deus, quando eu for santificado aos seus olhos. 24E vos tomarei dentre os gentios, e vos congregarei de todas as terras, e vos trarei para a vossa terra. 25Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. 26E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. 27E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis. 28E habitareis na terra que eu dei a vossos pais e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus. 29E livrar-vos-ei de todas as vossas imundícias; e chamarei o trigo, e o multiplicarei, e não trarei fome sobre vós. 30E multiplicarei o fruto das árvores, e a novidade do campo, para que nunca mais recebais o opróbrio da fome entre os gentios. 31Então vos lembrareis dos vossos maus caminhos, e dos vossos feitos, que não foram bons; e tereis nojo em vós mesmos das vossas iniqüidades e das vossas abominações. 32Não é por amor de vós que eu faço isto, diz o Senhor Deus; notório vos seja; envergonhai-vos, e confundi-vos por causa dos vossos caminhos, ó casa de Israel. 33Assim diz o Senhor Deus: No dia em que eu vos purificar de todas as vossas iniqüidades, então farei com que sejam habitadas as cidades e sejam edificados os lugares devastados. 34E a terra assolada será lavrada, em lugar de estar assolada aos olhos de todos os que passavam. 35E dirão: Esta terra assolada ficou como jardim do Éden: e as cidades solitárias, e assoladas, e destruídas, estão fortalecidas e habitadas. 36Então saberão os gentios, que tiverem ficado ao redor de vós, que eu, o SENHOR, tenho reedificado as cidades destruídas, e plantado o que estava devastado. Eu, o SENHOR, o disse e o farei. 37Assim diz o Senhor Deus: Ainda por isso serei solicitado pela casa de Israel, que lho faça; multiplicar-lhes-ei os homens, como a um rebanho. 38Como o rebanho santificado, como o rebanho de Jerusalém nas suas solenidades, assim as cidades desertas se encherão de rebanhos de homens; e saberão que eu sou o SENHOR. Ezequiel 37 1VEIO sobre mim a mão do SENHOR, e ele me fez sair no Espírito do SENHOR, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos. 2E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos. 3E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor Deus, tu o sabes. 4Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR. 5Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. 6E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o SENHOR. 7Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. 8E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. 9E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. 10E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo. 11Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados. 12Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. 13E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu. 14E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o SENHOR, disse isto, e o fiz, diz o SENHOR. 15E outra vez veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 16Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira, e escreve nele: Por Judá e pelos filhos de Israel, seus companheiros. E toma outro pedaço de madeira, e escreve nele: Por José, vara de Efraim, e por toda a casa de Israel, seus companheiros. 17E ajunta um ao outro, para que se unam, e se tornem uma só vara na tua mão. 18E quando te falarem os filhos do teu povo, dizendo: Porventura não nos declararás o que significam estas coisas? 19Tu lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei a vara de José que esteve na mão de Efraim, e a das tribos de Israel, suas companheiras, e as ajuntarei à vara de Judá, e farei delas uma só vara, e elas se farão uma só na minha mão. 20E as varas, sobre que houveres escrito, estarão na tua mão, perante os olhos deles. 21Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei os filhos de Israel dentre os gentios, para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra. 22E deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel, e um rei será rei de todos eles, e nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos. 23E nunca mais se contaminarão com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com as suas transgressões, e os livrarei de todas as suas habitações, em que pecaram, e os purificarei. Assim eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. 24E meu servo Davi será rei sobre eles, e todos eles terão um só pastor; e andarão nos meus juízos e guardarão os meus estatutos, e os observarão. 25E habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, em que habitaram vossos pais; e habitarão nela, eles e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre, e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente. 26E farei com eles uma aliança de paz; e será uma aliança perpétua. E os estabelecerei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre. 27E o meu tabernáculo estará com eles, e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 28E os gentios saberão que eu sou o SENHOR que santifico a Israel, quando estiver o meu santuário no meio deles para sempre. Ezequiel 38 1VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2Filho do homem, dirige o teu rosto contra Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque, e Tubal, e profetiza contra ele. 3E dize: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal; 4E te farei voltar, e porei anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos com primor, grande multidão, com escudo e rodela, manejando todos a espada; 5Persas, etíopes, e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete; 6Gômer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, do extremo norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo. 7Prepara-te, e dispõe-te, tu e todas as multidões do teu povo que se reuniram a ti, e serve-lhes tu de guarda. 8Depois de muitos dias serás visitado. No fim dos anos virás à terra que se recuperou da espada, e que foi congregada dentre muitos povos, junto aos montes de Israel, que sempre se faziam desertos; mas aquela terra foi tirada dentre as nações, e todas elas habitarão seguramente. 9Então subirás, virás como uma tempestade, far-te-ás como uma nuvem para cobrir a terra, tu e todas as tuas tropas, e muitos povos contigo. 10Assim diz o Senhor Deus: E acontecerá naquele dia que subirão palavras no teu coração, e maquinarás um mau desígnio, 11E dirás: Subirei contra a terra das aldeias não muradas; virei contra os que estão em repouso, que habitam seguros; todos eles habitam sem muro, e não têm ferrolhos nem portas; 12A fim de tomar o despojo, e para arrebatar a presa, e tornar a tua mão contra as terras desertas que agora se acham habitadas, e contra o povo que se congregou dentre as nações, o qual adquiriu gado e bens, e habita no meio da terra. 13Sebá e Dedã, e os mercadores de Társis, e todos os seus leõezinhos te dirão: Vens tu para tomar o despojo? Ajuntaste a tua multidão para arrebatar a tua presa? Para levar a prata e o ouro, para tomar o gado e os bens, para saquear o grande despojo? 14Portanto, profetiza, ó filho do homem, e dize a Gogue: Assim diz o Senhor Deus: Porventura não o saberás naquele dia, quando o meu povo Israel habitar em segurança? 15Virás, pois, do teu lugar, do extremo norte, tu e muitos povos contigo, montados todos a cavalo, grande ajuntamento, e exército poderoso, 16E subirás contra o meu povo Israel, como uma nuvem, para cobrir a terra. Nos últimos dias sucederá que hei de trazer-te contra a minha terra, para que os gentios me conheçam a mim, quando eu me houver santificado em ti, ó Gogue, diante dos seus olhos. 17Assim diz o Senhor Deus: Não és tu aquele de quem eu disse nos dias antigos, por intermédio dos meus servos, os profetas de Israel, os quais naqueles dias profetizaram largos anos, que te traria contra eles? 18Sucederá, porém, naquele dia, no dia em que vier Gogue contra a terra de Israel, diz o Senhor Deus, que a minha indignação subirá à minha face. 19Porque disse no meu zelo, no fogo do meu furor, que, certamente, naquele dia haverá grande tremor sobre a terra de Israel; 20De tal modo que tremerão diante da minha face os peixes do mar, e as aves do céu, e os animais do campo, e todos os répteis que se arrastam sobre a terra, e todos os homens que estão sobre a face da terra; e os montes serão deitados abaixo, e os precipícios se desfarão, e todos os muros desabarão por terra. 21Porque chamarei contra ele a espada sobre todos os meus montes, diz o Senhor Deus; a espada de cada um se voltará contra seu irmão. 22E contenderei com ele por meio da peste e do sangue; e uma chuva inundante, e grandes pedras de saraiva, fogo, e enxofre farei chover sobre ele, e sobre as suas tropas, e sobre os muitos povos que estiverem com ele. 23Assim eu me engrandecerei e me santificarei, e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o SENHOR. Ezequiel 39 1TU, pois, ó filho do homem, profetiza ainda contra Gogue, e dize: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal. 2E te farei voltar, mas deixarei uma sexta parte de ti, e far-te-ei subir do extremo norte, e te trarei aos montes de Israel. 3E, com um golpe, tirarei o teu arco da tua mão esquerda, e farei cair as tuas flechas da tua mão direita. 4Nos montes de Israel cairás, tu e todas as tuas tropas, e os povos que estão contigo; e às aves de rapina, de toda espécie, e aos animais do campo, te darei por comida. 5Sobre a face do campo cairás, porque eu o falei, diz o Senhor Deus. 6E enviarei um fogo sobre Magogue e entre os que habitam seguros nas ilhas; e saberão que eu sou o SENHOR. 7E farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo Israel, e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e os gentios saberão que eu sou o SENHOR, o Santo em Israel. 8Eis que vem, e se cumprirá, diz o Senhor Deus; este é o dia de que tenho falado. 9E os habitantes das cidades de Israel sairão, e acenderão o fogo, e queimarão as armas, e os escudos e as rodelas, com os arcos, e com as flechas, e com os bastões de mão, e com as lanças; e acenderão fogo com elas por sete anos. 10E não trarão lenha do campo, nem a cortarão dos bosques, mas com as armas acenderão fogo; e roubarão aos que os roubaram, e despojarão aos que os despojaram, diz o Senhor Deus. 11E sucederá que, naquele dia, darei ali a Gogue um lugar de sepultura em Israel, o vale dos que passam ao oriente do mar; e pararão os que por ele passarem; e ali sepultarão a Gogue, e a toda a sua multidão, e lhe chamarão o vale da multidão de Gogue. 12E a casa de Israel os enterrará durante sete meses, para purificar a terra. 13Sim, todo o povo da terra os enterrará, e será para eles memorável dia em que eu for glorificado, diz o Senhor Deus. 14E separarão homens que incessantemente percorrerão a terra, para que eles, juntamente com os que passam, sepultem os que tiverem ficado sobre a face da terra, para a purificarem; durante sete meses farão esta busca. 15E os que percorrerem a terra, a qual atravessarão, vendo algum osso de homem, porão ao lado um sinal; até que os enterradores o tenham enterrado no vale da multidão de Gogue. 16E também o nome da cidade será Hamona; assim purificarão a terra. 17Tu, pois, ó filho do homem, assim diz o Senhor Deus, dize às aves de toda espécie, e a todos os animais do campo: Ajuntai-vos e vinde, congregai-vos de toda parte para o meu sacrifício, que eu ofereci por vós, um sacrifício grande, nos montes de Israel, e comei carne e bebei sangue. 18Comereis a carne dos poderosos e bebereis o sangue dos príncipes da terra; dos carneiros, dos cordeiros, e dos bodes, e dos bezerros, todos cevados de Basã. 19E comereis a gordura até vos fartardes e bebereis o sangue até vos embebedardes, do meu sacrifício que ofereci por vós. 20E, à minha mesa, fartar-vos-ei de cavalos, de carros, de poderosos, e de todos os homens de guerra, diz o Senhor Deus. 21E eu porei a minha glória entre os gentios e todos os gentios verão o meu juízo, que eu tiver executado, e a minha mão, que sobre elas tiver descarregado. 22E saberão os da casa de Israel que eu sou o SENHOR seu Deus, desde aquele dia em diante. 23E os gentios saberão que os da casa de Israel, por causa da sua iniqüidade, foram levados em cativeiro, porque se rebelaram contra mim, e eu escondi deles a minha face, e os entreguei nas mãos de seus adversários, e todos caíram à espada. 24Conforme a sua imundícia e conforme as suas transgressões me houve com eles, e escondi deles a minha face. 25Portanto assim diz o Senhor Deus: Agora tornarei a trazer os cativos de Jacó, e me compadecerei de toda a casa de Israel; zelarei pelo meu santo nome. 26E levarão sobre si a sua vergonha, e toda a sua rebeldia, com que se rebelaram contra mim, quando eles habitarem seguros na sua terra, sem haver quem os espante. 27Quando eu os tornar a trazer de entre os povos, e os houver ajuntado das terras de seus inimigos, e eu for santificado neles aos olhos de muitas nações, 28Então saberão que eu sou o SENHOR seu Deus, vendo que eu os fiz ir em cativeiro entre os gentios, e os ajuntarei para voltarem a sua terra, e não mais deixarei lá nenhum deles. 29Nem lhes esconderei mais a minha face, pois derramarei o meu Espírito sobre a casa de Israel, diz o Senhor Deus. Ezequiel 40 1NO ano vinte e cinco do nosso cativeiro, no princípio do ano, no décimo dia do mês, catorze anos depois que a cidade foi conquistada, naquele mesmo dia veio sobre mim a mão do SENHOR, e me levou para lá. 2Em visões de Deus me levou à terra de Israel, e me pôs sobre um monte muito alto, sobre o qual havia como que um edifício de cidade para o lado sul. 3E, havendo-me levado ali, eis que um homem cuja aparência era como a do bronze, tendo um cordel de linho na sua mão e uma cana de medir, e estava em pé na porta. 4E disseme o homem: Filho do homem, vê com os teus olhos, e ouve com os teus ouvidos, e põe no teu coração tudo quanto eu te fizer ver; porque para to mostrar foste tu aqui trazido; anuncia, pois, à casa de Israel tudo quanto vires. 5E havia um muro fora da casa, em seu redor, e na mão do homem uma cana de medir, de seis côvados, cada um dos quais tinha um côvado e um palmo; e ele mediu a largura do edifício, uma cana, e a altura, uma cana. 6Então veio à porta que olhava para o caminho do oriente, e subiu pelos seus degraus; mediu o umbral da porta, uma cana de largo, e o outro umbral, uma cana de largo. 7E cada câmara tinha uma cana de comprido, e uma cana de largo, e o espaço entre os aposentos era de cinco côvados; e o umbral da porta, ao pé do vestíbulo da porta, por dentro, era de uma cana. 8Também mediu o vestíbulo da porta, por dentro, uma cana. 9Então mediu o vestíbulo da porta, que tinha oito côvados, e os seus pilares, dois côvados, e este vestíbulo da porta, estava por dentro. 10As câmaras da porta para o lado do oriente eram três de um lado e três do outro; a mesma medida era a dos três; também os pilares de um lado e do outro tinham a mesma medida. 11Mediu mais a largura da entrada da porta, que era de dez côvados; e o comprimento da porta, treze côvados. 12E o espaço em frente das câmaras era de um côvado, e de um côvado o espaço do outro lado; e cada câmara tinha seis côvados de um lado e seis côvados do outro. 13Então mediu a porta desde o telhado de uma câmara até ao telhado da outra, vinte e cinco côvados de largo, porta contra porta. 14Fez também os pilares, de sessenta côvados, cada pilar, do átrio, em redor da porta. 15E, desde a face da porta da entrada até à face do vestíbulo da porta interior, havia cinqüenta côvados. 16Havia também janelas estreitas nas câmaras, e nos seus pilares, dentro da porta ao redor, e da mesma sorte nos vestíbulos; e as janelas estavam ao redor, na parte de dentro, e nos pilares havia palmeiras. 17E ele me levou ao átrio exterior, e eis que havia nele câmaras, e um pavimento que estava feito no átrio em redor; trinta câmaras havia naquele pavimento. 18E o pavimento do lado das portas era proporcional ao comprimento das portas; o pavimento estava mais baixo. 19E mediu a largura desde a dianteira da porta inferior até a dianteira do átrio interior, por fora, cem côvados, do lado do oriente e do norte. 20E, quanto à porta que olhava para o caminho do norte, no átrio exterior, ele mediu o seu comprimento e a sua largura. 21E as suas câmaras eram três de um lado, e três do outro, e os seus pilares e os seus arcos eram da medida da primeira porta: cinqüenta côvados era o seu comprimento, e a largura vinte e cinco côvados. 22E as suas janelas, e os seus arcos, e as suas palmeiras, eram da medida da porta que olhava para o caminho do oriente; e subia-se para ela por sete degraus, e os seus arcos estavam diante dela. 23E a porta do átrio interior estava defronte da porta do norte bem como da do oriente; e mediu de porta a porta cem côvados. 24Então ele me levou ao caminho do sul, e eis que havia ali uma porta que olhava para o caminho do sul, e mediu os seus pilares e os seus arcos conforme estas medidas. 25E havia também janelas em redor dos seus arcos, como as outras janelas; cinqüenta côvados era o comprimento, e a largura vinte e cinco côvados. 26E de sete degraus eram as suas subidas, e os seus arcos estavam diante delas; e tinha palmeiras, uma de um lado e outra do outro, nos seus pilares. 27Também havia uma porta no átrio interior para o caminho do sul; e mediu de porta a porta, para o caminho do sul, cem côvados. 28Então me levou ao átrio interior pela porta do sul; e mediu a porta do sul, conforme estas medidas. 29E as suas câmaras, e os seus pilares, e os seus arcos eram conforme estas medidas; e tinham também janelas ao redor dos seus arcos; o comprimento era de cinqüenta côvados, e a largura de vinte e cinco côvados. 30E havia arcos em redor; o comprimento era de vinte e cinco côvados, e a largura de cinco côvados. 31E os seus arcos estavam na direção do átrio exterior, e havia palmeiras nos seus pilares; e de oito degraus eram as suas subidas. 32Depois me levou ao átrio interior, para o caminho do oriente, e mediu a porta conforme estas medidas; 33E também as suas câmaras, e os seus pilares, e os seus arcos, conforme estas medidas; e havia também janelas em redor dos seus arcos; o comprimento de cinqüenta côvados, e a largura de vinte e cinco côvados. 34E os seus arcos estavam no átrio de fora; também havia palmeiras nos seus pilares de um e de outro lado; e eram as suas subidas de oito degraus. 35Então me levou à porta do norte, e mediu conforme estas medidas; 36As suas câmaras, os seus pilares, e os seus arcos; também tinha janelas em redor; o comprimento era de cinqüenta côvados, e a largura de vinte e cinco côvados. 37E os seus pilares estavam no átrio exterior; também havia palmeiras nos seus pilares de um e de outro lado; e eram as suas subidas de oito degraus. 38E as suas câmaras e as suas entradas estavam junto aos pilares das portas onde lavavam o holocausto. 39E no vestíbulo da porta havia duas mesas de um lado, e duas mesas do outro, para nelas se matar o holocausto e a oferta pelo pecado e pela culpa. 40Também do lado de fora da subida para a entrada da porta do norte havia duas mesas; e do outro lado, que estava no vestíbulo da porta, havia duas mesas. 41Quatro mesas de um lado, e quatro mesas do outro; aos lados da porta oito mesas, sobre as quais imolavam. 42E as quatro mesas para o holocausto eram de pedras lavradas; o comprimento era de um côvado e meio, e a largura de um côvado e meio, e a altura de um côvado; e sobre elas se punham os instrumentos com que imolavam o holocausto e o sacrifício. 43E os ganchos de um palmo de comprimento, estavam fixos por dentro em redor, e sobre as mesas estava a carne da oferta. 44E fora da porta interior estavam as câmaras dos cantores, no átrio de dentro, que estava ao lado da porta do norte e olhava para o caminho do sul; uma estava ao lado da porta do oriente, e olhava para o caminho do norte. 45E ele me disse: Esta câmara que olha para o caminho do sul é para os sacerdotes que têm a guarda da casa. 46Mas a câmara que olha para o caminho do norte é para os sacerdotes que têm a guarda do altar; são estes os filhos de Zadoque, que se chegam ao SENHOR, dentre os filhos de Levi, para o servir. 47E mediu o átrio; o comprimento de cem côvados e a largura de cem côvados, um quadrado; e o altar estava diante da casa. 48Então me levou ao vestíbulo da casa, e mediu a cada pilar do vestíbulo, cinco côvados de um lado, e cinco côvados do outro; e a largura da porta, três côvados de um lado, e três côvados do outro. 49O comprimento do vestíbulo era de vinte côvados, e a largura de onze côvados, e era por degraus, que se subia a ele; e havia colunas junto aos pilares, uma de um lado e outra do outro. Ezequiel 41 1ENTÃO me levou ao templo, e mediu os pilares, seis côvados de largura de um lado, e seis côvados de largura do outro, que era a largura da tenda. 2E a largura da entrada, dez côvados; e os lados da entrada, cinco côvados de um lado e cinco côvados do outro; também mediu o seu comprimento, de quarenta côvados, e a largura, de vinte côvados. 3E entrou no interior, e mediu o pilar da entrada, dois côvados, e a entrada, seis côvados, e a largura da entrada, sete côvados. 4Também mediu o seu comprimento, vinte côvados, e a largura, vinte côvados, diante do templo, e disseme: Este é o Santo dos Santos. 5E mediu a parede da casa, seis côvados, e a largura das câmaras laterais, quatro côvados, por todo o redor da casa. 6E as câmaras laterais, estavam em três andares, câmara sobre câmara, trinta em cada andar, e elas entravam na parede que tocava na casa pelas câmaras laterais em redor, para prenderem nela, e não travavam na parede da casa. 7E havia maior largura nas câmaras laterais superiores, porque o caracol da casa ia subindo muito alto por todo o redor da casa, por isso que a casa tinha mais largura para cima; e assim da câmara baixa se subia à mais alta pelo meio. 8E olhei para a altura da casa ao redor; e eram os fundamentos das câmaras laterais da medida de uma cana inteira, seis côvados grandes. 9A grossura da parede das câmaras laterais de fora era de cinco côvados; e o que foi deixado vazio era o lugar das câmaras laterais, que estavam por dentro. 10E entre as câmaras havia a largura de vinte côvados por todo o redor da casa. 11E as entradas das câmaras laterais estavam voltadas para o lugar vazio; uma entrada para o caminho do norte, e outra entrada para o do sul; e a largura do lugar vazio era de cinco côvados em redor. 12Era também o edifício que estava diante do lugar separado, do lado do ocidente, da largura de setenta côvados; e a parede do edifício de cinco côvados de largura em redor, e o seu comprimento era de noventa côvados. 13Assim mediu a casa, do comprimento de cem côvados, como também o lugar separado, e o edifício, e as suas paredes, cem côvados de comprimento. 14E a largura da frente da casa, e do lugar separado para o oriente, de uma e de outra parte, de cem côvados. 15Também mediu o comprimento do edifício, diante do lugar separado, que estava por detrás, e as suas galerias de uma e de outra parte, cem côvados, com o templo de dentro e os vestíbulos do átrio. 16Os umbrais e as janelas estreitas, e as galerias em redor nos três andares, defronte do umbral, estavam cobertas de madeira em redor; e isto desde o chão até às janelas; e as janelas estavam cobertas. 17No espaço em cima da porta, e até na casa, no seu interior e na parte de fora, e até toda a parede em redor, por dentro e por fora, tudo por medida. 18E foi feito com querubins e palmeiras, de maneira que cada palmeira estava entre querubim e querubim, e cada querubim tinha dois rostos, 19A saber: um rosto de homem olhava para a palmeira de um lado, e um rosto de leãozinho para a palmeira do outro lado; assim foi feito por toda a casa em redor. 20Desde o chão até acima da entrada estavam feitos os querubins e as palmeiras, como também pela parede do templo. 21As ombreiras do templo eram quadradas e, no tocante à frente do santuário, a aparência de uma era como a aparência da outra, 22O altar de madeira era de três côvados de altura, e o seu comprimento de dois côvados; os seus cantos, o seu comprimento e as suas paredes eram de madeira; e disseme: Esta é a mesa que está perante a face do SENHOR. 23E o templo e o santuário, ambos tinham duas portas. 24E as portas tinham duas folhas; duas folhas que viravam; duas para uma porta e duas para a outra. 25E nelas, isto é, nas portas do templo, foram feitos querubins e palmeiras, como estavam feitos nas paredes, e havia uma trave grossa de madeira na frente do vestíbulo por fora. 26E havia janelas estreitas, e palmeiras, de um e de outro lado, pelos lados do vestíbulo, como também nas câmaras da casa e nas grossas traves. Ezequiel 42 1DEPOIS disto fez-me sair para fora, ao átrio exterior, para o lado do caminho do norte; e me levou às câmaras que estavam defronte do lugar separado, e que estavam defronte do edifício, do lado norte. 2Do comprimento de cem côvados, era a entrada do norte; e a largura era de cinqüenta côvados. 3Em frente dos vinte côvados, que tinha o átrio interior, e em frente do pavimento que tinha o átrio exterior, havia galeria contra galeria em três andares. 4E diante das câmaras havia um passeio de dez côvados de largo, do lado de dentro, e um caminho de um côvado, e as suas entradas eram para o lado do norte. 5E as câmaras superiores eram mais estreitas; porque as galerias tomavam aqui mais espaço do que as de baixo e as do meio do edifício. 6Porque elas eram de três andares, e não tinham colunas como as colunas dos átrios; por isso desde o chão se iam estreitando, mais do que as de baixo e as do meio. 7E o muro que estava de fora, defronte das câmaras, no caminho do átrio exterior, diante das câmaras, tinha cinqüenta côvados de comprimento. 8Pois o comprimento das câmaras, que estavam no átrio exterior, era de cinqüenta côvados; e eis que defronte do templo havia cem côvados. 9Por baixo destas câmaras estava a entrada do lado do oriente, quando se entra nelas pelo átrio exterior. 10Na largura do muro do átrio para o lado do oriente, diante do lugar separado, e diante do edifício, havia também câmaras. 11E o caminho que havia diante delas era da aparência das câmaras, que davam para o norte; conforme o seu comprimento, assim era a sua largura; e todas as suas saídas eram também conforme os seus padrões, e conforme as suas entradas. 12E conforme as portas das câmaras, que olhavam para o caminho do sul, havia também uma entrada no topo do caminho, isto é, do caminho em frente do muro direito, para o caminho do oriente, quando se entra por elas. 13Então me disse: As câmaras do norte, e as câmaras do sul, que estão diante do lugar separado, elas são câmaras santas, em que os sacerdotes, que se chegam ao SENHOR, comerão as coisas mais santas; ali porão as coisas mais santas, e a oferta de manjar, a oferta pelo pecado, e a oferta pela culpa; porque o lugar é santo. 14Quando os sacerdotes entrarem, não sairão do santuário para o átrio exterior, mas porão ali as suas vestiduras com que ministraram, porque elas são santas; e vestir-se-ão de outras vestiduras, e assim se aproximarão do lugar pertencente ao povo. 15E, acabando ele de medir a casa interior, ele me fez sair pelo caminho da porta, cuja face olha para o caminho do oriente; e a mediu em redor. 16Mediu o lado oriental com a cana de medir, quinhentas canas, com a cana de medir, ao redor. 17Mediu o lado do norte, com a cana de medir, quinhentas canas ao redor. 18Mediu também o lado do sul, com a cana de medir, quinhentas canas. 19Deu uma volta para o lado do ocidente, e mediu, com a cana de medir, quinhentas canas. 20Mediu pelos quatro lados; e havia um muro em redor, de quinhentas canas de comprimento, e quinhentas de largura, para fazer separação entre o santo e o profano. Ezequiel 43 1ENTÃO me levou à porta, à porta que olha para o caminho do oriente. 2E eis que a glória do Deus de Israel vinha do caminho do oriente; e a sua voz era como a voz de muitas águas, e a terra resplandeceu por causa da sua glória. 3E o aspecto da visão que tive era como o da visão que eu tivera quando vim destruir a cidade; e eram as visões como as que tive junto ao rio Quebar; e caí sobre o meu rosto. 4E a glória do SENHOR entrou na casa pelo caminho da porta, cuja face está para o lado do oriente. 5E levantou-me o Espírito, e me levou ao átrio interior; e eis que a glória do SENHOR encheu a casa. 6E ouvi alguém que falava comigo de dentro da casa, e um homem se pôs em pé junto de mim. 7E disseme: Filho do homem, este é o lugar do meu trono, e o lugar das plantas dos meus pés, onde habitarei no meio dos filhos de Israel para sempre; e os da casa de Israel não contaminarão mais o meu nome santo, nem eles nem os seus reis, com suas prostituições e com os cadáveres dos seus reis, nos seus altos, 8Pondo o seu limiar ao pé do meu limiar, e o seu umbral junto ao meu umbral, e havendo uma parede entre mim e eles; e contaminaram o meu santo nome com as suas abominações que cometiam; por isso eu os consumi na minha ira. 9Agora lancem eles para longe de mim a sua prostituição, e os cadáveres dos seus reis, e habitarei no meio deles para sempre. 10Tu, pois, ó filho do homem, mostra à casa de Israel esta casa, para que se envergonhe das suas maldades, e meça o modelo. 11E, envergonhando-se eles de tudo quanto fizeram, faze-lhes saber a forma desta casa, e a sua figura, e as suas saídas, e as suas entradas, e todas as suas formas, e todos os seus estatutos, todas as suas formas, e todas as suas leis; e escreve isto aos seus olhos, para que guardem toda a sua forma, e todos os seus estatutos, e os cumpram. 12Esta é a lei da casa: Sobre o cume do monte todo o seu contorno em redor será santíssimo; eis que esta é a lei da casa. 13E estas são as medidas do altar, em côvados (o côvado é um côvado e um palmo): e o fundo será de um côvado de altura, e um côvado de largura, e a sua borda em todo o seu contorno, de um palmo; e esta é a base do altar. 14E do fundo, desde a terra até a armação inferior, dois côvados, e de largura um côvado, e desde a pequena armação até a grande, quatro côvados, e a largura de um côvado. 15E o altar, de quatro côvados; e desde o altar e para cima havia quatro pontas. 16E o altar terá doze côvados de comprimento, e doze de largura, quadrado nos quatro lados. 17E a armação, catorze côvados de comprimento, e catorze de largura, nos seus quatro lados; e o contorno, ao redor dela, de meio côvado, e o fundo dela de um côvado, ao redor; e os seus degraus davam para o oriente. 18E disseme: Filho do homem, assim diz o Senhor Deus: Estes são os estatutos do altar, no dia em que o fizerem, para oferecerem sobre ele holocausto e para aspergirem sobre ele sangue. 19E aos sacerdotes levitas, que são da descendência de Zadoque, que se chegam a mim (diz o Senhor Deus) para me servirem, darás um bezerro, para oferta pelo pecado. 20E tomarás do seu sangue, e o porás sobre as suas quatro pontas, e sobre os quatro cantos da armação, e no contorno ao redor; assim o purificarás e o expiarás. 21Então tomarás o bezerro da oferta pelo pecado, e o queimará no lugar da casa para isso designado, fora do santuário. 22E no segundo dia oferecerás um bode, sem mancha, como oferta pelo pecado; e purificarão o altar, como o purificaram com o bezerro. 23E, acabando tu de purificá-lo, oferecerás um bezerro, sem mancha, e um carneiro do rebanho, sem mancha. 24E oferecê-los-ás perante a face do SENHOR; e os sacerdotes deitarão sal sobre eles, e oferecê-los-ão em holocausto ao SENHOR. 25Por sete dias prepararás, cada dia um bode como oferta pelo pecado; também prepararão um bezerro, e um carneiro do rebanho, sem mancha. 26Por sete dias expiarão o altar, e o purificarão; e assim consagrar-se-ão. 27E, cumprindo eles estes dias, será que, ao oitavo dia, e dali em diante, os sacerdotes oferecerão sobre o altar os vossos holocaustos e as vossas ofertas pacíficas; e eu me deleitarei em vós, diz o Senhor Deus. Ezequiel 44 1ENTÃO me fez voltar para o caminho da porta exterior do santuário, que olha para o oriente, a qual estava fechada. 2E disseme o SENHOR: Esta porta permanecerá fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o SENHOR, o Deus de Israel entrou por ela; por isso permanecerá fechada. 3Quanto ao príncipe, por ser príncipe, se assentará nela para sempre, para comer o pão diante do SENHOR; pelo caminho do vestíbulo da porta entrará e por esse mesmo caminho sairá. 4Depois me levou pelo caminho da porta do norte, diante da casa; e olhei, e eis que a glória do SENHOR encheu a casa do SENHOR; então caí sobre o meu rosto. 5E disseme o SENHOR: Filho do homem, pondera no teu coração, e vê com os teus olhos, e ouve com os teus ouvidos, tudo quanto eu te disser de todos os estatutos da casa do SENHOR, e de todas as suas leis; e considera no teu coração a entrada da casa, com todas as saídas do santuário. 6E dize ao rebelde, à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Bastem-vos todas as vossas abominações, ó casa de Israel! 7Porque introduzistes estrangeiros, incircuncisos de coração e incircuncisos de carne, para estarem no meu santuário, para o profanarem em minha casa, quando ofereceis o meu pão, a gordura, e o sangue; e eles invalidaram a minha aliança, por causa de todas as vossas abominações. 8E não guardastes a ordenança a respeito das minhas coisas sagradas; antes vos constituístes, a vós mesmos, guardas da minha ordenança no meu santuário. 9Assim diz o Senhor Deus: Nenhum estrangeiro, incircunciso de coração ou incircunciso de carne, entrará no meu santuário, dentre os estrangeiros que se acharem no meio dos filhos de Israel. 10Mas os levitas que se apartaram para longe de mim, quando Israel andava errado; os quais andavam transviados, desviados de mim, para irem atrás dos seus ídolos, levarão sobre si a sua iniqüidade. 11Contudo serão ministros no meu santuário, nos ofícios das portas da casa, e servirão à casa; eles matarão o holocausto, e o sacrifício para o povo, e estarão perante eles, para os servir. 12Porque lhes ministraram diante dos seus ídolos, e fizeram a casa de Israel cair em iniqüidade; por isso eu levantei a minha mão contra eles, diz o Senhor Deus, e levarão sobre si a sua iniqüidade. 13E não se chegarão a mim, para me servirem no sacerdócio, nem para se chegarem a alguma de todas as minhas coisas sagradas, às coisas que são santíssimas, mas levarão sobre si a sua vergonha e as suas abominações que cometeram. 14Contudo, eu os constituirei guardas da ordenança da casa, em todo o seu serviço, e em tudo o que nela se fizer. 15Mas os sacerdotes levíticos, os filhos de Zadoque, que guardaram a ordenança do meu santuário quando os filhos de Israel se extraviaram de mim, eles se chegarão a mim, para me servirem, e estarão diante de mim, para me oferecerem a gordura e o sangue, diz o Senhor Deus. 16Eles entrarão no meu santuário, e se chegarão à minha mesa, para me servirem, e guardarão a minha ordenança; 17E será que, quando entrarem pelas portas do átrio interior, se vestirão com vestes de linho; e não se porá lã sobre eles, quando servirem nas portas do átrio interior, e dentro. 18Gorros de linho estarão sobre as suas cabeças, e calções de linho sobre os seus lombos; não se cingirão de modo que lhes venha suor. 19E, saindo eles ao átrio exterior, ao átrio de fora, ao povo, despirão as suas vestiduras com que ministraram, e as porão nas santas câmaras, e se vestirão de outras vestes, para que não santifiquem o povo estando com as suas vestiduras. 20E não raparão a sua cabeça, nem deixarão crescer o cabelo; antes, como convém, tosquiarão as suas cabeças. 21E nenhum sacerdote beberá vinho quando entrar no átrio interior. 22E eles não se casarão nem com viúva nem com repudiada, mas tomarão virgens da linhagem da casa de Israel, ou viúva que for viúva de sacerdote. 23E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro. 24E, quando houver disputa, eles assistirão a ela para a julgarem; pelos meus juízos as julgarão; e as minhas leis e os meus estatutos guardarão em todas as minhas solenidades, e santificarão os meus sábados. 25E eles não se aproximarão de nenhum homem morto, para se contaminarem; mas por pai, ou por mãe, ou por filho, ou por filha, ou por irmão, ou por irmã que não tiver marido, se poderão contaminar. 26E, depois da sua purificação, contar-se-lhe-ão sete dias. 27E, no dia em que ele entrar no lugar santo, no átrio interior, para ministrar no lugar santo, oferecerá a sua expiação pelo pecado, diz o Senhor Deus. 28Eles terão uma herança: eu serei a sua herança. Não lhes dareis, portanto, possessão em Israel; eu sou a sua possessão. 29Eles comerão a oferta de alimentos, e a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa; e toda a coisa consagrada em Israel será deles. 30E as primícias de todos os primeiros frutos de tudo, e toda a oblação de tudo, de todas as vossas oblações, serão dos sacerdotes; também as primeiras das vossas massas dareis ao sacerdote, para que faça repousar a bênção sobre a tua casa. 31Nenhuma coisa, que tenha morrido ou tenha sido despedaçada, de aves e de animais, comerão os sacerdotes. Ezequiel 45 1QUANDO, pois, repartirdes a terra em herança, oferecereis uma oferta ao SENHOR, uma porção santa da terra; o seu comprimento será de vinte e cinco mil canas e a largura de dez mil. Esta será santa em toda a sua extensão ao redor. 2Desta porção o santuário ocupará quinhentas canas de comprimento, e quinhentas de largura, em quadrado, e terá em redor um espaço vazio de cinqüenta côvados. 3E desta porção medirás vinte e cinco mil côvados de comprimento, e a largura de dez mil; e ali estará o santuário, o lugar santíssimo. 4Esta será a porção santa da terra; ela será para os sacerdotes, ministros do santuário, que dele se aproximam para servir ao SENHOR; e lhes servirá de lugar para suas casas, e de lugar santo para o santuário. 5E os levitas, ministros da casa, terão em sua possessão, vinte e cinco mil canas de comprimento, para vinte câmaras. 6E para possessão da cidade, de largura dareis cinco mil canas, e de comprimento vinte e cinco mil, defronte da oferta santa; o que será para toda a casa de Israel. 7O príncipe, porém, terá a sua parte deste e do outro lado da área santa, e da possessão da cidade, diante da santa oferta, e em frente da possessão da cidade, desde o extremo ocidental até o extremo oriental, e de comprimento, corresponderá a uma das porções, desde o termo ocidental até ao termo oriental. 8E esta terra será a sua possessão em Israel; e os meus príncipes nunca mais oprimirão o meu povo, antes deixarão a terra à casa de Israel, conforme as suas tribos. 9Assim diz o Senhor Deus: Basta já, ó príncipes de Israel; afastai a violência e a assolação e praticai juízo e justiça; tirai as vossas imposições do meu povo, diz o Senhor Deus. 10Tereis balanças justas, efa justo e bato justo. 11O efa e o bato serão de uma mesma medida, de modo que o bato contenha a décima parte do ômer, e o efa a décima parte do ômer; conforme o ômer será a sua medida. 12E o siclo será de vinte geras; vinte siclos, vinte e cinco siclos, e quinze siclos terá a vossa mina. 13Esta será a oferta que haveis de oferecer: a sexta parte de um efa de cada ômer de trigo; também dareis a sexta parte de um efa de cada ômer de cevada. 14Quanto à ordenança do azeite, de cada bato de azeite oferecereis a décima parte de um bato tirado de um coro, que é um ômer de dez batos; porque dez batos fazem um ômer. 15E um cordeiro do rebanho, de cada duzentos, da terra mais regada de Israel, para oferta de alimentos, e para holocausto, e para sacrifício pacífico; para que façam expiação por eles, diz o Senhor Deus. 16Todo o povo da terra concorrerá com esta oferta, para o príncipe em Israel. 17E estarão a cargo do príncipe os holocaustos, e as ofertas de alimentos, e as libações, nas festas, e nas luas novas, e nos sábados, em todas as solenidades da casa de Israel. Ele preparará a oferta pelo pecado, e a oferta de alimentos, e o holocausto, e os sacrifícios pacíficos, para fazer expiação pela casa de Israel. 18Assim diz o Senhor Deus: No primeiro mês, no primeiro dia do mês, tomarás um bezerro sem mancha e purificarás o santuário. 19E o sacerdote tomará do sangue do sacrifício pelo pecado, e porá dele nas ombreiras da casa, e nos quatro cantos da armação do altar, e nas ombreiras da porta do átrio interior. 20Assim também farás no sétimo dia do mês, pelos que erram, e pelos símplices; assim expiareis a casa. 21No primeiro mês, no dia catorze do mês, tereis a páscoa, uma festa de sete dias; pão ázimo se comerá. 22E no mesmo dia o príncipe preparará por si e por todo o povo da terra, um bezerro como oferta pelo pecado. 23E durante os sete dias da festa preparará um holocausto ao SENHOR, de sete bezerros e sete carneiros sem mancha, cada dia, durante os sete dias; e em sacrifício pelo pecado um bode cada dia. 24Também preparará uma oferta de alimentos, a saber, um efa, para cada bezerro, e um efa para cada carneiro, e um him de azeite para cada efa. 25No sétimo mês, no dia quinze do mês, na festa, fará o mesmo por sete dias, tanto o sacrifício pelo pecado, como o holocausto, e como a oferta de alimentos, e como o azeite. Ezequiel 46 1ASSIM diz o Senhor Deus: A porta do átrio interior que dá para o oriente, estará fechada durante os seis dias que são de trabalho; mas no dia de sábado ela se abrirá; também no dia da lua nova se abrirá. 2E o príncipe entrará pelo caminho do vestíbulo da porta, por fora, e permanecerá junto da ombreira da porta; e os sacerdotes prepararão o holocausto, e os sacrifícios pacíficos dele; e ele adorará junto ao umbral da porta, e sairá; mas a porta não se fechará até à tarde. 3E o povo da terra adorará à entrada da mesma porta, nos sábados e nas luas novas, diante do SENHOR. 4E o holocausto, que o príncipe oferecer ao SENHOR, será, no dia de sábado, seis cordeiros sem mancha e um carneiro sem mancha. 5E a oferta de alimentos será um efa para o carneiro; e para o cordeiro, a oferta de alimentos será o que puder dar; e de azeite um him para cada efa. 6Mas no dia da lua nova será um bezerro sem mancha, e seis cordeiros e um carneiro; eles serão sem mancha. 7E preparará por oferta de manjares um efa para o bezerro e um efa para o carneiro, mas para os cordeiros, o que a sua mão puder dar; e um him de azeite para um efa. 8E, quando entrar o príncipe, entrará pelo caminho do vestíbulo da porta, e sairá pelo mesmo caminho. 9Mas, quando vier o povo da terra perante a face do SENHOR nas solenidades, aquele que entrar pelo caminho da porta do norte, para adorar, sairá pelo caminho da porta do sul; e aquele que entrar pelo caminho da porta do sul sairá pelo caminho da porta do norte; não tornará pelo caminho da porta por onde entrou, mas sairá pela outra que está oposta. 10E o príncipe entrará no meio deles; quando eles entrarem e, saindo eles, sairão todos. 11E nas festas e nas solenidades a oferta de alimentos será um efa para o bezerro, e um efa para o carneiro, mas para os cordeiros o que puder dar; e de azeite um him para um efa. 12E, quando o príncipe fizer oferta voluntária de holocaustos, ou de sacrifícios pacíficos, uma oferta voluntária ao SENHOR, então lhe abrirão a porta que dá para o oriente, e fará o seu holocausto e os seus sacrifícios pacíficos, como houver feito no dia de sábado; e sairá, e se fechará a porta depois dele sair. 13E prepararás um cordeiro de um ano sem mancha, em holocausto ao SENHOR, cada dia; todas as manhãs o prepararás. 14E, juntamente com ele prepararás uma oferta de alimentos, todas as manhãs, a sexta parte de um efa, e de azeite a terça parte de um him, para misturar com a flor de farinha; por oferta de alimentos para o SENHOR, em estatutos perpétuos e contínuos. 15Assim prepararão o cordeiro, e a oferta de alimentos, e o azeite, todas as manhãs, em holocausto contínuo. 16Assim diz o Senhor Deus: Quando o príncipe der um presente a algum de seus filhos, é sua herança, pertencerá a seus filhos; será possessão deles por herança. 17Mas, dando ele um presente da sua herança a algum dos seus servos, será deste até ao ano da liberdade; então tornará para o príncipe, porque herança dele é; seus filhos a herdarão. 18E o príncipe não tomará nada da herança do povo por opressão, defraudando-os da sua possessão; da sua própria possessão deixará herança a seus filhos, para que o meu povo não seja separado, cada um da sua possessão. 19Depois disto me trouxe pela entrada que estava ao lado da porta, às câmaras santas dos sacerdotes, que olhavam para o norte; e eis que ali havia um lugar nos fundos extremos, para o lado do ocidente. 20E ele me disse: Este é o lugar onde os sacerdotes cozerão a oferta pela culpa, e a oferta pelo pecado, e onde cozerão a oferta de alimentos, para que não as tragam ao átrio exterior para santificarem o povo. 21Então me levou para fora, para o átrio exterior, e me fez passar pelos quatro cantos do átrio; e eis que em cada canto do átrio havia outro átrio. 22Nos quatro cantos do átrio havia outros átrios juntos, de quarenta côvados de comprimento e de trinta de largura; estes quatro cantos tinham uma mesma medida. 23E havia uma fileira construída ao redor deles, ao redor dos quatro; e havia cozinhas feitas por baixo das fileiras ao redor. 24E me disse: Estas são as cozinhas, onde os ministros da casa cozerão o sacrifício do povo. Ezequiel 47 1DEPOIS disto me fez voltar à porta da casa, e eis que saíam águas por debaixo do umbral da casa para o oriente; porque a face da casa dava para o oriente, e as águas desciam de debaixo, desde o lado direito da casa, ao sul do altar. 2E ele me fez sair pelo caminho da porta do norte, e me fez dar uma volta pelo caminho de fora, até à porta exterior, pelo caminho que dá para o oriente e eis que corriam as águas do lado direito. 3E saiu aquele homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir; e mediu mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos artelhos. 4E mediu mais mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; e outra vez mediu mil, e me fez passar pelas águas que me davam pelos lombos. 5E mediu mais mil, e era um rio, que eu não podia atravessar, porque as águas eram profundas, águas que se deviam passar a nado, rio pelo qual não se podia passar. 6E disseme: Viste isto, filho do homem? Então levou-me, e me fez voltar para a margem do rio. 7E, tendo eu voltado, eis que à margem do rio havia uma grande abundância de árvores, de um e de outro lado. 8Então disseme: Estas águas saem para a região oriental, e descem ao deserto, e entram no mar; e, sendo levadas ao mar, as águas tornar-se-ão saudáveis. 9E será que toda a criatura vivente que passar por onde quer que entrarem estes rios viverá; e haverá muitíssimo peixe, porque lá chegarão estas águas, e serão saudáveis, e viverá tudo por onde quer que entrar este rio. 10Será também que os pescadores estarão em pé junto dele; desde En-Gedi até En-Eglaim haverá lugar para estender as redes; o seu peixe, segundo a sua espécie, será como o peixe do mar grande, em multidão excessiva. 11Mas os seus charcos e os seus pântanos não tornar-se-ão saudáveis; serão deixados para sal. 12E junto ao rio, à sua margem, de um e de outro lado, nascerá toda a sorte de árvore que dá fruto para se comer; não cairá a sua folha, nem acabará o seu fruto; nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário; e o seu fruto servirá de comida e a sua folha de remédio. 13Assim diz o Senhor Deus: Este será o termo conforme o qual repartireis a terra em herança, segundo as doze tribos de Israel; José terá duas partes. 14E vós a herdareis, tanto um como o outro; terra sobre a qual levantei a minha mão, para dá-la a vossos pais; assim esta mesma terra vos cairá a vós em herança. 15E este será o termo da terra; do lado do norte, desde o mar grande, caminho de Hetlom, até à entrada de Zedade; 16Hamate, Berota, Sibraim, que estão entre o termo de Damasco e o termo de Hamate; Hazer-Haticom, que está junto ao termo de Haurã. 17E o termo será desde o mar até Hazar-Enom, o termo de Damasco, e na direção do norte, para o norte, está o termo de Hamate. Este será o lado do norte. 18E o lado do oriente, entre Haurã, e Damasco, e Gileade, e a terra de Israel será o Jordão; desde o termo do norte até ao mar do oriente medireis. Este será o lado do oriente. 19E o lado do sul, para o sul, será desde Tamar até às águas da contenda de Cades, junto ao ribeiro, até ao mar grande. Este será o lado do sul. 20E o lado do ocidente será o mar grande, desde o termo do sul até a entrada de Hamate. Este será o lado do ocidente. 21Repartireis, pois, esta terra entre vós, segundo as tribos de Israel. 22Será, porém, que a sorteareis para vossa herança, e para a dos estrangeiros que habitam no meio de vós, que gerarão filhos no meio de vós; e vos serão como naturais entre os filhos de Israel; convosco entrarão em herança, no meio das tribos de Israel. 23E será que na tribo em que habitar o estrangeiro, ali lhe dareis a sua herança, diz o Senhor Deus. Ezequiel 48 1E ESTES são os nomes das tribos: desde o extremo norte, ao longo do caminho de Hetlom, indo para Hamate, até Hazar-Enom, termo de Damasco para o norte, ao pé de Hamate, terá Dã uma parte, desde o lado oriental até o ocidental. 2E junto ao termo de Dã, desde o lado oriental até o ocidental, Aser terá uma porção. 3E junto ao termo de Aser, desde o lado oriental até o ocidental, Naftali, uma porção. 4E junto ao termo de Naftali, desde o lado oriental até o lado ocidental, Manassés, uma porção. 5E junto ao termo de Manassés, desde o lado oriental até o lado ocidental, Efraim, uma porção. 6E junto ao termo de Efraim, desde o lado oriental até o lado ocidental, Rúben, uma porção. 7E junto ao termo de Rúben, desde o lado oriental até o lado ocidental, Judá, uma porção. 8E junto ao termo de Judá, desde o lado oriental até o lado ocidental, será a oferta que haveis de fazer de vinte e cinco mil canas de largura, e de comprimento de cada uma das porções, desde o lado oriental até o lado ocidental; e o santuário estará no meio dela. 9A oferta que haveis de oferecer ao SENHOR será do comprimento de vinte e cinco mil canas, e da largura de dez mil. 10E ali será a oferta santa para os sacerdotes, medindo para o norte vinte e cinco mil canas de comprimento, e para o ocidente dez mil de largura, e para o oriente dez mil de largura, e para o sul vinte e cinco mil de comprimento; e o santuário do SENHOR estará no meio dela. 11E será para os sacerdotes santificados dentre os filhos de Zadoque, que guardaram a minha ordenança, que não se desviaram, quando os filhos de Israel se extraviaram, como se extraviaram os outros levitas. 12E eles terão uma oferta, da oferta da terra, lugar santíssimo, junto ao limite dos levitas. 13E os levitas terão, consoante ao termo dos sacerdotes, vinte e cinco mil canas de comprimento, e de largura dez mil; todo o comprimento será vinte e cinco mil, e a largura dez mil. 14E não venderão disto, nem trocarão, nem transferirão as primícias da terra, porque é santidade ao SENHOR. 15Mas as cinco mil canas, as que restaram da largura, diante das vinte e cinco mil, ficarão para uso comum, para a cidade, para habitação e para arrabaldes; e a cidade estará no meio delas. 16E estas serão as suas medidas: o lado do norte de quatro mil e quinhentas canas, o lado do sul de quatro mil e quinhentas, o lado oriental de quatro mil e quinhentas e o lado ocidental de quatro mil e quinhentas. 17E os arrabaldes da cidade serão para o norte de duzentas e cinqüenta canas, para o sul de duzentas e cinqüenta, para o oriente de duzentas e cinqüenta e para o ocidente de duzentas e cinqüenta. 18E, quanto ao que restou do comprimento, consoante com a santa oferta, será dez mil para o oriente, e dez mil para o ocidente; e corresponderá à santa oferta; e a sua novidade será para sustento daqueles que servem a cidade. 19E os que servem à cidade, servi-la-ão dentre todas as tribos de Israel. 20Toda a oferta será de vinte e cinco mil canas com mais vinte e cinco mil; em quadrado oferecereis a oferta santa, com a possessão da cidade. 21E o que restou será para o príncipe; deste e do outro lado da oferta santa, e da possessão da cidade, diante das vinte e cinco mil canas da oferta, até ao termo do oriente e do ocidente, diante das vinte e cinco mil, até ao termo do ocidente, correspondente às porções, será para o príncipe; e a santa oferta e o santuário da casa estarão no meio dela. 22E desde a possessão dos levitas, e desde a possessão da cidade, no meio do que pertencer ao príncipe, entre o termo de Judá, e o termo de Benjamim, será isso para o príncipe. 23E, quanto ao restante das tribos, desde o lado oriental até o lado ocidental, Benjamim terá uma porção. 24E junto ao termo de Benjamim, desde o lado oriental até o lado ocidental, Simeão terá uma porção. 25E junto ao termo de Simeão, desde o lado oriental até o lado ocidental, Issacar terá uma porção. 26E junto ao termo de Issacar, desde o lado oriental até o lado ocidental, Zebulom terá uma porção. 27E junto ao termo de Zebulom, desde o lado oriental até o lado ocidental, Gade terá uma porção. 28E junto ao termo de Gade, ao sul, do lado sul, será o termo desde Tamar até às águas da contenda de Cades, junto ao rio até ao mar grande. 29Esta é a terra que sorteareis em herança às tribos de Israel; e estas são as suas porções, diz o Senhor Deus. 30E estas são as saídas da cidade, desde o lado norte: quatro mil e quinhentas canas por medida. 31E as portas da cidade serão conforme os nomes das tribos de Israel; três portas para o norte: a porta de Rúben uma, a porta de Judá outra, a porta de Levi outra. 32E do lado oriental quatro mil e quinhentas canas, e três portas, a saber: a porta de José uma, a porta de Benjamim outra, a porta de Dã outra. 33E do lado sul quatro mil e quinhentas canas por medida, e três portas: a porta de Simeão uma, a porta de Issacar outra, a porta de Zebulom outra. 34Do lado ocidental quatro mil e quinhentas canas, e as suas três portas: a porta de Gade uma, a porta de Aser outra, a porta de Naftali outra. 35Dezoito mil canas por medida terá ao redor; e o nome da cidade desde aquele dia será: O SENHOR ESTÁ ALI. Daniel 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Daniel 1 1NO ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a sitiou. 2E o Senhor entregou nas suas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e uma parte dos utensílios da casa de Deus, e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus, e pôs os utensílios na casa do tesouro do seu deus. 3E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos príncipes, 4Jovens em quem não houvesse defeito algum, de boa aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistirem no palácio do rei, e que lhes ensinassem as letras e a língua dos caldeus. 5E o rei lhes determinou a porção diária, das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, para que no fim destes pudessem estar diante do rei. 6E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias; 7E o chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel pôs o de Beltessazar, e a Hananias o de Sadraque, e a Misael o de Mesaque, e a Azarias o de Abednego. 8E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar. 9Ora, Deus fez com que Daniel achasse graça e misericórdia diante do chefe dos eunucos. 10E disse o chefe dos eunucos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou a vossa comida e a vossa bebida; pois por que veria ele os vossos rostos mais tristes do que os dos outros jovens da vossa idade? Assim porias em perigo a minha cabeça para com o rei. 11Então disse Daniel ao despenseiro a quem o chefe dos eunucos havia constituído sobre Daniel, Hananias, Misael e Azarias: 12Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias, e que se nos dêem legumes a comer, e água a beber. 13Então se examine diante de ti a nossa aparência, e a aparência dos jovens que comem a porção das iguarias do rei; e, conforme vires, procederás para com os teus servos. 14E ele consentiu isto, e os experimentou dez dias. 15E, ao fim dos dez dias, apareceram os seus semblantes melhores, e eles estavam mais gordos de carne do que todos os jovens que comiam das iguarias do rei. 16Assim o despenseiro tirou-lhes a porção das iguarias, e o vinho de que deviam beber, e lhes dava legumes. 17Quanto a estes quatro jovens, Deus lhes deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras, e sabedoria; mas a Daniel deu entendimento em toda a visão e sonhos. 18E ao fim dos dias, em que o rei tinha falado que os trouxessem, o chefe dos eunucos os trouxe diante de Nabucodonosor. 19E o rei falou com eles; e entre todos eles não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; portanto ficaram assistindo diante do rei. 20E em toda a matéria de sabedoria e de discernimento, sobre o que o rei lhes perguntou, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos astrólogos que havia em todo o seu reino. 21E Daniel permaneceu até ao primeiro ano do rei Ciro. Daniel 2 1E NO segundo ano do reinado de Nabucodonosor, Nabucodonosor teve sonhos; e o seu espírito se perturbou, e passou-se-lhe o sono. 2Então o rei mandou chamar os magos, os astrólogos, os encantadores e os caldeus, para que declarassem ao rei os seus sonhos; e eles vieram e se apresentaram diante do rei. 3E o rei lhes disse: Tive um sonho; e para saber o sonho está perturbado o meu espírito. 4E os caldeus disseram ao rei em aramaico: Ó rei, vive eternamente! Dize o sonho a teus servos, e daremos a interpretação. 5Respondeu o rei, e disse aos caldeus: O assunto me tem escapado; se não me fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados, e as vossas casas serão feitas um monturo; 6Mas se vós me declarardes o sonho e a sua interpretação, recebereis de mim dádivas, recompensas e grande honra; portanto declarai-me o sonho e a sua interpretação. 7Responderam segunda vez, e disseram: Diga o rei o sonho a seus servos, e daremos a sua interpretação. 8Respondeu o rei, e disse: Percebo muito bem que vós quereis ganhar tempo; porque vedes que o assunto me tem escapado. 9De modo que, se não me fizerdes saber o sonho, uma só sentença será a vossa; pois vós preparastes palavras mentirosas e perversas para as proferirdes na minha presença, até que se mude o tempo; portanto dizei-me o sonho, para que eu entenda que me podeis dar a sua interpretação. 10Responderam os caldeus na presença do rei, e disseram: Não há ninguém sobre a terra que possa declarar a palavra ao rei; pois nenhum rei há, grande ou dominador, que requeira coisas semelhantes de algum mago, ou astrólogo, ou caldeu. 11Porque o assunto que o rei requer é difícil; e ninguém há que o possa declarar diante do rei, senão os deuses, cuja morada não é com a carne. 12Por isso o rei muito se irou e enfureceu; e ordenou que matassem a todos os sábios de Babilônia. 13E saiu o decreto, segundo o qual deviam ser mortos os sábios; e buscaram a Daniel e aos seus companheiros, para que fossem mortos. 14Então Daniel falou avisada e prudentemente a Arioque, capitão da guarda do rei, que tinha saído para matar os sábios de Babilônia. 15Respondeu, e disse a Arioque, capitão do rei: Por que se apressa tanto o decreto da parte do rei? Então Arioque explicou o caso a Daniel. 16E Daniel entrou; e pediu ao rei que lhe desse tempo, para que lhe pudesse dar a interpretação. 17Então Daniel foi para a sua casa, e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros; 18Para que pedissem misericórdia ao Deus do céu, sobre este mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem, juntamente com o restante dos sábios da Babilônia. 19Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite; então Daniel louvou o Deus do céu. 20Falou Daniel, dizendo: Seja bendito o nome de Deus de eternidade a eternidade, porque dele são a sabedoria e a força; 21E ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos. 22Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz. 23Ó Deus de meus pais, eu te dou graças e te louvo, porque me deste sabedoria e força; e agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este assunto do rei. 24Por isso Daniel foi ter com Arioque, ao qual o rei tinha constituído para matar os sábios de Babilônia; entrou, e disselhe assim: Não mates os sábios de Babilônia; introduze-me na presença do rei, e declararei ao rei a interpretação. 25Então Arioque depressa introduziu a Daniel na presença do rei, e disselhe assim: Achei um homem dentre os cativos de Judá, o qual fará saber ao rei a interpretação. 26Respondeu o rei, e disse a Daniel (cujo nome era Beltessazar): Podes tu fazerme saber o sonho que tive e a sua interpretação? 27Respondeu Daniel na presença do rei, dizendo: O segredo que o rei requer, nem sábios, nem astrólogos, nem magos, nem adivinhos o podem declarar ao rei; 28Mas há um Deus no céu, o qual revela os mistérios; ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de acontecer nos últimos dias; o teu sonho e as visões da tua cabeça que tiveste na tua cama são estes: 29Estando tu, ó rei, na tua cama, subiram os teus pensamentos, acerca do que há de ser depois disto. Aquele, pois, que revela os mistérios te fez saber o que há de ser. 30E a mim me foi revelado esse mistério, não porque haja em mim mais sabedoria que em todos os viventes, mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesses os pensamentos do teu coração. 31Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua; esta estátua, que era imensa, cujo esplendor era excelente, e estava em pé diante de ti; e a sua aparência era terrível. 32A cabeça daquela estátua era de ouro fino; o seu peito e os seus braços de prata; o seu ventre e as suas coxas de cobre; 33As pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro. 34Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem auxílio de mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou. 35Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como pragana das eiras do estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra, que feriu a estátua, se tornou grande monte, e encheu toda a terra. 36Este é o sonho; também a sua interpretação diremos na presença do rei. 37Tu, ó rei, és rei de reis; a quem o Deus do céu tem dado o reino, o poder, a força, e a glória. 38E onde quer que habitem os filhos de homens, na tua mão entregou os animais do campo, e as aves do céu, e fez que reinasse sobre todos eles; tu és a cabeça de ouro. 39E depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de bronze, o qual dominará sobre toda a terra. 40E o quarto reino será forte como ferro; pois, como o ferro, esmiúça e quebra tudo; como o ferro que quebra todas as coisas, assim ele esmiuçará e fará em pedaços. 41E, quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois viste o ferro misturado com barro de lodo. 42E como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil. 43Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro. 44Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, 45Da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro; o grande Deus fez saber ao rei o que há de ser depois disto. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação. 46Então o rei Nabucodonosor caiu sobre a sua face, e adorou a Daniel, e ordenou que lhe oferecessem uma oblação e perfumes suaves. 47Respondeu o rei a Daniel, e disse: Certamente o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis e revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério. 48Então o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitas e grandes dádivas, e o pôs por governador de toda a província de Babilônia, como também o fez chefe dos governadores sobre todos os sábios de Babilônia. 49E pediu Daniel ao rei, e constituiu ele sobre os negócios da província de Babilônia a Sadraque, Mesaque e Abednego; mas Daniel permaneceu na porta do rei. Daniel 3 1O REI Nabucodonosor fez uma estátua de ouro, cuja altura era de sessenta côvados, e a sua largura de seis côvados; levantou-a no campo de Dura, na província de Babilônia. 2Então o rei Nabucodonosor mandou reunir os príncipes, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juízes, os capitães, e todos os oficiais das províncias, para que viessem à consagração da estátua que o rei Nabucodonosor tinha levantado. 3Então se reuniram os príncipes, os prefeitos e governadores, os capitães, os juízes, os tesoureiros, os conselheiros, e todos os oficiais das províncias, à consagração da estátua que o rei Nabucodonosor tinha levantado; e estavam em pé diante da imagem que Nabucodonosor tinha levantado. 4E o arauto apregoava em alta voz: Ordena-se a vós, ó povos, nações e línguas: 5Quando ouvirdes o som da buzina, da flauta, da harpa, da sambuca, do saltério, da gaita de foles, e de toda a espécie de música, prostrar-vos-eis, e adorareis a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor tem levantado. 6E qualquer que não se prostrar e não a adorar, será na mesma hora lançado dentro da fornalha de fogo ardente. 7Portanto, no mesmo instante em que todos os povos ouviram o som da buzina, da flauta, da harpa, da sambuca, do saltério e de toda a espécie de música, prostraram-se todos os povos, nações e línguas, e adoraram a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor tinha levantado. 8Por isso, no mesmo instante chegaram perto alguns caldeus, e acusaram os judeus. 9E responderam, dizendo ao rei Nabucodonosor: Ó rei, vive eternamente! 10Tu, ó rei, fizeste um decreto, pelo qual todo homem que ouvisse o som da buzina, da flauta, da harpa, da sambuca, do saltério, e da gaita de foles, e de toda a espécie de música, se prostrasse e adorasse a estátua de ouro; 11E, qualquer que não se prostrasse e adorasse, seria lançado dentro da fornalha de fogo ardente. 12Há uns homens judeus, os quais constituíste sobre os negócios da província de Babilônia: Sadraque, Mesaque e Abednego; estes homens, ó rei, não fizeram caso de ti; a teus deuses não servem, nem adoram a estátua de ouro que levantaste. 13Então Nabucodonosor, com ira e furor, mandou trazer a Sadraque, Mesaque e Abednego. E trouxeram a estes homens perante o rei. 14Falou Nabucodonosor, e lhes disse: É de propósito, ó Sadraque, Mesaque e Abednego, que vós não servis a meus deuses nem adorais a estátua de ouro que levantei? 15Agora, pois, se estais prontos, quando ouvirdes o som da buzina, da flauta, da harpa, da sambuca, do saltério, da gaita de foles, e de toda a espécie de música, para vos prostrardes e adorardes a estátua que fiz, bom é; mas, se não a adorardes, sereis lançados, na mesma hora, dentro da fornalha de fogo ardente. E quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos? 16Responderam Sadraque, Mesaque e Abednego, e disseram ao rei Nabucodonosor: Não necessitamos de te responder sobre este negócio. 17Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei. 18E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste. 19Então Nabucodonosor se encheu de furor, e mudou-se o aspecto do seu semblante contra Sadraque, Mesaque e Abednego; falou, e ordenou que a fornalha se aquecesse sete vezes mais do que se costumava aquecer. 20E ordenou aos homens mais poderosos, que estavam no seu exército, que atassem a Sadraque, Mesaque e Abednego, para lançá-los na fornalha de fogo ardente. 21Então estes homens foram atados, vestidos com as suas capas, suas túnicas, e seus chapéus, e demais roupas, e foram lançados dentro da fornalha de fogo ardente. 22E, porque a palavra do rei era urgente, e a fornalha estava sobremaneira quente, a chama do fogo matou aqueles homens que carregaram a Sadraque, Mesaque, e Abednego. 23E estes três homens, Sadraque, Mesaque e Abednego, caíram atados dentro da fornalha de fogo ardente. 24Então o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa; falou, dizendo aos seus conselheiros: Não lançamos nós, dentro do fogo, três homens atados? Responderam e disseram ao rei: É verdade, ó rei. 25Respondeu, dizendo: Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem sofrer nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante ao Filho de Deus. 26Então chegando-se Nabucodonosor à porta da fornalha de fogo ardente, falou, dizendo: Sadraque, Mesaque e Abednego, servos do Deus Altíssimo, saí e vinde! Então Sadraque, Mesaque e Abednego saíram do meio do fogo. 27E reuniram-se os príncipes, os capitães, os governadores e os conselheiros do rei e, contemplando estes homens, viram que o fogo não tinha tido poder algum sobre os seus corpos; nem um só cabelo da sua cabeça se tinha queimado, nem as suas capas se mudaram, nem cheiro de fogo tinha passado sobre eles. 28Falou Nabucodonosor, dizendo: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, que enviou o seu anjo, e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois violaram a palavra do rei, preferindo entregar os seus corpos, para que não servissem nem adorassem algum outro deus, senão o seu Deus. 29Por mim, pois, é feito um decreto, pelo qual todo o povo, e nação e língua que disser blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas um monturo; porquanto não há outro Deus que possa livrar como este. 30Então o rei fez prosperar a Sadraque, Mesaque e Abednego, na província de Babilônia. Daniel 4 1NABUCODONOSOR rei, a todos os povos, nações e línguas, que moram em toda a terra: Paz vos seja multiplicada. 2Pareceu-me bem fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, tem feito para comigo. 3Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas as suas maravilhas! O seu reino é um reino sempiterno, e o seu domínio de geração em geração. 4Eu, Nabucodonosor, estava sossegado em minha casa, e próspero no meu palácio. 5Tive um sonho, que me espantou; e estando eu na minha cama, as imaginações e as visões da minha cabeça me turbaram. 6Por isso expedi um decreto, para que fossem introduzidos à minha presença todos os sábios de Babilônia, para que me fizessem saber a interpretação do sonho. 7Então entraram os magos, os astrólogos, os caldeus e os adivinhadores, e eu contei o sonho diante deles; mas não me fizeram saber a sua interpretação. 8Mas por fim entrou na minha presença Daniel, cujo nome é Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e no qual há o espírito dos deuses santos; e eu lhe contei o sonho, dizendo: 9Beltessazar, mestre dos magos, pois eu sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum mistério te é difícil, dize-me as visões do meu sonho que tive e a sua interpretação. 10Eis, pois, as visões da minha cabeça, estando eu na minha cama: Eu estava assim olhando, e vi uma árvore no meio da terra, cuja altura era grande; 11Crescia esta árvore, e se fazia forte, de maneira que a sua altura chegava até ao céu; e era vista até aos confins da terra. 12A sua folhagem era formosa, e o seu fruto abundante, e havia nela sustento para todos; debaixo dela os animais do campo achavam sombra, e as aves do céu faziam morada nos seus ramos, e toda a carne se mantinha dela. 13Estava vendo isso nas visões da minha cabeça, estando eu na minha cama; e eis que um vigia, um santo, descia do céu, 14Clamando fortemente, e dizendo assim: Derrubai a árvore, e cortai-lhe os ramos, sacudi as suas folhas, espalhai o seu fruto; afugentem-se os animais de debaixo dela, e as aves dos seus ramos. 15Mas deixai na terra o tronco com as suas raízes, atada com cadeias de ferro e de bronze, na erva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e seja a sua porção com os animais na erva da terra; 16Seja mudado o seu coração, para que não seja mais coração de homem, e lhe seja dado coração de animal; e passem sobre ele sete tempos. 17Esta sentença é por decreto dos vigias, e esta ordem por mandado dos santos, a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até ao mais humilde dos homens constitui sobre ele. 18Este sonho eu, rei Nabucodonosor vi. Tu, pois, Beltessazar, dize a interpretação, porque todos os sábios do meu reino não puderam fazer-me saber a sua interpretação, mas tu podes; pois há em ti o espírito dos deuses santos. 19Então Daniel, cujo nome era Beltessazar, esteve atônito por uma hora, e os seus pensamentos o turbavam; falou, pois, o rei, dizendo: Beltessazar, não te espante o sonho, nem a sua interpretação. Respondeu Beltessazar, dizendo: SENHOR meu, seja o sonho contra os que te têm ódio, e a sua interpretação aos teus inimigos. 20A árvore que viste, que cresceu, e se fez forte, cuja altura chegava até ao céu, e que foi vista por toda a terra; 21Cujas folhas eram formosas, e o seu fruto abundante, e em que para todos havia sustento, debaixo da qual moravam os animais do campo, e em cujos ramos habitavam as aves do céu; 22És tu, ó rei, que cresceste, e te fizeste forte; a tua grandeza cresceu, e chegou até ao céu, e o teu domínio até à extremidade da terra. 23E quanto ao que viu o rei, um vigia, um santo, que descia do céu, e dizia: Cortai a árvore, e destruí-a, mas o tronco com as suas raízes deixai na terra, e atada com cadeias de ferro e de bronze, na erva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e a sua porção seja com os animais do campo, até que passem sobre ele sete tempos; 24Esta é a interpretação, ó rei; e este é o decreto do Altíssimo, que virá sobre o rei, meu senhor: 25Serás tirado dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e te farão comer erva como os bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passarse-ão sete tempos por cima de ti; até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer. 26E quanto ao que foi falado, que deixassem o tronco com as raízes da árvore, o teu reino voltará para ti, depois que tiveres conhecido que o céu reina. 27Portanto, ó rei, aceita o meu conselho, e põe fim aos teus pecados, praticando a justiça, e às tuas iniqüidades, usando de misericórdia com os pobres, pois, talvez se prolongue a tua tranqüilidade. 28Todas estas coisas vieram sobre o rei Nabucodonosor. 29Ao fim de doze meses, quando passeava no palácio real de Babilônia, 30Falou o rei, dizendo: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência? 31Ainda estava a palavra na boca do rei, quando caiu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Passou de ti o reino. 32E serás tirado dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; far-te-ão comer erva como os bois, e passar-se-ão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer. 33Na mesma hora se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor, e foi tirado dentre os homens, e comia erva como os bois, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceu pêlo, como as penas da águia, e as suas unhas como as das aves. 34Mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. 35E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes? 36No mesmo tempo tornou a mim o meu entendimento, e para a dignidade do meu reino tornou-me a vir a minha majestade e o meu resplendor; e buscaramme os meus conselheiros e os meus senhores; e fui restabelecido no meu reino, e a minha glória foi aumentada. 37Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do céu; porque todas as suas obras são verdade, e os seus caminhos juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba. Daniel 5 1O REI Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus senhores, e bebeu vinho na presença dos mil. 2Havendo Belsazar provado o vinho, mandou trazer os vasos de ouro e de prata, que Nabucodonosor, seu pai, tinha tirado do templo que estava em Jerusalém, para que bebessem neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas. 3Então trouxeram os vasos de ouro, que foram tirados do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalém, e beberam neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas. 4Beberam o vinho, e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira, e de pedra. 5Na mesma hora apareceram uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do castiçal, na caiadura da parede do palácio real; e o rei via a parte da mão que estava escrevendo. 6Mudou-se então o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro. 7E gritou o rei com força, que se introduzissem os astrólogos, os caldeus e os adivinhadores; e falou o rei, dizendo aos sábios de Babilônia: Qualquer que ler este escrito, e me declarar a sua interpretação, será vestido de púrpura, e trará uma cadeia de ouro ao pescoço e, no reino, será o terceiro governante. 8Então entraram todos os sábios do rei; mas não puderam ler o escrito, nem fazer saber ao rei a sua interpretação. 9Então o rei Belsazar perturbou-se muito, e mudou-se-lhe o semblante; e os seus senhores estavam sobressaltados. 10A rainha, por causa das palavras do rei e dos seus senhores, entrou na casa do banquete, e respondeu, dizendo: Ó rei, vive para sempre! Não te perturbem os teus pensamentos, nem se mude o teu semblante. 11Há no teu reino um homem, no qual há o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei Nabucodonosor, sim, teu pai, o rei, o constituiu mestre dos magos, dos astrólogos, dos caldeus e dos adivinhadores; 12Porquanto se achou neste Daniel um espírito excelente, e conhecimento, e entendimento, interpretando sonhos e explicando enigmas, e resolvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar. Chame-se, pois, agora Daniel, e ele dará a interpretação. 13Então Daniel foi introduzido à presença do rei. Falou o rei, dizendo a Daniel: És tu aquele Daniel, um dos filhos dos cativos de Judá, que o rei, meu pai, trouxe de Judá? 14Tenho ouvido dizer a teu respeito que o espírito dos deuses está em ti, e que em ti se acham a luz, e o entendimento e a excelente sabedoria. 15Agora mesmo foram introduzidos à minha presença os sábios e os astrólogos, para lerem este escrito, e me fazerem saber a sua interpretação; mas não puderam dar a interpretação destas palavras. 16Eu, porém, tenho ouvido dizer de ti que podes dar interpretação e resolver dúvidas. Agora, se puderes ler este escrito, e fazer-me saber a sua interpretação, serás vestido de púrpura, e terás cadeia de ouro ao pescoço e no reino serás o terceiro governante. 17Então respondeu Daniel, e disse na presença do rei: As tuas dádivas fiquem contigo, e dá os teus prêmios a outro; contudo lerei ao rei o escrito, e far-lhe-ei saber a interpretação. 18Ó rei! Deus, o Altíssimo, deu a Nabucodonosor, teu pai, o reino, e a grandeza, e a glória, e a majestade. 19E por causa da grandeza, que lhe deu, todos os povos, nações e línguas tremiam e temiam diante dele; a quem queria matava, e a quem queria conservava em vida; e a quem queria engrandecia, e a quem queria abatia. 20Mas quando o seu coração se exaltou, e o seu espírito se endureceu em soberba, foi derrubado do seu trono real, e passou dele a sua glória. 21E foi tirado dentre os filhos dos homens, e o seu coração foi feito semelhante ao dos animais, e a sua morada foi com os jumentos monteses; fizeram-no comer a erva como os bois, e do orvalho do céu foi molhado o seu corpo, até que conheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre o reino dos homens, e a quem quer constitui sobre ele. 22E tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que soubeste tudo isto. 23E te levantaste contra o Senhor do céu, pois foram trazidos à tua presença os vasos da casa dele, e tu, os teus senhores, as tuas mulheres e as tuas concubinas, bebestes vinho neles; além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida, e de quem são todos os teus caminhos, a ele não glorificaste. 24Então dele foi enviada aquela parte da mão, que escreveu este escrito. 25Este, pois, é o escrito que se escreveu: MENE, MENE, TEQUEL, UFARSIM. 26Esta é a interpretação daquilo: MENE: Contou Deus o teu reino, e o acabou. 27TEQUEL: Pesado foste na balança, e foste achado em falta. 28PERES: Dividido foi o teu reino, e dado aos medos e aos persas. 29Então mandou Belsazar que vestissem a Daniel de púrpura, e que lhe pusessem uma cadeia de ouro ao pescoço, e proclamassem a respeito dele que havia de ser o terceiro no governo do seu reino. 30Naquela noite foi morto Belsazar, rei dos caldeus. 31E Dario, o medo, ocupou o reino, sendo da idade de sessenta e dois anos. Daniel 6 1E PARECEU bem a Dario constituir sobre o reino cento e vinte príncipes, que estivessem sobre todo o reino; 2E sobre eles três presidentes, dos quais Daniel era um, aos quais estes príncipes dessem conta, para que o rei não sofresse dano. 3Então o mesmo Daniel sobrepujou a estes presidentes e príncipes; porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava constituí-lo sobre todo o reino. 4Então os presidentes e os príncipes procuravam achar ocasião contra Daniel a respeito do reino; mas não podiam achar ocasião ou culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa. 5Então estes homens disseram: Nunca acharemos ocasião alguma contra este Daniel, se não a acharmos contra ele na lei do seu Deus. 6Então estes presidentes e príncipes foram juntos ao rei, e disseram-lhe assim: Ó rei Dario, vive para sempre! 7Todos os presidentes do reino, os capitães e príncipes, conselheiros e governadores, concordaram em promulgar um edito real e confirmar a proibição que qualquer que, por espaço de trinta dias, fizer uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, e não a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões. 8Agora, pois, ó rei, confirma a proibição, e assina o edito, para que não seja mudado, conforme a lei dos medos e dos persas, que não se pode revogar. 9Por esta razão o rei Dario assinou o edito e a proibição. 10Daniel, pois, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa (ora havia no seu quarto janelas abertas do lado de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer. 11Então aqueles homens foram juntos, e acharam a Daniel orando e suplicando diante do seu Deus. 12Então se apresentaram ao rei e, a respeito do edito real, disseram-lhe: Porventura não assinaste o edito, pelo qual todo o homem que fizesse uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, por espaço de trinta dias, e não a ti, ó rei, fosse lançado na cova dos leões? Respondeu o rei, dizendo: Esta palavra é certa, conforme a lei dos medos e dos persas, que não se pode revogar. 13Então responderam ao rei, dizendo-lhe: Daniel, que é dos filhos dos cativos de Judá, não tem feito caso de ti, ó rei, nem do edito que assinaste, antes três vezes por dia faz a sua oração. 14Ouvindo então o rei essas palavras, ficou muito penalizado, e a favor de Daniel propôs dentro do seu coração livrá-lo; e até ao pôr do sol trabalhou para salvá-lo. 15Então aqueles homens foram juntos ao rei, e disseram-lhe: Sabe, ó rei, que é lei dos medos e dos persas que nenhum edito ou decreto, que o rei estabeleça, se pode mudar. 16Então o rei ordenou que trouxessem a Daniel, e lançaram-no na cova dos leões. E, falando o rei, disse a Daniel: O teu Deus, a quem tu continuamente serves, ele te livrará. 17E foi trazida uma pedra e posta sobre a boca da cova; e o rei a selou com o seu anel e com o anel dos seus senhores, para que não se mudasse a sentença acerca de Daniel. 18Então o rei se dirigiu para o seu palácio, e passou a noite em jejum, e não deixou trazer à sua presença instrumentos de música; e fugiu dele o sono. 19Pela manhã, ao romper do dia, levantou-se o rei, e foi com pressa à cova dos leões. 20E, chegando-se à cova, chamou por Daniel com voz triste; e disse o rei a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo, dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões? 21Então Daniel falou ao rei: Ó rei, vive para sempre! 22O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum. 23Então o rei muito se alegrou em si mesmo, e mandou tirar a Daniel da cova. Assim foi tirado Daniel da cova, e nenhum dano se achou nele, porque crera no seu Deus. 24E ordenou o rei, e foram trazidos aqueles homens que tinham acusado a Daniel, e foram lançados na cova dos leões, eles, seus filhos e suas mulheres; e ainda não tinham chegado ao fundo da cova quando os leões se apoderaram deles, e lhes esmigalharam todos os ossos. 25Então o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra: A paz vos seja multiplicada. 26Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e que permanece para sempre, e o seu reino não se pode destruir, e o seu domínio durará até o fim. 27Ele salva, livra, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; ele salvou e livrou Daniel do poder dos leões. 28Este Daniel, pois, prosperou no reinado de Dario, e no reinado de Ciro, o persa. Daniel 7 1NO primeiro ano de Belsazar, rei de Babilônia, teve Daniel um sonho e visões da sua cabeça quando estava na sua cama; escreveu logo o sonho, e relatou a suma das coisas. 2Falou Daniel, e disse: Eu estava olhando na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar grande. 3E quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar. 4O primeiro era como leão, e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, e foi levantado da terra, e posto em pé como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem. 5Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne. 6Depois disto, eu continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha quatro asas de ave nas suas costas; tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio. 7Depois disto eu continuei olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres. 8Estando eu a considerar os chifres, eis que, entre eles subiu outro chifre pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas. 9Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um ancião de dias se assentou; a sua veste era branca como a neve, e o cabelo da sua cabeça como a pura lã; e seu trono era de chamas de fogo, e as suas rodas de fogo ardente. 10Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões assistiam diante dele; assentou-se o juízo, e abriram-se os livros. 11Então estive olhando, por causa da voz das grandes palavras que o chifre proferia; estive olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo; 12E, quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio; todavia foi-lhes prolongada a vida até certo espaço de tempo. 13Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. 14E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. 15Quanto a mim, Daniel, o meu espírito foi abatido dentro do corpo, e as visões da minha cabeça me perturbaram. 16Cheguei-me a um dos que estavam perto, e pedi-lhe a verdade acerca de tudo isto. E ele me disse, e fez-me saber a interpretação das coisas. 17Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis, que se levantarão da terra. 18Mas os santos do Altíssimo receberão o reino, e o possuirão para todo o sempre, e de eternidade em eternidade. 19Então tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro e as suas unhas de bronze; que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobrava; 20E também a respeito dos dez chifres que tinha na cabeça, e do outro que subiu, e diante do qual caíram três, isto é, daquele que tinha olhos, e uma boca que falava grandes coisas, e cujo parecer era mais robusto do que o dos seus companheiros. 21Eu olhava, e eis que este chifre fazia guerra contra os santos, e prevaleceu contra eles. 22Até que veio o ancião de dias, e fez justiça aos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino. 23Disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. 24E, quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. 25E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo. 26Mas o juízo será estabelecido, e eles tirarão o seu domínio, para o destruir e para o desfazer até ao fim. 27E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão. 28Aqui terminou o assunto. Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos muito me perturbaram, e mudou-se em mim o meu semblante; mas guardei o assunto no meu coração. Daniel 8 1NO ano terceiro do reinado do rei Belsazar apareceu-me uma visão, a mim, Daniel, depois daquela que me apareceu no princípio. 2E vi na visão; e sucedeu que, quando vi, eu estava na cidadela de Susã, na província de Elão; vi, pois, na visão, que eu estava junto ao rio Ulai. 3E levantei os meus olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha dois chifres; e os dois chifres eram altos, mas um era mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último. 4Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir; nem havia quem pudesse livrar-se da sua mão; e ele fazia conforme a sua vontade, e se engrandecia. 5E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha um chifre insigne entre os olhos. 6E dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, ao qual eu tinha visto em pé diante do rio, e correu contra ele no ímpeto da sua força. 7E vi-o chegar perto do carneiro, enfurecido contra ele, e ferindo-o quebrou-lhe os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir, e o bode o lançou por terra, e o pisou aos pés; não houve quem pudesse livrar o carneiro da sua mão. 8E o bode se engrandeceu sobremaneira; mas, estando na sua maior força, aquele grande chifre foi quebrado; e no seu lugar subiram outros quatro também insignes, para os quatro ventos do céu. 9E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa. 10E se engrandeceu até contra o exército do céu; e a alguns do exército, e das estrelas, lançou por terra, e os pisou. 11E se engrandeceu até contra o príncipe do exército; e por ele foi tirado o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário foi lançado por terra. 12E um exército foi dado contra o sacrifício contínuo, por causa da transgressão; e lançou a verdade por terra, e o fez, e prosperou. 13Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, e da transgressão assoladora, para que sejam entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados? 14E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado. 15E aconteceu que, havendo eu, Daniel, tido a visão, procurei o significado, e eis que se apresentou diante de mim como que uma semelhança de homem. 16E ouvi uma voz de homem entre as margens do Ulai, a qual gritou, e disse: Gabriel, dá a entender a este a visão. 17E veio perto de onde eu estava; e, vindo ele, me amedrontei, e caí sobre o meu rosto; mas ele me disse: Entende, filho do homem, porque esta visão acontecerá no fim do tempo. 18E, estando ele falando comigo, caí adormecido com o rosto em terra; ele, porém, me tocou, e me fez estar em pé. 19E disse: Eis que te farei saber o que há de acontecer no último tempo da ira; pois isso pertence ao tempo determinado do fim. 20Aquele carneiro que viste com dois chifres são os reis da Média e da Pérsia, 21Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e o grande chifre que tinha entre os olhos é o primeiro rei; 22O ter sido quebrado, levantando-se quatro em lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, mas não com a força dele. 23Mas, no fim do seu reinado, quando acabarem os prevaricadores, se levantará um rei, feroz de semblante, e será entendido em adivinhações. 24E se fortalecerá o seu poder, mas não pela sua própria força; e destruirá maravilhosamente, e prosperará, e fará o que lhe aprouver; e destruirá os poderosos e o povo santo. 25E pelo seu entendimento também fará prosperar o engano na sua mão; e no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem em segurança; e se levantará contra o Príncipe dos príncipes, mas sem mão será quebrado. 26E a visão da tarde e da manhã que foi falada, é verdadeira. Tu, porém, cerra a visão, porque se refere a dias muito distantes. 27E eu, Daniel, enfraqueci, e estive enfermo alguns dias; então levantei-me e tratei do negócio do rei. E espantei-me acerca da visão, e não havia quem a entendesse. Daniel 9 1NO ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus, 2No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos. 3E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinza. 4E orei ao SENHOR meu Deus, e confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos; 5Pecamos, e cometemos iniqüidades, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos; 6E não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, como também a todo o povo da terra. 7A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós a confusão de rosto, como hoje se vê; aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, e a todo o Israel, aos de perto e aos de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa das suas rebeliões que cometeram contra ti. 8Ó Senhor, a nós pertence a confusão de rosto, aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, porque pecamos contra ti. 9Ao Senhor, nosso Deus, pertencem a misericórdia, e o perdão; pois nos rebelamos contra ele, 10E não obedecemos à voz do SENHOR, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu por intermédio de seus servos, os profetas. 11Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, desviando-se para não obedecer à tua voz; por isso a maldição e o juramento, que estão escritos na lei de Moisés, servo de Deus, se derramaram sobre nós; porque pecamos contra ele. 12E ele confirmou a sua palavra, que falou contra nós, e contra os nossos juízes que nos julgavam, trazendo sobre nós um grande mal; porquanto debaixo de todo o céu nunca se fez como se tem feito em Jerusalém. 13Como está escrito na lei de Moisés, todo este mal nos sobreveio; apesar disso, não suplicamos à face do SENHOR nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniqüidades, e para nos aplicarmos à tua verdade. 14Por isso o SENHOR vigiou sobre o mal, e o trouxe sobre nós; porque justo é o SENHOR, nosso Deus, em todas as suas obras, que fez, pois não obedecemos à sua voz. 15Agora, pois, ó Senhor, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão poderosa, e ganhaste para ti nome, como hoje se vê; temos pecado, temos procedido impiamente. 16Ó Senhor, segundo todas as tuas justiças, aparte-se a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalém, do teu santo monte; porque por causa dos nossos pecados, e por causa das iniqüidades de nossos pais, tornou-se Jerusalém e o teu povo um opróbrio para todos os que estão em redor de nós. 17Agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo, e as suas súplicas, e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o teu rosto, por amor do Senhor. 18 Inclina, ó Deus meu, os teus ouvidos, e ouve; abre os teus olhos, e olha para a nossa desolação, e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias. 19Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age sem tardar; por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome. 20Estando eu ainda falando e orando, e confessando o meu pecado, e o pecado do meu povo Israel, e lançando a minha súplica perante a face do SENHOR, meu Deus, pelo monte santo do meu Deus, 21Estando eu, digo, ainda falando na oração, o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio, voando rapidamente, e tocou-me, à hora do sacrifício da tarde. 22Ele me instruiu, e falou comigo, dizendo: Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido. 23No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a palavra, e entende a visão. 24Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. 25Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. 26E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. 27E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador. Daniel 10 1NO terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, foi revelada uma palavra a Daniel, cujo nome era Beltessazar; a palavra era verdadeira e envolvia grande conflito; e ele entendeu esta palavra, e tinha entendimento da visão. 2Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas. 3Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas. 4E no dia vinte e quatro do primeiro mês eu estava à borda do grande rio Hidequel; 5E levantei os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho, e os seus lombos cingidos com ouro fino de Ufaz; 6E o seu corpo era como berilo, e o seu rosto parecia um relâmpago, e os seus olhos como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés brilhavam como bronze polido; e a voz das suas palavras era como a voz de uma multidão. 7E só eu, Daniel, tive aquela visão. Os homens que estavam comigo não a viram; contudo caiu sobre eles um grande temor, e fugiram, escondendo-se. 8Fiquei, pois, eu só, a contemplar esta grande visão, e não ficou força em mim; transmudou-se o meu semblante em corrupção, e não tive força alguma. 9Contudo ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo o som das suas palavras, eu caí sobre o meu rosto num profundo sono, com o meu rosto em terra. 10E eis que certa mão me tocou, e fez com que me movesse sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos. 11E me disse: Daniel, homem muito amado, entende as palavras que vou te dizer, e levanta-te sobre os teus pés, porque a ti sou enviado. E, falando ele comigo esta palavra, levantei-me tremendo. 12Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. 13Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia. 14Agora vim, para fazer-te entender o que há de acontecer ao teu povo nos derradeiros dias; porque a visão é ainda para muitos dias. 15E, falando ele comigo estas palavras, abaixei o meu rosto para a terra, e emudeci. 16E eis que alguém, semelhante aos filhos dos homens, tocou-me os lábios; então abri a minha boca, e falei, dizendo àquele que estava em pé diante de mim: senhor meu, por causa da visão sobrevieram-me dores, e não me ficou força alguma. 17Como, pois, pode o servo do meu senhor falar com o meu senhor? Porque, quanto a mim, desde agora não resta força em mim, e nem fôlego ficou em mim. 18E aquele, que tinha aparência de um homem, tocou-me outra vez, e fortaleceume. 19E disse: Não temas, homem muito amado, paz seja contigo; anima-te, sim, anima-te. E, falando ele comigo, fiquei fortalecido, e disse: Fala, meu senhor, porque me fortaleceste. 20E ele disse: Sabes por que eu vim a ti? Agora, pois, tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia. 21Mas eu te declararei o que está registrado na escritura da verdade; e ninguém há que me anime contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe. Daniel 11 1EU, pois, no primeiro ano de Dario, o medo, levantei-me para animá-lo e fortalecê-lo. 2E agora te declararei a verdade: Eis que ainda três reis estarão na Pérsia, e o quarto acumulará grandes riquezas, mais do que todos; e, tornando-se forte, por suas riquezas, suscitará a todos contra o reino da Grécia. 3Depois se levantará um rei valente, que reinará com grande domínio, e fará o que lhe aprouver. 4Mas, estando ele em pé, o seu reino será quebrado, e será repartido para os quatro ventos do céu; mas não para a sua posteridade, nem tampouco segundo o seu domínio com que reinou, porque o seu reino será arrancado, e passará a outros que não eles. 5E será forte o rei do sul; mas um dos seus príncipes será mais forte do que ele, e reinará poderosamente; seu domínio será grande. 6Mas, ao fim de alguns anos, eles se aliarão; e a filha do rei do sul virá ao rei do norte para fazer um tratado; mas ela não reterá a força do seu braço; nem ele persistirá, nem o seu braço, porque ela será entregue, e os que a tiverem trazido, e seu pai, e o que a fortalecia naqueles tempos. 7Mas de um renovo das raízes dela um se levantará em seu lugar, e virá com o exército, e entrará na fortaleza do rei do norte, e operará contra eles, e prevalecerá. 8Também os seus deuses com as suas imagens de fundição, com os seus objetos preciosos de prata e ouro, levará cativos para o Egito; e por alguns anos ele persistirá contra o rei do norte. 9E entrará no reino o rei do sul, e tornará para a sua terra. 10Mas seus filhos intervirão e reunirão uma multidão de grandes forças; e virá apressadamente e inundará, e passará adiante; e, voltando levará a guerra até a sua fortaleza. 11Então o rei do sul se exasperará, e sairá, e pelejará contra ele, contra o rei do norte; este porá em campo grande multidão, e aquela multidão será entregue na sua mão. 12A multidão será tirada e o seu coração se elevará; mas ainda que derrubará muitos milhares, contudo não prevalecerá. 13Porque o rei do norte tornará, e porá em campo uma multidão maior do que a primeira, e ao fim dos tempos, isto é, de anos, virá à pressa com grande exército e com muitas riquezas. 14E, naqueles tempos, muitos se levantarão contra o rei do sul; e os violentos dentre o teu povo se levantarão para cumprir a visão, mas eles cairão. 15E o rei do norte virá, e levantará baluartes, e tomará a cidade forte; e os braços do sul não poderão resistir, nem o seu povo escolhido, pois não haverá força para resistir. 16O que, pois, há de vir contra ele fará segundo a sua vontade, e ninguém poderá resistir diante dele; e estará na terra gloriosa, e por sua mão haverá destruição. 17E dirigirá o seu rosto, para vir com a potência de todo o seu reino, e com ele os retos, assim ele fará; e lhe dará uma filha das mulheres, para corrompê-la; ela, porém, não subsistirá, nem será para ele. 18Depois virará o seu rosto para as ilhas, e tomará muitas; mas um príncipe fará cessar o seu opróbrio contra ele, e ainda fará recair sobre ele o seu opróbrio. 19Virará então o seu rosto para as fortalezas da sua própria terra, mas tropeçará, e cairá, e não será achado. 20E em seu lugar se levantará quem fará passar um arrecadador pela glória do reino; mas em poucos dias será quebrantado, e isto sem ira e sem batalha. 21Depois se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a dignidade real; mas ele virá caladamente, e tomará o reino com engano. 22E com os braços de uma inundação serão varridos de diante dele; e serão quebrantados, como também o príncipe da aliança. 23E, depois do concerto com ele, usará de engano; e subirá, e se tornará forte com pouca gente. 24Virá também caladamente aos lugares mais férteis da província, e fará o que nunca fizeram seus pais, nem os pais de seus pais; repartirá entre eles a presa e os despojos, e os bens, e formará os seus projetos contra as fortalezas, mas por certo tempo. 25E suscitará a sua força e a sua coragem contra o rei do sul com um grande exército; e o rei do sul se envolverá na guerra com um grande e mui poderoso exército; mas não subsistirá, porque maquinarão projetos contra ele. 26E os que comerem os seus alimentos o destruirão; e o exército dele será arrasado, e cairão muitos mortos. 27Também estes dois reis terão o coração atento para fazerem o mal, e a uma mesma mesa falarão a mentira; mas isso não prosperará, porque ainda verá o fim no tempo determinado. 28Então tornará para a sua terra com muitos bens, e o seu coração será contra a santa aliança; e fará o que lhe aprouver, e tornará para a sua terra. 29No tempo determinado tornará a vir em direção do sul; mas não será na última vez como foi na primeira. 30Porque virão contra ele navios de Quitim, que lhe causarão tristeza; e voltará, e se indignará contra a santa aliança, e fará o que lhe aprouver; voltará e atenderá aos que tiverem abandonado a santa aliança. 31E braços serão colocados sobre ele, que profanarão o santuário e a fortaleza, e tirarão o sacrifício contínuo, estabelecendo abominação desoladora. 32E aos violadores da aliança ele com lisonjas perverterá, mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas. 33E os entendidos entre o povo ensinarão a muitos; todavia cairão pela espada, e pelo fogo, e pelo cativeiro, e pelo roubo, por muitos dias. 34E, caindo eles, serão ajudados com pequeno socorro; mas muitos se ajuntarão a eles com lisonjas. 35E alguns dos entendidos cairão, para serem provados, purificados, e embranquecidos, até ao fim do tempo, porque será ainda para o tempo determinado. 36E este rei fará conforme a sua vontade, e levantar-se-á, e engrandecer-se-á sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas espantosas, e será próspero, até que a ira se complete; porque aquilo que está determinado será feito. 37E não terá respeito ao Deus de seus pais, nem terá respeito ao amor das mulheres, nem a deus algum, porque sobre tudo se engrandecerá. 38Mas em seu lugar honrará a um deus das forças; e a um deus a quem seus pais não conheceram honrará com ouro, e com prata, e com pedras preciosas, e com coisas agradáveis. 39Com o auxílio de um deus estranho agirá contra as poderosas fortalezas; aos que o reconhecerem multiplicará a honra, e os fará reinar sobre muitos, e repartirá a terra por preço. 40E, no fim do tempo, o rei do sul lutará com ele, e o rei do norte se levantará contra ele com carros, e com cavaleiros, e com muitos navios; e entrará nas suas terras e as inundará, e passará. 41E entrará na terra gloriosa, e muitos países cairão, mas da sua mão escaparão estes: Edom e Moabe, e os chefes dos filhos de Amom. 42E estenderá a sua mão contra os países, e a terra do Egito não escapará. 43E apoderar-se-á dos tesouros de ouro e de prata e de todas as coisas preciosas do Egito; e os líbios e os etíopes o seguirão. 44Mas os rumores do oriente e do norte o espantarão; e sairá com grande furor, para destruir e extirpar a muitos. 45E armará as tendas do seu palácio entre o mar grande e o monte santo e glorioso; mas chegará ao seu fim, e não haverá quem o socorra. Daniel 12 1E NAQUELE tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro. 2E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. 3Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça, como as estrelas sempre e eternamente. 4E tu, Daniel, encerra estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicará. 5Então eu, Daniel, olhei, e eis que estavam em pé outros dois, um deste lado, à beira do rio, e o outro do outro lado, à beira do rio. 6E ele disse ao homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio: Quando será o fim destas maravilhas? 7E ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, o qual levantou ao céu a sua mão direita e a sua mão esquerda, e jurou por aquele que vive eternamente que isso seria para um tempo, tempos e metade do tempo, e quando tiverem acabado de espalhar o poder do povo santo, todas estas coisas serão cumpridas. 8Eu, pois, ouvi, mas não entendi; por isso eu disse: Senhor meu, qual será o fim destas coisas? 9E ele disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim. 10Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; mas os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão. 11E desde o tempo em que o sacrifício contínuo for tirado, e posta a abominação desoladora, haverá mil duzentos e noventa dias. 12Bem-aventurado o que espera e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias. 13Tu, porém, vai até ao fim; porque descansarás, e te levantarás na tua herança, no fim dos dias. Oséias 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Oséias 1 1PALAVRA do SENHOR, que foi dirigida a Oséias, filho de Beeri, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel. 2O princípio da palavra do SENHOR por meio de Oséias. Disse, pois, o SENHOR a Oséias: Vai, toma uma mulher de prostituições, e filhos de prostituição; porque a terra certamente se prostitui, desviando-se do SENHOR. 3Foi, pois, e tomou a Gômer, filha de Diblaim, e ela concebeu, e lhe deu um filho. 4E disse-lhe o SENHOR: Põe-lhe o nome de Jizreel; porque daqui a pouco visitarei o sangue de Jizreel sobre a casa de Jeú, e farei cessar o reino da casa de Israel. 5E naquele dia quebrarei o arco de Israel no vale de Jizreel. 6E tornou ela a conceber, e deu à luz uma filha. E Deus disse: Põe-lhe o nome de Lo-Ruama; porque eu não tornarei mais a compadecer-me da casa de Israel, mas tudo lhe tirarei. 7Mas da casa de Judá me compadecerei, e os salvarei pelo SENHOR seu Deus, pois não os salvarei pelo arco, nem pela espada, nem pela guerra, nem pelos cavalos, nem pelos cavaleiros. 8E, depois de haver desmamado a Lo-Ruama, concebeu e deu à luz um filho. 9E Deus disse: Põe-lhe o nome de Lo-Ami; porque vós não sois meu povo, nem eu serei vosso Deus. 10Todavia o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que não pode medir-se nem contar-se; e acontecerá que no lugar onde se lhes dizia: Vós não sois meu povo, se lhes dirá: Vós sois filhos do Deus vivo. 11E os filhos de Judá e os filhos de Israel juntos se congregarão, e constituirão sobre si uma só cabeça, e subirão da terra; porque grande será o dia de Jizreel. Oséias 2 1DIZEI a vossos irmãos: Ami; e a vossas irmãs: Ruama. 2Contendei com vossa mãe, contendei, porque ela não é minha mulher, e eu não sou seu marido; e desvie ela as suas prostituições da sua vista e os seus adultérios de entre os seus seios. 3Para que eu não a despoje, ficando ela nua, e a ponha como no dia em que nasceu, e a faça como um deserto, e a torne como uma terra seca, e a mate à sede; 4E não me compadeça de seus filhos, porque são filhos de prostituições. 5Porque sua mãe se prostituiu; aquela que os concebeu houve-se torpemente, porque diz: Irei atrás de meus amantes, que me dão o meu pão e a minha água, a minha lã e o meu linho, o meu óleo e as minhas bebidas. 6Portanto, eis que cercarei o teu caminho com espinhos; e levantarei um muro de sebe, para que ela não ache as suas veredas. 7Ela irá atrás de seus amantes, mas não os alcançará; e buscá-los-á, mas não os achará; então dirá: Ir-me-ei, e tornar-me-ei a meu primeiro marido, porque melhor me ia então do que agora. 8Ela, pois, não reconhece que eu lhe dei o grão, e o mosto, e o azeite, e que lhe multipliquei a prata e o ouro, que eles usaram para Baal. 9Portanto tornarei a tirar o meu grão a seu tempo e o meu mosto no seu tempo determinado; e arrebatarei a minha lã e o meu linho, com que cobriam a sua nudez. 10E agora descobrirei a sua vileza diante dos olhos dos seus amantes, e ninguém a livrará da minha mão. 11E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas festividades. 12E devastarei a sua vide e a sua figueira, de que ela diz: É esta a minha paga que me deram os meus amantes; eu, pois, farei delas um bosque, e as feras do campo as devorarão. 13Castigá-la-ei pelos dias dos baalins, nos quais lhes queimou incenso, e se adornou dos seus pendentes e das suas jóias, e andou atrás de seus amantes, mas de mim se esqueceu, diz o SENHOR. 14Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração. 15E lhe darei as suas vinhas dali, e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias de sua mocidade, e como no dia em que subiu da terra do Egito. 16E naquele dia, diz o SENHOR, tu me chamarás: Meu marido; e não mais me chamarás: Meu senhor. 17E da sua boca tirarei os nomes dos baalins, e não mais se lembrará desses nomes. 18E naquele dia farei por eles aliança com as feras do campo, e com as aves do céu, e com os répteis da terra; e da terra quebrarei o arco, e a espada, e a guerra, e os farei deitar em segurança. 19E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. 20E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao SENHOR. 21E acontecerá naquele dia que eu atenderei, diz o SENHOR; eu atenderei aos céus, e estes atenderão à terra. 22E a terra atenderá ao trigo, e ao mosto, e ao azeite, e estes atenderão a Jizreel. 23E semeá-la-ei para mim na terra, e compadecer-me-ei dela que não obteve misericórdia; e eu direi àquele que não era meu povo: Tu és meu povo; e ele dirá: Tu és meu Deus! Oséias 3 1E O SENHOR me disse: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo, contudo adúltera, como o SENHOR ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses, e amem os bolos de uvas. 2E comprei-a para mim por quinze peças de prata, e um ômer, e meio ômer de cevada; 3E ele lhe disse: Tu ficarás comigo muitos dias; não te prostituirás, nem serás de outro homem; assim também eu esperarei por ti. 4Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, e sem príncipe, e sem sacrifício, e sem estátua, e sem éfode ou terafim. 5Depois tornarão os filhos de Israel, e buscarão ao SENHOR seu Deus, e a Davi, seu rei; e temerão ao SENHOR, e à sua bondade, no fim dos dias. Oséias 4 1OUVI a palavra do SENHOR, vós filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra; porque na terra não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus. 2Só permanecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; fazem violência, um ato sanguinário segue imediatamente a outro. 3Por isso a terra se lamentará, e qualquer que morar nela desfalecerá, com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar serão tirados. 4Todavia ninguém contenda, ninguém repreenda, porque o teu povo é como os que contendem com o sacerdote. 5Por isso tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe. 6O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. 7Como eles se multiplicaram, assim pecaram contra mim; eu mudarei a sua honra em vergonha. 8Comem da oferta pelo pecado do meu povo, e pela transgressão dele têm desejo ardente. 9Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e castigá-lo-ei segundo os seus caminhos, e dar-lhe-ei a recompensa das suas obras. 10Comerão, mas não se fartarão; entregar-se-ão à luxúria, mas não se multiplicarão; porque deixaram de atentar ao SENHOR. 11A luxúria, e o vinho, e o mosto tiram o coração. 12O meu povo consulta a sua madeira, e a sua vara lhe responde, porque o espírito da luxúria os engana, e prostituem-se, apartando-se da sujeição do seu Deus. 13Sacrificam sobre os cumes dos montes, e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, e do álamo, e do olmeiro, porque é boa a sua sombra; por isso vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram. 14Eu não castigarei vossas filhas, quando se prostituem, nem vossas noras, quando adulteram; porque eles mesmos com as prostitutas se desviam, e com as meretrizes sacrificam; pois o povo que não tem entendimento será transtornado. 15Ainda que tu, ó Israel, queiras prostituir-te, contudo não se faça culpado Judá; não venhais a Gilgal, e não subais a Bete-Áven, e não jureis, dizendo: Vive o SENHOR. 16Porque como uma novilha obstinada se rebelou Israel; agora o SENHOR os apascentará como a um cordeiro num lugar espaçoso. 17Efraim está entregue aos ídolos; deixa-o. 18A sua bebida se foi; lançaram-se à luxúria continuamente; certamente os seus governadores amam a vergonha. 19Um vento os envolveu nas suas asas, e envergonhar-se-ão por causa dos seus sacrifícios. Oséias 5 1OUVI isto, ó sacerdotes, e escutai, ó casa de Israel, e dai ouvidos, ó casa do rei, porque contra vós se dirige este juízo, visto que fostes um laço para Mizpá, e rede estendida sobre o Tabor. 2Os revoltos se aprofundaram na matança; mas eu castigarei a todos eles. 3Eu conheço a Efraim, e Israel não se esconde de mim; porque agora te tens prostituído, ó Efraim, e Israel se contaminou. 4Não querem ordenar as suas ações a fim de voltarem para o seu Deus, porque o espírito das prostituições está no meio deles, e não conhecem ao SENHOR. 5A soberba de Israel testificará no seu rosto; e Israel e Efraim cairão pela sua injustiça, e Judá cairá juntamente com eles. 6Então irão com os seus rebanhos, e com o seu gado, para buscarem ao SENHOR, mas não o acharão; ele se retirou deles. 7Aleivosamente se houveram contra o SENHOR, porque geraram filhos estranhos; agora em um só mês os consumirá com as suas porções. 8Tocai a buzina em Gibeá, a trombeta em Ramá; gritai altamente em Bete-Áven; depois de ti, ó Benjamim. 9Efraim será para assolação no dia do castigo; entre as tribos de Israel manifestei o que está certo. 10Os príncipes de Judá são como os que mudam os limites; derramarei, pois, o meu furor sobre eles como água. 11Efraim está oprimido e quebrantado no juízo, porque quis andar após o mandamento dos homens. 12Portanto a Efraim serei como a traça, e para a casa de Judá como a podridão. 13Quando Efraim viu a sua enfermidade, e Judá a sua chaga, subiu Efraim à Assíria e enviou ao rei Jarebe; mas ele não poderá sarar-vos, nem curar a vossa chaga. 14Porque para Efraim serei como um leão, e como um leãozinho à casa de Judá: eu, eu o despedaçarei, e ir-me-ei embora; arrebatarei, e não haverá quem livre. 15 Irei e voltarei ao meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles angustiados, de madrugada me buscarão. Oséias 6 1VINDE, e tornemos ao SENHOR, porque ele despedaçou, e nos sarará; feriu, e nos atará a ferida. 2Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dele. 3Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra. 4Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque a vossa benignidade é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa. 5Por isso os abati pelos profetas; pelas palavras da minha boca os matei; e os teus juízos sairão como a luz, 6Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos. 7Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim. 8Gileade é a cidade dos que praticam iniqüidade, manchada de sangue. 9Como as hordas de salteadores que esperam alguns, assim é a companhia dos sacerdotes que matam no caminho num mesmo consenso; sim, eles cometem abominações. 10Vejo uma coisa horrenda na casa de Israel, ali está a prostituição de Efraim; Israel está contaminado. 11Também para ti, ó Judá, está assinada uma sega, quando eu trouxer o cativeiro do meu povo. Oséias 7 1SARANDO eu a Israel, se descobriu a iniqüidade de Efraim, como também as maldades de Samaria, porque praticaram a falsidade; e o ladrão entra, e a horda dos salteadores despoja por fora. 2E não dizem no seu coração que eu me lembro de toda a sua maldade; agora, pois, os cercam as suas obras; diante da minha face estão. 3Com a sua malícia alegram ao rei, e com as suas mentiras aos príncipes. 4Todos eles são adúlteros; são semelhantes ao forno aceso pelo padeiro, que cessa de mexer nas brasas, depois que amassou a massa, até que seja levedada. 5E no dia do nosso rei os príncipes se tornaram doentes com frascos de vinho; ele estendeu a sua mão com os escarnecedores. 6Porque, prepararam o coração como um forno, na sua emboscada; toda a noite dorme o seu padeiro, pela manhã arde como fogo de chama. 7Todos eles estão quentes como um forno, e consomem os seus juízes; todos os seus reis caem, ninguém entre eles há que me invoque. 8Efraim se mistura com os povos; Efraim é um bolo que não foi virado. 9Estrangeiros lhe comeram a força, e ele não o sabe; também as cãs se espalharam sobre ele, e não o sabe. 10E a soberba de Israel testificará diante dele; todavia não voltarão para o SENHOR seu Deus, nem o buscarão em tudo isto. 11Porque Efraim é como uma pomba ingênua, sem entendimento; invocam o Egito, vão para a Assíria. 12Quando forem, sobre eles estenderei a minha rede, e como aves do céu os farei descer; castigá-los-ei, conforme o que eles têm ouvido na sua congregação. 13Ai deles, porque fugiram de mim; destruição sobre eles, porque se rebelaram contra mim; eu os remi, mas disseram mentiras contra mim. 14E não clamaram a mim com seu coração, mas davam uivos nas suas camas; para o trigo e para o vinho se ajuntam, mas contra mim se rebelam. 15Eu os corrigi, e lhes esforcei os braços, mas pensam mal contra mim. 16Eles voltaram, mas não para o Altíssimo. Fizeram-se como um arco enganador; caem à espada os seus príncipes, por causa do furor da sua língua; este será o seu escárnio na terra do Egito. Oséias 8 1PÕE a trombeta à tua boca. Ele virá como a águia contra a casa do SENHOR, porque transgrediram a minha aliança, e se rebelaram contra a minha lei. 2E a mim clamarão: Deus meu! Nós, Israel, te conhecemos. 3 Israel rejeitou o bem; o inimigo persegui-lo-á. 4Eles fizeram reis, mas não por mim; constituíram príncipes, mas eu não o soube; da sua prata e do seu ouro fizeram ídolos para si, para serem destruídos. 5O teu bezerro, ó Samaria, te rejeitou; a minha ira se acendeu contra eles; até quando serão eles incapazes da inocência? 6Porque isso vem de Israel, um artífice o fez, e não é Deus; mas em pedaços será desfeito o bezerro de Samaria. 7Porque semearam vento, e segarão tormenta, não haverá seara, a erva não dará farinha; se a der, tragá-la-ão os estrangeiros. 8 Israel foi devorado; agora está entre os gentios como um vaso em que ninguém tem prazer. 9Porque subiram à Assíria, como um jumento montês, por si só; Efraim mercou amores. 10Todavia, ainda que eles merquem entre as nações, eu os congregarei; e serão um pouco afligidos por causa da carga do rei dos príncipes. 11Porquanto Efraim multiplicou os altares para pecar; teve altares para pecar. 12Escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha. 13Quanto aos sacrifícios das minhas ofertas, sacrificam carne, e a comem, mas o SENHOR não as aceita; agora se lembrará da sua iniqüidade, e punirá os seus pecados; eles voltarão para o Egito. 14Porque Israel se esqueceu do seu Criador, e edificou templos, e Judá multiplicou cidades fortificadas. Mas eu enviarei um fogo contra as suas cidades, que consumirá os seus palácios. Oséias 9 1NÃO te alegres, ó Israel, não exultes, como os povos; porque ao prostituir-te abandonaste o teu Deus; amaste a paga de meretriz sobre todas as eiras de trigo. 2A eira e o lagar não os manterão; e o mosto lhes faltará. 3Na terra do SENHOR não permanecerão; mas Efraim tornará ao Egito, e na Assíria comerão comida imunda. 4Não derramarão libações de vinho ao SENHOR, nem lhe agradarão as suas ofertas. Os seus sacrifícios lhes serão como pão de pranteadores; todos os que dele comerem serão imundos, porque o seu pão será somente para si mesmos; não entrará na casa do SENHOR. 5Que fareis vós no dia da solenidade, e no dia da festa do SENHOR? 6Porque, eis que eles se foram por causa da destruição, mas o Egito os recolherá, Mênfis os sepultará; o desejável da sua prata as urtigas o possuirão por herança, espinhos crescerão nas suas tendas. 7Chegarão os dias da punição, chegarão os dias da retribuição; Israel o saberá; o profeta é um insensato, o homem de espírito é um louco; por causa da abundância da tua iniqüidade também haverá grande ódio. 8Efraim era o vigia com o meu Deus, mas o profeta é como um laço de caçador de aves em todos os seus caminhos, e ódio na casa do seu Deus. 9Muito profundamente se corromperam, como nos dias de Gibeá; ele lembrar-seá das suas injustiças, visitará os pecados deles. 10Achei a Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como a fruta temporã da figueira no seu princípio; mas eles foram para Baal-Peor, e se consagraram a essa vergonha, e se tornaram abomináveis como aquilo que amaram. 11Quanto a Efraim, a sua glória como ave voará, não haverá nascimento, não haverá gestação nem concepção. 12Ainda que venham a criar seus filhos, contudo os privarei deles para que não fique nenhum homem. Ai deles, quando deles eu me apartar! 13Efraim, assim como vi a Tiro, está plantado num lugar aprazível; mas Efraim levará os seus filhos ao matador. 14Dá-lhes, ó SENHOR; mas que lhes darás? Dá-lhes uma madre que aborte e seios secos. 15Toda a sua malícia se acha em Gilgal, porque ali os odiei; por causa da maldade das suas obras lançá-los-ei para fora de minha casa. Não os amarei mais; todos os seus príncipes são rebeldes. 16Efraim foi ferido, secou-se a sua raiz; não darão fruto; sim, ainda que gerem, matarei os frutos desejáveis do seu ventre. 17O meu Deus os rejeitará, porque não o ouviram, e errantes andarão entre as nações. Oséias 10 1 ISRAEL é uma vide estéril que dá fruto para si mesmo; conforme a abundância do seu fruto, multiplicou também os altares; conforme a bondade da sua terra, assim fizeram boas as estátuas. 2O seu coração está dividido, por isso serão culpados; o Senhor demolirá os seus altares, e destruirá as suas estátuas. 3Certamente agora dirão: Não temos rei, porque não tememos ao SENHOR; e o rei, que faria por nós? 4Falaram palavras, jurando falsamente, fazendo uma aliança; por isso florescerá o juízo como erva peçonhenta nos sulcos dos campos. 5Os moradores de Samaria serão atemorizados pelo bezerro de Bete-Áven; porque o seu povo se lamentará por causa dele, como também os seus sacerdotes idólatras que nele se regozijavam, por causa da sua glória, que se apartou dela. 6Também será levada para a Assíria como um presente ao rei Jarebe; Efraim ficará confuso, e Israel se envergonhará por causa do seu próprio conselho. 7O rei de Samaria será desfeito como a espuma sobre a face da água. 8E os altos de Áven, pecado de Israel, serão destruídos; espinhos e cardos crescerão sobre os seus altares; e dirão aos montes: Cobri-nos! E aos outeiros: Caí sobre nós! 9Desde os dias de Gibeá pecaste, ó Israel; ali permaneceram; a peleja em Gibeá, contra os filhos da perversidade, não os alcançará. 10Eu os castigarei na medida do meu desejo; e congregar-se-ão contra eles os povos, quando eu os atar pela sua dupla transgressão. 11Porque Efraim é uma bezerra domada, que gosta de trilhar; e eu poupava a formosura do seu pescoço; mas farei cavalgar Efraim. Judá lavrará, Jacó lhe desfará os torrões. 12Semeai para vós em justiça, ceifai segundo a misericórdia; lavrai o campo de lavoura; porque é tempo de buscar ao SENHOR, até que venha e chova a justiça sobre vós. 13Lavrastes a impiedade, segastes a iniqüidade, e comestes o fruto da mentira; porque confiaste no teu caminho, na multidão dos teus poderosos. 14Portanto, entre o teu povo se levantará um grande tumulto, e todas as tuas fortalezas serão destruídas, como Salmã destruiu a Bete-Arbel no dia da guerra; a mãe ali foi despedaçada com os filhos. 15Assim vos fará Betel por causa da vossa grande malícia; de madrugada o rei de Israel será totalmente destruído. Oséias 11 1QUANDO Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho. 2Mas, como os chamavam, assim se iam da sua face; sacrificavam a baalins, e queimavam incenso às imagens de escultura. 3Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomando-os pelos seus braços, mas não entenderam que eu os curava. 4Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor, e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas, e lhes dei mantimento. 5Não voltará para a terra do Egito, mas a Assíria será seu rei; porque recusam converter-se. 6E cairá a espada sobre as suas cidades, e consumirá os seus ramos, e os devorará, por causa dos seus próprios conselhos. 7Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; ainda que chamam ao Altíssimo, nenhum deles o exalta. 8Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como Admá? Te poria como Zeboim? Está comovido em mim o meu coração, as minhas compaixões à uma se acendem. 9Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; eu não entrarei na cidade. 10Andarão após o SENHOR; ele rugirá como leão; rugindo, pois, ele, os filhos do ocidente tremerão. 11Tremendo virão como um passarinho, os do Egito, e como uma pomba, os da terra da Assíria, e os farei habitar em suas casas, diz o SENHOR. 12Efraim me cercou com mentira, e a casa de Israel com engano; mas Judá ainda domina com Deus, e com os santos está fiel. Oséias 12 1EFRAIM se apascenta de vento, e segue o vento leste; todo o dia multiplica a mentira e a destruição; e fazem aliança com a Assíria, e o azeite se leva ao Egito. 2O SENHOR também com Judá tem contenda, e castigará Jacó segundo os seus caminhos; segundo as suas obras o recompensará. 3No ventre pegou do calcanhar de seu irmão, e na sua força lutou com Deus. 4Lutou com o anjo, e prevaleceu; chorou, e lhe suplicou; em Betel o achou, e ali falou conosco, 5Sim, o SENHOR, o Deus dos Exércitos; o SENHOR é o seu memorial. 6Tu, pois, converte-te a teu Deus; guarda a benevolência e o juízo, e em teu Deus espera sempre. 7É um mercador; tem nas mãos uma balança enganosa; ama a opressão. 8E diz Efraim: Contudo me tenho enriquecido, e tenho adquirido para mim grandes bens; em todo o meu trabalho não acharão em mim iniqüidade alguma que seja pecado. 9Mas eu sou o SENHOR teu Deus desde a terra do Egito; eu ainda te farei habitar em tendas, como nos dias da festa solene. 10Falei aos profetas, e multipliquei a visão; e pelo ministério dos profetas propus símiles. 11Não é Gileade iniqüidade? Pura vaidade são eles; em Gilgal sacrificam bois; os seus altares são como montões de pedras nos sulcos dos campos. 12Jacó fugiu para o campo da Síria, e Israel serviu por uma mulher, e por uma mulher guardou o gado. 13Mas o SENHOR por meio de um profeta fez subir a Israel do Egito, e por um profeta foi ele guardado. 14Efraim mui amargosamente provocou a sua ira; portanto deixará ficar sobre ele o seu sangue, e o seu Senhor o recompensará pelo seu opróbrio. Oséias 13 1QUANDO Efraim falava, tremia-se; foi exaltado em Israel; mas ele se fez culpado em Baal, e morreu. 2E agora multiplicaram pecados, e da sua prata fizeram uma imagem de fundição, ídolos segundo o seu entendimento, todos obra de artífices, dos quais dizem: Os homens que sacrificam beijem os bezerros. 3Por isso serão como a nuvem da manhã, e como o orvalho da madrugada, que cedo passa; como folhelho que a tempestade lança da eira, e como a fumaça da chaminé. 4Todavia, eu sou o SENHOR teu Deus desde a terra do Egito; portanto não reconhecerás outro deus além de mim, porque não há Salvador senão eu. 5Eu te conheci no deserto, na terra muito seca. 6Depois eles se fartaram em proporção do seu pasto; estando fartos, ensoberbeceu-se o seu coração, por isso se esqueceram de mim. 7Serei, pois, para eles como leão; como leopardo espiarei no caminho. 8Como ursa roubada dos seus filhos, os encontrarei, e lhes romperei as teias do seu coração, e como leão ali os devorarei; as feras do campo os despedaçarão. 9Para a tua perda, ó Israel, te rebelaste contra mim, a saber, contra o teu ajudador. 10Onde está agora o teu rei, para que te guarde em todas as tuas cidades, e os teus juízes, dos quais disseste: Dá-me rei e príncipes? 11Dei-te um rei na minha ira, e tirei-o no meu furor. 12A iniqüidade de Efraim está atada, o seu pecado está armazenado. 13Dores de mulher de parto lhe sobrevirão; ele é um filho insensato; porque é tempo e não está no lugar em que deve vir à luz. 14Eu os remirei da mão do inferno, e os resgatarei da morte. Onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua perdição? O arrependimento está escondido de meus olhos. 15Ainda que ele dê fruto entre os irmãos, virá o vento leste, vento do SENHOR, subindo do deserto, e secar-se-á a sua nascente, e secar-se-á a sua fonte; ele saqueará o tesouro de todos os vasos desejáveis. 16Samaria virá a ser deserta, porque se rebelou contra o seu Deus; cairão à espada, seus filhos serão despedaçados, e as suas grávidas serão fendidas pelo meio. Oséias 14 1CONVERTE-TE, ó Israel, ao SENHOR teu Deus; porque pelos teus pecados tens caído. 2Tomai convosco palavras, e convertei-vos ao SENHOR; dizei-lhe: Tira toda a iniqüidade, e aceita o que é bom; e ofereceremos como novilhos os sacrifícios dos nossos lábios. 3Não nos salvará a Assíria, não iremos montados em cavalos, e à obra das nossas mãos já não diremos mais: Tu és o nosso deus; porque por ti o órfão alcança misericórdia. 4Eu sararei a sua infidelidade, eu voluntariamente os amarei; porque a minha ira se apartou deles. 5Eu serei para Israel como o orvalho. Ele florescerá como o lírio e lançará as suas raízes como o Líbano. 6Estender-se-ão os seus galhos, e a sua glória será como a da oliveira, e sua fragrância como a do Líbano. 7Voltarão os que habitam debaixo da sua sombra; serão vivificados como o trigo, e florescerão como a vide; a sua memória será como o vinho do Líbano. 8Efraim dirá: Que mais tenho eu com os ídolos? Eu o tenho ouvido, e cuidarei dele; eu sou como a faia verde; de mim é achado o teu fruto. 9Quem é sábio, para que entenda estas coisas? Quem é prudente, para que as saiba? Porque os caminhos do SENHOR são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão. Joel 1 2 3 Joel 1 1PALAVRA do SENHOR, que foi dirigida a Joel, filho de Petuel. 2Ouvi isto, vós anciãos, e escutai, todos os moradores da terra: Porventura isto aconteceu em vossos dias, ou nos dias de vossos pais? 3Fazei sobre isto uma narração a vossos filhos, e vossos filhos a seus filhos, e os filhos destes à outra geração. 4O que ficou da lagarta, o gafanhoto o comeu, e o que ficou do gafanhoto, a locusta o comeu, e o que ficou da locusta, o pulgão o comeu. 5Despertai-vos, bêbados, e chorai; gemei, todos os que bebeis vinho, por causa do mosto, porque tirado é da vossa boca. 6Porque subiu contra a minha terra uma nação poderosa e sem número; os seus dentes são dentes de leão, e têm queixadas de um leão velho. 7Fez da minha vide uma assolação, e tirou a casca da minha figueira; despiu-a toda, e a lançou por terra; os seus sarmentos se embranqueceram. 8Lamenta como a virgem que está cingida de saco, pelo marido da sua mocidade. 9Foi cortada a oferta de alimentos e a libação da casa do SENHOR; os sacerdotes, ministros do SENHOR, estão entristecidos. 10O campo está assolado, e a terra triste; porque o trigo está destruído, o mosto se secou, o azeite acabou. 11Envergonhai-vos, lavradores, gemei, vinhateiros, sobre o trigo e a cevada; porque a colheita do campo pereceu. 12A vide se secou, a figueira se murchou, a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens. 13Cingi-vos e lamentai-vos, sacerdotes; gemei, ministros do altar; entrai e passai a noite vestidos de saco, ministros do meu Deus; porque a oferta de alimentos, e a libação, foram cortadas da casa de vosso Deus. 14Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra, na casa do SENHOR vosso Deus, e clamai ao SENHOR. 15Ai do dia! Porque o dia do SENHOR está perto, e virá como uma assolação do Todo-Poderoso. 16Porventura o mantimento não está cortado de diante de nossos olhos, a alegria e o regozijo da casa de nosso Deus? 17As sementes apodreceram debaixo dos seus torrões, os celeiros foram assolados, os armazéns derrubados, porque se secou o trigo. 18Como geme o animal! As manadas de gados estão confusas, porque não têm pasto; também os rebanhos de ovelhas estão perecendo. 19A ti, ó SENHOR, clamo, porque o fogo consumiu os pastos do deserto, e a chama abrasou todas as árvores do campo. 20Também todos os animais do campo bramam a ti; porque as correntes de água se secaram, e o fogo consumiu os pastos do deserto. Joel 2 1TOCAI a trombeta em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; tremam todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, já está perto; 2Dia de trevas e de escuridão; dia de nuvens e densas trevas, como a alva espalhada sobre os montes; povo grande e poderoso, qual nunca houve desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração. 3Diante dele um fogo consome, e atrás dele uma chama abrasa; a terra diante dele é como o jardim do Éden, mas atrás dele um desolado deserto; sim, nada lhe escapará. 4A sua aparência é como a de cavalos; e como cavaleiros assim correm. 5Como o estrondo de carros, irão saltando sobre os cumes dos montes, como o ruído da chama de fogo que consome a pragana, como um povo poderoso, posto em ordem para o combate. 6Diante dele temerão os povos; todos os rostos se tornarão enegrecidos. 7Como valentes correrão, como homens de guerra subirão os muros; e marchará cada um no seu caminho e não se desviará da sua fileira. 8Ninguém apertará a seu irmão; marchará cada um pelo seu caminho; sobre a mesma espada se arremessarão, e não serão feridos. 9 Irão pela cidade, correrão pelos muros, subirão às casas, entrarão pelas janelas como o ladrão. 10Diante dele tremerá a terra, abalar-se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor. 11E o SENHOR levantará a sua voz diante do seu exército; porque muitíssimo grande é o seu arraial; porque poderoso é, executando a sua palavra; porque o dia do SENHOR é grande e mui terrível, e quem o poderá suportar? 12Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. 13E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal. 14Quem sabe se não se voltará e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, em oferta de alimentos e libação para o SENHOR vosso Deus? 15Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, convocai uma assembléia solene. 16Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai as crianças, e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva do seu aposento. 17Chorem os sacerdotes, ministros do SENHOR, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó SENHOR, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que os gentios o dominem; por que diriam entre os povos: Onde está o seu Deus? 18Então o SENHOR se mostrou zeloso da sua terra, e compadeceu-se do seu povo. 19E o SENHOR, respondendo, disse ao seu povo: Eis que vos envio o trigo, e o mosto, e o azeite, e deles sereis fartos, e vos não entregarei mais ao opróbrio entre os gentios. 20Mas removerei para longe de vós o exército do norte, e lançá-lo-ei em uma terra seca e deserta; a sua frente para o mar oriental, e a sua retaguarda para o mar ocidental; e subirá o seu mau cheiro, e subirá a sua podridão; porque fez grandes coisas. 21Não temas, ó terra: regozija-te e alegra-te, porque o SENHOR fez grandes coisas. 22Não temais, animais do campo, porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto, a vide e a figueira darão a sua força. 23E vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no SENHOR vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva temporã; fará descer a chuva no primeiro mês, a temporã e a serôdia. 24E as eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de mosto e de azeite. 25E restituir-vos-ei os anos que comeu o gafanhoto, a locusta, e o pulgão e a lagarta, o meu grande exército que enviei contra vós. 26E comereis abundantemente e vos fartareis, e louvareis o nome do SENHOR vosso Deus, que procedeu para convosco maravilhosamente; e o meu povo nunca mais será envergonhado. 27E vós sabereis que eu estou no meio de Israel, e que eu sou o SENHOR vosso Deus, e que não há outro; e o meu povo nunca mais será envergonhado. 28E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. 29E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. 30E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. 31O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR. 32E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar. Joel 3 1PORQUE, eis que naqueles dias, e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém, 2Congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre as nações e repartiram a minha terra. 3E lançaram sortes sobre o meu povo, e deram um menino por uma meretriz, e venderam uma menina por vinho, para beberem. 4E também que tendes vós comigo, Tiro e Sidom, e todas as regiões da Filístia? É tal o pago que vós me dais? Pois se me pagais assim, bem depressa vos farei tornar a vossa paga sobre a vossa cabeça. 5Visto como levastes a minha prata e o meu ouro, e as minhas coisas desejáveis e formosas pusestes nos vossos templos. 6E vendestes os filhos de Judá e os filhos de Jerusalém aos filhos dos gregos, para os apartar para longe dos seus termos. 7Eis que eu os suscitarei do lugar para onde os vendestes, e farei tornar a vossa paga sobre a vossa própria cabeça. 8E venderei vossos filhos e vossas filhas na mão dos filhos de Judá, que os venderão aos sabeus, a um povo distante, porque o SENHOR o disse. 9Proclamai isto entre os gentios; preparai a guerra, suscitai os fortes; cheguemse, subam todos os homens de guerra. 10Forjai espadas das vossas enxadas, e lanças das vossas foices; diga o fraco: Eu sou forte. 11Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó SENHOR, faze descer ali os teus fortes; 12Suscitem-se os gentios, e subam ao vale de Jeosafá; pois ali me assentarei para julgar todos os gentios em redor. 13Lançai a foice, porque já está madura a seara; vinde, descei, porque o lagar está cheio, e os vasos dos lagares transbordam, porque a sua malícia é grande. 14Multidões, multidões no vale da decisão; porque o dia do SENHOR está perto, no vale da decisão. 15O sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor. 16E o SENHOR bramará de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz; e os céus e a terra tremerão, mas o SENHOR será o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel. 17E vós sabereis que eu sou o SENHOR vosso Deus, que habito em Sião, o meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela. 18E há de ser que, naquele dia, os montes destilarão mosto, e os outeiros manarão leite, e todos os rios de Judá estarão cheios de águas; e sairá uma fonte, da casa do SENHOR, e regará o vale de Sitim. 19O Egito se fará uma desolação, e Edom se fará um deserto assolado, por causa da violência que fizeram aos filhos de Judá, em cuja terra derramaram sangue inocente. 20Mas Judá será habitada para sempre, e Jerusalém de geração em geração. 21E purificarei o sangue dos que eu não tinha purificado; porque o SENHOR habitará em Sião. Amós 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Amós 1 1AS palavras de Amós, que estava entre os pastores de Tecoa, as quais viu a respeito de Israel, nos dias de Uzias, rei de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel, dois anos antes do terremoto. 2Ele disse: O SENHOR bramará de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz; os prados dos pastores prantearão, e secar-se-á o cume do Carmelo. 3Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Damasco, e por quatro, não retirarei o castigo, porque trilharam a Gileade com trilhos de ferro. 4Por isso porei fogo à casa de Hazael, e ele consumirá os palácios de BenHadade. 5E quebrarei o ferrolho de Damasco, e exterminarei o morador do vale de Áven, e ao que tem o cetro de Bete-Éden; e o povo da Síria será levado em cativeiro a Quir, diz o SENHOR. 6Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Gaza, e por quatro, não retirarei o castigo, porque levaram em cativeiro todos os cativos para os entregarem a Edom. 7Por isso porei fogo ao muro de Gaza, e ele consumirá os seus palácios. 8E exterminarei o morador de Asdode, e o que tem o cetro de Ascalom, e tornarei a minha mão contra Ecrom; e o restante dos filisteus perecerá, diz o Senhor Deus. 9Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Tiro, e por quatro, não retirarei o castigo, porque entregaram todos os cativos a Edom, e não se lembraram da aliança dos irmãos. 10Por isso porei fogo ao muro de Tiro, e ele consumirá os seus palácios. 11Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Edom, e por quatro, não retirarei o castigo, porque perseguiu a seu irmão à espada, e aniquilou as suas misericórdias; e a sua ira despedaçou eternamente, e conservou a sua indignação para sempre. 12Por isso porei fogo a Temã, e ele consumirá os palácios de Bozra. 13Assim diz o SENHOR: Por três transgressões dos filhos de Amom, e por quatro, não retirarei o castigo, porque fenderam o ventre às grávidas de Gileade, para dilatarem os seus termos. 14Por isso porei fogo ao muro de Rabá, e ele consumirá os seus palácios, com alarido no dia da batalha, com tempestade no dia da tormenta. 15E o seu rei irá para o cativeiro, ele e os seus príncipes juntamente, diz o SENHOR. Amós 2 1ASSIM diz o SENHOR: Por três transgressões de Moabe, e por quatro, não retirarei o castigo, porque queimou os ossos do rei de Edom, até os tornar a cal. 2Por isso porei fogo a Moabe, e consumirá os palácios de Queriote; e Moabe morrerá com grande estrondo, com alarido, com som de trombeta. 3E exterminarei o juiz do meio dele, e a todos os seus príncipes com ele matarei, diz o SENHOR. 4Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Judá, e por quatro, não retirarei o castigo, porque rejeitaram a lei do SENHOR, e não guardaram os seus estatutos, antes se deixaram enganar por suas próprias mentiras, após as quais andaram seus pais. 5Por isso porei fogo a Judá, e ele consumirá os palácios de Jerusalém. 6Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Israel, e por quatro, não retirarei o castigo, porque vendem o justo por dinheiro, e o necessitado por um par de sapatos, 7Suspirando pelo pó da terra, sobre a cabeça dos pobres, pervertem o caminho dos mansos; e um homem e seu pai entram à mesma moça, para profanarem o meu santo nome. 8E se deitam junto a qualquer altar sobre roupas empenhadas, e na casa dos seus deuses bebem o vinho dos que tinham multado. 9Todavia eu destruí diante dele o amorreu, cuja altura era como a altura dos cedros, e que era forte como os carvalhos; mas destruí o seu fruto por cima, e as suas raízes por baixo. 10Também vos fiz subir da terra do Egito, e quarenta anos vos guiei no deserto, para que possuísseis a terra do amorreu. 11E dentre vossos filhos suscitei profetas, e dentre os vossos jovens nazireus. Não é isto assim, filhos de Israel? diz o SENHOR. 12Mas vós aos nazireus destes vinho a beber, e aos profetas ordenastes, dizendo: Não profetizareis. 13Eis que eu vos apertarei no vosso lugar como se aperta um carro cheio de feixes. 14Assim perecerá a fuga ao ágil; nem o forte corroborará a sua força, nem o poderoso livrará a sua vida. 15E não ficará em pé o que maneja o arco, nem o ligeiro de pés se livrará, nem tampouco se livrará o que vai montado a cavalo. 16E o mais corajoso entre os fortes fugirá nu naquele dia, diz o SENHOR. Amós 3 1OUVI esta palavra que o SENHOR fala contra vós, filhos de Israel, contra toda a família que fiz subir da terra do Egito, dizendo: 2De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades. 3Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? 4Rugirá o leão no bosque, sem que tenha presa? Levantará o leãozinho no seu covil a sua voz, se nada tiver apanhado? 5Cairá a ave no laço em terra, se não houver armadilha para ela? Levantar-se-á da terra o laço, sem que tenha apanhado alguma coisa? 6Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o SENHOR o tenha feito? 7Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas. 8Rugiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor Deus, quem não profetizará? 9Fazei ouvir isso nos palácios de Asdode, e nos palácios da terra do Egito, e dizei: Ajuntai-vos sobre os montes de Samaria, e vede que grandes alvoroços há no meio dela, e como são oprimidos dentro dela. 10Porque não sabem fazer o que é reto, diz o SENHOR, aqueles que entesouram nos seus palácios a violência e a destruição. 11Portanto, o Senhor Deus diz assim: O inimigo virá, e cercará a terra, derrubará a tua fortaleza, e os teus palácios serão saqueados. 12Assim diz o SENHOR: Como o pastor livra da boca do leão as duas pernas, ou um pedaço da orelha, assim serão livrados os filhos de Israel que habitam em Samaria, no canto da cama, e em Damasco, num leito. 13Ouvi, e protestai contra a casa de Jacó, diz o Senhor Deus, o Deus dos Exércitos; 14Pois no dia em que eu punir as transgressões de Israel, também castigarei os altares de Betel; e as pontas do altar serão cortadas, e cairão por terra. 15E ferirei a casa de inverno juntamente com a casa de verão; e as casas de marfim perecerão, e as grandes casas terão fim, diz o SENHOR. Amós 4 1OUVI esta palavra vós, vacas de Basã, que estais no monte de Samaria, que oprimis aos pobres, que esmagais os necessitados, que dizeis a vossos senhores: Dai cá, e bebamos. 2Jurou o Senhor Deus, pela sua santidade, que dias estão para vir sobre vós, em que vos levarão com ganchos e a vossos descendentes com anzóis de pesca. 3E saireis pelas brechas, uma após outra, e sereis lançadas para Harmom, disse o SENHOR. 4Vinde a Betel, e transgredi; a Gilgal, e multiplicai as transgressões; e cada manhã trazei os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos de três em três dias. 5E oferecei o sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai as ofertas voluntárias, publicai-as; porque disso gostais, ó filhos de Israel, disse o Senhor Deus. 6Por isso também vos dei limpeza de dentes em todas as vossas cidades, e falta de pão em todos os vossos lugares; contudo não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. 7Além disso, retive de vós a chuva quando ainda faltavam três meses para a ceifa; e fiz que chovesse sobre uma cidade, e não chovesse sobre a outra cidade; sobre um campo choveu, mas o outro, sobre o qual não choveu, secou-se. 8E andaram errantes duas ou três cidades, indo a outra cidade para beberem água, mas não se saciaram; contudo não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. 9Feri-vos com queimadura, e com ferrugem; a multidão das vossas hortas, e das vossas vinhas, e das vossas figueiras, e das vossas oliveiras, comeu a locusta; contudo não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. 10Enviei a peste contra vós, à maneira do Egito; os vossos jovens matei à espada, e os vossos cavalos deixei levar presos, e o mau cheiro dos vossos arraiais fiz subir às vossas narinas; contudo não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. 11Subverti a alguns dentre vós, como Deus subverteu a Sodoma e Gomorra, e vós fostes como um tição arrebatado do incêndio; contudo não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. 12Portanto, assim te farei, ó Israel! E porque isso te farei, prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus. 13Porque eis aqui o que forma os montes, e cria o vento, e declara ao homem qual seja o seu pensamento, o que faz da manhã trevas, e pisa os altos da terra; o SENHOR, o Deus dos Exércitos, é o seu nome. Amós 5 1OUVI esta palavra, que levanto como uma lamentação sobre vós, ó casa de Israel. 2A virgem de Israel caiu, e não mais tornará a levantar-se; desamparada está na sua terra, não há quem a levante. 3Porque assim diz o Senhor Deus: A cidade da qual saem mil conservará cem, e aquela da qual saem cem conservará dez, para a casa de Israel. 4Porque assim diz o SENHOR à casa de Israel: Buscai-me, e vivei. 5Mas não busqueis a Betel, nem venhais a Gilgal, nem passeis a Berseba, porque Gilgal certamente será levada ao cativeiro, e Betel será desfeita em nada. 6Buscai ao SENHOR, e vivei, para que ele não irrompa na casa de José como um fogo, e a consuma, e não haja em Betel quem o apague. 7Vós que converteis o juízo em alosna, e deitais por terra a justiça, 8Procurai o que faz o Sete-estrelo e o Órion e torna a sombra da noite em manhã, e faz escurecer o dia como a noite, que chama as águas do mar, e as derrama sobre a terra; o SENHOR é o seu nome. 9O que promove súbita destruição contra o forte; de modo que venha a destruição contra a fortaleza. 10Odeiam na porta ao que os repreende, e abominam ao que fala sinceramente. 11Portanto, visto que pisais o pobre e dele exigis um tributo de trigo, edificastes casas de pedras lavradas, mas nelas não habitareis; vinhas desejáveis plantastes, mas não bebereis do seu vinho. 12Porque sei que são muitas as vossas transgressões e graves os vossos pecados; afligis o justo, tomais resgate, e rejeitais os necessitados na porta. 13Portanto, o que for prudente guardará silêncio naquele tempo, porque o tempo será mau. 14Buscai o bem, e não o mal, para que vivais; e assim o SENHOR, o Deus dos Exércitos, estará convosco, como dizeis. 15Odiai o mal, e amai o bem, e estabelecei na porta o juízo. Talvez o SENHOR Deus dos Exércitos tenha piedade do remanescente de José. 16Portanto, assim diz o SENHOR, o Deus dos Exércitos, o Senhor: Em todas as ruas haverá pranto, e em todas as estradas dirão: Ai! Ai! E ao lavrador chamarão para choro, e para pranto os que souberem prantear. 17E em todas as vinhas haverá pranto; porque passarei pelo meio de ti, diz o SENHOR. 18Ai daqueles que desejam o dia do SENHOR! Para que quereis vós este dia do SENHOR? Será de trevas e não de luz. 19É como se um homem fugisse de diante do leão, e se encontrasse com ele o urso; ou como se entrando numa casa, a sua mão encostasse à parede, e fosse mordido por uma cobra. 20Não será, pois, o dia do SENHOR trevas e não luz, e escuridão, sem que haja resplendor? 21Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me exalarão bom cheiro. 22E ainda que me ofereçais holocaustos, ofertas de alimentos, não me agradarei delas; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos. 23Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas. 24Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso. 25Oferecestes-me vós sacrifícios e oblações no deserto por quarenta anos, ó casa de Israel? 26Antes levastes a tenda de vosso Moloque, e a estátua das vossas imagens, a estrela do vosso deus, que fizestes para vós mesmos. 27Portanto vos levarei cativos, para além de Damasco, diz o SENHOR, cujo nome é o Deus dos Exércitos. Amós 6 1AI dos que vivem sossegados em Sião, e dos que estão confiados no monte de Samaria, que têm nome entre as primeiras das nações, e aos quais vem a casa de Israel! 2Passai a Calne, e vede; e dali ide à grande Hamate; e depois descei a Gate dos filisteus; serão melhores que estes reinos? Ou maior o seu termo do que o vosso termo? 3Ó vós que afastais o dia mau, e fazeis chegar o assento da violência. 4Ai dos que dormem em camas de marfim, e se estendem sobre os seus leitos, e comem os cordeiros do rebanho, e os bezerros do meio do curral; 5Que cantam ao som da viola, e inventam para si instrumentos musicais, assim como Davi; 6Que bebem vinho em taças, e se ungem com o mais excelente óleo: mas não se afligem pela ruína de José; 7Portanto agora irão em cativeiro entre os primeiros dos que forem levados cativos, e cessarão os festins dos banqueteadores. 8Jurou o Senhor Deus por si mesmo, diz o SENHOR, o Deus dos Exércitos: Abomino a soberba de Jacó, e odeio os seus palácios; por isso entregarei a cidade e tudo o que nela há. 9E acontecerá que, se numa casa ficarem dez homens, morrerão. 10Quando o tio de alguém, aquele que o queima, o tomar para levar-lhe os ossos para fora da casa, e disser ao que estiver no mais interior da casa: Está ainda alguém contigo? E este responder: Ninguém; então lhe dirá ele: Cala-te, porque não devemos fazer menção do nome do SENHOR. 11Porque, eis que o SENHOR ordena, e ferirá a casa grande de brechas, e a casa pequena de fendas. 12Porventura correrão cavalos sobre rocha? Lavrar-se-á nela com bois? Mas vós haveis tornado o juízo em fel, e o fruto da justiça em alosna; 13Vós que vos alegrais do nada, vós que dizeis: Não é assim que por nossa própria força nos temos tornado poderosos? 14Porque, eis que eu levantarei sobre vós, ó casa de Israel, uma nação, diz o SENHOR, o Deus dos Exércitos, e oprimir-vos-á, desde a entrada de Hamate até ao ribeiro do deserto. Amós 7 1O SENHOR Deus assim me fez ver, e eis que ele formava gafanhotos no princípio do rebento da erva serôdia, e eis que era a erva serôdia depois de findas as ceifas do rei. 2E aconteceu que, tendo eles comido completamente a erva da terra, eu disse: Senhor Deus, perdoa, rogo-te; quem levantará a Jacó? pois ele é pequeno. 3Então o SENHOR se arrependeu disso. Não acontecerá, disse o SENHOR. 4Assim me mostrou o Senhor Deus: Eis que o Senhor Deus clamava, para contender com fogo; este consumiu o grande abismo, e também uma parte da terra. 5Então eu disse: Senhor Deus, cessa, eu te peço; quem levantará a Jacó? pois é pequeno. 6E o SENHOR se arrependeu disso. Nem isso acontecerá, disse o Senhor Deus. 7Mostrou-me também assim: e eis que o Senhor estava sobre um muro, levantado a prumo; e tinha um prumo na sua mão. 8E o SENHOR me disse: Que vês tu, Amós? E eu disse: Um prumo. Então disse o Senhor: Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo Israel; nunca mais passarei por ele. 9Mas os altos de Isaque serão assolados, e destruídos os santuários de Israel; e levantar-me-ei com a espada contra a casa de Jeroboão. 10Então Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não poderá sofrer todas as suas palavras. 11Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado para fora da sua terra em cativeiro. 12Depois Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, e foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; 13Mas em Betel daqui por diante não profetizes mais, porque é o santuário do rei e casa real. 14E respondeu Amós, dizendo a Amazias: Eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boiadeiro, e cultivador de sicômoros. 15Mas o SENHOR me tirou de seguir o rebanho, e o SENHOR me disse: Vai, e profetiza ao meu povo Israel. 16Agora, pois, ouve a palavra do SENHOR: Tu dizes: Não profetizes contra Israel, nem fales contra a casa de Isaque. 17Portanto assim diz o SENHOR: Tua mulher se prostituirá na cidade, e teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra imunda, e Israel certamente será levado cativo para fora da sua terra. Amós 8 1O SENHOR Deus assim me fez ver: E eis aqui um cesto de frutos do verão. 2E disse: Que vês, Amós? E eu disse: Um cesto de frutos do verão. Então o SENHOR me disse: Chegou o fim sobre o meu povo Israel; nunca mais passarei por ele. 3Mas os cânticos do templo naquele dia serão gemidos, diz o Senhor Deus; multiplicar-se-ão os cadáveres; em todos os lugares serão lançados fora em silêncio. 4Ouvi isto, vós que anelais o abatimento do necessitado; e destruís os miseráveis da terra, 5Dizendo: Quando passará a lua nova, para vendermos o grão, e o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças enganosas, 6Para comprarmos os pobres por dinheiro, e os necessitados por um par de sapatos, e para vendermos o refugo do trigo? 7Jurou o SENHOR pela glória de Jacó: Eu não me esquecerei de todas as suas obras para sempre. 8Por causa disto não estremecerá a terra, e não chorará todo aquele que nela habita? Certamente levantar-se-á toda ela como o grande rio, e será agitada, e baixará como o rio do Egito. 9E sucederá que, naquele dia, diz o Senhor Deus, farei que o sol se ponha ao meio-dia, e a terra se entenebreça no dia claro. 10E tornarei as vossas festas em luto, e todos os vossos cânticos em lamentações; e porei pano de saco sobre todos os lombos, e calva sobre toda cabeça; e farei que isso seja como luto por um filho único, e o seu fim como dia de amarguras. 11Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR. 12E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do SENHOR, mas não a acharão. 13Naquele dia as virgens formosas e os jovens desmaiarão de sede. 14Os que juram pela culpa de Samaria, dizendo: Vive o teu deus, ó Dã; e vive o caminho de Berseba; esses mesmos cairão, e não se levantarão jamais. Amós 9 1VI o Senhor, que estava em pé sobre o altar; e me disse: Fere o capitel, e estremeçam os umbrais, e faze tudo em pedaços sobre a cabeça de todos eles; e eu matarei à espada até ao último deles; nenhum deles conseguirá fugir, nenhum deles escapará. 2Ainda que cavem até ao inferno, a minha mão os tirará dali; e, se subirem ao céu, dali os farei descer. 3E, se se esconderem no cume do Carmelo, buscá-los-ei, e dali os tirarei; e, se dos meus olhos se ocultarem no fundo do mar, ali darei ordem à serpente, e ela os picará. 4E, se forem em cativeiro diante de seus inimigos, ali darei ordem à espada que os mate; e eu porei os meus olhos sobre eles para o mal, e não para o bem. 5Porque o Senhor Deus dos Exércitos é o que toca a terra, e ela se derrete, e todos os que habitam nela chorarão; e ela subirá toda como um rio, e abaixará como o rio do Egito. 6Ele é o que edifica as suas câmaras superiores no céu, e fundou na terra a sua abóbada, e o que chama as águas do mar, e as derrama sobre a terra; o SENHOR é o seu nome. 7Não me sois, vós, ó filhos de Israel, como os filhos dos etíopes? diz o SENHOR: Não fiz eu subir a Israel da terra do Egito, e aos filisteus de Caftor, e aos sírios de Quir? 8Eis que os olhos do Senhor Deus estão contra este reino pecador, e eu o destruirei de sobre a face da terra; mas não destruirei de todo a casa de Jacó, diz o SENHOR. 9Porque eis que darei ordem, e sacudirei a casa de Israel entre todas as nações, assim como se sacode grão no crivo, sem que caia na terra um só grão. 10Todos os pecadores do meu povo morrerão à espada, os que dizem: Não nos alcançará nem nos encontrará o mal. 11Naquele dia tornarei a levantar o tabernáculo caído de Davi, e repararei as suas brechas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e o edificarei como nos dias da antiguidade; 12Para que possuam o restante de Edom, e todos os gentios que são chamados pelo meu nome, diz o SENHOR, que faz essas coisas. 13Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que o que lavra alcançará ao que sega, e o que pisa as uvas ao que lança a semente; e os montes destilarão mosto, e todos os outeiros se derreterão. 14E trarei do cativeiro meu povo Israel, e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, e plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes comerão o fruto. 15E plantá-los-ei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o SENHOR teu Deus. Obadias 1 Obadias 1 1VISÃO de Obadias: Assim diz o Senhor Deus a respeito de Edom: Temos ouvido a pregação do SENHOR, e foi enviado aos gentios um emissário, dizendo: Levantai-vos, e levantemo-nos contra ela para a guerra. 2Eis que te fiz pequeno entre os gentios; tu és muito desprezado. 3A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra? 4Se te elevares como águia, e puseres o teu ninho entre as estrelas, dali te derrubarei, diz o SENHOR. 5Se viessem a ti ladrões, ou assaltantes de noite (como estás destruído!), não furtariam o que lhes bastasse? Se a ti viessem os vindimadores, não deixariam algumas uvas? 6Como foram rebuscados os bens de Esaú! Como foram investigados os seus tesouros escondidos! 7Todos os teus confederados te levaram até a fronteira; os que gozam da tua paz te enganaram, prevaleceram contra ti; os que comem o teu pão puseram debaixo de ti uma armadilha; não há nele entendimento. 8Porventura não acontecerá naquele dia, diz o SENHOR, que farei perecer os sábios de Edom, e o entendimento do monte de Esaú? 9E os teus poderosos, ó Temã, estarão atemorizados, para que do monte de Esaú seja cada um exterminado pela matança. 10Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a confusão, e serás exterminado para sempre. 11No dia em que o confrontaste, no dia em que estranhos levaram cativo o seu exército, e os estrangeiros entravam pelas suas portas, e lançaram sortes sobre Jerusalém, tu eras também como um deles. 12Mas tu não devias olhar com prazer para o dia de teu irmão, no dia do seu infortúnio; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia; 13Nem entrar pela porta do meu povo, no dia da sua calamidade; sim, tu não devias olhar satisfeito o seu mal, no dia da sua calamidade; nem lançar mão dos seus bens, no dia da sua calamidade; 14Nem parar nas encruzilhadas, para exterminares os que escapassem; nem entregar os que lhe restassem, no dia da angústia. 15Porque o dia do SENHOR está perto, sobre todos os gentios; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua recompensa voltará sobre a tua cabeça. 16Porque, como vós bebestes no meu santo monte, assim beberão também de contínuo todos os gentios; beberão, e sorverão, e serão como se nunca tivessem sido. 17Mas no monte Sião haverá livramento, e ele será santo; e os da casa de Jacó possuirão as suas herdades. 18E a casa de Jacó será fogo, e a casa de José uma chama, e a casa de Esaú palha; e se acenderão contra eles, e os consumirão; e ninguém mais restará da casa de Esaú, porque o SENHOR o falou. 19E os do sul possuirão o monte de Esaú, e os das planícies, os filisteus; possuirão também os campos de Efraim, e os campos de Samaria; e Benjamim possuirá a Gileade. 20E os cativos deste exército, dos filhos de Israel, possuirão os cananeus, até Zarefate; e os cativos de Jerusalém, que estão em Sefarade, possuirão as cidades do sul. 21E subirão salvadores ao monte Sião, para julgarem o monte de Esaú; e o reino será do SENHOR. Jonas 1 2 3 4 Jonas 1 1E VEIO a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo: 2Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença. 3Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do SENHOR para Társis. E descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do SENHOR. 4Mas o SENHOR mandou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma forte tempestade, e o navio estava a ponto de quebrar-se. 5Então temeram os marinheiros, e clamavam cada um ao seu deus, e lançaram ao mar as cargas, que estavam no navio, para o aliviarem do seu peso; Jonas, porém, desceu ao porão do navio, e, tendo-se deitado, dormia um profundo sono. 6E o mestre do navio chegou-se a ele, e disse-lhe: Que tens, dorminhoco? Levanta-te, clama ao teu Deus; talvez assim ele se lembre de nós para que não pereçamos. 7E diziam cada um ao seu companheiro: Vinde, e lancemos sortes, para que saibamos por que causa nos sobreveio este mal. E lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas. 8Então lhe disseram: Declara-nos tu agora, por causa de quem nos sobreveio este mal. Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual é a tua terra? E de que povo és tu? 9E ele lhes disse: Eu sou hebreu, e temo ao SENHOR, o Deus do céu, que fez o mar e a terra seca. 10Então estes homens se encheram de grande temor, e disseram-lhe: Por que fizeste tu isto? Pois sabiam os homens que fugia da presença do SENHOR, porque ele lho tinha declarado. 11E disseram-lhe: Que te faremos nós, para que o mar se nos acalme? Porque o mar ia se tornando cada vez mais tempestuoso. 12E ele lhes disse: Levantai-me, e lançai-me ao mar, e o mar se vos aquietará; porque eu sei que por minha causa vos sobreveio esta grande tempestade. 13Entretanto, os homens remavam, para fazer voltar o navio à terra, mas não podiam, porquanto o mar se ia embravecendo cada vez mais contra eles. 14Então clamaram ao SENHOR, e disseram: Ah, SENHOR! Nós te rogamos, que não pereçamos por causa da alma deste homem, e que não ponhas sobre nós o sangue inocente; porque tu, SENHOR, fizeste como te aprouve. 15E levantaram a Jonas, e o lançaram ao mar, e cessou o mar da sua fúria. 16Temeram, pois, estes homens ao SENHOR com grande temor; e ofereceram sacrifício ao SENHOR, e fizeram votos. 17Preparou, pois, o SENHOR um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe. Jonas 2 1E OROU Jonas ao SENHOR, seu Deus, das entranhas do peixe. 2E disse: Na minha angústia clamei ao SENHOR, e ele me respondeu; do ventre do inferno gritei, e tu ouviste a minha voz. 3Porque tu me lançaste no profundo, no coração dos mares, e a corrente das águas me cercou; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado por cima de mim. 4E eu disse: Lançado estou de diante dos teus olhos; todavia tornarei a ver o teu santo templo. 5As águas me cercaram até à alma, o abismo me rodeou, e as algas se enrolaram na minha cabeça. 6Eu desci até aos fundamentos dos montes; a terra me encerrou para sempre com os seus ferrolhos; mas tu fizeste subir a minha vida da perdição, ó SENHOR meu Deus. 7Quando desfalecia em mim a minha alma, lembrei-me do SENHOR; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo. 8Os que observam as falsas vaidades deixam a sua misericórdia. 9Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento; o que votei pagarei. Do SENHOR vem a salvação. 10Falou, pois, o SENHOR ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra seca. Jonas 3 1E VEIO a palavra do SENHOR segunda vez a Jonas, dizendo: 2Levanta-te, e vai à grande cidade de Nínive, e prega contra ela a mensagem que eu te digo. 3E levantou-se Jonas, e foi a Nínive, segundo a palavra do SENHOR. Ora, Nínive era uma cidade muito grande, de três dias de caminho. 4E começou Jonas a entrar pela cidade caminho de um dia, e pregava, dizendo: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida. 5E os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum, e vestiramse de saco, desde o maior até ao menor. 6Esta palavra chegou também ao rei de Nínive; e ele levantou-se do seu trono, e tirou de si as suas vestes, e cobriu-se de saco, e sentou-se sobre a cinza. 7E fez uma proclamação que se divulgou em Nínive, pelo decreto do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê alimentos, nem bebam água; 8Mas os homens e os animais sejam cobertos de sacos, e clamem fortemente a Deus, e convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há nas suas mãos. 9Quem sabe se se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos? 10E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha anunciado lhes faria, e não o fez. Jonas 4 1MAS isso desagradou extremamente a Jonas, e ele ficou irado. 2E orou ao SENHOR, e disse: Ah! SENHOR! Não foi esta minha palavra, estando ainda na minha terra? Por isso é que me preveni, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. 3Peço-te, pois, ó SENHOR, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver. 4E disse o SENHOR: Fazes bem que assim te ires? 5Então Jonas saiu da cidade, e sentou-se ao oriente dela; e ali fez uma cabana, e sentou-se debaixo dela, à sombra, até ver o que aconteceria à cidade. 6E fez o SENHOR Deus nascer uma aboboreira, e ela subiu por cima de Jonas, para que fizesse sombra sobre a sua cabeça, a fim de o livrar do seu enfado; e Jonas se alegrou em extremo por causa da aboboreira. 7Mas Deus enviou um verme, no dia seguinte ao subir da alva, o qual feriu a aboboreira, e esta se secou. 8E aconteceu que, aparecendo o sol, Deus mandou um vento calmoso oriental, e o sol feriu a cabeça de Jonas; e ele desmaiou, e desejou com toda a sua alma morrer, dizendo: Melhor me é morrer do que viver. 9Então disse Deus a Jonas: Fazes bem que assim te ires por causa da aboboreira? E ele disse: Faço bem que me revolte até à morte. 10E disse o SENHOR: Tiveste tu compaixão da aboboreira, na qual não trabalhaste, nem a fizeste crescer, que numa noite nasceu, e numa noite pereceu; 11E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais? Miqéias 1 2 3 4 5 6 7 Miqéias 1 1PALAVRA do SENHOR, que veio a Miquéias, morastita, nos dias de Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, a qual ele viu sobre Samaria e Jerusalém. 2Ouvi, todos os povos, presta atenção, ó terra, e tudo o que nela há; e seja o Senhor Deus testemunha contra vós, o Senhor, desde o seu santo templo. 3Porque eis que o SENHOR está para sair do seu lugar, e descerá, e andará sobre as alturas da terra. 4E os montes debaixo dele se derreterão, e os vales se fenderão, como a cera diante do fogo, como as águas que se precipitam num abismo. 5Tudo isto por causa da transgressão de Jacó, e dos pecados da casa de Israel. Qual é a transgressão de Jacó? Não é Samaria? E quais os altos de Judá? Não é Jerusalém? 6Por isso farei de Samaria um montão de pedras do campo, uma terra de plantar vinhas, e farei rolar as suas pedras no vale, e descobrirei os seus fundamentos. 7E todas as suas imagens de escultura serão despedaçadas, e todas as suas ofertas serão queimadas pelo fogo, e de todos os seus ídolos eu farei uma assolação; porque pela paga de prostituta os ajuntou, e para a paga de prostituta voltarão. 8Por isso lamentarei, e gemerei, andarei despojado e nu; farei lamentação como de chacais, e pranto como de avestruzes. 9Porque a sua chaga é incurável, porque chegou até Judá; estendeu-se até à porta do meu povo, até Jerusalém. 10Não o anuncieis em Gate, nem choreis muito; revolve-te no pó, na casa de Afra. 11Passa, ó moradora de Safir, em vergonhosa nudez; a moradora de Zaanã não saiu; o pranto de Bete-Ezel tirará de vós a sua posição. 12Porque a moradora de Marote sofre pelo bem; porque desceu do SENHOR o mal até à porta de Jerusalém. 13Ata os animais ligeiros ao carro, ó moradora de Laquis; esta foi o princípio do pecado para a filha de Sião, porque em ti se acharam as transgressões de Israel. 14Por isso darás presentes a Moresete-Gate; as casas de Aczibe se tornarão em engano para os reis de Israel. 15Ainda trarei a ti, ó moradora de Maressa, aquele que te possuirá; chegará até Adulão a glória de Israel. 16Faze-te calva, e tosquia-te, por causa dos filhos das tuas delícias; alarga a tua calva como a águia, porque de ti foram levados cativos. Miqéias 2 1AI daqueles que nas suas camas intentam a iniqüidade, e maquinam o mal; à luz da alva o praticam, porque está no poder da sua mão! 2E cobiçam campos, e roubam-nos, cobiçam casas, e arrebatam-nas; assim fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança. 3Portanto, assim diz o SENHOR: Eis que projeto um mal contra esta família, do qual não tirareis os vossos pescoços, e não andareis tão altivos, porque o tempo será mau. 4Naquele dia se levantará sobre vós um provérbio, e se lamentará pranto lastimoso, dizendo: Nós estamos inteiramente desolados; a porção do meu povo ele a troca; como me despoja! Tira os nossos campos e os reparte! 5Portanto, não terás tu na congregação do SENHOR quem lance o cordel pela sorte. 6Não profetizeis aos que profetizam; eles não profetizarão para eles, pois não se apartará a sua vergonha. 7Ó vós que sois chamados casa de Jacó, porventura encurtou-se o Espírito do SENHOR? São estas as suas obras? E não é assim que fazem bem as minhas palavras ao que anda retamente? 8Mas ontem, se levantou o meu povo como inimigo; de sobre a vestidura tirastes a capa daqueles que passavam seguros, como homens que voltavam da guerra. 9Lançastes fora as mulheres do meu povo, da casa das suas delícias; das suas crianças tirastes para sempre a minha glória. 10Levantai-vos, e ide-vos, porque este não é lugar de descanso; por causa da imundícia que traz destruição, sim, destruição enorme. 11Se houver alguém que, andando com espírito de falsidade, mentir, dizendo: Eu te profetizarei sobre o vinho e a bebida forte; será esse tal o profeta deste povo. 12Certamente te ajuntarei todo, ó Jacó; certamente congregarei o restante de Israel; pô-los-ei todos juntos, como ovelhas de Bozra; como o rebanho no meio do seu pasto, farão estrondo por causa da multidão dos homens. 13Subirá diante deles o que abrirá o caminho; eles romperão, e entrarão pela porta, e sairão por ela; e o rei irá adiante deles, e o SENHOR à testa deles. Miqéias 3 1E DISSE eu: Ouvi, peço-vos, ó chefes de Jacó, e vós, príncipes da casa de Israel; não é a vós que pertence saber o juízo? 2A vós que odiais o bem, e amais o mal, que arrancais a pele de cima deles, e a carne de cima dos seus ossos; 3E que comeis a carne do meu povo, e lhes arrancais a pele, e lhes esmiuçais os ossos, e os repartis como para a panela e como carne dentro do caldeirão. 4Então clamarão ao SENHOR, mas não os ouvirá; antes esconderá deles a sua face naquele tempo, visto que eles fizeram mal nas suas obras. 5Assim diz o SENHOR acerca dos profetas que fazem errar o meu povo, que mordem com os seus dentes, e clamam paz; mas contra aquele que nada lhes dá na boca preparam guerra. 6Portanto, se vos fará noite sem visão, e tereis trevas sem adivinhação, e pôr-se-á o sol sobre os profetas, e o dia sobre eles se enegrecerá. 7E os videntes se envergonharão, e os adivinhadores se confundirão; sim, todos eles cobrirão os seus lábios, porque não haverá resposta de Deus. 8Mas eu estou cheio do poder do Espírito do SENHOR, e de juízo e de força, para anunciar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado. 9Ouvi agora isto, vós, chefes da casa de Jacó, e príncipes da casa de Israel, que abominais o juízo e perverteis tudo o que é direito, 10Edificando a Sião com sangue, e a Jerusalém com iniqüidade. 11Os seus chefes dão as sentenças por suborno, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao SENHOR, dizendo: Não está o SENHOR no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá. 12Portanto, por causa de vós, Sião será lavrada como um campo, e Jerusalém se tornará em montões de pedras, e o monte desta casa como os altos de um bosque. Miqéias 4 1MAS nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do SENHOR será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e a ele afluirão os povos. 2E irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do SENHOR, e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do SENHOR. 3E julgará entre muitos povos, e castigará nações poderosas e longínquas, e converterão as suas espadas em pás, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. 4Mas assentar-se-á cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do SENHOR dos Exércitos o disse. 5Porque todos os povos andam, cada um em nome do seu deus; mas nós andaremos em nome do SENHOR nosso Deus, para todo o sempre. 6Naquele dia, diz o SENHOR, congregarei a que coxeava, e recolherei a que tinha sido expulsa, e a que eu tinha maltratado. 7E da que coxeava farei um remanescente, e da que tinha sido arrojada para longe, uma nação poderosa; e o SENHOR reinará sobre eles no monte Sião, desde agora e para sempre. 8E a ti, ó torre do rebanho, fortaleza da filha de Sião, a ti virá; sim, a ti virá o primeiro domínio, o reino da filha de Jerusalém. 9E agora, por que fazes tão grande pranto? Não há em ti rei? Pereceu o teu conselheiro? Apoderou-se de ti a dor, como da que está de parto? 10Sofre dores, e trabalha, para dar à luz, ó filha de Sião, como a que está de parto, porque agora sairás da cidade, e morarás no campo, e virás até Babilônia; ali, porém, serás livrada; ali te remirá o SENHOR da mão de teus inimigos. 11Agora se congregaram muitas nações contra ti, que dizem: Seja profanada, e vejam os nossos olhos o seu desejo sobre Sião. 12Mas não sabem os pensamentos do SENHOR, nem entendem o seu conselho; porque as ajuntou como gavelas numa eira. 13Levanta-te e trilha, ó filha de Sião; porque eu farei de ferro o teu chifre, e de bronze as tuas unhas; e esmiuçarás a muitos povos, e o seu ganho será consagrado ao SENHOR, e os seus bens ao Senhor de toda a terra. Miqéias 5 1AGORA ajunta-te em tropas, ó filha de tropas; pôr-se-á cerco contra nós; ferirão com a vara na face ao juiz de Israel. 2E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. 3Portanto os entregará até ao tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. 4E ele permanecerá, e apascentará ao povo na força do SENHOR, na excelência do nome do SENHOR seu Deus; e eles permanecerão, porque agora será engrandecido até aos fins da terra. 5E este será a nossa paz; quando a Assíria vier à nossa terra, e quando pisar em nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. 6Esses consumirão a terra da Assíria à espada, e a terra de Ninrode nas suas entradas. Assim nos livrará da Assíria, quando vier à nossa terra, e quando calcar os nossos termos. 7E o remanescente de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho da parte do SENHOR, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem aguarda a filhos de homens. 8E o restante de Jacó estará entre os gentios, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leãozinho entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre. 9A tua mão se exaltará sobre os teus adversários; e todos os teus inimigos serão exterminados. 10E sucederá naquele dia, diz o SENHOR, que eu exterminarei do meio de ti os teus cavalos, e destruirei os teus carros. 11E destruirei as cidades da tua terra, e derrubarei todas as tuas fortalezas; 12E exterminarei as feitiçarias da tua mão; e não terás adivinhadores; 13E destruirei do meio de ti as tuas imagens de escultura e as tuas estátuas; e tu não te inclinarás mais diante da obra das tuas mãos. 14E arrancarei os teus bosques do meio de ti; e destruirei as tuas cidades. 15E com ira e com furor farei vingança sobre os gentios que não ouvem. Miqéias 6 1OUVI agora o que diz o SENHOR: Levanta-te, contende com os montes, e ouçam os outeiros a tua voz. 2Ouvi, montes, a demanda do SENHOR, e vós, fortes fundamentos da terra; porque o SENHOR tem uma demanda com o seu povo, e com Israel entrará em juízo. 3Ó povo meu; que te tenho feito? E com que te enfadei? Testifica contra mim. 4Pois te fiz subir da terra do Egito, e da casa da servidão te remi; e enviei adiante de ti a Moisés, Arão e Miriã. 5Povo meu, lembra-te agora do que consultou Balaque, rei de Moabe, e o que lhe respondeu Balaão, filho de Beor, e do que aconteceu desde Sitim até Gilgal, para que conheças as justiças do SENHOR. 6Com que me apresentarei ao SENHOR, e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano? 7Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma? 8Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus? 9A voz do SENHOR clama à cidade e o que é sábio verá o teu nome. Ouvi a vara, e quem a ordenou. 10Ainda há na casa do ímpio tesouros da impiedade, e medida escassa, que é detestável? 11Seria eu limpo com balanças falsas, e com uma bolsa de pesos enganosos? 12Porque os seus ricos estão cheios de violência, e os seus habitantes falam mentiras e a sua língua é enganosa na sua boca. 13Assim eu também te enfraquecerei, ferindo-te e assolando-te por causa dos teus pecados. 14Tu comerás, mas não te fartarás, e a tua humilhação estará no meio de ti; removerás os teus bens mas não livrarás; e aquilo que livrares, eu o entregarei à espada. 15Tu semearás, mas não segarás; pisarás a azeitona, mas não te ungirás com azeite; e pisarás o mosto, mas não beberás vinho. 16Porque se observam os estatutos de Onri, e toda a obra da casa de Acabe, e andais nos conselhos deles; para que eu te faça uma desolação, e dos seus habitantes um assobio; assim trareis sobre vós o opróbrio do meu povo. Miqéias 7 1AI de mim! porque estou feito como as colheitas de frutas do verão, como os rabiscos da vindima; não há cacho de uvas para comer, nem figos temporãos que a minha alma deseja. 2Já pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja justo; todos armam ciladas para sangue; cada um caça a seu irmão com a rede, 3As suas mãos fazem diligentemente o mal; assim demanda o príncipe, e o juiz julga pela recompensa, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles tecem o mal. 4O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão. 5Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca. 6Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa. 7Eu, porém, olharei para o SENHOR; esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá. 8Ó inimiga minha, não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; se morar nas trevas, o SENHOR será a minha luz. 9Sofrerei a ira do SENHOR, porque pequei contra ele, até que julgue a minha causa, e execute o meu direito; ele me tirará para a luz, e eu verei a sua justiça. 10E a minha inimiga verá isso, e cobri-la-á a vergonha, que me diz: Onde está o SENHOR teu Deus? Os meus olhos a contemplarão; agora será ela pisada como a lama das ruas. 11No dia em que reedificar os teus muros, nesse dia estará longe e dilatado o estatuto. 12Naquele dia virá a ti, desde a Assíria e das cidades fortificadas, e das cidades fortificadas até ao rio, e do mar até ao mar, e da montanha até à montanha. 13Mas esta terra será posta em desolação, por causa dos seus moradores, por causa do fruto das suas obras. 14Apascenta o teu povo com a tua vara, o rebanho da tua herança, que habita a sós, no bosque, no meio do Carmelo; apascentem-se em Basã e Gileade, como nos dias do passado. 15Eu lhes mostrarei maravilhas, como nos dias da tua saída da terra do Egito. 16As nações o verão, e envergonhar-se-ão, por causa de todo o seu poder; porão a mão sobre a boca, e os seus ouvidos ficarão surdos. 17Lamberão o pó como serpente, como vermes da terra, tremendo, sairão dos seus esconderijos; com pavor virão ao SENHOR nosso Deus, e terão medo de ti. 18Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniqüidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade. 19Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniqüidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar. 20Darás a Jacó a fidelidade, e a Abraão a benignidade, que juraste a nossos pais desde os dias antigos. Naum 1 2 3 Naum 1 1PESO de Nínive. Livro da visão de Naum, o elcosita. 2O SENHOR é Deus zeloso e vingador; o SENHOR é vingador e cheio de furor; o SENHOR toma vingança contra os seus adversários, e guarda a ira contra os seus inimigos. 3O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente; o SENHOR tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés. 4Ele repreende ao mar, e o faz secar, e esgota todos os rios; desfalecem Basã e o Carmelo, e a flor do Líbano murcha. 5Os montes tremem perante ele, e os outeiros se derretem; e a terra se levanta na sua presença; e o mundo, e todos os que nele habitam. 6Quem parará diante do seu furor, e quem persistirá diante do ardor da sua ira? A sua cólera se derramou como um fogo, e as rochas foram por ele derrubadas. 7O SENHOR é bom, ele serve de fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele. 8E com uma inundação transbordante acabará de uma vez com o seu lugar; e as trevas perseguirão os seus inimigos. 9Que pensais vós contra o SENHOR? Ele mesmo vos consumirá de todo; não se levantará por duas vezes a angústia. 10Porque ainda que eles se entrelacem como os espinhos, e se saturem de vinho como bêbados, serão inteiramente consumidos como palha seca. 11De ti saiu um que maquinou o mal contra o SENHOR, um conselheiro vil. 12Assim diz o SENHOR: Por mais seguros que estejam, e por mais numerosos que sejam, ainda assim serão exterminados, e ele passará; eu te afligi, mas não te afligirei mais. 13Mas agora quebrarei o seu jugo de sobre ti, e romperei os teus laços. 14Contra ti, porém, o SENHOR deu ordem que não haja mais linhagem do teu nome; da casa dos teus deuses exterminarei as imagens de escultura e de fundição; ali farei o teu sepulcro, porque és vil. 15Eis sobre os montes os pés do que traz as boas novas, do que anuncia a paz! Celebra as tuas festas, ó Judá, cumpre os teus votos, porque o ímpio não tornará mais a passar por ti; ele é inteiramente exterminado. Naum 2 1O DESTRUIDOR subiu contra ti. Guarda tua fortaleza, vigia o caminho, fortalece os lombos, reforça muito o teu poder. 2Porque o SENHOR restaurará a excelência de Jacó como a excelência de Israel; porque os saqueadores os despojaram, e destruíram os seus sarmentos. 3Os escudos dos seus fortes serão vermelhos, os homens valorosos estarão vestidos de escarlate, os carros como tochas flamejantes no dia da sua preparação, e os ciprestes serão terrivelmente abalados. 4Os carros correrão furiosamente nas ruas, colidirão um contra o outro nos largos caminhos; o seu aspecto será como o de tochas, correrão como relâmpagos. 5Ele se lembrará dos seus valentes; eles, porém, tropeçarão na sua marcha; apressar-se-ão para chegar ao seu muro, quando o amparo for preparado. 6As portas dos rios se abrirão, e o palácio será dissolvido. 7É decretado: ela será levada cativa, conduzida para cima; e as suas servas a acompanharão, gemendo como pombas, batendo em seus peitos. 8Nínive desde que existiu tem sido como um tanque de águas, porém elas agora vazam. Parai, parai, clamar-se-á; mas ninguém olhará para trás. 9Saqueai a prata, saqueai o ouro, porque não têm fim as provisões, riquezas há de todo o gênero de bens desejáveis. 10Vazia, esgotada e devastada está; derrete-se o coração, e tremem os joelhos, e em todos os lombos há dor, e os rostos de todos eles se enegrecem. 11Onde está agora o covil dos leões, e as pastagens dos leõezinhos, onde passeava o leão velho, e o filhote do leão, sem haver ninguém que os espantasse? 12O leão arrebatava o que bastava para os seus filhotes, e estrangulava a presa para as suas leoas, e enchia de presas as suas cavernas, e os seus covis de rapina. 13Eis que eu estou contra ti, diz o SENHOR dos Exércitos, e queimarei na fumaça os teus carros, e a espada devorará os teus leõezinhos, e arrancarei da terra a tua presa, e não se ouvirá mais a voz dos teus mensageiros. Naum 3 1AI da cidade ensangüentada! Ela está toda cheia de mentiras e de rapina; não se aparta dela o roubo. 2Estrépito de açoite há, e o barulho do ruído das rodas; e os cavalos atropelam, e carros vão saltando. 3O cavaleiro levanta a espada flamejante, como a lança relampejante, e ali haverá uma multidão de mortos, e abundância de cadáveres, e não terão fim os defuntos; tropeçarão nos seus corpos; 4Por causa da multidão dos pecados da meretriz mui graciosa, da mestra das feitiçarias, que vendeu as nações com as suas fornicações, e as famílias pelas suas feitiçarias. 5Eis que eu estou contra ti, diz o SENHOR dos Exércitos; e levantarei a tua saia sobre a tua face, e às nações mostrarei a tua nudez, e aos reinos a tua vergonha. 6E lançarei sobre ti coisas abomináveis, e envergonhar-te-ei, e pôr-te-ei como espetáculo. 7E há de ser que, todos os que te virem, fugirão de ti, e dirão: Nínive está destruída, quem terá compaixão dela? Donde te buscarei consoladores? 8És tu melhor do que Nô-Amom, que está assentada entre os canais do Nilo, cercada de águas, tendo por esplanada o mar, e ainda o mar por muralha? 9Etiópia e Egito eram a sua força, e não tinha fim; Pute e Líbia foram o seu socorro. 10Todavia foi levada cativa para o desterro; também os seus filhos foram despedaçados nas entradas de todas as ruas, e sobre os seus nobres lançaram sortes, e todos os seus grandes foram presos com grilhões. 11Tu também serás embriagada, e te esconderás; também buscarás força por causa do inimigo. 12Todas as tuas fortalezas serão como figueiras com figos temporãos; se os sacodem, caem na boca do que os há de comer. 13Eis que o teu povo no meio de ti são como mulheres; as portas da tua terra estarão de todo abertas aos teus inimigos; o fogo consumirá os teus ferrolhos. 14Tira águas para o cerco, reforça as tuas fortalezas; entra no lodo, e pisa o barro, pega a forma para os tijolos. 15O fogo ali te consumirá, a espada te exterminará; consumir-te-á, como a locusta. Multiplica-te como a locusta, multiplica-te como os gafanhotos. 16Multiplicaste os teus negociantes mais do que as estrelas do céu; a locusta se espalhará e voará. 17Os teus príncipes são como os gafanhotos, e os teus capitães como os gafanhotos grandes, que se acampam nas sebes nos dias de frio; em subindo o sol voam, de sorte que não se sabe mais o lugar onde estão. 18Os teus pastores dormirão, ó rei da Assíria, os teus ilustres repousarão, o teu povo se espalhará pelos montes, sem que haja quem o ajunte. 19Não há cura para a tua ferida, a tua chaga é dolorosa. Todos os que ouvirem a tua fama baterão as palmas sobre ti; porque, sobre quem não passou continuamente a tua malícia? Habacuque 1 2 3 Habacuque 1 1O PESO que viu o profeta Habacuque. 2Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás? 3Por que razão me mostras a iniqüidade, e me fazes ver a opressão? Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio. 4Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida. 5Vede entre os gentios e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizarei em vossos dias uma obra que vós não crereis, quando for contada. 6Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcha sobre a largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas. 7Horrível e terrível é; dela mesma sairá o seu juízo e a sua dignidade. 8E os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos, e mais espertos do que os lobos à tarde; os seus cavaleiros espalham-se por toda parte; os seus cavaleiros virão de longe; voarão como águias que se apressam a devorar. 9Eles todos virão para fazer violência; os seus rostos buscarão o vento oriental, e reunirão os cativos como areia. 10E escarnecerão dos reis, e dos príncipes farão zombaria; eles se rirão de todas as fortalezas, porque amontoarão terra, e as tomarão. 11Então muda a sua mente, e seguirá, e se fará culpado, atribuindo este seu poder ao seu deus. 12Não és tu desde a eternidade, ó SENHOR meu Deus, meu Santo? Nós não morreremos. Ó SENHOR, para juízo o puseste, e tu, ó Rocha, o fundaste para castigar. 13Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar. Por que olhas para os que procedem aleivosamente, e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele? 14E por que farias os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm quem os governe? 15Ele a todos levantará com o anzol, apanhá-los-á com a sua rede, e os ajuntará na sua rede varredoura; por isso ele se alegrará e se regozijará. 16Por isso sacrificará à sua rede, e queimará incenso à sua varredoura; porque com elas engordou a sua porção, e engrossou a sua comida. 17Porventura por isso esvaziará a sua rede e não terá piedade de matar as nações continuamente? Habacuque 2 1SOBRE a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o que eu responderei quando eu for argüido. 2Então o SENHOR me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna-a bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo. 3Porque a visão é ainda para o tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não enganará; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará. 4Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá. 5Tanto mais que, por ser dado ao vinho é desleal; homem soberbo que não permanecerá; que alarga como o inferno a sua alma; e é como a morte que não se farta, e ajunta a si todas as nações, e congrega a si todos os povos. 6Não levantarão, pois, todos estes contra ele uma parábola e um provérbio sarcástico contra ele? E se dirá: Ai daquele que multiplica o que não é seu! (até quando?) e daquele que carrega sobre si dívidas! 7Porventura não se levantarão de repente os teus extorquiadores, e não despertarão os que te farão tremer, e não lhes servirás tu de despojo? 8Porquanto despojaste a muitas nações, todos os demais povos te despojarão a ti, por causa do sangue dos homens, e da violência feita à terra, à cidade, e a todos os que nela habitam. 9Ai daquele que, para a sua casa, ajunta cobiçosamente bens mal adquiridos, para pôr o seu ninho no alto, a fim de se livrar do poder do mal! 10Vergonha maquinaste para a tua casa; destruindo tu a muitos povos, pecaste contra a tua alma. 11Porque a pedra clamará da parede, e a trave lhe responderá do madeiramento. 12Ai daquele que edifica a cidade com sangue, e que funda a cidade com iniqüidade! 13Porventura não vem do SENHOR dos Exércitos que os povos trabalhem pelo fogo e os homens se cansem em vão? 14Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar. 15Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro! Ai de ti, que adicionas à bebida o teu furor, e o embebedas para ver a sua nudez! 16Serás farto de ignomínia em lugar de honra; bebe tu também, e sê como um incircunciso; o cálice da mão direita do SENHOR voltará a ti, e ignomínia cairá sobre a tua glória. 17Porque a violência cometida contra o Líbano te cobrirá, e a destruição das feras te amedrontará, por causa do sangue dos homens, e da violência feita à terra, à cidade, e a todos os que nela habitam. 18Que aproveita a imagem de escultura, depois que a esculpiu o seu artífice? Ela é imagem de fundição que ensina mentira, para que quem a formou confie na sua obra, fazendo ídolos mudos? 19Ai daquele que diz ao pau: Acorda! e à pedra muda: Desperta! Pode isso ensinar? Eis que está coberta de ouro e de prata, mas dentro dela não há espírito algum. 20Mas o SENHOR está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra. Habacuque 3 1ORAÇÃO do profeta Habacuque sobre Sigionote. 2Ouvi, SENHOR, a tua palavra, e temi; aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia. 3Deus veio de Temã, e do monte de Parã o Santo (Selá). A sua glória cobriu os céus, e a terra encheu-se do seu louvor. 4E o resplendor se fez como a luz, raios brilhantes saíam da sua mão, e ali estava o esconderijo da sua força. 5Adiante dele ia a peste, e brasas ardentes saíam dos seus passos. 6Parou, e mediu a terra; olhou, e separou as nações; e os montes perpétuos foram esmiuçados; os outeiros eternos se abateram, porque os caminhos eternos lhe pertencem. 7Vi as tendas de Cusã em aflição; tremiam as cortinas da terra de Midiã. 8Acaso é contra os rios, SENHOR, que estás irado? É contra os ribeiros a tua ira, ou contra o mar o teu furor, visto que andas montado sobre os teus cavalos, e nos teus carros de salvação? 9Descoberto se movimentou o teu arco; os juramentos feitos às tribos foram uma palavra segura. (Selá.) Tu fendeste a terra com rios. 10Os montes te viram, e tremeram; a inundação das águas passou; o abismo deu a sua voz, levantou ao alto as suas mãos. 11O sol e a lua pararam nas suas moradas; andaram à luz das tuas flechas, ao resplendor do relâmpago da tua lança. 12Com indignação marchaste pela terra, com ira trilhaste os gentios. 13Tu saíste para salvação do teu povo, para salvação do teu ungido; tu feriste a cabeça da casa do ímpio, descobrindo o alicerce até ao pescoço. (Selá.) 14Tu traspassaste com as suas próprias lanças a cabeça das suas vilas; eles me acometeram tempestuosos para me espalharem; alegravam-se, como se estivessem para devorar o pobre em segredo. 15Tu com os teus cavalos marchaste pelo mar, pela massa de grandes águas. 16Ouvindo-o eu, o meu ventre se comoveu, à sua voz tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus ossos, e estremeci dentro de mim; no dia da angústia descansarei, quando subir contra o povo que invadirá com suas tropas. 17Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; 18Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação. 19O SENHOR Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas. (Para o cantor-mor sobre os meus instrumentos de corda). Sofonias 1 2 3 Sofonias 1 1PALAVRA do SENHOR, que veio a Sofonias, filho de Cusi, filho de Gedalias, filho de Amarias, filho de Ezequias, nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá. 2Hei de consumir por completo tudo de sobre a terra, diz o SENHOR. 3Consumirei os homens e os animais, consumirei as aves do céu, e os peixes do mar, e os tropeços juntamente com os ímpios; e exterminarei os homens de sobre a terra, diz o SENHOR. 4E estenderei a minha mão contra Judá, e contra todos os habitantes de Jerusalém, e exterminarei deste lugar o restante de Baal, e o nome dos sacerdotes dos ídolos, juntamente com os sacerdotes; 5E os que sobre os telhados adoram o exército do céu; e os que se inclinam jurando ao SENHOR, e juram por Milcom; 6E os que deixam de andar em seguimento do SENHOR, e os que não buscam ao SENHOR, nem perguntam por ele. 7Cala-te diante do Senhor Deus, porque o dia do SENHOR está perto; porque o SENHOR preparou o sacrifício, e santificou os seus convidados. 8Acontecerá que, no dia do sacrifício do SENHOR, castigarei os príncipes, e os filhos do rei, e todos os que se vestem de trajes estrangeiros. 9Castigarei naquele dia todo aquele que salta sobre o limiar, que enche de violência e engano a casa dos seus senhores. 10E naquele dia, diz o SENHOR, far-se-á ouvir uma voz de clamor desde a porta do peixe, e um uivo desde a segunda parte, e grande quebrantamento desde os outeiros. 11Uivai vós, moradores de Mactes, porque todo o povo que mercadejava está arruinado, todos os que estavam carregados de dinheiro foram destruídos. 12E há de ser que, naquele tempo, esquadrinharei a Jerusalém com lanternas, e castigarei os homens que se espessam como a borra do vinho, que dizem no seu coração: O SENHOR não faz o bem nem faz o mal. 13Por isso serão saqueados os seus bens, e assoladas as suas casas; e edificarão casas, mas não habitarão nelas, e plantarão vinhas, mas não lhes beberão o seu vinho. 14O grande dia do SENHOR está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do SENHOR; clamará ali o poderoso. 15Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, 16Dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortificadas e contra as torres altas. 17E angustiarei os homens, que andarão como cegos, porque pecaram contra o SENHOR; e o seu sangue se derramará como pó, e a sua carne será como esterco. 18Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação do SENHOR, mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada. Sofonias 2 1CONGREGAI-VOS, sim, congregai-vos, ó nação não desejável; 2Antes que o decreto produza o seu efeito, e o dia passe como a pragana; antes que venha sobre vós o furor da ira do SENHOR, antes que venha sobre vós o dia da ira do SENHOR. 3Buscai ao SENHOR, vós todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; pode ser que sejais escondidos no dia da ira do SENHOR. 4Porque Gaza será desamparada, e Ascalom assolada; Asdode ao meio-dia será expelida, e Ecrom será desarraigada. 5Ai dos habitantes da costa do mar, a nação dos quereteus! A palavra do SENHOR será contra vós, ó Canaã, terra dos filisteus; e eu vos destruirei, até que não haja morador. 6E a costa do mar será de pastos e cabanas para os pastores, e currais para os rebanhos. 7E será a costa para o restante da casa de Judá; ali apascentarão os seus rebanhos; de tarde se deitarão nas casas de Ascalom; porque o SENHOR seu Deus os visitará, e os fará tornar do seu cativeiro. 8Eu ouvi o escárnio de Moabe, e as injuriosas palavras dos filhos de Amom, com que escarneceram do meu povo, e se engrandeceram contra o seu termo. 9Portanto, tão certo como eu vivo, diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, Moabe será como Sodoma, e os filhos de Amom como Gomorra, campo de urtigas e poços de sal, e desolação perpétua; o restante do meu povo os saqueará, e o restante do meu povo os possuirá. 10 Isso terão em recompensa da sua soberba, porque escarneceram, e se engrandeceram contra o povo do SENHOR dos Exércitos. 11O SENHOR será terrível para eles, porque emagrecerá todos os deuses da terra; e todos virão adorá-lo, cada um desde o seu lugar, de todas as ilhas dos gentios. 12Também vós, ó etíopes, sereis mortos com a minha espada. 13Estenderá também a sua mão contra o norte, e destruirá a Assíria; e fará de Nínive uma desolação, terra seca como o deserto. 14E no meio dela repousarão os rebanhos, todos os animais das nações; e alojarse-ão nos seus capitéis assim o pelicano como o ouriço; o canto das aves se ouvirá nas janelas; e haverá desolação nos limiares, quando tiver descoberto a sua obra de cedro. 15Esta é a cidade alegre, que habita despreocupadamente, que diz no seu coração: Eu sou, e não há outra além de mim; como se tornou em desolação, em pousada de animais! Todo o que passar por ela assobiará, e meneará a sua mão. Sofonias 3 1AI da rebelde e contaminada, da cidade opressora! 2Não obedeceu à sua voz, não aceitou o castigo; não confiou no SENHOR; nem se aproximou do seu Deus. 3Os seus príncipes são leões rugidores no meio dela; os seus juízes são lobos da tarde, que não deixam os ossos para a manhã. 4Os seus profetas são levianos, homens aleivosos; os seus sacerdotes profanaram o santuário, e fizeram violência à lei. 5O SENHOR é justo no meio dela; ele não comete iniqüidade; cada manhã traz o seu juízo à luz; nunca falta; mas o perverso não conhece a vergonha. 6Exterminei as nações, as suas torres estão assoladas; fiz desertas as suas praças, a ponto de não ficar quem passe por elas; as suas cidades foram destruídas, até não ficar ninguém, até não haver quem as habite. 7Eu dizia: Certamente me temerás, e aceitarás a correção, e assim a sua morada não seria destruída, conforme tudo aquilo porque a castiguei; mas eles se levantaram de madrugada, corromperam todas as suas obras. 8Portanto esperai-me, diz o SENHOR, no dia em que eu me levantar para o despojo; porque o meu decreto é ajuntar as nações e congregar os reinos, para sobre eles derramar a minha indignação, e todo o ardor da minha ira; porque toda esta terra será consumida pelo fogo do meu zelo. 9Porque então darei uma linguagem pura aos povos, para que todos invoquem o nome do SENHOR, para que o sirvam com um mesmo consenso. 10Dalém dos rios da Etiópia, meus zelosos adoradores, que constituem a filha dos meus dispersos, me trarão sacrifício. 11Naquele dia não te envergonharás de nenhuma das tuas obras, com as quais te rebelaste contra mim; porque então tirarei do meio de ti os que exultam na tua soberba, e tu nunca mais te ensoberbecerás no meu monte santo. 12Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre; e eles confiarão no nome do SENHOR. 13O remanescente de Israel não cometerá iniqüidade, nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enganosa; mas serão apascentados, e deitar-se-ão, e não haverá quem os espante. 14Canta alegremente, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te, e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém. 15O SENHOR afastou os teus juízos, exterminou o teu inimigo; o SENHOR, o rei de Israel, está no meio de ti; tu não verás mais mal algum. 16Naquele dia se dirá a Jerusalém: Não temas, ó Sião, não se enfraqueçam as tuas mãos. 17O SENHOR teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo. 18Os entristecidos por causa da reunião solene, congregarei; esses que são de ti e para os quais o opróbrio dela era um peso. 19Eis que naquele tempo procederei contra todos os que te afligem, e salvarei a que coxeia, e recolherei a que foi expulsa; e deles farei um louvor e um nome em toda a terra em que foram envergonhados. 20Naquele tempo vos farei voltar, naquele tempo vos recolherei; certamente farei de vós um nome e um louvor entre todos os povos da terra, quando fizer voltar os vossos cativos diante dos vossos olhos, diz o SENHOR. Ageu 1 2 Ageu 1 1NO segundo ano do rei Dario, no sexto mês, no primeiro dia do mês, veio a palavra do SENHOR, por intermédio do profeta Ageu, a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, dizendo: 2Assim fala o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a casa do SENHOR deve ser edificada. 3Veio, pois, a palavra do SENHOR, por intermédio do profeta Ageu, dizendo: 4Porventura é para vós tempo de habitardes nas vossas casas forradas, enquanto esta casa fica deserta? 5Ora, pois, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos. 6Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, porém não vos fartais; bebeis, porém não vos saciais; vestis-vos, porém ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o num saco furado. 7Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos. 8Subi ao monte, e trazei madeira, e edificai a casa; e dela me agradarei, e serei glorificado, diz o SENHOR. 9Esperastes o muito, mas eis que veio a ser pouco; e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu dissipei com um sopro. Por que causa? disse o SENHOR dos Exércitos. Por causa da minha casa, que está deserta, enquanto cada um de vós corre à sua própria casa. 10Por isso retém os céus sobre vós o orvalho, e a terra detém os seus frutos. 11E mandei vir a seca sobre a terra, e sobre os montes, e sobre o trigo, e sobre o mosto, e sobre o azeite, e sobre o que a terra produz; como também sobre os homens, e sobre o gado, e sobre todo o trabalho das mãos. 12Então Zorobabel, filho de Sealtiel, e Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e todo o restante do povo obedeceram à voz do SENHOR seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, assim como o SENHOR seu Deus o enviara; e temeu o povo diante do SENHOR. 13Então Ageu, o mensageiro do SENHOR, falou ao povo conforme a mensagem do SENHOR, dizendo: Eu sou convosco, diz o SENHOR. 14E o SENHOR suscitou o espírito de Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e o espírito de Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e o espírito de todo o restante do povo, e eles vieram, e fizeram a obra na casa do SENHOR dos Exércitos, seu Deus, 15Ao vigésimo quarto dia do sexto mês, no segundo ano do rei Dario. Ageu 2 1NO sétimo mês, ao vigésimo primeiro dia do mês, veio a palavra do SENHOR por intermédio do profeta Ageu, dizendo: 2Fala agora a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e ao restante do povo, dizendo: 3Quem há entre vós que, tendo ficado, viu esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é esta como nada diante dos vossos olhos, comparada com aquela? 4Ora, pois, esforça-te, Zorobabel, diz o SENHOR, e esforça-te, Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e esforça-te, todo o povo da terra, diz o SENHOR, e trabalhai; porque eu sou convosco, diz o SENHOR dos Exércitos. 5Segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito permanece no meio de vós; não temais. 6Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, farei tremer os céus e a terra, o mar e a terra seca; 7E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o SENHOR dos Exércitos. 8Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos. 9A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos. 10Ao vigésimo quarto dia do mês nono, no segundo ano de Dario, veio a palavra do SENHOR por intermédio do profeta Ageu, dizendo: 11Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Pergunta agora aos sacerdotes, acerca da lei, dizendo: 12Se alguém leva carne santa na orla das suas vestes, e com ela tocar no pão, ou no guisado, ou no vinho, ou no azeite, ou em outro qualquer mantimento, porventura ficará isto santificado? E os sacerdotes responderam: Não. 13E disse Ageu: Se alguém que for contaminado pelo contato com o corpo morto, tocar nalguma destas coisas, ficará ela imunda? E os sacerdotes responderam, dizendo: Ficará imunda. 14Então respondeu Ageu, dizendo: Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o SENHOR; e assim é toda a obra das suas mãos; e tudo o que ali oferecem imundo é. 15Agora, pois, eu vos rogo, considerai isto, desde este dia em diante, antes que se lançasse pedra sobre pedra no templo do SENHOR, 16Antes que sucedessem estas coisas, vinha alguém a um montão de grão, de vinte medidas, e havia somente dez; quando vinha ao lagar para tirar cinqüenta, havia somente vinte. 17Feri-vos com queimadura, e com ferrugem, e com saraiva, em toda a obra das vossas mãos, e não houve entre vós quem voltasse para mim, diz o SENHOR. 18Considerai, pois, vos rogo, desde este dia em diante; desde o vigésimo quarto dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do SENHOR, considerai essas coisas. 19Porventura há ainda semente no celeiro? Além disso a videira, a figueira, a romeira, a oliveira, não têm dado os seus frutos; mas desde este dia vos abençoarei. 20E veio a palavra do SENHOR segunda vez a Ageu, aos vinte e quatro dias do mês, dizendo: 21Fala a Zorobabel, governador de Judá, dizendo: Farei tremer os céus e a terra; 22E transtornarei o trono dos reinos, e destruirei a força dos reinos dos gentios; e transtornarei os carros e os que neles andam; e os cavalos e os seus cavaleiros cairão, cada um pela espada do seu irmão. 23Naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, tomar-te-ei, ó Zorobabel, servo meu, filho de Sealtiel, diz o SENHOR, e far-te-ei como um anel de selar; porque te escolhi, diz o SENHOR dos Exércitos. Zacarias 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Zacarias 1 1NO oitavo mês do segundo ano de Dario veio a palavra do SENHOR ao profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ido, dizendo: 2O SENHOR se irou fortemente contra vossos pais. 3Portanto dize-lhes: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Tornai-vos para mim, diz o SENHOR dos Exércitos, e eu me tornarei para vós, diz o SENHOR dos Exércitos. 4E não sejais como vossos pais, aos quais clamavam os primeiros profetas, dizendo: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Convertei-vos agora dos vossos maus caminhos e das vossas más obras; mas não ouviram, nem me escutaram, diz o SENHOR. 5Vossos pais, onde estão? E os profetas, viverão eles para sempre? 6Contudo as minhas palavras e os meus estatutos, que eu ordenei aos profetas, meus servos, não alcançaram a vossos pais? E eles voltaram, e disseram: Assim como o SENHOR dos Exércitos fez tenção de nos tratar, segundo os nossos caminhos, e segundo as nossas obras, assim ele nos tratou. 7Aos vinte e quatro dias do mês undécimo (que é o mês de Sebate), no segundo ano de Dario, veio a palavra do SENHOR ao profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ido, dizendo: 8Olhei de noite, e vi um homem montado num cavalo vermelho; e ele estava parado entre as murtas que estavam na baixada; e atrás dele estavam cavalos vermelhos, malhados e brancos. 9E eu disse: Senhor meu, quem são estes? E disseme o anjo que falava comigo: Eu te mostrarei quem são estes. 10Então respondeu o homem que estava entre as murtas, e disse: Estes são os que o SENHOR tem enviado para percorrerem a terra. 11E eles responderam ao anjo do SENHOR, que estava entre as murtas, e disseram: Nós já percorremos a terra, e eis que toda a terra está tranqüila e quieta. 12Então o anjo do SENHOR respondeu, e disse: Ó SENHOR dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém, e das cidades de Judá, contra as quais estiveste irado estes setenta anos? 13E respondeu o SENHOR ao anjo, que falava comigo, com palavras boas, palavras consoladoras. 14E o anjo que falava comigo disseme: Clama, dizendo: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Com grande zelo estou zelando por Jerusalém e por Sião. 15E com grande indignação estou irado contra os gentios em descanso; porque eu estava pouco indignado, mas eles agravaram o mal. 16Portanto, assim diz o SENHOR: Voltei-me para Jerusalém com misericórdia; nela será edificada a minha casa, diz o SENHOR dos Exércitos, e o cordel será estendido sobre Jerusalém: 17Clama outra vez, dizendo: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: As minhas cidades ainda aumentarão e prosperarão; porque o SENHOR ainda consolará a Sião e ainda escolherá a Jerusalém. 18E levantei os meus olhos, e vi, e eis quatro chifres. 19E eu disse ao anjo que falava comigo: Que são estes? E ele me disse: Estes são os chifres que dispersaram a Judá, a Israel e a Jerusalém. 20E o SENHOR me mostrou quatro carpinteiros. 21Então eu disse: Que vêm estes fazer? E ele falou, dizendo: Estes são os chifres que dispersaram a Judá, de maneira que ninguém pôde levantar a sua cabeça; estes, pois, vieram para os amedrontarem, para derrubarem os chifres dos gentios que levantaram o seu poder contra a terra de Judá, para a espalharem. Zacarias 2 1TORNEI a levantar os meus olhos, e vi, e eis um homem que tinha na mão um cordel de medir. 2E eu disse: Para onde vais tu? E ele me disse: Vou medir Jerusalém, para ver qual é a sua largura e qual o seu comprimento. 3E eis que saiu o anjo que falava comigo, e outro anjo lhe saiu ao encontro. 4E disse-lhe: Corre, fala a este jovem, dizendo: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão dos homens e dos animais que haverá nela. 5Pois eu, diz o SENHOR, serei para ela um muro de fogo em redor, e para glória estarei no meio dela. 6Ah, ah! Fugi agora da terra do norte, diz o SENHOR, porque vos espalhei pelos quatro ventos do céu, diz o SENHOR. 7Ah! Sião! Escapa, tu, que habitas com a filha de Babilônia. 8Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Depois da glória ele me enviou às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho. 9Porque eis aí levantarei a minha mão sobre eles, e eles virão a ser a presa daqueles que os serviram; assim sabereis vós que o SENHOR dos Exércitos me enviou. 10Exulta, e alegra-te ó filha de Sião, porque eis que venho, e habitarei no meio de ti, diz o SENHOR. 11E naquele dia muitas nações se ajuntarão ao SENHOR, e serão o meu povo, e habitarei no meio de ti e saberás que o SENHOR dos Exércitos me enviou a ti. 12Então o SENHOR herdará a Judá como sua porção na terra santa, e ainda escolherá a Jerusalém. 13Cala-te, toda a carne, diante do SENHOR, porque ele se levantou da sua santa morada. Zacarias 3 1E ELE mostrou-me o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do SENHOR, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor. 2Mas o SENHOR disse a Satanás: O SENHOR te repreenda, ó Satanás, sim, o SENHOR, que escolheu Jerusalém, te repreenda; não é este um tição tirado do fogo? 3Josué, vestido de vestes sujas, estava diante do anjo. 4Então respondeu, aos que estavam diante dele, dizendo: Tirai-lhe estas vestes sujas. E a Josué disse: Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniqüidade, e te vestirei de vestes finas. 5E disse eu: Ponham-lhe uma mitra limpa sobre a sua cabeça. E puseram uma mitra limpa sobre a sua cabeça, e vestiram-no das roupas; e o anjo do SENHOR estava em pé. 6E o anjo do SENHOR protestou a Josué, dizendo: 7Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Se andares nos meus caminhos, e se observares a minha ordenança, também tu julgarás a minha casa, e também guardarás os meus átrios, e te darei livre acesso entre os que estão aqui. 8Ouve, pois, Josué, sumo sacerdote, tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti, porque são homens portentosos; eis que eu farei vir o meu servo, o RENOVO. 9Porque eis aqui a pedra que pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete olhos; eis que eu esculpirei a sua escultura, diz o SENHOR dos Exércitos, e tirarei a iniqüidade desta terra num só dia. 10Naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, cada um de vós convidará o seu próximo para debaixo da videira e para debaixo da figueira. Zacarias 4 1E O ANJO que falava comigo voltou, e despertou-me, como a um homem que é despertado do seu sono, 2E disseme: Que vês? E eu disse: Olho, e eis que vejo um castiçal todo de ouro, e um vaso de azeite no seu topo, com as suas sete lâmpadas; e sete canudos, um para cada uma das lâmpadas que estão no seu topo. 3E, por cima dele, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda. 4E respondi, dizendo ao anjo que falava comigo: Senhor meu, que é isto? 5Então respondeu o anjo que falava comigo, dizendo-me: Não sabes tu o que é isto? E eu disse: Não, senhor meu. 6E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos. 7Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel tornar-te-ás uma campina; porque ele trará a pedra angular com aclamações: Graça, graça a ela. 8E a palavra do SENHOR veio novamente a mim, dizendo: 9As mãos de Zorobabel têm lançado os alicerces desta casa; também as suas mãos a acabarão, para que saibais que o SENHOR dos Exércitos me enviou a vós. 10Porque, quem despreza o dia das coisas pequenas? Pois esses se alegrarão, vendo o prumo na mão de Zorobabel; esses são os sete olhos do SENHOR, que percorrem por toda a terra. 11Respondi mais, dizendo-lhe: Que são as duas oliveiras à direita e à esquerda do castiçal? 12E, respondendo-lhe outra vez, disse: Que são aqueles dois ramos de oliveira, que estão junto aos dois tubos de ouro, e que vertem de si azeite dourado? 13E ele me falou, dizendo: Não sabes tu o que é isto? E eu disse: Não, senhor meu. 14Então ele disse: Estes são os dois ungidos, que estão diante do Senhor de toda a terra. Zacarias 5 1E OUTRA vez levantei os meus olhos, e vi, e eis um rolo volante. 2E disseme o anjo: Que vês? E eu disse: Vejo um rolo volante, que tem vinte côvados de comprido e dez côvados de largo. 3Então disseme: Esta é a maldição que sairá pela face de toda a terra; porque qualquer que furtar será desarraigado, conforme está estabelecido de um lado do rolo; como também qualquer que jurar falsamente, será desarraigado, conforme está estabelecido do outro lado do rolo. 4Eu a farei sair, disse o SENHOR dos Exércitos, e ela entrará na casa do ladrão, e na casa do que jurar falsamente pelo meu nome; e permanecerá no meio da sua casa, e a consumirá juntamente com a sua madeira e com as suas pedras. 5E saiu o anjo, que falava comigo, e disseme: Levanta agora os teus olhos, e vê que é isto que sai. 6E eu disse: Que é isto? E ele disse: Isto é um efa que sai. Disse ainda: Este é o aspecto deles em toda a terra. 7E eis que foi levantado um talento de chumbo, e uma mulher estava assentada no meio do efa. 8E ele disse: Esta é a impiedade. E a lançou dentro do efa; e lançou sobre a boca deste o peso de chumbo. 9E levantei os meus olhos, e vi, e eis que saíram duas mulheres; e traziam vento nas suas asas, pois tinham asas como as da cegonha; e levantaram o efa entre a terra e o céu. 10Então eu disse ao anjo que falava comigo: Para onde levam elas o efa? 11E ele me disse: Para lhe edificarem uma casa na terra de Sinar; e, estando ela acabada, ele será posto ali na sua base. Zacarias 6 1E OUTRA vez levantei os meus olhos, e vi, e eis que quatro carros saiam dentre dois montes, e estes montes eram montes de bronze. 2No primeiro carro eram cavalos vermelhos, e no segundo carro, cavalos pretos, 3E no terceiro carro, cavalos brancos, e no quarto carro, cavalos malhados, todos eram fortes. 4E respondi, dizendo ao anjo que falava comigo: Que é isto, senhor meu? 5E o anjo respondeu, dizendo-me: Estes são os quatro espíritos dos céus, saindo donde estavam perante o Senhor de toda a terra. 6O carro em que estão os cavalos pretos, sai para a terra do norte, e os brancos saem atrás deles, e os malhados saem para a terra do sul. 7E os cavalos fortes saíam, e procuravam ir por diante, para percorrerem a terra. E ele disse: Ide, percorrei a terra. E percorreram a terra. 8E chamou-me, e falou-me, dizendo: Eis que aqueles que saíram para a terra do norte fizeram repousar o meu Espírito na terra do norte. 9E a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo: 10Toma dos que foram levados cativos, a saber, de Heldai, de Tobias e de Jedaías, os quais vieram de Babilônia, e vem tu no mesmo dia, e entra na casa de Josias, filho de Sofonias. 11Toma, digo, prata e ouro, e faze coroas, e põe-nas na cabeça do sumo sacerdote Josué, filho de Jozadaque. 12E fala-lhe, dizendo: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis aqui o homem cujo nome é RENOVO; ele brotará do seu lugar, e edificará o templo do SENHOR. 13Ele mesmo edificará o templo do SENHOR, e ele levará a glória; assentar-se-á no seu trono e dominará, e será sacerdote no seu trono, e conselho de paz haverá entre ambos os ofícios. 14E estas coroas serão para Helém, e para Tobias, e para Jedaías, e para Hem, filho de Sofonias, como um memorial no templo do SENHOR. 15E aqueles que estão longe virão, e edificarão no templo do SENHOR, e vós sabereis que o SENHOR dos Exércitos me tem enviado a vós; e isto sucederá assim, se diligentemente ouvirdes a voz do SENHOR vosso Deus. Zacarias 7 1ACONTECEU, no quarto ano do rei Dario, que a palavra do SENHOR veio a Zacarias, no quarto dia do nono mês, que é Quisleu. 2Quando o povo enviou Sarezer e Régen-Meleque, e os seus homens, à casa de Deus, para suplicarem o favor do SENHOR, 3E para dizerem aos sacerdotes, que estavam na casa do SENHOR dos Exércitos, e aos profetas: Chorarei eu no quinto mês, fazendo abstinência, como tenho feito por tantos anos? 4Então a palavra do SENHOR dos Exércitos veio a mim, dizendo: 5Fala a todo o povo desta terra, e aos sacerdotes, dizendo: Quando jejuastes, e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, porventura, foi mesmo para mim que jejuastes? 6Ou quando comestes, e quando bebestes, não foi para vós mesmos que comestes e bebestes? 7Não foram estas as palavras que o SENHOR pregou pelo ministério dos primeiros profetas, quando Jerusalém estava habitada e em paz, com as suas cidades ao redor dela, e o sul e a campina eram habitados? 8E a palavra do SENHOR veio a Zacarias, dizendo: 9Assim falou o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Executai juízo verdadeiro, mostrai piedade e misericórdia cada um para com seu irmão. 10E não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu irmão. 11Eles, porém, não quiseram escutar, e deram-me o ombro rebelde, e ensurdeceram os seus ouvidos, para que não ouvissem. 12Sim, fizeram os seus corações como pedra de diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o SENHOR dos Exércitos enviara pelo seu Espírito por intermédio dos primeiros profetas; daí veio a grande ira do SENHOR dos Exércitos. 13E aconteceu que, assim como ele clamou e eles não ouviram, também eles clamaram, e eu não ouvi, diz o SENHOR dos Exércitos. 14Assim os espalhei com um turbilhão por entre todas as nações, que eles não conheceram, e a terra foi assolada atrás deles, de sorte que ninguém passava por ela, nem se voltava; porque fizeram da terra desejada uma desolação. Zacarias 8 1DEPOIS veio a mim a palavra do SENHOR dos Exércitos, dizendo: 2Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Zelei por Sião com grande zelo, e com grande indignação zelei por ela. 3Assim diz o SENHOR: Voltarei para Sião, e habitarei no meio de Jerusalém; e Jerusalém chamar-se-á a cidade da verdade, e o monte do SENHOR dos Exércitos, o monte santo. 4Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Ainda nas praças de Jerusalém habitarão velhos e velhas; levando cada um, na mão, o seu bordão, por causa da sua muita idade. 5E as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão. 6Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Se isto for maravilhoso aos olhos do restante deste povo naqueles dias, será também maravilhoso aos meus olhos? diz o SENHOR dos Exércitos. 7Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis que salvarei o meu povo da terra do oriente e da terra do ocidente; 8E trá-los-ei, e habitarão no meio de Jerusalém; e eles serão o meu povo, e eu lhes serei o seu Deus em verdade e em justiça. 9Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Esforcem-se as vossas mãos, ó vós que nestes dias ouvistes estas palavras da boca dos profetas, que estiveram no dia em que foi posto o fundamento da casa do SENHOR dos Exércitos, para que o templo fosse edificado. 10Porque antes destes dias não tem havido salário para os homens, nem lhes davam ganhos os animais; nem havia paz para o que entrava nem para o que saía, por causa do inimigo, porque eu incitei a todos os homens, cada um contra o seu próximo. 11Mas agora não serei para com o restante deste povo como nos primeiros dias, diz o SENHOR dos Exércitos. 12Porque haverá semente de prosperidade; a vide dará o seu fruto, e a terra dará a sua novidade, e os céus darão o seu orvalho; e farei que o restante deste povo herde tudo isto. 13E há de suceder, ó casa de Judá, e casa de Israel, que, assim como fostes uma maldição entre os gentios, assim vos salvarei, e sereis uma bênção; não temais, esforcem-se as vossas mãos. 14Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Como pensei fazer-vos mal, quando vossos pais me provocaram à ira, diz o SENHOR dos Exércitos, e não me arrependi, 15Assim tornei a pensar nestes dias fazer o bem a Jerusalém e à casa de Judá; não temais. 16Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas. 17E nenhum de vós pense mal no seu coração contra o seu próximo, nem ameis o juramento falso; porque todas estas são coisas que eu odeio, diz o SENHOR. 18E a palavra do SENHOR dos Exércitos veio a mim, dizendo: 19Assim diz o SENHOR dos Exércitos: O jejum do quarto, e o jejum do quinto, e o jejum do sétimo, e o jejum do décimo mês será para a casa de Judá gozo, alegria, e festividades solenes; amai, pois, a verdade e a paz. 20Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Ainda sucederá que virão os povos e os habitantes de muitas cidades. 21E os habitantes de uma cidade irão à outra, dizendo: Vamos depressa suplicar o favor do SENHOR, e buscar o SENHOR dos Exércitos; eu também irei. 22Assim virão muitos povos e poderosas nações, a buscar em Jerusalém ao SENHOR dos Exércitos, e a suplicar o favor do SENHOR. 23Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Naquele dia sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla das vestes de um judeu, dizendo: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco. Zacarias 9 1O PESO da palavra do SENHOR contra a terra de Hadraque, e Damasco, o seu repouso; porque o olhar do homem, e de todas as tribos de Israel, se volta para o SENHOR. 2E também Hamate que confina com ela, e Tiro e Sidom, ainda que sejam mais sábias. 3E Tiro edificou para si fortalezas, e amontoou prata como o pó, e ouro fino como a lama das ruas. 4Eis que o Senhor a despojará e ferirá no mar a sua força, e ela será consumida pelo fogo. 5Ascalom o verá e temerá; também Gaza, e terá grande dor; igualmente Ecrom; porque a sua esperança será confundida; e o rei de Gaza perecerá, e Ascalom não será habitada. 6E um bastardo habitará em Asdode, e exterminarei a soberba dos filisteus. 7E da sua boca tirarei o seu sangue, e dentre os seus dentes as suas abominações; e ele também ficará como um remanescente para o nosso Deus; e será como governador em Judá, e Ecrom como um jebuseu. 8E acampar-me-ei ao redor da minha casa, contra o exército, para que ninguém passe, nem volte; para que não passe mais sobre eles o opressor; porque agora vi com os meus olhos. 9Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta. 10E de Efraim destruirei os carros, e de Jerusalém os cavalos; e o arco de guerra será destruído, e ele anunciará paz aos gentios; e o seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra. 11Ainda quanto a ti, por causa do sangue da tua aliança, libertei os teus presos da cova em que não havia água. 12Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também hoje vos anuncio que vos restaurarei em dobro. 13Porque curvei Judá para mim, enchi com Efraim o arco; suscitarei a teus filhos, ó Sião, contra os teus filhos, ó Grécia! E pôr-te-ei, ó Sião, como a espada de um poderoso. 14E o SENHOR será visto sobre eles, e as suas flechas sairão como o relâmpago; e o Senhor Deus fará soar a trombeta, e irá com os redemoinhos do sul. 15O SENHOR dos Exércitos os amparará; eles devorarão, depois que os tiverem sujeitado, as pedras da funda; também beberão e farão barulho como excitados pelo vinho; e encher-se-ão como bacias de sacrifício, como os cantos do altar. 16E o SENHOR seu Deus naquele dia os salvará, como ao rebanho do seu povo: porque como pedras de uma coroa eles resplandecerão na sua terra. 17Porque, quão grande é a sua bondade! E quão grande é a sua formosura! O trigo fará florescer os jovens e o mosto as virgens. Zacarias 10 1PEDI ao SENHOR chuva no tempo da chuva serôdia, sim, ao SENHOR que faz relâmpagos; e lhes dará chuvas abundantes, e a cada um erva no campo. 2Porque os ídolos têm falado vaidade, e os adivinhos têm visto mentira, e contam sonhos falsos; com vaidade consolam, por isso seguem o seu caminho como ovelhas; estão aflitos, porque não há pastor. 3Contra os pastores se acendeu a minha ira, e castigarei os bodes; mas o SENHOR dos Exércitos visitará o seu rebanho, a casa de Judá, e os fará como o seu majestoso cavalo na peleja. 4Dele sairá a pedra de esquina, dele a estaca, dele o arco de guerra, dele juntamente sairá todo o opressor. 5E serão como poderosos que na batalha esmagam ao inimigo no lodo das ruas; porque o SENHOR estará com eles; e confundirão os que andam montados em cavalos. 6E fortalecerei a casa de Judá, e salvarei a casa de José, e fá-los-ei voltar, porque me compadeci deles; e serão como se eu não os tivera rejeitado, porque eu sou o SENHOR seu Deus, e os ouvirei. 7E os de Efraim serão como um poderoso, e o seu coração se alegrará como pelo vinho; e seus filhos o verão, e se alegrarão; o seu coração se regozijará no SENHOR. 8Eu lhes assobiarei, e os ajuntarei, porque eu os tenho remido; e multiplicar-seão como antes se tinham multiplicado. 9Ainda que os espalhei por entre os povos, eles se lembrarão de mim em lugares remotos; e viverão com seus filhos, e voltarão. 10Porque eu os farei voltar da terra do Egito, e os congregarei da Assíria; e trálos-ei à terra de Gileade e do Líbano, e não se achará lugar bastante para eles. 11E ele passará pelo mar com angústia, e ferirá as ondas no mar, e todas as profundezas do Nilo se secarão; então será derrubada a soberba da Assíria, e o cetro do Egito se retirará. 12E eu os fortalecerei no SENHOR, e andarão no seu nome, diz o SENHOR. Zacarias 11 1ABRE, ó Líbano, as tuas portas para que o fogo consuma os teus cedros. 2Geme, ó cipreste, porque o cedro caiu, porque os mais poderosos são destruídos; gemei, ó carvalhos de Basã, porque o bosque forte é derrubado. 3Voz de uivo dos pastores! porque a sua glória é destruída; voz de bramido dos filhos de leões, porque foi destruída a soberba do Jordão. 4Assim diz o SENHOR meu Deus: Apascenta as ovelhas da matança, 5Cujos possuidores as matam, e não se têm por culpados; e cujos vendedores dizem: Louvado seja o SENHOR, porque tenho enriquecido; e os seus pastores não têm piedade delas. 6Certamente não terei mais piedade dos moradores desta terra, diz o SENHOR; mas, eis que entregarei os homens cada um na mão do seu próximo e na mão do seu rei; eles ferirão a terra, e eu não os livrarei da sua mão. 7Eu, pois, apascentei as ovelhas da matança, as pobres ovelhas do rebanho. Tomei para mim duas varas: a uma chamei Graça, e à outra chamei União; e apascentei as ovelhas. 8E destruí os três pastores num mês; porque a minha alma se impacientou deles, e também a alma deles se enfastiou de mim. 9E eu disse: Não vos apascentarei mais; o que morrer, morra; e o que for destruído, seja destruído; e as que restarem comam cada uma a carne da outra. 10E tomei a minha vara Graça, e a quebrei, para desfazer a minha aliança, que tinha estabelecido com todos estes povos. 11E foi desfeita naquele dia; e assim conheceram os pobres do rebanho, que me respeitavam, que isto era palavra do SENHOR. 12Porque eu lhes disse: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o meu salário e, se não, deixai-o. E pesaram o meu salário, trinta moedas de prata. 13O SENHOR, pois, disseme: Arroja isso ao oleiro, esse belo preço em que fui avaliado por eles. E tomei as trinta moedas de prata, e as arrojei ao oleiro, na casa do SENHOR. 14Então quebrei a minha segunda vara União, para romper a irmandade entre Judá e Israel. 15E o SENHOR disseme: Toma ainda para ti o instrumento de um pastor insensato. 16Porque, eis que suscitarei um pastor na terra, que não cuidará das que estão perecendo, não buscará a pequena, e não curará a ferida, nem apascentará a sã; mas comerá a carne da gorda, e lhe despedaçará as unhas. 17Ai do pastor inútil, que abandona o rebanho! A espada cairá sobre o seu braço e sobre o seu olho direito; e o seu braço completamente se secará, e o seu olho direito completamente se escurecerá. Zacarias 12 1PESO da palavra do SENHOR sobre Israel: Fala o SENHOR, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele. 2Eis que eu farei de Jerusalém um copo de tremor para todos os povos em redor, e também para Judá, durante o cerco contra Jerusalém. 3E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-á contra ela todo o povo da terra. 4Naquele dia, diz o SENHOR, ferirei de espanto a todos os cavalos, e de loucura os que montam neles; mas sobre a casa de Judá abrirei os meus olhos, e ferirei de cegueira a todos os cavalos dos povos. 5Então os governadores de Judá dirão no seu coração: Os habitantes de Jerusalém são a minha força no SENHOR dos Exércitos, seu Deus. 6Naquele dia porei os governadores de Judá como um braseiro ardente no meio da lenha, e como um facho de fogo entre gavelas; e à direita e à esquerda consumirão a todos os povos em redor, e Jerusalém será habitada outra vez no seu lugar, em Jerusalém; 7E o SENHOR salvará primeiramente as tendas de Judá, para que a glória da casa de Davi e a glória dos habitantes de Jerusalém não seja exaltada sobre Judá. 8Naquele dia o SENHOR protegerá os habitantes de Jerusalém; e o mais fraco dentre eles naquele dia será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o anjo do SENHOR diante deles. 9E acontecerá naquele dia, que procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém; 10Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e prantearão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito. 11Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de HadadeRimom no vale de Megido. 12E a terra pranteará, cada família à parte: a família da casa de Davi à parte, e suas mulheres à parte; e a família da casa de Natã à parte, e suas mulheres à parte; 13A família da casa de Levi à parte, e suas mulheres à parte; a família de Simei à parte, e suas mulheres à parte. 14Todas as mais famílias remanescentes, cada família à parte, e suas mulheres à parte. Zacarias 13 1NAQUELE dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi, e para os habitantes de Jerusalém, para purificação do pecado e da imundícia. 2E acontecerá naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, que tirarei da terra os nomes dos ídolos, e deles não haverá mais memória; e também farei sair da terra os profetas e o espírito da impureza. 3E acontecerá que, quando alguém ainda profetizar, seu pai e sua mãe, que o geraram, lhe dirão: Não viverás, porque falaste mentira em nome do SENHOR; e seu pai e sua mãe, que o geraram, o traspassarão quando profetizar. 4E acontecerá naquele dia que os profetas se envergonharão, cada um da sua visão, quando profetizarem; nem mais se vestirão de manto de pelos, para mentirem. 5Mas dirão: Não sou profeta, sou lavrador da terra; porque certo homem ensinoume a guardar o gado desde a minha mocidade. 6E se alguém lhe disser: Que feridas são estas nas tuas mãos? Dirá ele: São feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos. 7Ó espada, desperta-te contra o meu pastor, e contra o homem que é o meu companheiro, diz o SENHOR dos Exércitos. Fere ao pastor, e espalhar-se-ão as ovelhas; mas volverei a minha mão sobre os pequenos. 8E acontecerá em toda a terra, diz o SENHOR, que as duas partes dela serão extirpadas, e expirarão; mas a terceira parte restará nela. 9E farei passar esta terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro. Ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu povo; e ela dirá: O SENHOR é o meu Deus. Zacarias 14 1EIS que vem o dia do SENHOR, em que teus despojos se repartirão no meio de ti. 2Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será extirpado da cidade. 3E o SENHOR sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha. 4E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul. 5E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo. 6E acontecerá naquele dia, que não haverá preciosa luz, nem espessa escuridão. 7Mas será um dia conhecido do SENHOR; nem dia nem noite será; mas acontecerá que ao cair da tarde haverá luz. 8Naquele dia também acontecerá que sairão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e metade delas para o mar ocidental; no verão e no inverno sucederá isto. 9E o SENHOR será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o SENHOR, e um será o seu nome. 10Toda a terra em redor se tornará em planície, desde Geba até Rimom, ao sul de Jerusalém, e ela será exaltada, e habitada no seu lugar, desde a porta de Benjamim até ao lugar da primeira porta, até à porta da esquina, e desde a torre de Hananeel até aos lagares do rei. 11E habitarão nela, e não haverá mais destruição, porque Jerusalém habitará segura. 12E esta será a praga com que o SENHOR ferirá a todos os povos que guerrearam contra Jerusalém: a sua carne apodrecerá, estando eles em pé, e lhes apodrecerão os olhos nas suas órbitas, e a língua lhes apodrecerá na sua boca. 13Naquele dia também acontecerá que haverá da parte do SENHOR uma grande perturbação entre eles; porque cada um pegará na mão do seu próximo, e cada um levantará a mão contra o seu próximo. 14E também Judá pelejará em Jerusalém, e as riquezas de todos os gentios serão ajuntadas ao redor, ouro e prata e roupas em grande abundância. 15Assim será também a praga dos cavalos, dos mulos, dos camelos e dos jumentos e de todos os animais que estiverem naqueles arraiais, como foi esta praga. 16E acontecerá que, todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o SENHOR dos Exércitos, e para celebrarem a festa dos tabernáculos. 17E acontecerá que, se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o SENHOR dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva. 18E, se a família dos egípcios não subir, nem vier, não virá sobre ela a chuva; virá sobre eles a praga com que o SENHOR ferirá os gentios que não subirem a celebrar a festa dos tabernáculos. 19Este será o castigo do pecado dos egípcios e o castigo do pecado de todas as nações que não subirem a celebrar a festa dos tabernáculos. 20Naquele dia será gravado sobre as campainhas dos cavalos: SANTIDADE AO SENHOR; e as panelas na casa do SENHOR serão como as bacias diante do altar. 21E todas as panelas em Jerusalém e Judá serão consagradas ao SENHOR dos Exércitos, e todos os que sacrificarem virão, e delas tomarão, e nelas cozerão. E naquele dia não haverá mais cananeu na casa do SENHOR dos Exércitos. Malaquias 1 2 3 4 Malaquias 1 1PESO da palavra do SENHOR contra Israel, por intermédio de Malaquias. 2Eu vos tenho amado, diz o SENHOR. Mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não era Esaú irmão de Jacó? disse o SENHOR; todavia amei a Jacó, 3E odiei a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto. 4Ainda que Edom diga: Empobrecidos estamos, porém tornaremos a edificar os lugares desolados; assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eles edificarão, e eu destruirei; e lhes chamarão: Termo de impiedade, e povo contra quem o SENHOR está irado para sempre. 5E os vossos olhos o verão, e direis: O SENHOR seja engrandecido além dos termos de Israel. 6O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: Em que nós temos desprezado o teu nome? 7Ofereceis sobre o meu altar pão imundo, e dizeis: Em que te havemos profanado? Nisto que dizeis: A mesa do SENHOR é desprezível. 8Porque, quando ofereceis animal cego para o sacrifício, isso não é mau? E quando ofereceis o coxo ou enfermo, isso não é mau? Ora apresenta-o ao teu governador; porventura terá ele agrado em ti? ou aceitará ele a tua pessoa? diz o SENHOR dos Exércitos. 9Agora, pois, eu suplico, pedi a Deus, que ele seja misericordioso conosco; isto veio das vossas mãos; aceitará ele a vossa pessoa? diz o SENHOR dos Exércitos. 10Quem há também entre vós que feche as portas por nada, e não acenda debalde o fogo do meu altar? Eu não tenho prazer em vós, diz o SENHOR dos Exércitos, nem aceitarei oferta da vossa mão. 11Mas desde o nascente do sol até ao poente é grande entre os gentios o meu nome; e em todo o lugar se oferecerá ao meu nome incenso, e uma oferta pura; porque o meu nome é grande entre os gentios, diz o SENHOR dos Exércitos. 12Mas vós o profanais, quando dizeis: A mesa do SENHOR é impura, e o seu produto, isto é, a sua comida é desprezível. 13E dizeis ainda: Eis aqui, que canseira! E o lançastes ao desprezo, diz o SENHOR dos Exércitos; vós ofereceis o que foi roubado, e o coxo e o enfermo; assim trazeis a oferta. Aceitaria eu isso de vossa mão? diz o SENHOR. 14Pois seja maldito o enganador que, tendo macho no seu rebanho, promete e oferece ao Senhor o que tem mácula; porque eu sou grande Rei, diz o SENHOR dos Exércitos, o meu nome é temível entre os gentios. Malaquias 2 1AGORA, ó sacerdotes, este mandamento é para vós. 2Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração. 3Eis que reprovarei a vossa semente, e espalharei esterco sobre os vossos rostos, o esterco das vossas festas solenes; e para junto deste sereis levados. 4Então sabereis que eu vos enviei este mandamento, para que a minha aliança fosse com Levi, diz o SENHOR dos Exércitos. 5Minha aliança com ele foi de vida e de paz, e eu lhas dei para que temesse; então temeu-me, e assombrou-se por causa do meu nome. 6A lei da verdade esteve na sua boca, e a iniqüidade não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão, e da iniqüidade converteu a muitos. 7Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos. 8Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na lei; corrompestes a aliança de Levi, diz o SENHOR dos Exércitos. 9Por isso também eu vos fiz desprezíveis, e indignos diante de todo o povo, visto que não guardastes os meus caminhos, mas fizestes acepção de pessoas na lei. 10Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que agimos aleivosamente cada um contra seu irmão, profanando a aliança de nossos pais? 11Judá tem sido desleal, e abominação se cometeu em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou o santuário do SENHOR, o qual ele ama, e se casou com a filha de deus estranho. 12O SENHOR destruirá das tendas de Jacó o homem que fizer isto, o que vela, e o que responde, e o que apresenta uma oferta ao SENHOR dos Exércitos. 13Ainda fazeis isto outra vez, cobrindo o altar do SENHOR de lágrimas, com choro e com gemidos; de sorte que ele não olha mais para a oferta, nem a aceitará com prazer da vossa mão. 14E dizeis: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança. 15E não fez ele somente um, ainda que lhe sobrava o espírito? E por que somente um? Ele buscava uma descendência para Deus. Portanto guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. 16Porque o SENHOR, o Deus de Israel diz que odeia o repúdio, e aquele que encobre a violência com a sua roupa, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto guardai-vos em vosso espírito, e não sejais desleais. 17Enfadais ao SENHOR com vossas palavras; e ainda dizeis: Em que o enfadamos? Nisto que dizeis: Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do SENHOR, e desses é que ele se agrada, ou, onde está o Deus do juízo? Malaquias 3 1EIS que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. 2Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros. 3E assentar-se-á como fundidor e purificador de prata; e purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como prata; então ao SENHOR trarão oferta em justiça. 4E a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao SENHOR, como nos dias antigos, e como nos primeiros anos. 5E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o diarista em seu salário, e a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o SENHOR dos Exércitos. 6Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. 7Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o SENHOR dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar? 8Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. 9Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. 10Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. 11E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. 12E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos. 13As vossas palavras foram agressivas para mim, diz o SENHOR; mas vós dizeis: Que temos falado contra ti? 14Vós tendes dito: Inútil é servir a Deus; que nos aproveita termos cuidado em guardar os seus preceitos, e em andar de luto diante do SENHOR dos Exércitos? 15Ora, pois, nós reputamos por bem-aventurados os soberbos; também os que cometem impiedade são edificados; sim, eles tentam a Deus, e escapam. 16Então aqueles que temeram ao SENHOR falaram freqüentemente um ao outro; e o SENHOR atentou e ouviu; e um memorial foi escrito diante dele, para os que temeram o SENHOR, e para os que se lembraram do seu nome. 17E eles serão meus, diz o SENHOR dos Exércitos; naquele dia serão para mim jóias; poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho, que o serve. 18Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve. Malaquias 4 1PORQUE eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo. 2Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria. 3E pisareis os ímpios, porque se farão cinza debaixo das plantas de vossos pés, naquele dia que estou preparando, diz o SENHOR dos Exércitos. 4Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, que lhe mandei em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e juízos. 5Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR; 6E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição. NOVO TESTAMENTO Mateus Marcos Lucas João Atos Romanos 1 Coríntios 2 Coríntios Gálatas Efésios Filipenses Colossenses 1 Tessalonicenses 2 Tessalonicenses 1 Timóteo 2 Timóteo Tito Filemom Hebreus Tiago 1 Pedro 2 Pedro 1 João 2 João 3 João Judas Apocalipse Mateus 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 Mateus 1 1LIVRO da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. 2Abraão gerou a Isaque; e Isaque gerou a Jacó; e Jacó gerou a Judá e a seus irmãos; 3E Judá gerou, de Tamar, a Perez e a Zerá; e Perez gerou a Esrom; e Esrom gerou a Arão; 4E Arão gerou a Aminadabe; e Aminadabe gerou a Naassom; e Naassom gerou a Salmom; 5E Salmom gerou, de Raabe, a Boaz; e Boaz gerou de Rute a Obede; e Obede gerou a Jessé; 6E Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias. 7E Salomão gerou a Roboão; e Roboão gerou a Abias; e Abias gerou a Asa; 8E Asa gerou a Josafá; e Josafá gerou a Jorão; e Jorão gerou a Uzias; 9E Uzias gerou a Jotão; e Jotão gerou a Acaz; e Acaz gerou a Ezequias; 10E Ezequias gerou a Manassés; e Manassés gerou a Amom; e Amom gerou a Josias; 11E Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos na deportação para Babilônia. 12E, depois da deportação para a Babilônia, Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel gerou a Zorobabel; 13E Zorobabel gerou a Abiúde; e Abiúde gerou a Eliaquim; e Eliaquim gerou a Azor; 14E Azor gerou a Sadoque; e Sadoque gerou a Aquim; e Aquim gerou a Eliúde; 15E Eliúde gerou a Eleazar; e Eleazar gerou a Matã; e Matã gerou a Jacó; 16E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo. 17De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para a Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para a Babilônia até Cristo, catorze gerações. 18Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Que estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. 19Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixála secretamente. 20E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; 21E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. 22Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz; 23Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco. 24E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher; 25E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome JESUS. Mateus 2 1E, TENDO nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém, 2Dizendo: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos a adorálo. 3E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele. 4E, congregados todos os príncipes dos sacerdotes, e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Cristo. 5E eles lhe disseram: Em Belém de Judéia; porque assim está escrito pelo profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, De modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; Porque de ti sairá o Guia Que há de apascentar o meu povo Israel. 7Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera. 8E, enviando-os a Belém, disse: Ide, e perguntai diligentemente pelo menino e, quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore. 9E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. 10E, vendo eles a estrela, regozijaram-se muito com grande alegria. 11E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra. 12E, sendo por divina revelação avisados num sonho para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho. 13E, tendo eles se retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José num sonho, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demorate lá até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. 14E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito. 15E esteve lá, até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu Filho. 16Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos. 17Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias, que diz: 18Em Ramá se ouviu uma voz, Lamentação, choro e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, E não quer ser consolada, porque já não existem. 19Morto, porém, Herodes, eis que o anjo do Senhor apareceu num sonho a José no Egito, 20Dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vai para a terra de Israel; porque já estão mortos os que procuravam a morte do menino. 21Então ele se levantou, e tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel. 22E, ouvindo que Arquelau reinava na Judéia em lugar de Herodes, seu pai, receou ir para lá; mas avisado num sonho, por divina revelação, foi para as partes da Galiléia. 23E chegou, e habitou numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno. Mateus 3 1E, NAQUELES dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia, 2E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. 3Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. 4E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. 5Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; 6E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. 7E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? 8Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; 9E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão. 10E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. 11E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. 12Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará. 13Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. 14Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim? 15Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu. 16E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. 17E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. Mateus 4 1ENTÃO foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; 3E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. 4Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. 5Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, 6E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. 7Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus. 8Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. 9E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. 10Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. 11Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam. 12Jesus, porém, ouvindo que João estava preso, voltou para a Galiléia; 13E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; 14Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: 15A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, Junto ao caminho do mar, além do Jordão, A Galiléia das nações; 16O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; E, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou. 17Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. 18E Jesus, andando junto ao mar da Galiléia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, os quais lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores; 19E disselhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. 20Então eles, deixando logo as redes, seguiram-no. 21E, adiantando-se dali, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, num barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes; 22E chamouos; eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no. 23E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo. 24E a sua fama correu por toda a Síria, e traziam-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos, e ele os curava. 25E seguia-o uma grande multidão da Galiléia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judéia, e de além do Jordão. Mateus 5 1E JESUS, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaramse dele os seus discípulos; 2E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo: 3Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; 4Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; 5Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; 8Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; 9Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; 10Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; 11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. 12Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. 13Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. 14Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; 15Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. 16Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. 17Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. 18Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido. 19Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. 20Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus. 21Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. 22Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno. 23Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta. 25Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. 26Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil. 27Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. 28Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. 29Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. 30E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. 31Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. 32Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério. 33Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás os teus juramentos ao Senhor. 34Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; 35Nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; 36Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. 37Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. 38Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. 39Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; 40E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; 41E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. 42Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes. 43Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. 44Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; 45Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. 46Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? 47E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? 48Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. Mateus 6 1GUARDAI-VOS de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. 2Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 3Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; 4Para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente. 5E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 6Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. 7E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. 8Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes. 9Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; 11O pão nosso de cada dia nos dá hoje; 12E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; 13E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém. 14Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; 15Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. 16E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 17Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, 18Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. 19Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; 20Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. 21Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. 22A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; 23Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! 24Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. 25Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? 26Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? 27E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? 28E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; 29E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? 31Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? 32Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; 33Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. 34Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. Mateus 7 1NÃO julgueis, para que não sejais julgados. 2Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. 3E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? 4Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? 5Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão. 6Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem. 7Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 8Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrirse-lhe-á. 9E qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? 10E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? 11Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? 12Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas. 13Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; 14E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem. 15Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. 16Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? 17Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. 18Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. 19Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. 20Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. 21Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? 23E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. 24Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-loei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; 25E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. 26E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; 27E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. 28E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina; 29Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas. Mateus 8 1E, DESCENDO ele do monte, seguiu-o uma grande multidão. 2E, eis que veio um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. 3E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra. 4Disse-lhe então Jesus: Olha, não o digas a alguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho. 5E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe, 6E dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado. 7E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde. 8E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. 9Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz. 10E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. 11Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; 12E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. 13Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado sarou. 14E Jesus, entrando em casa de Pedro, viu a sogra deste acamada, e com febre. 15E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se, e serviu-os. 16E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele com a sua palavra expulsou deles os espíritos, e curou todos os que estavam enfermos; 17Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças. 18E Jesus, vendo em torno de si uma grande multidão, ordenou que passassem para o outro lado; 19E, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, aonde quer que fores, eu te seguirei. 20E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. 21E outro de seus discípulos lhe disse: Senhor, permite-me que primeiramente vá sepultar meu pai. 22Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos. 23E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram; 24E eis que no mar se levantou uma tempestade, tão grande que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo. 25E os seus discípulos, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salvanos! que perecemos. 26E ele disselhes: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança. 27E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem? 28E, tendo chegado ao outro lado, à província dos gergesenos, saíram-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulcros; tão ferozes eram que ninguém podia passar por aquele caminho. 29E eis que clamaram, dizendo: Que temos nós contigo, Jesus, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo? 30E andava pastando distante deles uma manada de muitos porcos. 31E os demônios rogaram-lhe, dizendo: Se nos expulsas, permite-nos que entremos naquela manada de porcos. 32E ele lhes disse: Ide. E, saindo eles, se introduziram na manada dos porcos; e eis que toda aquela manada de porcos se precipitou no mar por um despenhadeiro, e morreram nas águas. 33Os porqueiros fugiram e, chegando à cidade, divulgaram tudo o que acontecera aos endemoninhados. 34E eis que toda aquela cidade saiu ao encontro de Jesus e, vendo-o, rogaram-lhe que se retirasse dos seus termos. Mateus 9 1E, ENTRANDO no barco, passou para o outro lado, e chegou à sua cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico, deitado numa cama. 2E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, tem bom ânimo, perdoados te são os teus pecados. 3E eis que alguns dos escribas diziam entre si: Ele blasfema. 4Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: Por que pensais mal em vossos corações? 5Pois, qual é mais fácil? dizer: Perdoados te são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te e anda? 6Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa. 7E, levantando-se, foi para sua casa. 8E a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal poder aos homens. 9E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na recebedoria um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu. 10E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos. 11E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? 12Jesus, porém, ouvindo, disselhes: Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes. 13 Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento. 14Então, chegaram ao pé dele os discípulos de João, dizendo: Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam? 15E disselhes Jesus: Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão, em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão. 16Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha, porque semelhante remendo rompe a roupa, e faz-se maior a rotura. 17Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam. 18Dizendo-lhes ele estas coisas, eis que chegou um chefe, e o adorou, dizendo: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impõe-lhe a tua mão, e ela viverá. 19E Jesus, levantando-se, seguiu-o, ele e os seus discípulos. 20E eis que uma mulher que havia já doze anos padecia de um fluxo de sangue, chegando por detrás dele, tocou a orla de sua roupa; 21Porque dizia consigo: Se eu tão-somente tocar a sua roupa, ficarei sã. 22E Jesus, voltando-se, e vendo-a, disse: Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou. E imediatamente a mulher ficou sã. 23E Jesus, chegando à casa daquele chefe, e vendo os instrumentistas, e o povo em alvoroço, 24Disselhes: Retirai-vos, que a menina não está morta, mas dorme. E riam-se dele. 25E, logo que o povo foi posto fora, entrou Jesus, e pegou-lhe na mão, e a menina levantou-se. 26E espalhou-se aquela notícia por todo aquele país. 27E, partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos, clamando, e dizendo: Tem compaixão de nós, filho de Davi. 28E, quando chegou à casa, os cegos se aproximaram dele; e Jesus disselhes: Credes vós que eu possa fazer isto? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor. 29Tocou então os olhos deles, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé. 30E os olhos se lhes abriram. E Jesus ameaçou-os, dizendo: Olhai que ninguém o saiba. 31Mas, tendo eles saído, divulgaram a sua fama por toda aquela terra. 32E, havendo-se eles retirado, trouxeram-lhe um homem mudo e endemoninhado. 33E, expulso o demônio, falou o mudo; e a multidão se maravilhou, dizendo: Nunca tal se viu em Israel. 34Mas os fariseus diziam: Ele expulsa os demônios pelo príncipe dos demônios. 35E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo. 36E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor. 37Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros. 38Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara. Mateus 10 1E, CHAMANDO os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal. 2Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: O primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Lebeu, apelidado Tadeu; 4Simão, o Cananita, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu. 5Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; 6Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; 7E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. 8Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai. 9Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos, 10Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordões; porque digno é o operário do seu alimento. 11E, em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem nela seja digno, e hospedai-vos aí, até que vos retireis. 12E, quando entrardes nalguma casa, saudai-a; 13E, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz. 14E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés. 15Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade. 16Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. 17Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; 18E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios. 19Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer. 20Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós. 21E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. 22E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. 23Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem. 24Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor. 25Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos? 26Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se. 27O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutais ao ouvido pregai-o sobre os telhados. 28E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo. 29Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. 30E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. 31Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos. 32Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. 33Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus. 34Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; 35Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; 36E assim os inimigos do homem serão os seus familiares. 37Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. 38E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. 39Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á. 40Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. 41Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de justo. 42E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão. Mateus 11 1E ACONTECEU que, acabando Jesus de dar instruções aos seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles. 2E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos, 3A dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? 4E Jesus, respondendo, disselhes: Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: 5Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. 6E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim. 7E, partindo eles, começou Jesus a dizer às turbas, a respeito de João: Que fostes ver no deserto? uma cana agitada pelo vento? 8Sim, que fostes ver? um homem ricamente vestido? Os que trajam ricamente estão nas casas dos reis. 9Mas, então que fostes ver? um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta; 10Porque é este de quem está escrito: Eis que diante da tua face envio o meu anjo, Que preparará diante de ti o teu caminho. 11Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. 12E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele. 13Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. 14E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. 15Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. 16Mas, a quem assemelharei esta geração? É semelhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros, 17E dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes. 18Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. 19Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos. 20Então começou ele a lançar em rosto às cidades onde se operou a maior parte dos seus prodígios o não se haverem arrependido, dizendo: 21Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. 22Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós. 23E tu, Cafarnaum, que te ergues até ao céu, serás abatida até ao inferno; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. 24Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti. 25Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, ó Pai, porque assim te aprouve. 27Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. 29Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. 30Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. Mateus 12 1NAQUELE tempo passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas, e a comer. 2E os fariseus, vendo isto, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado. 3Ele, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam? 4Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes? 5Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa? 6Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo. 7Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. 8Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor. 9E, partindo dali, chegou à sinagoga deles. 10E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para o acusarem, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados? 11E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará? 12Pois, quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por conseqüência, lícito fazer bem nos sábados. 13Então disse àquele homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e ficou sã como a outra. 14E os fariseus, tendo saído, formaram conselho contra ele, para o matarem. 15Jesus, sabendo isso, retirou-se dali, e acompanharam-no grandes multidões, e ele curou a todas. 16E recomendava-lhes rigorosamente que o não descobrissem, 17Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: 18Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz; Porei sobre ele o meu espírito, E anunciará aos gentios o juízo. 19Não contenderá, nem clamará, Nem alguém ouvirá pelas ruas a sua voz; 20Não esmagará a cana quebrada, E não apagará o morrão que fumega, Até que faça triunfar o juízo; 21E no seu nome os gentios esperarão. 22Trouxeram-lhe, então, um endemoninhado cego e mudo; e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via. 23E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o Filho de Davi? 24Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios. 25Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disselhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. 26E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino? 27E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam então vossos filhos? Portanto, eles mesmos serão os vossos juízes. 28Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus. 29Ou, como pode alguém entrar na casa do homem valente, e furtar os seus bens, se primeiro não maniatar o valente, saqueando então a sua casa? 30Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha. 31Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. 32E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro. 33Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. 34Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. 35O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. 36Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. 37Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado. 38Então alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal. 39Mas ele lhes respondeu, e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o sinal do profeta Jonas; 40Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra. 41Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é maior do que Jonas. 42A rainha do sul se levantará no dia do juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é maior do que Salomão. 43E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. 44Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. 45Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má. 46E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe. 47E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. 48Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? 49E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; 50Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe. Mateus 13 1TENDO Jesus saído de casa, naquele dia, estava assentado junto ao mar; 2E ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. 3E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear. 4E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na; 5E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda; 6Mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz. 7E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na. 8E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta. 9Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. 10E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? 11Ele, respondendo, disselhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; 12Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. 13Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. 14E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis. 15Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure. 16Mas, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. 17Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram. 18Escutai vós, pois, a parábola do semeador. 19Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho. 20O que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; 21Mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende; 22E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera; 23Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta. 24Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo; 25Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. 26E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. 27E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio? 28E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo? 29Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. 30Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro. 31Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo; 32O qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos. 33Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado. 34Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas; 35Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: Abrirei em parábolas a minha boca; Publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo. 36Então, tendo despedido a multidão, foi Jesus para casa. E chegaram ao pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo. 37E ele, respondendo, disselhes: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem; 38O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; 39O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. 40Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. 41Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade. 42E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. 43Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. 44Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo. 45Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; 46E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a. 47 Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. 48E, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. 49Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos, 50E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. 51E disselhes Jesus: Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor. 52E ele disselhes: Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas. 53E aconteceu que Jesus, concluindo estas parábolas, se retirou dali. 54E, chegando à sua pátria, ensinava-os na sinagoga deles, de sorte que se maravilhavam, e diziam: De onde veio a este a sabedoria, e estas maravilhas? 55Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? 56E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? 57E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua casa. 58E não fez ali muitas maravilhas, por causa da incredulidade deles. Mateus 14 1NAQUELE tempo ouviu Herodes, o tetrarca, a fama de Jesus, 2E disse aos seus criados: Este é João o Batista; ressuscitou dos mortos, e por isso estas maravilhas operam nele. 3Porque Herodes tinha prendido João, e tinha-o maniatado e encerrado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe; 4Porque João lhe dissera: Não te é lícito possuí-la. 5E, querendo matá-lo, temia o povo; porque o tinham como profeta. 6Festejando-se, porém, o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante dele, e agradou a Herodes. 7Por isso prometeu, com juramento, dar-lhe tudo o que pedisse; 8E ela, instruída previamente por sua mãe, disse: Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João o Batista. 9E o rei afligiu-se, mas, por causa do juramento, e dos que estavam à mesa com ele, ordenou que se lhe desse. 10E mandou degolar João no cárcere. 11E a sua cabeça foi trazida num prato, e dada à jovem, e ela a levou a sua mãe. 12E chegaram os seus discípulos, e levaram o corpo, e o sepultaram; e foram anunciá-lo a Jesus. 13E Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, apartado; e, sabendo-o o povo, seguiu-o a pé desde as cidades. 14E, Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos. 15E, sendo chegada a tarde, os seus discípulos aproximaram-se dele, dizendo: O lugar é deserto, e a hora é já avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si. 16Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer. 17Então eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. 18E ele disse: Trazei-mos aqui. 19E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva, tomou os cinco pães e os dois peixes, e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão. 20E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram dos pedaços, que sobejaram, doze alcofas cheias. 21E os que comeram foram quase cinco mil homens, além das mulheres e crianças. 22E logo ordenou Jesus que os seus discípulos entrassem no barco, e fossem adiante para o outro lado, enquanto despedia a multidão. 23E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só. 24E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário; 25Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar. 26E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo. 27Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. 28E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, mandame ir ter contigo por cima das águas. 29E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. 30Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! 31E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste? 32E, quando subiram para o barco, acalmou o vento. 33Então aproximaram-se os que estavam no barco, e adoraram-no, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus. 34E, tendo passado para o outro lado, chegaram à terra de Genesaré. 35E, quando os homens daquele lugar o conheceram, mandaram por todas aquelas terras em redor e trouxeram-lhe todos os que estavam enfermos. 36E rogavam-lhe que ao menos eles pudessem tocar a orla da sua roupa; e todos os que a tocavam ficavam sãos. Mateus 15 1ENTÃO chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo: 2Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão. 3Ele, porém, respondendo, disselhes: Por que transgredis vós, também, o mandamento de Deus pela vossa tradição? 4Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá. 5Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe, 6E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus. 7Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: 8Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. 9Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens. 10E, chamando a si a multidão, disselhes: Ouvi, e entendei: 11O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. 12Então, acercando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram? 13Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada. 14Deixai-os; são cegos condutores de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova. 15E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola. 16Jesus, porém, disse: Até vós mesmos estais ainda sem entender? 17Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? 18Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. 19Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. 20São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem. 21E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom. 22E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. 23Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. 24E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. 25Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me! 26Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. 27E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. 28Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã. 29Partindo Jesus dali, chegou ao pé do mar da Galiléia, e, subindo a um monte, assentou-se lá. 30E veio ter com ele grandes multidões, que traziam coxos, cegos, mudos, aleijados, e outros muitos, e os puseram aos pés de Jesus, e ele os sarou, 31De tal sorte, que a multidão se maravilhou vendo os mudos a falar, os aleijados sãos, os coxos a andar, e os cegos a ver; e glorificava o Deus de Israel. 32E Jesus, chamando os seus discípulos, disse: Tenho compaixão da multidão, porque já está comigo há três dias, e não tem o que comer; e não quero despedila em jejum, para que não desfaleça no caminho. 33E os seus discípulos disseram-lhe: De onde nos viriam, num deserto, tantos pães, para saciar tal multidão? 34E Jesus disselhes: Quantos pães tendes? E eles disseram: Sete, e uns poucos de peixinhos. 35Então mandou à multidão que se assentasse no chão, 36E, tomando os sete pães e os peixes, e dando graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos, e os discípulos à multidão. 37E todos comeram e se saciaram; e levantaram, do que sobejou, sete cestos cheios de pedaços. 38Ora, os que tinham comido eram quatro mil homens, além de mulheres e crianças. 39E, tendo despedido a multidão, entrou no barco, e dirigiu-se ao território de Magadã. Mateus 16 1E, CHEGANDO-SE os fariseus e os saduceus, para o tentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu. 2Mas ele, respondendo, disselhes: Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. 3E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não conheceis os sinais dos tempos? 4Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. E, deixando-os, retirou-se. 5E, passando seus discípulos para o outro lado, tinham-se esquecido de trazer pão. 6E Jesus disselhes: Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus. 7E eles arrazoavam entre si, dizendo: É porque não trouxemos pão. 8E Jesus, percebendo isso, disse: Por que arrazoais entre vós, homens de pouca fé, sobre o não terdes trazido pão? 9Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens, e de quantas alcofas levantastes? 10Nem dos sete pães para quatro mil, e de quantos cestos levantastes? 11Como não compreendestes que não vos falei a respeito do pão, mas que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus? 12Então compreenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos fariseus. 13E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? 14E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. 15Disselhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? 16E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. 18Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; 19E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus. 20Então mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era Jesus o Cristo. 21Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. 22E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. 23Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens. 24Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; 25Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. 26Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma? 27Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras. 28Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino. Mateus 17 1SEIS dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, 2E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. 3E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. 4E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias. 5E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o. 6E os discípulos, ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo. 7E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes, e disse: Levantai-vos, e não tenhais medo. 8E, erguendo eles os olhos, ninguém viram senão unicamente a Jesus. 9E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dentre os mortos. 10E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Por que dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro? 11E Jesus, respondendo, disselhes: Em verdade Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas; 12Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem. 13Então entenderam os discípulos que lhes falara de João o Batista. 14E, quando chegaram à multidão, aproximou-se-lhe um homem, pondo-se de joelhos diante dele, e dizendo: 15Senhor, tem misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água; 16E trouxe-o aos teus discípulos; e não puderam curá-lo. 17E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e perversa! até quando estarei eu convosco, e até quando vos sofrerei? Trazei-mo aqui. 18E, repreendeu Jesus o demônio, que saiu dele, e desde aquela hora o menino sarou. 19Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram: Por que não pudemos nós expulsá-lo? 20E Jesus lhes disse: Por causa de vossa incredulidade; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível. 21Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum. 22Ora, achando-se eles na Galiléia, disselhes Jesus: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens; 23E matá-lo-ão, e ao terceiro dia ressuscitará. E eles se entristeceram muito. 24E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas? 25Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios? 26Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, estão livres os filhos. 27Mas, para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-o por mim e por ti. Mateus 18 1NAQUELA mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no reino dos céus? 2E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, 3E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. 4Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus. 5E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe. 6Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar. 7Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! 8Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. 9E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno. 10Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus. 11Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido. 12Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? 13E, se porventura achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquela do que pelas noventa e nove que se não desgarraram. 14Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca. 15Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; 16Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. 17E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. 18Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. 19Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. 20Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. 21Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? 22Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete. 23Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos; 24E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos; 25E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse. 26Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. 27Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. 28Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. 29Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. 30Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. 31Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara. 32Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. 33Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? 34E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que lhe devia. 35Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas. Mateus 19 1E ACONTECEU que, concluindo Jesus estes discursos, saiu da Galiléia, e dirigiu-se aos confins da Judéia, além do Jordão; 2E seguiram-no grandes multidões, e curou-as ali. 3Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o, e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? 4Ele, porém, respondendo, disselhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, 5E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? 6Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. 7Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la? 8Disselhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim. 9Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. 10Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar. 11Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido. 12Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o. 13Trouxeram-lhe, então, alguns meninos, para que sobre eles pusesse as mãos, e orasse; mas os discípulos os repreendiam. 14Jesus, porém, disse: Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus. 15E, tendo-lhes imposto as mãos, partiu dali. 16E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? 17E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. 18Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; 19Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. 20Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? 21Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. 22E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades. 23Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus. 24E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. 25Os seus discípulos, ouvindo isto, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá pois salvar-se? 26E Jesus, olhando para eles, disselhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível. 27Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos? 28E Jesus disselhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. 29E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna. 30Porém, muitos primeiros serão os derradeiros, e muitos derradeiros serão os primeiros. Mateus 20 1PORQUE o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha. 2E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha. 3E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça, 4E disselhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. 5Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo. 6E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia? 7Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo. 8E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros. 9E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um. 10Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um. 11E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de família, 12Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia. 13Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro? 14Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. 15Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? 16Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos. 17E, subindo Jesus a Jerusalém, chamou à parte os seus doze discípulos, e no caminho disselhes: 18Eis que vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lo-ão à morte. 19E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará. 20Então se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o, e fazendo-lhe um pedido. 21E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino. 22Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? Dizem-lhe eles: Podemos. 23E diz-lhes ele: Na verdade bebereis o meu cálice e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado, mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence dá-lo, mas é para aqueles para quem meu Pai o tem preparado. 24E, quando os dez ouviram isto, indignaram-se contra os dois irmãos. 25Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. 26Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; 27E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; 28Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos. 29E, saindo eles de Jericó, seguiu-o grande multidão. 30E eis que dois cegos, assentados junto do caminho, ouvindo que Jesus passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós! 31E a multidão os repreendia, para que se calassem; eles, porém, cada vez clamavam mais, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós! 32E Jesus, parando, chamou-os, e disse: Que quereis que vos faça? 33Disseram-lhe eles: Senhor, que os nossos olhos sejam abertos. 34Então Jesus, movido de íntima compaixão, tocou-lhes nos olhos, e logo seus olhos viram; e eles o seguiram. Mateus 21 1E, QUANDO se aproximaram de Jerusalém, e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras, enviou, então, Jesus dois discípulos, dizendo-lhes: 2 Ide à aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ela; desprendei-a, e trazei-mos. 3E, se alguém vos disser alguma coisa, direis que o Senhor os há de mister; e logo os enviará. 4Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, que diz: 5Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei aí te vem, Manso, e assentado sobre uma jumenta, E sobre um jumentinho, filho de animal de carga. 6E, indo os discípulos, e fazendo como Jesus lhes ordenara, 7Trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram as suas vestes, e fizeram-no assentar em cima. 8E muitíssima gente estendia as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores, e os espalhavam pelo caminho. 9E a multidão que ia adiante, e a que seguia, clamava, dizendo: Hosana ao Filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas! 10E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, dizendo: Quem é este? 11E a multidão dizia: Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia. 12E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; 13E disselhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. 14E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os. 15Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaramse, 16E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor? 17E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite. 18E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome; 19E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. 20E os discípulos, vendo isto, maravilharam-se, dizendo: Como secou imediatamente a figueira? 21Jesus, porém, respondendo, disselhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito; 22E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis. 23E, chegando ao templo, acercaram-se dele, estando já ensinando, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo, dizendo: Com que autoridade fazes isto? e quem te deu tal autoridade? 24E Jesus, respondendo, disselhes: Eu também vos perguntarei uma coisa; se ma disserdes, também eu vos direi com que autoridade faço isto. 25O batismo de João, de onde era? Do céu, ou dos homens? E pensavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que não o crestes? 26E, se dissermos: Dos homens, tememos o povo, porque todos consideram João como profeta. 27E, respondendo a Jesus, disseram: Não sabemos. Ele disselhes: Nem eu vos digo com que autoridade faço isto. 28Mas, que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. 29Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se, foi. 30E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disselhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus. 32Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer. 33Ouvi, ainda, outra parábola: Houve um homem, pai de família, que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe. 34E, chegando o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos. 35E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram um, mataram outro, e apedrejaram outro. 36Depois enviou outros servos, em maior número do que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo. 37E, por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho. 38Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. 39E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha, e o mataram. 40Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? 41Dizem-lhe eles: Dará afrontosa morte aos maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem os frutos. 42Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, Essa foi posta por cabeça do ângulo; Pelo Senhor foi feito isto, E é maravilhoso aos nossos olhos? 43Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos. 44E, quem cair sobre esta pedra, despedaçar-se-á; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó. 45E os príncipes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas palavras, entenderam que falava deles; 46E, pretendendo prendê-lo, recearam o povo, porquanto o tinham por profeta. Mateus 22 1ENTÃO Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo: 2O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho; 3E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir. 4Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas. 5Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio; 6E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram. 7E o rei, tendo notícia disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade. 8Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. 9 Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes. 10E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados. 11E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias. 12E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu. 13Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. 14Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos. 15Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam nalguma palavra; 16E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens. 17Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não? 18Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas? 19Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro. 20E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição? 21Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. 22E eles, ouvindo isto, maravilharam-se, e, deixando-o, se retiraram. 23No mesmo dia chegaram junto dele os saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram, 24Dizendo: Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, casará o seu irmão com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão. 25Ora, houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão. 26Da mesma sorte o segundo, e o terceiro, até ao sétimo; 27Por fim, depois de todos, morreu também a mulher. 28Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que todos a possuíram? 29Jesus, porém, respondendo, disselhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. 30Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu. 31E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: 32Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos. 33E, as turbas, ouvindo isto, ficaram maravilhadas da sua doutrina. 34E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. 35E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: 36Mestre, qual é o grande mandamento na lei? 37E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. 38Este é o primeiro e grande mandamento. 39E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 40Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. 41E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus, 42Dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi. 43Disselhes ele: Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo: 44Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? 45Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho? 46E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo. Mateus 23 1ENTÃO falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, 2Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. 3Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem; 4Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los; 5E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes, 6E amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas, 7E as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens; Rabi, Rabi. 8Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos. 9E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. 10Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. 11O maior dentre vós será vosso servo. 12E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado. 13Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando. 14Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo. 15Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós. 16Ai de vós, condutores cegos! pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse é devedor. 17 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que santifica o ouro? 18E aquele que jurar pelo altar isso nada é; mas aquele que jurar pela oferta que está sobre o altar, esse é devedor. 19 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar, que santifica a oferta? 20Portanto, o que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que sobre ele está; 21E, o que jurar pelo templo, jura por ele e por aquele que nele habita; 22E, o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado nele. 23Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas. 24Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo. 25Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de intemperança. 26Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo. 27Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. 28Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade. 29Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, 30E dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas. 31Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas. 32Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. 33Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno? 34Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade; 35Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar. 36Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração. 37Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste! 38Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; 39Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor. Mateus 24 1E, QUANDO Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. 2Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada. 3E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? 4E Jesus, respondendo, disselhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; 5Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. 6E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. 7Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. 8Mas todas estas coisas são o princípio de dores. 9Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. 10Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. 11E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. 12E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. 13Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. 14E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. 15Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, entenda; 16Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; 17E quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa de sua casa; 18E quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes. 19Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias! 20E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado; 21Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver. 22E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias. 23Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; 24Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. 25Eis que eu vo-lo tenho predito. 26Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. 27Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem. 28Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias. 29E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. 30Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. 31E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. 32Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. 33 Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas. 34Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam. 35O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. 36Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai. 37E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. 38Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, 39E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. 40Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro; 41Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra. 42Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. 43Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. 44Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis. 45Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? 46Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim. 47Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens. 48Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá; 49E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios, 50Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe, 51E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes. Mateus 25 1ENTÃO o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. 2E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas. 3As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. 4Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. 5E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram. 6Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro. 7Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas. 8E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. 9Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. 10E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. 11E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abrenos. 12E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. 13Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir. 14Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. 15E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. 16E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos. 17Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. 18Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles. 20Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. 21E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 22E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos. 23Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 24Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conheciate, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; 25E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. 26Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? 27Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros. 28Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. 29Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado. 30Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. 31E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; 32E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; 33E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. 34Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; 35Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; 36Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastesme; estive na prisão, e fostes me ver. 37Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? 38E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? 39E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? 40E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. 41Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; 42Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; 43Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes. 44Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? 45Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. 46E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. Mateus 26 1E ACONTECEU que, quando Jesus concluiu todos estes discursos, disse aos seus discípulos: 2Bem sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado. 3Depois os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos do povo reuniram-se na sala do sumo sacerdote, o qual se chamava Caifás. 4E consultaram-se mutuamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem. 5Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja alvoroço entre o povo. 6E, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, 7Aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com ungüento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava assentado à mesa. 8E os seus discípulos, vendo isto, indignaram-se, dizendo: Por que é este desperdício? 9Pois este ungüento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres. 10Jesus, porém, conhecendo isto, disselhes: Por que afligis esta mulher? pois praticou uma boa ação para comigo. 11Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre. 12Ora, derramando ela este ungüento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento. 13Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho for pregado em todo o mundo, também será referido o que ela fez, para memória sua. 14Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes, 15E disse: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata, 16E desde então buscava oportunidade para o entregar. 17E, no primeiro dia da festa dos pães ázimos, chegaram os discípulos junto de Jesus, dizendo: Onde queres que façamos os preparativos para comeres a páscoa? 18E ele disse: Ide à cidade, a um certo homem, e dizei-lhe: O Mestre diz: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a páscoa com os meus discípulos. 19E os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a páscoa. 20E, chegada a tarde, assentou-se à mesa com os doze. 21E, comendo eles, disse: Em verdade vos digo que um de vós me há de trair. 22E eles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: Porventura sou eu, Senhor? 23E ele, respondendo, disse: O que põe comigo a mão no prato, esse me há de trair. 24Em verdade o Filho do homem vai, como acerca dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido. 25E, respondendo Judas, o que o traía, disse: Porventura sou eu, Rabi? Ele disse: Tu o disseste. 26E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. 27E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; 28Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. 29E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai. 30E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras. 31Então Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão. 32Mas, depois de eu ressuscitar, irei adiante de vós para a Galiléia. 33Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei. 34Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás. 35Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja mister morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo. 36Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar. 37E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. 38Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo. 39E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. 40E, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então nem uma hora pudeste velar comigo? 41Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. 42E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade. 43E, voltando, achou-os outra vez adormecidos; porque os seus olhos estavam pesados. 44E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. 45Então chegou junto dos seus discípulos, e disselhes: Dormi agora, e repousai; eis que é chegada a hora, e o Filho do homem será entregue nas mãos dos pecadores. 46Levantai-vos, partamos; eis que é chegado o que me trai. 47E, estando ele ainda a falar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. 48E o que o traía tinha-lhes dado um sinal, dizendo: O que eu beijar é esse; prendei-o. 49E logo, aproximando-se de Jesus, disse: Eu te saúdo, Rabi; e beijou-o. 50Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam. 51E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha. 52Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão. 53Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? 54Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça? 55Então disse Jesus à multidão: Saístes, como para um salteador, com espadas e varapaus para me prender? Todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo, e não me prendestes. 56Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escrituras dos profetas. Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram. 57E os que prenderam a Jesus o conduziram à casa do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos. 58E Pedro o seguiu de longe, até ao pátio do sumo sacerdote e, entrando, assentou-se entre os criados, para ver o fim. 59Ora, os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe a morte; 60E não o achavam; apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas, não o achavam. Mas, por fim chegaram duas testemunhas falsas, 61E disseram: Este disse: Eu posso derrubar o templo de Deus, e reedificá-lo em três dias. 62E, levantando-se o sumo sacerdote, disse-lhe: Não respondes coisa alguma ao que estes depõem contra ti? 63Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. 64Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu. 65Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasfêmia. 66Que vos parece? E eles, respondendo, disseram: É réu de morte. 67Então cuspiram-lhe no rosto e lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam, 68Dizendo: Profetiza-nos, Cristo, quem é o que te bateu? 69Ora, Pedro estava assentado fora, no pátio; e, aproximando-se dele uma criada, disse: Tu também estavas com Jesus, o galileu. 70Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. 71E, saindo para o vestíbulo, outra criada o viu, e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno. 72E ele negou outra vez com juramento: Não conheço tal homem. 73E, daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente também tu és deles, pois a tua fala te denuncia. 74Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou. 75E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente. Mateus 27 1E, CHEGANDO a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos do povo, formavam juntamente conselho contra Jesus, para o matarem; 2E maniatando-o, o levaram e entregaram ao presidente Pôncio Pilatos. 3Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, 4Dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo. 5E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar. 6E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito colocá-las no cofre das ofertas, porque são preço de sangue. 7E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo de um oleiro, para sepultura dos estrangeiros. 8Por isso foi chamado aquele campo, até ao dia de hoje, Campo de Sangue. 9Então se realizou o que vaticinara o profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, que certos filhos de Israel avaliaram, 10E deram-nas pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor me determinou. 11E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes. 12E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. 13Disse-lhe então Pilatos: Não ouves quanto testificam contra ti? 14E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado. 15Ora, por ocasião da festa, costumava o presidente soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quisesse. 16E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás. 17Portanto, estando eles reunidos, disselhes Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo? 18Porque sabia que por inveja o haviam entregado. 19E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele. 20Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram à multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus. 21E, respondendo o presidente, disselhes: Qual desses dois quereis vós que eu solte? E eles disseram: Barrabás. 22Disselhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado. 23O presidente, porém, disse: Mas que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado. 24Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso. 25E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos. 26Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado. 27E logo os soldados do presidente, conduzindo Jesus à audiência, reuniram junto dele toda a coorte. 28E, despindo-o, o cobriram com uma capa de escarlate; 29E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e em sua mão direita uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus. 30E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e batiam-lhe com ela na cabeça. 31E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado. 32E, quando saíam, encontraram um homem cireneu, chamado Simão, a quem constrangeram a levar a sua cruz. 33E, chegando ao lugar chamado Gólgota, que se diz: Lugar da Caveira, 34Deram-lhe a beber vinagre misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber. 35E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes. 36E, assentados, o guardavam ali. 37E por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS. 38E foram crucificados com ele dois salteadores, um à direita, e outro à esquerda. 39E os que passavam blasfemavam dele, meneando as cabeças, 40E dizendo: Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz. 41E da mesma maneira também os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus, escarnecendo, diziam: 42Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e crê-lo-emos. 43Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus. 44E o mesmo lhe lançaram também em rosto os salteadores que com ele estavam crucificados. 45E desde a hora sexta houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona. 46E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? 47E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Este chama por Elias, 48E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, e embebeu-a em vinagre, e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber. 49Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livrá-lo. 50E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. 51E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; 52E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados; 53E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos. 54E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus. 55E estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galiléia, para o servir; 56Entre as quais estavam Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. 57E, vinda já a tarde, chegou um homem rico, de Arimatéia, por nome José, que também era discípulo de Jesus. 58Este foi ter com Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo lhe fosse dado. 59E José, tomando o corpo, envolveu-o num fino e limpo lençol, 60E o pôs no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha, e, rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se. 61E estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, assentadas defronte do sepulcro. 62E no dia seguinte, que é o dia depois da Preparação, reuniram-se os príncipes dos sacerdotes e os fariseus em casa de Pilatos, 63Dizendo: Senhor, lembramonos de que aquele enganador, vivendo ainda, disse: Depois de três dias ressuscitarei. 64Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, não se dê o caso que os seus discípulos vão de noite, e o furtem, e digam ao povo: Ressuscitou dentre os mortos; e assim o último erro será pior do que o primeiro. 65E disselhes Pilatos: Tendes a guarda; ide, guardai-o como entenderdes. 66E, indo eles, seguraram o sepulcro com a guarda, selando a pedra. Mateus 28 1E, NO fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. 2E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra da porta, e sentou-se sobre ela. 3E o seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes brancas como neve. 4E os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados, e como mortos. 5Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. 6Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia. 7 Ide pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dentre os mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. Eis que eu vo-lo tenho dito. 8E, saindo elas pressurosamente do sepulcro, com temor e grande alegria, correram a anunciá-lo aos seus discípulos. 9E, indo elas a dar as novas aos seus discípulos, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram. 10Então Jesus disselhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galiléia, e lá me verão. 11E, quando iam, eis que alguns da guarda, chegando à cidade, anunciaram aos príncipes dos sacerdotes todas as coisas que haviam acontecido. 12E, congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados, 13Dizendo: Dizei: Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram. 14E, se isto chegar a ser ouvido pelo presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança. 15E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado este dito entre os judeus, até ao dia de hoje. 16E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. 17E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. 18E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. 19Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. Marcos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Marcos 1 1PRINCÍPIO do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus; 2Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. 3Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. 4Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados. 5E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6E João andava vestido de pêlos de camelo, e com um cinto de couro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. 7E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas. 8Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo. 9E aconteceu naqueles dias que Jesus, tendo ido de Nazaré da Galiléia, foi batizado por João, no Jordão. 10E, logo que saiu da água, viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descia sobre ele. 11E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo. 12E logo o Espírito o impeliu para o deserto. 13E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás. E vivia entre as feras, e os anjos o serviam. 14E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, 15E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho. 16E, andando junto do mar da Galiléia, viu Simão, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17E Jesus lhes disse: Vinde após mim, e eu farei que sejais pescadores de homens. 18E, deixando logo as suas redes, o seguiram. 19E, passando dali um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes, 20E logo os chamou. E eles, deixando o seu pai Zebedeu no barco com os jornaleiros, foram após ele. 21Entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, indo ele à sinagoga, ali ensinava. 22E maravilharam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas. 23E estava na sinagoga deles um homem com um espírito imundo, o qual exclamou, 24Dizendo: Ah! que temos contigo, Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus. 25E repreendeu-o Jesus, dizendo: Cala-te, e sai dele. 26Então o espírito imundo, convulsionando-o, e clamando com grande voz, saiu dele. 27E todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Que nova doutrina é esta? Pois com autoridade ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem! 28E logo correu a sua fama por toda a província da Galiléia. 29E logo, saindo da sinagoga, foram à casa de Simão e de André com Tiago e João. 30E a sogra de Simão estava deitada com febre; e logo lhe falaram dela. 31Então, chegando-se a ela, tomou-a pela mão, e levantou-a; e imediatamente a febre a deixou, e servia-os. 32E, tendo chegado a tarde, quando já se estava pondo o sol, trouxeram-lhe todos os que se achavam enfermos, e os endemoninhados. 33E toda a cidade se ajuntou à porta. 34E curou muitos que se achavam enfermos de diversas enfermidades, e expulsou muitos demônios, porém não deixava falar os demônios, porque o conheciam. 35E, levantando-se de manhã, muito cedo, fazendo ainda escuro, saiu, e foi para um lugar deserto, e ali orava. 36E seguiram-no Simão e os que com ele estavam. 37E, achando-o, lhe disseram: Todos te buscam. 38E ele lhes disse: Vamos às aldeias vizinhas, para que eu ali também pregue; porque para isso vim. 39E pregava nas sinagogas deles, por toda a Galiléia, e expulsava os demônios. 40E aproximou-se dele um leproso que, rogando-lhe, e pondo-se de joelhos diante dele, lhe dizia: Se queres, bem podes limpar-me. 41E Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse-lhe: Quero, sê limpo. 42E, tendo ele dito isto, logo a lepra desapareceu, e ficou limpo. 43E, advertindo-o severamente, logo o despediu. 44E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém; porém vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho. 45Mas, tendo ele saído, começou a apregoar muitas coisas, e a divulgar o que acontecera; de sorte que Jesus já não podia entrar publicamente na cidade, mas conservava-se fora em lugares desertos; e de todas as partes iam ter com ele. Marcos 2 1E ALGUNS dias depois entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa. 2E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra. 3E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro. 4E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados. 6E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: 7Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? 8E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? 9Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? 10Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. 12E levantou-se e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos. 13E tornou a sair para o mar, e toda a multidão ia ter com ele, e ele os ensinava. 14E, passando, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. E, levantando-se, o seguiu. 15E aconteceu que, estando sentado à mesa em casa deste, também estavam sentados à mesa com Jesus e seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque eram muitos, e o tinham seguido. 16E os escribas e fariseus, vendo-o comer com os publicanos e pecadores, disseram aos seus discípulos: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores? 17E Jesus, tendo ouvido isto, disselhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento. 18Ora, os discípulos de João e os fariseus jejuavam; e foram e disseram-lhe: Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, e não jejuam os teus discípulos? 19E Jesus disselhes: Podem porventura os filhos das bodas jejuar enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar; 20Mas dias virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão naqueles dias. 21Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha; doutra sorte o mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica maior. 22E ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte, o vinho novo rompe os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser deitado em odres novos. 23E aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas. 24E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito? 25Mas ele disselhes: Nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam? 26Como entrou na casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu os pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam? 27E disselhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. 28Assim o Filho do homem até do sábado é Senhor. Marcos 3 1E OUTRA vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada. 2E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem. 3E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio. 4E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se. 5E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra. 6E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam. 7E retirou-se Jesus com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão da Galiléia e da Judéia, 8E de Jerusalém, e da Iduméia, e de além do Jordão, e de perto de Tiro e de Sidom; uma grande multidão que, ouvindo quão grandes coisas fazia, vinha ter com ele. 9E ele disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidão, para que o não oprimisse, 10Porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum mal se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem. 11E os espíritos imundos vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus. 12E ele os ameaçava muito, para que não o manifestassem. 13E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele. 14E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar, 15E para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios: 16A Simão, a quem pôs o nome de Pedro, 17E a Tiago, filho de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão; 18E a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago, filho de Alfeu, e a Tadeu, e a Simão, o Cananita, 19E a Judas Iscariotes, o que o entregou. 20E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. 21E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si. 22E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios. 23E, chamando-os a si, disselhes por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás? 24E, se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; 25E, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não pode subsistir. 26E, se Satanás se levantar contra si mesmo, e for dividido, não pode subsistir; antes tem fim. 27Ninguém pode roubar os bens do valente, entrando-lhe em sua casa, se primeiro não maniatar o valente; e então roubará a sua casa. 28Na verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem; 29Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo 30 (Porque diziam: Tem espírito imundo). 31Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar. 32E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora. 33E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? 34E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 35Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe. Marcos 4 1E OUTRA vez começou a ensinar junto do mar, e ajuntou-se a ele grande multidão, de sorte que ele entrou e assentou-se num barco, sobre o mar; e toda a multidão estava em terra junto do mar. 2E ensinava-lhes muitas coisas por parábolas, e lhes dizia na sua doutrina: 3Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. 4E aconteceu que semeando ele, uma parte da semente caiu junto do caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram; 5E outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda; 6Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou-se. 7E outra caiu entre espinhos e, crescendo os espinhos, a sufocaram e não deu fruto. 8E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro sessenta, e outro cem. 9E disselhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. 10E, quando se achou só, os que estavam junto dele com os doze interrogaram-no acerca da parábola. 11E ele disselhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas, 12Para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados. 13E disselhes: Não percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas? 14O que semeia, semeia a palavra; 15E, os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada nos seus corações. 16E da mesma forma os que recebem a semente sobre pedregais; os quais, ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem; 17Mas não têm raiz em si mesmos, antes são temporãos; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição, por causa da palavra, logo se escandalizam. 18E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra; 19Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera. 20E estes são os que foram semeados em boa terra, os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, um trinta, e outro sessenta, e outro cem. 21E disselhes: Vem porventura a candeia para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? não vem antes para se colocar no velador? 22Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. 24E disselhes: Atendei ao que ides ouvir. Com a medida com que medirdes vos medirão a vós, e ser-vos-á ainda acrescentada a vós que ouvis. 25Porque ao que tem, ser-lhe-á dado; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 26E dizia: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra. 27E dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. 28Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga. 29E, quando já o fruto se mostra, mete-se-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa. 30E dizia: A que assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o representaremos? 31É como um grão de mostarda, que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na terra; 32Mas, tendo sido semeado, cresce; e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra. 33E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender. 34E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos. 35E, naquele dia, sendo já tarde, disselhes: Passemos para o outro lado. 36E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos. 37E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia. 38E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos? 39E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança. 40E disselhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? 41E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem? Marcos 5 1E CHEGARAM ao outro lado do mar, à província dos gadarenos. 2E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo; 3O qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender; 4Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e ninguém o podia amansar. 5E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras. 6E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. 7E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes. 8 (Porque lhe dizia: Sai deste homem, espírito imundo.) 9E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos. 10E rogava-lhe muito que os não enviasse para fora daquela província. 11E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos. 12E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. 13E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar. 14E os que apascentavam os porcos fugiram, e o anunciaram na cidade e nos campos; e saíram muitos a ver o que era aquilo que tinha acontecido. 15E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juízo, e temeram. 16E os que aquilo tinham visto contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado, e acerca dos porcos. 17E começaram a rogar-lhe que saísse dos seus termos. 18E, entrando ele no barco, rogava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. 19Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti. 20E ele foi, e começou a anunciar em Decápolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilharam. 21E, passando Jesus outra vez num barco para o outro lado, ajuntou-se a ele uma grande multidão; e ele estava junto do mar. 22E eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés, 23E rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está à morte; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva. 24E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava. 25E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, 26E que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior; 27Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. 28Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. 29E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. 30E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? 31E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? 32E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. 33Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. 34E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal. 35Estando ele ainda falando, chegaram alguns do principal da sinagoga, a quem disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre? 36E Jesus, tendo ouvido estas palavras, disse ao principal da sinagoga: Não temas, crê somente. 37E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago. 38E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço, e os que choravam muito e pranteavam. 39E, entrando, disselhes: Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme. 40E riam-se dele; porém ele, tendo-os feito sair, tomou consigo o pai e a mãe da menina, e os que com ele estavam, e entrou onde a menina estava deitada. 41E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talita cumi; que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te. 42E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraramse com grande espanto. 43E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e disse que lhe dessem de comer. Marcos 6 1E, PARTINDO dali, chegou à sua pátria, e os seus discípulos o seguiram. 2E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por suas mãos? 3Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele. 4E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. 5E não podia fazer ali nenhuma obra maravilhosa; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. 6E estava admirado da incredulidade deles. E percorreu as aldeias vizinhas, ensinando. 7Chamou a si os doze, e começou a enviá-los a dois e dois, e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos; 8E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão somente um bordão; nem alforje, nem pão, nem dinheiro no cinto; 9Mas que calçassem alparcas, e que não vestissem duas túnicas. 10E dizia-lhes: Na casa em que entrardes, ficai nela até partirdes dali. 11E tantos quantos vos não receberem, nem vos ouvirem, saindo dali, sacudi o pó que estiver debaixo dos vossos pés, em testemunho contra eles. Em verdade vos digo que haverá mais tolerância no dia de juízo para Sodoma e Gomorra, do que para os daquela cidade. 12E, saindo eles, pregavam que se arrependessem. 13E expulsavam muitos demônios, e ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam. 14E ouviu isto o rei Herodes (porque o nome de Jesus se tornara notório), e disse: João, o que batizava, ressuscitou dentre os mortos, e por isso estas maravilhas operam nele. 15Outros diziam: É Elias. E diziam outros: É um profeta, ou como um dos profetas. 16Herodes, porém, ouvindo isto, disse: Este é João, que mandei degolar; ressuscitou dentre os mortos. 17Porquanto o mesmo Herodes mandara prender a João, e encerrá-lo maniatado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão, porquanto tinha casado com ela. 18Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão. 19E Herodias o espiava, e queria matá-lo, mas não podia. 20Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo; e guardava-o com segurança, e fazia muitas coisas, atendendo-o, e de boa mente o ouvia. 21E, chegando uma ocasião favorável em que Herodes, no dia dos seus anos, dava uma ceia aos grandes, e tribunos, e príncipes da Galiléia, 22Entrou a filha da mesma Herodias, e dançou, e agradou a Herodes e aos que estavam com ele à mesa. Disse então o rei à menina: Pede-me o que quiseres, e eu to darei. 23E jurou-lhe, dizendo: Tudo o que me pedires te darei, até metade do meu reino. 24E, saindo ela, perguntou a sua mãe: Que pedirei? E ela disse: A cabeça de João o Batista. 25E, entrando logo, apressadamente, pediu ao rei, dizendo: Quero que imediatamente me dês num prato a cabeça de João o Batista. 26E o rei entristeceu-se muito; todavia, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não lha quis negar. 27E, enviando logo o rei o executor, mandou que lhe trouxessem ali a cabeça de João. E ele foi, e degolou-o na prisão; 28E trouxe a cabeça num prato, e deu-a à menina, e a menina a deu a sua mãe. 29E os seus discípulos, tendo ouvido isto, foram, tomaram o seu corpo, e o puseram num sepulcro. 30E os apóstolos ajuntaram-se a Jesus, e contaram-lhe tudo, tanto o que tinham feito como o que tinham ensinado. 31E ele disselhes: Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco. Porque havia muitos que iam e vinham, e não tinham tempo para comer. 32E foram sós num barco para um lugar deserto. 33E a multidão viu-os partir, e muitos o conheceram; e correram para lá, a pé, de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que eles, e aproximavam-se dele. 34E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas. 35E, como o dia fosse já muito adiantado, os seus discípulos se aproximaram dele, e lhe disseram: O lugar é deserto, e o dia está já muito adiantado. 36Despede-os, para que vão aos lugares e aldeias circunvizinhas, e comprem pão para si; porque não têm que comer. 37Ele, porém, respondendo, lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseramlhe: Iremos nós, e compraremos duzentos dinheiros de pão para lhes darmos de comer? 38E ele disselhes: Quantos pães tendes? Ide ver. E, sabendo-o eles, disseram: Cinco pães e dois peixes. 39E ordenou-lhes que fizessem assentar a todos, em ranchos, sobre a erva verde. 40E assentaram-se repartidos de cem em cem, e de cinqüenta em cinqüenta. 41E, tomando ele os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou e partiu os pães, e deu-os aos seus discípulos para que os pusessem diante deles. E repartiu os dois peixes por todos. 42E todos comeram, e ficaram fartos; 43E levantaram doze alcofas cheias de pedaços de pão e de peixe. 44E os que comeram os pães eram quase cinco mil homens. 45E logo obrigou os seus discípulos a subir para o barco, e passar adiante, para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. 46E, tendo-os despedido, foi ao monte a orar. 47E, sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar e ele, sozinho, em terra. 48E vendo que se fatigavam a remar, porque o vento lhes era contrário, perto da quarta vigília da noite aproximou-se deles, andando sobre o mar, e queria passarlhes adiante. 49Mas, quando eles o viram andar sobre o mar, cuidaram que era um fantasma, e deram grandes gritos. 50Porque todos o viam, e perturbaram-se; mas logo falou com eles, e disselhes: Tende bom ânimo; sou eu, não temais. 51E subiu para o barco, para estar com eles, e o vento se aquietou; e entre si ficaram muito assombrados e maravilhados; 52Pois não tinham compreendido o milagre dos pães; antes o seu coração estava endurecido. 53E, quando já estavam no outro lado, dirigiram-se à terra de Genesaré, e ali atracaram. 54E, saindo eles do barco, logo o conheceram; 55E, correndo toda a terra em redor, começaram a trazer em leitos, aonde quer que sabiam que ele estava, os que se achavam enfermos. 56E, onde quer que entrava, ou em cidade, ou aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua roupa; e todos os que lhe tocavam saravam. Marcos 7 1E AJUNTARAM-SE a ele os fariseus, e alguns dos escribas que tinham vindo de Jerusalém. 2E, vendo que alguns dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar, os repreendiam. 3Porque os fariseus, e todos os judeus, conservando a tradição dos antigos, não comem sem lavar as mãos muitas vezes; 4E, quando voltam do mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas. 5Depois perguntaram-lhe os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos por lavar? 6E ele, respondendo, disselhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim; 7Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. 8Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. 9E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição. 10Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e quem maldisser, ou o pai ou a mãe, certamente morrerá. 11Vós, porém, dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor; 12Nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe, 13 Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas. 14E, chamando outra vez a multidão, disselhes: Ouvi-me vós, todos, e compreendei. 15Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem. 16Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. 17Depois, quando deixou a multidão, e entrou em casa, os seus discípulos o interrogavam acerca desta parábola. 18E ele disselhes: Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, 19Porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado fora, ficando puras todas as comidas? 20E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem. 21Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, 22Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. 23Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem. 24E, levantando-se dali, foi para os termos de Tiro e de Sidom. E, entrando numa casa, não queria que alguém o soubesse, mas não pôde esconder-se; 25Porque uma mulher, cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés. 26E esta mulher era grega, siro-fenícia de nação, e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio. 27Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. 28Ela, porém, respondeu, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos. 29Então ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha. 30E, indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que o demônio já tinha saído. 31E ele, tornando a sair dos termos de Tiro e de Sidom, foi até ao mar da Galiléia, pelos confins de Decápolis. 32E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente; e rogaram-lhe que pusesse a mão sobre ele. 33E, tirando-o à parte, de entre a multidão, pôs-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe na língua. 34E, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse: Efatá; isto é, Abre-te. 35E logo se abriram os seus ouvidos, e a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente. 36E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lhos proibia, tanto mais o divulgavam. 37E, admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem; faz ouvir os surdos e falar os mudos. Marcos 8 1NAQUELES dias, havendo uma grande multidão, e não tendo o que comer, Jesus chamou a si os seus discípulos, e disselhes: 2Tenho compaixão da multidão, porque há já três dias que estão comigo, e não têm o que comer. 3E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe. 4E os seus discípulos responderam-lhe: De onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto? 5E perguntou-lhes: Quantos pães tendes? E disseram-lhe: Sete. 6E ordenou à multidão que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, e tendo dado graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos, para que os pusessem diante deles, e puseram-nos diante da multidão. 7Tinham também alguns peixinhos; e, tendo dado graças, ordenou que também lhos pusessem diante. 8E comeram, e saciaram-se; e dos pedaços que sobejaram levantaram sete cestos. 9E os que comeram eram quase quatro mil; e despediu-os. 10E, entrando logo no barco, com os seus discípulos, foi para as partes de Dalmanuta. 11E saíram os fariseus, e começaram a disputar com ele, pedindo-lhe, para o tentarem, um sinal do céu. 12E, suspirando profundamente em seu espírito, disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não se dará sinal algum. 13E, deixando-os, tornou a entrar no barco, e foi para o outro lado. 14E eles se esqueceram de levar pão e, no barco, não tinham consigo senão um pão. 15E ordenou-lhes, dizendo: Olhai, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes. 16E arrazoavam entre si, dizendo: É porque não temos pão. 17E Jesus, conhecendo isto, disselhes: Para que arrazoais, que não tendes pão? não considerastes, nem compreendestes ainda? tendes ainda o vosso coração endurecido? 18Tendo olhos, não vedes? e tendo ouvidos, não ouvis? e não vos lembrais, 19Quando parti os cinco pães entre os cinco mil, quantas alcofas cheias de pedaços levantastes? Disseram-lhe: Doze. 20E, quando parti os sete entre os quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços levantastes? E disseram-lhe: Sete. 21E ele lhes disse: Como não entendeis ainda? 22E chegou a Betsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse. 23E, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia; e, cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa. 24E, levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam. 25Depois disto, tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos, e o fez olhar para cima: e ele ficou restaurado, e viu a todos claramente. 26E mandou-o para sua casa, dizendo: Nem entres na aldeia, nem o digas a ninguém na aldeia. 27E saiu Jesus, e os seus discípulos, para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e no caminho perguntou aos seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que eu sou? 28E eles responderam: João o Batista; e outros: Elias; mas outros: Um dos profetas. 29E ele lhes disse: Mas vós, quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, lhe disse: Tu és o Cristo. 30E admoestou-os, para que a ninguém dissessem aquilo dele. 31E começou a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que depois de três dias ressuscitaria. 32E dizia abertamente estas palavras. E Pedro o tomou à parte, e começou a repreendê-lo. 33Mas ele, virando-se, e olhando para os seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens. 34E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disselhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. 35Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. 36Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? 37Ou, que daria o homem pelo resgate da sua alma? 38Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos. Marcos 9 1DIZIA-LHES também: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder. 2E seis dias depois Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e os levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se diante deles; 3E as suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas como a neve, tais como nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia branquear. 4E apareceu-lhes Elias, com Moisés, e falavam com Jesus. 5E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Mestre, é bom que estejamos aqui; e façamos três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias. 6Pois não sabia o que dizia, porque estavam assombrados. 7E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a ele ouvi. 8E, tendo olhado em redor, ninguém mais viram, senão só Jesus com eles. 9E, descendo eles do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, até que o Filho do homem ressuscitasse dentre os mortos. 10E eles retiveram o caso entre si, perguntando uns aos outros que seria aquilo, ressuscitar dentre os mortos. 11E interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro? 12E, respondendo ele, disselhes: Em verdade Elias virá primeiro, e todas as coisas restaurará; e, como está escrito do Filho do homem, que ele deva padecer muito e ser aviltado. 13Digo-vos, porém, que Elias já veio, e fizeram-lhe tudo o que quiseram, como dele está escrito. 14E, quando se aproximou dos discípulos, viu ao redor deles grande multidão, e alguns escribas que disputavam com eles. 15E logo toda a multidão, vendo-o, ficou espantada e, correndo para ele, o saudaram. 16E perguntou aos escribas: Que é que discutis com eles? 17E um da multidão, respondendo, disse: Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo; 18E este, onde quer que o apanhe, despedaça-o, e ele espuma, e range os dentes, e vai definhando; e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam. 19E ele, respondendo-lhes, disse: Ó geração incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei ainda? Trazei-mo. 20E trouxeram-lho; e quando ele o viu, logo o espírito o agitou com violência, e, caindo o endemoninhado por terra, revolvia-se, escumando. 21E perguntou ao pai dele: Quanto tempo há que lhe sucede isto? E ele disse-lhe: Desde a infância. 22E muitas vezes o tem lançado no fogo, e na água, para o destruir; mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos. 23E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê. 24E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade. 25E Jesus, vendo que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele. 26E ele, clamando, e agitando-o com violência, saiu; e ficou o menino como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto. 27Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou. 28E, quando entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram à parte: Por que o não pudemos nós expulsar? 29E disselhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum. 30E, tendo partido dali, caminharam pela Galiléia, e não queria que alguém o soubesse; 31Porque ensinava os seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e, morto ele, ressuscitará ao terceiro dia. 32Mas eles não entendiam esta palavra, e receavam interrogá-lo. 33E chegou a Cafarnaum e, entrando em casa, perguntou-lhes: Que estáveis vós discutindo pelo caminho? 34Mas eles calaram-se; porque pelo caminho tinham disputado entre si qual era o maior. 35E ele, assentando-se, chamou os doze, e disselhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos. 36E, lançando mão de um menino, pô-lo no meio deles e, tomando-o nos seus braços, disselhes: 37Qualquer que receber um destes meninos em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, recebe, não a mim, mas ao que me enviou. 38E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue. 39Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. 40Porque quem não é contra nós, é por nós. 41Porquanto, qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão. 42E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar. 43E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, 44Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. 45E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga, 46Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. 47E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno, 48Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. 49Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal. 50Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o temperareis? Tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros. Marcos 10 1E, LEVANTANDO-SE dali, foi para os termos da Judéia, além do Jordão, e a multidão se reuniu em torno dele; e tornou a ensiná-los, como tinha por costume. 2E, aproximando-se dele os fariseus, perguntaram-lhe, tentando-o: É lícito ao homem repudiar sua mulher? 3Mas ele, respondendo, disselhes: Que vos mandou Moisés? 4E eles disseram: Moisés permitiu escrever carta de divórcio e repudiar. 5E Jesus, respondendo, disselhes: Pela dureza dos vossos corações vos deixou ele escrito esse mandamento; 6Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. 7Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, 8E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. 9Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. 10E em casa tornaram os discípulos a interrogá-lo acerca disto mesmo. 11E ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela. 12E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera. 13E traziam-lhe meninos para que lhes tocasse, mas os discípulos repreendiam aos que lhos traziam. 14Jesus, porém, vendo isto, indignou-se, e disselhes: Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus. 15Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele. 16E, tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, os abençoou. 17E, pondo-se a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele, e lhe perguntou: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? 18E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus. 19Tu sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não defraudarás alguém; honra a teu pai e a tua mãe. 20Ele, porém, respondendo, lhe disse: Mestre, tudo isso guardei desde a minha mocidade. 21E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me. 22Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades. 23Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! 24E os discípulos se admiraram destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disselhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus! 25É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus. 26E eles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá, pois, salvarse? 27Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis. 28E Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos, e te seguimos. 29E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, 30Que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna. 31Porém muitos primeiros serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros. 32E iam no caminho, subindo para Jerusalém; e Jesus ia adiante deles. E eles maravilhavam-se, e seguiam-no atemorizados. E, tornando a tomar consigo os doze, começou a dizer-lhes as coisas que lhe deviam sobrevir, 33Dizendo: Eis que nós subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condenarão à morte, e o entregarão aos gentios. 34E o escarnecerão, e açoitarão, e cuspirão nele, e o matarão; e, ao terceiro dia, ressuscitará. 35E aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo: Mestre, queremos que nos faças o que te pedirmos. 36E ele lhes disse: Que quereis que vos faça? 37E eles lhe disseram: Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda. 38Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu bebo, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? 39E eles lhe disseram: Podemos. Jesus, porém, disselhes: Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado; 40Mas, o assentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me pertence a mim concedê-lo, mas isso é para aqueles a quem está reservado. 41E os dez, tendo ouvido isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João. 42Mas Jesus, chamando-os a si, disselhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre eles; 43Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; 44E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. 45Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. 46E depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando. 47E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim. 48E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! tem misericórdia de mim. 49E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama. 50E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus. 51E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista. 52E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho. Marcos 11 1E, LOGO que se aproximaram de Jerusalém, de Betfagé e de Betânia, junto do Monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos, 2E disselhes: Ide à aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis preso um jumentinho, sobre o qual ainda não montou homem algum; soltai-o, e trazei-mo. 3E, se alguém vos disser: Por que fazeis isso? dizei-lhe que o Senhor precisa dele, e logo o deixará trazer para aqui. 4E foram, e encontraram o jumentinho preso fora da porta, entre dois caminhos, e o soltaram. 5E alguns dos que ali estavam lhes disseram: Que fazeis, soltando o jumentinho? 6Eles, porém, disseram-lhes como Jesus lhes tinha mandado; e deixaram-nos ir. 7E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele as suas vestes, e assentouse sobre ele. 8E muitos estendiam as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. 9E aqueles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor; 10Bendito o reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas. 11E Jesus entrou em Jerusalém, no templo e, tendo visto tudo em redor, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze. 12E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. 13E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. 14E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto. 15E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas. 16E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo. 17E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões. 18E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da sua doutrina. 19E, sendo já tarde, saiu para fora da cidade. 20E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes. 21E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou. 22E Jesus, respondendo, disselhes: Tende fé em Deus; 23Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito. 24Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e têlas-eis. 25E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. 26Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas. 27E tornaram a Jerusalém, e, andando ele pelo templo, os principais dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos, se aproximaram dele. 28E lhe disseram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? ou quem te deu tal autoridade para fazer estas coisas? 29Mas Jesus, respondendo, disselhes: Também eu vos perguntarei uma coisa, e respondei-me; e então vos direi com que autoridade faço estas coisas: 30O batismo de João era do céu ou dos homens? respondei-me. 31E eles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que o não crestes? 32Se, porém, dissermos: Dos homens, tememos o povo. Porque todos sustentavam que João verdadeiramente era profeta. 33E, respondendo, disseram a Jesus: Não sabemos. E Jesus lhes replicou: Também eu vos não direi com que autoridade faço estas coisas. Marcos 12 1E COMEÇOU a falar-lhes por parábolas: Um homem plantou uma vinha, e cercou-a de um valado, e fundou nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendoua a uns lavradores, e partiu para fora da terra. 2E, chegado o tempo, mandou um servo aos lavradores para que recebesse, dos lavradores, do fruto da vinha. 3Mas estes, apoderando-se dele, o feriram e o mandaram embora vazio. 4E tornou a enviar-lhes outro servo; e eles, apedrejando-o, o feriram na cabeça, e o mandaram embora, tendo-o afrontado. 5E tornou a enviar-lhes outro, e a este mataram; e a outros muitos, dos quais a uns feriram e a outros mataram. 6Tendo ele, pois, ainda um seu filho amado, enviou-o também a estes por derradeiro, dizendo: Ao menos terão respeito ao meu filho. 7Mas aqueles lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; vamos, matemo-lo, e a herança será nossa. 8E, pegando dele, o mataram, e o lançaram fora da vinha. 9Que fará, pois, o senhor da vinha? Virá, e destruirá os lavradores, e dará a vinha a outros. 10Ainda não lestes esta Escritura: A pedra, que os edificadores rejeitaram, Esta foi posta por cabeça de esquina; 11 Isto foi feito pelo Senhor E é coisa maravilhosa aos nossos olhos? 12E buscavam prendê-lo, mas temiam a multidão; porque entendiam que contra eles dizia esta parábola; e, deixando-o, foram-se. 13E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem nalguma palavra. 14E, chegando eles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és homem de verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas à aparência dos homens, antes com verdade ensinas o caminho de Deus; é lícito dar o tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos? 15Então ele, conhecendo a sua hipocrisia, disselhes: Por que me tentais? Trazeime uma moeda, para que a veja. 16E eles lha trouxeram. E disselhes: De quem é esta imagem e inscrição? E eles lhe disseram: De César. 17E Jesus, respondendo, disselhes: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E maravilharam-se dele. 18Então os saduceus, que dizem que não há ressurreição, aproximaram-se dele, e perguntaram-lhe, dizendo: 19Mestre, Moisés nos escreveu que, se morresse o irmão de alguém, e deixasse a mulher e não deixasse filhos, seu irmão tomasse a mulher dele, e suscitasse descendência a seu irmão. 20Ora, havia sete irmãos, e o primeiro tomou a mulher, e morreu sem deixar descendência; 21E o segundo também a tomou e morreu, e nem este deixou descendência; e o terceiro da mesma maneira. 22E tomaram-na os sete, sem, contudo, terem deixado descendência. Finalmente, depois de todos, morreu também a mulher. 23Na ressurreição, pois, quando ressuscitarem, de qual destes será a mulher? porque os sete a tiveram por mulher. 24E Jesus, respondendo, disselhes: Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus? 25Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus. 26E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? 27Ora, Deus não é de mortos, mas sim, é Deus de vivos. Por isso vós errais muito. 28Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? 29E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. 31E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. 32E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele; 33E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. 34E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada. 35E, falando Jesus, dizia, ensinando no templo: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? 36O próprio Davi disse pelo Espírito Santo: O Senhor disse ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés. 37Pois, se Davi mesmo lhe chama Senhor, como é logo seu filho? E a grande multidão o ouvia de boa vontade. 38E, ensinando-os, dizia-lhes: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas, e das saudações nas praças, 39E das primeiras cadeiras nas sinagogas, e dos primeiros assentos nas ceias; 40Que devoram as casas das viúvas, e isso com pretexto de largas orações. Estes receberão mais grave condenação. 41E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito. 42Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo. 43E, chamando os seus discípulos, disselhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro; 44Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento. Marcos 13 1E, SAINDO ele do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras, e que edifícios! 2E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada. 3E, assentando-se ele no Monte das Oliveiras, defronte do templo, Pedro, e Tiago, e João e André lhe perguntaram em particular: 4Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para se cumprir. 5E Jesus, respondendo-lhes, começou a dizer: Olhai que ninguém vos engane; 6Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. 7E, quando ouvirdes de guerras e de rumores de guerras, não vos perturbeis; porque assim deve acontecer; mas ainda não será o fim. 8Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá terremotos em diversos lugares, e haverá fomes e tribulações. Estas coisas são os princípios das dores. 9Mas olhai por vós mesmos, porque vos entregarão aos concílios e às sinagogas; e sereis açoitados, e sereis apresentados perante presidentes e reis, por amor de mim, para lhes servir de testemunho. 10Mas importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as nações. 11Quando, pois, vos conduzirem e vos entregarem, não estejais solícitos de antemão pelo que haveis de dizer, nem premediteis; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai, porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo. 12E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai ao filho; e levantar-se-ão os filhos contra os pais, e os farão morrer. 13E sereis odiados por todos por amor do meu nome; mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo. 14Ora, quando vós virdes a abominação do assolamento, que foi predita por Daniel o profeta, estar onde não deve estar (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os montes. 15E o que estiver sobre o telhado não desça para casa, nem entre a tomar coisa alguma de sua casa; 16E o que estiver no campo não volte atrás, para tomar as suas vestes. 17Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! 18Orai, pois, para que a vossa fuga não suceda no inverno. 19Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá. 20E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias. 21E então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo; ou: Ei-lo ali; não acrediteis. 22Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos. 23Mas vós vede; eis que de antemão vos tenho dito tudo. 24Ora, naqueles dias, depois daquela aflição, o sol se escurecerá, e a lua não dará a sua luz. 25E as estrelas cairão do céu, e as forças que estão nos céus serão abaladas. 26E então verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória. 27E ele enviará os seus anjos, e ajuntará os seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu. 28Aprendei, pois, a parábola da figueira: Quando já o seu ramo se torna tenro, e brota folhas, bem sabeis que já está próximo o verão. 29Assim também vós, quando virdes sucederem estas coisas, sabei que já está perto, às portas. 30Na verdade vos digo que não passará esta geração, sem que todas estas coisas aconteçam. 31Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. 32Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai. 33Olhai, vigiai e orai; porque não sabeis quando chegará o tempo. 34É como se um homem, partindo para fora da terra, deixasse a sua casa, e desse autoridade aos seus servos, e a cada um a sua obra, e mandasse ao porteiro que vigiasse. 35Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, 36Para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo. 37E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai. Marcos 14 1E DALI a dois dias era a páscoa, e a festa dos pães ázimos; e os principais dos sacerdotes e os escribas buscavam como o prenderiam com dolo, e o matariam. 2Mas eles diziam: Não na festa, para que porventura não se faça alvoroço entre o povo. 3E, estando ele em Betânia, assentado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com ungüento de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso, lho derramou sobre a cabeça. 4E alguns houve que em si mesmos se indignaram, e disseram: Para que se fez este desperdício de ungüento? 5Porque podia vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dá-lo aos pobres. E bramavam contra ela. 6Jesus, porém, disse: Deixai-a, por que a molestais? Ela fez-me boa obra. 7Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes. 8Esta fez o que podia; antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura. 9Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória. 10E Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais dos sacerdotes para lho entregar. 11E eles, ouvindo-o, folgaram, e prometeram dar-lhe dinheiro; e buscava como o entregaria em ocasião oportuna. 12E, no primeiro dia dos pães ázimos, quando sacrificavam a páscoa, disseramlhe os discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comer a páscoa? 13E enviou dois dos seus discípulos, e disselhes: Ide à cidade, e um homem, que leva um cântaro de água, vos encontrará; segui-o. 14E, onde quer que entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? 15E ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado e preparado; preparai-a ali. 16E, saindo os seus discípulos, foram à cidade, e acharam como lhes tinha dito, e prepararam a páscoa. 17E, chegada a tarde, foi com os doze. 18E, quando estavam assentados a comer, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vós, que comigo come, há de trair-me. 19E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe um após outro: Sou eu? E outro disse: Sou eu? 20Mas ele, respondendo, disselhes: É um dos doze, que põe comigo a mão no prato. 21Na verdade o Filho do homem vai, como dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para o tal homem não haver nascido. 22E, comendo eles, tomou Jesus pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. 23E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho; e todos beberam dele. 24E disselhes: Isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que por muitos é derramado. 25Em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da vide, até àquele dia em que o beber, novo, no reino de Deus. 26E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras. 27E disselhes Jesus: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão. 28Mas, depois que eu houver ressuscitado, irei adiante de vós para a Galiléia. 29E disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, nunca, porém, eu. 30E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. 31Mas ele disse com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei. E da mesma maneira diziam todos também. 32E foram a um lugar chamado Getsêmani, e disse aos seus discípulos: Assentaivos aqui, enquanto eu oro. 33E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, e começou a ter pavor, e a angustiar-se. 34E disselhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai. 35E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. 36E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres. 37E, chegando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, dormes? não podes vigiar uma hora? 38Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 39E foi outra vez e orou, dizendo as mesmas palavras. 40E, voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados, e não sabiam o que responder-lhe. 41E voltou terceira vez, e disselhes: Dormi agora, e descansai. Basta; é chegada a hora. Eis que o Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. 42Levantai-vos, vamos; eis que está perto o que me trai. 43E logo, falando ele ainda, veio Judas, que era um dos doze, da parte dos principais dos sacerdotes, e dos escribas e dos anciãos, e com ele uma grande multidão com espadas e varapaus. 44Ora, o que o traía, tinha-lhes dado um sinal, dizendo: Aquele que eu beijar, esse é; prendei-o, e levai-o com segurança. 45E, logo que chegou, aproximou-se dele, e disse-lhe: Rabi, Rabi. E beijou-o. 46E lançaram-lhe as mãos, e o prenderam. 47E um dos que ali estavam presentes, puxando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe uma orelha. 48E, respondendo Jesus, disselhes: Saístes com espadas e varapaus a prender-me, como a um salteador? 49Todos os dias estava convosco ensinando no templo, e não me prendestes; mas isto é para que as Escrituras se cumpram. 50Então, deixando-o, todos fugiram. 51E um certo jovem o seguia, envolto em um lençol sobre o corpo nu. E lançaram-lhe a mão. 52Mas ele, largando o lençol, fugiu nu. 53E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e ajuntaram-se todos os principais dos sacerdotes, e os anciãos e os escribas. 54E Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote, e estava assentado com os servidores, aquentando-se ao lume. 55E os principais dos sacerdotes e todo o concílio buscavam algum testemunho contra Jesus, para o matar, e não o achavam. 56Porque muitos testificavam falsamente contra ele, mas os testemunhos não eram coerentes. 57E, levantando-se alguns, testificaram falsamente contra ele, dizendo: 58Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derrubarei este templo, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens. 59E nem assim o seu testemunho era coerente. 60E, levantando-se o sumo sacerdote no Sinédrio, perguntou a Jesus, dizendo: Nada respondes? Que testificam estes contra ti? 61Mas ele calou-se, e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito? 62E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu. 63E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas? 64Vós ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o consideraram culpado de morte. 65E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe: Profetiza. E os servidores davam-lhe bofetadas. 66E, estando Pedro embaixo, no átrio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote; 67E, vendo a Pedro, que se estava aquentando, olhou para ele, e disse: Tu também estavas com Jesus, o Nazareno. 68Mas ele negou-o, dizendo: Não o conheço, nem sei o que dizes. E saiu fora ao alpendre, e o galo cantou. 69E a criada, vendo-o outra vez, começou a dizer aos que ali estavam: Este é um dos tais. 70Mas ele o negou outra vez. E pouco depois os que ali estavam disseram outra vez a Pedro: Verdadeiramente tu és um deles, porque és também galileu, e tua fala é semelhante. 71E ele começou a praguejar, e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais. 72E o galo cantou segunda vez. E Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. E, retirando-se dali, chorou. Marcos 15 1E, LOGO ao amanhecer, os principais dos sacerdotes, com os anciãos, e os escribas, e todo o Sinédrio, tiveram conselho; e, ligando Jesus, o levaram e entregaram a Pilatos. 2E Pilatos lhe perguntou: Tu és o Rei dos Judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes. 3E os principais dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas; porém ele nada respondia. 4E Pilatos o interrogou outra vez, dizendo: Nada respondes? Vê quantas coisas testificam contra ti. 5Mas Jesus nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se maravilhava. 6Ora, no dia da festa costumava soltar-lhes um preso qualquer que eles pedissem. 7E havia um chamado Barrabás, que, preso com outros amotinadores, tinha num motim cometido uma morte. 8E a multidão, dando gritos, começou a pedir que fizesse como sempre lhes tinha feito. 9E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que vos solte o Rei dos Judeus? 10Porque ele bem sabia que por inveja os principais dos sacerdotes o tinham entregado. 11Mas os principais dos sacerdotes incitaram a multidão para que fosse solto antes Barrabás. 12E Pilatos, respondendo, lhes disse outra vez: Que quereis, pois, que faça daquele a quem chamais Rei dos Judeus? 13E eles tornaram a clamar: Crucifica-o. 14Mas Pilatos lhes disse: Mas que mal fez? E eles cada vez clamavam mais: Crucifica-o. 15Então Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhe Barrabás e, açoitado Jesus, o entregou para ser crucificado. 16E os soldados o levaram dentro à sala, que é a da audiência, e convocaram toda a coorte. 17E vestiram-no de púrpura, e tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça. 18E começaram a saudá-lo, dizendo: Salve, Rei dos Judeus! 19E feriram-no na cabeça com uma cana, e cuspiram nele e, postos de joelhos, o adoraram. 20E, havendo-o escarnecido, despiram-lhe a púrpura, e o vestiram com as suas próprias vestes; e o levaram para fora a fim de o crucificarem. 21E constrangeram um certo Simão, cireneu, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a que levasse a cruz. 22E levaram-no ao lugar do Gólgota, que se traduz por lugar da Caveira. 23E deram-lhe a beber vinho com mirra, mas ele não o tomou. 24E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sobre elas sortes, para saber o que cada um levaria. 25E era a hora terceira, e o crucificaram. 26E por cima dele estava escrita a sua acusação: O REI DOS JUDEUS. 27E crucificaram com ele dois salteadores, um à sua direita, e outro à esquerda. 28E cumprindo-se a escritura que diz: E com os malfeitores foi contado. 29E os que passavam blasfemavam dele, meneando as suas cabeças, e dizendo: Ah! tu que derrubas o templo, e em três dias o edificas, 30Salva-te a ti mesmo, e desce da cruz. 31E da mesma maneira também os principais dos sacerdotes, com os escribas, diziam uns para os outros, zombando: Salvou os outros, e não pode salvar-se a si mesmo. 32O Cristo, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para que o vejamos e acreditemos. Também os que com ele foram crucificados o injuriavam. 33E, chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona. 34E, à hora nona, Jesus exclamou com grande voz, dizendo: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? 35E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Eis que chama por Elias. 36E um deles correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a numa cana, deu-lho a beber, dizendo: Deixai, vejamos se virá Elias tirá-lo. 37E Jesus, dando um grande brado, expirou. 38E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo. 39E o centurião, que estava defronte dele, vendo que assim clamando expirara, disse: Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus. 40E também ali estavam algumas mulheres, olhando de longe, entre as quais também Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé; 41As quais também o seguiam, e o serviam, quando estava na Galiléia; e muitas outras, que tinham subido com ele a Jerusalém. 42E, chegada a tarde, porquanto era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado, 43Chegou José de Arimatéia, senador honrado, que também esperava o reino de Deus, e ousadamente foi a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus. 44E Pilatos se maravilhou de que já estivesse morto. E, chamando o centurião, perguntou-lhe se já havia muito que tinha morrido. 45E, tendo-se certificado pelo centurião, deu o corpo a José; 46O qual comprara um lençol fino, e, tirando-o da cruz, o envolveu nele, e o depositou num sepulcro lavrado numa rocha; e revolveu uma pedra para a porta do sepulcro. 47E Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde o punham. Marcos 16 1E, PASSADO o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo. 2E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol. 3E diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro? 4E, olhando, viram que já a pedra estava revolvida; e era ela muito grande. 5E, entrando no sepulcro, viram um jovem assentado à direita, vestido de uma roupa comprida, branca; e ficaram espantadas. 6Ele, porém, disselhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram. 7Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos disse. 8E, saindo elas apressadamente, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e assombro; e nada diziam a ninguém porque temiam. 9E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios. 10E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes, e chorando. 11E, ouvindo eles que vivia, e que tinha sido visto por ela, não o creram. 12E depois manifestou-se de outra forma a dois deles, que iam de caminho para o campo. 13E, indo estes, anunciaram-no aos outros, mas nem ainda estes creram. 14Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados à mesa, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado. 15E disselhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. 16Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. 17E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; 18Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão. 19Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. 20E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém. Lucas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Lucas 1 1TENDO, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, 2Segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio, e foram ministros da palavra, 3Pareceu-me também a mim conveniente descrevêlos a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio; 4Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado. 5Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Isabel. 6E eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor. 7E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram avançados em idade. 8E aconteceu que, exercendo ele o sacerdócio diante de Deus, na ordem da sua turma, 9Segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no templo do Senhor para oferecer o incenso. 10E toda a multidão do povo estava fora, orando, à hora do incenso. 11E um anjo do Senhor lhe apareceu, posto em pé, à direita do altar do incenso. 12E Zacarias, vendo-o, turbou-se, e caiu temor sobre ele. 13Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. 14E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, 15Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. 16E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus, 17E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. 18Disse então Zacarias ao anjo: Como saberei isto? pois eu já sou velho, e minha mulher avançada em idade. 19E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas. 20E eis que ficarás mudo, e não poderás falar até ao dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não creste nas minhas palavras, que a seu tempo se hão de cumprir. 21E o povo estava esperando a Zacarias, e maravilhava-se de que tanto se demorasse no templo. 22E, saindo ele, não lhes podia falar; e entenderam que tinha tido uma visão no templo. E falava por acenos, e ficou mudo. 23E sucedeu que, terminados os dias de seu ministério, voltou para sua casa. 24E, depois daqueles dias, Isabel, sua mulher, concebeu, e por cinco meses se ocultou, dizendo: 25Assim me fez o Senhor, nos dias em que atentou em mim, para destruir o meu opróbrio entre os homens. 26E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27A uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. 28E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres. 29E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras, e considerava que saudação seria esta. 30Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. 31E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. 32Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; 33E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. 34E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? 35E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. 36E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; 37Porque para Deus nada é impossível. 38Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela. 39E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, 40E entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel. 41E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo. 42E exclamou com grande voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre. 43E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor? 44Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas. 46Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, 47E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; 48Porque atentou na baixeza de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49Porque me fez grandes coisas o Poderoso; E santo é seu nome. 50E a sua misericórdia é de geração em geração Sobre os que o temem. 51Com o seu braço agiu valorosamente; Dissipou os soberbos no pensamento de seus corações. 52Depôs dos tronos os poderosos, E elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, E despediu vazios os ricos. 54Auxiliou a Israel seu servo, Recordando-se da sua misericórdia; 55Como falou a nossos pais, Para com Abraão e a sua posteridade, para sempre. 56E Maria ficou com ela quase três meses, e depois voltou para sua casa. 57E completou-se para Isabel o tempo de dar à luz, e teve um filho. 58E os seus vizinhos e parentes ouviram que tinha Deus usado para com ela de grande misericórdia, e alegraram-se com ela. 59E aconteceu que, ao oitavo dia, vieram circuncidar o menino, e lhe chamavam Zacarias, o nome de seu pai. 60E, respondendo sua mãe, disse: Não, porém será chamado João. 61E disseram-lhe: Ninguém há na tua parentela que se chame por este nome. 62E perguntaram por acenos ao pai como queria que lhe chamassem. 63E, pedindo ele uma tabuinha de escrever, escreveu, dizendo: O seu nome é João. E todos se maravilharam. 64E logo a boca se lhe abriu, e a língua se lhe soltou; e falava, louvando a Deus. 65E veio temor sobre todos os seus vizinhos, e em todas as montanhas da Judéia foram divulgadas todas estas coisas. 66E todos os que as ouviam as conservavam em seus corações, dizendo: Quem será, pois, este menino? E a mão do Senhor estava com ele. 67E Zacarias, seu pai, foi cheio do Espírito Santo, e profetizou, dizendo: 68Bendito o Senhor Deus de Israel, Porque visitou e remiu o seu povo, 69E nos levantou uma salvação poderosa Na casa de Davi seu servo. 70Como falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio do mundo; 71Para nos livrar dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam; 72Para manifestar misericórdia a nossos pais, E lembrar-se da sua santa aliança, 73E do juramento que jurou a Abraão nosso pai, 74De conceder-nos que, Libertados da mão de nossos inimigos, o serviríamos sem temor, 75Em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida. 76E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, Porque hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos; 77Para dar ao seu povo conhecimento da salvação, Na remissão dos seus pecados; 78Pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, Com que o oriente do alto nos visitou; 79Para iluminar aos que estão assentados em trevas e na sombra da morte; A fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz. 80E o menino crescia, e se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel. Lucas 2 1E ACONTECEU naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse 2 (Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria). 3E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. 4E subiu também José da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), 5A fim de alistarse com Maria, sua esposa, que estava grávida. 6E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. 7E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. 8Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. 9E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. 10E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: 11Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. 12E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. 13E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: 14Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens. 15E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. 16E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. 17E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; 18E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam. 19Mas Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração. 20E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito. 21E, quando os oito dias foram cumpridos, para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. 22E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor 23 (Segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo o macho primogênito será consagrado ao Senhor); 24E para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor: Um par de rolas ou dois pombinhos. 25Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. 26E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. 27E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei, 28Ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse: 29Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; 30Pois já os meus olhos viram a tua salvação, 31A qual tu preparaste perante a face de todos os povos; 32Luz para iluminar as nações, E para glória de teu povo Israel. 33E José, e sua mãe, se maravilharam das coisas que dele se diziam. 34E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel, e para sinal que é contraditado 35 (E uma espada traspassará também a tua própria alma); para que se manifestem os pensamentos de muitos corações. 36E estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Esta era já avançada em idade, e tinha vivido com o marido sete anos, desde a sua virgindade; 37E era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia. 38E sobrevindo na mesma hora, ela dava graças a Deus, e falava dele a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém. 39E, quando acabaram de cumprir tudo segundo a lei do Senhor, voltaram à Galiléia, para a sua cidade de Nazaré. 40E o menino crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. 41Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa; 42E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa. 43E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe. 44Pensando, porém, eles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e procuravam-no entre os parentes e conhecidos; 45E, como o não encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele. 46E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os. 47E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas. 48E quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos. 49E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? 50E eles não compreenderam as palavras que lhes dizia. 51E desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava no seu coração todas estas coisas. 52E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens. Lucas 3 1E NO ano quinze do império de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos presidente da Judéia, e Herodes tetrarca da Galiléia, e seu irmão Filipe tetrarca da Ituréia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene, 2Sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias. 3E percorreu toda a terra ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados; 4Segundo o que está escrito no livro das palavras do profeta Isaías, que diz: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; Endireitai as suas veredas. 5Todo o vale se encherá, E se abaixará todo o monte e outeiro; E o que é tortuoso se endireitará, E os caminhos escabrosos se aplanarão; 6E toda a carne verá a salvação de Deus. 7Dizia, pois, João à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? 8Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão. 9E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo. 10E a multidão o interrogava, dizendo: Que faremos, pois? 11E, respondendo ele, disselhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira. 12E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer? 13E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado. 14E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo. 15E, estando o povo em expectação, e pensando todos de João, em seus corações, se porventura seria o Cristo, 16Respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. 17Ele tem a pá na sua mão; e limpará a sua eira, e ajuntará o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga. 18E assim, admoestando-os, muitas outras coisas também anunciava ao povo. 19Sendo, porém, o tetrarca Herodes repreendido por ele por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe, e por todas as maldades que Herodes tinha feito, 20Acrescentou a todas as outras ainda esta, a de encerrar João num cárcere. 21E aconteceu que, como todo o povo se batizava, sendo batizado também Jesus, orando ele, o céu se abriu; 22E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo. 23E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos, sendo (como se cuidava) filho de José, e José de Heli, 24E Heli de Matã, e Matã de Levi, e Levi de Melqui, e Melqui de Janai, e Janai de José, 25E José de Matatias, e Matatias de Amós, e Amós de Naum, e Naum de Esli, e Esli de Nagaí, 26E Nagaí de Máate, e Máate de Matatias, e Matatias de Semei, e Semei de José, e José de Jodá, 27E Jodá de Joanã, e Joanã de Resá, e Resá de Zorobabel, e Zorobabel de Salatiel, e Salatiel de Neri, 28E Neri de Melqui, e Melqui de Adi, e Adi de Cosã, e Cosã de Elmadã, e Elmadã de Er, 29E Er de Josué, e Josué de Eliézer, e Eliézer de Jorim, e Jorim de Matã, e Matã de Levi, 30E Levi de Simeão, e Simeão de Judá, e Judá de José, e José de Jonã, e Jonã de Eliaquim, 31E Eliaquim de Meleá, e Meleá de Mená, e Mená de Matatá, e Matatá de Natã, e Natã de Davi, 32E Davi de Jessé, e Jessé de Obede, e Obede de Boaz, e Boaz de Salá, e Salá de Naassom, 33E Naassom de Aminadabe, e Aminadabe de Arão, e Arão de Esrom, e Esrom de Perez, e Perez de Judá, 34E Judá de Jacó, e Jacó de Isaque, e Isaque de Abraão, e Abraão de Terá, e Terá de Nacor, 35E Nacor de Seruque, e Seruque de Ragaú, e Ragaú de Fáleque, e Fáleque de Éber, e Éber de Salá, 36E Salá de Cainã, e Cainã de Arfaxade, e Arfaxade de Sem, e Sem de Noé, e Noé de Lameque, 37E Lameque de Matusalém, e Matusalém de Enoque, e Enoque de Jarete, e Jarete de Maleleel, e Maleleel de Cainã, 38E Cainã de Enos, e Enos de Sete, e Sete de Adão, e Adão de Deus. Lucas 4 1E JESUS, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto; 2E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome. 3E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão. 4E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus. 5E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. 6E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. 7Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. 8E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás. 9Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; 10Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, 11E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. 12E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus. 13E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se dele por algum tempo. 14Então, pela virtude do Espírito, voltou Jesus para a Galiléia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor. 15E ensinava nas suas sinagogas, e por todos era louvado. 16E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler. 17E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: 18O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, 19A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor. 20E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. 21Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos. 22E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que saíam da sua boca; e diziam: Não é este o filho de José? 23E ele lhes disse: Sem dúvida me direis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; faze também aqui na tua pátria tudo que ouvimos ter sido feito em Cafarnaum. 24E disse: Em verdade vos digo que nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. 25Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome; 26E a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidom, a uma mulher viúva. 27E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o sírio. 28E todos, na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira. 29E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem. 30Ele, porém, passando pelo meio deles, retirou-se. 31E desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e os ensinava nos sábados. 32E admiravam a sua doutrina porque a sua palavra era com autoridade. 33E estava na sinagoga um homem que tinha o espírito de um demônio imundo, e exclamou em alta voz, 34Dizendo: Ah! que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste a destruir-nos? Bem sei quem és: O Santo de Deus. 35E Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai dele. E o demônio, lançando-o por terra no meio do povo, saiu dele sem lhe fazer mal. 36E veio espanto sobre todos, e falavam uns com os outros, dizendo: Que palavra é esta, que até aos espíritos imundos manda com autoridade e poder, e eles saem? 37E a sua fama divulgava-se por todos os lugares, em redor daquela comarca. 38Ora, levantando-se Jesus da sinagoga, entrou em casa de Simão; e a sogra de Simão estava enferma com muita febre, e rogaram-lhe por ela. 39E, inclinando-se para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou. E ela, levantando-se logo, servia-os. 40E, ao pôr do sol, todos os que tinham enfermos de várias doenças lhos traziam; e, pondo as mãos sobre cada um deles, os curava. 41E também de muitos saíam demônios, clamando e dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele, repreendendo-os, não os deixava falar, pois sabiam que ele era o Cristo. 42E, sendo já dia, saiu, e foi para um lugar deserto; e a multidão o procurava, e chegou junto dele; e o detinham, para que não se ausentasse deles. 43Ele, porém, lhes disse: Também é necessário que eu anuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso fui enviado. 44E pregava nas sinagogas da Galiléia. Lucas 5 1E ACONTECEU que, apertando-o a multidão, para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré; 2E viu estar dois barcos junto à praia do lago; e os pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes. 3E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão. 4E, quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar. 5E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede. 6E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede. 7E fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os fossem ajudar. E foram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quase iam a pique. 8E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador. 9Pois que o espanto se apoderara dele, e de todos os que com ele estavam, por causa da pesca de peixe que haviam feito. 10E, de igual modo, também de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas; de agora em diante serás pescador de homens. 11E, levando os barcos para terra, deixaram tudo, e o seguiram. 12E aconteceu que, quando estava numa daquelas cidades, eis que um homem cheio de lepra, vendo a Jesus, prostrou-se sobre o rosto, e rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quiseres, bem podes limpar-me. 13E ele, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, sê limpo. E logo a lepra desapareceu dele. 14E ordenou-lhe que a ninguém o dissesse. Mas vai, disse, mostra-te ao sacerdote, e oferece, pela tua purificação, o que Moisés determinou, para que lhes sirva de testemunho. 15A sua fama, porém, se propagava ainda mais, e ajuntava-se muita gente para o ouvir e para ser por ele curada das suas enfermidades. 16Ele, porém, retirava-se para os desertos, e ali orava. 17E aconteceu que, num daqueles dias, estava ensinando, e estavam ali assentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galiléia, e da Judéia, e de Jerusalém. E a virtude do Senhor estava ali para os curar. 18E eis que uns homens transportaram numa cama um homem que estava paralítico, e procuravam fazê-lo entrar e pô-lo diante dele. 19E, não achando por onde o pudessem levar, por causa da multidão, subiram ao telhado, e por entre as telhas o baixaram com a cama, até ao meio, diante de Jesus. 20E, vendo ele a fé deles, disse-lhe: Homem, os teus pecados te são perdoados. 21E os escribas e os fariseus começaram a arrazoar, dizendo: Quem é este que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão só Deus? 22Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu, e disselhes: Que arrazoais em vossos corações? 23Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levantate, e anda? 24Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa. 25E, levantando-se logo diante deles, e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa, glorificando a Deus. 26E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus; e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje vimos prodígios. 27E, depois disto, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. 28E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu. 29E fez-lhe Levi um grande banquete em sua casa; e havia ali uma multidão de publicanos e outros que estavam com eles à mesa. 30E os escribas deles, e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores? 31E Jesus, respondendo, disselhes: Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos; 32Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento. 33Disseram-lhe, então, eles: Por que jejuam os discípulos de João muitas vezes, e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem? 34E ele lhes disse: Podeis vós fazer jejuar os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? 35Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então, naqueles dias, jejuarão. 36E disselhes também uma parábola: Ninguém deita um pedaço de uma roupa nova para a coser em roupa velha, pois romperá a nova e o remendo não condiz com a velha. 37E ninguém deita vinho novo em odres velhos; de outra sorte o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão; 38Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão. 39E ninguém tendo bebido o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho. Lucas 6 1E ACONTECEU que, no segundo sábado após o primeiro, passou pelas searas, e os seus discípulos iam arrancando espigas e, esfregando-as com as mãos, as comiam. 2E alguns dos fariseus lhes disseram: Por que fazeis o que não é lícito fazer nos sábados? 3E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lestes o que fez Davi quando teve fome, ele e os que com ele estavam? 4Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e os comeu, e deu também aos que estavam com ele, os quais não é lícito comer senão só aos sacerdotes? 5E dizia-lhes: O Filho do homem é Senhor até do sábado. 6E aconteceu também noutro sábado, que entrou na sinagoga, e estava ensinando; e havia ali um homem que tinha a mão direita mirrada. 7E os escribas e fariseus observavam-no, se o curaria no sábado, para acharem de que o acusar. 8Mas ele bem conhecia os seus pensamentos; e disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te, e fica em pé no meio. E, levantando-se ele, ficou em pé. 9Então Jesus lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: É lícito nos sábados fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? 10E, olhando para todos em redor, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele assim o fez, e a mão lhe foi restituída sã como a outra. 11E ficaram cheios de furor, e uns com os outros conferenciavam sobre o que fariam a Jesus. 12E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus. 13E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos: 14Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; 16E Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor. 17E, descendo com eles, parou num lugar plano, e também um grande número de seus discípulos, e grande multidão de povo de toda a Judéia, e de Jerusalém, e da costa marítima de Tiro e de Sidom; os quais tinham vindo para o ouvir, e serem curados das suas enfermidades, 18Como também os atormentados dos espíritos imundos; e eram curados. 19E toda a multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele virtude, e curava a todos. 20E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. 21Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bemaventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. 22Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem. 23Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas. 24Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação. 25Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis. 26Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas. 27Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam; 28Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam. 29Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses; 30E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir. 31E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também. 32E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam. 33E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo. 34E se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto. 35Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus. 36Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. 37Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão. 38Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo. 39E dizia-lhes uma parábola: Pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos na cova? 40O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre. 41E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? 42Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão. 43Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto. 44Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos. 45O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca. 46E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? 47Qualquer que vem a mim e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é semelhante: 48É semelhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e pôs os alicerces sobre a rocha; e, vindo a enchente, bateu com ímpeto a corrente naquela casa, e não a pôde abalar, porque estava fundada sobre a rocha. 49Mas o que ouve e não pratica é semelhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a ruína daquela casa. Lucas 7 1E, DEPOIS de concluir todos estes discursos perante o povo, entrou em Cafarnaum. 2E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e moribundo. 3E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo. 4E, chegando eles junto de Jesus, rogaram-lhe muito, dizendo: É digno de que lhe concedas isto, 5Porque ama a nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. 6E foi Jesus com eles; mas, quando já estava perto da casa, enviou-lhe o centurião uns amigos, dizendo-lhe: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado. 7E por isso nem ainda me julguei digno de ir ter contigo; dize, porém, uma palavra, e o meu criado sarará. 8Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados sob o meu poder, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz. 9E, ouvindo isto Jesus, maravilhou-se dele, e voltando-se, disse à multidão que o seguia: Digo-vos que nem ainda em Israel tenho achado tanta fé. 10E, voltando para casa os que foram enviados, acharam são o servo enfermo. 11E aconteceu que, no dia seguinte, ele foi à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos, e uma grande multidão; 12E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade. 13E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores. 14E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam), e disse: Jovem, a ti te digo: Levanta-te. E o que fora defunto assentou-se, e começou a falar. 15E entregou-o à sua mãe. 16E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo. 17E correu dele esta fama por toda a Judéia e por toda a terra circunvizinha. 18E os discípulos de João anunciaram-lhe todas estas coisas. 19E João, chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? 20E, quando aqueles homens chegaram junto dele, disseram: João o Batista enviou-nos a perguntar-te: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? 21E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espíritos maus, e deu vista a muitos cegos. 22Respondendo, então, Jesus, disselhes: Ide, e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho. 23E bem-aventurado é aquele que em mim se não escandalizar. 24E, tendo-se retirado os mensageiros de João, começou a dizer à multidão acerca de João: Que saístes a ver no deserto? uma cana abalada pelo vento? 25Mas que saístes a ver? um homem trajado de vestes delicadas? Eis que os que andam com preciosas vestiduras, e em delícias, estão nos paços reais. 26Mas que saístes a ver? um profeta? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta. 27Este é aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu anjo diante da tua face, o qual preparará diante de ti o teu caminho. 28E eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João o Batista; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele. 29E todo o povo que o ouviu e os publicanos, tendo sido batizados com o batismo de João, justificaram a Deus. 30Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele. 31E disse o Senhor: A quem, pois, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes? 32São semelhantes aos meninos que, assentados nas praças, clamam uns aos outros, e dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes. 33Porque veio João o Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demônio; 34Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e pecadores. 35Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos. 36E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. 37E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; 38E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento. 39Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora. 40E respondendo, Jesus disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre. 41Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinqüenta. 42E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais? 43E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem. 44E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça. 45Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés. 46Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com ungüento. 47Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama. 48E disse-lhe a ela: Os teus pecados te são perdoados. 49E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados? 50E disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz. Lucas 8 1E ACONTECEU, depois disto, que andava de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e os doze iam com ele, 2E algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; 3E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens. 4E, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo de todas as cidades ter com ele, disse por parábola: 5Um semeador saiu a semear a sua semente e, quando semeava, caiu alguma junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram; 6E outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade; 7E outra caiu entre espinhos e crescendo com ela os espinhos, a sufocaram; 8E outra caiu em boa terra, e, nascida, produziu fruto, a cento por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. 9E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? 10E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros por parábolas, para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam. 11Esta é, pois, a parábola: A semente é a palavra de Deus; 12E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo; 13E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam; 14E a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição; 15E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança. 16E ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; mas põe-na no velador, para que os que entram vejam a luz. 17Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz. 18Vede, pois, como ouvis; porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado. 19E foram ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele, por causa da multidão. 20E foi-lhe dito: Estão lá fora tua mãe e teus irmãos, que querem ver-te. 21Mas, respondendo ele, disselhes: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam. 22E aconteceu que, num daqueles dias, entrou num barco com seus discípulos, e disselhes: Passemos para o outro lado do lago. E partiram. 23E, navegando eles, adormeceu; e sobreveio uma tempestade de vento no lago, e enchiam-se de água, estando em perigo. 24E, chegando-se a ele, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, perecemos. E ele, levantando-se, repreendeu o vento e a fúria da água; e cessaram, e fez-se bonança. 25E disselhes: Onde está a vossa fé? E eles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e à água manda, e lhe obedecem? 26E navegaram para a terra dos gadarenos, que está defronte da Galiléia. 27E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que desde muito tempo estava possesso de demônios, e não andava vestido, nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros. 28E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando, e dizendo com grande voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes. 29Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-no preso, com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos. 30E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E ele disse: Legião; porque tinham entrado nele muitos demônios. 31E rogavam-lhe que os não mandasse para o abismo. 32E andava ali pastando no monte uma vara de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar neles; e concedeu-lho. 33E, tendo saído os demônios do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se de um despenhadeiro no lago, e afogou-se. 34E aqueles que os guardavam, vendo o que acontecera, fugiram, e foram anunciá-lo na cidade e nos campos. 35E saíram a ver o que tinha acontecido, e vieram ter com Jesus. Acharam então o homem, de quem haviam saído os demônios, vestido, e em seu juízo, assentado aos pés de Jesus; e temeram. 36E os que tinham visto contaram-lhes também como fora salvo aquele endemoninhado. 37E toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor lhe rogou que se retirasse deles; porque estavam possuídos de grande temor. E entrando ele no barco, voltou. 38E aquele homem, de quem haviam saído os demônios, rogou-lhe que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo: 39Torna para tua casa, e conta quão grandes coisas te fez Deus. E ele foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito. 40E aconteceu que, quando voltou Jesus, a multidão o recebeu, porque todos o estavam esperando. 41E eis que chegou um homem de nome Jairo, que era príncipe da sinagoga; e, prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa; 42Porque tinha uma filha única, quase de doze anos, que estava à morte. E indo ele, apertava-o a multidão. 43E uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada, 44Chegando por detrás dele, tocou na orla do seu vestido, e logo estancou o fluxo do seu sangue. 45E disse Jesus: Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes: Quem é que me tocou? 46E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude. 47Então, vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se tremendo e, prostrando-se ante ele, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como logo sarara. 48E ele lhe disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz. 49Estando ele ainda falando, chegou um dos do príncipe da sinagoga, dizendo: A tua filha já está morta, não incomodes o Mestre. 50Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe, dizendo: Não temas; crê somente, e será salva. 51E, entrando em casa, a ninguém deixou entrar, senão a Pedro, e a Tiago, e a João, e ao pai e a mãe da menina. 52E todos choravam, e a pranteavam; e ele disse: Não choreis; não está morta, mas dorme. 53E riam-se dele, sabendo que estava morta. 54Mas ele, pondo-os todos fora, e pegando-lhe na mão, clamou, dizendo: Levanta-te, menina. 55E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou; e Jesus mandou que lhe dessem de comer. 56E seus pais ficaram maravilhados; e ele lhes mandou que a ninguém dissessem o que havia sucedido. Lucas 9 1E, CONVOCANDO os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades. 2E enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos. 3E disselhes: Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas. 4E em qualquer casa em que entrardes, ficai ali, e de lá saireis. 5E se em qualquer cidade vos não receberem, saindo vós dali, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles. 6E, saindo eles, percorreram todas as aldeias, anunciando o evangelho, e fazendo curas por toda a parte. 7E o tetrarca Herodes ouviu todas as coisas que por ele foram feitas, e estava em dúvida, porque diziam alguns que João ressuscitara dentre os mortos; e outros que Elias tinha aparecido; 8E outros que um profeta dos antigos havia ressuscitado. 9E disse Herodes: A João mandei eu degolar; quem é, pois, este de quem ouço dizer tais coisas? E procurava vê-lo. 10E, regressando os apóstolos, contaram-lhe tudo o que tinham feito. E, tomandoos consigo, retirou-se para um lugar deserto de uma cidade chamada Betsaida. 11E, sabendo-o a multidão, o seguiu; e ele os recebeu, e falava-lhes do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura. 12E já o dia começava a declinar; então, chegando-se a ele os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo aos lugares e aldeias em redor, se agasalhem, e achem o que comer; porque aqui estamos em lugar deserto. 13Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram: Não temos senão cinco pães e dois peixes, salvo se nós próprios formos comprar comida para todo este povo. 14Porquanto estavam ali quase cinco mil homens. Disse, então, aos seus discípulos: Fazei-os assentar, em ranchos de cinqüenta em cinqüenta. 15E assim o fizeram, fazendo-os assentar a todos. 16E, tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, abençoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discípulos para os porem diante da multidão. 17E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram, do que lhes sobejou, doze alcofas de pedaços. 18E aconteceu que, estando ele só, orando, estavam com ele os discípulos; e perguntou-lhes, dizendo: Quem diz a multidão que eu sou? 19E, respondendo eles, disseram: João o Batista; outros, Elias, e outros que um dos antigos profetas ressuscitou. 20E disselhes: E vós, quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, disse: O Cristo de Deus. 21E, admoestando-os, mandou que a ninguém referissem isso, 22Dizendo: É necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado dos anciãos e dos escribas, e seja morto, e ressuscite ao terceiro dia. 23E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. 24Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará. 25Porque, que aproveita ao homem granjear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo? 26Porque, qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos. 27E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o reino de Deus. 28E aconteceu que, quase oito dias depois destas palavras, tomou consigo a Pedro, a João e a Tiago, e subiu ao monte a orar. 29E, estando ele orando, transfigurou-se a aparência do seu rosto, e a sua roupa ficou branca e mui resplandecente. 30E eis que estavam falando com ele dois homens, que eram Moisés e Elias, 31Os quais apareceram com glória, e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém. 32E Pedro e os que estavam com ele estavam carregados de sono; e, quando despertaram, viram a sua glória e aqueles dois homens que estavam com ele. 33E aconteceu que, quando aqueles se apartaram dele, disse Pedro a Jesus: Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés, e uma para Elias, não sabendo o que dizia. 34E, dizendo ele isto, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e, entrando eles na nuvem, temeram. 35E saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho; a ele ouvi. 36E, tendo soado aquela voz, Jesus foi achado só; e eles calaram-se, e por aqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto. 37E aconteceu, no dia seguinte, que, descendo eles do monte, lhes saiu ao encontro uma grande multidão; 38E eis que um homem da multidão clamou, dizendo: Mestre, peço-te que olhes para meu filho, porque é o único que eu tenho. 39Eis que um espírito o toma e de repente clama, e o despedaça até espumar; e só o larga depois de o ter quebrantado. 40E roguei aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam. 41E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e perversa! até quando estarei ainda convosco e vos sofrerei? Traze-me aqui o teu filho. 42E, quando vinha chegando, o demônio o derrubou e convulsionou; porém, Jesus repreendeu o espírito imundo, e curou o menino, e o entregou a seu pai. 43E todos pasmavam da majestade de Deus. E, maravilhando-se todos de todas as coisas que Jesus fazia, disse aos seus discípulos: 44Ponde vós estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho do homem será entregue nas mãos dos homens. 45Mas eles não entendiam esta palavra, que lhes era encoberta, para que a não compreendessem; e temiam interrogá-lo acerca desta palavra. 46E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. 47Mas Jesus, vendo o pensamento de seus corações, tomou um menino, pô-lo junto a si, 48E disselhes: Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo será grande. 49E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco. 50E Jesus lhe disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós. 51E aconteceu que, completando-se os dias para a sua assunção, manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém. 52E mandou mensageiros adiante de si; e, indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos, para lhe prepararem pousada, 53Mas não o receberam, porque o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalém. 54E os seus discípulos, Tiago e João, vendo isto, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez? 55Voltando-se, porém, repreendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espírito sois. 56Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia. 57E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores. 58E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. 59E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. 60Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus. 61Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. 62E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus. Lucas 10 1E DEPOIS disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir. 2E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara. 3 Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho. 5E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. 6E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós. 7E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa. 8E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos for oferecido. 9E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus. 10Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei: 11Até o pó, que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós. 12E digo-vos que mais tolerância haverá naquele dia para Sodoma do que para aquela cidade. 13Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam arrependido. 14Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que para vós. 15E tu, Cafarnaum, que te levantaste até ao céu, até ao inferno serás abatida. 16Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou. 17E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam. 18E disselhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu. 19Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum. 20Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus. 21Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. 22Tudo por meu Pai me foi entregue; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 23E, voltando-se para os discípulos, disselhes em particular: Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes. 24Pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram. 25E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? 26E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? 27E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. 28E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás. 29Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? 30E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. 31E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. 32E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. 33Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; 34E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; 35E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar. 36Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? 37E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira. 38E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; 39E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. 40Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. 41E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; 42E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. Lucas 11 1E ACONTECEU que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos. 2E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu. 3Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano; 4E perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a qualquer que nos deve, e não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal. 5Disselhes também: Qual de vós terá um amigo, e, se for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, 6Pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que apresentar-lhe; 7Se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para tos dar; 8Digo-vos que, ainda que não se levante a dar-lhos, por ser seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver mister. 9E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-sevos-á; 10Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-selhe-á. 11E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? 12Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? 13Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? 14E estava ele expulsando um demônio, o qual era mudo. E aconteceu que, saindo o demônio, o mudo falou; e maravilhou-se a multidão. 15Mas alguns deles diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios. 16E outros, tentando-o, pediam-lhe um sinal do céu. 17Mas, conhecendo ele os seus pensamentos, disselhes: Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado; e a casa, dividida contra si mesma, cairá. 18E, se também Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demônios por Belzebu. 19E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Eles, pois, serão os vossos juízes. 20Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus. 21Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem; 22Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura em que confiava, e reparte os seus despojos. 23Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha. 24Quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares secos, buscando repouso; e, não o achando, diz: Tornarei para minha casa, de onde saí. 25E, chegando, acha-a varrida e adornada. 26Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem é pior do que o primeiro. 27E aconteceu que, dizendo ele estas coisas, uma mulher dentre a multidão, levantando a voz, lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste. 28Mas ele disse: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam. 29E, ajuntando-se a multidão, começou a dizer: Maligna é esta geração; ela pede um sinal; e não lhe será dado outro sinal, senão o sinal do profeta Jonas; 30Porquanto, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim o Filho do homem o será também para esta geração. 31A rainha do sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará; pois até dos confins da terra veio ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui está quem é maior do que Salomão. 32Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão; pois se converteram com a pregação de Jonas; e eis aqui está quem é maior do que Jonas. 33E ninguém, acendendo uma candeia, a põe em oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz. 34A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso. 35Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas. 36Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te ilumina com o seu resplendor. 37E, estando ele ainda falando, rogou-lhe um fariseu que fosse jantar com ele; e, entrando, assentou-se à mesa. 38Mas o fariseu admirou-se, vendo que não se lavara antes de jantar. 39E o Senhor lhe disse: Agora vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade. 40Loucos! Quem fez o exterior não fez também o interior? 41Antes dai esmola do que tiverdes, e eis que tudo vos será limpo. 42Mas ai de vós, fariseus, que dizimais a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezais o juízo e o amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras. 43Ai de vós, fariseus, que amais os primeiros assentos nas sinagogas, e as saudações nas praças. 44Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! que sois como as sepulturas que não aparecem, e os homens que sobre elas andam não o sabem. 45E, respondendo um dos doutores da lei, disse-lhe: Mestre, quando dizes isso, também nos afrontas a nós. 46E ele lhe disse: Ai de vós também, doutores da lei, que carregais os homens com cargas difíceis de transportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais essas cargas. 47Ai de vós que edificais os sepulcros dos profetas, e vossos pais os mataram. 48Bem testificais, pois, que consentis nas obras de vossos pais; porque eles os mataram, e vós edificais os seus sepulcros. 49Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros; 50Para que desta geração seja requerido o sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado; 51Desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido desta geração. 52Ai de vós, doutores da lei, que tirastes a chave da ciência; vós mesmos não entrastes, e impedistes os que entravam. 53E, dizendo-lhes ele isto, começaram os escribas e os fariseus a apertá-lo fortemente, e a fazê-lo falar acerca de muitas coisas, 54Armando-lhe ciladas, e procurando apanhar da sua boca alguma coisa para o acusarem. Lucas 12 1AJUNTANDO-SE entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discípulos: Acautelai-vos primeiramente do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido. 3Porquanto tudo o que em trevas dissestes, à luz será ouvido; e o que falastes ao ouvido no gabinete, sobre os telhados será apregoado. 4E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer. 5Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei. 6Não se vendem cinco passarinhos por dois ceitis? E nenhum deles está esquecido diante de Deus. 7E até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos. 8E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus. 9Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus. 10E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-á perdoada, mas ao que blasfemar contra o Espírito Santo não lhe será perdoado. 11E, quando vos conduzirem às sinagogas, aos magistrados e potestades, não estejais solícitos de como ou do que haveis de responder, nem do que haveis de dizer. 12Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o que vos convenha falar. 13E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança. 14Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós? 15E disselhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. 16E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; 17E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. 18E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; 19E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. 20Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? 21Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus. 22E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. 23Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes. 24Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves? 25E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura? 26Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras? 27Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. 28E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? 29Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. 30Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas. 31Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. 32Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino. 33Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói. 34Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração. 35Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias. 36E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe. 37Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá. 38E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e os achar assim, bem-aventurados são os tais servos. 39Sabei, porém, isto: que, se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria, e não deixaria minar a sua casa. 40Portanto, estai vós também apercebidos; porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais. 41E disse-lhe Pedro: Senhor, dizes essa parábola a nós, ou também a todos? 42E disse o Senhor: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pôs sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração? 43Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. 44Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá. 45Mas, se aquele servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os criados e criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, 46Virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera, e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis. 47E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; 48Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá. 49Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso? 50 Importa, porém, que seja batizado com um certo batismo; e como me angustio até que venha a cumprir-se! 51Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão; 52Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três. 53O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra. 54E dizia também à multidão: Quando vedes a nuvem que vem do ocidente, logo dizeis: Lá vem chuva, e assim sucede. 55E, quando assopra o sul, dizeis: Haverá calma; e assim sucede. 56Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis então discernir este tempo? 57E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo? 58Quando, pois, vais com o teu adversário ao magistrado, procura livrar-te dele no caminho; para que não suceda que te conduza ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te encerre na prisão. 59Digo-te que não sairás dali enquanto não pagares o derradeiro ceitil. Lucas 13 1E, NAQUELE mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios. 2E, respondendo Jesus, disselhes: Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? 3Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. 4E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém? 5Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. 6E dizia esta parábola: Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando; 7E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente? 8E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; 9E, se der fruto, ficará e, se não, depois a mandarás cortar. 10E ensinava no sábado, numa das sinagogas. 11E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; e andava curvada, e não podia de modo algum endireitar-se. 12E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade. 13E pôs as mãos sobre ela, e logo se endireitou, e glorificava a Deus. 14E, tomando a palavra o príncipe da sinagoga, indignado porque Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não no dia de sábado. 15Respondeu-lhe, porém, o Senhor, e disse: Hipócrita, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi, ou jumento, e não o leva a beber? 16E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás tinha presa? 17E, dizendo ele isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele. 18E dizia: A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei? 19É semelhante ao grão de mostarda que um homem, tomando-o, lançou na sua horta; e cresceu, e fez-se grande árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu. 20E disse outra vez: A que compararei o reino de Deus? 21É semelhante ao fermento que uma mulher, tomando-o, escondeu em três medidas de farinha, até que tudo levedou. 22E percorria as cidades e as aldeias, ensinando, e caminhando para Jerusalém. 23E disse-lhe um: Senhor, são poucos os que se salvam? E ele lhe respondeu: 24Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão. 25Quando o pai de família se levantar e cerrar a porta, e começardes, de fora, a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo ele, vos disser: Não sei de onde vós sois; 26Então começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e tu tens ensinado nas nossas ruas. 27E ele vos responderá: Digo-vos que não vos conheço nem sei de onde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniqüidade. 28Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora. 29E virão do oriente, e do ocidente, e do norte, e do sul, e assentar-se-ão à mesa no reino de Deus. 30E eis que derradeiros há que serão os primeiros; e primeiros há que serão os derradeiros. 31Naquele mesmo dia chegaram uns fariseus, dizendo-lhe: Sai, e retira-te daqui, porque Herodes quer matar-te. 32E respondeu-lhes: Ide, e dizei àquela raposa: Eis que eu expulso demônios, e efetuo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia sou consumado. 33 Importa, porém, caminhar hoje, amanhã, e no dia seguinte, para que não suceda que morra um profeta fora de Jerusalém. 34Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? 35Eis que a vossa casa se vos deixará deserta. E em verdade vos digo que não me vereis até que venha o tempo em que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor. Lucas 14 1ACONTECEU num sábado que, entrando ele em casa de um dos principais dos fariseus para comer pão, eles o estavam observando. 2E eis que estava ali diante dele um certo homem hidrópico. 3E Jesus, tomando a palavra, falou aos doutores da lei, e aos fariseus, dizendo: É lícito curar no sábado? 4Eles, porém, calaram-se. E, tomando-o, o curou e despediu. 5E respondendo-lhes disse: Qual será de vós o que, caindo-lhe num poço, em dia de sábado, o jumento ou o boi, o não tire logo? 6E nada lhe podiam replicar sobre isto. 7E disse aos convidados uma parábola, reparando como escolhiam os primeiros assentos, dizendo-lhes: 8Quando por alguém fores convidado às bodas, não te assentes no primeiro lugar; não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu; 9E, vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar. 10Mas, quando fores convidado, vai, e assenta-te no derradeiro lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa. 11Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. 12E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado. 13Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos, 14E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos. 15E, ouvindo isto, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bemaventurado o que comer pão no reino de Deus. 16Porém, ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos. 17E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado. 18E todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado. 19E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado. 20E outro disse: Casei, e portanto não posso ir. 21E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos. 22E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda há lugar. 23E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha. 24Porque eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia. 25Ora, ia com ele uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhe: 26Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. 28Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? 29Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, 30Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. 31Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? 32De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz. 33Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo. 34Bom é o sal; mas, se o sal degenerar, com que se há de salgar? 35Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Lucas 15 1E CHEGAVAM-SE a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. 2E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles. 3E ele lhes propôs esta parábola, dizendo: 4Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e vai após a perdida até que venha a achá-la? 5E achando-a, a põe sobre os seus ombros, jubiloso; 6E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. 7Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. 8Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? 9E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. 10Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. 11E disse: Um certo homem tinha dois filhos; 12E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. 13E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. 14E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades. 15E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos. 16E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. 17E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! 18Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti; 19Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros. 20E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. 21E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho. 22Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés; 23E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos; 24Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se. 25E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. 26E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. 27E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. 28Mas ele se indignou, e não queria entrar. 29E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos; 30Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. 31E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; 32Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se. Lucas 16 1E DIZIA também aos seus discípulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens. 2E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo. 3E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha. 4Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas. 5E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor? 6E ele respondeu: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e assentando-te já, escreve cinqüenta. 7Disse depois a outro: E tu, quanto deves? E ele respondeu: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e escreve oitenta. 8E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz. 9E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. 10Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito. 11Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras? 12E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso? 13Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. 14E os fariseus, que eram avarentos, ouviam todas estas coisas, e zombavam dele. 15E disselhes: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações, porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação. 16A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele. 17E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei. 18Qualquer que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido, adultera também. 19Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. 20Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele; 21E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. 22E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. 23E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. 24E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. 25Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. 26E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. 27E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, 28Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. 29Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. 30E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. 31Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite. Lucas 17 1E DISSE aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! 2Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos. 3Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. 4E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe. 5Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a fé. 6E disse o Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarraiga-te daqui, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria. 7E qual de vós terá um servo a lavrar ou a apascentar gado, a quem, voltando ele do campo, diga: Chega-te, e assenta-te à mesa? 8E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me até que tenha comido e bebido, e depois comerás e beberás tu? 9Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Creio que não. 10Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer. 11E aconteceu que, indo ele a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galiléia; 12E, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe; 13E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós. 14E ele, vendo-os, disselhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos. 15E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano. 17E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro? 19E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou. 20E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. 21Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós. 22E disse aos discípulos: Dias virão em que desejareis ver um dos dias do Filho do homem, e não o vereis. 23E dir-vos-ão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali. Não vades, nem os sigais; 24Porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do homem no seu dia. 25Mas primeiro convém que ele padeça muito, e seja reprovado por esta geração. 26E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. 27Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos. 28Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; 29Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos. 30Assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar. 31Naquele dia, quem estiver no telhado, tendo as suas alfaias em casa, não desça a tomá-las; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para trás. 32Lembrai-vos da mulher de Ló. 33Qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, salvá-la-á. 34Digo-vos que naquela noite estarão dois numa cama; um será tomado, e outro será deixado. 35Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada. 36Dois estarão no campo; um será tomado, e o outro será deixado. 37E, respondendo, disseram-lhe: Onde, Senhor? E ele lhes disse: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão as águias. Lucas 18 1E CONTOU-LHES também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer, 2Dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava o homem. 3Havia também, naquela mesma cidade, uma certa viúva, que ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário. 4E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, 5Todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte, e me importune muito. 6E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz. 7E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? 8Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? 9E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: 10Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. 11O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. 12Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. 13O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! 14Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado. 15E traziam-lhe também meninos, para que ele lhes tocasse; e os discípulos, vendo isto, repreendiam-nos. 16Mas Jesus, chamando-os para si, disse: Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus. 17Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele. 18E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? 19Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus. 20Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe. 21E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade. 22E quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me. 23Mas, ouvindo ele isto, ficou muito triste, porque era muito rico. 24E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! 25Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. 26E os que ouviram isto disseram: Logo quem pode salvar-se? 27Mas ele respondeu: As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus. 28E disse Pedro: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos. 29E ele lhes disse: Na verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou pais, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo reino de Deus, 30Que não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura a vida eterna. 31E, tomando consigo os doze, disselhes: Eis que subimos a Jerusalém, e se cumprirá no Filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito; 32Pois há de ser entregue aos gentios, e escarnecido, injuriado e cuspido; 33E, havendo-o açoitado, o matarão; e ao terceiro dia ressuscitará. 34E eles nada disto entendiam, e esta palavra lhes era encoberta, não percebendo o que se lhes dizia. 35E aconteceu que chegando ele perto de Jericó, estava um cego assentado junto do caminho, mendigando. 36E, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquilo. 37E disseram-lhe que Jesus Nazareno passava. 38Então clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim. 39E os que iam passando repreendiam-no para que se calasse; mas ele clamava ainda mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim! 40Então Jesus, parando, mandou que lho trouxessem; e, chegando ele, perguntoulhe, 41Dizendo: Que queres que te faça? E ele disse: Senhor, que eu veja. 42E Jesus lhe disse: Vê; a tua fé te salvou. 43E logo viu, e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus. Lucas 19 1E, TENDO Jesus entrado em Jericó, ia passando. 2E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico. 3E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. 4E, correndo adiante, subiu a um sicômoro para o ver; porque havia de passar por ali. 5E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa. 6E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente. 7E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador. 8E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. 9E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. 10Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. 11E, ouvindo eles estas coisas, ele prosseguiu, e contou uma parábola; porquanto estava perto de Jerusalém, e cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus. 12Disse pois: Certo homem nobre partiu para uma terra remota, a fim de tomar para si um reino e voltar depois. 13E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disselhes: Negociai até que eu venha. 14Mas os seus concidadãos odiavam-no, e mandaram após ele embaixadores, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós. 15E aconteceu que, voltando ele, depois de ter tomado o reino, disse que lhe chamassem aqueles servos, a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que cada um tinha ganhado, negociando. 16E veio o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas. 17E ele lhe disse: Bem está, servo bom, porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás autoridade. 18E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas. 19E a este disse também: Sê tu também sobre cinco cidades. 20E veio outro, dizendo: Senhor, aqui está a tua mina, que guardei num lenço; 21Porque tive medo de ti, que és homem rigoroso, que tomas o que não puseste, e segas o que não semeaste. 22Porém, ele lhe disse: Mau servo, pela tua boca te julgarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não pus, e sego o que não semeei; 23Por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o exigisse com os juros? 24E disse aos que estavam com ele: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas. 25 (E disseram-lhe eles: Senhor, ele tem dez minas.) 26Pois eu vos digo que a qualquer que tiver ser-lhe-á dado, mas ao que não tiver, até o que tem lhe será tirado. 27E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim. 28E, dito isto, ia caminhando adiante, subindo para Jerusalém. 29E aconteceu que, chegando perto de Betfagé, e de Betânia, ao monte chamado das Oliveiras, mandou dois dos seus discípulos, 30Dizendo: Ide à aldeia que está defronte, e aí, ao entrar, achareis preso um jumentinho em que nenhum homem ainda montou; soltai-o e trazei-o. 31E, se alguém vos perguntar: Por que o soltais? assim lhe direis: Porque o Senhor o há de mister. 32E, indo os que haviam sido mandados, acharam como lhes dissera. 33E, quando soltaram o jumentinho, seus donos lhes disseram: Por que soltais o jumentinho? 34E eles responderam: O Senhor o há de mister. 35E trouxeram-no a Jesus; e, lançando sobre o jumentinho as suas vestes, puseram Jesus em cima. 36E, indo ele, estendiam no caminho as suas vestes. 37E, quando já chegava perto da descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto, 38Dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas. 39E disseram-lhe de entre a multidão alguns dos fariseus: Mestre, repreende os teus discípulos. 40E, respondendo ele, disselhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão. 41E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, 42Dizendo: Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. 43Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todos os lados; 44E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação. 45E, entrando no templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam, 46Dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores. 47E todos os dias ensinava no templo; mas os principais dos sacerdotes, e os escribas, e os principais do povo procuravam matá-lo. 48E não achavam meio de o fazer, porque todo o povo pendia para ele, escutando-o. Lucas 20 1E ACONTECEU num daqueles dias que, estando ele ensinando o povo no templo, e anunciando o evangelho, sobrevieram os principais dos sacerdotes e os escribas com os anciãos, 2E falaram-lhe, dizendo: Dize-nos, com que autoridade fazes estas coisas? Ou, quem é que te deu esta autoridade? 3E, respondendo ele, disselhes: Também eu vos farei uma pergunta: Dizei-me pois: 4O batismo de João era do céu ou dos homens? 5E eles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que o não crestes? 6E se dissermos: Dos homens; todo o povo nos apedrejará, pois têm por certo que João era profeta. 7E responderam que não sabiam de onde era. 8E Jesus lhes disse: Tampouco vos direi com que autoridade faço isto. 9E começou a dizer ao povo esta parábola: Certo homem plantou uma vinha, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para fora da terra por muito tempo; 10E no tempo próprio mandou um servo aos lavradores, para que lhe dessem dos frutos da vinha; mas os lavradores, espancando-o, mandaram-no vazio. 11E tornou ainda a mandar outro servo; mas eles, espancando também a este, e afrontando-o, mandaram-no vazio. 12E tornou ainda a mandar um terceiro; mas eles, ferindo também a este, o expulsaram. 13E disse o senhor da vinha: Que farei? Mandarei o meu filho amado; talvez, vendo-o, seja respeitado. 14Mas, vendo-o os lavradores, arrazoaram entre si, dizendo: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, para que a herança seja nossa. 15E, lançando-o fora da vinha, o mataram. Que lhes fará, pois, o senhor da vinha? 16 Irá, e destruirá estes lavradores, e dará a outros a vinha. E, ouvindo eles isto, disseram: Não seja assim! 17Mas ele, olhando para eles, disse: Que é isto, pois, que está escrito? A pedra, que os edificadores reprovaram, Essa foi feita cabeça da esquina. 18Qualquer que cair sobre aquela pedra ficará em pedaços, e aquele sobre quem ela cair será feito em pó. 19E os principais dos sacerdotes e os escribas procuravam lançar mão dele naquela mesma hora; mas temeram o povo; porque entenderam que contra eles dissera esta parábola. 20E, observando-o, mandaram espias, que se fingissem justos, para o apanharem nalguma palavra, e o entregarem à jurisdição e poder do presidente. 21E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, nós sabemos que falas e ensinas bem e retamente, e que não consideras a aparência da pessoa, mas ensinas com verdade o caminho de Deus. 22É-nos lícito dar tributo a César ou não? 23E, entendendo ele a sua astúcia, disselhes: Por que me tentais? 24Mostrai-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscrição? E, respondendo eles, disseram: De César. 25Disselhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. 26E não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, maravilhados da sua resposta, calaram-se. 27E, chegando-se alguns dos saduceus, que dizem não haver ressurreição, perguntaram-lhe, 28Dizendo: Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se o irmão de algum falecer, tendo mulher, e não deixar filhos, o irmão dele tome a mulher, e suscite posteridade a seu irmão. 29Houve, pois, sete irmãos, e o primeiro tomou mulher, e morreu sem filhos; 30E tomou-a o segundo por mulher, e ele morreu sem filhos. 31E tomou-a o terceiro, e igualmente também os sete; e morreram, e não deixaram filhos. 32E por último, depois de todos, morreu também a mulher. 33Portanto, na ressurreição, de qual deles será a mulher, pois que os sete por mulher a tiveram? 34E, respondendo Jesus, disselhes: Os filhos deste mundo casam-se, e dão-se em casamento; 35Mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dentre os mortos, nem hão de casar, nem ser dados em casamento; 36Porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição. 37E que os mortos hão de ressuscitar também o mostrou Moisés junto da sarça, quando chama ao Senhor Deus de Abraão, e Deus de Isaque, e Deus de Jacó. 38Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos. 39E, respondendo alguns dos escribas, disseram: Mestre, disseste bem. 40E não ousavam perguntar-lhe mais coisa alguma. 41E ele lhes disse: Como dizem que o Cristo é filho de Davi? 42Visto como o mesmo Davi diz no livro dos Salmos: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, 43Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. 44Se Davi lhe chama Senhor, como é ele seu filho? 45E, ouvindo-o todo o povo, disse Jesus aos seus discípulos: 46Guardai-vos dos escribas, que querem andar com vestes compridas; e amam as saudações nas praças, e as principais cadeiras nas sinagogas, e os primeiros lugares nos banquetes; 47Que devoram as casas das viúvas, fazendo, por pretexto, longas orações. Estes receberão maior condenação. Lucas 21 1E, OLHANDO ele, viu os ricos lançarem as suas ofertas na arca do tesouro; 2E viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas; 3E disse: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva; 4Porque todos aqueles deitaram para as ofertas de Deus do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha. 5E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse: 6Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que não se deixará pedra sobre pedra, que não seja derrubada. 7E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, quando serão, pois, estas coisas? E que sinal haverá quando isto estiver para acontecer? 8Disse então ele: Vede não vos enganem, porque virão muitos em meu nome, dizendo: Sou eu, e o tempo está próximo. Não vades, portanto, após eles. 9E, quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis. Porque é necessário que isto aconteça primeiro, mas o fim não será logo. 10Então lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino; 11E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu. 12Mas antes de todas estas coisas lançarão mão de vós, e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões, e conduzindo-vos à presença de reis e presidentes, por amor do meu nome. 13E vos acontecerá isto para testemunho. 14Proponde, pois, em vossos corações não premeditar como haveis de responder; 15Porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir nem contradizer todos quantos se vos opuserem. 16E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós. 17E de todos sereis odiados por causa do meu nome. 18Mas não perecerá um único cabelo da vossa cabeça. 19Na vossa paciência possuí as vossas almas. 20Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. 21Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela. 22Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. 23Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo. 24E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem. 25E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. 26Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto as virtudes do céu serão abaladas. 27E então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e grande glória. 28Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima. 29E disselhes uma parábola: Olhai para a figueira, e para todas as árvores; 30Quando já têm rebentado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão. 31Assim também vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto. 32Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo aconteça. 33Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar. 34E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. 35Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. 36Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem. 37E de dia ensinava no templo, e à noite, saindo, ficava no monte chamado das Oliveiras. 38E todo o povo ia ter com ele ao templo, de manhã cedo, para o ouvir. Lucas 22 1ESTAVA, pois, perto a festa dos pães ázimos, chamada a páscoa. 2E os principais dos sacerdotes, e os escribas, andavam procurando como o matariam; porque temiam o povo. 3Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze. 4E foi, e falou com os principais dos sacerdotes, e com os capitães, de como lho entregaria; 5Os quais se alegraram, e convieram em lhe dar dinheiro. 6E ele concordou; e buscava oportunidade para lho entregar sem alvoroço. 7Chegou, porém, o dia dos ázimos, em que importava sacrificar a páscoa. 8E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos. 9E eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos? 10E ele lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem, levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar. 11E direis ao pai de família da casa: O Mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? 12Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado; aí fazei preparativos. 13E, indo eles, acharam como lhes havia sido dito; e prepararam a páscoa. 14E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e com ele os doze apóstolos. 15E disselhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça; 16Porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus. 17E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; 18Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus. 19E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim. 20Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós. 21Mas eis que a mão do que me trai está comigo à mesa. 22E, na verdade, o Filho do homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele homem por quem é traído! 23E começaram a perguntar entre si qual deles seria o que havia de fazer isto. 24E houve também entre eles contenda, sobre qual deles parecia ser o maior. 25E ele lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores. 26Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve. 27Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve. 28E vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações. 29E eu vos destino o reino, como meu Pai mo destinou, 30Para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos assenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel. 31Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; 32Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos. 33E ele lhe disse: Senhor, estou pronto a ir contigo até à prisão e à morte. 34Mas ele disse: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes negues que me conheces. 35E disselhes: Quando vos mandei sem bolsa, alforje, ou alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada. 36Disselhes pois: Mas agora, aquele que tiver bolsa, tome-a, como também o alforje; e, o que não tem espada, venda a sua capa e compre-a; 37Porquanto vos digo que importa que em mim se cumpra aquilo que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Porque o que está escrito de mim terá cumprimento. 38E eles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. E ele lhes disse: Basta. 39E, saindo, foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e também os seus discípulos o seguiram. 40E quando chegou àquele lugar, disselhes: Orai, para que não entreis em tentação. 41E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava, 42Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua. 43E apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia. 44E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão. 45E, levantando-se da oração, veio para os seus discípulos, e achou-os dormindo de tristeza. 46E disselhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação. 47E, estando ele ainda a falar, surgiu uma multidão; e um dos doze, que se chamava Judas, ia adiante dela, e chegou-se a Jesus para o beijar. 48E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem? 49E, vendo os que estavam com ele o que ia suceder, disseram-lhe: Senhor, feriremos à espada? 50E um deles feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita. 51E, respondendo Jesus, disse: Deixai-os; basta. E, tocando-lhe a orelha, o curou. 52E disse Jesus aos principais dos sacerdotes, e capitães do templo, e anciãos, que tinham ido contra ele: Saístes, como a um salteador, com espadas e varapaus? 53Tenho estado todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim, mas esta é a vossa hora e o poder das trevas. 54Então, prendendo-o, o levaram, e o puseram em casa do sumo sacerdote. E Pedro seguia-o de longe. 55E, havendo-se acendido fogo no meio do pátio, estando todos sentados, assentou-se Pedro entre eles. 56E como certa criada, vendo-o estar assentado ao fogo, pusesse os olhos nele, disse: Este também estava com ele. 57Porém, ele negou-o, dizendo: Mulher, não o conheço. 58E, um pouco depois, vendo-o outro, disse: Tu és também deles. Mas Pedro disse: Homem, não sou. 59E, passada quase uma hora, um outro afirmava, dizendo: Também este verdadeiramente estava com ele, pois também é galileu. 60E Pedro disse: Homem, não sei o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. 61E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante hoje, me negarás três vezes. 62E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente. 63E os homens que detinham Jesus zombavam dele, ferindo-o. 64E, vendando-lhe os olhos, feriam-no no rosto, e perguntavam-lhe, dizendo: Profetiza, quem é que te feriu? 65E outras muitas coisas diziam contra ele, blasfemando. 66E logo que foi dia ajuntaram-se os anciãos do povo, e os principais dos sacerdotes e os escribas, e o conduziram ao seu concílio, e lhe perguntaram: 67És tu o Cristo? Dize-no-lo. Ele replicou: Se vo-lo disser, não o crereis; 68E também, se vos perguntar, não me respondereis, nem me soltareis. 69Desde agora o Filho do homem se assentará à direita do poder de Deus. 70E disseram todos: Logo, és tu o Filho de Deus? E ele lhes disse: Vós dizeis que eu sou. 71Então disseram: De que mais testemunho necessitamos? pois nós mesmos o ouvimos da sua boca. Lucas 23 1E, LEVANTANDO-SE toda a multidão deles, o levaram a Pilatos. 2E começaram a acusá-lo, dizendo: Havemos achado este pervertendo a nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo que ele mesmo é Cristo, o rei. 3E Pilatos perguntou-lhe, dizendo: Tu és o Rei dos Judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes. 4E disse Pilatos aos principais dos sacerdotes, e à multidão: Não acho culpa alguma neste homem. 5Mas eles insistiam cada vez mais, dizendo: Alvoroça o povo ensinando por toda a Judéia, começando desde a Galiléia até aqui. 6Então Pilatos, ouvindo falar da Galiléia perguntou se aquele homem era galileu. 7E, sabendo que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes, que também naqueles dias estava em Jerusalém. 8E Herodes, quando viu a Jesus, alegrou-se muito; porque havia muito que desejava vê-lo, por ter ouvido dele muitas coisas; e esperava que lhe veria fazer algum sinal. 9E interrogava-o com muitas palavras, mas ele nada lhe respondia. 10E estavam os principais dos sacerdotes, e os escribas, acusando-o com grande veemência. 11E Herodes, com os seus soldados, desprezou-o e, escarnecendo dele, vestiu-o de uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo a Pilatos. 12E no mesmo dia, Pilatos e Herodes entre si se fizeram amigos; pois dantes andavam em inimizade um com o outro. 13E, convocando Pilatos os principais dos sacerdotes, e os magistrados, e o povo, 14Disselhes: Haveis-me apresentado este homem como pervertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem. 15Nem mesmo Herodes, porque a ele vos remeti, e eis que não tem feito coisa alguma digna de morte. 16Castigá-lo-ei, pois, e soltá-lo-ei. 17E era-lhe necessário soltar-lhes um pela festa. 18Mas toda a multidão clamou a uma, dizendo: Fora daqui com este, e solta-nos Barrabás. 19O qual fora lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade, e de um homicídio. 20Falou, pois, outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus. 21Mas eles clamavam em contrário, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. 22Então ele, pela terceira vez, lhes disse: Mas que mal fez este? Não acho nele culpa alguma de morte. Castigá-lo-ei pois, e soltá-lo-ei. 23Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos, e os dos principais dos sacerdotes, prevaleciam. 24Então Pilatos julgou que devia fazer o que eles pediam. 25E soltou-lhes o que fora lançado na prisão por uma sedição e homicídio, que era o que pediam; mas entregou Jesus à vontade deles. 26E quando o iam levando, tomaram um certo Simão, cireneu, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para que a levasse após Jesus. 27E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos peitos, e o lamentavam. 28Jesus, porém, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas, e por vossos filhos. 29Porque eis que hão de vir dias em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram! 30Então começarão a dizer aos montes: Caí sobre nós, e aos outeiros: Cobri-nos. 31Porque, se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao seco? 32E também conduziram outros dois, que eram malfeitores, para com ele serem mortos. 33E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. 34E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes. 35E o povo estava olhando. E também os príncipes zombavam dele, dizendo: Aos outros salvou, salve-se a si mesmo, se este é o Cristo, o escolhido de Deus. 36E também os soldados o escarneciam, chegando-se a ele, e apresentando-lhe vinagre. 37E dizendo: Se tu és o Rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo. 38E também por cima dele, estava um título, escrito em letras gregas, romanas, e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEUS. 39E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós. 40Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? 41E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. 42E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. 43E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso. 44E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol; 45E rasgou-se ao meio o véu do templo. 46E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou. 47E o centurião, vendo o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo. 48E toda a multidão que se ajuntara a este espetáculo, vendo o que havia acontecido, voltava batendo nos peitos. 49E todos os seus conhecidos, e as mulheres que juntamente o haviam seguido desde a Galiléia, estavam de longe vendo estas coisas. 50E eis que um homem por nome José, senador, homem de bem e justo, 51Que não tinha consentido no conselho e nos atos dos outros, de Arimatéia, cidade dos judeus, e que também esperava o reino de Deus; 52Esse, chegando a Pilatos, pediu o corpo de Jesus. 53E, havendo-o tirado, envolveu-o num lençol, e pô-lo num sepulcro escavado numa penha, onde ninguém ainda havia sido posto. 54E era o dia da preparação, e amanhecia o sábado. 55E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galiléia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. 56E, voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento. Lucas 24 1E NO primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas. 2E acharam a pedra revolvida do sepulcro. 3E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. 4E aconteceu que, estando elas muito perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois homens, com vestes resplandecentes. 5E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? 6Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia, 7Dizendo: Convém que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite. 8E lembraram-se das suas palavras. 9E, voltando do sepulcro, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os demais. 10E eram Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago, e as outras que com elas estavam, as que diziam estas coisas aos apóstolos. 11E as suas palavras lhes pareciam como desvario, e não as creram. 12Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro e, abaixando-se, viu só os lençóis ali postos; e retirou-se, admirando consigo aquele caso. 13E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús. 14E iam falando entre si de tudo aquilo que havia sucedido. 15E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles. 16Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem. 17E ele lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes? 18E, respondendo um, cujo nome era Cléopas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias? 19E ele lhes perguntou: Quais? E eles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que foi homem profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20E como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram. 21E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. 22É verdade que também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; 23E, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive. 24E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a ele não o viram. 25E ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! 26Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória? 27E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. 28E chegaram à aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe. 29E eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. 30E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu. 31Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes. 32E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras? 33E na mesma hora, levantando-se, tornaram para Jerusalém, e acharam congregados os onze, e os que estavam com eles, 34Os quais diziam: Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a Simão. 35E eles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como deles fora conhecido no partir do pão. 36E falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disselhes: Paz seja convosco. 37E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. 38E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? 39Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. 40E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41E, não o crendo eles ainda por causa da alegria, e estando maravilhados, disselhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? 42Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; 43O que ele tomou, e comeu diante deles. 44E disselhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. 45Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. 46E disselhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, 47E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. 48E destas coisas sois vós testemunhas. 49E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. 50E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. 51E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu. 52E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém. 53E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus. Amém. João 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 João 1 1NO princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. 2Ele estava no princípio com Deus. 3Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. 4Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. 6Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. 7Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. 8Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz. 9Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. 10Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. 11Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. 12Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; 13Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. 15João testificou dele, e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu. 16E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça. 17Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. 18Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou. 19E este é o testemunho de João, quando os judeus mandaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu? 20E confessou, e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo. 21E perguntaram-lhe: Então quê? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E respondeu: Não. 22Disseram-lhe pois: Quem és? para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes de ti mesmo? 23Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. 24E os que tinham sido enviados eram dos fariseus. 25E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? 26João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água; mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis. 27Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca. 28Estas coisas aconteceram em Betabara, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando. 29No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu. 31E eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, batizando com água. 32E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. 33E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. 34E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus. 35No dia seguinte João estava outra vez ali, e dois dos seus discípulos; 36E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus. 37E os dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus. 38E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disselhes: Que buscais? E eles disseram: Rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde moras? 39Ele lhes disse: Vinde, e vede. Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima. 40Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido. 41Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo). 42E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro). 43No dia seguinte quis Jesus ir à Galiléia, e achou a Filipe, e disse-lhe: Segue-me. 44E Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. 45Filipe achou Natanael, e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José. 46Disse-lhe Natanael: Pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Disse-lhe Filipe: Vem, e vê. 47Jesus viu Natanael vir ter com ele, e disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo. 48Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu? Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira. 49Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel. 50Jesus respondeu, e disse-lhe: Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? Coisas maiores do que estas verás. 51E disse-lhe: Na verdade, na verdade vos digo que daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem. João 2 1E, AO terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus. 2E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas. 3E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. 4Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. 5Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. 6E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes. 7Disselhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. 8E disselhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram. 9E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestresala ao esposo, 10E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. 11Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. 12Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias. 13E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 14E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. 15E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; 16E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda. 17E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorou. 18Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Que sinal nos mostras para fazeres isto? 19Jesus respondeu, e disselhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei. 20Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias? 21Mas ele falava do templo do seu corpo. 22Quando, pois, ressuscitou dentre os mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isto; e creram na Escritura, e na palavra que Jesus tinha dito. 23E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. 24Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia; 25E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem. João 3 1E HAVIA entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. 2Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele. 3Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. 4Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? 5Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. 6O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. 7Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. 8O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. 9Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso? 10Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto? 11Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho. 12Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais? 13Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu. 14E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; 15Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 16Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. 18Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. 19E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. 20Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. 21Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus. 22Depois disto foi Jesus com os seus discípulos para a terra da Judéia; e estava ali com eles, e batizava. 23Ora, João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham ali, e eram batizados. 24Porque ainda João não tinha sido lançado na prisão. 25Houve então uma questão entre os discípulos de João e os judeus acerca da purificação. 26E foram ter com João, e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele. 27João respondeu, e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu. 28Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. 29Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido. 30É necessário que ele cresça e que eu diminua. 31Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos. 32E aquilo que ele viu e ouviu isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho. 33Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro. 34Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida. 35O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos. 36Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece. João 4 1E QUANDO o Senhor entendeu que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João 2 (Ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos), 3Deixou a Judéia, e foi outra vez para a Galiléia. 4E era-lhe necessário passar por Samaria. 5Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José. 6E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta. 7Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. 8Porque os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida. 9Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos). 10Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. 11Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? 12És tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado? 13Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; 14Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna. 15Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la. 16Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá. 17A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; 18Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade. 19Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. 20Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. 21Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. 23Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. 24Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. 25A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. 26Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo. 27E nisto vieram os seus discípulos, e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher; todavia nenhum lhe disse: Que perguntas? ou: Por que falas com ela? 28Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens: 29Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo? 30Saíram, pois, da cidade, e foram ter com ele. 31E entretanto os seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come. 32Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis. 33Então os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer? 34Jesus disselhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra. 35Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa. 36E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem. 37Porque nisto é verdadeiro o ditado, que um é o que semeia, e outro o que ceifa. 38Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho. 39E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disseme tudo quanto tenho feito. 40 Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias. 41E muitos mais creram nele, por causa da sua palavra. 42E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo. 43E dois dias depois partiu dali, e foi para a Galiléia. 44Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não tem honra na sua própria pátria. 45Chegando, pois, à Galiléia, os galileus o receberam, vistas todas as coisas que fizera em Jerusalém, no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa. 46Segunda vez foi Jesus a Caná da Galiléia, onde da água fizera vinho. E havia ali um nobre, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum. 47Ouvindo este que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi ter com ele, e rogou-lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque já estava à morte. 48Então Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis. 49Disse-lhe o nobre: Senhor, desce, antes que meu filho morra. 50Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse, e partiu. 51E descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe anunciaram, dizendo: O teu filho vive. 52Perguntou-lhes, pois, a que hora se achara melhor. E disseram-lhe: Ontem às sete horas a febre o deixou. 53Entendeu, pois, o pai que era aquela hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa. 54Jesus fez este segundo milagre, quando ia da Judéia para a Galiléia. João 5 1DEPOIS disto havia uma festa entre os judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 2Ora, em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres. 3Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos e ressicados, esperando o movimento da água. 4Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse. 5E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo. 6E Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? 7O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me ponha no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. 8Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu leito, e anda. 9Logo aquele homem ficou são; e tomou o seu leito, e andava. E aquele dia era sábado. 10Então os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É sábado, não te é lícito levar o leito. 11Ele respondeu-lhes: Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma o teu leito, e anda. 12Perguntaram-lhe, pois: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito, e anda? 13E o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, em razão de naquele lugar haver grande multidão. 14Depois Jesus encontrou-o no templo, e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior. 15E aquele homem foi, e anunciou aos judeus que Jesus era o que o curara. 16E por esta causa os judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisas no sábado. 17E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. 18Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo- se igual a Deus. 19Mas Jesus respondeu, e disselhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente. 20Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz; e ele lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis. 21Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer. 22E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo; 23Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou. 24Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. 25Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. 26Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo; 27E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem. 28Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. 29E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação. 30Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou. 31Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. 32Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro. 33Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. 34Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis. 35Ele era a candeia que ardia e alumiava, e vós quisestes alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz. 36Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou. 37E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer. 38E a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou não credes vós. 39Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; 40E não quereis vir a mim para terdes vida. 41Eu não recebo glória dos homens; 42Mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus. 43Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis. 44Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus? 45Não cuideis que eu vos hei de acusar para com o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais. 46Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele. 47Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras? João 6 1DEPOIS disto partiu Jesus para o outro lado do mar da Galiléia, que é o de Tiberíades. 2E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos. 3E Jesus subiu ao monte, e assentou-se ali com os seus discípulos. 4E a páscoa, a festa dos judeus, estava próxima. 5Então Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem? 6Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer. 7Filipe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco. 8E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-Lhe: 9Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos? 10E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil. 11E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam. 12E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca. 13Recolheram-nos, pois, e encheram doze alcofas de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido. 14Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo. 15Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte. 16E, quando veio a tarde, os seus discípulos desceram para o mar. 17E, entrando no barco, atravessaram o mar em direção a Cafarnaum; e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado ao pé deles. 18E o mar se levantou, porque um grande vento assoprava. 19E, tendo navegado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram a Jesus, andando sobre o mar e aproximando-se do barco; e temeram. 20Mas ele lhes disse: Sou eu, não temais. 21Então eles de boa mente o receberam no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam. 22No dia seguinte, a multidão que estava do outro lado do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho, a não ser aquele no qual os discípulos haviam entrado, e que Jesus não entrara com os seus discípulos naquele barquinho, mas que os seus discípulos tinham ido sozinhos 23 (Contudo, outros barquinhos tinham chegado de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças). 24Vendo, pois, a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos, e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus. 25E, achando-o no outro lado do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui? 26Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. 27Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou. 28Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus? 29Jesus respondeu, e disselhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou. 30Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu? 31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu. 32Disselhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. 33Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. 34Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. 35E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede. 36Mas já vos disse que também vós me vistes, e contudo não credes. 37Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. 38Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. 40Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. 41Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. 42E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu? 43Respondeu, pois, Jesus, e disselhes: Não murmureis entre vós. 44Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim. 46Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai. 47Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. 50Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. 51Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. 52Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer? 53Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. 58Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre. 59Ele disse estas coisas na sinagoga, ensinando em Cafarnaum. 60Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? 61Sabendo, pois, Jesus em si mesmo que os seus discípulos murmuravam disto, disselhes: Isto escandaliza-vos? 62Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava? 63O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e vida. 64Mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar. 65E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. 66Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. 67Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? 68Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. 69E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente. 70Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo. 71E isto dizia ele de Judas Iscariotes, filho de Simão; porque este o havia de entregar, sendo um dos doze. João 7 1E DEPOIS disto Jesus andava pela Galiléia, e já não queria andar pela Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo. 2E estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. 3Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. 4Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. 5Porque nem mesmo seus irmãos criam nele. 6Disselhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto. 7O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más. 8Subi vós a esta festa; eu não subo ainda a esta festa, porque ainda o meu tempo não está cumprido. 9E, havendo-lhes dito isto, ficou na Galiléia. 10Mas, quando seus irmãos já tinham subido à festa, então subiu ele também, não manifestamente, mas como em oculto. 11Ora, os judeus procuravam-no na festa, e diziam: Onde está ele? 12E havia grande murmuração entre a multidão a respeito dele. Diziam alguns: Ele é bom. E outros diziam: Não, antes engana o povo. 13Todavia ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus. 14Mas, no meio da festa subiu Jesus ao templo, e ensinava. 15E os judeus maravilhavam-se, dizendo: Como sabe este letras, não as tendo aprendido? 16Jesus lhes respondeu, e disse: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. 17Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo. 18Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça. 19Não vos deu Moisés a lei? e nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me? 20A multidão respondeu, e disse: Tens demônio; quem procura matar-te? 21Respondeu Jesus, e disselhes: Fiz uma só obra, e todos vos maravilhais. 22Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem. 23Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque no sábado curei de todo um homem? 24Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça. 25Então alguns dos de Jerusalém diziam: Não é este o que procuram matar? 26E ei-lo aí está falando abertamente, e nada lhe dizem. Porventura sabem verdadeiramente os príncipes que de fato este é o Cristo? 27Todavia bem sabemos de onde este é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde ele é. 28Clamava, pois, Jesus no templo, ensinando, e dizendo: Vós conheceis-me, e sabeis de onde sou; e eu não vim de mim mesmo, mas aquele que me enviou é verdadeiro, o qual vós não conheceis. 29Mas eu conheço-o, porque dele sou e ele me enviou. 30Procuravam, pois, prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele, porque ainda não era chegada a sua hora. 31E muitos da multidão creram nele, e diziam: Quando o Cristo vier, fará ainda mais sinais do que os que este tem feito? 32Os fariseus ouviram que a multidão murmurava dele estas coisas; e os fariseus e os principais dos sacerdotes mandaram servidores para o prenderem. 33Disselhes, pois, Jesus: Ainda um pouco de tempo estou convosco, e depois vou para aquele que me enviou. 34Vós me buscareis, e não me achareis; e onde eu estou, vós não podeis vir. 35Disseram, pois, os judeus uns para os outros: Para onde irá este, que o não acharemos? Irá porventura para os dispersos entre os gregos, e ensinará os gregos? 36Que palavra é esta que disse: Buscar-me-eis, e não me achareis; e: Aonde eu estou vós não podeis ir? 37E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. 38Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. 39E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado. 40Então muitos da multidão, ouvindo esta palavra, diziam: Verdadeiramente este é o Profeta. 41Outros diziam: Este é o Cristo; mas diziam outros: Vem, pois, o Cristo da Galiléia? 42Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi? 43Assim entre o povo havia dissensão por causa dele. 44E alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele. 45E os servidores foram ter com os principais dos sacerdotes e fariseus; e eles lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? 46Responderam os servidores: Nunca homem algum falou assim como este homem. 47Responderam-lhes, pois, os fariseus: Também vós fostes enganados? 48Creu nele porventura algum dos principais ou dos fariseus? 49Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita. 50Nicodemos, que era um deles (o que de noite fora ter com Jesus), disselhes: 51Porventura condena a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento do que faz? 52Responderam eles, e disseram-lhe: És tu também da Galiléia? Examina, e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu. 53E cada um foi para sua casa. João 8 1JESUS, porém, foi para o Monte das Oliveiras. 2E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava. 3E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; 4E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. 5E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? 6 Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. 7E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disselhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. 8E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. 9Quando ouviram isto, redargüidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio. 10E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? 11E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais. 12Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. 13Disseram-lhe, pois, os fariseus: Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro. 14Respondeu Jesus, e disselhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho, nem para onde vou. 15Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo. 16E, se na verdade julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou. 17E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. 18Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou. 19Disseram-lhe, pois: Onde está teu Pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai. 20Estas palavras disse Jesus no lugar do tesouro, ensinando no templo, e ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora. 21Disselhes, pois, Jesus outra vez: Eu retiro-me, e buscar-me-eis, e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, não podeis vós vir. 22Diziam, pois, os judeus: Porventura quererá matar-se a si mesmo, pois diz: Para onde eu vou não podeis vir? 23E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que EU SOU, morrereis em vossos pecados. 25Disseram-lhe, pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse. 26Muito tenho que dizer e julgar de vós, mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele tenho ouvido, isso falo ao mundo. 27Mas não entenderam que ele lhes falava do Pai. 28Disselhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem EU SOU, e que nada faço por mim mesmo; mas isto falo como meu Pai me ensinou. 29E aquele que me enviou está comigo. O Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada. 30Dizendo ele estas coisas, muitos creram nele. 31Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; 32E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. 33Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres? 34Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. 35Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre. 36Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. 37Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não entra em vós. 38Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai. 39Responderam, e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disselhes: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. 40Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto. 41Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, que é Deus. 42Disselhes, pois, Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. 43Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra. 44Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. 45Mas, porque vos digo a verdade, não me credes. 46Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes? 47Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus. 48Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és samaritano, e que tens demônio? 49Jesus respondeu: Eu não tenho demônio, antes honro a meu Pai, e vós me desonrais. 50Eu não busco a minha glória; há quem a busque, e julgue. 51Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte. 52Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora conhecemos que tens demônio. Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte. 53És tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E também os profetas morreram. Quem te fazes tu ser? 54Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus. 55E vós não o conheceis, mas eu conheço-o. E, se disser que o não conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra. 56Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se. 57Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão? 58Disselhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou. 59Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou. João 9 1E, PASSANDO Jesus, viu um homem cego de nascença. 2E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? 3Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus. 4Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. 5Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. 6Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. 7E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo. 8Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava? 9Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu. 10Diziam-lhe, pois: Como se te abriram os olhos? 11Ele respondeu, e disse: O homem, chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os olhos, e disseme: Vai ao tanque de Siloé, e lava-te. Então fui, e lavei-me, e vi. 12Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei. 13Levaram, pois, aos fariseus o que dantes era cego. 14E era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos. 15Tornaram, pois, também os fariseus a perguntar-lhe como vira, e ele lhes disse: Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me, e vejo. 16Então alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles. 17Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu, que dizes daquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta. 18Os judeus, porém, não creram que ele tivesse sido cego, e que agora visse, enquanto não chamaram os pais do que agora via. 19E perguntaram-lhes, dizendo: É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê agora? 20Seus pais lhes responderam, e disseram: Sabemos que este é o nosso filho, e que nasceu cego; 21Mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe tenha aberto os olhos, não sabemos. Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo; e ele falará por si mesmo. 22Seus pais disseram isto, porque temiam os judeus. Porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga. 23Por isso é que seus pais disseram: Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo. 24Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseramlhe: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador. 25Respondeu ele pois, e disse: Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo. 26E tornaram a dizer-lhe: Que te fez ele? Como te abriu os olhos? 27Respondeu-lhes: Já vo-lo disse, e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer-vos também seus discípulos? 28Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés. 29Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é. 30O homem respondeu, e disselhes: Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e contudo me abrisse os olhos. 31Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve. 32Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. 33Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer. 34Responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no. 35Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus? 36Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia? 37E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo. 38Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou. 39E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos. 40E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos? 41Disselhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece. João 10 1NA verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. 2Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora. 4E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. 6Jesus disselhes esta parábola; mas eles não entenderam o que era que lhes dizia. 7Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. 8Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. 9Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. 10O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. 11Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. 12Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. 13Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. 14Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. 15Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. 16Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor. 17Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. 18Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai. 19Tornou, pois, a haver divisão entre os judeus por causa destas palavras. 20E muitos deles diziam: Tem demônio, e está fora de si; por que o ouvis? 21Diziam outros: Estas palavras não são de endemoninhado. Pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos? 22E em Jerusalém havia a festa da dedicação, e era inverno. 23E Jesus andava passeando no templo, no alpendre de Salomão. 24Rodearam-no, pois, os judeus, e disseram-lhe: Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente. 25Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim. 26Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito. 27As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; 28E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. 29Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. 30Eu e o Pai somos um. 31Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar. 32Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? 33Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. 34Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? 35Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, e a Escritura não pode ser anulada, 36Àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus? 37Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. 38Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras; para que conheçais e acrediteis que o Pai está em mim e eu nele. 39Procuravam, pois, prendê-lo outra vez, mas ele escapou-se de suas mãos, 40E retirou-se outra vez para além do Jordão, para o lugar onde João tinha primeiramente batizado; e ali ficou. 41E muitos iam ter com ele, e diziam: Na verdade João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse deste era verdade. 42E muitos ali creram nele. João 11 1ESTAVA, porém, enfermo um certo Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta. 2E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com ungüento, e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro estava enfermo. 3Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas. 4E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela. 5Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. 6Ouvindo, pois, que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde estava. 7Depois disto, disse aos seus discípulos: Vamos outra vez para a Judéia. 8Disseram-lhe os discípulos: Rabi, ainda agora os judeus procuravam apedrejarte, e tornas para lá? 9Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; 10Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz. 11Assim falou; e depois disselhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono. 12Disseram, pois, os seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. 13Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono. 14Então Jesus disselhes claramente: Lázaro está morto; 15E folgo, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que acrediteis; mas vamos ter com ele. 16Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele. 17Chegando, pois, Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na sepultura. 18 (Ora Betânia distava de Jerusalém quase quinze estádios.) 19E muitos dos judeus tinham ido consolar a Marta e a Maria, acerca de seu irmão. 20Ouvindo, pois, Marta que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro; Maria, porém, ficou assentada em casa. 21Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá. 23Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar. 24Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia. 25Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; 26E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto? 27Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo. 28E, dito isto, partiu, e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo: O Mestre está cá, e chama-te. 29Ela, ouvindo isto, levantou-se logo, e foi ter com ele. 30 (Pois, Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar onde Marta o encontrara.) 31Vendo, pois, os judeus, que estavam com ela em casa e a consolavam, que Maria apressadamente se levantara e saíra, seguiram-na, dizendo: Vai ao sepulcro para chorar ali. 32Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. 33Jesus pois, quando a viu chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito, e perturbou-se. 34E disse: Onde o pusestes? Disseram-lhe: Senhor, vem, e vê. 35Jesus chorou. 36Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava. 37E alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse? 38Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, veio ao sepulcro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ela. 39Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias. 40Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus? 41Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido. 42Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste. 43E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora. 44E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disselhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir. 45Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a Maria, e que tinham visto o que Jesus fizera, creram nele. 46Mas alguns deles foram ter com os fariseus, e disseram-lhes o que Jesus tinha feito. 47Depois os principais dos sacerdotes e os fariseus formaram conselho, e diziam: Que faremos? porquanto este homem faz muitos sinais. 48Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação. 49E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis, 50Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação. 51Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. 52E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos. 53Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem. 54Jesus, pois, já não andava manifestamente entre os judeus, mas retirou-se dali para a terra junto do deserto, para uma cidade chamada Efraim; e ali ficou com os seus discípulos. 55E estava próxima a páscoa dos judeus, e muitos daquela região subiram a Jerusalém antes da páscoa para se purificarem. 56Buscavam, pois, a Jesus, e diziam uns aos outros, estando no templo: Que vos parece? Não virá à festa? 57Ora, os principais dos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que, se alguém soubesse onde ele estava, o denunciasse, para o prenderem. João 12 1FOI, pois, Jesus seis dias antes da páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dentre os mortos. 2Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. 3Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento. 4Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: 5Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres? 6Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava. 7Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto; 8Porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes. 9E muita gente dos judeus soube que ele estava ali; e foram, não só por causa de Jesus, mas também para ver a Lázaro, a quem ressuscitara dentre os mortos. 10E os principais dos sacerdotes tomaram deliberação para matar também a Lázaro; 11Porque muitos dos judeus, por causa dele, iam e criam em Jesus. 12No dia seguinte, ouvindo uma grande multidão, que viera à festa, que Jesus vinha a Jerusalém, 13Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor. 14E achou Jesus um jumentinho, e assentou-se sobre ele, como está escrito: 15Não temas, ó filha de Sião; eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta. 16Os seus discípulos, porém, não entenderam isto no princípio; mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito dele, e que isto lhe fizeram. 17A multidão, pois, que estava com ele quando Lázaro foi chamado da sepultura, testificava que ele o ressuscitara dentre os mortos. 18Por isso a multidão lhe saiu ao encontro, porque tinham ouvido que ele fizera este sinal. 19Disseram, pois, os fariseus entre si: Vedes que nada aproveitais? Eis que toda a gente vai após ele. 20Ora, havia alguns gregos, entre os que tinham subido a adorar no dia da festa. 21Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaramlhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus. 22Filipe foi dizê-lo a André, e então André e Filipe o disseram a Jesus. 23E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado. 24Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. 25Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardála-á para a vida eterna. 26Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará. 27Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora. 28Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei. 29Ora, a multidão que ali estava, e que a ouvira, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe falou. 30Respondeu Jesus, e disse: Não veio esta voz por amor de mim, mas por amor de vós. 31Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. 32E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. 33E dizia isto, significando de que morte havia de morrer. 34Respondeu-lhe a multidão: Nós temos ouvido da lei, que o Cristo permanece para sempre; e como dizes tu que convém que o Filho do homem seja levantado? Quem é esse Filho do homem? 35Disselhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai. 36Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles. 37E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; 38Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? 39Por isso não podiam crer, então Isaías disse outra vez: 40Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure. 41 Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele. 42Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga. 43Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus. 44E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. 45E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou. 46Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. 47E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. 48Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia. 49Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar. 50E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito. João 13 1ORA, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2E, acabada a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse, 3Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus, 4Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. 5Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. 6Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? 7Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois. 8Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo. 9Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça. 10Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora vós estais limpos, mas não todos. 11Porque bem sabia ele quem o havia de trair; por isso disse: Nem todos estais limpos. 12Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disselhes: Entendeis o que vos tenho feito? 13Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. 14Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. 15Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. 16Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. 17Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes. 18Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar. 19Desde agora vo-lo digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou. 20Na verdade, na verdade vos digo: Se alguém receber o que eu enviar, me recebe a mim, e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. 21Tendo Jesus dito isto, turbou-se em espírito, e afirmou, dizendo: Na verdade, na verdade vos digo que um de vós me há de trair. 22Então os discípulos olhavam uns para os outros, duvidando de quem ele falava. 23Ora, um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus. 24Então Simão Pedro fez sinal a este, para que perguntasse quem era aquele de quem ele falava. 25E, inclinando-se ele sobre o peito de Jesus, disse-lhe: Senhor, quem é? 26Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão. 27E, após o bocado, entrou nele Satanás. Disse, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa. 28E nenhum dos que estavam assentados à mesa compreendeu a que propósito lhe dissera isto. 29Porque, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe tinha dito: Compra o que nos é necessário para a festa; ou que desse alguma coisa aos pobres. 30E, tendo Judas tomado o bocado, saiu logo. E era já noite. 31Tendo ele, pois, saído, disse Jesus: Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado nele. 32Se Deus é glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e logo o há de glorificar. 33Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós me buscareis, mas, como tenho dito aos judeus: Para onde eu vou não podeis vós ir; eu vo-lo digo também agora. 34Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. 35Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. 36Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus lhe respondeu: Para onde eu vou não podes agora seguir-me, mas depois me seguirás. 37Disse-lhe Pedro: Por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a minha vida. 38Respondeu-lhe Jesus: Tu darás a tua vida por mim? Na verdade, na verdade te digo que não cantará o galo enquanto não me tiveres negado três vezes. João 14 1NÃO se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. 2Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. 3E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. 4Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho. 5Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? 6Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto. 8Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. 9Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? 10Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. 11Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. 12Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. 13E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. 14Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. 15Se me amais, guardai os meus mandamentos. 16E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; 17O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. 18Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós. 19Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis. 20Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós. 21Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. 22Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): Senhor, de onde vem que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo? 23Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. 24Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou. 25Tenho-vos dito isto, estando convosco. 26Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. 27Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. 28Ouvistes que eu vos disse: Vou, e venho para vós. Se me amásseis, certamente exultaríeis porque eu disse: Vou para o Pai; porque meu Pai é maior do que eu. 29Eu vo-lo disse agora antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis. 30Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim; 31Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai, e que faço como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui. João 15 1EU sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. 2Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. 3Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. 4Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. 5Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem. 7Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito. 8Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. 9Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. 11Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. 12O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. 13Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. 14Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. 16Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. 17 Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros. 18Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. 19Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. 20Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. 21Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou. 22Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado. 23Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai. 24Se eu entre eles não fizesse tais obras, quais nenhum outro tem feito, não teriam pecado; mas agora, viram-nas e me odiaram a mim e a meu Pai. 25Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem causa. 26Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. 27E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio. João 16 1TENHO-VOS dito estas coisas para que vos não escandalizeis. 2Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. 3E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim. 4Mas tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar aquela hora, vos lembreis de que já vo-lo tinha dito. E eu não vos disse isto desde o princípio, porque estava convosco. 5E agora vou para aquele que me enviou; e nenhum de vós me pergunta: Para onde vais? 6Antes, porque isto vos tenho dito, o vosso coração se encheu de tristeza. 7Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. 8E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. 9Do pecado, porque não crêem em mim; 10Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; 11E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado. 12Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. 13Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. 14Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar. 15Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. 16Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis; porquanto vou para o Pai. 17Então alguns dos seus discípulos disseram uns aos outros: Que é isto que nos diz? Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis; e: Porquanto vou para o Pai? 18Diziam, pois: Que quer dizer isto: Um pouco? Não sabemos o que diz. 19Conheceu, pois, Jesus que o queriam interrogar, e disselhes: Indagais entre vós acerca disto que disse: Um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e verme-eis? 20Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. 21A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo. 22Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará. 23E naquele dia nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. 24Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra. 25Disse-vos isto por parábolas; chega, porém, a hora em que não vos falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai. 26Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai; 27Pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes, e crestes que saí de Deus. 28Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai. 29Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas abertamente, e não dizes parábola alguma. 30Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus. 31Respondeu-lhes Jesus: Credes agora? 32Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo. 33Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. João 17 1JESUS falou assim e, levantando seus olhos ao céu, e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti; 2Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste. 3E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. 4Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. 5E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse. 6Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra. 7Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti; 8Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste. 9Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e neles sou glorificado. 11E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. 12Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse. 13Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos. 14Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. 16Não são do mundo, como eu do mundo não sou. 17Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. 18Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade. 20E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim; 21Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. 22E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. 23Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim. 24Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste a mim. 26E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja. João 18 1TENDO Jesus dito isto, saiu com os seus discípulos para além do ribeiro de Cedrom, onde havia um horto, no qual ele entrou e seus discípulos. 2E Judas, que o traía, também conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se ajuntava ali com os seus discípulos. 3Tendo, pois, Judas recebido a coorte e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, veio para ali com lanternas, e archotes e armas. 4Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se, e disselhes: A quem buscais? 5Responderam-lhe: A Jesus Nazareno. Disselhes Jesus: Sou eu. E Judas, que o traía, estava com eles. 6Quando, pois, lhes disse: Sou eu, recuaram, e caíram por terra. 7Tornou-lhes, pois, a perguntar: A quem buscais? E eles disseram: A Jesus Nazareno. 8Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu; se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes; 9Para que se cumprisse a palavra que tinha dito: Dos que me deste nenhum deles perdi. 10Então Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco. 11Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu? 12Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram. 13E conduziram-no primeiramente a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. 14Ora, Caifás era quem tinha aconselhado aos judeus que convinha que um homem morresse pelo povo. 15E Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. E este discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e entrou com Jesus na sala do sumo sacerdote. 16E Pedro estava da parte de fora, à porta. Saiu então o outro discípulo que era conhecido do sumo sacerdote, e falou à porteira, levando Pedro para dentro. 17Então a porteira disse a Pedro: Não és tu também dos discípulos deste homem? Disse ele: Não sou. 18Ora, estavam ali os servos e os servidores, que tinham feito brasas, e se aquentavam, porque fazia frio; e com eles estava Pedro, aquentando-se também. 19E o sumo sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. 20Jesus lhe respondeu: Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde os judeus sempre se ajuntam, e nada disse em oculto. 21Para que me perguntas a mim? Pergunta aos que ouviram o que é que lhes ensinei; eis que eles sabem o que eu lhes tenho dito. 22E, tendo dito isto, um dos servidores que ali estavam, deu uma bofetada em Jesus, dizendo: Assim respondes ao sumo sacerdote? 23Respondeu-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; e, se bem, por que me feres? 24E Anás mandou-o, maniatado, ao sumo sacerdote Caifás. 25E Simão Pedro estava ali, e aquentava-se. Disseram-lhe, pois: Não és também tu um dos seus discípulos? Ele negou, e disse: Não sou. 26E um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse: Não te vi eu no horto com ele? 27E Pedro negou outra vez, e logo o galo cantou. 28Depois levaram Jesus da casa de Caifás para a audiência. E era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem, mas poderem comer a páscoa. 29Então Pilatos saiu fora e disselhes: Que acusação trazeis contra este homem? 30Responderam, e disseram-lhe: Se este não fosse malfeitor, não to entregaríamos. 31Disselhes, pois, Pilatos: Levai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei. Disseramlhe então os judeus: A nós não nos é lícito matar pessoa alguma. 32 (Para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer). 33Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus? 34Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim? 35Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? 36Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. 37Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. 38Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus, e disselhes: Não acho nele crime algum. 39Mas vós tendes por costume que eu vos solte alguém pela páscoa. Quereis, pois, que vos solte o Rei dos Judeus? 40Então todos tornaram a clamar, dizendo: Este não, mas Barrabás. E Barrabás era um salteador. João 19 1PILATOS, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou. 2E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura. 3E diziam: Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas. 4Então Pilatos saiu outra vez fora, e disselhes: Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum. 5Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disselhes Pilatos: Eis aqui o homem. 6Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. Disselhes Pilatos: Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele. 7Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus. 8E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou. 9E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. 10Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? 11Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem. 12Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo: Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César. 13Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá. 14E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso Rei. 15Mas eles bradaram: Tira, tira, crucifica-o. Disselhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão César. 16Então, conseqüentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram. 17E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, 18Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. 19E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. 20E muitos dos judeus leram este título; porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim. 21Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a Pilatos: Não escrevas, O Rei dos Judeus, mas que ele disse: Sou o Rei dos Judeus. 22Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi. 23Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura. 24Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será. Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas. 25E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena. 26Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. 27Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. 28Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede. 29Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a num hissopo, lha chegaram à boca. 30E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. 31Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. 32Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como ele fora crucificado; 33Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. 34Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. 35E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais. 36Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado. 37E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram. 38Depois disto, José de Arimatéia (o que era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Então foi e tirou o corpo de Jesus. 39E foi também Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem arráteis de um composto de mirra e aloés. 40Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro. 41E havia um horto naquele lugar onde fora crucificado, e no horto um sepulcro novo, em que ainda ninguém havia sido posto. 42Ali, pois (por causa da preparação dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro), puseram a Jesus. João 20 1E NO primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro. 2Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disselhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram. 3Então Pedro saiu com o outro discípulo, e foram ao sepulcro. 4E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. 5E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia não entrou. 6Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis, 7E que o lenço, que tinha estado sobre a sua cabeça, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte. 8Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu. 9Porque ainda não sabiam a Escritura, que era necessário que ressuscitasse dentre os mortos. 10Tornaram, pois, os discípulos para casa. 11E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro. 12E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. 14E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus. 15Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. 16Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni, que quer dizer: Mestre. 17Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. 18Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto. 19Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disselhes: Paz seja convosco. 20E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor. 21Disselhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. 22E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disselhes: Recebei o Espírito Santo. 23Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos. 24Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disselhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. 26E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. 27Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. 28E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! 29Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram. 30Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. 31Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. João 21 1DEPOIS disto manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se assim: 2Estavam juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. 3Disselhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram, e subiram logo para o barco, e naquela noite nada apanharam. 4E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus. 5Disselhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. 6E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes. 7Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar. 8E os outros discípulos foram com o barco (porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados), levando a rede cheia de peixes. 9Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão. 10Disselhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes. 11Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes e, sendo tantos, não se rompeu a rede. 12Disselhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor. 13Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. 14E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos. 15E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. 16Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. 17Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. 18Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. 19E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me. 20E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? 21Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? 22Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu. 23Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? 24Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. 25Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém. Atos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 Atos 1 1FIZ o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, 2Até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; 3Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. 4E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que, disse ele, de mim ouvistes. 5Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. 6Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? 7E disselhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. 8Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. 9E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. 10E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. 11Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir. 12Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado. 13E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmão de Tiago. 14Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos. 15E naqueles dias, levantando-se Pedro no meio dos discípulos (ora a multidão junta era de quase cento e vinte pessoas) disse: 16Homens irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus; 17Porque foi contado conosco e alcançou sorte neste ministério. 18Ora, este adquiriu um campo com o galardão da iniqüidade; e, precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. 19E foi notório a todos os que habitam em Jerusalém; de maneira que na sua própria língua esse campo se chama Aceldama, isto é, Campo de Sangue. 20Porque no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação, E não haja quem nela habite, e: Tome outro o seu bispado. 21É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, 22Começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição. 23E apresentaram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome o Justo, e Matias. 24E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual destes dois tens escolhido, 25Para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar. 26E, lançando-lhes sortes, caiu a sorte sobre Matias. E por voto comum foi contado com os onze apóstolos. Atos 2 1E, CUMPRINDO-SE o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; 2E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. 3E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. 4E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 5E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. 6E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? 8Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? 9Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, 11Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. 12E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? 13E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. 14Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disselhes: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. 15Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia. 16Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: 17E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos sonharão sonhos; 18E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão; 19E farei aparecer prodígios em cima, no céu; E sinais em baixo na terra, Sangue, fogo e vapor de fumo. 20O sol se converterá em trevas, E a lua em sangue, Antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor; 21E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. 22Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; 23A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; 24Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela; 25Porque dele disse Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, Porque está à minha direita, para que eu não seja comovido; 26Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; E ainda a minha carne há de repousar em esperança; 27Pois não deixarás a minha alma no inferno, Nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção; 28Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida; Com a tua face me encherás de júbilo. 29Homens irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura. 30Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono, 31Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção. 32Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. 33De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis. 34Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, 35Até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. 36Saiba, pois, com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. 37E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos? 38E disselhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; 39Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. 40E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvaivos desta geração perversa. 41De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, 42E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. 43E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. 44E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. 45E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. 46E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, 47Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar. Atos 3 1E PEDRO e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona. 2E era trazido um homem que desde o ventre de sua mãe era coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam. 3O qual, vendo a Pedro e a João que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola. 4E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós. 5E olhou para eles, esperando receber deles alguma coisa. 6E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda. 7E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e artelhos se firmaram. 8E, saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus. 9E todo o povo o viu andar e louvar a Deus; 10E conheciam-no, pois era ele o que se assentava a pedir esmola à porta Formosa do templo; e ficaram cheios de pasmo e assombro, pelo que lhe acontecera 11E, apegando-se o coxo, que fora curado, a Pedro e João, todo o povo correu atônito para junto deles, ao alpendre chamado de Salomão. 12E quando Pedro viu isto, disse ao povo: Homens israelitas, por que vos maravilhais disto? Ou, por que olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem? 13O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Jesus, a quem vós entregastes e perante a face de Pilatos negastes, tendo ele determinado que fosse solto. 14Mas vós negastes o Santo e o Justo, e pedistes que se vos desse um homem homicida. 15E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. 16E pela fé no seu nome fez o seu nome fortalecer a este que vedes e conheceis; sim, a fé que vem por ele, deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saúde. 17E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos príncipes. 18Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado; que o Cristo havia de padecer. 19Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor, 20E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. 21O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio. 22Porque Moisés disse aos pais: O Senhor vosso Deus levantará de entre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser. 23E acontecerá que toda a alma que não escutar esse profeta será exterminada dentre o povo. 24Sim, e todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também predisseram estes dias. 25Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus fez com nossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra. 26Ressuscitando Deus a seu Filho Jesus, primeiro o enviou a vós, para que nisso vos abençoasse, no apartar, a cada um de vós, das vossas maldades. Atos 4 1E, ESTANDO eles falando ao povo, sobrevieram os sacerdotes, e o capitão do templo, e os saduceus, 2Doendo-se muito de que ensinassem o povo, e anunciassem em Jesus a ressurreição dentre os mortos. 3E lançaram mão deles, e os encerraram na prisão até ao dia seguinte, pois já era tarde. 4Muitos, porém, dos que ouviram a palavra creram, e chegou o número desses homens a quase cinco mil. 5E aconteceu, no dia seguinte, reunirem-se em Jerusalém os seus principais, os anciãos, os escribas, 6E Anás, o sumo sacerdote, e Caifás, e João, e Alexandre, e todos quantos havia da linhagem do sumo sacerdote. 7E, pondo-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em nome de quem fizestes isto? 8Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: Principais do povo, e vós, anciãos de Israel, 9Visto que hoje somos interrogados acerca do benefício feito a um homem enfermo, e do modo como foi curado, 10Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desse é que este está são diante de vós. 11Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. 12E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos. 13Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus. 14E, vendo estar com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em contrário. 15Todavia, mandando-os sair fora do conselho, conferenciaram entre si, 16Dizendo: Que havemos de fazer a estes homens? porque a todos os que habitam em Jerusalém é manifesto que por eles foi feito um sinal notório, e não o podemos negar; 17Mas, para que não se divulgue mais entre o povo, ameacemo-los para que não falem mais nesse nome a homem algum. 18E, chamando-os, disseram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem, no nome de Jesus. 19Respondendo, porém, Pedro e João, lhes disseram: Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; 20Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido. 21Mas eles ainda os ameaçaram mais e, não achando motivo para os castigar, deixaram-nos ir, por causa do povo; porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera; 22Pois tinha mais de quarenta anos o homem em quem se operara aquele milagre de saúde. 23E, soltos eles, foram para os seus, e contaram tudo o que lhes disseram os principais dos sacerdotes e os anciãos. 24E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus, e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar e tudo o que neles há; 25Que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram os gentios, e os povos pensaram coisas vãs? 26Levantaram-se os reis da terra, E os príncipes se ajuntaram à uma, Contra o Senhor e contra o seu Ungido. 27Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; 28Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer. 29Agora, pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra; 30Enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Filho Jesus. 31E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus. 32E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. 33E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. 34Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. 35E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha. 36Então José, cognominado pelos apóstolos Barnabé (que, traduzido, é filho da consolação), levita, natural de Chipre, 37Possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos. Atos 5 1MAS um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade, 2E reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos. 3Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? 4Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus. 5E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram. 6E, levantando-se os moços, cobriram o morto e, transportando-o para fora, o sepultaram. 7E, passando um espaço quase de três horas, entrou também sua mulher, não sabendo o que havia acontecido. 8E disse-lhe Pedro: Dize-me, vendestes por tanto aquela herdade? E ela disse: Sim, por tanto. 9Então Pedro lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti. 10E logo caiu aos seus pés, e expirou. E, entrando os moços, acharam-na morta, e a sepultaram junto de seu marido. 11E houve um grande temor em toda a igreja, e em todos os que ouviram estas coisas. 12E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E estavam todos unanimemente no alpendre de Salomão. 13Dos outros, porém, ninguém ousava ajuntar-se a eles; mas o povo tinha-os em grande estima. 14E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais. 15De sorte que transportavam os enfermos para as ruas, e os punham em leitos e em camilhas para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles. 16E até das cidades circunvizinhas concorria muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos; os quais eram todos curados. 17E, levantando-se o sumo sacerdote, e todos os que estavam com ele (e eram eles da seita dos saduceus), encheram-se de inveja, 18E lançaram mão dos apóstolos, e os puseram na prisão pública. 19Mas de noite um anjo do Senhor abriu as portas da prisão e, tirando-os para fora, disse: 20 Ide e apresentai-vos no templo, e dizei ao povo todas as palavras desta vida. 21E, ouvindo eles isto, entraram de manhã cedo no templo, e ensinavam. Chegando, porém, o sumo sacerdote e os que estavam com ele, convocaram o conselho, e a todos os anciãos dos filhos de Israel, e enviaram ao cárcere, para que de lá os trouxessem. 22Mas, tendo lá ido os servidores, não os acharam na prisão e, voltando, lho anunciaram, 23Dizendo: Achamos realmente o cárcere fechado, com toda a segurança, e os guardas, que estavam fora, diante das portas; mas, quando abrimos, ninguém achamos dentro. 24Então o sumo sacerdote, o capitão do templo e os chefes dos sacerdotes, ouvindo estas palavras, estavam perplexos acerca deles e do que viria a ser aquilo. 25E, chegando um, anunciou-lhes, dizendo: Eis que os homens que encerrastes na prisão estão no templo e ensinam ao povo. 26Então foi o capitão com os servidores, e os trouxe, não com violência (porque temiam ser apedrejados pelo povo). 27E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou, 28Dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem. 29Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens. 30O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendoo no madeiro. 31Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. 32E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem. 33E, ouvindo eles isto, se enfureciam, e deliberaram matá-los. 34Mas, levantando-se no conselho um certo fariseu, chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que por um pouco levassem para fora os apóstolos; 35E disselhes: Homens israelitas, acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens, 36Porque antes destes dias levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada. 37Depois deste levantou-se Judas, o galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; mas também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos. 38E agora digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, 39Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus. 40E concordaram com ele. E, chamando os apóstolos, e tendo-os açoitado, mandaram que não falassem no nome de Jesus, e os deixaram ir. 41Retiraram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus. 42E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo. Atos 6 1ORA, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. 2E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. 3Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. 4Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. 5E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; 6E os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. 7E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé. 8E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. 9E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos libertinos, e dos cireneus e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão. 10E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava. 11Então subornaram uns homens, para que dissessem: Ouvimos-lhe proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus. 12E excitaram o povo, os anciãos e os escribas; e, investindo contra ele, o arrebataram e o levaram ao conselho. 13E apresentaram falsas testemunhas, que diziam: Este homem não cessa de proferir palavras blasfemas contra este santo lugar e a lei; 14Porque nós lhe ouvimos dizer que esse Jesus Nazareno há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos deu. 15Então todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo. Atos 7 1E DISSE o sumo sacerdote: Porventura é isto assim? 2E ele disse: Homens, irmãos, e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã, 3E disse-lhe: Sai da tua terra e dentre a tua parentela, e dirige-te à terra que eu te mostrar. 4Então saiu da terra dos caldeus, e habitou em Harã. E dali, depois que seu pai faleceu, Deus o trouxe para esta terra em que habitais agora. 5E não lhe deu nela herança, nem ainda o espaço de um pé; mas prometeu que lhe daria a posse dela, e depois dele, à sua descendência, não tendo ele ainda filho. 6E falou Deus assim: Que a sua descendência seria peregrina em terra alheia, e a sujeitariam à escravidão, e a maltratariam por quatrocentos anos. 7E eu julgarei a nação que os tiver escravizado, disse Deus. E depois disto sairão e me servirão neste lugar. 8E deu-lhe a aliança da circuncisão; e assim gerou a Isaque, e o circuncidou ao oitavo dia; e Isaque a Jacó; e Jacó aos doze patriarcas. 9E os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito; mas Deus era com ele. 10E livrou-o de todas as suas tribulações, e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa. 11Sobreveio então a todo o país do Egito e de Canaã fome e grande tribulação; e nossos pais não achavam alimentos. 12Mas tendo ouvido Jacó que no Egito havia trigo, enviou ali nossos pais, a primeira vez. 13E na segunda vez foi José conhecido por seus irmãos, e a sua linhagem foi manifesta a Faraó. 14E José mandou chamar a seu pai Jacó, e a toda a sua parentela, que era de setenta e cinco almas. 15E Jacó desceu ao Egito, e morreu, ele e nossos pais; 16E foram transportados para Siquém, e depositados na sepultura que Abraão comprara por certa soma de dinheiro aos filhos de Emor, pai de Siquém. 17Aproximando-se, porém, o tempo da promessa que Deus tinha feito a Abraão, o povo cresceu e se multiplicou no Egito; 18Até que se levantou outro rei, que não conhecia a José. 19Esse, usando de astúcia contra a nossa linhagem, maltratou nossos pais, a ponto de os fazer enjeitar as suas crianças, para que não se multiplicassem. 20Nesse tempo nasceu Moisés, e era mui formoso, e foi criado três meses em casa de seu pai. 21E, sendo enjeitado, tomou-o a filha de Faraó, e o criou como seu filho. 22E Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras. 23E, quando completou a idade de quarenta anos, veio-lhe ao coração ir visitar seus irmãos, os filhos de Israel. 24E, vendo maltratado um deles, o defendeu, e vingou o ofendido, matando o egípcio. 25E ele cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; mas eles não entenderam. 26E no dia seguinte, pelejando eles, foi por eles visto, e quis levá-los à paz, dizendo: Homens, sois irmãos; por que vos agravais um ao outro? 27E o que ofendia o seu próximo o repeliu, dizendo: Quem te constituiu príncipe e juiz sobre nós? 28Queres tu matar-me, como ontem mataste o egípcio? 29E a esta palavra fugiu Moisés, e esteve como estrangeiro na terra de Midiã, onde gerou dois filhos. 30E, completados quarenta anos, apareceu-lhe o anjo do Senhor no deserto do monte Sinai, numa chama de fogo no meio de uma sarça. 31Então Moisés, quando viu isto, se maravilhou da visão; e, aproximando-se para observar, foi-lhe dirigida a voz do Senhor, 32Dizendo: Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés, todo trêmulo, não ousava olhar. 33E disse-lhe o Senhor: Tira as alparcas dos teus pés, porque o lugar em que estás é terra santa. 34Tenho visto atentamente a aflição do meu povo que está no Egito, e ouvi os seus gemidos, e desci a livrá-los. Agora, pois, vem, e enviar-te-ei ao Egito. 35A este Moisés, ao qual haviam negado, dizendo: Quem te constituiu príncipe e juiz? a este enviou Deus como príncipe e libertador, pela mão do anjo que lhe aparecera na sarça. 36Foi este que os conduziu para fora, fazendo prodígios e sinais na terra do Egito, e no Mar Vermelho, e no deserto, por quarenta anos. 37Este é aquele Moisés que disse aos filhos de Israel: O Senhor vosso Deus vos levantará dentre vossos irmãos um profeta como eu; a ele ouvireis. 38Este é o que esteve entre a congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com nossos pais, o qual recebeu as palavras de vida para nolas dar. 39Ao qual nossos pais não quiseram obedecer, antes o rejeitaram e em seu coração se tornaram ao Egito, 40Dizendo a Arão: Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque a esse Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. 41E naqueles dias fizeram o bezerro, e ofereceram sacrifícios ao ídolo, e se alegraram nas obras das suas mãos. 42Mas Deus se afastou, e os abandonou a que servissem ao exército do céu, como está escrito no livro dos profetas: Porventura me oferecestes vítimas e sacrifícios No deserto por quarenta anos, ó casa de Israel? 43Antes tomastes o tabernáculo de Moloque, E a estrela do vosso deus Renfã, Figuras que vós fizestes para as adorar. Transportar-vos-ei, pois, para além da Babilônia. 44Estava entre nossos pais no deserto o tabernáculo do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto. 45O qual, nossos pais, recebendo-o também, o levaram com Josué quando entraram na posse das nações que Deus lançou para fora da presença de nossos pais, até aos dias de Davi, 46Que achou graça diante de Deus, e pediu que pudesse achar tabernáculo para o Deus de Jacó. 47E Salomão lhe edificou casa; 48Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: 49O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? 50Porventura não fez a minha mão todas estas coisas? 51Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais. 52A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas; 53Vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes. 54E, ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra ele. 55Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; 56E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus. 57Mas eles gritaram com grande voz, taparam os seus ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele. 58E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as suas capas aos pés de um jovem chamado Saulo. 59E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. 60E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu. Atos 8 1E TAMBÉM Saulo consentiu na morte dele. E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos. 2E uns homens piedosos foram enterrar Estêvão, e fizeram sobre ele grande pranto. 3E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão. 4Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a palavra. 5E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo. 6E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia; 7Pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. 8E havia grande alegria naquela cidade. 9E estava ali um certo homem, chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica, e tinha iludido o povo de Samaria, dizendo que era uma grande personagem; 10Ao qual todos atendiam, desde o menor até ao maior, dizendo: Este é a grande virtude de Deus. 11E atendiam-no, porque já desde muito tempo os havia iludido com artes mágicas. 12Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres. 13E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe; e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito. 14Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. 15Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo 16 (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus). 17Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo. 18E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro, 19Dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo. 20Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. 21Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus. 22Arrepende-te, pois, dessa tua iniqüidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração; 23Pois vejo que estás em fel de amargura, e em laço de iniqüidade. 24Respondendo, porém, Simão, disse: Orai vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes venha sobre mim. 25Tendo eles, pois, testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e em muitas aldeias dos samaritanos anunciaram o evangelho. 26E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te, e vai para o lado do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta. 27E levantou-se, e foi; e eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adoração, 28Regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías. 29E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro. 30E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? 31E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse. 32E o lugar da Escritura que lia era este: Foi levado como a ovelha para o matadouro; e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, Assim não abriu a sua boca. 33Na sua humilhação foi tirado o seu julgamento; E quem contará a sua geração? Porque a sua vida é tirada da terra. 34E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro? 35Então Filipe, abrindo a sua boca, e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus. 36E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? 37E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. 38E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou. 39E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho. 40E Filipe se achou em Azoto e, indo passando, anunciava o evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia. Atos 9 1E SAULO, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. 2E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns deste Caminho, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém. 3E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. 4E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 5E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. 6E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer. 7E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém. 8E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco. 9E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu. 10E havia em Damasco um certo discípulo chamado Ananias; e disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor. 11E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando; 12E numa visão ele viu que entrava um homem chamado Ananias, e punha sobre ele a mão, para que tornasse a ver. 13E respondeu Ananias: Senhor, a muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; 14E aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome. 15Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel. 16E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome. 17E Ananias foi, e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. 18E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado. 19E, tendo comido, ficou confortado. E esteve Saulo alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco. 20E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus. 21E todos os que o ouviam estavam atônitos, e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes? 22Saulo, porém, se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que aquele era o Cristo. 23E, tendo passado muitos dias, os judeus tomaram conselho entre si para o matar. 24Mas as suas ciladas vieram ao conhecimento de Saulo; e como eles guardavam as portas, tanto de dia como de noite, para poderem tirar-lhe a vida, 25Tomando-o de noite os discípulos o desceram, dentro de um cesto, pelo muro. 26E, quando Saulo chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo. 27Então Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus. 28E andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo, 29E falava ousadamente no nome do Senhor Jesus. Falava e disputava também contra os gregos, mas eles procuravam matá-lo. 30Sabendo-o, porém, os irmãos, o acompanharam até Cesaréia, e o enviaram a Tarso. 31Assim, pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo. 32E aconteceu que, passando Pedro por toda a parte, veio também aos santos que habitavam em Lida. 33E achou ali certo homem, chamado Enéias, jazendo numa cama havia oito anos, o qual era paralítico. 34E disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te dá saúde; levanta-te e faze a tua cama. E logo se levantou. 35E viram-no todos os que habitavam em Lida e Sarona, os quais se converteram ao Senhor. 36E havia em Jope uma discípula chamada Tabita, que traduzido se diz Dorcas. Esta estava cheia de boas obras e esmolas que fazia. 37E aconteceu naqueles dias que, enfermando ela, morreu; e, tendo-a lavado, a depositaram num quarto alto. 38E, como Lida era perto de Jope, ouvindo os discípulos que Pedro estava ali, lhe mandaram dois homens, rogando-lhe que não se demorasse em vir ter com eles. 39E, levantando-se Pedro, foi com eles; e quando chegou o levaram ao quarto alto, e todas as viúvas o rodearam, chorando e mostrando as túnicas e roupas que Dorcas fizera quando estava com elas. 40Mas Pedro, fazendo sair a todos, pôs-se de joelhos e orou: e, voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te. E ela abriu os olhos, e, vendo a Pedro, assentouse. 41E ele, dando-lhe a mão, a levantou e, chamando os santos e as viúvas, apresentou-lha viva. 42E foi isto notório por toda a Jope, e muitos creram no Senhor. 43E ficou muitos dias em Jope, com um certo Simão curtidor. Atos 10 1E HAVIA em Cesaréia um homem por nome Cornélio, centurião da coorte chamada italiana, 2Piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo, e de contínuo orava a Deus. 3Este, quase à hora nona do dia, viu claramente numa visão um anjo de Deus, que se dirigia para ele e dizia: Cornélio. 4O qual, fixando os olhos nele, e muito atemorizado, disse: Que é, Senhor? E disse-lhe: As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus; 5Agora, pois, envia homens a Jope, e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro. 6Este está hospedado com um certo Simão curtidor, que tem a sua casa junto do mar. Ele te dirá o que deves fazer. 7E, retirando-se o anjo que lhe falava, chamou dois dos seus criados, e a um piedoso soldado dos que estavam ao seu serviço. 8E, havendo-lhes contado tudo, os enviou a Jope. 9E no dia seguinte, indo eles seu caminho, e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao terraço para orar, quase à hora sexta. 10E tendo fome, quis comer; e, enquanto lho preparavam, sobreveio-lhe um arrebatamento de sentidos, 11E viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e vindo para a terra. 12No qual havia de todos os animais quadrúpedes e feras e répteis da terra, e aves do céu. 13E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come. 14Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. 15E segunda vez lhe disse a voz: Não faças tu comum ao que Deus purificou. 16E aconteceu isto por três vezes; e o vaso tornou a recolher-se ao céu. 17E estando Pedro duvidando entre si acerca do que seria aquela visão que tinha visto, eis que os homens que foram enviados por Cornélio pararam à porta, perguntando pela casa de Simão. 18E, chamando, perguntaram se Simão, que tinha por sobrenome Pedro, morava ali. 19E, pensando Pedro naquela visão, disse-lhe o Espírito: Eis que três homens te buscam. 20Levanta-te pois, desce, e vai com eles, não duvidando; porque eu os enviei. 21E, descendo Pedro para junto dos homens que lhe foram enviados por Cornélio, disse: Eis que sou eu a quem procurais; qual é a causa por que estais aqui? 22E eles disseram: Cornélio, o centurião, homem justo e temente a Deus, e que tem bom testemunho de toda a nação dos judeus, foi avisado por um santo anjo para que te chamasse a sua casa, e ouvisse as tuas palavras. 23Então, chamando-os para dentro, os recebeu em casa. E no dia seguinte foi Pedro com eles, e foram com ele alguns irmãos de Jope. 24E no dia imediato chegaram a Cesaréia. E Cornélio os estava esperando, tendo já convidado os seus parentes e amigos mais íntimos. 25E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio a recebê-lo, e, prostrando-se a seus pés o adorou. 26Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem. 27E, falando com ele, entrou, e achou muitos que ali se haviam ajuntado. 28E disselhes: Vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo. 29Por isso, sendo chamado, vim sem contradizer. Pergunto, pois, por que razão mandastes chamar-me? 30E disse Cornélio: Há quatro dias estava eu em jejum até esta hora, orando em minha casa à hora nona. 31E eis que diante de mim se apresentou um homem com vestes resplandecentes, e disse: Cornélio, a tua oração foi ouvida, e as tuas esmolas estão em memória diante de Deus. 32Envia, pois, a Jope, e manda chamar Simão, o que tem por sobrenome Pedro; este está hospedado em casa de Simão o curtidor, junto do mar, e ele, vindo, te falará. 33E logo mandei chamar-te, e bem fizeste em vir. Agora, pois, estamos todos presentes diante de Deus, para ouvir tudo quanto por Deus te é mandado. 34E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; 35Mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo. 36A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo (este é o Senhor de todos); 37Esta palavra, vós bem sabeis, veio por toda a Judéia, começando pela Galiléia, depois do batismo que João pregou; 38Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele. 39E nós somos testemunhas de todas as coisas que fez, tanto na terra da Judéia como em Jerusalém; ao qual mataram, pendurando-o num madeiro. 40A este ressuscitou Deus ao terceiro dia, e fez que se manifestasse, 41Não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus antes ordenara; a nós, que comemos e bebemos juntamente com ele, depois que ressuscitou dentre os mortos. 42E nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos. 43A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome. 44E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. 45E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. 46Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus. 47Respondeu, então, Pedro: Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo? 48E mandou que fossem batizados em nome do Senhor. Então rogaram-lhe que ficasse com eles por alguns dias. Atos 11 1E OUVIRAM os apóstolos, e os irmãos que estavam na Judéia, que também os gentios tinham recebido a palavra de Deus. 2E, subindo Pedro a Jerusalém, disputavam com ele os que eram da circuncisão, 3Dizendo: Entraste em casa de homens incircuncisos, e comeste com eles. 4Mas Pedro começou a fazer-lhes uma exposição por ordem, dizendo: 5Estando eu orando na cidade de Jope, tive, num arrebatamento dos sentidos, uma visão; via um vaso, como um grande lençol que descia do céu e vinha até junto de mim. 6E, pondo nele os olhos, considerei, e vi animais da terra, quadrúpedes, e feras, e répteis e aves do céu. 7E ouvi uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro; mata e come. 8Mas eu disse: De maneira nenhuma, Senhor; pois, nunca em minha boca entrou coisa alguma comum ou imunda. 9Mas a voz respondeu-me do céu segunda vez: Não chames tu comum ao que Deus purificou. 10E sucedeu isto por três vezes; e tudo tornou a recolher-se ao céu. 11E eis que, na mesma hora, pararam, junto da casa em que eu estava, três homens que me foram enviados de Cesaréia. 12E disseme o Espírito que fosse com eles, nada duvidando; e também estes seis irmãos foram comigo, e entramos em casa daquele homem; 13E contou-nos como vira em pé um anjo em sua casa, e lhe dissera: Envia homens a Jope, e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro, 14O qual te dirá palavras com que te salves, tu e toda a tua casa. 15E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós ao princípio. 16E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo. 17Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, quando havemos crido no Senhor Jesus Cristo, quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus? 18E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida. 19E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. 20E havia entre eles alguns homens cíprios e cirenenses, os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. 21E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor. 22E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. 23O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração; 24Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor. 25E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia. 26E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos. 27E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. 28E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César. 29E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia. 30O que eles com efeito fizeram, enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo. Atos 12 1E POR aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar; 2E matou à espada Tiago, irmão de João. 3E, vendo que isso agradara aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro. E eram os dias dos ázimos. 4E, havendo-o prendido, o encerrou na prisão, entregando-o a quatro quaternos de soldados, para que o guardassem, querendo apresentá-lo ao povo depois da páscoa. 5Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus. 6E quando Herodes estava para o fazer comparecer, nessa mesma noite estava Pedro dormindo entre dois soldados, ligado com duas cadeias, e os guardas diante da porta guardavam a prisão. 7E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro na ilharga, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. E caíramlhe das mãos as cadeias. 8E disse-lhe o anjo: Cinge-te, e ata as tuas alparcas. E ele assim o fez. Disse-lhe mais: Lança às costas a tua capa, e segue-me. 9E, saindo, o seguia. E não sabia que era real o que estava sendo feito pelo anjo, mas cuidava que via alguma visão. 10E, quando passaram a primeira e segunda guardas, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma; e, tendo saído, percorreram uma rua, e logo o anjo se apartou dele. 11E Pedro, tornando a si, disse: Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo, e me livrou da mão de Herodes, e de tudo o que o povo dos judeus esperava. 12E, considerando ele nisto, foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e oravam. 13E, batendo Pedro à porta do pátio, uma menina chamada Rode saiu a escutar; 14E, conhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu a porta, mas, correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta. 15E disseram-lhe: Estás fora de ti. Mas ela afirmava que assim era. E diziam: É o seu anjo. 16Mas Pedro perseverava em bater e, quando abriram, viram-no, e se espantaram. 17E acenando-lhes ele com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão, e disse: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo, partiu para outro lugar. 18E, sendo já dia, houve não pouco alvoroço entre os soldados sobre o que seria feito de Pedro. 19E, quando Herodes o procurou e o não achou, feita inquirição aos guardas, mandou-os justiçar. E, partindo da Judéia para Cesaréia, ficou ali. 20E ele estava irritado com os de Tiro e de Sidom; mas estes, vindo de comum acordo ter com ele, e obtendo a amizade de Blasto, que era o camarista do rei, pediam paz; porquanto o seu país se abastecia do país do rei. 21E num dia designado, vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal e lhes fez uma prática. 22E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de homem. 23E no mesmo instante feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus e, comido de bichos, expirou. 24E a palavra de Deus crescia e se multiplicava. 25E Barnabé e Saulo, havendo terminado aquele serviço, voltaram de Jerusalém, levando também consigo a João, que tinha por sobrenome Marcos. Atos 13 1E NA igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo. 2E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. 3Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram. 4E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. 5E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e tinham também a João como cooperador. 6E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu mágico, falso profeta, chamado Barjesus, 7O qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, homem prudente. Este, chamando a si Barnabé e Saulo, procurava muito ouvir a palavra de Deus. 8Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome), procurando apartar da fé o procônsul. 9Todavia Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo, e fixando os olhos nele, 10Disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor? 11Eis aí, pois, agora contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. E no mesmo instante a escuridão e as trevas caíram sobre ele e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão. 12Então o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor. 13E, partindo de Pafos, Paulo e os que estavam com ele chegaram a Perge, da Panfília. Mas João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém. 14E eles, saindo de Perge, chegaram a Antioquia, da Pisídia, e, entrando na sinagoga, num dia de sábado, assentaram-se; 15E, depois da lição da lei e dos profetas, lhes mandaram dizer os principais da sinagoga: Homens irmãos, se tendes alguma palavra de consolação para o povo, falai. 16E, levantando-se Paulo, e pedindo silêncio com a mão, disse: Homens israelitas, e os que temeis a Deus, ouvi: 17O Deus deste povo de Israel escolheu a nossos pais, e exaltou o povo, sendo eles estrangeiros na terra do Egito; e com braço poderoso os tirou dela; 18E suportou os seus costumes no deserto por espaço de quase quarenta anos. 19E, destruindo a sete nações na terra de Canaã, deu-lhes por sorte a terra deles. 20E, depois disto, por quase quatrocentos e cinqüenta anos, lhes deu juízes, até ao profeta Samuel. 21E depois pediram um rei, e Deus lhes deu por quarenta anos, a Saul filho de Quis, homem da tribo de Benjamim. 22E, quando este foi retirado, levantou-lhes como rei a Davi, ao qual também deu testemunho, e disse: Achei a Davi, filho de Jessé, homem conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade. 23Da descendência deste, conforme a promessa, levantou Deus a Jesus para Salvador de Israel; 24Tendo primeiramente João, antes da vinda dele, pregado a todo o povo de Israel o batismo de arrependimento. 25Mas João, quando completava a carreira, disse: Quem pensais vós que eu sou? Eu não sou o Cristo; mas eis que após mim vem aquele a quem não sou digno de desatar as alparcas dos pés. 26Homens irmãos, filhos da geração de Abraão, e os que dentre vós temem a Deus, a vós vos é enviada a palavra desta salvação. 27Por não terem conhecido a este, os que habitavam em Jerusalém, e os seus príncipes, condenaram-no, cumprindo assim as vozes dos profetas que se lêem todos os sábados. 28E, embora não achassem alguma causa de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto. 29E, havendo eles cumprido todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, o puseram na sepultura; 30Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos. 31E ele por muitos dias foi visto pelos que subiram com ele da Galiléia a Jerusalém, e são suas testemunhas para com o povo. 32E nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, Deus a cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus; 33Como também está escrito no salmo segundo: Meu Filho és tu, hoje te gerei. 34E que o ressuscitaria dentre os mortos, para nunca mais tornar à corrupção, disse-o assim: As santas e fiéis bênçãos de Davi vos darei. 35Por isso também em outro salmo diz: Não permitirás que o teu santo veja corrupção. 36Porque, na verdade, tendo Davi no seu tempo servido conforme a vontade de Deus, dormiu, foi posto junto de seus pais e viu a corrupção. 37Mas aquele a quem Deus ressuscitou nenhuma corrupção viu. 38Seja-vos, pois, notório, homens irmãos, que por este se vos anuncia a remissão dos pecados. 39E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê. 40Vede, pois, que não venha sobre vós o que está dito nos profetas: 41Vede, ó desprezadores, e espantai-vos e desaparecei; Porque opero uma obra em vossos dias, Obra tal que não crereis, se alguém vo-la contar. 42E, saídos os judeus da sinagoga, os gentios rogaram que no sábado seguinte lhes fossem ditas as mesmas coisas. 43E, despedida a sinagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos religiosos seguiram Paulo e Barnabé; os quais, falando-lhes, os exortavam a que permanecessem na graça de Deus. 44E no sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus. 45Então os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava. 46Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios; 47Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, A fim de que sejas para salvação até os confins da terra. 48E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna. 49E a palavra do Senhor se divulgava por toda aquela província. 50Mas os judeus incitaram algumas mulheres religiosas e honestas, e os principais da cidade, e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fora dos seus termos. 51Sacudindo, porém, contra eles o pó dos seus pés, partiram para Icônio. 52E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo. Atos 14 1E ACONTECEU que em Icônio entraram juntos na sinagoga dos judeus, e falaram de tal modo que creu uma grande multidão, não só de judeus mas de gregos. 2Mas os judeus incrédulos incitaram e irritaram, contra os irmãos, os ânimos dos gentios. 3Detiveram-se, pois, muito tempo, falando ousadamente acerca do Senhor, o qual dava testemunho à palavra da sua graça, permitindo que por suas mãos se fizessem sinais e prodígios. 4E dividiu-se a multidão da cidade; e uns eram pelos judeus, e outros pelos apóstolos. 5E havendo um motim, tanto dos judeus como dos gentios, com os seus principais, para os insultarem e apedrejarem, 6Sabendo-o eles, fugiram para Listra e Derbe, cidades de Licaônia, e para a província circunvizinha; 7E ali pregavam o evangelho. 8E estava assentado em Listra certo homem leso dos pés, coxo desde o ventre de sua mãe, o qual nunca tinha andado. 9Este ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos, e vendo que tinha fé para ser curado, 10Disse em voz alta: Levanta-te direito sobre teus pés. E ele saltou e andou. 11E as multidões, vendo o que Paulo fizera, levantaram a sua voz, dizendo em língua licaônica: Fizeram-se os deuses semelhantes aos homens, e desceram até nós. 12E chamavam Júpiter a Barnabé, e Mercúrio a Paulo; porque este era o que falava. 13E o sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para a entrada da porta touros e grinaldas, queria com a multidão sacrificar-lhes. 14Ouvindo, porém, isto os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgaram as suas vestes, e saltaram para o meio da multidão, clamando, 15E dizendo: Senhores, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, e a terra, o mar, e tudo quanto há neles; 16O qual nos tempos passados deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos. 17E contudo, não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria os vossos corações. 18E, dizendo isto, com dificuldade impediram que as multidões lhes sacrificassem. 19Sobrevieram, porém, uns judeus de Antioquia e de Icônio que, tendo convencido a multidão, apedrejaram a Paulo e o arrastaram para fora da cidade, cuidando que estava morto. 20Mas, rodeando-o os discípulos, levantou-se, e entrou na cidade, e no dia seguinte saiu com Barnabé para Derbe. 21E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, 22Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus. 23E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido. 24Passando depois por Pisídia, dirigiram-se a Panfília. 25E, tendo anunciado a palavra em Perge, desceram a Atália. 26E dali navegaram para Antioquia, de onde tinham sido encomendados à graça de Deus para a obra que já haviam cumprido. 27E, quando chegaram e reuniram a igreja, relataram quão grandes coisas Deus fizera por eles, e como abrira aos gentios a porta da fé. 28E ficaram ali não pouco tempo com os discípulos. Atos 15 1ENTÃO alguns que tinham descido da Judéia ensinavam assim os irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos. 2Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo e Barnabé, e alguns dentre eles, subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, sobre aquela questão. 3E eles, sendo acompanhados pela igreja, passavam pela Fenícia e por Samaria, contando a conversão dos gentios; e davam grande alegria a todos os irmãos. 4E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos, e lhes anunciaram quão grandes coisas Deus tinha feito com eles. 5Alguns, porém, da seita dos fariseus, que tinham crido, se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés. 6Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto. 7E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disselhes: Homens irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem. 8E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós; 9E não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé. 10Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? 11Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também. 12Então toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo, que contavam quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios. 13E, havendo-se eles calado, tomou Tiago a palavra, dizendo: Homens irmãos, ouvi-me: 14Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome. 15E com isto concordam as palavras dos profetas; como está escrito: 16Depois disto voltarei, E reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, Levantá-lo-ei das suas ruínas, E tornarei a edificá-lo. 17Para que o restante dos homens busque ao Senhor, E todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado, Diz o Senhor, que faz todas estas coisas, 18Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras. 19Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. 20Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da fornicação, do que é sufocado e do sangue. 21Porque Moisés, desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem o pregue, e cada sábado é lido nas sinagogas. 22Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger homens dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens distintos entre os irmãos. 23E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos, e os anciãos e os irmãos, aos irmãos dentre os gentios que estão em Antioquia, e Síria e Cilícia, saúde. 24Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras, e transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento, 25Pareceu-nos bem, reunidos concordemente, eleger alguns homens e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo, 26Homens que já expuseram as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais por palavra vos anunciarão também as mesmas coisas. 28Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: 29Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá. 30Tendo eles então se despedido, partiram para Antioquia e, ajuntando a multidão, entregaram a carta. 31E, quando a leram, alegraram-se pela exortação. 32Depois Judas e Silas, que também eram profetas, exortaram e confirmaram os irmãos com muitas palavras. 33E, detendo-se ali algum tempo, os irmãos os deixaram voltar em paz para os apóstolos; 34Mas pareceu bem a Silas ficar ali. 35E Paulo e Barnabé ficaram em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor. 36E alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão. 37E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos. 38Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra. 39E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre. 40E Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça de Deus. 41E passou pela Síria e Cilícia, confirmando as igrejas. Atos 16 1E CHEGOU a Derbe e Listra. E eis que estava ali um certo discípulo por nome Timóteo, filho de uma judia que era crente, mas de pai grego; 2Do qual davam bom testemunho os irmãos que estavam em Listra e em Icônio. 3Paulo quis que este fosse com ele; e tomando-o, o circuncidou, por causa dos judeus que estavam naqueles lugares; porque todos sabiam que seu pai era grego. 4E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém. 5De sorte que as igrejas eram confirmadas na fé, e cada dia cresciam em número. 6E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. 7E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu. 8E, tendo passado por Mísia, desceram a Trôade. 9E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um homem da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia, e ajuda-nos. 10E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho. 11E, navegando de Trôade, fomos correndo em caminho direito para a Samotrácia e, no dia seguinte, para Neápolis; 12E dali para Filipos, que é a primeira cidade desta parte da Macedônia, e é uma colônia; e estivemos alguns dias nesta cidade. 13E no dia de sábado saímos fora das portas, para a beira do rio, onde se costumava fazer oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que ali se ajuntaram. 14E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. 15E, depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso. 16E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. 17Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. 18E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu. 19E, vendo seus senhores que a esperança do seu lucro estava perdida, prenderam Paulo e Silas, e os levaram à praça, à presença dos magistrados. 20E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade, 21E nos expõem costumes que não nos é lícito receber nem praticar, visto que somos romanos. 22E a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoitá-los com varas. 23E, havendo-lhes dado muitos açoites, os lançaram na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança. 24O qual, tendo recebido tal ordem, os lançou no cárcere interior, e lhes segurou os pés no tronco. 25E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam. 26E de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos. 27E, acordando o carcereiro, e vendo abertas as portas da prisão, tirou a espada, e quis matar-se, cuidando que os presos já tinham fugido. 28Mas Paulo clamou com grande voz, dizendo: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos. 29E, pedindo luz, saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou ante Paulo e Silas. 30E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? 31E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa. 32E lhe pregavam a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa. 33E, tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e logo foi batizado, ele e todos os seus. 34E, levando-os à sua casa, lhes pôs a mesa; e, na sua crença em Deus, alegrou-se com toda a sua casa. 35E, sendo já dia, os magistrados mandaram quadrilheiros, dizendo: Soltai aqueles homens. 36E o carcereiro anunciou a Paulo estas palavras, dizendo: Os magistrados mandaram que vos soltasse; agora, pois, saí e ide em paz. 37Mas Paulo replicou: Açoitaram-nos publicamente e, sem sermos condenados, sendo homens romanos, nos lançaram na prisão, e agora encobertamente nos lançam fora? Não será assim; mas venham eles mesmos e tirem-nos para fora. 38E os quadrilheiros foram dizer aos magistrados estas palavras; e eles temeram, ouvindo que eram romanos. 39E, vindo, lhes dirigiram súplicas; e, tirando-os para fora, lhes pediram que saíssem da cidade. 40E, saindo da prisão, entraram em casa de Lídia e, vendo os irmãos, os confortaram, e depois partiram. Atos 17 1E PASSANDO por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus. 2E Paulo, como tinha por costume, foi ter com eles; e por três sábados disputou com eles sobre as Escrituras, 3Expondo e demonstrando que convinha que Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos. E este Jesus, que vos anuncio, dizia ele, é o Cristo. 4E alguns deles creram, e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos, e não poucas mulheres principais. 5Mas os judeus desobedientes, movidos de inveja, tomaram consigo alguns homens perversos, dentre os vadios e, ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade, e assaltando a casa de Jasom, procuravam trazê-los para junto do povo. 6E, não os achando, trouxeram Jasom e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm alvoroçado o mundo, chegaram também aqui; 7Os quais Jasom recolheu; e todos estes procedem contra os decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus. 8E alvoroçaram a multidão e os principais da cidade, que ouviram estas coisas. 9Tendo, porém, recebido satisfação de Jasom e dos demais, os soltaram. 10E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. 11Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim. 12De sorte que creram muitos deles, e também mulheres gregas da classe nobre, e não poucos homens. 13Mas, logo que os judeus de Tessalônica souberam que a palavra de Deus também era anunciada por Paulo em Beréia, foram lá, e excitaram as multidões. 14No mesmo instante os irmãos mandaram a Paulo que fosse até ao mar, mas Silas e Timóteo ficaram ali. 15E os que acompanhavam Paulo o levaram até Atenas, e, recebendo ordem para que Silas e Timóteo fossem ter com ele o mais depressa possível, partiram. 16E, enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria. 17De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos, e todos os dias na praça com os que se apresentavam. 18E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele; e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição. 19E tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? 20Pois coisas estranhas nos trazes aos ouvidos; queremos, pois, saber o que vem a ser isto 21 (Pois todos os atenienses e estrangeiros residentes, de nenhuma outra coisa se ocupavam, senão de dizer e ouvir alguma novidade). 22E, estando Paulo no meio do Areópago, disse: Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; 23Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio. 24O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; 25Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; 26E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; 27Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; 28Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração. 29Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a Divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens. 30Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; 31Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos. 32E, como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez. 33E assim Paulo saiu do meio deles. 34Todavia, chegando alguns homens a ele, creram; entre os quais foi Dionísio, areopagita, uma mulher por nome Dâmaris, e com eles outros. Atos 18 1E DEPOIS disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a Corinto. 2E, achando um certo judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles, 3E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas. 4E todos os sábados disputava na sinagoga, e convencia a judeus e gregos. 5E, quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, foi Paulo impulsionado no espírito, testificando aos judeus que Jesus era o Cristo. 6Mas, resistindo e blasfemando eles, sacudiu as vestes, e disselhes: O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios. 7E, saindo dali, entrou em casa de um homem chamado Justo, que servia a Deus, e cuja casa estava junto da sinagoga. 8E Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; e muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados. 9E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala, e não te cales; 10Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade. 11E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus. 12Mas, sendo Gálio procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus concordemente contra Paulo, e o levaram ao tribunal, 13Dizendo: Este persuade os homens a servir a Deus contra a lei. 14E, querendo Paulo abrir a boca, disse Gálio aos judeus: Se houvesse, ó judeus, algum agravo ou crime enorme, com razão vos sofreria, 15Mas, se a questão é de palavras, e de nomes, e da lei que entre vós há, vede-o vós mesmos; porque eu não quero ser juiz dessas coisas. 16E expulsou-os do tribunal. 17Então todos os gregos agarraram Sóstenes, principal da sinagoga, e o feriram diante do tribunal; e a Gálio nada destas coisas o incomodava. 18E Paulo, ficando ainda ali muitos dias, despediu-se dos irmãos, e dali navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áqüila, tendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto. 19E chegou a Éfeso, e deixou-os ali; mas ele, entrando na sinagoga, disputava com os judeus. 20E, rogando-lhe eles que ficasse por mais algum tempo, não conveio nisso. 21Antes se despediu deles, dizendo: É-me de todo preciso celebrar a solenidade que vem em Jerusalém; mas querendo Deus, outra vez voltarei a vós. E partiu de Éfeso. 22E, chegando a Cesaréia, subiu a Jerusalém e, saudando a igreja, desceu a Antioquia. 23E, estando ali algum tempo, partiu, passando sucessivamente pela província da Galácia e da Frígia, confirmando a todos os discípulos. 24E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloqüente e poderoso nas Escrituras. 25Este era instruído no caminho do Senhor e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João. 26Ele começou a falar ousadamente na sinagoga; e, quando o ouviram Priscila e Áqüila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus. 27Querendo ele passar à Acaia, o animaram os irmãos, e escreveram aos discípulos que o recebessem; o qual, tendo chegado, aproveitou muito aos que pela graça criam. 28Porque com grande veemência, convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo. Atos 19 1E SUCEDEU que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, 2Disselhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseramlhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. 3Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. 4Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. 5E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. 6E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. 7E estes eram, ao todo, uns doze homens. 8E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do reino de Deus. 9Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles, e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano. 10E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos. 11E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias. 12De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam. 13E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega. 14E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes. 15Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois? 16E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa. 17E foi isto notório a todos os que habitavam em Éfeso, tanto judeus como gregos; e caiu temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido. 18E muitos dos que tinham crido vinham, confessando e publicando os seus feitos. 19Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinqüenta mil peças de prata. 20Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia. 21E, cumpridas estas coisas, Paulo propôs, em espírito, ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e pela Acaia, dizendo: Depois que houver estado ali, importame ver também Roma. 22E, enviando à Macedônia dois daqueles que o serviam, Timóteo e Erasto, ficou ele por algum tempo na Ásia. 23E, naquele mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho. 24Porque um certo ourives da prata, por nome Demétrio, que fazia de prata nichos de Diana, dava não pouco lucro aos artífices, 25Aos quais, havendo-os ajuntado com os oficiais de obras semelhantes, disse: Senhores, vós bem sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade; 26E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos. 27E não somente há o perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram. 28E, ouvindo-o, encheram-se de ira, e clamaram, dizendo: Grande é a Diana dos efésios. 29E encheu-se de confusão toda a cidade e, unânimes, correram ao teatro, arrebatando a Gaio e a Aristarco, macedônios, companheiros de Paulo na viagem. 30E, querendo Paulo apresentar-se ao povo, não lho permitiram os discípulos. 31E também alguns dos principais da Ásia, que eram seus amigos, lhe rogaram que não se apresentasse no teatro. 32Uns, pois, clamavam de uma maneira, outros de outra, porque o ajuntamento era confuso; e os mais deles não sabiam por que causa se tinham ajuntado. 33Então tiraram Alexandre dentre a multidão, impelindo-o os judeus para diante; e Alexandre, acenando com a mão, queria dar razão disto ao povo. 34Mas quando conheceram que era judeu, todos unanimemente levantaram a voz, clamando por espaço de quase duas horas: Grande é a Diana dos efésios. 35Então o escrivão da cidade, tendo apaziguado a multidão, disse: Homens efésios, qual é o homem que não sabe que a cidade dos efésios é a guardadora do templo da grande deusa Diana, e da imagem que desceu de Júpiter? 36Ora, não podendo isto ser contraditado, convém que vos aplaqueis e nada façais temerariamente; 37Porque estes homens que aqui trouxestes nem são sacrílegos nem blasfemam da vossa deusa. 38Mas, se Demétrio e os artífices que estão com ele têm alguma coisa contra alguém, há audiências e há procônsules; que se acusem uns aos outros; 39E, se alguma outra coisa demandais, averiguar-se-á em legítima assembléia. 40Na verdade até corremos perigo de que, por hoje, sejamos acusados de sedição, não havendo causa alguma com que possamos justificar este concurso. 41E, tendo dito isto, despediu a assembléia. Atos 20 1E, DEPOIS que cessou o alvoroço, Paulo chamou a si os discípulos e, abraçando-os, saiu para a Macedônia. 2E, havendo andado por aquelas terras, exortando-os com muitas palavras, veio à Grécia. 3E, passando ali três meses, e sendo-lhe pelos judeus postas ciladas, como tivesse de navegar para a Síria, determinou voltar pela Macedônia. 4E acompanhou-o, até à Ásia, Sópater, de Beréia, e, dos de Tessalônica, Aristarco, e Segundo, e Gaio de Derbe, e Timóteo, e, dos da Ásia, Tíquico e Trófimo. 5Estes, indo adiante, nos esperaram em Trôade. 6E, depois dos dias dos pães ázimos, navegamos de Filipos, e em cinco dias fomos ter com eles a Trôade, onde estivemos sete dias. 7E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite. 8E havia muitas luzes no cenáculo onde estavam juntos. 9E, estando um certo jovem, por nome Êutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar, tomado de um sono profundo que lhe sobreveio durante o extenso discurso de Paulo; e foi levantado morto. 10Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está. 11E subindo, e partindo o pão, e comendo, ainda lhes falou largamente até à alvorada; e assim partiu. 12E levaram vivo o jovem, e ficaram não pouco consolados. 13Nós, porém, subindo ao navio, navegamos até Assôs, onde devíamos receber a Paulo, porque assim o ordenara, indo ele por terra. 14E, logo que se ajuntou conosco em Assôs, o recebemos, e fomos a Mitilene. 15E, navegando dali, chegamos no dia seguinte defronte de Quios, e no outro aportamos a Samos e, ficando em Trogílio, chegamos no dia seguinte a Mileto. 16Porque já Paulo tinha determinado passar ao largo de Éfeso, para não gastar tempo na Ásia. Apressava-se, pois, para estar, se lhe fosse possível, em Jerusalém no dia de Pentecostes. 17E de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja. 18E, logo que chegaram junto dele, disselhes: Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós, 19Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram; 20Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas, 21Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. 22E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, 23Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações. 24Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. 25E agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o reino de Deus, não vereis mais o meu rosto. 26Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. 27Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus. 28Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. 29Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; 30E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. 31Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós. 32Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados. 33De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário. 34Sim, vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram. 35Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bemaventurada coisa é dar do que receber. 36E, havendo dito isto, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles. 37E levantou-se um grande pranto entre todos e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam, 38Entristecendo-se muito, principalmente pela palavra que dissera, que não veriam mais o seu rosto. E acompanharam-no até o navio. Atos 21 1E ACONTECEU que, separando-nos deles, navegamos e fomos correndo caminho direito, e chegamos a Cós, e no dia seguinte a Rodes, de onde passamos a Pátara. 2E, achando um navio, que ia para a Fenícia, embarcamos nele, e partimos. 3E, indo já à vista de Chipre, deixando-a à esquerda, navegamos para a Síria e chegamos a Tiro; porque o navio havia de ser descarregado ali. 4E, achando discípulos, ficamos ali sete dias; e eles pelo Espírito diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém. 5E, havendo passado ali aqueles dias, saímos, e seguimos nosso caminho, acompanhando-nos todos, com suas mulheres e filhos até fora da cidade; e, postos de joelhos na praia, oramos. 6E, despedindo-nos uns dos outros, subimos ao navio; e eles voltaram para suas casas. 7E nós, concluída a navegação de Tiro, viemos a Ptolemaida; e, havendo saudado os irmãos, ficamos com eles um dia. 8E no dia seguinte, partindo dali Paulo, e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesaréia; e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. 9E tinha este quatro filhas virgens, que profetizavam. 10E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo; 11E, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios. 12E, ouvindo nós isto, rogamos-lhe, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém. 13Mas Paulo respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus. 14E, como não podíamos convencê-lo, nos aquietamos, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor. 15E depois daqueles dias, havendo feito os nossos preparativos, subimos a Jerusalém. 16E foram também conosco alguns discípulos de Cesaréia, levando consigo um certo Mnasom, cíprio, discípulo antigo, com quem havíamos de hospedar-nos. 17E, logo que chegamos a Jerusalém, os irmãos nos receberam de muito boa vontade. 18E no dia seguinte, Paulo entrou conosco em casa de Tiago, e todos os anciãos vieram ali. 19E, havendo-os saudado, contou-lhes por miúdo o que por seu ministério Deus fizera entre os gentios. 20E, ouvindo-o eles, glorificaram ao Senhor, e disseram-lhe: Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus há que crêem, e todos são zeladores da lei. 21E já acerca de ti foram informados de que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a apartarem-se de Moisés, dizendo que não devem circuncidar seus filhos, nem andar segundo o costume da lei. 22Que faremos pois? em todo o caso é necessário que a multidão se ajunte; porque terão ouvido que já és vindo. 23Faze, pois, isto que te dizemos: Temos quatro homens que fizeram voto. 24Toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles os gastos para que rapem a cabeça, e todos ficarão sabendo que nada há daquilo de que foram informados acerca de ti, mas que também tu mesmo andas guardando a lei. 25Todavia, quanto aos que crêem dos gentios, já nós havemos escrito, e achado por bem, que nada disto observem; mas que só se guardem do que se sacrifica aos ídolos, e do sangue, e do sufocado e da fornicação. 26Então Paulo, tomando consigo aqueles homens, entrou no dia seguinte no templo, já santificado com eles, anunciando serem já cumpridos os dias da purificação; e ficou ali até se oferecer por cada um deles a oferta. 27E quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus da Ásia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele, 28Clamando: Homens israelitas, acudi; este é o homem que por todas as partes ensina a todos contra o povo e contra a lei, e contra este lugar; e, demais disto, introduziu também no templo os gregos, e profanou este santo lugar. 29Porque tinham visto com ele na cidade a Trófimo de Éfeso, o qual pensavam que Paulo introduzira no templo. 30E alvoroçou-se toda a cidade, e houve grande concurso de povo; e, pegando Paulo, o arrastaram para fora do templo, e logo as portas se fecharam. 31E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão; 32O qual, tomando logo consigo soldados e centuriões, correu para eles. E, quando viram o tribuno e os soldados, cessaram de ferir a Paulo. 33Então, aproximando-se o tribuno, o prendeu e o mandou atar com duas cadeias, e lhe perguntou quem era e o que tinha feito. 34E na multidão uns clamavam de uma maneira, outros de outra; mas, como nada podia saber ao certo, por causa do alvoroço, mandou conduzi-lo para a fortaleza. 35E sucedeu que, chegando às escadas, os soldados tiveram de lhe pegar por causa da violência da multidão. 36Porque a multidão do povo o seguia, clamando: Mata-o! 37E, quando iam a introduzir Paulo na fortaleza, disse Paulo ao tribuno: É-me permitido dizer-te alguma coisa? E ele disse: Sabes o grego? 38Não és tu porventura aquele egípcio que antes destes dias fez uma sedição e levou ao deserto quatro mil salteadores? 39Mas Paulo lhe disse: Na verdade que sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo. 40E, havendo-lho permitido, Paulo, pondo-se em pé nas escadas, fez sinal com a mão ao povo; e, feito grande silêncio, falou-lhes em língua hebraica, dizendo: Atos 22 1HOMENS, irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós 2 (E, quando ouviram falar-lhes em língua hebraica, maior silêncio guardaram). E disse: 3Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso de Deus, como todos vós hoje sois. 4E persegui este caminho até à morte, prendendo, e pondo em prisões, tanto homens como mulheres, 5Como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos. E, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer maniatados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados. 6Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho, e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu. 7E caí por terra, e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 8E eu respondi: Quem és, Senhor? E disseme: Eu sou Jesus Nazareno, a quem tu persegues. 9E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito, mas não ouviram a voz daquele que falava comigo. 10Então disse eu: Senhor, que farei? E o Senhor disseme: Levanta-te, e vai a Damasco, e ali se te dirá tudo o que te é ordenado fazer. 11E, como eu não via, por causa do esplendor daquela luz, fui levado pela mão dos que estavam comigo, e cheguei a Damasco. 12E um certo Ananias, homem piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, 13Vindo ter comigo, e apresentando-se, disseme: Saulo, irmão, recobra a vista. E naquela mesma hora o vi. 14E ele disse: O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a sua vontade, e vejas aquele Justo e ouças a voz da sua boca. 15Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido. 16E agora por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor. 17E aconteceu que, tornando eu para Jerusalém, quando orava no templo, fui arrebatado para fora de mim. 18E vi aquele que me dizia: Dá-te pressa e sai apressadamente de Jerusalém; porque não receberão o teu testemunho acerca de mim. 19E eu disse: Senhor, eles bem sabem que eu lançava na prisão e açoitava nas sinagogas os que criam em ti. 20E quando o sangue de Estêvão, tua testemunha, se derramava, também eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava as capas dos que o matavam. 21E disseme: Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe. 22E ouviram-no até esta palavra, e levantaram a voz, dizendo: Tira da terra um tal homem, porque não convém que viva. 23E, clamando eles, e arrojando de si as vestes, e lançando pó para o ar, 24O tribuno mandou que o levassem para a fortaleza, dizendo que o examinassem com açoites, para saber por que causa assim clamavam contra ele. 25E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado? 26E, ouvindo isto, o centurião foi, e anunciou ao tribuno, dizendo: Vê o que vais fazer, porque este homem é romano. 27E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim. 28E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu o sou de nascimento. 29E logo dele se apartaram os que o haviam de examinar; e até o tribuno teve temor, quando soube que era romano, visto que o tinha ligado. 30E no dia seguinte, querendo saber ao certo a causa por que era acusado pelos judeus, soltou-o das prisões, e mandou vir os principais dos sacerdotes, e todo o seu conselho; e, trazendo Paulo, o apresentou diante deles. Atos 23 1E, PONDO Paulo os olhos no conselho, disse: Homens irmãos, até ao dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência. 2Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que o ferissem na boca. 3Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada; tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir? 4E os que ali estavam disseram: Injurias o sumo sacerdote de Deus? 5E Paulo disse: Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo. 6E Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no conselho: Homens irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu; no tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado. 7E, havendo dito isto, houve dissensão entre os fariseus e saduceus; e a multidão se dividiu. 8Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa. 9E originou-se um grande clamor; e, levantando-se os escribas da parte dos fariseus, contendiam, dizendo: Nenhum mal achamos neste homem, e, se algum espírito ou anjo lhe falou, não lutemos contra Deus. 10E, havendo grande dissensão, o tribuno, temendo que Paulo fosse despedaçado por eles, mandou descer a soldadesca, para que o tirassem do meio deles, e o levassem para a fortaleza. 11E na noite seguinte, apresentando-se-lhe o Senhor, disse: Paulo, tem ânimo; porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma. 12E, quando já era dia, alguns dos judeus fizeram uma conspiração, e juraram, dizendo que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem a Paulo. 13E eram mais de quarenta os que fizeram esta conjuração. 14E estes foram ter com os principais dos sacerdotes e anciãos, e disseram: Conjuramo-nos, sob pena de maldição, a nada provarmos até que matemos a Paulo. 15Agora, pois, vós, com o conselho, rogai ao tribuno que vo-lo traga amanhã, como que querendo saber mais alguma coisa de seus negócios, e, antes que chegue, estaremos prontos para o matar. 16E o filho da irmã de Paulo, tendo ouvido acerca desta cilada, foi, e entrou na fortaleza, e o anunciou a Paulo. 17E Paulo, chamando a si um dos centuriões, disse: Leva este jovem ao tribuno, porque tem alguma coisa que lhe comunicar. 18Tomando-o ele, pois, o levou ao tribuno, e disse: O preso Paulo, chamando-me a si, rogou-me que trouxesse este jovem, que tem alguma coisa para dizer-te. 19E o tribuno, tomando-o pela mão, e pondo-se à parte, perguntou-lhe em particular: Que tens que me contar? 20E disse ele: Os judeus se concertaram rogar-te que amanhã leves Paulo ao conselho, como que tendo de inquirir dele mais alguma coisa ao certo. 21Mas tu não os creias; porque mais de quarenta homens de entre eles lhe andam armando ciladas; os quais se obrigaram, sob pena de maldição, a não comer nem beber até que o tenham morto; e já estão apercebidos, esperando de ti promessa. 22Então o tribuno despediu o jovem, mandando-lhe que a ninguém dissesse que lhe havia contado aquilo. 23E, chamando dois centuriões, lhes disse: Aprontai para as três horas da noite duzentos soldados, e setenta de cavalaria, e duzentos arqueiros para irem até Cesaréia; 24E aparelhai animais, para que, pondo nelas a Paulo, o levem salvo ao presidente Félix. 25E escreveu uma carta, que continha isto: 26Cláudio Lísias, a Félix, potentíssimo presidente, saúde. 27Esse homem foi preso pelos judeus; e, estando já a ponto de ser morto por eles, sobrevim eu com a soldadesca, e o livrei, informado de que era romano. 28E, querendo saber a causa por que o acusavam, o levei ao seu conselho. 29E achei que o acusavam de algumas questões da sua lei; mas que nenhum crime havia nele digno de morte ou de prisão. 30E, sendo-me notificado que os judeus haviam de armar ciladas a esse homem, logo to enviei, mandando também aos acusadores que perante ti digam o que tiverem contra ele. Passa bem. 31Tomando, pois, os soldados a Paulo, como lhe fora mandado, o trouxeram de noite a Antipátride. 32E no dia seguinte, deixando aos de cavalo irem com ele, tornaram à fortaleza. 33Os quais, logo que chegaram a Cesaréia, e entregaram a carta ao presidente, lhe apresentaram Paulo. 34E o presidente, lida a carta, perguntou de que província era; e, sabendo que era da Cilícia, 35Disse: Ouvir-te-ei, quando também aqui vierem os teus acusadores. E mandou que o guardassem no pretório de Herodes. Atos 24 1E, CINCO dias depois, o sumo sacerdote Ananias desceu com os anciãos, e um certo Tértulo, orador, os quais compareceram perante o presidente contra Paulo. 2E, sendo chamado, Tértulo começou a acusá-lo, dizendo: Visto como por ti temos tanta paz e por tua prudência se fazem a este povo muitos e louváveis serviços, 3Sempre e em todo o lugar, ó potentíssimo Félix, com todo o agradecimento o queremos reconhecer. 4Mas, para que não te detenha muito, rogo-te que, conforme a tua eqüidade, nos ouças por pouco tempo. 5Temos achado que este homem é uma peste, e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo; e o principal defensor da seita dos nazarenos; 6O qual intentou também profanar o templo; e nós o prendemos, e conforme a nossa lei o quisemos julgar. 7Mas, sobrevindo o tribuno Lísias, no-lo tirou de entre as mãos com grande violência, 8Mandando aos seus acusadores que viessem a ti; e dele tu mesmo, examinandoo, poderás entender tudo o de que o acusamos. 9E também os judeus consentiam, dizendo serem estas coisas assim. 10Paulo, porém, fazendo-lhe o presidente sinal que falasse, respondeu: Porque sei que já vai para muitos anos que desta nação és juiz, com tanto melhor ânimo respondo por mim. 11Pois bem podes saber que não há mais de doze dias que subi a Jerusalém a adorar; 12E não me acharam no templo falando com alguém, nem amotinando o povo nas sinagogas, nem na cidade. 13Nem tampouco podem provar as coisas de que agora me acusam. 14Mas confesso-te isto que, conforme aquele Caminho que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas. 15Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos. 16E por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens. 17Ora, muitos anos depois, vim trazer à minha nação esmolas e ofertas. 18Nisto me acharam já santificado no templo, não em ajuntamentos, nem com alvoroços, uns certos judeus da Ásia, 19Os quais convinha que estivessem presentes perante ti, e me acusassem, se alguma coisa contra mim tivessem. 20Ou digam estes mesmos, se acharam em mim alguma iniqüidade, quando compareci perante o conselho, 21A não ser estas palavras que, estando entre eles, clamei: Hoje sou julgado por vós acerca da ressurreição dos mortos. 22Então Félix, havendo ouvido estas coisas, lhes pôs dilação, dizendo: Havendome informado melhor deste Caminho, quando o tribuno Lísias tiver descido, então tomarei inteiro conhecimento dos vossos negócios. 23E mandou ao centurião que o guardasse em prisão, tratando-o com brandura, e que a ninguém dos seus proibisse servi-lo ou vir ter com ele. 24E alguns dias depois, vindo Félix com sua mulher Drusila, que era judia, mandou chamar a Paulo, e ouviu-o acerca da fé em Cristo. 25E, tratando ele da justiça, e da temperança, e do juízo vindouro, Félix, espavorido, respondeu: Por agora vai-te, e em tendo oportunidade te chamarei. 26Esperando ao mesmo tempo que Paulo lhe desse dinheiro, para que o soltasse; pelo que também muitas vezes o mandava chamar, e falava com ele. 27Mas, passados dois anos, Félix teve por sucessor a Pórcio Festo; e, querendo Félix comprazer aos judeus, deixou a Paulo preso. Atos 25 1ENTRANDO, pois, Festo na província, subiu dali a três dias de Cesaréia a Jerusalém. 2E o sumo sacerdote e os principais dos judeus compareceram perante ele contra Paulo, e lhe rogaram, 3Pedindo como favor contra ele que o fizesse vir a Jerusalém, armando ciladas para o matarem no caminho. 4Mas Festo respondeu que Paulo estava guardado em Cesaréia, e que ele brevemente partiria para lá. 5Os que, pois, disse, dentre vós, têm poder, desçam comigo e, se neste homem houver algum crime, acusem-no. 6E, havendo-se demorado entre eles mais de dez dias, desceu a Cesaréia; e no dia seguinte, assentando-se no tribunal, mandou que trouxessem Paulo. 7E, chegando ele, rodearam-no os judeus que haviam descido de Jerusalém, trazendo contra Paulo muitas e graves acusações, que não podiam provar. 8Mas ele, em sua defesa, disse: Eu não pequei em coisa alguma contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César. 9Todavia Festo, querendo comprazer aos judeus, respondendo a Paulo, disse: Queres tu subir a Jerusalém, e ser lá perante mim julgado acerca destas coisas? 10Mas Paulo disse: Estou perante o tribunal de César, onde convém que seja julgado; não fiz agravo algum aos judeus, como tu muito bem sabes. 11Se fiz algum agravo, ou cometi alguma coisa digna de morte, não recuso morrer; mas, se nada há das coisas de que estes me acusam, ninguém me pode entregar a eles; apelo para César. 12Então Festo, tendo falado com o conselho, respondeu: Apelaste para César? para César irás. 13E, passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice vieram a Cesaréia, a saudar Festo. 14E, como ali ficassem muitos dias, Festo contou ao rei os negócios de Paulo, dizendo: Um certo homem foi deixado por Félix aqui preso, 15Por cujo respeito os principais dos sacerdotes e os anciãos dos judeus, estando eu em Jerusalém, compareceram perante mim, pedindo sentença contra ele. 16Aos quais respondi não ser costume dos romanos entregar algum homem à morte, sem que o acusado tenha presentes os seus acusadores, e possa defenderse da acusação. 17De sorte que, chegando eles aqui juntos, no dia seguinte, sem fazer dilação alguma, assentado no tribunal, mandei que trouxessem o homem. 18Acerca do qual, estando presentes os acusadores, nenhuma coisa apontaram daquelas que eu suspeitava. 19Tinham, porém, contra ele algumas questões acerca da sua superstição, e de um tal Jesus, morto, que Paulo afirmava viver. 20E, estando eu perplexo acerca da inquirição desta causa, disse se queria ir a Jerusalém, e lá ser julgado acerca destas coisas. 21E, apelando Paulo para que fosse reservado ao conhecimento de Augusto, mandei que o guardassem até que o envie a César. 22Então Agripa disse a Festo: Bem quisera eu também ouvir esse homem. E ele disse: Amanhã o ouvirás. 23E, no dia seguinte, vindo Agripa e Berenice, com muito aparato, entraram no auditório com os tribunos e homens principais da cidade, sendo trazido Paulo por mandado de Festo. 24E Festo disse: Rei Agripa, e todos os senhores que estais presentes conosco; aqui vedes um homem de quem toda a multidão dos judeus me tem falado, tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convém que viva mais. 25Mas, achando eu que nenhuma coisa digna de morte fizera, e apelando ele mesmo também para Augusto, tenho determinado enviar-lho. 26Do qual não tenho coisa alguma certa que escreva ao meu senhor, e por isso perante vós o trouxe, principalmente perante ti, ó rei Agripa, para que, depois de interrogado, tenha alguma coisa que escrever. 27Porque me parece contra a razão enviar um preso, e não notificar contra ele as acusações. Atos 26 1DEPOIS Agripa disse a Paulo: É permitido que te defendas. Então Paulo, estendendo a mão em sua defesa, respondeu: 2Tenho-me por feliz, ó rei Agripa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus; 3Mormente sabendo eu que tens conhecimento de todos os costumes e questões que há entre os judeus; por isso te rogo que me ouças com paciência. 4Quanto à minha vida, desde a mocidade, como decorreu desde o princípio entre os da minha nação, em Jerusalém, todos os judeus a conhecem, 5Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu. 6E agora pela esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais estou aqui e sou julgado. 7À qual as nossas doze tribos esperam chegar, servindo a Deus continuamente, noite e dia. Por esta esperança, ó rei Agripa, eu sou acusado pelos judeus. 8Pois quê? julga-se coisa incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos? 9Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus Nazareno devia eu praticar muitos atos; 10O que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido autorização dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles. 11E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui. 12Sobre o que, indo então a Damasco, com poder e comissão dos principais dos sacerdotes, 13Ao meio-dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que iam comigo. 14E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava, e em língua hebraica dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. 15E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; 16Mas levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda; 17Livrando-te deste povo, e dos gentios, a quem agora te envio, 18Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim. 19Por isso, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. 20Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento. 21Por causa disto os judeus lançaram mão de mim no templo, e procuraram matar-me. 22Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer, 23 Isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios. 24E, dizendo ele isto em sua defesa, disse Festo em alta voz: Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar. 25Mas ele disse: Não deliro, ó potentíssimo Festo; antes digo palavras de verdade e de um são juízo. 26Porque o rei, diante de quem também falo com ousadia, sabe estas coisas, pois não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer canto. 27Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês. 28E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão! 29E disse Paulo: Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo, se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias. 30E, dizendo ele isto, levantou-se o rei, o presidente, e Berenice, e os que com eles estavam assentados. 31E, apartando-se dali falavam uns com os outros, dizendo: Este homem nada fez digno de morte ou de prisões. 32E Agripa disse a Festo: Bem podia soltar-se este homem, se não houvera apelado para César. Atos 27 1E, COMO se determinou que havíamos de navegar para a Itália, entregaram Paulo, e alguns outros presos, a um centurião por nome Júlio, da coorte augusta. 2E, embarcando nós em um navio adramitino, partimos navegando pelos lugares da costa da Ásia, estando conosco Aristarco, macedônio, de Tessalônica. 3E chegamos no dia seguinte a Sidom, e Júlio, tratando Paulo humanamente, lhe permitiu ir ver os amigos, para que cuidassem dele. 4E, partindo dali, fomos navegando abaixo de Chipre, porque os ventos eram contrários. 5E, tendo atravessado o mar, ao longo da Cilícia e Panfília, chegamos a Mirra, na Lícia. 6E, achando ali o centurião um navio de Alexandria, que navegava para a Itália, nos fez embarcar nele. 7E, como por muitos dias navegássemos vagarosamente, havendo chegado apenas defronte de Cnido, não nos permitindo o vento ir mais adiante, navegamos abaixo de Creta, junto de Salmone. 8E, costeando-a dificilmente, chegamos a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laséia. 9E, passado muito tempo, e sendo já perigosa a navegação, pois, também o jejum já tinha passado, Paulo os admoestava, 10Dizendo-lhes: Senhores, vejo que a navegação há de ser incômoda, e com muito dano, não só para o navio e carga, mas também para as nossas vidas. 11Mas o centurião cria mais no piloto e no mestre, do que no que dizia Paulo. 12E, como aquele porto não era cômodo para invernar, os mais deles foram de parecer que se partisse dali para ver se podiam chegar a Fenice, que é um porto de Creta que olha para o lado do vento da África e do Coro, e invernar ali. 13E, soprando o sul brandamente, lhes pareceu terem já o que desejavam e, fazendo-se de vela, foram de muito perto costeando Creta. 14Mas não muito depois deu nela um pé de vento, chamado Euro-aquilão. 15E, sendo o navio arrebatado, e não podendo navegar contra o vento, dando de mão a tudo, nos deixamos ir à toa. 16E, correndo abaixo de uma pequena ilha chamada Clauda, apenas pudemos ganhar o batel. 17E, levado este para cima, usaram de todos os meios, cingindo o navio; e, temendo darem à costa na Sirte, amainadas as velas, assim foram à toa. 18E, andando nós agitados por uma veemente tempestade, no dia seguinte aliviaram o navio. 19E ao terceiro dia nós mesmos, com as nossas próprias mãos, lançamos ao mar a armação do navio. 20E, não aparecendo, havia já muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos. 21E, havendo já muito que não se comia, então Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse: Fora, na verdade, razoável, ó senhores, ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e assim evitariam este incômodo e esta perda. 22Mas agora vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio. 23Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo, 24Dizendo: Paulo, não temas; importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo. 25Portanto, ó senhores, tende bom ânimo; porque creio em Deus, que há de acontecer assim como a mim me foi dito. 26É, contudo, necessário irmos dar numa ilha. 27E, quando chegou a décima quarta noite, sendo impelidos de um e outro lado no mar Adriático, lá pela meia-noite suspeitaram os marinheiros que estavam próximos de alguma terra. 28E, lançando o prumo, acharam vinte braças; e, passando um pouco mais adiante, tornando a lançar o prumo, acharam quinze braças. 29E, temendo ir dar em alguns rochedos, lançaram da popa quatro âncoras, desejando que viesse o dia. 30Procurando, porém, os marinheiros fugir do navio, e tendo já deitado o batel ao mar, como que querendo lançar as âncoras pela proa, 31Disse Paulo ao centurião e aos soldados: Se estes não ficarem no navio, não podereis salvar-vos. 32Então os soldados cortaram os cabos do batel, e o deixaram cair. 33E, entretanto que o dia vinha, Paulo exortava a todos a que comessem alguma coisa, dizendo: É já hoje o décimo quarto dia que esperais, e permaneceis sem comer, não havendo provado nada. 34Portanto, exorto-vos a que comais alguma coisa, pois é para a vossa saúde; porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós. 35E, havendo dito isto, tomando o pão, deu graças a Deus na presença de todos; e, partindo-o, começou a comer. 36E, tendo já todos bom ânimo, puseram-se também a comer. 37E éramos ao todo, no navio, duzentas e setenta e seis almas. 38E, refeitos com a comida, aliviaram o navio, lançando o trigo ao mar. 39E, sendo já dia, não conheceram a terra; enxergaram, porém, uma enseada que tinha praia, e consultaram-se sobre se deveriam encalhar nela o navio. 40E, levantando as âncoras, deixaram-no ir ao mar, largando também as amarras do leme; e, alçando a vela maior ao vento, dirigiram-se para a praia. 41Dando, porém, num lugar de dois mares, encalharam ali o navio; e, fixa a proa, ficou imóvel, mas a popa abria-se com a força das ondas. 42Então a idéia dos soldados foi que matassem os presos para que nenhum fugisse, escapando a nado. 43Mas o centurião, querendo salvar a Paulo, lhes estorvou este intento; e mandou que os que pudessem nadar se lançassem primeiro ao mar, e se salvassem em terra; 44E os demais, uns em tábuas e outros em coisas do navio. E assim aconteceu que todos chegaram à terra a salvo. Atos 28 1E, HAVENDO escapado, então souberam que a ilha se chamava Malta. 2E os bárbaros usaram conosco de não pouca humanidade; porque, acendendo uma grande fogueira, nos recolheram a todos por causa da chuva que caía, e por causa do frio. 3E, havendo Paulo ajuntado uma quantidade de vides, e pondo-as no fogo, uma víbora, fugindo do calor, lhe acometeu a mão. 4E os bárbaros, vendo-lhe a víbora pendurada na mão, diziam uns aos outros: Certamente este homem é homicida, visto como, escapando do mar, a justiça não o deixa viver. 5Mas, sacudindo ele a víbora no fogo, não sofreu nenhum mal. 6E eles esperavam que viesse a inchar ou a cair morto de repente; mas tendo esperado já muito, e vendo que nenhum incômodo lhe sobrevinha, mudando de parecer, diziam que era um deus. 7E ali, próximo daquele lugar, havia umas herdades que pertenciam ao principal da ilha, por nome Públio, o qual nos recebeu e hospedou benignamente por três dias. 8E aconteceu estar de cama enfermo de febre e disenteria o pai de Públio, que Paulo foi ver, e, havendo orado, pôs as mãos sobre ele, e o curou. 9Feito, pois, isto, vieram também ter com ele os demais que na ilha tinham enfermidades, e sararam. 10Os quais nos distinguiram também com muitas honras; e, havendo de navegar, nos proveram das coisas necessárias. 11E três meses depois partimos num navio de Alexandria que invernara na ilha, o qual tinha por insígnia Castor e Pólux. 12E, chegando a Siracusa, ficamos ali três dias. 13De onde, indo costeando, viemos a Régio; e soprando, um dia depois, um vento do sul, chegamos no segundo dia a Potéoli. 14Onde, achando alguns irmãos, nos rogaram que por sete dias ficássemos com eles; e depois nos dirigimos a Roma. 15E de lá, ouvindo os irmãos novas de nós, nos saíram ao encontro à Praça de Ápio e às Três Vendas, e Paulo, vendo-os, deu graças a Deus e tomou ânimo. 16E, logo que chegamos a Roma, o centurião entregou os presos ao capitão da guarda; mas a Paulo se lhe permitiu morar por sua conta à parte, com o soldado que o guardava. 17E aconteceu que, três dias depois, Paulo convocou os principais dos judeus e, juntos eles, lhes disse: Homens irmãos, não havendo eu feito nada contra o povo, ou contra os ritos paternos, vim contudo preso desde Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos; 18Os quais, havendo-me examinado, queriam soltar-me, por não haver em mim crime algum de morte. 19Mas, opondo-se os judeus, foi-me forçoso apelar para César, não tendo, contudo, de que acusar a minha nação. 20Por esta causa vos chamei, para vos ver e falar; porque pela esperança de Israel estou com esta cadeia. 21Então eles lhe disseram: Nós não recebemos acerca de ti carta alguma da Judéia, nem veio aqui algum dos irmãos, que nos anunciasse ou dissesse de ti mal algum. 22No entanto bem quiséramos ouvir de ti o que sentes; porque, quanto a esta seita, notório nos é que em toda a parte se fala contra ela. 23E, havendo-lhe eles assinalado um dia, muitos foram ter com ele à pousada, aos quais declarava com bom testemunho o reino de Deus, e procurava persuadi-los à fé em Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas, desde a manhã até à tarde. 24E alguns criam no que se dizia; mas outros não criam. 25E, como ficaram entre si discordes, despediram-se, dizendo Paulo esta palavra: Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías, 26Dizendo: Vai a este povo, e dize: De ouvido ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis; E, vendo vereis, e de maneira nenhuma percebereis. 27Porquanto o coração deste povo está endurecido, E com os ouvidos ouviram pesadamente, E fecharam os olhos, Para que nunca com os olhos vejam, Nem com os ouvidos ouçam, Nem do coração entendam, E se convertam, E eu os cure. 28Seja-vos, pois, notório que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão. 29E, havendo ele dito estas palavras, partiram os judeus, tendo entre si grande contenda. 30E Paulo ficou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e recebia todos quantos vinham vê-lo; 31Pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum. Romanos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Romanos 1 1PAULO, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus. 2O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras, 3Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, 4Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor, 5Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, 6Entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo. 7A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 8Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé. 9Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós, 10Pedindo sempre em minhas orações que nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco. 11Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados; 12 Isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha. 13Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios. 14Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. 15E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma. 16Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. 17Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé. 18Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. 19Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. 20Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; 21Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. 22Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. 23E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. 24Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; 25Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. 26Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. 27E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. 28E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; 29Estando cheios de toda a iniqüidade, fornicação, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; 30Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; 31Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; 32Os quais, conhecendo o juízo de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem. Romanos 2 1PORTANTO, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo. 2E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem. 3E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus? 4Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? 5Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; 6O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: 7A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; 8Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade; 9Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego; 10Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego; 11Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas. 12Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados. 13Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados. 14Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; 15Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; 16No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho. 17Eis que tu que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; 18E sabes a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei; 19E confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, 20 Instrutor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei; 21Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? 22Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? 23Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? 24Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós. 25Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão. 26Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão? 27E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, não te julgará porventura a ti, que pela letra e circuncisão és transgressor da lei? 28Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. 29Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus. Romanos 3 1QUAL é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? 2Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas. 3Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus? 4De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado. 5E, se a nossa injustiça for causa da justiça de Deus, que diremos? Porventura será Deus injusto, trazendo ira sobre nós (Falo como homem.) 6De maneira nenhuma; de outro modo, como julgará Deus o mundo? 7Mas, se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para glória sua, por que sou eu ainda julgado também como pecador? 8E por que não dizemos (como somos blasfemados, e como alguns dizem que dizemos): Façamos males, para que venham bens? A condenação desses é justa. 9Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; 10Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. 11Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. 12Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. 13A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; 14Cuja boca está cheia de maldição e amargura. 15Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. 16Em seus caminhos há destruição e miséria; 17E não conheceram o caminho da paz. 18Não há temor de Deus diante de seus olhos. 19Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. 20Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. 21Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; 22 Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. 23Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; 24Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. 25Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; 26Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. 27Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. 28Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei. 29É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente, 30Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão. 31Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei. Romanos 4 1QUE diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? 2Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. 3Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. 4Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. 5Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. 6Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: 7Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos. 8Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado. 9Vem, pois, esta bem-aventurança sobre a circuncisão somente, ou também sobre a incircuncisão? Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão. 10Como lhe foi, pois, imputada? Estando na circuncisão ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas na incircuncisão. 11E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles também na incircuncisão; a fim de que também a justiça lhes seja imputada; 12E fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé que teve nosso pai Abraão, que tivera na incircuncisão. 13Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé. 14Porque, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada. 15Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão. 16Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós, 17 (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem. 18O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. 19E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. 20E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, 21E estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer. 22Assim isso lhe foi também imputado como justiça. 23Ora, não só por causa dele está escrito, que lhe fosse tomado em conta, 24Mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; 25O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação. Romanos 5 1TENDO sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; 2Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. 3E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, 4E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. 5E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. 7Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. 8Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. 9Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. 11E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação. 12Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. 13Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei. 14No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir. 15Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. 16E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. 17Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. 18Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. 19Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos. 20Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; 21Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor. Romanos 6 1QUE diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? 2De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? 3Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? 4De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. 5Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; 6Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. 7Porque aquele que está morto está justificado do pecado. 8Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; 9Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. 10Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. 11Assim também vós considerai-vos certamente mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. 12Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; 13Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. 14Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. 15Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum. 16Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? 17Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. 18E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. 19Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia, e à maldade para maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para santificação. 20Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça. 21E que fruto tínheis então das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte. 22Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. 23Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor. Romanos 7 1NÃO sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive? 2Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. 3De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido. 4Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus. 5Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte. 6Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra. 7Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. 8Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupiscência; porquanto sem a lei estava morto o pecado. 9E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri. 10E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte. 11Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou. 12E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. 13Logo tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno. 14Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. 15Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. 16E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. 17De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. 18Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. 19Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. 20Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. 21Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. 22Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; 23Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. 24Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? 25Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado. Romanos 8 1PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. 2Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. 3Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; 4Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. 5Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. 6Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. 7Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. 8Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. 9Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. 10E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. 11E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita. 12De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne. 13Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. 14Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. 15Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. 16O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. 17E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e coherdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. 18Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. 19Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. 20Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, 21Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. 22Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. 23E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. 24Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? 25Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos. 26E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. 27E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos. 28E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. 29Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. 30E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. 31Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? 33Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. 34Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. 35Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? 36Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. 37Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. 38Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, 39Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. Romanos 9 1EM Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo): 2Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração. 3Porque eu mesmo poderia desejar ser anátema de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne; 4Que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e as alianças, e a lei, e o culto, e as promessas; 5Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém. 6Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; 7Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. 8 Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência. 9Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho. 10E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; 11Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), 12Foi-lhe dito a ela: O maior servirá ao menor. 13Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. 14Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. 15Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. 16Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. 17Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. 18Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. 19Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? 20Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? 21Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? 22E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; 23Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, 24Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? 25Como também diz em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; E amada à que não era amada. 26E sucederá que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; Aí serão chamados filhos do Deus vivo. 27Também Isaías clama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo. 28Porque ele completará a obra e abreviá-la-á em justiça; porque o Senhor fará breve a obra sobre a terra. 29E como antes disse Isaías: Se o Senhor dos Exércitos nos não deixara descendência, Teríamos nos tornado como Sodoma, e teríamos sido feitos como Gomorra. 30Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. 31Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça. 32Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da lei; pois tropeçaram na pedra de tropeço; 33Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; E todo aquele que crer nela não será confundido. Romanos 10 1 IRMÃOS, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação. 2Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento. 3Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus. 4Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê. 5Ora, Moisés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas. 6Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo.) 7Ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo.) 8Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, 9A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. 10Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. 11Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. 12Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. 13Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. 14Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? 15E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. 16Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? 17De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. 18Mas digo: Porventura não ouviram? Sim, por certo, pois Por toda a terra saiu a voz deles, E as suas palavras até aos confins do mundo. 19Mas digo: Porventura Israel não o soube? Primeiramente diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, Com gente insensata vos provocarei à ira. 20E Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que não me buscavam, Fui manifestado aos que por mim não perguntavam. 21Mas para Israel diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente. Romanos 11 1DIGO, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. 2Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo: 3Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? 4Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal. 5Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça. 6Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra. 7Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos. 8Como está escrito: Deus lhes deu espírito de profundo sono, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje. 9E Davi diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, E em tropeço, por sua retribuição; 10Escureçam-se-lhes os olhos para não verem, E encurvemse-lhes continuamente as costas. 11Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. 12E se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! 13Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, exalto o meu ministério; 14Para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da minha carne e salvar alguns deles. 15Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos? 16E, se as primícias são santas, também a massa o é; se a raiz é santa, também os ramos o são. 17E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, 18Não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. 19Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. 20Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé. Então não te ensoberbeças, mas teme. 21Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também. 22Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado. 23E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar. 24Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira! 25Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. 26E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. 27E esta será a minha aliança com eles, Quando eu tirar os seus pecados. 28Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. 29Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento. 30Porque assim como vós também antigamente fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles, 31Assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada. 32Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia. 33Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! 34Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? 35Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? 36Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. Romanos 12 1ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. 2E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. 3Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um. 4Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, 5Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. 6De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; 7Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; 8Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria. 9O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. 10Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. 11Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor; 12Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração; 13Comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade; 14Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis. 15Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram; 16Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos; 17A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens. 18Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. 19Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. 20Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. 21Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. Romanos 13 1TODA a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. 2Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. 3Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. 4Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal. 5Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência. 6Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. 7Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. 8A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. 9Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. 10O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. 11E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. 12A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz. 13Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. 14Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências. Romanos 14 1ORA, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. 2Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. 3O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. 4Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. 5Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. 6Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus. 7Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. 8Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor. 9Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos. 10Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo. 11Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, E toda a língua confessará a Deus. 12De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. 13Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. 14Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. 15Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu. 16Não seja, pois, blasfemado o vosso bem; 17Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. 18Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. 19Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros. 20Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo. 21Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça. 22Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. 23Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado. Romanos 15 1MAS nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. 2Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. 3Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam. 4Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança. 5Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, 6Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. 7Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus. 8Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais; 9E para que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia, como está escrito: Portanto eu te louvarei entre os gentios, E cantarei ao teu nome. 10E outra vez diz: Alegrai-vos, gentios, com o seu povo. 11E outra vez: Louvai ao Senhor, todos os gentios, E celebrai-o todos os povos. 12Outra vez diz Isaías: Uma raiz em Jessé haverá, E naquele que se levantar para reger os gentios, os gentios esperarão. 13Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo. 14Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros. 15Mas, irmãos, em parte vos escrevi mais ousadamente, como para vos trazer outra vez isto à memória, pela graça que por Deus me foi dada; 16Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo. 17De sorte que tenho glória em Jesus Cristo nas coisas que pertencem a Deus. 18Porque não ousarei dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para fazer obedientes os gentios, por palavra e por obras; 19Pelo poder dos sinais e prodígios, e pela virtude do Espírito de Deus; de maneira que desde Jerusalém, e arredores, até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo. 20E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; 21Antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão, E os que não ouviram o entenderão. 22Por isso também muitas vezes tenho sido impedido de ir ter convosco. 23Mas agora, que não tenho mais demora nestes sítios, e tendo já há muitos anos grande desejo de ir ter convosco, 24Quando partir para Espanha irei ter convosco; pois espero que de passagem vos verei, e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia. 25Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos. 26Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém. 27 Isto lhes pareceu bem, como devedores que são para com eles. Porque, se os gentios foram participantes dos seus bens espirituais, devem também ministrarlhes os temporais. 28Assim que, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha. 29E bem sei que, indo ter convosco, chegarei com a plenitude da bênção do evangelho de Cristo. 30E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus; 31Para que seja livre dos rebeldes que estão na Judéia, e que esta minha administração, que em Jerusalém faço, seja bem aceita pelos santos; 32A fim de que, pela vontade de Deus, chegue a vós com alegria, e possa recrear-me convosco. 33E o Deus de paz seja com todos vós. Amém. Romanos 16 1RECOMENDO-VOS, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia, 2Para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo. 3Saudai a Priscila e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus, 4Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios. 5Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Acaia em Cristo. 6Saudai a Maria, que trabalhou muito por nós. 7Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim em Cristo. 8Saudai a Amplias, meu amado no Senhor. 9Saudai a Urbano, nosso cooperador em Cristo, e a Estáquis, meu amado. 10Saudai a Apeles, aprovado em Cristo. Saudai aos da família de Aristóbulo. 11Saudai a Herodião, meu parente. Saudai aos da família de Narciso, os que estão no Senhor. 12Saudai a Trifena e a Trifosa, as quais trabalham no Senhor. Saudai à amada Pérside, a qual muito trabalhou no Senhor. 13Saudai a Rufo, eleito no Senhor, e a sua mãe e minha. 14Saudai a Asíncrito, a Flegonte, a Hermes, a Pátrobas, a Hermas, e aos irmãos que estão com eles. 15Saudai a Filólogo e a Júlia, a Nereu e a sua irmã, e a Olimpas, e a todos os santos que com eles estão. 16Saudai-vos uns aos outros com santo ósculo. As igrejas de Cristo vos saúdam. 17E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. 18Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples. 19Quanto à vossa obediência, é ela conhecida de todos. Comprazo-me, pois, em vós; e quero que sejais sábios no bem, mas simples no mal. 20E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém. 21Saúdam-vos Timóteo, meu cooperador, e Lúcio, Jasom e Sosípatro, meus parentes. 22Eu, Tércio, que esta carta escrevi, vos saúdo no Senhor. 23Saúda-vos Gaio, meu hospedeiro, e de toda a igreja. Saúda-vos Erasto, procurador da cidade, e também o irmão Quarto. 24A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém. 25Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, 26Mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé; 27Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém. 1 Coríntios 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 Coríntios 1 1PAULO (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes, 2À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: 3Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 4Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de Deus que vos foi dada em Jesus Cristo. 5Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento 6 (Como o testemunho de Cristo foi mesmo confirmado entre vós). 7De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, 8O qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 9Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor. 10Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer. 11Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. 12Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. 13Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo? 14Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio, 15Para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. 16E batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro. 17Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã. 18Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. 19Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes. 20Onde está o sábio? onde está o escriba? onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? 21Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. 22Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; 23Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. 24Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. 25Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. 26Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. 27Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; 28E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; 29Para que nenhuma carne se glorie perante ele. 30Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; 31Para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor. 1 Coríntios 2 1E EU, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. 2Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. 3E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. 4E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; 5Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. 6Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam; 7Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; 8A qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória. 9Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam. 10Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. 11Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. 12Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. 13As quais também falamos, não com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais. 14Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. 15Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. 16Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo. 1 Coríntios 3 1E EU, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. 2Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, 3Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? 4Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais? 5Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? 6Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. 7Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. 8Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho. 9Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus. 10Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. 11Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. 12E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, 13A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. 14Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. 15Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo. 16Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 17Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. 18Ninguém se engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio. 19Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia. 20E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos. 21Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; 22Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, 23E vós de Cristo, e Cristo de Deus. 1 Coríntios 4 1QUE os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus. 2Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel. 3Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por algum juízo humano; nem eu tampouco a mim mesmo me julgo. 4Porque em nada me sinto culpado; mas nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é o Senhor. 5Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor. 6E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro. 7Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido? 8Já estais fartos! já estais ricos! sem nós reinais! e quisera reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco! 9Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens. 10Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós vis. 11Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, 12E nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; 13Somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos. 14Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus filhos amados. 15Porque ainda que tivésseis dez mil aios em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; porque eu pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo. 16Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores. 17Por esta causa vos mandei Timóteo, que é meu filho amado, e fiel no Senhor, o qual vos lembrará os meus caminhos em Cristo, como por toda a parte ensino em cada igreja. 18Mas alguns andam ensoberbecidos, como se eu não houvesse de ir ter convosco. 19Mas em breve irei ter convosco, se o Senhor quiser, e então conhecerei, não as palavras dos que andam ensoberbecidos, mas o poder. 20Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder. 21Que quereis? Irei ter convosco com vara ou com amor e espírito de mansidão? 1 Coríntios 5 1GERALMENTE se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem possua a mulher de seu pai. 2Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação. 3Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou, 4Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, 5Seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus. 6Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? 7Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. 8Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade. 9Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; 10 Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. 11Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. 12Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? 13Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo. 1 Coríntios 6 1OUSA algum de vós, tendo algum negócio contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos? 2Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? 3Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? 4Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes para julgá-los os que são de menos estima na igreja? 5Para vos envergonhar o digo. Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos? 6Mas o irmão vai a juízo com o irmão, e isto perante infiéis. 7Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano? 8Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos irmãos. 9Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? 10Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. 11E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus. 12Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma. 13Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros. Mas o corpo não é para a fornicação, senão para o Senhor, e o Senhor para o corpo. 14Ora, Deus, que também ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará a nós pelo seu poder. 15Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? Não, por certo. 16Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne. 17Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito. 18Fugi da fornicação. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que fornica peca contra o seu próprio corpo. 19Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? 20Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus. 1 Coríntios 7 1ORA, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher; 2Mas, por causa da fornicação, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido. 3O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. 4A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. 5Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência. 6Digo, porém, isto como que por permissão e não por mandamento. 7Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra. 8Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu. 9Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasarse. 10Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido. 11Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher. 12Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. 13E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe. 14Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos. 15Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz. 16Porque, de onde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, de onde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher? 17E assim cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um como o Senhor o chamou. É o que ordeno em todas as igrejas. 18É alguém chamado, estando circuncidado? fique circuncidado. É alguém chamado estando incircuncidado? não se circuncide. 19A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus. 20Cada um fique na vocação em que foi chamado. 21Foste chamado sendo servo? não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião. 22Porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e da mesma maneira também o que é chamado sendo livre, servo é de Cristo. 23Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens. 24 Irmãos, cada um fique diante de Deus no estado em que foi chamado. 25Ora, quanto às virgens, não tenho mandamento do Senhor; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericórdia do Senhor para ser fiel. 26Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade, que é bom para o homem o estar assim. 27Estás ligado à mulher? não busques separar-te. Estás livre de mulher? não busques mulher. 28Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos. 29 Isto, porém, vos digo, irmãos, que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se não as tivessem; 30E os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem; 31E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa. 32E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado. O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor; 33Mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher. 34Há diferença entre a mulher casada e a virgem. A solteira cuida das coisas do Senhor para ser santa, tanto no corpo como no espírito; porém, a casada cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido. 35E digo isto para proveito vosso; não para vos enlaçar, mas para o que é decente e conveniente, para vos unirdes ao Senhor sem distração alguma. 36Mas, se alguém julga que trata indignamente a sua virgem, se tiver passado a flor da idade, e se for necessário, que faça o tal o que quiser; não peca; casem-se. 37Todavia o que está firme em seu coração, não tendo necessidade, mas com poder sobre a sua própria vontade, se resolveu no seu coração guardar a sua virgem, faz bem. 38De sorte que, o que a dá em casamento faz bem; mas o que não a dá em casamento faz melhor. 39A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor. 40Será, porém, mais bem-aventurada se ficar assim, segundo o meu parecer, e também eu cuido que tenho o Espírito de Deus. 1 Coríntios 8 1ORA, no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos ciência. A ciência incha, mas o amor edifica. 2E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber. 3Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele. 4Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só. 5Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), 6Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele. 7Mas nem em todos há conhecimento; porque alguns até agora comem, com consciência do ídolo, coisas sacrificadas ao ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada. 8Ora a comida não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta. 9Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos. 10Porque, se alguém te vir a ti, que tens ciência, sentado à mesa no templo dos ídolos, não será a consciência do que é fraco induzida a comer das coisas sacrificadas aos ídolos? 11E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. 12Ora, pecando assim contra os irmãos, e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo. 13Por isso, se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize. 1 Coríntios 9 1NÃO sou eu apóstolo? Não sou livre? Não vi eu a Jesus Cristo Senhor nosso? Não sois vós a minha obra no Senhor? 2Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor. 3Esta é minha defesa para com os que me condenam. 4Não temos nós direito de comer e beber? 5Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas? 6Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar? 7Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado? 8Digo eu isto segundo os homens? Ou não diz a lei também o mesmo? 9Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois? 10Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante. 11Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais? 12Se outros participam deste poder sobre vós, por que não, e mais justamente, nós? Mas nós não usamos deste direito; antes suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo. 13Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? 14Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho. 15Mas eu de nenhuma destas coisas usei, e não escrevi isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora morrer, do que alguém fazer vã esta minha glória. 16Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! 17E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada. 18Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho. 19Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. 20E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. 21Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. 22Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. 23E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele. 24Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. 25E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. 26Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. 27Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado. 1 Coríntios 10 1ORA, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. 2E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, 3E todos comeram de uma mesma comida espiritual, 4E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo. 5Mas Deus não se agradou da maior parte deles, por isso foram prostrados no deserto. 6E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. 7Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar. 8E não forniquemos, como alguns deles fizeram; e caíram num dia vinte e três mil. 9E não tentemos a Cristo, como alguns deles também tentaram, e pereceram pelas serpentes. 10E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor. 11Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. 12Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. 13Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. 14Portanto, meus amados, fugi da idolatria. 15Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo. 16Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? 17Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão. 18Vede a Israel segundo a carne; os que comem os sacrifícios não são porventura participantes do altar? 19Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? 20Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. 21Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. 22Ou irritaremos o Senhor? Somos nós mais fortes do que ele? 23Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. 24Ninguém busque o proveito próprio; antes cada um o que é de outrem. 25Comei de tudo quanto se vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciência. 26Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude. 27E, se algum dos infiéis vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que se puser diante de vós, sem nada perguntar, por causa da consciência. 28Mas, se alguém vos disser: Isto foi sacrificado aos ídolos, não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência; porque a terra é do Senhor, e toda a sua plenitude. 29Digo, porém, a consciência, não a tua, mas a do outro. Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem? 30E, se eu com graça participo, por que sou blasfemado naquilo por que dou graças? 31Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. 32Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. 33Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar. 1 Coríntios 11 1SEDE meus imitadores, como também eu de Cristo. 2E louvo-vos, irmãos, porque em tudo vos lembrais de mim, e retendes os preceitos como vo-los entreguei. 3Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo. 4Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça. 5Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada. 6Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu. 7O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem. 8Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem. 9Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem. 10Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos. 11Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor. 12Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus. 13Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta? 14Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o homem ter cabelo crescido? 15Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu. 16Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus. 17Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo; porquanto vos ajuntais, não para melhor, senão para pior. 18Porque antes de tudo ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós dissensões; e em parte o creio. 19E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós. 20De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor. 21Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se. 22Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo. 23Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; 24E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. 25Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. 26Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha. 27Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. 28Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. 29Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. 30Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem. 31Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. 32Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. 33Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros. 34Mas, se algum tiver fome, coma em casa, para que não vos ajunteis para condenação. Quanto às demais coisas, ordená-las-ei quando for. 1 Coríntios 12 1ACERCA dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. 2Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados. 3Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo. 4Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. 5E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. 8Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; 9E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; 10E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. 11Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. 12Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. 13Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. 14Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. 15Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? 16E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? 17Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? 18Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. 19E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? 20Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. 21E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. 22Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; 23E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. 24Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela; 25Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. 26De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. 27Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. 28E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. 29Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? 30Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos? 31Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente. 1 Coríntios 13 1AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. 2E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. 3E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. 4O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. 5Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; 7Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; 9Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; 10Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. 11Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. 12Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. 13Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. 1 Coríntios 14 1SEGUI o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. 2Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. 3Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação. 4O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja. 5E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação. 6E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina? 7Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara? 8Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? 9Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que falando ao ar. 10Há, por exemplo, tanta espécie de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação. 11Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei bárbaro para aquele a quem falo, e o que fala será bárbaro para mim. 12Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja. 13Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar. 14Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto. 15Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. 16De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes? 17Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado. 18Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos. 19Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida. 20 Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento. 21Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor. 22De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis. 23Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? 24Mas, se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar, de todos é convencido, de todos é julgado. 25E, portanto, os segredos do seu coração ficam manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós. 26Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. 27E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. 28Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus. 29E falem dois ou três profetas, e os outros julguem. 30Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. 31Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados. 32E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. 33Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos. 34As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. 35E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja. 36Porventura saiu dentre vós a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? 37Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor. 38Mas, se alguém ignora isto, que ignore. 39Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas. 40Mas faça-se tudo decentemente e com ordem. 1 Coríntios 15 1TAMBÉM vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. 2Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. 3Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, 4E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. 5E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. 6Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. 7Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. 8E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo. 9Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus. 10Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. 11Então, ou seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim haveis crido. 12Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? 13E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. 14E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. 15E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. 16Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. 18E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. 19Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. 20Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. 21Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. 22Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. 23Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. 24Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. 25Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. 26Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. 27Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. 28E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos. 29Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos? 30Por que estamos nós também a toda a hora em perigo? 31Eu protesto que cada dia morro, gloriando-me em vós, irmãos, por Cristo Jesus nosso Senhor. 32Se, como homem, combati em Éfeso contra as bestas, que me aproveita isso, se os mortos não ressuscitam? Comamos e bebamos, que amanhã morreremos. 33Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. 34Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus; digo-o para vergonha vossa. 35Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão? 36 Insensato! o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. 37E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como de trigo, ou de outra qualquer semente. 38Mas Deus dá-lhe o corpo como quer, e a cada semente o seu próprio corpo. 39Nem toda a carne é uma mesma carne, mas uma é a carne dos homens, e outra a carne dos animais, e outra a dos peixes e outra a das aves. 40E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres. 41Uma é a glória do sol, e outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela. 42Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. 43Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. 44Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. 45Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. 46Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. 47O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu. 48Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. 49E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial. 50E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. 51Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; 52Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. 53Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. 54E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. 55Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? 56Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. 57Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. 58Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor. 1 Coríntios 16 1ORA, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. 2No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar. 3E, quando tiver chegado, mandarei os que por cartas aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém. 4E, se valer a pena que eu também vá, irão comigo. 5 Irei, porém, ter convosco depois de ter passado pela Macedônia (porque tenho de passar pela Macedônia). 6E bem pode ser que fique convosco, e passe também o inverno, para que me acompanheis aonde quer que eu for. 7Porque não vos quero agora ver de passagem, mas espero ficar convosco algum tempo, se o Senhor o permitir. 8Ficarei, porém, em Éfeso até ao Pentecostes; 9Porque uma porta grande e eficaz se me abriu; e há muitos adversários. 10E, se Timóteo for, vede que esteja sem temor convosco; porque trabalha na obra do Senhor, como eu também. 11Portanto, ninguém o despreze, mas acompanhai-o em paz, para que venha ter comigo; pois o espero com os irmãos. 12E, acerca do irmão Apolo, roguei-lhe muito que fosse com os irmãos ter convosco, mas, na verdade, não teve vontade de ir agora; irá, porém, quando se lhe oferecer boa ocasião. 13Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos. 14Todas as vossas coisas sejam feitas com amor. 15Agora vos rogo, irmãos (sabeis que a família de Estéfanas é as primícias da Acaia, e que se tem dedicado ao ministério dos santos), 16Que também vos sujeiteis aos tais, e a todo aquele que auxilia na obra e trabalha. 17Folgo, porém, com a vinda de Estéfanas, de Fortunato e de Acaico; porque estes supriram o que da vossa parte me faltava. 18Porque recrearam o meu espírito e o vosso. Reconhecei, pois, aos tais. 19As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Áqüila e Priscila, com a igreja que está em sua casa. 20Todos os irmãos vos saúdam. Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. 21Saudação da minha própria mão, de Paulo. 22Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema. Maranata! 23A graça do Senhor Jesus Cristo seja convosco. 24O meu amor seja com todos vós em Cristo Jesus. Amém. 2 Coríntios 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 2 Coríntios 1 1PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus, que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia. 2Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo. 3Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; 4Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. 5Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo. 6Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação e salvação é, a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos; 7E a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação. 8Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos. 9Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; 10O qual nos livrou de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda, 11Ajudando-nos também vós com orações por nós, para que pela mercê, que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito. 12Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e de modo particular convosco. 13Porque nenhumas outras coisas vos escrevemos, senão as que já sabeis ou também reconheceis; e espero que também até ao fim as reconhecereis. 14Como também já em parte reconhecestes em nós, que somos a vossa glória, como também vós sereis a nossa no dia do Senhor Jesus. 15E com esta confiança quis primeiro ir ter convosco, para que tivésseis uma segunda graça; 16E por vós passar à Macedônia, e da Macedônia ir outra vez ter convosco, e ser guiado por vós à Judéia. 17E, deliberando isto, usei porventura de leviandade? Ou o que delibero, o delibero segundo a carne, para que haja em mim sim, sim, e não, não? 18Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não foi sim e não. 19Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, que entre vós foi pregado por nós, isto é, por mim, Silvano e Timóteo, não foi sim e não; mas nele houve sim. 20Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós. 21Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus, 22O qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações. 23 Invoco, porém, a Deus por testemunha sobre a minha alma, que para vos poupar não tenho até agora ido a Corinto; 24Não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vosso gozo; porque pela fé estais em pé. 2 Coríntios 2 1MAS deliberei isto comigo mesmo: não ir mais ter convosco em tristeza. 2Porque, se eu vos entristeço, quem é que me alegrará, senão aquele que por mim foi contristado? 3E escrevi-vos isto mesmo, para que, quando lá for, não tenha tristeza da parte dos que deveriam alegrar-me; confiando em vós todos, que a minha alegria é a de todos vós. 4Porque em muita tribulação e angústia do coração vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que vos entristecêsseis, mas para que conhecêsseis o amor que abundantemente vos tenho. 5Porque, se alguém me contristou, não me contristou a mim senão em parte, para vos não sobrecarregar a vós todos. 6Basta-lhe ao tal esta repreensão feita por muitos. 7De maneira que pelo contrário deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo, para que o tal não seja de modo algum devorado de demasiada tristeza. 8Por isso vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor. 9E para isso vos escrevi também, para por esta prova saber se sois obedientes em tudo. 10E a quem perdoardes alguma coisa, também eu; porque, o que eu também perdoei, se é que tenho perdoado, por amor de vós o fiz na presença de Cristo; para que não sejamos vencidos por Satanás; 11Porque não ignoramos os seus ardis. 12Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e abrindo-seme uma porta no Senhor, 13Não tive descanso no meu espírito, porque não achei ali meu irmão Tito; mas, despedindo-me deles, parti para a Macedônia. 14E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento. 15Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. 16Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo? 17Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus. 2 Coríntios 3 1PORVENTURA começamos outra vez a louvar-nos a nós mesmos? Ou necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós, ou de recomendação de vós? 2Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. 3Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração. 4E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; 5Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, 6O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica. 7E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória, 8Como não será de maior glória o ministério do Espírito? 9Porque, se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais excederá em glória o ministério da justiça. 10Porque também o que foi glorificado nesta parte não foi glorificado, por causa desta excelente glória. 11Porque, se o que era transitório foi para glória, muito mais é em glória o que permanece. 12Tendo, pois, tal esperança, usamos de muita ousadia no falar. 13E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório. 14Mas os seus sentidos foram endurecidos; porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do velho testamento, o qual foi por Cristo abolido; 15E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. 16Mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará. 17Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. 18Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. 2 Coríntios 4 1POR isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; 2Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade. 3Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. 4Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. 5Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. 6Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. 7Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. 8Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. 9Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; 10Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; 11E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal. 12De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida. 13E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também, por isso também falamos. 14Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus, e nos apresentará convosco. 15Porque tudo isto é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de Deus. 16Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. 17Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; 18Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas. 2 Coríntios 5 1PORQUE sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. 2E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu; 3Se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus. 4Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados; não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. 5Ora, quem para isto mesmo nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o penhor do Espírito. 6Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor 7 (Porque andamos por fé, e não por vista). 8Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor. 9Pois que muito desejamos também ser-lhe agradáveis, quer presentes, quer ausentes. 10Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal. 11Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens à fé, mas somos manifestos a Deus; e espero que nas vossas consciências sejamos também manifestos. 12Porque não nos recomendamos outra vez a vós; mas damo-vos ocasião de vos gloriardes de nós, para que tenhais que responder aos que se gloriam na aparência e não no coração. 13Porque, se enlouquecemos, é para Deus; e, se conservamos o juízo, é para vós. 14Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. 15E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 16Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo. 17Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. 18E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; 19 Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. 20De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus. 21Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. 2 Coríntios 6 1E NÓS, cooperando também com ele, vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão 2 (Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação). 3Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado; 4Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo; na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, 5Nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, 6Na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido, 7Na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda, 8Por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama; como enganadores, e sendo verdadeiros; 9Como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como morrendo, e eis que vivemos; como castigados, e não mortos; 10Como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo. 11Ó coríntios, a nossa boca está aberta para vós, o nosso coração está dilatado. 12Não estais estreitados em nós; mas estais estreitados nos vossos próprios afetos. 13Ora, em recompensa disto, (falo como a filhos) dilatai-vos também vós. 14Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? 15E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? 16E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 17Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; 18E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso. 2 Coríntios 7 1ORA, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus. 2Recebei-nos em vossos corações; a ninguém agravamos, a ninguém corrompemos, de ninguém buscamos o nosso proveito. 3Não digo isto para vossa condenação; pois já antes tinha dito que estais em nossos corações para juntamente morrer e viver. 4Grande é a ousadia da minha fala para convosco, e grande a minha jactância a respeito de vós; estou cheio de consolação; transbordo de gozo em todas as nossas tribulações. 5Porque, mesmo quando chegamos à Macedônia, a nossa carne não teve repouso algum; antes em tudo fomos atribulados: por fora combates, temores por dentro. 6Mas Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito. 7E não somente com a sua vinda, mas também pela consolação com que foi consolado por vós, contando-nos as vossas saudades, o vosso choro, o vosso zelo por mim, de maneira que muito me regozijei. 8Porquanto, ainda que vos contristei com a minha carta, não me arrependo, embora já me tivesse arrependido por ver que aquela carta vos contristou, ainda que por pouco tempo. 9Agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma. 10Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte. 11Porque, quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio. 12Portanto, ainda que vos escrevi, não foi por causa do que fez o agravo, nem por causa do que sofreu o agravo, mas para que o vosso grande cuidado por nós fosse manifesto diante de Deus. 13Por isso fomos consolados pela vossa consolação, e muito mais nos alegramos pela alegria de Tito, porque o seu espírito foi recreado por vós todos. 14Porque, se nalguma coisa me gloriei de vós para com ele, não fiquei envergonhado; mas, como vos dissemos tudo com verdade, também a nossa glória para com Tito se achou verdadeira. 15E o seu entranhável afeto para convosco é mais abundante, lembrando-se da obediência de vós todos, e de como o recebestes com temor e tremor. 16Regozijo-me de em tudo poder confiar em vós. 2 Coríntios 8 1TAMBÉM, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia; 2Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. 3Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. 4Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos. 5E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus. 6De maneira que exortamos a Tito que, assim como antes tinha começado, assim também acabasse esta graça entre vós. 7Portanto, assim como em tudo abundais em fé, e em palavra, e em ciência, e em toda a diligência, e em vosso amor para conosco, assim também abundeis nesta graça. 8Não digo isto como quem manda, mas para provar, pela diligência dos outros, a sinceridade de vosso amor. 9Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis. 10E nisto dou o meu parecer; pois isto convém a vós que, desde o ano passado, começastes; e não foi só praticar, mas também querer. 11Agora, porém, completai também o já começado, para que, assim como houve a prontidão de vontade, haja também o cumprimento, segundo o que tendes. 12Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem. 13Mas, não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós opressão, 14Mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade; 15Como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve de menos. 16Mas, graças a Deus, que pôs a mesma solicitude por vós no coração de Tito; 17Pois aceitou a exortação, e muito diligente partiu voluntariamente para vós. 18E com ele enviamos aquele irmão cujo louvor no evangelho está espalhado em todas as igrejas. 19E não só isto, mas foi também escolhido pelas igrejas para companheiro da nossa viagem, nesta graça que por nós é ministrada para glória do mesmo Senhor, e prontidão do vosso ânimo; 20Evitando isto, que alguém nos vitupere por esta abundância, que por nós é ministrada; 21Pois zelamos do que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens. 22Com eles enviamos também outro nosso irmão, o qual muitas vezes, e em muitas coisas, já experimentamos ser diligente, e agora muito mais diligente ainda pela muita confiança que em vós tem. 23Quanto a Tito, é meu companheiro, e cooperador para convosco; quanto a nossos irmãos, são embaixadores das igrejas e glória de Cristo. 24Portanto, mostrai para com eles, e perante a face das igrejas, a prova do vosso amor, e da nossa glória acerca de vós. 2 Coríntios 9 1QUANTO à administração que se faz a favor dos santos, não necessito escrever-vos; 2Porque bem sei a prontidão do vosso ânimo, da qual me glorio de vós para com os macedônios; que a Acaia está pronta desde o ano passado; e o vosso zelo tem estimulado muitos. 3Mas enviei estes irmãos, para que a nossa glória, acerca de vós, não seja vã nesta parte; para que (como já disse) possais estar prontos, 4A fim de, se acaso os macedônios vierem comigo, e vos acharem desapercebidos, não nos envergonharmos nós (para não dizermos vós) deste firme fundamento de glória. 5Portanto, tive por coisa necessária exortar estes irmãos, para que primeiro fossem ter convosco, e preparassem de antemão a vossa bênção, já antes anunciada, para que esteja pronta como bênção, e não como avareza. 6E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará. 7Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. 8E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra; 9Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; A sua justiça permanece para sempre. 10Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça; 11Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se dêem graças a Deus. 12Porque a administração deste serviço, não só supre as necessidades dos santos, mas também é abundante em muitas graças, que se dão a Deus. 13Visto como, na prova desta administração, glorificam a Deus pela submissão, que confessais quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade de vossos dons para com eles, e para com todos; 14E pela sua oração por vós, tendo de vós saudades, por causa da excelente graça de Deus que em vós há. 15Graças a Deus, pois, pelo seu dom inefável. 2 Coríntios 10 1ALÉM disto, eu, Paulo, vos rogo, pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde, mas ausente, ousado para convosco; 2Rogo-vos, pois, que, quando estiver presente, não me veja obrigado a usar com confiança da ousadia que espero ter com alguns, que nos julgam, como se andássemos segundo a carne. 3Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. 4Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; 5Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo; 6E estando prontos para vingar toda a desobediência, quando for cumprida a vossa obediência. 7Olhais para as coisas segundo a aparência? Se alguém confia de si mesmo que é de Cristo, pense outra vez isto consigo, que, assim como ele é de Cristo, também nós de Cristo somos. 8Porque, ainda que eu me glorie mais alguma coisa do nosso poder, o qual o Senhor nos deu para edificação, e não para vossa destruição, não me envergonharei. 9Para que não pareça como se quisera intimidar-vos por cartas. 10Porque as suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra desprezível. 11Pense o tal isto, que, quais somos na palavra por cartas, estando ausentes, tais seremos também por obra, estando presentes. 12Porque não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos; mas estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento. 13Porém, não nos gloriaremos fora da medida, mas conforme a reta medida que Deus nos deu, para chegarmos até vós; 14Porque não nos estendemos além do que convém, como se não houvéssemos de chegar até vós, pois já chegamos também até vós no evangelho de Cristo, 15Não nos gloriando fora da medida nos trabalhos alheios; antes tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos abundantemente engrandecidos entre vós, conforme a nossa regra, 16Para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós e não em campo de outrem, para não nos gloriarmos no que estava já preparado. 17Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. 18Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, mas, sim, aquele a quem o Senhor louva. 2 Coríntios 11 1QUISERA eu me suportásseis um pouco na minha loucura! Suportai-me, porém, ainda. 2Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo. 3Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. 4Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofreríeis. 5Porque penso que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos. 6E, se sou rude na palavra, não o sou contudo na ciência; mas já em todas as coisas nos temos feito conhecer totalmente entre vós. 7Pequei, porventura, humilhando-me a mim mesmo, para que vós fôsseis exaltados, porque de graça vos anunciei o evangelho de Deus? 8Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário; e quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado. 9Porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei de vos ser pesado, e ainda me guardarei. 10Como a verdade de Cristo está em mim, esta glória não me será impedida nas regiões da Acaia. 11Por quê? Porque não vos amo? Deus o sabe. 12Mas o que eu faço o farei, para cortar ocasião aos que buscam ocasião, a fim de que, naquilo em que se gloriam, sejam achados assim como nós. 13Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. 14E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. 15Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras. 16Outra vez digo: Ninguém me julgue insensato, ou então recebei-me como insensato, para que também me glorie um pouco. 17O que digo, não o digo segundo o Senhor, mas como por loucura, nesta confiança de gloriar-me. 18Pois que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei. 19Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos. 20Pois sois sofredores, se alguém vos põe em servidão, se alguém vos devora, se alguém vos apanha, se alguém se exalta, se alguém vos fere no rosto. 21Envergonhado o digo, como se nós fôssemos fracos, mas no que qualquer tem ousadia (com insensatez falo) também eu tenho ousadia. 22São hebreus? também eu. São israelitas? também eu. São descendência de Abraão? também eu. 23São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. 24Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. 25Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; 26Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; 27Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. 28Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas. 29Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abrase? 30Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. 31O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto. 32Em Damasco, o que governava sob o rei Aretas pôs guardas às portas da cidade dos damascenos, para me prenderem. 33E fui descido num cesto por uma janela da muralha; e assim escapei das suas mãos. 2 Coríntios 12 1EM verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor. 2Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo, não sei, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu. 3E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) 4Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar. 5De alguém assim me gloriarei eu, mas de mim mesmo não me gloriarei, senão nas minhas fraquezas. 6Porque, se quiser gloriar-me, não serei néscio, porque direi a verdade; mas deixo isto, para que ninguém cuide de mim mais do que em mim vê ou de mim ouve. 7E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. 8Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. 9E disseme: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. 10Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte. 11Fui néscio em gloriar-me; vós me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós, visto que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos, ainda que nada sou. 12Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas. 13Pois, em que tendes vós sido inferiores às outras igrejas, a não ser que eu mesmo vos não fui pesado? Perdoai-me este agravo. 14Eis aqui estou pronto para pela terceira vez ir ter convosco, e não vos serei pesado, pois que não busco o que é vosso, mas sim a vós: porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos. 15Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado. 16Mas seja assim; eu não vos fui pesado mas, sendo astuto, vos tomei com dolo. 17Porventura aproveitei-me de vós por algum daqueles que vos enviei? 18Roguei a Tito, e enviei com ele um irmão. Porventura Tito se aproveitou de vós? Não andamos porventura no mesmo espírito, sobre as mesmas pisadas? 19Cuidais que ainda nos desculpamos convosco? Falamos em Cristo perante Deus, e tudo isto, ó amados, para vossa edificação. 20Porque receio que, quando chegar, não vos ache como eu quereria, e eu seja achado de vós como não quereríeis; que de alguma maneira haja pendências, invejas, iras, porfias, detrações, mexericos, orgulhos, tumultos; 21Que, quando for outra vez, o meu Deus me humilhe para convosco, e chore por muitos daqueles que dantes pecaram, e não se arrependeram da imundícia, e fornicação, e desonestidade que cometeram. 2 Coríntios 13 1É ESTA a terceira vez que vou ter convosco. Por boca de duas ou três testemunhas será confirmada toda a palavra. 2Já anteriormente o disse, e segunda vez o digo como quando estava presente; mas agora, estando ausente, o escrevo aos que antes pecaram e a todos os mais, que, se outra vez for, não lhes perdoarei; 3Visto que buscais uma prova de Cristo que fala em mim, o qual não é fraco para convosco, antes é poderoso entre vós. 4Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive, contudo, pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus em vós. 5Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. 6Mas espero que entendereis que nós não somos reprovados. 7Ora, eu rogo a Deus que não façais mal algum, não para que sejamos achados aprovados, mas para que vós façais o bem, embora nós sejamos como reprovados. 8Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade. 9Porque nos regozijamos de estar fracos, quando vós estais fortes; e o que desejamos é a vossa perfeição. 10Portanto, escrevo estas coisas estando ausente, para que, estando presente, não use de rigor, segundo o poder que o Senhor me deu para edificação, e não para destruição. 11Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco. 12Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. 13Todos os santos vos saúdam. 14A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém. Gálatas 1 2 3 4 5 6 Gálatas 1 1PAULO, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos), 2E todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia: 3Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo, 4O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, 5Ao qual seja dada glória para todo o sempre. Amém. 6Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; 7O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. 8Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. 9Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. 10Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. 11Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. 12Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo. 13Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava. 14E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais. 15Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, 16Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue, 17Nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco. 18Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias. 19E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. 20Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto. 21Depois fui para as partes da Síria e da Cilícia. 22E não era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo; 23Mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía. 24E glorificavam a Deus a respeito de mim. Gálatas 2 1DEPOIS, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito. 2E subi por uma revelação, e lhes expus o evangelho, que prego entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão. 3Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se; 4E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão; 5Aos quais nem ainda por uma hora cedemos com sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós. 6E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram; 7Antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão 8 (Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios), 9E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão; 10Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência. 11E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. 12Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. 13E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. 14Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? 15Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios. 16Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. 17Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma. 18Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor. 19Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. 20Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. 21Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde. Gálatas 3 1Ó INSENSATOS gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós? 2Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 3Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? 4Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão. 5Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, o faz pelas obras da lei, ou pela pregação da fé? 6Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. 7Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. 8Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. 9De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão. 10Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. 11E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. 12Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá. 13Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; 14Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito. 15 Irmãos, como homem falo; se a aliança de um homem for confirmada, ninguém a anula nem a acrescenta. 16Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo. 17Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa. 18Porque, se a herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão. 19Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita; e foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro. 20Ora, o medianeiro não o é de um só, mas Deus é um. 21Logo, a lei é contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte; porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei. 22Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. 23Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. 24De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. 25Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. 26Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. 27Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. 28Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. 29E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa. Gálatas 4 1DIGO, pois, que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo; 2Mas está debaixo de tutores e curadores até ao tempo determinado pelo pai. 3Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo. 4Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, 5Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. 6E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. 7Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo. 8Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. 9Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? 10Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. 11Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco. 12 Irmãos, rogo-vos que sejais como eu, porque também eu sou como vós; nenhum mal me fizestes. 13E vós sabeis que primeiro vos anunciei o evangelho estando em fraqueza da carne; 14E não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne, antes me recebestes como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo. 15Qual é, logo, a vossa bem-aventurança? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos, e mos daríeis. 16Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade? 17Eles têm zelo por vós, não como convém; mas querem excluir-vos, para que vós tenhais zelo por eles. 18É bom ser zeloso, mas sempre do bem, e não somente quando estou presente convosco. 19Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós; 20Eu bem quisera agora estar presente convosco, e mudar a minha voz; porque estou perplexo a vosso respeito. 21Dizei-me, os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei? 22Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. 23Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa. 24O que se entende por alegoria; porque estas são as duas alianças; uma, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. 25Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. 26Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós. 27Porque está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz; Esforça-te e clama, tu que não estás de parto; Porque os filhos da solitária são mais do que os da que tem marido. 28Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa como Isaque. 29Mas, como então aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que o era segundo o Espírito, assim é também agora. 30Mas que diz a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre. 31De maneira que, irmãos, somos filhos, não da escrava, mas da livre. Gálatas 5 1ESTAI, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão. 2Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. 3E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. 4Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído. 5Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça. 6Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor. 7Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade? 8Esta persuasão não vem daquele que vos chamou. 9Um pouco de fermento leveda toda a massa. 10Confio de vós, no Senhor, que nenhuma outra coisa sentireis; mas aquele que vos inquieta, seja ele quem for, sofrerá a condenação. 11Eu, porém, irmãos, se prego ainda a circuncisão, por que sou, pois, perseguido? Logo o escândalo da cruz está aniquilado. 12Eu quereria que fossem cortados aqueles que vos andam inquietando. 13Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. 14Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. 15Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros. 16Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. 17Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. 18Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. 19Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, 20 Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, 21 Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. 22Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. 23Contra estas coisas não há lei. 24E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. 25Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito. 26Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejandonos uns aos outros. Gálatas 6 1 IRMÃOS, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado. 2Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. 3Porque, se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo. 4Mas prove cada um a sua própria obra, e terá glória só em si mesmo, e não noutro. 5Porque cada qual levará a sua própria carga. 6E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui. 7Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. 8Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. 9E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. 10Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé. 11Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão. 12Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. 13Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne. 14Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. 15Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura. 16E a todos quantos andarem conforme esta regra, paz e misericórdia sobre eles e sobre o Israel de Deus. 17Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus. 18A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito! Amém. Efésios 1 2 3 4 5 6 Efésios 1 1PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus: 2A vós graça, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo! 3Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; 4Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; 5E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, 6Para louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, 7Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, 8Que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência; 9Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, 10De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; 11Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; 12Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo; 13Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; 14O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória. 15Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, 16Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações: 17Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; 18Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; 19E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, 20Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, 21Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; 22E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, 23Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos. Efésios 2 1E VOS vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, 2Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; 3Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. 4Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, 5Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), 6E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; 7Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. 8Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. 9Não vem das obras, para que ninguém se glorie; 10Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. 11Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; 12Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. 13Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. 14Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, 15Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, 16E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. 17E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; 18Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. 19Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; 20Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; 21No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. 22No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito. Efésios 3 1POR esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios; 2Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; 3Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi; 4Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, 5O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas; 6A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho; 7Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder. 8A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, 9E demonstrar a todos qual seja a comunhão do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; 10Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, 11Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor, 12No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele. 13Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, que são a vossa glória. 14Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, 15Do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, 16Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; 17Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, 18Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, 19E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. 20Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, 21A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém. Efésios 4 1ROGO-VOS, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, 2Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, 3Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. 4Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; 5Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; 6Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós. 7Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo. 8Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens. 9Ora, isto - ele subiu - que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra? 10Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. 11E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, 12Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; 13Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, 14Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. 15Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, 16Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor. 17E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente. 18Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração; 19Os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza. 20Mas vós não aprendestes assim a Cristo, 21Se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus; 22Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; 23E vos renoveis no espírito da vossa mente; 24E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade. 25Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros. 26 Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. 27Não deis lugar ao diabo. 28Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade. 29Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem. 30E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. 31Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós, 32Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo. Efésios 5 1SEDE, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; 2E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. 3Mas a fornicação, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos; 4Nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes, ações de graças. 5Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. 6Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. 7Portanto, não sejais seus companheiros. 8Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz 9 (Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade); 10Aprovando o que é agradável ao Senhor. 11E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as. 12Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe. 13Mas todas estas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta. 14Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. 15Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, 16Remindo o tempo; porquanto os dias são maus. 17Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. 18E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; 19Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; 20Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo; 21Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus. 22Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; 23Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. 24De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. 25Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, 26Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, 27Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. 28Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. 29Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; 30Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. 31Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. 32Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. 33Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido. Efésios 6 1VÓS, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. 2Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; 3Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. 4E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor. 5Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo; 6Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; 7Servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens. 8Sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre. 9E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor vosso está no céu, e que para com ele não há acepção de pessoas. 10No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. 11Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. 12Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. 13Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. 14Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça; 15E calçados os pés na preparação do evangelho da paz; 16Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. 17Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; 18Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos, 19E por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho, 20Pelo qual sou embaixador em cadeias; para que possa falar dele livremente, como me convém falar. 21Ora, para que vós também possais saber dos meus negócios, e o que eu faço, Tíquico, irmão amado, e fiel ministro do Senhor, vos informará de tudo. 22O qual vos enviei para o mesmo fim, para que saibais do nosso estado, e ele console os vossos corações. 23Paz seja com os irmãos, e amor com fé da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo. 24A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém. Filipenses 1 2 3 4 Filipenses 1 1PAULO e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus, que estão em Filipos, com os bispos e diáconos: 2Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e da do Senhor Jesus Cristo. 3Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, 4Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas, 5Pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora. 6Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo; 7Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho. 8Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo. 9E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento, 10Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo; 11Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus. 12E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho; 13De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares; 14E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor. 15Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade; 16Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. 17Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho. 18Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda. 19Porque sei que disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo, 20Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. 21Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. 22Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. 23Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. 24Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne. 25E, tendo esta confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para proveito vosso e gozo da fé, 26Para que a vossa glória cresça por mim em Cristo Jesus, pela minha nova ida a vós. 27Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho. 28E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas para vós de salvação, e isto de Deus. 29Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele, 30Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis estar em mim. Filipenses 2 1PORTANTO, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, 2Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. 3Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. 4Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. 5De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 6Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, 7Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; 8E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. 9Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; 10Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, 11E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. 12De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; 13Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. 14Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; 15Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; 16Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriarme de não ter corrido nem trabalhado em vão. 17E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós. 18E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo. 19E espero no Senhor Jesus que em breve vos mandarei Timóteo, para que também eu esteja de bom ânimo, sabendo dos vossos negócios. 20Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide do vosso estado; 21Porque todos buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus. 22Mas bem sabeis qual a sua experiência, e que serviu comigo no evangelho, como filho ao pai. 23De sorte que espero vo-lo enviar logo que tenha provido a meus negócios. 24Mas confio no Senhor, que também eu mesmo em breve irei ter convosco. 25Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado para prover às minhas necessidades. 26Porquanto tinha muitas saudades de vós todos, e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente. 27E de fato esteve doente, e quase à morte; mas Deus se apiedou dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza. 28Por isso vo-lo enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos tristeza. 29Recebei-o, pois, no Senhor com todo o gozo, e tende-o em honra; 30Porque pela obra de Cristo chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da vida para suprir para comigo a falta do vosso serviço. Filipenses 3 1RESTA, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós. 2Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão; 3Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne. 4Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: 5Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; 6Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. 7Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. 8E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, 9E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; 10Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte; 11Para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dentre os mortos. 12Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. 13 Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, 14Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. 15Por isso todos quantos já somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará. 16Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra, e sintamos o mesmo. 17Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam. 18Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, 19Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. 20Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, 21Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas. Filipenses 4 1PORTANTO, meus amados e mui queridos irmãos, minha alegria e coroa, estai assim firmes no Senhor, amados. 2Rogo a Evódia, e rogo a Síntique, que sintam o mesmo no Senhor. 3E peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os meus outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida. 4Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos. 5Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor. 6Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. 7E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. 8Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. 9O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco. 10Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade. 11Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. 12Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. 13Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece. 14Todavia fizestes bem em tomar parte na minha aflição. 15E bem sabeis também, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente; 16Porque também uma e outra vez me mandastes o necessário a Tessalônica. 17Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta. 18Mas bastante tenho recebido, e tenho abundância. Cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus. 19O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus. 20Ora, a nosso Deus e Pai seja dada glória para todo o sempre. Amém. 21Saudai a todos os santos em Cristo Jesus. Os irmãos que estão comigo vos saúdam. 22Todos os santos vos saúdam, mas principalmente os que são da casa de César. 23A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vós todos. Amém. Colossenses 1 2 3 4 Colossenses 1 1PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, 2Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. 3Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós, 4Porquanto ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes para com todos os santos; 5Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, 6Que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade; 7Como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo, 8O qual nos declarou também o vosso amor no Espírito. 9Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; 10Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus; 11Corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo; 12Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; 13O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; 14Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; 15O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; 16Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. 17E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. 18E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. 19Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, 20E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. 21A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou 22No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, 23Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro. 24Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; 25Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus; 26O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos; 27Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; 28A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo; 29E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente. Colossenses 2 1PORQUE quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e por quantos não viram o meu rosto em carne; 2Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo, 3Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência. 4E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas. 5Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo. 6Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, 7Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças. 8Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; 9Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; 10E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade; 11No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, pela circuncisão de Cristo; 12Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. 13E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, 14Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. 15E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo. 16Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, 17Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. 18Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, 19E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. 20Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: 21Não toques, não proves, não manuseies? 22As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; 23As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne. Colossenses 3 1PORTANTO, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. 2Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; 3Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 4Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. 5Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; 6Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; 7Nas quais, também, em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas. 8Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca. 9Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, 10E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; 11Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo, e em todos. 12Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; 13Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. 14E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. 15E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. 16A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. 17E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. 18Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor. 19Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas. 20Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. 21Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo. 22Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus. 23E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens, 24Sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis. 25Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer; pois não há acepção de pessoas. Colossenses 4 1VÓS, senhores, fazei o que for de justiça e eqüidade a vossos servos, sabendo que também tendes um Senhor nos céus. 2Perseverai em oração, velando nela com ação de graças; 3Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso; 4Para que o manifeste, como me convém falar. 5Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo. 6A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um. 7Tíquico, irmão amado e fiel ministro, e conservo no Senhor, vos fará saber o meu estado; 8O qual vos enviei para o mesmo fim, para que saiba do vosso estado e console os vossos corações; 9Juntamente com Onésimo, amado e fiel irmão, que é dos vossos; eles vos farão saber tudo o que por aqui se passa. 10Aristarco, que está preso comigo, vos saúda, e Marcos, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o; 11E Jesus, chamado Justo; os quais são da circuncisão; são estes unicamente os meus cooperadores no reino de Deus; e para mim têm sido consolação. 12Saúda-vos Epafras, que é dos vossos, servo de Cristo, combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus. 13Pois eu lhe dou testemunho de que tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e pelos que estão em Hierápolis. 14Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas. 15Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa. 16E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também. 17E dizei a Arquipo: Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras. 18Saudação de minha mão, de Paulo. Lembrai-vos das minhas prisões. A graça seja convosco. Amém. 1 Tessalonicenses 1 2 3 4 5 1 Tessalonicenses 1 1PAULO, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus, o Pai, e no Senhor Jesus Cristo: Graça e paz tenhais de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. 2Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações, 3Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai, 4Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus; 5Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós. 6E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo. 7De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na Macedônia e Acaia. 8Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na Macedônia e Acaia, mas também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma; 9Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, 10E esperar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura. 1 Tessalonicenses 2 1PORQUE vós mesmos, irmãos, bem sabeis que a nossa entrada para convosco não foi vã; 2Mas, mesmo depois de termos antes padecido, e sido agravados em Filipos, como sabeis, tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de Deus com grande combate. 3Porque a nossa exortação não foi com engano, nem com imundícia, nem com fraudulência; 4Mas, como fomos aprovados de Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações. 5Porque, como bem sabeis, nunca usamos de palavras lisonjeiras, nem houve um pretexto de avareza; Deus é testemunha; 6E não buscamos glória dos homens, nem de vós, nem de outros, ainda que podíamos, como apóstolos de Cristo, servos pesados; 7Antes fomos brandos entre vós, como a ama que cria seus filhos. 8Assim nós, sendo-vos tão afeiçoados, de boa vontade quiséramos comunicarvos, não somente o evangelho de Deus, mas ainda as nossas próprias almas; porquanto nos éreis muito queridos. 9Porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus. 10Vós e Deus sois testemunhas de quão santa, e justa, e irrepreensivelmente nos houvemos para convosco, os que crestes. 11Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos e testemunhávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos; 12Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória. 13Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes. 14Porque vós, irmãos, haveis sido feitos imitadores das igrejas de Deus que na Judéia estão em Jesus Cristo; porquanto também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que os judeus lhes fizeram a eles, 15Os quais também mataram o Senhor Jesus e os seus próprios profetas, e nos têm perseguido; e não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens, 16E nos impedem de pregar aos gentios as palavras da salvação, a fim de encherem sempre a medida de seus pecados; mas a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim. 17Nós, porém, irmãos, sendo privados de vós por um momento de tempo, de vista, mas não do coração, tanto mais procuramos com grande desejo ver o vosso rosto; 18Por isso bem quisemos uma e outra vez ir ter convosco, pelo menos eu, Paulo, mas Satanás no-lo impediu. 19Porque, qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória? Porventura não o sois vós também diante de nosso Senhor Jesus Cristo em sua vinda? 20Na verdade vós sois a nossa glória e gozo. 1 Tessalonicenses 3 1POR isso, não podendo esperar mais, achamos por bem ficar sozinhos em Atenas; 2E enviamos Timóteo, nosso irmão, e ministro de Deus, e nosso cooperador no evangelho de Cristo, para vos confortar e vos exortar acerca da vossa fé; 3Para que ninguém se comova por estas tribulações; porque vós mesmos sabeis que para isto fomos ordenados, 4Pois, estando ainda convosco, vos predizíamos que havíamos de ser afligidos, como sucedeu, e vós o sabeis. 5Portanto, não podendo eu também esperar mais, mandei-o saber da vossa fé, temendo que o tentador vos tentasse, e o nosso trabalho viesse a ser inútil. 6Vindo, porém, agora Timóteo de vós para nós, e trazendo-nos boas novas da vossa fé e amor, e de como sempre tendes boa lembrança de nós, desejando muito ver-nos, como nós também a vós; 7Por esta razão, irmãos, ficamos consolados acerca de vós, em toda a nossa aflição e necessidade, pela vossa fé, 8Porque agora vivemos, se estais firmes no Senhor. 9Porque, que ação de graças poderemos dar a Deus por vós, por todo o gozo com que nos regozijamos por vossa causa diante do nosso Deus, 10Orando abundantemente dia e noite, para que possamos ver o vosso rosto, e supramos o que falta à vossa fé? 11Ora, o mesmo nosso Deus e Pai, e nosso Senhor Jesus Cristo, encaminhe a nossa viagem para vós. 12E o Senhor vos aumente, e faça crescer em amor uns para com os outros, e para com todos, como também o fazemos para convosco; 13Para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos. 1 Tessalonicenses 4 1FINALMENTE, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus, que assim como recebestes de nós, de que maneira convém andar e agradar a Deus, assim andai, para que possais progredir cada vez mais. 2Porque vós bem sabeis que mandamentos vos temos dado pelo Senhor Jesus. 3Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação; 4Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; 5Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus. 6Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos. 7Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação. 8Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas sim a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo. 9Quanto, porém, ao amor fraternal, não necessitais de que vos escreva, visto que vós mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros; 10Porque também já assim o fazeis para com todos os irmãos que estão por toda a Macedônia. Exortamo-vos, porém, a que ainda nisto aumenteis cada vez mais. 11E procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado; 12Para que andeis honestamente para com os que estão de fora, e não necessiteis de coisa alguma. 13Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. 14Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. 15Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. 16Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. 17Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 18Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras. 1 Tessalonicenses 5 1MAS, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; 2Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; 3Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão. 4Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; 5Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. 6Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios; 7Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam, embebedamse de noite. 8Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação; 9Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, 10Que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele. 11Por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis. 12E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; 13E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós. 14Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos. 15Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos. 16Regozijai-vos sempre. 17Orai sem cessar. 18Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. 19Não extingais o Espírito. 20Não desprezeis as profecias. 21Examinai tudo. Retende o bem. 22Abstende-vos de toda a aparência do mal. 23E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. 24Fiel é o que vos chama, o qual também o fará. 25 Irmãos, orai por nós. 26Saudai a todos os irmãos com ósculo santo. 27Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos. 28A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém. 2 Tessalonicenses 1 2 3 2 Tessalonicenses 1 1PAULO, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo: 2Graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo. 3Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé cresce muitíssimo e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros, 4De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais; 5Prova clara do justo juízo de Deus, para que sejais havidos por dignos do reino de Deus, pelo qual também padeceis; 6Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, 7E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, 8Com labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; 9Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, longe da face do Senhor e da glória do seu poder, 10Quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem (porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós). 11Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder; 12Para que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja em vós glorificado, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo. 2 Tessalonicenses 2 1ORA, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, 2Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. 3Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, 4O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. 5Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava convosco? 6E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. 7Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado; 8E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; 9A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, 10E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. 11E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; 12Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade. 13Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade; 14Para o que pelo nosso evangelho vos chamou, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. 15Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa. 16E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo e nosso Deus e Pai, que nos amou, e em graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança, 17Console os vossos corações, e vos confirme em toda a boa palavra e obra. 2 Tessalonicenses 3 1NO demais, irmãos, rogai por nós, para que a palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada, como também o é entre vós; 2E para que sejamos livres de homens dissolutos e maus; porque a fé não é de todos. 3Mas fiel é o Senhor, que vos confirmará, e guardará do maligno. 4E confiamos quanto a vós no Senhor, que não só fazeis como fareis o que vos mandamos. 5Ora o Senhor encaminhe os vossos corações no amor de Deus, e na paciência de Cristo. 6Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu. 7Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós, 8Nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. 9Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes. 10Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. 11Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. 12A esses tais, porém, mandamos, e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. 13E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem. 14Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. 15Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão. 16Ora, o mesmo Senhor da paz vos dê sempre paz de toda a maneira. O Senhor seja com todos vós. 17Saudação da minha própria mão, de mim, Paulo, que é o sinal em todas as epístolas; assim escrevo. 18A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém. 1 Timóteo 1 2 3 4 5 6 1 Timóteo 1 1PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, segundo o mandado de Deus, nosso Salvador, e do Senhor Jesus Cristo, esperança nossa, 2A Timóteo meu verdadeiro filho na fé: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus nosso Pai, e da de Cristo Jesus, nosso Senhor. 3Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina, 4Nem se dêem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora. 5Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida. 6Do que, desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas; 7Querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam. 8Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usa legitimamente; 9Sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, 10Para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina, 11Conforme o evangelho da glória de Deus bemaventurado, que me foi confiado. 12E dou graças ao que me tem confortado, a Cristo Jesus Senhor nosso, porque me teve por fiel, pondo-me no ministério; 13A mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade. 14E a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e amor que há em Jesus Cristo. 15Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. 16Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna. 17Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém. 18Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia; 19Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé. 20E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar. 1 Timóteo 2 1ADMOESTO-TE, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; 2Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; 3Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, 4Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. 5Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. 6O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo. 7Para o que (digo a verdade em Cristo, não minto) fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios na fé e na verdade. 8Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda. 9Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, 10Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras. 11A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. 12Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. 13Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. 14E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. 15Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação. 1 Timóteo 3 1ESTA é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. 2Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; 3Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; 4Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia 5 (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); 6Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. 7Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo. 8Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância; 9Guardando o mistério da fé numa consciência pura. 10E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis. 11Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo. 12Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas. 13Porque os que servirem bem como diáconos, adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus. 14Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te bem depressa; 15Mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade. 16E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória. 1 Timóteo 4 1MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; 2Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; 3Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças; 4Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças. 5Porque pela palavra de Deus e pela oração é santificada. 6Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. 7Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade; 8Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir. 9Esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação; 10Porque para isto trabalhamos e somos injuriados, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis. 11Manda estas coisas e ensina-as. 12Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. 13Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. 14Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. 15Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. 16Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem. 1 Timóteo 5 1NÃO repreendas asperamente o ancião, mas admoesta-o como a pai; aos moços como a irmãos; 2As mulheres idosas, como a mães, às moças, como a irmãs, em toda a pureza. 3Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas. 4Mas, se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus. 5Ora, a que é verdadeiramente viúva e desamparada espera em Deus, e persevera de noite e de dia em rogos e orações; 6Mas a que vive em deleites, vivendo está morta. 7Manda, pois, estas coisas, para que elas sejam irrepreensíveis. 8Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel. 9Nunca seja inscrita viúva com menos de sessenta anos, e só a que tenha sido mulher de um só marido; 10Tendo testemunho de boas obras: Se criou os filhos, se exercitou hospitalidade, se lavou os pés aos santos, se socorreu os aflitos, se praticou toda a boa obra. 11Mas não admitas as viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristo, querem casar-se; 12Tendo já a sua condenação por haverem aniquilado a primeira fé. 13E, além disto, aprendem também a andar ociosas de casa em casa; e não só ociosas, mas também paroleiras e curiosas, falando o que não convém. 14Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa, e não dêem ocasião ao adversário de maldizer; 15Porque já algumas se desviaram, indo após Satanás. 16Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar as que deveras são viúvas. 17Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; 18Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário. 19Não aceites acusação contra o presbítero, senão com duas ou três testemunhas. 20Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor. 21Conjuro-te diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade. 22A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro. 23Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades. 24Os pecados de alguns homens são manifestos, precedendo o juízo; e em alguns manifestam-se depois. 25Assim mesmo também as boas obras são manifestas, e as que são de outra maneira não podem ocultar-se. 1 Timóteo 6 1TODOS os servos que estão debaixo do jugo estimem a seus senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. 2E os que têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes os sirvam melhor, porque eles, que participam do benefício, são crentes e amados. Isto ensina e exorta. 3Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, 4É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, 5Perversas contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais. 6Mas é grande ganho a piedade com contentamento. 7Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. 8Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. 9Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. 10Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. 11Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. 12Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas. 13Mando-te diante de Deus, que todas as coisas vivifica, e de Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão, 14Que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo; 15A qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; 16Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém. 17Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; 18Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis; 19Que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam se apoderar da vida eterna. 20Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência, 21A qual, professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja contigo. Amém. 2 Timóteo 1 2 3 4 2 Timóteo 1 1PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, segundo a promessa da vida que está em Cristo Jesus, 2A Timóteo, meu amado filho: Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da de Cristo Jesus, Senhor nosso. 3Dou graças a Deus, a quem desde os meus antepassados sirvo com uma consciência pura, de que sem cessar faço memória de ti nas minhas orações noite e dia; 4Desejando muito ver-te, lembrando-me das tuas lágrimas, para me encher de gozo; 5Trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti. 6Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos. 7Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação. 8Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, 9Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos; 10E que é manifesta agora pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho; 11Para o que fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios. 12Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia. 13Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus. 14Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós. 15Bem sabes isto, que os que estão na Ásia todos se apartaram de mim; entre os quais foram Figelo e Hermógenes. 16O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes me recreou, e não se envergonhou das minhas cadeias. 17Antes, vindo ele a Roma, com muito cuidado me procurou e me achou. 18O Senhor lhe conceda que naquele dia ache misericórdia diante do Senhor. E, quanto me ajudou em Éfeso, melhor o sabes tu. 2 Timóteo 2 1TU, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus. 2E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros. 3Tu pois, sofre as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. 4Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. 5E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente. 6O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos. 7Considera o que digo, e o Senhor te dê entendimento em tudo. 8Lembra-te de que Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dentre os mortos, segundo o meu evangelho; 9Por isso sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a palavra de Deus não está presa. 10Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna. 11Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; 12Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; 13Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo. 14Traze estas coisas à memória, ordenando-lhes diante do Senhor que não tenham contendas de palavras, que para nada aproveitam e são para perversão dos ouvintes. 15Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. 16Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. 17E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; 18Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns. 19Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade. 20Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. 21De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra. 22Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor. 23E rejeita as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas. 24E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; 25 Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, 26E tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos. 2 Timóteo 3 1SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. 2Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, 3Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, 4Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, 5Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. 6Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; 7Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. 8E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. 9Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles. 10Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência, 11Perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio, e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou; 12E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições. 13Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados. 14Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, 15E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. 16Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; 17Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra. 2 Timóteo 4 1CONJURO-TE, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, 2Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. 3Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; 4E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. 5Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. 6Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. 7Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. 8Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. 9Procura vir ter comigo depressa, 10Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica, Crescente para Galácia, Tito para Dalmácia. 11Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério. 12Também enviei Tíquico a Éfeso. 13Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. 14Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras. 15Tu, guarda-te também dele, porque resistiu muito às nossas palavras. 16Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado. 17Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão. 18E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém. 19Saúda a Prisca e a Áqüila, e à casa de Onesíforo. 20Erasto ficou em Corinto, e deixei Trófimo doente em Mileto. 21Procura vir antes do inverno. Êubulo, e Prudente, e Lino, e Cláudia, e todos os irmãos te saúdam. 22O Senhor Jesus Cristo seja com o teu espírito. A graça seja convosco. Amém. Tito 1 2 3 Tito 1 1PAULO, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade, 2Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos; 3Mas a seu tempo manifestou a sua palavra pela pregação que me foi confiada segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador; 4A Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador. 5Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei: 6Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. 7Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; 8Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; 9Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes. 10Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, 11Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. 12Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos. 13Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé. 14Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade. 15Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados. 16Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra. Tito 2 1TU, porém, fala o que convém à sã doutrina. 2Os velhos, que sejam sóbrios, graves, prudentes, sãos na fé, no amor, e na paciência; 3As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem; 4Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, 5A serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada. 6Exorta semelhantemente os jovens a que sejam moderados. 7Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, 8Linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de vós. 9Exorta os servos a que se sujeitem a seus senhores, e em tudo agradem, não contradizendo, 10Não defraudando, antes mostrando toda a boa lealdade, para que em tudo sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador. 11Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, 12Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, 13Aguardando a bemaventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo; 14O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras. 15Fala disto, e exorta e repreende com toda a autoridade. Ninguém te despreze. Tito 3 1ADMOESTA-OS a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda a boa obra; 2Que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens. 3Porque também nós éramos noutro tempo insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros. 4Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, 5Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, 6Que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador; 7Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna. 8Fiel é a palavra, e isto quero que deveras afirmes, para que os que crêem em Deus procurem aplicar-se às boas obras; estas coisas são boas e proveitosas aos homens. 9Mas não entres em questões loucas, genealogias e contendas, e nos debates acerca da lei; porque são coisas inúteis e vãs. 10Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, 11Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado. 12Quando te enviar Ártemas, ou Tíquico, procura vir ter comigo a Nicópolis; porque deliberei invernar ali. 13Acompanha com muito cuidado Zenas, doutor da lei, e Apolo, para que nada lhes falte. 14E os nossos aprendam também a aplicar-se às boas obras, nas coisas necessárias, para que não sejam infrutuosos. 15Saúdam-te todos os que estão comigo. Saúda tu os que nos amam na fé. A graça seja com vós todos. Amém. Filemom 1 Filemom 1 1PAULO, prisioneiro de Jesus Cristo, e o irmão Timóteo, ao amado Filemom, nosso cooperador, 2E à nossa amada Áfia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa: 3Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 4Graças dou ao meu Deus, lembrando-me sempre de ti nas minhas orações; 5Ouvindo do teu amor e da fé que tens para com o Senhor Jesus Cristo, e para com todos os santos; 6Para que a comunicação da tua fé seja eficaz no conhecimento de todo o bem que em vós há por Cristo Jesus. 7Porque temos grande gozo e consolação do teu amor, porque por ti, ó irmão, as entranhas dos santos foram recreadas. 8Por isso, ainda que tenha em Cristo grande confiança para te mandar o que te convém, 9Todavia peço-te antes por amor, sendo eu tal como sou, Paulo o velho, e também agora prisioneiro de Jesus Cristo. 10Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões; 11O qual noutro tempo te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil; eu to tornei a enviar. 12E tu torna a recebê-lo como às minhas entranhas. 13Eu bem o quisera conservar comigo, para que por ti me servisse nas prisões do evangelho; 14Mas nada quis fazer sem o teu parecer, para que o teu benefício não fosse como por força, mas, voluntário. 15Porque bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre, 16Não já como servo, antes, mais do que servo, como irmão amado, particularmente de mim, e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor? 17Assim, pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo. 18E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta. 19Eu, Paulo, de minha própria mão o escrevi; eu o pagarei, para te não dizer que ainda mesmo a ti próprio a mim te deves. 20Sim, irmão, eu me regozijarei de ti no Senhor; recreia as minhas entranhas no Senhor. 21Escrevi-te confiado na tua obediência, sabendo que ainda farás mais do que digo. 22E juntamente prepara-me também pousada, porque espero que pelas vossas orações vos hei de ser concedido. 23Saúdam-te Epafras, meu companheiro de prisão por Cristo Jesus, 24Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores. 25A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito. Amém. Hebreus 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Hebreus 1 1HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, 2A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. 3O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; 4Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles. 5Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho? 6E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem. 7E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo. 8Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. 9Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros. 10E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. 11Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, 12E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão. 13E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés? 14Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação? Hebreus 2 1PORTANTO, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. 2Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, 3Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; 4Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade? 5Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos. 6Mas em certo lugar testificou alguém, dizendo: Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites? 7Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, De glória e de honra o coroaste, E o constituíste sobre as obras de tuas mãos; 8Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas. 9Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. 10Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o Príncipe da salvação deles. 11Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos, 12Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação. 13E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu. 14E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; 15E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. 16Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. 17Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. 18Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados. Hebreus 3 1POR isso, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão, 2Sendo fiel ao que o constituiu, como também o foi Moisés em toda a sua casa. 3Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou. 4Porque toda a casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus. 5E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar; 6Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim. 7Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, 8Não endureçais os vossos corações, Como na provocação, no dia da tentação no deserto. 9Onde vossos pais me tentaram, me provaram, E viram por quarenta anos as minhas obras. 10Por isso me indignei contra esta geração, E disse: Estes sempre erram em seu coração, E não conheceram os meus caminhos. 11Assim jurei na minha ira Que não entrarão no meu repouso. 12Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. 13Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; 14Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim. 15Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação. 16Porque, havendo-a alguns ouvido, o provocaram; mas não todos os que saíram do Egito por meio de Moisés. 17Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foi porventura com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? 18E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? 19E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade. Hebreus 4 1TEMAMOS, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás. 2Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram. 3Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse: Assim jurei na minha ira Que não entrarão no meu repouso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo. 4Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia. 5E outra vez neste lugar: Não entrarão no meu repouso. 6Visto, pois, que resta que alguns entrem nele, e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas novas não entraram por causa da desobediência, 7Determina outra vez um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações. 8Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria depois disso de outro dia. 9Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. 10Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas. 11Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência. 12Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. 13E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar. 14Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. 15Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. 16Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno. Hebreus 5 1PORQUE todo o sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados; 2E possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados; pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza. 3E por esta causa deve ele, tanto pelo povo, como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados. 4E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão. 5Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Hoje te gerei. 6Como também diz, noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque. 7O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. 8Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. 9E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem; 10Chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque. 11Do qual muito temos que dizer, de difícil interpretação; porquanto vos fizestes negligentes para ouvir. 12Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. 13Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. 14Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal. Hebreus 6 1POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, 2E da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. 3E isto faremos, se Deus o permitir. 4Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, 5E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, 6E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. 7Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; 8Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. 9Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos. 10Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis. 11Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança; 12Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas. 13Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, como não tinha outro maior por quem jurasse, jurou por si mesmo, 14Dizendo: Certamente, abençoando te abençoarei, e multiplicando te multiplicarei. 15E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa. 16Porque os homens certamente juram por alguém superior a eles, e o juramento para confirmação é, para eles, o fim de toda a contenda. 17Por isso, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento; 18Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta; 19A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu, 20Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque. Hebreus 7 1PORQUE este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou; 2A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz; 3Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. 4Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos. 5E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão. 6Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas. 7Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior. 8E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive. 9E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos. 10Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro. 11De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? 12Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei. 13Porque aquele de quem estas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar, 14Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio. 15E muito mais manifesto é ainda, se à semelhança de Melquisedeque se levantar outro sacerdote, 16Que não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível. 17Porque ele assim testifica: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque. 18Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade 19 (Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus. 20E visto como não é sem prestar juramento (porque certamente aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes, 21Mas este com juramento por aquele que lhe disse: Jurou o Senhor, e não se arrependerá; Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque), 22De tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador. 23E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, 24Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. 25Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. 26Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus; 27Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. 28Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre. Hebreus 8 1ORA, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade, 2Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem. 3Porque todo o sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios; por isso era necessário que este também tivesse alguma coisa que oferecer. 4Ora, se ele estivesse na terra, nem tampouco sacerdote seria, havendo ainda sacerdotes que oferecem dons segundo a lei, 5Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito: Olha, faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou. 6Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas. 7Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda. 8Porque, repreendendo-os, lhes diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, Em que com a casa de Israel e com a casa de Judá estabelecerei uma nova aliança, 9Não segundo a aliança que fiz com seus pais No dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; Como não permaneceram naquela minha aliança, Eu para eles não atentei, diz o Senhor. 10Porque esta é a aliança que depois daqueles dias Farei com a casa de Israel, diz o Senhor; Porei as minhas leis no seu entendimento, E em seu coração as escreverei; E eu lhes serei por Deus, E eles me serão por povo; 11E não ensinará cada um a seu próximo, Nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; Porque todos me conhecerão, Desde o menor deles até ao maior. 12Porque serei misericordioso para com suas iniqüidades, E de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais. 13Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar. Hebreus 9 1ORA, também a primeira tinha ordenanças de culto divino, e um santuário terrestre. 2Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candelabro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o santuário. 3Mas depois do segundo véu estava o tabernáculo que se chama o santo dos santos, 4Que tinha o incensário de ouro, e a arca da aliança, coberta de ouro toda em redor; em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas da aliança; 5E sobre a arca os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente. 6Ora, estando estas coisas assim preparadas, a todo o tempo entravam os sacerdotes no primeiro tabernáculo, cumprindo os serviços; 7Mas, no segundo, só o sumo sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo; 8Dando nisto a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo, 9Que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço; 10Consistindo somente em comidas, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção. 11Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, 12Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. 13Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, 14Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? 15E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. 16Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador. 17Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive? 18Por isso também o primeiro não foi consagrado sem sangue; 19Porque, havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, lã purpúrea e hissopo, e aspergiu tanto o mesmo livro como todo o povo, 20Dizendo: Este é o sangue do testamento que Deus vos tem mandado. 21E semelhantemente aspergiu com sangue o tabernáculo e todos os vasos do ministério. 22E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. 23De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. 24Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; 25Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio; 26De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. 27E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, 28Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação. Hebreus 10 1PORQUE tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. 2Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. 3Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados, 4Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados. 5Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo me preparaste; 6Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. 7Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), Para fazer, ó Deus, a tua vontade. 8Como acima diz: Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecem segundo a lei). 9Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. 10Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez. 11E assim todo o sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados; 12Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus, 13Daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. 14Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados. 15E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver dito: 16Esta é a aliança que farei com eles Depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, E as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: 17E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades. 18Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado. 19Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, 20Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, 21E tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, 22Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, 23Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu. 24E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, 25Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. 26Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, 27Mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários. 28Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. 29De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça? 30Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. 31Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo. 32Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições. 33Em parte fostes feitos espetáculo com vitupérios e tribulações, e em parte fostes participantes com os que assim foram tratados. 34Porque também vos compadecestes das minhas prisões, e com alegria permitistes o roubo dos vossos bens, sabendo que em vós mesmos tendes nos céus uma possessão melhor e permanente. 35Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. 36Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa. 37Porque ainda um pouquinho de tempo, E o que há de vir virá, e não tardará. 38Mas o justo viverá pela fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. 39Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma. Hebreus 11 1ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. 2Porque por ela os antigos alcançaram testemunho. 3Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente. 4Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala. 5Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus. 6Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. 7Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé. 8Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. 9Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. 10Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus. 11Pela fé também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber, e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido. 12Por isso também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar. 13Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. 14Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. 15E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. 16Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade. 17Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito. 18Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar; 19E daí também em figura ele o recobrou. 20Pela fé Isaque abençoou Jacó e Esaú, no tocante às coisas futuras. 21Pela fé Jacó, próximo da morte, abençoou cada um dos filhos de José, e adorou encostado à ponta do seu bordão. 22Pela fé José, próximo da morte, fez menção da saída dos filhos de Israel, e deu ordem acerca de seus ossos. 23Pela fé Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei. 24Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, 25Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; 26Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. 27Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível. 28Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhes não tocasse. 29Pela fé passaram o Mar Vermelho, como por terra seca; o que intentando os egípcios, se afogaram. 30Pela fé caíram os muros de Jericó, sendo rodeados durante sete dias. 31Pela fé Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias. 32E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, 33Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, 34Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. 35As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; 36E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. 37Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados 38 (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. 39E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, 40Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados. Hebreus 12 1PORTANTO nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, 2Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. 3Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos. 4Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado. 5E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, E não desmaies quando por ele fores repreendido; 6Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. 7Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? 8Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. 9Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? 10Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. 11E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. 12Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados, 13E fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente, antes seja sarado. 14Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; 15Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem. 16E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura. 17Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou. 18Porque não chegastes ao monte palpável, aceso em fogo, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade, 19E ao sonido da trombeta, e à voz das palavras, a qual os que a ouviram pediram que se lhes não falasse mais; 20Porque não podiam suportar o que se lhes mandava: Se até um animal tocar o monte será apedrejado ou passado com um dardo. 21E tão terrível era a visão, que Moisés disse: Estou todo assombrado, e tremendo. 22Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos; 23À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; 24E a Jesus, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel. 25Vede que não rejeiteis ao que fala; porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram o que na terra os advertia, muito menos nós, se nos desviarmos daquele que é dos céus; 26A voz do qual moveu então a terra, mas agora anunciou, dizendo: Ainda uma vez comoverei, não só a terra, senão também o céu. 27E esta palavra: Ainda uma vez, mostra a mudança das coisas móveis, como coisas feitas, para que as imóveis permaneçam. 28Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade; 29Porque o nosso Deus é um fogo consumidor. Hebreus 13 1PERMANEÇA o amor fraternal. 2Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos. 3Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo. 4Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará. 5Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei. 6E assim com confiança ousemos dizer: O Senhor é o meu ajudador, e não temerei O que me possa fazer o homem. 7Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver. 8Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente. 9Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram. 10Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo. 11Porque os corpos dos animais, cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o santuário, são queimados fora do arraial. 12E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. 13Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. 14Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura. 15Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome. 16E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada. 17Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil. 18Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente. 19E rogo-vos com instância que assim o façais, para que eu mais depressa vos seja restituído. 20Ora, o Deus de paz, que pelo sangue da aliança eterna tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus Cristo, grande pastor das ovelhas, 21Vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Cristo Jesus, ao qual seja glória para todo o sempre. Amém. 22Rogo-vos, porém, irmãos, que suporteis a palavra desta exortação; porque abreviadamente vos escrevi. 23Sabei que já está solto o irmão Timóteo, com o qual, se ele vier depressa, vos verei. 24Saudai a todos os vossos chefes e a todos os santos. Os da Itália vos saúdam. 25A graça seja com todos vós. Amém. Tiago 1 2 3 4 5 Tiago 1 1TIAGO, servo de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que andam dispersas, saúde. 2Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; 3Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência. 4Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma. 5E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. 6Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte. 7Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa. 8O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos. 9Mas glorie-se o irmão abatido na sua exaltação, 10E o rico em seu abatimento; porque ele passará como a flor da erva. 11Porque sai o sol com ardor, e a erva seca, e a sua flor cai, e a formosa aparência do seu aspecto perece; assim se murchará também o rico em seus caminhos. 12Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. 13Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. 14Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. 15Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte. 16Não erreis, meus amados irmãos. 17Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. 18Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas. 19Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. 20Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus. 21Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas. 22E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. 23Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; 24Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era. 25Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. 26Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã. 27A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo. Tiago 2 1MEUS irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. 2Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje, 3E atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado, 4Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos? 5Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? 6Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais? 7Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado? 8Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. 9Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores. 10Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. 11Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu pois não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei. 12Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade. 13Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo. 14Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? 15E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, 16E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? 17Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. 18Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. 19Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. 20Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? 21Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? 22Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. 23E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. 24Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé. 25E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários, e os despediu por outro caminho? 26Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta. Tiago 3 1MEUS irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo. 2Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo. 3Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo. 4Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa. 5Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. 6A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno. 7Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; 8Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. 9Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. 10De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim. 11Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? 12Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce. 13Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. 14Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. 15Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. 16Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. 17Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. 18Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz. Tiago 4 1DE onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? 2Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. 3Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. 4Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. 5Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes? 6Antes, ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. 7Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. 8Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. 9Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. 10Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará. 11 Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz. 12Há só um legislador que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem? 13Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos; 14Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. 15Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo. 16Mas agora vos gloriais em vossas presunções; toda a glória tal como esta é maligna. 17Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado. Tiago 5 1EIA, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir. 2As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas de traça. 3O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias. 4Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos. 5Deliciosamente vivestes sobre a terra, e vos deleitastes; cevastes os vossos corações, como num dia de matança. 6Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu. 7Sede pois, irmãos, pacientes até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. 8Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima. 9 Irmãos, não vos queixeis uns contra os outros, para que não sejais condenados. Eis que o juiz está à porta. 10Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. 11Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso. 12Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim, e não, não; para que não caiais em condenação. 13Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. 14Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; 15E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. 16Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. 17Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. 18E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto. 19 Irmãos, se algum dentre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, 20Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados. 1 Pedro 1 2 3 4 5 1 Pedro 1 1PEDRO, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia; 2Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. 3Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós, 5Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo, 6Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, 7Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; 8Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso; 9Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas. 10Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, 11 Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. 12Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar. 13Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo; 14Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; 15Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; 16Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. 17E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação, 18Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, 19Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, 20O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós; 21E por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus; 22Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro; 23Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre. 24Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; 25Mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada. 1 Pedro 2 1DEIXANDO, pois, toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações, 2Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo; 3Se é que já provastes que o Senhor é benigno; 4E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, 5Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. 6Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido. 7E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, A pedra que os edificadores reprovaram, Essa foi a principal da esquina, 8E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados. 9Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; 10Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia. 11Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma; 12Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem. 13Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; 14Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. 15Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; 16Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. 17Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao rei. 18Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus. 19Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. 20Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. 21Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. 22O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano. 23O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente; 24Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. 25Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas. 1 Pedro 3 1SEMELHANTEMENTE, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra; 2Considerando a vossa vida casta, em temor. 3O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos vestidos; 4Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus. 5Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos; 6Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem, e não temendo nenhum espanto. 7 Igualmente vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações. 8E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis. 9Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção. 10Porque Quem quer amar a vida, E ver os dias bons, Refreie a sua língua do mal, E os seus lábios não falem engano. 11Aparte-se do mal, e faça o bem; Busque a paz, e siga-a. 12Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, E os seus ouvidos atentos às suas orações; Mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal. 13E qual é aquele que vos fará mal, se fordes seguidores do bem? 14Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis; 15Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, 16Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo. 17Porque melhor é que padeçais fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal. 18Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; 19No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; 20Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água; 21Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo; 22O qual está à destra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências. 1 Pedro 4 1ORA, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este mesmo pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado; 2Para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus. 3Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias; 4E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós. 5Os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos. 6Porque por isto foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito; 7E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração. 8Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados. 9Sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurações, 10Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. 11Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém. 12Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; 13Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. 14Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado. 15Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; 16Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte. 17Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus? 18E, se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador? 19Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem. 1 Pedro 5 1AOS presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: 2Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; 3Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. 4E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória. 5Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. 6Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; 7Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. 8Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; 9Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo. 10E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus nos chamou à sua eterna glória, depois de havermos padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoe, confirme, fortifique e estabeleça. 11A ele seja a glória e o poderio para todo o sempre. Amém. 12Por Silvano, vosso fiel irmão, como cuido, escrevi brevemente, exortando e testificando que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes. 13A vossa co-eleita em Babilônia vos saúda, e meu filho Marcos. 14Saudai-vos uns aos outros com ósculo de amor. Paz seja com todos vós que estais em Cristo Jesus. Amém. 2 Pedro 1 2 3 2 Pedro 1 1SIMÃO Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo: 2Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor; 3Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; 4Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. 5E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, 6E à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, 7E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. 8Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. 9Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendose esquecido da purificação dos seus antigos pecados. 10Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. 11Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 12Por isso não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade. 13E tenho por justo, enquanto estiver neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações, 14Sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, como também nosso Senhor Jesus Cristo já mo tem revelado. 15Mas também eu procurarei em toda a ocasião que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas. 16Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade. 17Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. 18E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo; 19E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. 20Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. 21Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. 2 Pedro 2 1E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. 2E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. 3E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. 4Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; 5E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, a oitava pessoa, o pregoeiro da justiça, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; 6E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente; 7E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis 8 (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre as suas obras injustas); 9Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados; 10Mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as autoridades; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignidades; 11Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor. 12Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, 13Recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites quotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco; 14Tendo os olhos cheios de adultério, e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição; 15Os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça; 16Mas teve a repreensão da sua transgressão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta. 17Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva. 18Porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne, e com dissoluções, aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro, 19Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo. 20Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. 21Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; 22Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama. 2 Pedro 3 1AMADOS, escrevo-vos agora esta segunda carta, em ambas as quais desperto com exortação o vosso ânimo sincero; 2Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas, e do nosso mandamento, como apóstolos do Senhor e Salvador. 3Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, 4E dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. 5Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste. 6Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio, 7Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. 8Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. 9O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. 10Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. 11Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, 12Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? 13Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. 14Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz. 15E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; 16Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. 17Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; 18Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém. 1 João 1 2 3 4 5 1 João 1 1O QUE era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida 2 (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); 3O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. 4Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra. 5E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas. 6Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. 7Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. 8Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. 9Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. 10Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. 1 João 2 1MEUS filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. 2E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. 3E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. 4Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. 5Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. 6Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou. 7 Irmãos, não vos escrevo mandamento novo, mas o mandamento antigo, que desde o princípio tivestes. Este mandamento antigo é a palavra que desde o princípio ouvistes. 8Outra vez vos escrevo um mandamento novo, que é verdadeiro nele e em vós; porque vão passando as trevas, e já a verdadeira luz ilumina. 9Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas. 10Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo. 11Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos. 12Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo seu nome vos são perdoados os pecados. 13Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio. Jovens, escrevo-vos, porque vencestes o maligno. Eu vos escrevo, filhos, porque conhecestes o Pai. 14Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno. 15Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. 16Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. 17E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. 18Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora. 19Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós. 20E vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas. 21Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade. 22Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho. 23Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho, tem também o Pai. 24Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai. 25E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna. 26Estas coisas vos escrevi acerca dos que vos enganam. 27E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis. 28E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não sejamos confundidos por ele na sua vinda. 29Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele. 1 João 3 1VEDE quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele. 2Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. 3E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro. 4Qualquer que comete pecado, também comete iniqüidade; porque o pecado é iniqüidade. 5E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. 6Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu. 7Filhinhos, ninguém vos engane. Quem pratica justiça é justo, assim como ele é justo. 8Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo. 9Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus. 10Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus. 11Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. 12Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas. 13Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia. 14Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte. 15Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele. 16Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos. 17Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus? 18Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade. 19E nisto conhecemos que somos da verdade, e diante dele asseguraremos nossos corações; 20Sabendo que, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas. 21Amados, se o nosso coração não nos condena, temos confiança para com Deus; 22E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista. 23E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento. 24E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado. 1 João 4 1AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. 2Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; 3E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo. 4Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo. 5Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve. 6Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro. 7Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 8Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. 9Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. 10Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. 11Amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros. 12Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. 13Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito. 14E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo. 15Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus. 16E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele. 17Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo. 18No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor. 19Nós o amamos porque ele nos amou primeiro. 20Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? 21E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão. 1 João 5 1TODO aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido. 2Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. 3Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados. 4Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. 5Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade. 7Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. 8E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num. 9Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de seu Filho testificou. 10Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. 11E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. 12Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. 13Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus. 14E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. 15E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos. 16Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. 17Toda a iniqüidade é pecado, e há pecado que não é para morte. 18Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca. 19Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno. 20E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para que conheçamos ao Verdadeiro; e no que é Verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. 21Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém. 2 João 1 2 João 1 1O PRESBÍTERO à senhora eleita, e a seus filhos, aos quais amo na verdade, e não somente eu, mas também todos os que têm conhecido a verdade, 2Por amor da verdade que está em nós, e para sempre estará conosco: 3Graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai, seja convosco na verdade e amor. 4Muito me alegro por achar que alguns de teus filhos andam na verdade, assim como temos recebido o mandamento do Pai. 5E agora, senhora, rogo-te, não como se escrevesse um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros. 6E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o princípio ouvistes, que andeis nele. 7Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo. 8Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão. 9Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. 10Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. 11Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras. 12Tendo muito que escrever-vos, não quis fazê-lo com papel e tinta; mas espero ir ter convosco e falar face a face, para que o nosso gozo seja cumprido. 13Saúdam-te os filhos de tua irmã, a eleita. Amém. 3 João 1 3 João 1 1O PRESBÍTERO ao amado Gaio, a quem em verdade eu amo. 2Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma. 3Porque muito me alegrei quando os irmãos vieram, e testificaram da tua verdade, como tu andas na verdade. 4Não tenho maior gozo do que este, o de ouvir que os meus filhos andam na verdade. 5Amado, procedes fielmente em tudo o que fazes para com os irmãos, e para com os estranhos, 6Que em presença da igreja testificaram do teu amor; aos quais, se conduzires como é digno para com Deus, bem farás; 7Porque pelo seu Nome saíram, nada tomando dos gentios. 8Portanto, aos tais devemos receber, para que sejamos cooperadores da verdade. 9Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. 10Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja. 11Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus. 12Todos dão testemunho de Demétrio, até a mesma verdade; e também nós testemunhamos; e vós bem sabeis que o nosso testemunho é verdadeiro. 13Tinha muito que escrever, mas não quero escrever-te com tinta e pena. 14Espero, porém, ver-te brevemente, e falaremos face a face. 15Paz seja contigo. Os amigos te saúdam. Saúda os amigos por nome. Judas 1 Judas 1 1JUDAS, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, santificados em Deus Pai, e conservados por Jesus Cristo: 2Misericórdia, e paz, e amor vos sejam multiplicados. 3Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. 4Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo. 5Mas quero lembrar-vos, como a quem já uma vez soube isto, que, havendo o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os que não creram; 6E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia; 7Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno. 8E, contudo, também estes, semelhantemente adormecidos, contaminam a sua carne, e rejeitam a dominação, e vituperam as dignidades. 9Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. 10Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem. 11Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré. 12Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas; 13Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas. 14E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; 15Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele. 16Estes são murmuradores, queixosos da sua sorte, andando segundo as suas concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes, admirando as pessoas por causa do interesse. 17Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo; 18Os quais vos diziam que nos últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências. 19Estes são os que a si mesmos se separam, sensuais, que não têm o Espírito. 20Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, 21Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. 22E apiedai-vos de alguns, usando de discernimento; 23E salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo, odiando até a túnica manchada da carne. 24Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, 25Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém. Apocalipse 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 Apocalipse 1 1REVELAÇÃO de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo; 2O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto. 3Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. 4João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; 5E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, 6E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém. 7Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém. 8Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso. 9Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo. 10Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, 11Que dizia: Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia. 12E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; 13E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. 14E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; 15E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. 16E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece. 17E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; 18E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno. 19Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer; 20O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas. Apocalipse 2 1ESCREVE ao anjo da igreja de Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro: 2Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. 3E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. 4Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. 5Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. 6Tens, porém, isto: que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio. 7Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lheei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus. 8E ao anjo da igreja em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu: 9Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás. 10Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. 11Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte. 12E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios: 13Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. 14Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e fornicassem. 15Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio. 16Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca. 17Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe. 18E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem seus olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente: 19Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras. 20Mas algumas poucas coisas tenho contra ti que deixas Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que forniquem e comam dos sacrifícios da idolatria. 21E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua fornicação; e não se arrependeu. 22Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. 23E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras. 24Mas eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei. 25Mas o que tendes, retende-o até que eu venha. 26E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações, 27E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai. 28E dar-lhe-ei a estrela da manhã. 29Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Apocalipse 3 1E AO anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto. 2Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus. 3Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei. 4Mas também tens em Sardes algumas poucas pessoas que não contaminaram suas vestes, e comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso. 5O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. 6Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. 7E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: 8Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome. 9Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo. 10Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra. 11Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. 12A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome. 13Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. 14E ao anjo da igreja de Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: 15Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! 16Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. 17Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; 18Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. 19Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. 20Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. 21Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono. 22Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Apocalipse 4 1DEPOIS destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz que, como de trombeta, ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. 2E logo fui arrebatado no Espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono. 3E o que estava assentado era, na aparência, semelhante à pedra jaspe e sardônica; e o arco celeste estava ao redor do trono, e parecia semelhante à esmeralda. 4E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestes brancas; e tinham sobre suas cabeças coroas de ouro. 5E do trono saíam relâmpagos, e trovões, e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus. 6E havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás. 7E o primeiro animal era semelhante a um leão, e o segundo animal semelhante a um bezerro, e tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era semelhante a uma águia voando. 8E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir. 9E, quando os animais davam glória, e honra, e ações de graças ao que estava assentado sobre o trono, ao que vive para todo o sempre, 10Os vinte e quatro anciãos prostravam-se diante do que estava assentado sobre o trono, e adoravam o que vive para todo o sempre; e lançavam as suas coroas diante do trono, dizendo: 11Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas. Apocalipse 5 1E VI na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. 2E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos? 3E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele. 4E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele. 5E disseme um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos. 6E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra. 7E veio, e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono. 8E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. 9E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; 10E para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra. 11E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, 12Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças. 13E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que estão no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre. 14E os quatro animais diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre. Apocalipse 6 1E, HAVENDO o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem, e vê. 2E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer. 3E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem, e vê. 4E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada. 5E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer o terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança em sua mão. 6E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho. 7E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê. 8E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra. 9E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. 10E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? 11E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram. 12E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue; 13E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte. 14E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. 15E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; 16E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; 17Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir? Apocalipse 7 1E DEPOIS destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma. 2E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar, 3Dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos selado nas suas testas os servos do nosso Deus. 4E ouvi o número dos selados, e eram cento e quarenta e quatro mil selados, de todas as tribos dos filhos de Israel. 5Da tribo de Judá, havia doze mil selados; da tribo de Rúben, doze mil selados; da tribo de Gade, doze mil selados; 6Da tribo de Aser, doze mil selados; da tribo de Naftali, doze mil selados; da tribo de Manassés, doze mil selados; 7Da tribo de Simeão, doze mil selados; da tribo de Levi, doze mil selados; da tribo de Issacar, doze mil selados; 8Da tribo de Zebulom, doze mil selados; da tribo de José, doze mil selados; da tribo de Benjamim, doze mil selados. 9Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; 10E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro. 11E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus, 12Dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém. 13E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? 14E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disseme: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. 15Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra. 16Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem sol nem calma alguma cairá sobre eles. 17Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes vivas das águas; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima. Apocalipse 8 1E, HAVENDO aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora. 2E vi os sete anjos, que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas. 3E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono. 4E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus. 5E o anjo tomou o incensário, e o encheu do fogo do altar, e o lançou sobre a terra; e houve depois vozes, e trovões, e relâmpagos e terremotos. 6E os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocá-las. 7E o primeiro anjo tocou a sua trombeta, e houve saraiva e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra, que foi queimada na sua terça parte; queimouse a terça parte das árvores, e toda a erva verde foi queimada. 8E o segundo anjo tocou a trombeta; e foi lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo, e tornou-se em sangue a terça parte do mar. 9E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar; e perdeu-se a terça parte das naus. 10E o terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas. 11E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas. 12E o quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas; para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse, e semelhantemente a noite. 13E olhei, e ouvi um anjo voar pelo meio do céu, dizendo com grande voz: Ai! ai! ai! dos que habitam sobre a terra! por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos que hão de ainda tocar. Apocalipse 9 1E O QUINTO anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. 2E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha, e com a fumaça do poço escureceu-se o sol e o ar. 3E da fumaça vieram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o poder que têm os escorpiões da terra. 4E foi-lhes dito que não fizessem dano à erva da terra, nem a verdura alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos homens que não têm nas suas testas o selo de Deus. 5E foi-lhes permitido, não que os matassem, mas que por cinco meses os atormentassem; e o seu tormento era semelhante ao tormento do escorpião, quando fere o homem. 6E naqueles dias os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles. 7E o parecer dos gafanhotos era semelhante ao de cavalos aparelhados para a guerra; e sobre as suas cabeças havia umas como coroas semelhantes ao ouro; e os seus rostos eram como rostos de homens. 8E tinham cabelos como cabelos de mulheres, e os seus dentes eram como de leões. 9E tinham couraças como couraças de ferro; e o ruído das suas asas era como o ruído de carros, quando muitos cavalos correm ao combate. 10E tinham caudas semelhantes às dos escorpiões, e aguilhões nas suas caudas; e o seu poder era para danificar os homens por cinco meses. 11E tinham sobre si rei, o anjo do abismo; em hebreu era o seu nome Abadom, e em grego Apoliom. 12Passado é já um ai; eis que depois disso vêm ainda dois ais. 13E tocou o sexto anjo a sua trombeta, e ouvi uma voz que vinha das quatro pontas do altar de ouro, que estava diante de Deus, 14A qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solta os quatro anjos, que estão presos junto ao grande rio Eufrates. 15E foram soltos os quatro anjos, que estavam preparados para a hora, e dia, e mês, e ano, a fim de matarem a terça parte dos homens. 16E o número dos exércitos dos cavaleiros era de duzentos milhões; e ouvi o número deles. 17E assim vi os cavalos nesta visão; e os que sobre eles cavalgavam tinham couraças de fogo, e de jacinto, e de enxofre; e as cabeças dos cavalos eram como cabeças de leões; e de suas bocas saía fogo e fumaça e enxofre. 18Por estes três foi morta a terça parte dos homens, isto é pelo fogo, pela fumaça, e pelo enxofre, que saíam das suas bocas. 19Porque o poder dos cavalos está na sua boca e nas suas caudas. Porquanto as suas caudas são semelhantes a serpentes, e têm cabeças, e com elas danificam. 20E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar. 21E não se arrependeram dos seus homicídios, nem das suas feitiçarias, nem da sua fornicação, nem dos seus furtos. Apocalipse 10 1E VI outro anjo forte, que descia do céu, vestido de uma nuvem; e por cima da sua cabeça estava o arco celeste, e o seu rosto era como o sol, e os seus pés como colunas de fogo; 2E tinha na sua mão um livrinho aberto. E pôs o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra; 3E clamou com grande voz, como quando ruge um leão; e, havendo clamado, os sete trovões emitiram as suas vozes. 4E, quando os sete trovões acabaram de emitir as suas vozes, eu ia escrever; mas ouvi uma voz do céu, que me dizia: Sela o que os sete trovões emitiram, e não o escrevas. 5E o anjo que vi estar sobre o mar e sobre a terra levantou a sua mão ao céu, 6E jurou por aquele que vive para todo o sempre, o qual criou o céu e o que nele há, e a terra e o que nela há, e o mar e o que nele há, que não haveria mais demora; 7Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos. 8E a voz que eu do céu tinha ouvido tornou a falar comigo, e disse: Vai, e toma o livrinho aberto da mão do anjo que está em pé sobre o mar e sobre a terra. 9E fui ao anjo, dizendo-lhe: Dá-me o livrinho. E ele disseme: Toma-o, e come-o, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel. 10E tomei o livrinho da mão do anjo, e comi-o; e na minha boca era doce como mel; e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amargo. 11E ele disseme: Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis. Apocalipse 11 1E FOI-ME dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo, e disse: Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele adoram. 2E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses. 3E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco. 4Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra. 5E, se alguém lhes quiser fazer mal, fogo sairá da sua boca, e devorará os seus inimigos; e, se alguém lhes quiser fazer mal, importa que assim seja morto. 6Estes têm poder para fechar o céu, para que não chova, nos dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue, e para ferir a terra com toda a sorte de pragas, todas quantas vezes quiserem. 7E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará. 8E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o nosso Senhor também foi crucificado. 9E homens de vários povos, e tribos, e línguas, e nações verão seus corpos mortos por três dias e meio, e não permitirão que os seus corpos mortos sejam postos em sepulcros. 10E os que habitam na terra se regozijarão sobre eles, e se alegrarão, e mandarão presentes uns aos outros; porquanto estes dois profetas tinham atormentado os que habitam sobre a terra. 11E depois daqueles três dias e meio o espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles; e puseram-se sobre seus pés, e caiu grande temor sobre os que os viram. 12E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi para aqui. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os viram. 13E naquela mesma hora houve um grande terremoto, e caiu a décima parte da cidade, e no terremoto foram mortos sete mil homens; e os demais ficaram muito atemorizados, e deram glória ao Deus do céu. 14É passado o segundo ai; eis que o terceiro ai cedo virá. 15E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre. 16E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus, 17Dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste. 18E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra. 19E abriu-se no céu o templo de Deus, e a arca da sua aliança foi vista no seu templo; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva. Apocalipse 12 1E VIU-SE um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. 2E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz. 3E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas. 4E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho. 5E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono. 6E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias. 7E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; 8Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. 9E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. 10E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite. 11E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte. 12Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo. 13E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem. 14E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente. 15E a serpente lançou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, para que pela corrente a fizesse arrebatar. 16E a terra ajudou a mulher; e a terra abriu a sua boca, e tragou o rio que o dragão lançara da sua boca. 17E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo. Apocalipse 13 1E EU pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. 2E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio. 3E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. 4E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? 5E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses. 6E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu. 7E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação. 8E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. 9Se alguém tem ouvidos, ouça. 10Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá; se alguém matar à espada, necessário é que à espada seja morto. Aqui está a paciência e a fé dos santos. 11E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão. 12E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada. 13E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. 14E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia. 15E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta. 16E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, 17Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. 18Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis. Apocalipse 14 1E OLHEI, e eis que estava o Cordeiro sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que em suas testas tinham escrito o nome de seu Pai. 2E ouvi uma voz do céu, como a voz de muitas águas, e como a voz de um grande trovão; e ouvi uma voz de harpistas, que tocavam com as suas harpas. 3E cantavam um como cântico novo diante do trono, e diante dos quatro animais e dos anciãos; e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra. 4Estes são os que não estão contaminados com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro. 5E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus. 6E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, 7Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas. 8E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu, caiu Babilônia, aquela grande cidade, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua fornicação. 9E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, 10Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. 11E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome. 12Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. 13E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem. 14E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante ao Filho do homem, que tinha sobre a sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão uma foice aguda. 15E outro anjo saiu do templo, clamando com grande voz ao que estava assentado sobre a nuvem: Lança a tua foice, e sega; a hora de segar te é vinda, porque já a seara da terra está madura. 16E aquele que estava assentado sobre a nuvem meteu a sua foice à terra, e a terra foi segada. 17E saiu do templo, que está no céu, outro anjo, o qual também tinha uma foice aguda. 18E saiu do altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo, e clamou com grande voz ao que tinha a foice aguda, dizendo: Lança a tua foice aguda, e vindima os cachos da vinha da terra, porque já as suas uvas estão maduras. 19E o anjo lançou a sua foice à terra e vindimou as uvas da vinha da terra, e atirou-as no grande lagar da ira de Deus. 20E o lagar foi pisado fora da cidade, e saiu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, pelo espaço de mil e seiscentos estádios. Apocalipse 15 1E VI outro grande e admirável sinal no céu: sete anjos, que tinham as sete últimas pragas; porque nelas é consumada a ira de Deus. 2E vi um como mar de vidro misturado com fogo; e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus. 3E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus TodoPoderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos. 4Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso todas as nações virão, e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos. 5E depois disto olhei, e eis que o templo do tabernáculo do testemunho se abriu no céu. 6E os sete anjos que tinham as sete pragas saíram do templo, vestidos de linho puro e resplandecente, e cingidos com cintos de ouro pelos peitos. 7E um dos quatro animais deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da ira de Deus, que vive para todo o sempre. 8E o templo encheu-se com a fumaça da glória de Deus e do seu poder; e ninguém podia entrar no templo, até que se consumassem as sete pragas dos sete anjos. Apocalipse 16 1E OUVI, vinda do templo, uma grande voz, que dizia aos sete anjos: Ide, e derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus. 2E foi o primeiro, e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem. 3E o segundo anjo derramou a sua taça no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda a alma vivente. 4E o terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue. 5E ouvi o anjo das águas, que dizia: Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e hás de ser, porque julgaste estas coisas. 6Visto como derramaram o sangue dos santos e dos profetas, também tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores. 7E ouvi outro do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos. 8E o quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abrasasse os homens com fogo. 9E os homens foram abrasados com grandes calores, e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória. 10E o quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, e o seu reino se fez tenebroso; e eles mordiam as suas línguas de dor. 11E por causa das suas dores, e por causa das suas chagas, blasfemaram do Deus do céu; e não se arrependeram das suas obras. 12E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente. 13E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. 14Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso. 15Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda as suas roupas, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas. 16E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom. 17E o sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e saiu grande voz do templo do céu, do trono, dizendo: Está feito. 18E houve vozes, e trovões, e relâmpagos, e houve um grande terremoto, como nunca houve desde que há homens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto. 19E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram; e da grande Babilônia se lembrou Deus, para lhe dar o cálice do vinho da indignação da sua ira. 20E toda a ilha fugiu; e os montes não se acharam. 21E sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, pedras do peso de um talento; e os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraiva; porque a sua praga era mui grande. Apocalipse 17 1E VEIO um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo- me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas; 2Com a qual fornicaram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua fornicação. 3E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres. 4E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua fornicação; 5E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra. 6E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração. 7E o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres. 8A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, ainda que é. 9Aqui o sentido, que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada. 10E são também sete reis; cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo. 11E a besta que era e já não é, é ela também o oitavo, e é dos sete, e vai à perdição. 12E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta. 13Estes têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta. 14Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com ele, chamados, e eleitos, e fiéis. 15E disseme: As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, e multidões, e nações, e línguas. 16E os dez chifres que viste na besta são os que odiarão a prostituta, e a colocarão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a queimarão no fogo. 17Porque Deus tem posto em seus corações, que cumpram o seu intento, e tenham uma mesma idéia, e que dêem à besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus. 18E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra. Apocalipse 18 1E DEPOIS destas coisas vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua glória. 2E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e covil de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável. 3Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua fornicação, e os reis da terra se fornicaram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias. 4E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas. 5Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniqüidades dela. 6Tornai-lhe a dar como ela vos tem dado, e retribuí-lhe em dobro conforme as suas obras; no cálice em que vos deu de beber, dai-lhe a ela em dobro. 7Quanto ela se glorificou, e em delícias esteve, foi-lhe outro tanto de tormento e pranto; porque diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e não verei o pranto. 8Portanto, num dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga. 9E os reis da terra, que fornicaram com ela, e viveram em delícias, a chorarão, e sobre ela prantearão, quando virem a fumaça do seu incêndio; 10Estando de longe pelo temor do seu tormento, dizendo: Ai! ai daquela grande cidade de Babilônia, aquela forte cidade! pois em uma hora veio o seu juízo. 11E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra; porque ninguém mais compra as suas mercadorias: 12Mercadorias de ouro, e de prata, e de pedras preciosas, e de pérolas, e de linho fino, e de púrpura, e de seda, e de escarlata; e toda a madeira odorífera, e todo o vaso de marfim, e todo o vaso de madeira preciosíssima, de bronze e de ferro, e de mármore; 13E canela, e perfume, e mirra, e incenso, e vinho, e azeite, e flor de farinha, e trigo, e gado, e ovelhas; e cavalos, e carros, e corpos e almas de homens. 14E o fruto do desejo da tua alma foi-se de ti; e todas as coisas gostosas e excelentes se foram de ti, e não mais as acharás. 15Os mercadores destas coisas, que dela se enriqueceram, estarão de longe, pelo temor do seu tormento, chorando e lamentando, 16E dizendo: Ai, ai daquela grande cidade! que estava vestida de linho fino, de púrpura, de escarlata; e adornada com ouro e pedras preciosas e pérolas! porque numa hora foram assoladas tantas riquezas. 17E todo piloto, e todo o que navega em naus, e todo marinheiro, e todos os que negociam no mar se puseram de longe; 18E, vendo a fumaça do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade é semelhante a esta grande cidade? 19E lançaram pó sobre as suas cabeças, e clamaram, chorando, e lamentando, e dizendo: Ai, ai daquela grande cidade! na qual todos os que tinham naus no mar se enriqueceram em razão da sua opulência; porque numa hora foi assolada. 20Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela. 21E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada. 22E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, e de músicos, e de flautistas, e de trombeteiros, e nenhum artífice de arte alguma se achará mais em ti; e ruído de mó em ti não se ouvirá mais; 23E luz de candeia não mais luzirá em ti, e voz de esposo e de esposa não mais em ti se ouvirá; porque os teus mercadores eram os grandes da terra; porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias. 24E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra. Apocalipse 19 1E, DEPOIS destas coisas ouvi no céu uma grande voz de uma grande multidão, que dizia: Aleluia! A salvação, e a glória, e a honra, e o poder pertencem ao Senhor nosso Deus; 2Porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua fornicação, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos. 3E outra vez disseram: Aleluia! E a fumaça dela sobe para todo o sempre. 4E os vinte e quatro anciãos, e os quatro animais, prostraram-se e adoraram a Deus, que estava assentado no trono, dizendo: Amém. Aleluia! 5E saiu uma voz do trono, que dizia: Louvai o nosso Deus, vós, todos os seus servos, e vós que o temeis, assim pequenos como grandes. 6E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: Aleluia! pois já o Senhor Deus Todo-Poderoso reina. 7Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. 8E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos. 9E disseme: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disseme: Estas são as verdadeiras palavras de Deus. 10E eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas ele disseme: Olha não faças tal; sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia. 11E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. 12E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. 13E estava vestido de uma veste tingida em sangue; e o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus. 14E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. 15E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. 16E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores. 17E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde, e ajuntai-vos à ceia do grande Deus; 18Para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam; e a carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes. 19E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército. 20E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. 21E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes. Apocalipse 20 1E VI descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. 2Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. 3E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo. 4E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. 5Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. 6Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos. 7E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, 8E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. 9E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os devorou. 10E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre. 11E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. 12E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. 13E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. 14E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. 15E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo. Apocalipse 21 1E VI um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. 2E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. 3E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. 4E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. 5E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disseme: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. 6E disseme mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. 7Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho. 8Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte. 9E veio a mim um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro. 10E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu. 11E tinha a glória de Deus; e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente. 12E tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. 13Do lado do levante tinha três portas, do lado do norte, três portas, do lado do sul, três portas, do lado do poente, três portas. 14E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. 15E aquele que falava comigo tinha uma cana de ouro, para medir a cidade, e as suas portas, e o seu muro. 16E a cidade estava situada em quadrado; e o seu comprimento era tanto como a sua largura. E mediu a cidade com a cana até doze mil estádios; e o seu comprimento, largura e altura eram iguais. 17E mediu o seu muro, de cento e quarenta e quatro côvados, conforme a medida de homem, que é a de um anjo. 18E a construção do seu muro era de jaspe, e a cidade de ouro puro, semelhante a vidro puro. 19E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda a pedra preciosa. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda; 20O quinto, sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo, ametista. 21E as doze portas eram doze pérolas; cada uma das portas era uma pérola; e a praça da cidade de ouro puro, como vidro transparente. 22E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro. 23E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada. 24E as nações dos salvos andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra. 25E as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite. 26E a ela trarão a glória e honra das nações. 27E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro. Apocalipse 22 1E MOSTROU-ME o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. 2No meio da sua praça, e de um e de outro lado do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações. 3E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão. 4E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o seu nome. 5E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre. 6E disseme: Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer. 7Eis que presto venho: Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro. 8E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar. 9E disseme: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus. 10E disseme: Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo. 11Quem é injusto, seja injusto ainda; e quem é sujo, seja sujo ainda; e quem é justo, seja justificado ainda; e quem é santo, seja santificado ainda. 12E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra. 13Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro. 14Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. 15Mas, ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira. 16Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã. 17E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida. 18Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; 19E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro. 20Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus. 21A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém. FICHA TÉCNICA Título: Bíblia Sagrada João Ferreira de Almeida - tradução Edição: Gustavo Rocha Revisão: Gustavo Rocha Capa: Daniela Blumetti Nossas publicações são constantemente revisadas e corrigidas para que nossos leitores tenham a melhor experiência de leitura possível. Caso encontre algum erro, por favor, entre em contato no nosso e-mail para que possamos corrigi-lo. 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